Dilemas escrita por Paige Sullivan


Capítulo 18
Capítulo 18


Notas iniciais do capítulo

Mais um capítulo....

Enjoy it!

Estou com um certo problema para fazer o link funcionar no nyah.
Não li ainda todas as mudanças e não sei se ainda é permitido ter link de página para roupas.

De qualquer forma, se quiserem, eu tenho tudo postado na polyvore.

A página está aqui....

http://www.polyvore.com/cgi/home

Lá estão todos os looks, de todas as histórias, principalmente de Dilemas....




Aline ainda estava na empresa. Foi se deixando levar tanto pelo trabalho que nem percebeu a hora, e já eram quase nove horas da noite. Respirou fundo e levantou para esticar as pernas, quando se deu conta de que não estava sozinha na empresa. A grande maioria das luzes estava apagada, com exceção da de Diana. Foi andando em direção a sala dela e se ligou de que ela também não tinha ido embora da empresa.

– Diana... - entrou na sala devagar e procurou pela chefe, mas a principio não a viu.

– Estou aqui. - olhou para o lado e Diana estava descalça, encostada em um canto da sala, com uma garrafa de uisque, olhando pelo janelão.

– Que isso Diana, o que aconteceu? - ela chegou perto e ela a olhou e sorriu sem humor.

– Foram tantas coisas em tão pouco tempo que nem tem como eu te dizer, Aline. - colocou mais um dose e tomou de uma vez - Minha vida está o perfeito caos.

– Caos de que? – ela olhou desolada pra Aline e a ideia do que devia ter acontecido a tarde, fez com que Aline.

– Voce deve ter uma certa ideia do que aconteceu entre o Charles e eu mais cedo não é?

– Bom, não só eu como o Dennis, primo dele também. – falei logo pra ela poder entender a dimensão daquilo – Mas ele é discreto e não acredito que tenha dito nada a ninguém. Ele só insinuou uma conversa bem intima entre vocês dois e bom...

– Foi exatamente isso que aconteceu. – ela se virou para Aline e a olhou desolada novamente – De uns tempos pra cá, o Charles está com essa necessidade de reaver nosso relacionamento. Como se pudéssemos simplesmente partir de um ponto, sendo que tem tantas vírgulas no passado.

– Não estou entendendo Diana. – ela sentou próximo dela, na poltrona perto da janela – Eu sei que vocês dois tem um passado meio inacabado, mas é nítido que ainda gostam um do outro. O Charles é um ótimo homem e...

– Aline, eu já disse a você várias vezes, tem coisas entre nós dois que ninguém sabe e que me impedem de sequer imaginar outra chance com ele. – a voz sufocada foi o suficiente para Aline parar para pensar. Não era justo sair sabendo da vida deles assim.

– Não precisa me falar nada. A vida é sua, e se tem motivos para continuar sem ele, eu entendo.

– Vocês dois acabaram ficando amigos não é? – ela assentiu receosa e Diana sorriu – Ele tem esse dom de cativar as pessoas. Mas mesmo assim, preciso conversar com alguém.

Aline PDV

Nunca tinha visto Diana daquele jeito. Era impressionante como alguém mudava com a bebida. E não queria ter que saber de tudo na verdade, não queria tomar um lado na situação. E por mais que eu gostasse muito do Charles, algo me dizia que ficaria extremamente decepcionada com ele. E no final, sem querer, acabaria perdendo um pouco da confiança que tinha nele.

– Diana não tem necessidade de contar isso pra mim. Sério. – tentei o máximo possível aliviar o sofrimento dela, mas percebi que estava sendo pior. Ela continuava com o copo de uísque, sentada perto da janela e com a cabeça encostada nela.

– Eu era tão nova sabe? Era tão complicado passar por tudo aquilo naquela idade. Meu pai que não ia bem de saúde, e o Charles... – ela sorveu mais um pouco de uísque e me fitou.

– Conta então.

“Era na época da faculdade. Estávamos tendo problemas no nosso relacionamento e já tínhamos terminado pela décima vez naquele ano. Eu senti uma dor enorme no peito quando o vi com outra mulher e não achava justo. Fui atrás dele no apartamento e quando entrei me deparei com a cena mais deplorável da minha vida. O quarto estava todo bagunçado, roupas espalhadas, o amigo dele deitado quase nu com uma mulher no sofá e ele estava no quarto. Eu sentia o cheiro daquele charuto dele em qualquer lugar.

