Dilemas escrita por Paige Sullivan


Capítulo 22
Capitulo 22


Notas iniciais do capítulo

Segue mais um capitulo para vocês! Enjoy it!



Capitulo 22

RIO DE JANEIRO

Diana e Marcelo encontraram um restaurante mais privado e sentaram para conversar. Meia hora de conversa e parecia que o assunto não terminava nunca. Ele estava encantado em como o tempo fez bem para ela. Mesmo estando mais velha e bem mais madura, ela ainda tinha aquele ar jovial de quando se conheceram na faculdade.

– E então... A empresa pelo visto está indo bem. – ela confirmou com a cabeça – Posso fazer uma pergunta indiscreta? – ela estava tomando um suco, e afirmou novamente com a cabeça, mas contendo o riso.

– Como se eu não soubesse o que vai me perguntar. – ela colocou o copo na mesa e ele riu sem graça.

– Casou? – ela negou com a cabeça – Ah, mas tem alguém. Não é possível.

Diana ate pensou na possibilidade de falar em Charles. Mas ele não tinha tocado no assunto e não seria ela a fazê-lo.

– Estou sozinha Marcelo. Mas nada que depois eu não possa resolver. – deu de ombros e ele riu – E você?

– Eu estou bem. Divorciado. – ela arregalou os olhos e ele assentiu – Por incrível que pareça, casei e me divorciei.

– Não, tudo bem, eu até entendo que tenha se casado, você sempre quis formar família, mas é difícil olhar pra você e ver que se divorciou.

– Olha Diana, tentei muito manter meu casamento, muito mesmo, mas foi muito difícil, já que minha esposa não ajudou muito.

– Alguém que eu conheça?

– Casei com a Luana. – Diana largou o garfo no prato e o olhou séria – Não me olhe assim.

– Por que me ligar nos problemas do passado não é mesmo? – ela deu de ombros – Mas eu sempre disse que ela não era mulher pra você.

– Verdade. Pena que não te dei ouvidos. – Marcelo viu que ali era a oportunidade de perguntar – Você me ouviu pelo menos? – estava demorando. Ela sabia o que ele quis dizer e assentiu.

– Não estou com o Charles não é Marcelo? Se tivesse eu teria respondido sim na primeira pergunta.

– Tudo bem, desculpa. – ele notou alguma coisa estranha – Mas vocês trabalham juntos não é?

– Não necessariamente. Trabalhamos no mesmo ramo, nos vemos de vez em quando e agora temos um projeto em comum. Mas nada que vá afetar a minha vida pessoal.

– Duvido Diana. – ele riu e depois de um tempo olhando séria pra ele, sua feição amainou – Vai me dizer que você e Charles nunca conversaram ou não tiveram nada depois d e tantos anos.

– Bom... Cada um seguiu com sua vida. – ele percebeu que ela estava fugindo da pergunta dele.

– Eu meio que li algumas coisas sobre vocês nas revistas e tal. Ele está bem de vida, parece que se recuperou bem.

– Manoel não seria louco de deixá-lo no comando da empresa se não estivesse.

– Isso é verdade. Encontrei com Manoel na França mês passado. Ele tinha comentado algo de ter deixado Charles na empresa, mas eu não me atinei muito. Na verdade trocamos poucas palavras.

– Deixa eu ver, ele estava com alguma namorada nova e não quis delongar muito a conversa...

– Ah ta explicado aquela loira que estava com ele. – os dois sorriram cúmplices – Meu Deus, Manoel não muda hein.

– Os filhos dele são a mesma coisa, o pai dele era assim... Genética.

– Bom, como eu sou diferente... – ele deu a língua e ela sorriu sabendo que ele estava brincando, que tal irmos jantar?

– Quanto tempo tem o seu divorcio? – ela arqueou as sobrancelhas.

– Uns dois meses. – ele pigarreou.

– E isso te faz diferente do Manoel onde?

– Diana... São detalhes ok? – ela riu.

– Homens.

– Aceita ou não?

