Gostosuras Ou Travessuras? escrita por Mallagueta Pepper


Capítulo 2
A invasão





DIA DE HALLOWEEN, NOVE HORAS DA MANHÃ

– Argh! Eu não acredito que você me convenceu a entrar nessa furada, não acredito! Como é que você faz isso?
– Pára de reclamar e vamos logo! Tá achando ruim de quê? Pelo menos não é de noite.
– Dá no mesmo! Se a D. Morte nos pega, estamos fritos!
– Pega nada, ela deve estar trabalhando a essa hora, por isso eu escolhi fazer isso de manhã.
– E os amigos dela?
– A essa hora? Aposto que todo mundo deve estar dormindo, sei lá. Fantasma prefere andar de noite, não de dia!

Os dois foram andando pelo cemitério sendo seguidos de longe pelo DC, Toni e Felipe. Os três estavam ali para garantir que Cebola não ia trapacear. Antes de entrarem no cemitério, ambos foram revistados para garantir que ninguém estava levando nenhuma lingerie para depois falar que pegou da casa da morte.

Quando chegaram perto de uma casa, Cebola olhou para trás e DC fez um sinal confirmando que aquele era o lugar certo. Os três se esconderam atrás de uns arbustos e ficaram aguardando os acontecimentos.

– É isso aí, vamos acabar logo com isso!
– Como é que a gente vai entrar? A porta deve estar... – ele parou de falar quando Cebola girou a maçaneta e a porta abriu sem problemas. – destrancada? Não entendi...
– Ela deve achar que ninguém tem coragem de entrar aqui, por isso não tranca a porta. Melhor pra nós, hehe! Agora pega a máquina e vai tirando as fotos.

Cascão tirou uma foto do Cebola entrando na casa e depois seguiu o amigo, tirando outras fotos da sala sob as instruções do careca.

– Tira uma foto da lareira, agora dali, ó! E para de tremer, senão as fotos vão ficar ruins!
– Tá dando não, careca! Véi, aquilo ali é uma cadeira elétrica de verdade?
– Sei lá, mas é muito doido! Espera só até a galera ver isso! tira uma foto aí, vai!

Cebola sentou-se na cadeira elétrica, que estava equipada com correias, eletrodos e todo aparato necessário para executar uma pessoa com choque elétrico. Será que aquilo funcionava de verdade? Ele não queria experimentar, sua intenção era só tirar algumas fotos.

– Beleza, agora vamos procurar o quarto dela. Cara, isso é emocionante demais, não acha?
– Ai minha mamãezinha do céu! Se eu sair vivo dessa, prometo que tomo banho quatro vezes por semana ao invés de três!

Os dois foram para o andar de cima, onde havia muitos cômodos. Cebola abriu a porta de um deles e os dois viram que ali só tinha uma cama, um armário e uma mesa com uma cadeira. O quarto não parecia estar sendo usado por ninguém e eles continuaram procurando.

O outro parecia ser um escritório, com um computador que parecia ser moderno, alguns escaninhos e uma pilha de papéis bem organizada ao lado da mesa de madeira escura. Cebola pegou uma das listas e viu que ali estavam escrito nomes de várias pessoas, juntamente com uma data.

– Rapaz, que doido! Deve ser a lista de pessoas que ela levou, ou vai levar!
– Ô careca, vamos acabar logo com isso que eu tô quase fazendo o número dois nas calças!

Cebola pareceu ignorar e sentou-se em frente ao computador.

– Será que tem nossos nomes aqui? Acho que vou procurar.
– Tá doido, véi?
– Claro que não! De repente, eu posso até mudar a data das nossas mortes! Assim a gente vai viver por muito tempo!
– Ninguém merece! Você é mais pirado que o Licurgo!

Cebola ligou o computador e ficou decepcionado quando viu que do lado tinha um dispositivo de biometria, onde era preciso colocar um dedo para ser reconhecido pelo sistema.

– Rapaz, ela tá modernizada mesmo! Que pena...
– É, uma pena mesmo. Agora vamos logo procurar o quarto dela!

Os dois saíram dali e resolveram arriscar e foram direto para uma porta que estava no fim do corredor, imaginando que era ali onde ficava o quarto dela. Quando Cebola abriu a porta, ambos gelaram de medo.

– Ai minha santa Quelupita!
– Agora a porra ficou séria!

Dentro daquele quarto havia muitos objetos que pareciam ser bem antigos. Eram instrumentos medievais de tortura. O que aquelas coisas estariam fazendo na casa dela? movido pela curiosidade, Cebola entrou no quarto, seguido pelo Cascão que mal conseguia andar de tanto que suas pernas tremiam.

Eles nunca tinham visto nada igual. O quarto era relativamente grande e por toda parte eles viram instrumentos que eram usados com os hereges na idade média. Tinha ali uma cadeira inquiridora que era toda repleta de pregos pontudos.