A porta estava semi aberta e quando empurrei tinha uma mulher nua deitada na cama dele dormindo. Sentia como se o meu mundo fosse desabar ali mesmo e ele estava sentado na bancada da janela, vestido apenas com a calça de moleton. Olhei para a cabeceira e vi um monte de agulhas espalhadas. Era muito pior do que eu estava pensando .

– O que significa isso? – apontei e ele apenas virou o rosto para me olhar. Mas era um olhar perdido, magoado, sofrido.

– E isso importa? – ele virou de novo e parti pra cima dele com fúria. Eu não aguentava mais vê-lo se destruir daquela maneira – Para com isso Diana, você que procurou isso.

– Eu? Você que se droga e a culpa é minha? – já estava aos berros e a tal da mulherzinha acordou assustada – E você?! Pode sumir daqui que ele já tem dona! – sai jogando as roupas que estavam no chão em cima dela e claro que ela saiu correndo assustada.

– Por que você está se metendo na minha vida hein? – ele apagou o charuto no cinzeiro e depois o jogou contra a parede com a maior força que já vi. Enquanto eu olhava para aquele objeto de vidro quebrado, ele me pegou com fúria me jogou na cama – Você sai com outro cara na minha frente, como se nós nunca tivéssemos tido nada e vem com a maior cara de santa reclamar porque eu estive com outra mulher? – ele me olhava com uma fúria que eu nunca tinha visto na vida – Vai me dizer que você também não esteve nos braços dele? Que ele não sussurrou palavras doces no seu ouvido... – ele estava me segurando com os braços acima da minha cabeça – Que ele não beijou você com luxuria e desejo... – ele continuou percorrendo o rosto pelo meu me deixando mais nervosa do que nunca – Que ele não disse que você era dele... – apertou ainda mais os meus braços já me machucando – E fez você falar o nome dele em alto e bom som? – sentia as lagrimas correndo pelo canto dos meus olhos.

– Eu não tive nada com ele... – tentei falar, mas a dor no pulso era muito maior.

– E você espera que eu acredite? – ele saiu de cima de mim e ficou andando pelo quarto quase arrancando os cabelos. Sentei e o fitei.

– Eu só queria que você se cuidasse Charles. Toda vez que eu acredito que você vai se tratar, você tem uma recaída e some de vista. Depois aparece como se nada tivesse acontecido. Eu não agüento mais isso. – as lagrimas já vinham descontroladas e ele se sentou perto de mim.

– Eu te amo, eu sei que posso melhorar. – ele tentou secar as minhas lagrimas, só que levantei mais rápido.

– Quantas vezes eu já ouvi isso de você? Me diz? Eu não agüento mais. Eu... – quando virei, ele partiu pra cima de mim de novo tentando me beijar, me estressei, o amigo dele entrou, a briga foi imensa e saí correndo do apartamento dele.

–---

Como assim ela saiu correndo do apartamento dele?

– Não entendi Diana, fiquei perdida.

– Eu estava berrando, chorando e o amigo dele entrou no quarto desesperado por causa do barulho. Mas não deu muito tempo para pensar porque assim que ele veio pra cima de mim, ele queria me beijar. Eu não podia ceder, ele estava totalmente drogado. Eu estava me culpando só pelo fato de estar tendo aquela conversa com ele, sendo que depois ele nem se lembraria de nada. Fiquei um tempo na escada do prédio chorando. Quando cheguei ao térreo do apartamento, a garota que estava com o amigo dele, me disse que ele estava tendo uma overdose porque injetou não sei quanto na veia quando eu corri de lá.

– Que horror! – me assustei, aqueles Charles que eu vi, nada tinha a ver com o que ela estava falando.

– O Charles sempre foi um ótimo homem, isso eu posso te assegurar. Mas as drogas acabaram com a vida dele.

– E o que aconteceu depois daquilo?

– Eu o levei para o hospital porque era a única que estava de carro no dia. O amigo dele estava no carro com a tal mulher que até hoje não sei o nome, e ele estranhou porque depois que o colocaram dentro do carro, eu não soltei nenhuma lagrima. Parecia que eu era um robô. Eles chegaram ao hospital, o levaram correndo e eu permaneci no carro. Não saí pra nada. Depois disso, a tal mulher chegou pra dizer que ele estava sendo cuidado e medicado. Arranquei com o carro e fui embora dali.

