Entre Ervas E Poções escrita por Potterhead Narniana


Capítulo 21
Capítulo 21 - Compreensão de sentimentos


Notas iniciais do capítulo

Olá pessoal td bem?
Aqui estou eu com mais um capítulo,espero que gostem pois o fiz com muito carinho. Gostaria de dedicá-lo a alguém muito especial: Bonnie Wright, a atriz que interpretou a nossa querida Gina Weasley, completou ontem 22 anos de idade. Parabéns Bonnie, que essa data se repita por muitos e muitos anos! A ruiva mais linda desse mundo :)



Cuidar de Snape durante aqueles dias não foi uma tarefa nada fácil. Desde de que fora atacado, passara três dias inconsciente, e até então, os ferimentos não haviam apresentado o menor sinal de melhora. Nos dias que se passavam agora, Madame Pomfrey cuidava dele como se fosse um bebê. Não permitia visitas (nem mesmo de Alvo Dumbledore) e o menor ruído que fosse próximo à ala hospitalar - desde uma conversa, uma risada ou até mesmo um sussuro audível - era motivo de repreensão.

- O que pensam que estão fazendo? - dizia ela com a cabeça para fora do quarto - Estão malucos? Eu tenho um paciente para cuidar e ele precisa de repouso! Façam o favor de fazer silêncio ou deem o fora daqui!

Já fazia uma semana que Lara não via Severo, desde que ela o deixara sob os cuidados de Madame Pomfrey. Estava muito preocupada com o estado dele e aguardava ansiosamente o momento certo para vê-lo. Certa tarde, na companhia de Dumbledore e Minerva, ela resolveu ir até a ala hospitalar, na inútil tentativa de persuadir a enfermeira a permitir-lhes uma visita ao paciente.

- Sinto muito, professores, mas o estado do professor Snape é realmente delicado. Ele ainda não está forte o bastante para conversas, visitas, e temo que ao permitir-lhes a entrada, isso possa interferir na recuperação dele. Ele realmente precisa de muito repouso.

Lara fez uma cara desapontada, pois estava certa de que poderia rever seu companheiro. Porém, Dumbledore resolveu intervir:

- Madame Pomfrey, não duvido que seus cuidados sejam imprescindíveis. A senhora realmente tem um talento extraordinário para cuidar de seus pacientes. Confio tanto no seu trabalho, que não veria uma pessoa melhor para realizar as tarefas incumbidas à senhora - a enfermeira corou e sorriu levemente diante dos elogios de Dumbledore - Porém, devo reconhecer também, que Severo é bastante resistente. Não acredito que um ou dois minutinhos de conversa fariam mal à ele.

- Ah, eu não sei, diretor...

- Por favor - pediu Alvo, sorrindo com doçura.

- Está bem. Mas tentem falar o mais baixo possível, quanto mais calmo ele se sentir, melhor será para a sua recuperação. E não demorem muito, por favor - disse ela permitindo-lhes o acesso à sala.

- Seguiremos seus conselhos, Papoula. Muito obrigado.

A sala estava praticamente vazia, sendo ocupada pelo único paciente. Severo estava parecendo uma múmia, todo envolto em faixas de linho (exceto o rosto e a perna direita) e vestido numa espécie de pijama. Estava adormecido, mas ao ouvir o barulho de passos, acordou. Seu rosto estava muito lívido e com aparência fraca.

- E então? Como está se sentindo? - disse Minerva baixinho, se aproximando do leito.

- Bem, eu acho. - respondeu com a voz muito fraca e baixa - Espero sair daqui o mais rápido possível, não suporto ficar nem mais um minuto sequer neste quarto.

- Você deve ter paciência, meu filho - disse Dumbledore com um sorriso simpático - O que é isto? - perguntou ele examinando o rosto de Severo e percorrendo ligeiramente os dedos pela face macilenta - Não é resultado do feitiço, é?

- Bem, é e não é. Não foi resultado do Sectumsempra, mas de um lobo conjurado por Lockhart. Ele me pegou de surpresa e então eu ganhei isto. - disse apontando os arranhões em seu rosto. - A propósito, onde está Lara? Ela veio com vocês, não? - disse ele percorrendo os olhos pela sala.

-Estou aqui - respondeu.

Lara se encontrava em um canto afastado da sala, apenas observando-os. Ela preferia deixar que Dumbledore e McGonagall tirassem todas as suas dúvidas e preocupações a respeito de Severo primeiro. Afinal, ela já sabia o que havia ocorrido durante o duelo. Ao ouvir a voz de Snape, ela se aproximou.

- Bem, Minerva, acho que já podemos ir, não é? - disse Dumbledore - Lara deve querer dar uma palavrinha com Severo, afinal ela também não o vê há dias.

Minerva assentiu e os dois se retiraram da sala.

- Então, está bem mesmo? - perguntou Lara se aproximando de Severo. Ele assentiu. - Está comendo direito? Repousando bastante? Dormindo na hora certa?

- Fique calma, estou bem.

- Fiquei tão preocupada, não dormi durante várias noites. Tive tanto medo de perdê-lo... - dizia ela enquanto acariciava os cabelos de Severo.