Os dois também viram um balcão de estiramento, onde a pessoa era amarrada pelas mãos e pés e depois esticada. Havia uma guilhotina, um empalador, esmaga-polegares, esmaga-cabeças e até uma Iron Maiden.

Cebola deu uma olhada no instrumento, que tinha dois metros de altura. A vítima era amarrada dentro ali dentro e uma das duas portas se fechava, penetrando no seu corpo com os pontos estrategicamente colocados para que não penetrasse em qualquer órgão vital. Quando completamente fechado, os gritos não podiam ser ouvidos de fora, e a vítima não enxergava qualquer luz nem escutava nada. Além disso, os pontos bloqueavam as feridas, fazendo com que a morte acontecesse dias para ocorrer.

– Véi, tô boladaço! Pra que ela guarda essas paradas na casa dela?
– Não faço a menor idéia, Cascão. Olha só quanta coisa!

Além de vários instrumentos no chão, eles também viram que nas paredes tinham vários tipos de algemas, chicotes, açoites de ferro com bolas pontudas nas extremidades e muitos apetrechos de mutilação que pareciam grandes alicates. Sem falar das gaiolas, correntes e outros instrumentos que estavam pendurados no teto.

Cascão ia tirando fotos de tudo, sentindo o estômago embrulhando só de imaginar como aqueles instrumentos seriam usados.

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Do lado de fora, DC, Toni e Felipe esperavam por Cebola e Cascão.

(Felipe) – Eles não estão demorando?
(Toni) – Sei lá, parece que a casa é grande.
(DC) – Daqui a pouco eles aparecem.

Felipe ficou meio inquieto e perguntou.

– Será que não tem perigo?
– Perigo de quê? A D. Morte nem tá em casa. E mesmo que ela apareça, não vai fazer nada com eles.
– E se tiver alguma armadilha dentro da casa? – Toni perguntou já começando a ficar um pouco preocupado. Se algo acontecesse com aqueles dois, ele também poderia acabar tendo problemas.
– Bah, que nada! D. Morte não deve ser dessas coisas.

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– Olha quanta lápide! Parece que ela faz uma coleção dessas coisas...
– Fala sério! Ela é doida, só pode!
– Não exagera, Cascão. Ela apenas tem gostos excêntricos, só isso!
– Ah, tá!

Depois de olharem todos os quartos daquele andar (e de quase morrerem de susto com alguns), os dois finalmente encontraram o quarto que D. Morte usava para dormir.

– Demorô, heim! Agora vamos achar logo as calcinhas dela e vazar daqui!
– Pra que a pressa? Até que tá bem divertido explorar a casa dela!

Cebola olhou em volta, pensando em onde olhar primeiro. Havia um grande armário embutido que ele abriu e ali dentro havia as roupas da D. Morte. Eram conjuntos de capa com capuz e vestido, todos limpos, bem passados e pendurados em cabides. Ele não resistiu e pegou uma das capas.

– Haha! Espera só o pessoal ver isso! Tira mais fotos aí, Cascão!
– Você ainda vai matar a gente, escuta só o que eu tô falando!

Após colocar a capa no lugar cuidadosamente, ele foi examinar a penteadeira e ficou surpreso com a quantidade de apetrechos de maquiagem que tinha ali. Batons, perfumes e outras parafernálias que as garotas usavam como maquiagem e eles não conheciam.

(Cascão) – Rapaz, tem até escova!
(Cebola) – Sério? Ué, será que ela tem cabelo?
(Cascão) – Sei lá, a escova tá toda limpa...
(Cebola) – Então deve ser só pra enfeite. Vamos continuar procurando. Deixa eu ver... onde as mulheres guardam as roupas íntimas?
(Cascão) – Er... debaixo da cama?

Cebola resolveu procurar nas gavetas do armário e encontrou ali algo que ele não esperava.

– Ué, a D. Morte usa bermudão? – Cascão perguntou vendo Cebola examinando uma grande peça enfeitada com desenhos de caveiras.
– Que bermuda que nada, isso é uma ceroula!
– Credo! Esse treco enorme aí? Acho que nem minha avó usava isso!

Ele balançou a cabeça, muito desapontado. Aquilo era um pouco maior do que suas bermudas e não oferecia grandes possibilidades de deixar DC humilhado na frente de todos.

– Porcaria, será que não tem nenhuma calcinha por aqui?

Cascão fez uma careta.

– Cara, sério mesmo que você quer ver o DC usando essas coisas?
– É isso ou eu tenho que desistir da Mônica. Deixa eu olhar as outras gavetas...

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À medida que o tempo passava, DC foi ficando cada vez mais ansioso. Ele esperava que depois de cinco minutos, os dois saíssem correndo dali aos gritos e que o Cebola não conseguisse concluir a tarefa. Quinze minutos depois eles ainda estavam lá dentro e ele tremeu levemente diante da possibilidade de ter que usar roupas íntimas de mulher na festa daquela noite.