– Diana, eu sinto muito, não pensei que fosse assim tão grave.

– Há muito tempo que eu estou tentando contar isso pra alguém. Mas é tão sofrido, não acho que alguém mereça ouvir uma coisa dessas.

– Vem aqui. – a abracei. Agora entendia perfeitamente o motivo dela ter sumido da vida dele quando ainda tinha chance. Entendi que ela também pensou que poderia se afundar com ele.

– Não acho justo o que eu fiz. Eu sumi do nada, mudei de faculdade e a única pessoa que me encontrou, que no caso foi o Manoel, eu pedi para não contar onde eu estava. Ele disse que o Charles estava arrasado, mas eu que não tinha mais forças para encarar aquele problema. Eu sabia que ele me amava Aline, eu tinha certeza disso, mas o vicio era muito maior, e ele nunca ia conseguir se livrar. Eu me arrependo de não ter lutado mais, eu sabia que ele também sofria, mas eu fui covarde demais.

– Não se culpa Diana. Você não tem. Ele não fez por onde...

– Mas eu poderia ter me esforçado mais...

– Mais? – fui um pouco incisiva - Que isso Diana, mesmo que o Charles te amasse e tudo, você fez o seu máximo. Todo mundo tem limite. Olha... Você não pode ir pra casa sozinha. Quer que eu fique com você hoje? – ela apenas assentiu e sorri pra ela – Bom. Eu estou sem carro, mas te levo. A gente passa no meu apartamento e depois vamos pro seu. Ok?

Assim que consegui levantá-la e a fiz calçar os sapatos, peguei sua bolsa e a ajudei a ir embora da empresa. Por sorte, os poucos funcionários que ali restavam não a viram porque usamos o elevador privativo até a garagem. Coloquei-a no banco de trás, e ela deitou e se encolheu. Pela primeira vez na vida, estava vendo uma outra face de Diana que até então me era oculta. Ela sempre foi forte e decidida, e de repente, parecia mais frágil do que uma criança de cinco anos. Suas lágrimas contidas ainda me eram ouvidas diante do silêncio do carro e pra aplacar um pouco aquele tormento dela, liguei em uma rádio e em um volume baixo.

Respirei fundo e o pouco tempo que levei dirigindo já que não havia mais trânsito, me fizeram analisar toda aquela situação e catalogá-la na cabeça. Charles tinha sido viciado em drogas no passado e quase morreu na frente dela. Agora entendo toda aquela tensão que os dois sentiam ao ficarem perto um do outro. Ele nunca tinha me contado nada disso e nem tinha essa necessidade, visto que não eram íntimos a esse ponto.

Mas, mesmo entendendo que ele tinha sido tão errado no passado, ao olhar o que ele tinha construído ao longo do tempo na empresa do tio era impressionante. Ele tinha realmente mudado e a forma como parecia ainda amá-la... Poderia ser loucura, mas como eu queria um homem que me amasse dessa maneira.

Cheguei ao apartamento e as meninas me olharam preocupadas. Expliquei muito vagamente o que tinha acontecido, peguei uma bolsa pequena e coloquei algumas coisas. Disse que Diana tinha me pedido para passar a noite na casa dela para adiantar algum trabalho e que não poderia adiar, já que depois viajaria com Dennis e precisa de alguma informações dela.

Fui para o carro e Diana já dormia tranquilamente. Só pedi aos céus que ela não fosse difícil de acordar quando chegássemos ao prédio dela.

Depois de uns vinte minutos, chegamos a seu apartamento. O zelador me deixou entrar já que ia pra lá constantemente levar alguma coisa pra ela. Ao chegar à garagem, pedi a ele que me ajudasse a levá-la para o apartamento. O lado bom era que ele era super discreto e não iria sair espalhando que a viu chegando bêbada em casa. Depois que entramos, acomodei-a em sua cama e ela apenas resmungou algo e se acomodou entre os travesseiros e caiu em um sono profundo.

Fim Aline PDV

APARTAMENTO CHARLES

Charles estava vendo alguns filmes antigos e pensando em todos os acontecimentos dos poucos dias anteriores. Bufou em frustração e praticamente arrancou os cabelos da cabeça ao lembrar-se do que tinha acontecido na sala de Diana há poucas horas. O telefone tocou e já correu para atender na esperança de que algo bom pudesse animá-lo.