– Não sei, a Lena esta vindo para o Rio, e provavelmente vai dormir lá em casa...

– Então, juntamos todo mundo e relembramos dos velhos tempos.

– Está se convidando pra ir à minha casa? Que feio!

– Como se você não soubesse que eu sou folgado não é? – gargalharam e terminaram o almoço voltando as lembranças boas do passado.

FORTALEZA

Aline e Dennis já estavam instalados em outro quarto duplo. Ficava no ultimo andar do prédio e tinha vista para a praia. Aproveitou que Dennis estava dormindo e que a porta estava fechada para fazer umas pesquisas na internet sobre o tal herdeiro da Construtora. Depois de um tempo perdida em pensamentos, já que nada mostrava que ele era aquele tipo de cara, encostou-se à poltrona e colocou as pernas em cima da mesa. Por que diabos ele tinha que ter cismado logo com ela?

– Será que é por que você é uma mulher difícil? – quase caiu de onde estava ao ouvir a voz de Dennis ao longe e ele olhou para as pernas dela e percebeu umas marcas pequenas – O que é isso? Eu não tinha visto na festa.

– Coloquei uma base pra esconder. – ela sorriu e abaixou as pernas – Não me assusta mais não.

– Desculpa. – ele respondeu sem graça – Mas o que foi isso?

– Um pequeno desastre na cozinha.

– Cozinha tão mal assim que sai derrubando as coisas em cima de você? – ele riu e Aline o olhou tão feio que ele engoliu o sorriso – Deixa eu ver.

– Não. Já melhorou muito. – ela levantou e já ia para o quarto dela quando ele olhou pro laptop e viu o que ela fazia.

– Está querendo o que afinal procurando sobre o Matias? – ela parou de andar e se chutou mentalmente por não ter desligado o laptop. Virou e sorriu meiga pra ele que já estava percebendo que algo fedia ali.

– Então... – ela coçou a cabeça – Eu queria descobrir algum podre dele.

– Na internet?

– Ué, é onde a gente mais acha coisa errada dos outros. – bateram a porta e os dois olharam um para a cara do outro – Quem é?

– Matias.

– Eu vou dar na cara dele. – Dennis sussurrou e quando começou a andar, ela o segurou – Ele não deve saber que eu estou aqui. Não seria louco de ter vindo sabendo que vai dar de cara comigo. Olha que legal, eu apareço de surpresa, dou um soco e depois digo que ele é maluco.

– Ta de brincadeira não é?

– Aline? – ele ainda não tinha ido embora. Bateu novamente em sua porta – Eu sei que esta ai. Pode me atender? – ela olhava de um lado para o outro pensando no que fazer.

– Já sei. Que tal fazermos ele achar que estamos dormindo juntos?

– Com esse pijama ai ele não acreditaria nem se você estivesse falando a verdade. – ela o olhou furiosa e foi em direção ao quarto dele – Vai fazer o que?

– Já vai Matias. To ocupada.

– Fazendo o que? Pode me atender de qualquer jeito, deve ser linda de qualquer maneira.

– Ele tem a cara de pau de falar isso no corredor? – Dennis apontou pra porta mais revoltado do que antes – Agora ele vai se ver comigo.

– Não. – ela o segurou de novo – Espera.

– Colocar minha camisa não é clichê não? – quando Dennis se deu conta, ela já estava com a camisa dele, apenas com ela por sinal, e tirando a calça do pijama – Ok, isso não vai me ajudar.

– Cala a boca Dennis. – ela olhou pra ele que estava de roupão fechado – Está de cueca?

– Aline, olha... Eu sei que você pediu pra irmos com calma.

– Aline, abre logo isso. Se eu soubesse que ia demorar tanto, tinha pegado a chave reserva na recepção. – os dois se entreolharam e rapidinho Dennis abriu o roupão. Realmente para Aline aquilo não era nada bom. Dennis tinha um corpo todo definido e ela se segurou para não ficar olhando muito tempo.