“Eu tenho que fazer alguma coisa, não posso deixar esse careca ganhar de mim!” ele pensou cerrando os punhos. Além de passar vergonha na frente de todos, Mônica nunca mais ia levá-lo a sério depois daquele vexame. Não, era preciso fazer alguma coisa para que Cebola perdesse a aposta e assim fosse obrigado a desistir da Mônica. Uma idéia lhe ocorreu e ele não hesitou nem um pouco.

– Vocês dois esperem aqui, eu vou fazer uma coisa.
(Toni) – Vai fazer o quê?
– Tecnicamente, é crime invadir a casa dos outros, não é?

Os outros dois concordaram.

– E como bons cidadãos, a gente deveria avisar a dona da casa, não deveria?

Toni entendeu onde ele queria chegar e deu um sorriso maldoso, mas Felipe discordou.

– Cara, isso é trapaça! Assim ele não vai conseguir pegar as calcinhas da morte!
– E com isso vai ter que desistir da Mônica! – DC completou e Felipe acabou sorrindo também.
– Então vai fundo que a gente continua aqui vigiando!

Nenhum dos dois tinha a intenção de ajudar DC, eles apenas queriam Cebola fora do caminho e assim eliminar mais um concorrente. Toni já estava fazendo alguns planos pensando em como tirar DC do seu caminho, já que ele era o segundo da fila e o maloqueiro do Felipe não constituía real ameaça para ele.

DC foi correndo pelo cemitério, tentando pensar em uma maneira de entrar em contato com a D. Morte. Como fazer isso se ela podia estar em qualquer parte do mundo? Após circular por um tempo, ele viu um frankenstein todo verde sentado em um túmulo conversando com um crânio que estava sobre uma pedra e resolveu tentar a sorte.

– E aí, galera? Beleza?

Os dois olharam para ele sem entender nada e DC continuou.

– Seguinte, eu tô precisando falar umas coisas com a D. Morte, vocês sabem se ela tá em casa?

Cranicola respondeu.

– Não, ela está trabalhando agora e só deve chegar a noite.
– Ah, que pena... é algo muito importante e não daria pra esperar.
– Você pode telefonar. – Frank sugeriu. - D. Morte tem celular novinho!
– Sério? Só que eu não tenho o número dela...
– Frank, pega o seu celular e disca o número da D. Morte! – Cranicola falou, sendo prontamente atendido.

DC pegou o aparelho e afastou-se um pouco dos dois. Uma voz de mulher falou no outro lado da linha.

– Alô?
– D. Morte?
– Quem é? Fala rápido porque eu estou no meio de um atentado e o homem-bomba vai detonar os explosivos a qualquer momento!
– É que tem uns caras invadindo sua casa, aposto que vão roubar alguma coisa!
– Como é que é? Invadiram minha casa?
– Invadiram sim, eu vi tudo! Você tem que vir logo antes que eles consigam fugir!
– Espere um pouco, quem é você afinal? Alô?

DC desligou o celular rapidamente e devolveu ao frankenstein com um largo sorriso no rosto. Se tudo desse certo, a morte acabaria chegando bem a tempo de impedir que aqueles dois conseguissem roubar alguma coisa.

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Ao abrir uma gaveta que ficava do outro lado do armário, Cebola exclamou feliz da vida.

– Achei! Olha, Cascão! Eu achei, vem ver!
– Véi, e não é que ela usa calcinha mesmo?

Todas as peças eram pretas e estavam meticulosamente dobradas. A maior surpresa para os dois foi ver que junto com cada calcinha, havia um sutiã combinando e Cebola resolveu levar um conjunto completo.

– Hahaha! Tira a foto aí, Cascão! E capricha que é pra ninguém ficar com nenhuma duvida!

Cascão também ria enquanto tirava as fotos, imaginando como DC ia ficar usando aquelas duas peças. Quando terminou, ele pegou o sutiã e ficou examinando enquanto falava.

– Cara, dá pra acreditar que a D. Morte tem peito? Engraçado que eu nunca percebi!
– Deve ser por causa daquele vestido meio folgado, sei lá. E olha só essa calcinha toda cheia de rendinha! Quero só ver a cara do DC quando souber que vai ter que usar isso!

O sujinho também riu.

– Ih, só que a gente vai ter que colocar um enchimento nesse sutiã aí, né? Talvez uns limões?
– Não, ficaria muito pequeno. Acho que duas laranjas devem servir, hahaha!

Cebola guardou o conjunto no bolso e chamou o amigo para ir embora dali o quanto antes. Eles saíram do quarto, passaram pelo corredor e desceram para a sala ansiosos para colocarem os pés fora daquela casa. Ao passar pela sala, algo atraiu a atenção do Cebola.

– Cara, o que é aquilo?





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