– Oi Douglas. – atendeu afoito, sedento por notícias.

Ele morreu. – a voz fúnebre e morta do outro lado da linha o fez gelar. Respirou fundo para não chorar. Ledo engano quanto a se animar.

A semana já tinha começado mal em todos os sentidos. Conseguiu piorar ainda mais.

Charles PDV

Terça – Feira – dois dias atrás

Tinha ido visitar um amigo meu doente em Campo Grande. Depois que nos afastamos por conta de nossos trabalhos, nunca mais nos vimos. Ele tinha me ligado e pediu para encontrá-lo com urgência, praticamente implorando para que eu o encontrasse. Cheguei ao local da casa onde ele vivia e me deparei com uma cena um pouco chocante. Ele estava em um subúrbio e a casa era bem pobre. Assim que toquei a campainha, outro amigo nosso a abriu. Depois do choque inicial em me ver e analisar cada pedaço do meu corpo, ele escancarou mais a porta para que eu entrasse.

– Essa é uma cena que nunca mais achei que viria na vida. – ele sorriu logo em seguida e esticou os braços e me puxou – Quanto tempo!

– Pois é verdade. – sorri ainda embaraçado. Do jeito que parecia, tinha sido o único a sair daquela vida – Onde ele está?

– Vamos, eu te mostro.

Por dentro a casa ainda se mantinha arrumada, mesmo sendo tudo muito humilde. Fomos para o andar de cima e assim que cheguei ao quarto, faltei chorar. Meu amigo de faculdade, brilhante por ter uma mente tão fértil e criativa, estava praticamente pele e osso.

– Sabia que viria. – ele esticou as mãos e quase desabei em sua cama em desolação – Que isso, Charles, sabíamos que eu acabaria assim.

– Se tivesse me dito onde morava, eu teria te ajudado.

– Não conseguiria ficar dentro daquele lugar. Iria fugir como você fez tantas vezes.

– Mas aprendi a lição. – estava quase chorando – Não queria que estivesse nessa situação.

– Procurei por isso meu amigo, agora estou pagando o preço. Você ainda tem chance.

– Não. – disse deixando algumas lágrimas escorrerem pelo rosto – Paguei o meu também.

– Diana? – assenti apenas – Soube que estão em um trabalho novo juntos. Como está sendo vê-la? – ele tossia consideravelmente, parecia tuberculoso e fiquei ainda mais preocupado – Não se preocupa. É pneumonia. Estou com as defesas muito baixas.

– Vamos ao hospital. Eu pago tudo.

– Não precisa gastar seu dinheiro comigo... Não tenho mais solução.

Nem deixei que aquela conversa estendesse. Falei com Douglas e o carregamos até meu carro. Procurei pelo hospital mais próximo e pedimos emergência em atendê-lo. Três horas depois, Douglas estava impaciente e andando de um lado para o outro. Sabia muito bem o que estava acontecendo com ele e o fiz sentar.

– Douglas. Está vendo em que situação o Ricardo está? Quer continuar assim?

– Não. – roçava as mãos nervosamente – Mas também não quero que gaste dinheiro comigo.

– Pois é exatamente o que vou fazer. – sorri – Mas preciso que esteja disposto a enfrentar tudo isso. Não é fácil, muito pelo contrário, é o inferno na terra.

– Eu sei, já fugi com você uma vez, lembra? – sorrimos. Se não fosse tão dramático, poderia ser engraçado.

– Vai querer ajuda? – ele assentiu – Vai em casa e pega umas roupas. Por favor, não foge. É o melhor pra você.

– Ok.

Uma hora depois, Douglas estava de malas prontas. Acho que todo o susto de ter visto como Ricardo estava se acabando o acordou para a realidade. Também não posso negar, levei muito tempo para entender toda a situação, e olha que vi muita gente morrer e isso não foi suficiente para me tirar do vício. O médico chegou preocupado e olhou pra mim diretamente.

– Ele tem algum familiar?

– Não, senhor. – Douglas que respondeu – Todos se afastaram dele.

– Pois bem. Ele gostaria de ver os senhores. Acompanhem-me, por favor.