- Não devia se preocupar comigo, devia se preocupar com você. - dizia ele calmamente - Você também é professora, não devia gastar a sua energia com algo desnecessário.

- Me preocupar com você nunca é algo desnecessário. - dizia ela sorrindo levemente com os olhos marejados. Sua mão agora descia para o rosto de Severo. Ele segurava a mão dela sobre seu rosto, como se quisesse que aquele toque durasse para sempre. Ao ouvir essas palavras dela, sentiu-se tão amado, como nunca havia se sentido antes. E então, Lara viu uma coisa que nunca imaginou que veria. Severo chorava.

- Ninguém nunca se preocupou comigo assim antes. - dizia ele com os olhos marejados, enquanto uma lágrima deslizava por seu rosto. - Você foi a melhor coisa que me aconteceu.

- Não diga isso. A sua mãe se preocupa muito com você também, ela te ama.

- Só agora, quando já não é mais preciso. Depois do que me tornei. - e ele deu uma olhada de relance para seu antebraço esquerdo. - No momento que eu mais precisei de apoio, ela não pôde me ajudar. Mas não é culpa dela, depois de tudo o que ela passou com Tobias... eu não podia ser tão egoísta a ponto de... a ponto de querer que ela esquecesse o próprio sofrimento para cuidar do meu - ele deu um longo suspiro - Durante toda a minha vida, eu tive que aprender a ser forte. Sempre passando sozinho por qualquer obstáculo. - ele deu uma forte tossida - Aprendi a não precisar (ou pelo menos não demonstrar precisar) de ajuda, por mais complexa que parecesse a situação. Talvez você, como tantas outras pessoas, possam estranhar a minha maneira sombria de ser. Mas acredite, é uma amargura que se adquire com o tempo, é involuntário.

Lara o ouvia calmamente.

- Sei que meus alunos não gostam de mim. Podem pensar que sou assim porque simplesmente não gosto deles. E bem, não gosto mesmo - ele deu um sorriso sem humor - Mas pode ter certeza, Lara, que não faço isso por egoísmo. Apenas quero que eles aprendam a ser fortes assim como eu tive que aprender. E as vezes, isso ocorre da pior maneira possível - ele, que antes fitava o teto, agora pousava seu olhar sobre os olhos de Lara. - Dumbledore pensa que me conhece, mas não sabe tudo sobre mim. Ele pensa que sou assim porque simplesmente quero ser. Ele pensa que já superei o que havia em mim, mas precisei de muito tempo para entender e tentar aceitar. É uma cicatriz interna, entende? Não é algo que se possa curar com uma erva ou uma poção cicatrizante. É algo que leva tempo, um processo demorado e, muitas vezes, doloroso. E ainda assim, algumas feridas são profundas demais para serem curadas com o tempo. É preciso um alguém, um outro coração que esteja disposto a cuidar dessa dor. Você entende o que estou dizendo?

Lara assentiu.

- Algumas pessoas, como os Malfoy por exemplo, parecem gostar de mim, mas não pelo o que sou. É pelo o que eu pareço ser, é por uma máscara. Você foi uma das poucas pessoas que estiveram dispostas a me conhecer por dentro e ainda assim, me aceitar. Sabe da importância que isso tem para mim? Mesmo depois de tantos anos, de tanta coisa... faz diferença.

Lara o fitou por alguns minutos.

- Por que está me dizendo isso agora? - ela perguntou.

Ele a olhou no fundo dos olhos.

- Porque quero que entenda que o que eu sinto por você não é algo efêmero, tampouco superficial. Somente uma vez eu amei alguém assim, mas não era para ser. O que me prendeu a você não foi seu exterior, embora você seja sim muito bonita. Foi seu modo de ver as coisas, o mundo ao seu redor. Uma mulher com a sua fibra, merece ser amada e respeitada de modo incondicional. Um poeta a contemplaria de joelhos pelo resto da vida... - ele deu um leve sorriso. - Entende a importância que tem para mim?

Os olhos de Lara não puderam conter algumas lágrimas diante daquela declaração. Ela apenas assentiu e sorriu, um sorriso tão feliz e sincero que parecia irradiar o quarto inteiro.

- Ninguém nunca me disse coisas tão lindas antes. - disse ela - Eu o admiro muito pelo o que é, Severo. Você foi o primeiro homem que me fez sonhar e acreditar novamente num amor verdadeiro. Umas das poucas pessoas que conseguiram capturar meu coração simplesmente sendo o que são. - ela sorriu e deu um beijo breve em Severo.

Madame Pomfrey, que estivera ausente durante todo aquele tempo, reapareceu no quarto, cortando todo o clima que surgira ali.

- Hora da sua sopa - disse ela a Severo.

- Ah, de novo não... - reclamou ele com um olhar de puro desagrado.

- É melhor fazer o que ela diz. - disse Lara - Coma. Vai te fazer bem.

Já ia se retirando, quando Severo a chamou.

- Sim? - disse ela se virando.

- Muito obrigado por ter salvado a minha vida.

- Não tem do que agradecer. Estamos quites agora. - disse ela com um sorriso maroto - Você salvou a minha, eu salvei a sua.

E deixando Snape sob os cuidados de Madame Pomfrey, se retirou do quarto.



Notas finais do capítulo

Espero que tenham gostado
bjão