Dilemas escrita por Paige Sullivan


Capítulo 15
Capítulo 15





"Agir irresponsavelmente com as partes pode significar perder o controle do todo." Desconhecido

Enrique Iglesias feat Nadiya - Tired of Being Sorry

A realidade é dura quando se a enfrenta quando menos se quer. Parece que seu corpo não está preparado para reagir a qualquer tipo de informação e sua mente trava, dá um branco, e você cria um surto psicótico das coisas. Tudo bem que nunca se está preparado para aceitar a realidade, mas mesmo assim quando você pensa que vai ouvir a verdade, a mente absorve melhor do que como um baque.

Dominique se olhava no espelho sem acreditar no que via. Estava quase fazendo uma mini piscina naquela pia suficiente para se afogar. Jogou água no rosto tirando um pouco de sua maquiagem e prendeu o cabelo em um nó desleixado. Pensou em inúmeras possibilidades de tirar Bruno dos braços daquela garota até que se tocou de que não podia fazer aquilo. Ela não tinha mais 12 anos, não estava namorando o Bruno e não o amava mais. Não mesmo!

Mas que ideia a dela! Arrumou de novo a maquiagem, e assim que saiu do banheiro deu logo de cara com ele. Os dois trocaram farpas apenas com os olhares, até que ela fingiu que não o conhecia. O corredor era estreito e teve que passar bem perto, mas Bruno parou na sua frente e cruzou os braços. Ela odiava quando ele tomava aquela postura de militar. Tinha vontade de rebocá-lo e jogá-lo em qualquer lugar.

– Por que está me olhando assim?

– E ainda pergunta?

– Não vou discutir com você. - ele a segurou pelo braço e como claro era muito mais forte do que ela, a trouxe com facilidade de volta para o lugar.

– Eu só quero entender porque aqueles olhares provocantes pro meu lado. - ela riu. Melhor, gargalhou.

– Está mesmo achando que aquilo era pra você? Me poupe, Bruno!

– Me poupe você. - ele a travou novamente que já bufava de ódio - Não era pro seu namoradinho que aqueles olhares eram jogados. E por que você viria jogar água no pescoço se não está quente?

– Dá pra parar de me analisar? - se irritou e saiu o empurrando, que finalmente saiu daquela posição autoritária - Eu estava simplesmente tentando entender porque perdi meu tempo com você.

– Mas do que você está falando?

– Eu fiquei a noite toda no hospital, cuidei pra que você ficasse em repouso e como sou tratada? Além de nem receber um obrigada, você me vem pra noitada, com bafo de álcool na boca e dançando com uma qualquer. - ela chiou mais um pouco e assim que Bruno teve oportunidade, puxou-a pelo braço e a arrastou para o andar de baixo da boate - Mas o que pensa que está fazendo?

– Agradecendo. - encontrou um lugar escuro perto do banheiro do andar de baixo, jogou-a na parede e fez o que estava com vontade desde o dia que a viu novamente. Tomou seus lábios com uma fúria alucinante deixando-a estática. Tentava invadir seus lábios, mas ela se soltava tão avidamente quanto seu corpo tentava ficar preso ao dele.

– Está ficando louco? - falou entre os beijos que ele já dava em seu pescoço. Empurrou-o com força, mas ele realmente parecia estar mais forte do que antes, o que a deixou ainda mais irritada. Só que a raiva misturada a tantos outros sentimentos podem se tornar combustível para coisas talvez indesejadas.

– Dominique. - ele segurou seu rosto entre suas mãos - Só aceita o meu agradecimento.

– Não. - tirou suas mãos com brutalidade do seu rosto e trocaram aqueles olhares tão familiares novamente. Bruno passou as línguas pelos lábios, olhou-a com desejo e assim que ela prendeu seu olhar ao que ele fazia, tudo em sua mente enevoou - Que se dane! - agarrou-o ali mesmo deixando-o até mesmo assustado. Não imaginava que ela praticamente o atacaria como se fosse o último pedaço de comida da mesa.

Tudo se resumia naquele beijo. Raiva, desilusão, sentimentos desajustados, rompimento, amor... Era inacreditável como um beijo poderia ser capaz de deixá-los tão absortos do mundo em volta, que esquecessem até mesmo dos seus acompanhantes aquela noite. Bruno tentou invadir novamente a boca dela com sua língua e dessa vez ela não fez nada para impedir. Quem passasse ali perto estaria quase mandando os dois para um hotel, mas eles não tinham nenhuma intenção para tal. Aquele beijo era muito mais intimo do que qualquer outra coisa.

Era a constatação de que eles ainda se amavam. Mesmo depois de tudo o que tinha acontecido...