Sabe aquele pressentimento muito ruim que você sente antes de sair pra qualquer lugar? Quando estava colocando os pés para fora de casa, senti. E agora parecia que ela só aumentava dentro do meu peito. Quando entramos na UTI, a situação só representava o quão critica estava a saúde dele. Douglas ficou tenso ao meu lado e não restou muita alternativa ao tomar a frente da situação. Tentei ser amigável ao vê-lo deitado e com um sorriso fraco, mas de nada adiantaria. Estava óbvio que ele não teria mais chances.

– Eu disse... – tossiu e segurou a garganta – Não tem mais jeito.

– Sinto muito. – puxei uma cadeira ao lado e Douglas puxou a outra do outro lado da cama – Queria muito poder ter ajudado. Devia ter me ligado antes...

– Lamentar o passado não adianta Charles. – ele olhou emocionado – E dessa vez estou falando de você.

– Como assim? – não entendi onde ele queria chegar.

– Você não perdeu a Diana totalmente, Charles. Ela ainda te ama. Eu sei disso. – ele sorriu fraco e me segurei novamente – Assim como sei que seu amor por ela nunca morreu. Corre atrás dela.

– É o que estou tentando. – sorri fraco dessa vez – Mas ela não acredita em mim.

– Ela vai acreditar. – Douglas concordou com ele – O amor de vocês nunca vai morrer. Não tem essa possibilidade.

Depois de um tempo continuamos conversando, mas tive que ir embora. Deixei todos os meus telefones e falei para o Douglas que assim que Ricardo saísse do hospital, iria levá-lo para o centro de reabilitação do interior do Rio.

Cheguei em casa e chorei muito. Não conseguia me desligar da cena dele no hospital, em sua casa, a situação em que chegou... E pensar que poderia ser eu ali deitado, sofrendo... Isso é, se estivesse vivo hoje.

Quinta-Feira – Hoje

– Eu... – tentei mesmo, mas as lágrimas já estavam caindo sem minha permissão – A culpa é minha.

Por favor, Charles, não se culpa. – Douglas também se continha do outro lado – Ele era nosso amigo sim e procurou isso.

– Eu poderia tê-lo ajudado... Procurado por ele...

Para! – ele foi mais firme do outro lado e me acordou – Não começa com sua culpa e remorso desnecessária. Sabe muito bem onde isso pode terminar...

– Não vou me drogar, Douglas. – mesmo tendo a vontade constante essa semana e o desejo aumentando ainda mais.

Eu sei, mas toda vez que você se sente culpado por alguma coisa, ou pelo menos sentia, corria logo para essa solução.

– Arruma tudo para o enterro no sábado. Eu te mando o dinheiro por um portador.

– Tudo bem. Eu te dou o endereço e tudo certo.

– Douglas! – ele já ia desligar.

Diga.

– Sábado mesmo te levo para o centro de reabilitação.

– Já estou com tudo arrumado. – parecia ter sorrido – Não quero terminar como ele.

– E não vai.

Assim que ele desligou, mergulhei em um mar de lembranças. Fui para o banheiro e senti que precisava de um banho relaxante. Lembrei-me de nossa conversa no hospital e dele falando em Diana. Será que seria sensato contar a ela sobre ele?

Fim Charles PDV

SEXTA-FEIRA

Diana acordou sentindo uma ressaca considerável. O despertador estridentemente tocava e ela o atirou pelo quarto, praticamente o quebrando todo. Olhou em volta e tentou se recordar de como chegou a seu quarto. Levantou-se e viu as mesmas roupas do dia anterior e constatou que estava muito bêbada para nem se trocar. Sentiu um cheiro de café e assim que levantou da cama, sua cabeça explodiu. Foi em direção ao banheiro e imaginou que a empregada já tivesse lá arrumando tudo para seu café matinal.

Vinte minutos depois, estava saindo do quarto mais aliviada. Mesmo assim seu estomago roncava a mil e correu para a cozinha para comer alguma coisa. Deparou-se com Aline de avental junto com a empregada aprendendo a fazer uns bolinhos de goiabada que elas tanto gostavam.

– Já sei quem me trouxe em casa. – Aline sorriu e ela sentou- se na cadeira olhando a cena das duas e tendo flashes da noite anterior –Fui muito chata com você?