Bagunçou um pouco o cabelo e Dennis a empurrou.

– Demorou muito. – quando Matias deu de cara com Dennis na porta e com a cueca boxer aparecendo, seu olhar se preencheu com uma fúria alucinante – Essa demora toda...

– Foi por minha causa. Estávamos terminando um projeto. – Dennis sorriu sacana e o deixou ainda mais irritado.

– Cadê ela?

– Não precisa falar com ela.

– Claro que preciso. – saiu entrando no quarto sem pedir permissão e Aline fingiu sair esbaforida de dentro do quarto do Dennis. Matias olhou pra cama arrumada dela e seu cabelo todo bagunçado – E depois dizem que são apenas amigos. Por que demorou tanto pra me atender?

– Porque eu a segurei. – ele olhou pra Dennis que ria – Ela não disse que estava ocupada? Preciso especificar o que estávamos fazendo?

– Dennis! – ela arregalou os olhos e tentou se conter pra não gargalhar – Fecha esse roupão.

– Por quê?

– Eu preciso conversar com você. – Matias olhou pra ela – E é sério.

– Tudo o que você quiser falar pra ela... – Dennis foi fechando o roupão e ficando ao lado dela – Pode falar pra mim também.

– Eu não vou falar nada pra você.

– Então não vai falar com ela. – Aline se continha ao máximo para não gargalhar – Agora com licença? Você nos atrapalhou e precisamos descansar. Afinal amanha o dia será longo.

– Você me paga.

– To morrendo de medo de você. – Dennis foi empurrando ele porta afora – Boa noite.

Assim que a porta foi fechada, Aline explodiu em uma gargalhada. Queria ter um pouquinho de mediunidade ou qualquer coisa do tipo só pra poder ler a mente do Matias e saber o que ele pensava. Dennis ficou parado olhando pra ela. Realmente, vestida daquele jeito, com a blusa dele... Só de lembrar ela tirando a calça, imaginando que ela estava apenas com uma peça intima embaixo daquela blusa.

Ela estava tão envolta na aura de alegria que não percebeu que ele já estava perto dela, colocando a mão na sua cintura e a puxando pra cima dele.

– Dennis... – ela se assustou e assim que ele usou a outra mão pra afastar seu cabelo e sentir seu cheiro, suas pernas cambalearam. O que era aquilo?

– Diga. – foi cheirando cada cantinho do seu pescoço e chegou perto do seu ouvido soltando um hálito quente.

– Não vamos apressar as coisas. – falou já com um fio de voz.

– Mas eu estou indo bem devagar. – eles riram e ele foi empurrando-a pra sentar-se à mesa perto do laptop. Mas a principio, ela permaneceu de pé.

– Sério Dennis, estamos indo rápido demais. – o roupão dele já tinha soltado o laço frouxo que ele tinha feito e Aline tentava o afastar, mas toda vez que tocava sua barriga e sentia-o todo definido, o seu próprio corpo já não respondia mais ao que ela falava.

– Só uma chance Aline. – ele pegou seu rosto com as duas mãos, acariciou seus lábios e ela já não via coisa com coisa. Aquele olhar negro de desejo já era a resposta a qualquer coisa que ela cogitasse perguntar – Apenas uma.

Dennis não deixou barato. Beijou-a com ardor. Já estava bem óbvio que ele a queria, e ela já sabia, pra que delongar mais em conversas? Aline acabou sentando na mesa, e ele ficou entre suas pernas. Ela soltou um gemido baixo, e acabou se deixando levar pelo beijo dele, pelo calor do corpo quase colado ao seu. E ele estava louco para tirar aquela camisa dela.

O beijo foi se aprofundando, a situação foi ficando um pouco fora do controle, quando Aline se apercebeu que ele estava desabotoando a blusa de baixo pra cima e estava bem animado com a situação.

– Para. – ela realmente gelou – Estamos indo longe demais.

– Oi? – Dennis estava com as mãos na blusa dele e quase tocando sua barriga – Parar?

– Sério Dennis, não dá. – ela abaixou a cabeça e colocou as mãos no rosto – Não da pra ser assim. Desse jeito...

– Desse jeito...

– O que vai acontecer amanha de manha? Vamos agir como se nada tivesse acontecido ou vamos ser o mais novo casal do lugar?

– Não precisamos sair daqui como namorados Aline. – ele parecia sério e frustrado – Vai me dizer que não correspondeu aos beijos? Que não sentiu nada?

– Eu não disse isso. Eu não to falando disso pra ser sincera. – tentou se levantar, mas ele não deixou. Prendeu-a com os dois braços de cada lado do seu corpo – Eu... – não queria falar aquilo pra ele, principalmente do jeito que se encontravam.

– Você o que?

– Eu não estou preparada ainda, entenda isso. Você...

– Sou irmão do Tiago. – ele respirou fundo já sabendo o que viria dela – Desculpa, eu tinha me esquecido desse detalhe.

– Não é por mal, juro. – ela o fez encará-la. – Não estou pronta ainda. Não vou ficar com você ligada em outra pessoa, não acho isso justo.

– Ok. – ele se afastou, bagunçou os cabelos e foi andando em direção ao quarto dele – Entendi. Respeito sua decisão, não vou forçar nada. Boa noite.

Assim que ele fechou a porta, Aline se viu largada no meio da saleta, praticamente nua, porque a blusa faltava um botão ou dois no máximo para mostrar o resto do seu corpo, e se taxando de imbecil por não ter ficado com ele. Dennis não era cachorro que nem o irmão. Pelo menos não aparentava isso.

Mas ele também estava no direito de se frustrar. Pelo visto era algo que esperava há um tempo, mas ela não podia fazer nada. Como tirar o outro da cabeça? Foi para o seu quarto também e largou a camisa no chão. Foi tomar um banho gelado para esfriar as idéias.

Dennis tinha se jogado praticamente dentro do chuveiro frio. Não era comum agir dessa maneira com mulher nenhuma, já que nunca tinha sentido esse tipo de atração e sentimento por ninguém. Mas Aline era diferente. E só de pensar que ele não poderia tê-la porque seu irmão idiota ainda continuava em seus pensamentos, queria quebrar tudo que via pela frente.

Meia hora depois, ele percebeu que tinha que espairecer as idéias. Viu no relógio que já marcava umas cinco e meia da manha e resolveu sair pra caminhar. Aline não tinha conseguido dormir também e assim que ouviu um baque surdo na porta, abriu a sua pra ver o que tinha acontecido. Procurou pelo apartamento todo e ele não estava lá. Será que teria ido pra algum lugar?

– Era só o que faltava. – respirou fundo e começou a andar de um lado para o outro. Pelo visto não iria conseguir dormir. Agradecia por ainda ser domingo, senão a reunião seria o verdadeiro caos.

Largou a mala na cama e procurou algo para vestir. Iria atrás dele mesmo achando que ele queria ficar sozinho.

Assim que Dennis passou pela recepção, Matias, que estava de plantão resolvendo alguns problemas no hotel com os seguranças olhou pra ele e não entendeu mais nada. Será que ele era adepto de caminhadas logo cedo ou eles tinham brigado? Sorriu maleficamente e aproveitou a oportunidade para ir atrás dela.

Matias não sabia o que tinha acontecido consigo próprio. Estava arriscando muita coisa indo em cima de uma desconhecida, mas mesmo assim ele queria a oportunidade de ficar com ela. Algo nela o atraia constantemente e desde que a viu na festa, não conseguiu mais tirá-la da cabeça. E ele sempre conseguia o que queria.

Aline já estava descendo de elevador e assim que chegou a recepção deu de cara com Matias. Respirou fundo e olhou pra cima já se perguntando se tinha tacado pedra direto em Jesus no passado. Porque na cruz seria pouco para o carma que ela tava vivendo.

– Ora, ora, quem eu vejo por aqui.

– É perseguição por acaso? – ela já estava enfezada – Viu o Dennis?