– Não. Mas toma café primeiro. Depois, nós precisamos conversar.

Uma hora depois, e o corpo estando um pouco melhor, Diana resolveu perguntar a Aline o que enfim tinha acontecido na noite anterior. E a resposta não foi muito o que esperava. Respirou fundo e tentou se concentrar no resto do pão que comia, mas Aline percebeu que ela ficou desconfortável com aquilo.

– Sabe muito bem que sou discreta e não é porque também sou amiga dele que vou sair perguntando isso. Não é minha vida, não me interessa.

– Obrigada. – ela sorriu e passou as mãos pelo cabelo – No fundo, eu agradeço. Precisava desabafar essa história com alguém. Ele nunca te contou nada?

– Não. – Aline servia o café em duas xícaras e a empregada terminava de por a mesa – Quando o assunto é sobre vocês dois, ele pergunta o que eu sei e eu digo que não sei nada. Afinal, a única coisa que sabia até então era que vocês dois tiveram um namoro conturbado.

– Sim, infelizmente. Eu não vou trabalhar hoje, ok? Deixo tudo por sua conta só hoje, porque mais tarde eu também tenho um jantar com ele e Stolt. – respirou fundo – Eu ainda não to bem pra enfrentá-lo.

– Posso ser indiscreta? – ela assentiu – Por que não conversa com ele sobre isso?

– Não é tão simples assim. Eu sempre fugi de tudo que envolvesse a nós dois. E agora ele está praticamente me atacando pra voltarmos. E eu ainda sinto uma atração tão forte, que me dá nos nervos. Não consigo me controlar.

– Diria pra conversar ao telefone, mas nunca que ele vai admitir isso.

– Viu? – Diana sorriu – Já o conhece bem.

Meia hora depois, Diana estava deitada em sua sala vendo televisão. Tentaria de todas as formas se distrair e nem trabalho ajudaria naquele momento. Aline foi para o escritório resolver logo tudo e entregar a Diana mais tarde o que faltava para ser discutido no jantar.

PALMAS PUBLICIDADE

Charles estava andando de um lado para o outro. Já tinha ligado para Leticia umas cinco vezes querendo saber sobre Diana e ela não estava na empresa. Imaginava que depois do beijo na sala dela, com certeza, ela o queria mais longe possível. Mas ela não poderia fugir para sempre, já que eles teriam um jantar à noite.

– Charles. – Dennis bateu a porta e entrou – Preciso falar rapidinho.

– Diga. – ele sentou impaciente. Não era todo dia que Dennis o via assim.

– Diana te deu um fora? – ele se assustou – Bom, depois que vocês dois ficaram aquele tempo na sala,sua voz ofegante ao telefone...

– Fala logo o que você quer Dennis. – Charles rosnou. Ele nunca viu Charles rosnar.

– Bom. Desculpa. – engoliu em seco – Vou ter que adiantar a viagem para Fortaleza com Aline. Os clientes não estarão disponíveis no final de semana que vem.

– Tudo bem. Falo com o Stolt e ele me manda as coordenadas e te mando um e-mail. Mais alguma coisa?

– Sério, Charles. – Dennis sentou – Eu sei que a brincadeira possa ter soado de mal gosto...

– E foi.

– Ok, mas não é motivo para ficar tão estressado. Você já está assim desde a hora que chegou.

– Tenho meus motivos, Dennis. Não preciso me explicar.

– Mas deveria. – ele foi enfático, assustando Charles – Não se explicar, longe disso, mas desabafar. Poxa, eu te vejo tão introvertido quanto a sua vida e eu sei que você tem muitos problemas e não conta pra ninguém.

– Conto para seu pai. – ele continuou ferino – Olha Dennis. – respirou fundo antes de voar com alguma coisa nele – Hoje eu estou realmente estressado. E você vindo bonzinho não está ajudando em nada. E sim, tem muita coisa que você não sabe, e vai continuar sem saber por muito tempo.

– Desculpa, Charles, mesmo.

– Quanto a viagem, repito: Vou falar com o Stolt, depois te mando um e-mail. Acerta tudo com a Aline. Só ligar pra ela e vê com a secretária pra fechar o hotel para os dois.

– Sim, senhor.

– E mais uma coisa: Quartos separados, sem contato físico, sem gracinhas! Ouviu bem? – Dennis engoliu em seco novamente e já tinha perdido as contas de quantas vezes o fez.