– Acha mesmo que eu diria se tivesse visto? – ele riu debochado – Que tal termos aquela conversa que não aconteceu?

– Que tal você sumir da minha frente e ai tudo se resolve?

– Como é?

– Eu não tenho nada pra falar com você. Os assuntos que tenho aqui nesse lugar são profissionais, e eu vou conversá-los com seu pai. Da licença.

Andou até a recepcionista do plantão e viu que era a mesma que tinha a atendido. Ela sorriu ao vê-la mesmo olhando de longe tendo tentado entender o que se passava naquela conversa. Porque a cara dela não era nada boa para o filho do patrão. Será que já se conheciam de outro lugar?

– Boa noite. – Aline foi simpática.

– Oi, senhorita, posso ajudar? – Aline ficou um pouco séria – Aconteceu alguma coisa em seu quarto? Desculpa, mas mudamos os senhores porque pediram.

– Não. É que o Dennis passou por aqui provavelmente e eu queria saber se ele saiu do hotel.

– Ah, o rapaz que está com a senhora. – ela sorriu – Ele saiu sim, mas acho que já voltou. Deve estar na academia, ele estava com roupa de malhar.

– E a academia abriu? – Aline olhou e percebeu que já eram seis e meia da manha – Gente eu levei uma hora praticamente pra descer?

– Oi?

– Onde é a academia? – ela apontou um corredor – Obrigada.

Aline saiu em disparada. Como poderia ter demorado tanto pra descer e conversar com ele? O que ela estava fazendo mesmo que demorou tanto? Chegou na academia e ele era o único do lugar. Acho que nem os idosos em pleno lugar como aquele acordariam tão cedo para fazer alguma caminhada em esteira ou algo do tipo. O barulho do saco de boxe ecoava pelo local todo. Até que era bonitinho e parecia com a academia que ela malhava e tinha deixado de mão por conta do trabalho. Dennis estava apenas de bermuda e socava tão forte o saco que se fosse o rosto de alguém provavelmente estaria desfigurado. De onde ele tinha tanta força assim?

– Você nem sequer dormiu. – ele parou assim que ouviu a voz dela. Acostumou-se com ela no ambiente e voltou a socar o saco – Dennis, me escuta, me desculpa pelo que aconteceu, sério.

– Tudo bem Aline, eu te entendo. – ele falava entre arfadas – Posso ficar sozinho?

– Não. – ela se irritou – Não vai me agir igual criança não.

– Como é? – ele virou irritado e ela deu um passo pra trás – Criança?

– Isso mesmo, criança. Está parecendo o seu irmão. – pronto, se Dennis estava irritado, ela tinha conseguido deixá-lo furioso.

– Nunca me compare ao meu irmão.

Matias olhava tudo de longe. Estava esperando por algo que pudesse usar ao seu favor, mas era tudo muito cheio de código e de meias palavras.

– Desculpa, não era minha intenção te irritar. Juro. – ela sentou perto de um banco – Mas é que foi tudo muito rápido e parece que você não quer me ver nem pintada de ouro. E foi mais ou menos assim que o seu irmão fez comigo. – Matias não entendeu nada. Como assim o irmão dele.... Quer dizer que ela já tinha ficado com o irmão dele?

Dennis voltou a socar o saco com muito mais fúria do que antes.

– Eu odeio quando me dizem que somos parecidos. Não sou imaturo... – começou entre arfadas e socos - Nem infantil... Não prometo o que não posso cumprir e não iludo ninguém. – parou um pouco e respirou fundo. Aline só prestava atenção nele – Eu só me deixo levar pelos momentos quando as pessoas me permitem isso. E quando não consigo fico frustrado, porque sei que tem coisas que não me são permitidas. Ou seja, tenho o direito de ficar sozinho e espairecer.

– Entendi. – levantou e percebeu toda a situação. Estava começando a achar que tudo era culpa dela. Saiu da academia e se conteve para não chorar.

Chegou ao quarto e começou a arrumar suas coisas. Iria embora para o Rio e definitivamente sairia desse projeto. Pediria outras atribuições a Diana e faria algo que não a envolvesse tanto com eles. Só assim poderia ter um minuto de paz. Continuou arrumando a mala e procurando alguns produtos no banheiro que nem ouviu quando a porta foi aberta e fechada.

Dennis chegou no quarto e percebeu a movimentação. Assim que viu a mala dela cheia de coisas espalhadas em volta, estranhou e foi ver o que estava acontecendo. Aline saiu do banheiro e deu de cara com ele. Olharam-se por alguns instantes e ele cruzou os braços. Pra não discutir mais, ela apenas abaixou a cabeça e colocou a bolsa dentro da mala.

– Pode parar por ai. Você não vai a lugar nenhum. Temos muitas outras coisas pra resolver.

– Não vou mais te perturbar. Acho melhor ir embora, só estou causando problemas.

– Quem manda usar aquele vestido? – ele riu e ela o encarou séria – Brincadeira, estava linda ontem. – ela continuou arrumando até que ele se irritou – Parou ai. – chegou perto dela e segurou suas mãos – Olha pra mim. – ela virou o rosto e eles ficaram muito próximos – Vamos terminar nosso trabalho.

– Não quero cometer outra burrada. Olha quanta coisa aconteceu em menos de três dias.

– Isso é bom. – ele sentou no banco perto de sua cama – Não se cai na rotina.

– Muito engraçado. Estamos quase perdendo o hotel porque o filho do dono é louco.

– Eu me acerto com ele. – Dennis levantou e delicadamente puxou o rosto dela pra perto do dele – Vamos descansar? Não dormimos nada. – beijou sua testa e ela o abraçou.

– Desculpa pelo que fiz.

– Vou começar a cobrar pelas desculpas. – eles riram – Mas eu também te devo desculpas, te tratei muito mal lá embaixo.

– Amigos?

– Tem outro jeito?

PONTA NEGRA – RIO DE JANEIRO

Manoel estava tomando café da manha e feliz pelo dia não estar tão frio como os outros. Na verdade o sol até despontava um pouco ao longe, mas nada que desse pra alegrar ainda mais o dia. Ouviu o barulho de um carro e a empregada avisou que Charles tinha chegado.

Levantou e foi ver o sobrinho. Era comum que os dois passassem o final de semana juntos, mas ele não tinha avisado nada de antemão e quando ele ligou para saber de qualquer um deles, Ariana se limitou a dizer que estavam se encrencando como sempre.

– Vim em má hora? – assim que viu a pequena mala que ele carregou negou veemente.

– Claro que não, mas não me avisou nada, estranhei ter chegado.

– Eu não viria se as coisas não tivessem explodido.

– Aconteceu alguma coisa com os meninos? Liguei ontem para o Dennis e ele disse que estava tudo bem.

– Com ele está tudo bem, e provavelmente com Tiago também, já que sossegou, o problema é comigo. – Manoel respirou fundo. Por mais que confiasse no sobrinho, toda vez que ele vinha com essa frase, sentia um buraco no estomago e um aperto no coração.

– Entra.

Charles acabou tomando café com ele. Contou o que tinha acontecido e Manoel até riu em alguns momentos, principalmente quando se deu conta de que não era um problema muito grave.

– Eu estava pronto pra ouvir qualquer coisa, menos que você e a Diana voltaram.

– Não voltamos tio. – ele se sentia derrotado – Na verdade, só dormimos juntos. E tudo deu errado.

– Eu sempre disse que sexo em certas situações não é bom.

– Como? – ele não entendeu a frase e Manoel logo tratou de se consertar.

– Estou falando nas situações que levam ao ato. Quando estamos deprimidos e queremos esquecer, quando é com alguém que deveríamos esquecer, quando fazemos com um desconhecido para se vingar de outra pessoa... Essas coisas...

– Mas eu não me arrependo do que fiz.

– Ela provavelmente sim.