– Ok. – assentiu freneticamente e saiu da sala praticamente correndo.

Charles olhou o relógio e viu que a hora do almoço não tinha nem chegado. O dia seria longo, enfim.

– Débora. – ligou para a secretária.

– Sim, senhor.

– Preciso que ligue para o restaurante. Quero meu almoço de sempre. – ela conversava com Dennis do lado de fora da sala.

– Pode deixar. Posso entrar e entregar alguns relatórios para o senhor assinar?

– São importantes?

– Preciso enviar para São Paulo e Brasília ainda hoje via Sedex. E ainda preciso escanear para chegarem as copias primeiro.

– Ok, pode vir.

– Boa sorte. – Dennis piscou e ela sorriu.

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Aline estava na sala de Dominique. Conversavam sobre o trabalho, mas vez por outra, os assuntos pessoais vinham à tona.

– Admite amiga, que no fundo você ainda sente algo pelo Bruno.

– Tudo bem, mas não é algo para se preocupar. Não é sentimento forte, é mais uma lembrança boa do passado.

– Tem certeza?

– Claro.

– Aline. – o rádio de Aline tocou – Sou eu, Leticia.

– Diga.

– Onde você está? Estou te procurando, o Dennis quer falar com você.

– Sobre? – Aline estranhou.

– Tiago não está mais no caminho, vai que ele quer te convidar pra almoçar. – Dominique alfinetou.

– Engraçadinha. – Deu a língua para a amiga e ligou o rádio – Eu estou com a Nique, manda a ligação pra cá.

– Ok.

O telefone tocou e Dominique atendeu. Foram educados um com o outro e logo ela passou a ligação para ela.

– Desculpa incomodar, acho que você está ocupada.

– Um pouco. – ela sorriu – Diana não veio e eu acabo tendo que resolver tudo.

– Sei bem como é. – ele revirou os olhos lembrando-se do primo e balançou a cabeça – Seguinte, a nossa viagem teve de ser adiantada. O Charles vai falar com o Stolt no jantar e eu preciso que você se apronte o mais rápido possível. Pode ser? Eu vejo um voo para madrugada.

– Sim. – ela olhou para Dominique – Vamos viajar à noite mesmo? – e o sorriso malicioso da amiga só a fez enrubescer mais.

– Vou ver com minha secretária. Bem provável que sim. Mas eu te aviso daqui a pouco, estou ligando agora porque também fui pego de surpresa.

– Ok.

– Posso te mandar um e-mail falando sobre isso?

– Claro. aline.resende@mpublicidade.com.br

– Pode deixar. Envio tudo referente a viagem incluindo as passagens.

– Ok, Dennis.

– Só uma coisa. – ele falou antes que ela desligasse – Leva uma roupa maneira pro jantar de sábado. Parece que vai ter um jantar beneficente e nos convidaram. – Aline arregalou os olhos e ficou olhando Dominique. Segundos se passaram e ela se assustou.

– Que foi? – sussurrou e Aline ainda estava meio perdida.

– Aline? – ele ainda estava do outro lado – Morreu?

– Não. – ela riu um pouco do jeito brincalhão – Eu só me perdi aqui com o que me mostraram. Muita coisa pra assinar. – tentou mudar a direção da conversa e sentiu que ele sorria do outro lado – Pode deixar, não vou esquecer isso também não.

– Ótimo, até mais.

– Até mais.

Aline continuou olhando para um telefone um tempo. Tentava processar aquelas informações e não conseguia ser menos maliciosa. Dominique a olhou e sorriu.

– Só porque vocês dois vão viajar juntos não quer dizer que ele vá avançar em você.

– Mas a culpa é sua. – ela gargalhou – Só estou pensando nisso porque você falou. – olhou de soslaio pra amiga. Vou resolver meus problemas, senão Diana me mata.

– Vai lá arrebatadora de corações. – ela revirou os olhos e voltou para seu departamento. Não tinha porque ficar dando atenção aquela palhaçada.

Duas horas depois, Aline recebeu o e-mail dele com todas as informações. Imprimiu tudo e leu cuidadosamente. Eles dois foram colocados um ao lado do outro na viagem, em classe executiva. Até que não era mal, pelo menos. Pensou no que Dominique falou e na maneira como ele lhe informou do jantar. Não parecia ser nada muito sensual e envolvente e sim relacionado a trabalho. E era isso que ela esperava. Não podia se dar ao luxo de reviver mais um final de semana como o que teve com Tiago. Não com o irmão dele.