– É aí que está. Eu sei que é louco, mas a iniciativa partiu dela. Eu sei que realmente não foi o melhor momento para isso ter acontecido, mas nós sabemos que foi real, sentimental e consensual.

– Entendi. – Manoel o olhou pensativo e concluiu o óbvio – Voces não voltaram.

– Não. Eu mesmo achei melhor não.

– Fez bem, capaz de depois vocês dois terminarem por qualquer outro motivo e saírem machucados sem mais nem menos. – Charles assentiu – Agora que você já tomou sua atitude de homem, ela precisa aprender a ter a dela de mulher.

– E qual seria?

– Duas palavrinhas: "sim ou não".

CONDOMINIO MARTIN

Tiago e Leticia estavam estirados no sofá vendo filmes na TV. Depois de algumas conversas para se conhecerem, uns beijos e amassos a mais, Ariana chegou a sala para anunciar um telefonema. A feição dela não era das melhores e apenas o chamou com a cabeça para que a acompanhasse. Letícia estranhou, mas decidiu perguntar depois. Ele acompanhou a governanta e assim que chegaram no escritório, ela entregou o telefone ainda enfezada.

– Eu juro por Deus que está no céu rapaz, você ainda vai apanhar de mim. – ela entregou o telefone ele ficou sem entender nada – Tá precisando aprender muita coisa.

Ele realmente não entendeu nada do que tinha acontecido. Ela saiu irritada e o deixou com o telefone na mão. Assim que ele atendeu e ouviu uma voz familiar captou em partes o que ela quis dizer. Era uma das milhares de amigas que ele tinha e claro, para não ficar com a situação pior do que já estava, a dispensou. Já tinha feito muita besteira, e adicionar mais uma ao seu currículo só iria desgraçar ainda mais sua vida.

Voltou para a sala e assistiu Leticia ao longe por alguns segundos. De fato, ela era linda, extrovertida e pensava muita coisa como ele.

Mas por que ele estava com a mente em Fortaleza?

FORTALEZA

Depois de uma manha mais calma e mais relaxada, Aline e Dennis resolveram curtir um pouco a piscina. Ainda estavam cansados do sábado e madrugada agitados. O assunto dos dois terem se beijado não foi mais tocado. E no fundo cada um sentiu que era melhor assim por enquanto.

O dia transcorreu bem e um empregado apareceu na piscina trazendo um convite pessoal de Alberto Ramos. Ele havia convidados dois para jantarem em sua casa. A principio, não acharam uma boa ideia, mas o pobre do homem não tinha ligação com as loucuras do filho, então aceitaram. O empregado pediu para que Dennis fosse com ele a recepção para falar ao telefone com o próprio dono e ele deixou Aline sozinha.

– Ora, ora... – assim que ela olhou para o lado, se deu conta de que Matias estava lá, ao lado dela e de uma maneira bem folgada, sentado em sua espreguiçadeira – Não vai causar nenhum alarde não é?

– Deveria. – ela olhou bem pra ele – Sua noiva?

– Está ajudando minha mãe com o jantar lá em casa. Acredito que vocês dois tenham sido convidados. – ele olhou para Aline de cima a baixo e sorriu sacana – E vocês vão não é?

– Vamos sim. – Dennis surgiu de novo e sentou na espreguiçadeira da frente – Acabei de confirmar a presença com seu pai.

– Por que você sempre aparece nos momentos mais inapropriados?

– Pergunto o mesmo a você.

– Olha... – ela sorriu já vendo que algumas pessoas prestavam atenção a eles – Por que não conversamos em outro lugar ou deixamos as hostilidades para momentos mais privados?

– Nos vemos mais tarde – Matias colocou os óculos escuros e saiu andando com a pose maior do que um presidente.

– Odeio esse cara, juro. Não sei porque ainda não contei isso pro meu pai.

– Esquece ele. Vamos aproveitar mais um pouco o sol e depois vamos nos arrumar.

– Final de semana mais longo da minha vida viu?





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