NOITE – RESTAURANTE CIPRIANE – COPACABANA PALACE

Charles estava tão concentrado em seus problemas, que sua mente não estava muito ligada para o jantar. Assim que chegou ao hotel, foi direto ao restaurante e encontrou-se com Stolt. Conseguiu por um momento se desligar de tudo e conversaram casualidades. Ele pediu desculpas por ter mudado de hotel, mas teve alguns problemas coma gerencia do outro onde estava. Seu apartamento já havia sido comprado, mas também houve um problema com a parte do gás na cozinha, que teve que arrumar um outro hotel com urgência.

– Não tem porque se incomodar. – Charles assegurou – Já me hospedei aqui no Palace, e o atendimento deles é maravilhoso. Vale com certeza cada centavo que se gasta.

– Espero que sim. No momento não tenho do que reclamar. Mas também não vou ficar pra sempre. – riram e continuaram comentando sobre o hotel, até Charles contar da viagem e Stolt contar a ele o que seria necessário para lá. Charles pegou seu IPad e digitou tudo que tinha necessidade e mandou para Dennis por e-mail.

Diana chegou com uma meia hora de atraso. Tinha que estar linda para mostrar que estava bem. Então demorou um pouco para se arrumar. Além do fato de Aline ter aproveitado e levado seu carro para o conserto, ela ainda teve que ir de táxi.

– Reserva para Stolt.

– Senhora...

– Senhorita, Diana Montenegro.

– Sim. Acompanhe-me, por favor.

Foram andando pelo restaurante e Diana lembrava-se muito pouco dele. Fora o fato de ter visto algumas mudanças. Anos sem reuniões por ali. Assim que viu Charles rindo e conversando, seu coração disparou. Não estava certo aquilo, ela não podia se deixar inebriar por qualquer atitude dele, mesmo que inconsciente de que ela o via. Nesse ponto, ele não tinha culpa.

Assim que a viu, seu semblante fechou. Mas era de surpresa. Há anos que não a via tão bem arrumada para um jantar. E aquele vestido só conseguiu valorizar ainda mais as curvas de seu corpo. Engoliu em seco logo em seguida, e automaticamente se levantou. Stolt percebeu a troca de olhares intensa, e o jeito o rosto de Diana pareceu mudar ao inalar algo, provavelmente, o perfume dele. Tentou rir, mas disfarçou.

– Boa noite minha querida. – quebrou o silencio que se instaurou e que até a recepcionista ficou sem graça de quebrar – Está linda demais.

– Obrigada. – ela sorriu e deram dois beijos na bochecha. Em seguida, ela acabou fazendo o mesmo com Charles por educação.

Quem estivesse longe, juraria que nada acontecia ali. Mas quem prestasse atenção, notaria os mínimos detalhes corporais dos dois, os olhares, a forma tensa dos músculos. Charles sorriu educadamente e assim que puxou a cadeira pra ela se sentar, os dois sentaram em seguida.

– Pois bem, quando cheguei estavam rindo de algo não é? Posso saber a piada para rir também?

– Stolt estava me contando sobre a aventura dele com o apartamento novo.

– Como assim? – ela se perdeu – Por isso que está no hotel?

– Te contei sobre o que aconteceu no outro não é? – ela sorriu assentindo e Charles estranhou, mas não demonstrou – Pois bem, quando pensei que meu apartamento estaria pronto, dei de cara com um problema no encanamento de gás.

– Mentira! – ela gargalhou – Por isso que no outro dia você disse que não daria pra fazer o jantar.

– Exato. Como ia convidar as pessoas ao meu apartamento se não tinha nada pra comer? Eu tenho dotes culinários e raramente gosto de comprar comida.

– Que bom. Pelo menos agora terá mais tempo de criar seu cardápio. – ela falava com uma intimidade que Charles não entendia. Desde quando os dois ficaram tão amigos assim?

– Vamos pedir? – cortou o assunto educadamente e eles assentiram sem perceber que havia uma certa aspereza na frase dele.

Mas a noite ainda estava começando... E vinha muito mais coisa pela frente.





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