De repente, Dominique deixou que sua mente se iluminasse com a razão. E já tinha perdido as contas de quantas vezes perguntou o que estava fazendo aquela noite. Parou o beijo na mesma ânsia que o começou. Bruno que até então estava envolvido, continuou com os olhos fechados imaginando muitas coisas em sua mente e tentando entender de onde tinha vindo aquilo tudo.

– Isso é errado.

– Eu sei. - ele concordou arfante. Abriram os olhos e se encontraram novamente naqueles mares de olhos verdes. Dominique sentiu uma forte vontade de beijá-lo de novo e ele também. Assim que se aproximaram novamente, ela lhe deu um forte tapa na cara.

– Isso é pra você aprender não encostar mais a mão em mim.

Bruno não entendeu nada. Ela saiu pisando forte e empurrando quem via pela frente. Ele continuou parado, com a mão no rosto e sentido aquela parte onde tomou um tapa arder, mas mesmo assim sorriu em satisfação. Os dois ainda sentiam alguma coisa pelo outro, e ele iria tirar proveito daquilo.

BOTAFOGO

Diana estava em papos muito animados com Stolt. Manoel tentava não olhar porque cada vez que o fazia, Charles agia como mulher perguntando o que estava acontecendo. Enquanto os outros estavam se divertindo, Charles estava quase se afundando em depressão.

– Sério, meu filho, já parou para analisar se ela realmente tiver um relacionamento e encontrar um outro homem?

– Todo santo dia, tio. - tomou mais um gole da água e colocou a taça na mesa - Eu sei que eu não posso ficar preso ao passado, mas é a única coisa que me mantém vivo sabe?

– Então porque não fala logo com ela? Durante quantos anos mais vai se torturar?

– Eu tenho vontade de arrastá-la para qualquer canto e beijá-la, mostrar que mudei, mesmo isso sendo óbvio em todos os aspectos, só que sei que ela não vai aceitar. Estou tentando ser amigo dela, mas é praticamente impossível, ela me repele a cada contato mais pessoal.

– Bom... Se ir pelas beiradas e rondar terreno não está dando certo, aconselho a você se jogar logo de vez. - Charles se assustou e Manoel balançou as mãos em desfeita do que disse - Digo que você tem que ser mais chocante, impulsivo, qualquer coisa que mostre a ela o que deseja.

– Ela sabe o que eu quero. Só ainda não percebeu.

– Então faça-o logo. Porque o Stolt corre atrás do que quer. E você sabe muito bem disso.

– Já entendi. Ele está dando em cima dela e eu panaca estou aqui chupando dedo. - ele bufou.

– Não exatamente. Diana é muito comedida com relação a relacionamentos e não sai por aí se expondo, e posso chutar que não tenha tido ninguém sério depois de tudo que aconteceu.

Charles sabia do que o tio falava, precisava agir rapidamente antes que perdesse Diana de vez. Levantou e foi em direção ao pianista do restaurante. Este lhe sorriu assim que ouviu o pedido de música e começou a tocar.

Elton John - Sorry Seems To Be The Hardest Word - Piano

Diana automaticamente teve um estalo ao ouvir aquela música. Stolt percebeu sua mudança de feição e sentiu uma certa preocupação com relação aquilo.

– A música lhe lembra alguém?

– Na verdade me lembra muita coisa. - ela sorriu tristemente - Sabe quando você ouve e sente toda uma vida perpassando nos seus olhos.

– Claro. Mas pelo tipo de música, provavelmente foi algum coração partido não é?

– Aham. - se recuperou mais do baque e tomou um pouco mais do suco - Vou ao toillete. Um momento.

– Tudo bem. - ele se levantou também para que ela pudesse sair. Agradeceu ao ato de cavalheirismo e foi indo em direção ao banheiro.

Charles não perdeu muito tempo e foi atrás. A ala dos banheiros se subdividia e ele apenas esperou para quando ela saísse em um lugar estratégico onde ela não pudesse o ver, mas que ele pudesse vê-la de costas, voltando para sua mesa. Diana entrou no banheiro e olhou-se no espelho.

Flashback

Diana PDV

Assim que entrei no restaurante, me deparei com a cena mais inusitada: estava vazio. Não entendia porque tinha que estar lá e como tive a grande idéia de aceitar aquilo, mas mesmo assim algo me chamava para ir. Apenas os garçons estavam lá e de repente uma luz iluminou o pianista com a música do Elton John. Sempre gostei dele e sentia que suas músicas liam a minha alma. Aquela era uma delas. A mesa posta para dois ali em minha frente e o garçom puxando a cadeira para que eu sentasse.

Coloquei minha bolsa e procurei quem tivesse fazendo aquilo. No meu intimo queria muito que fosse o próprio Charles a aparecer na minha frente, mas minha razão já me pedia pra esquecer aquilo. Depois de todo sofrimento, dor e desilusões, eu precisava de espaço, me sentir viva e longe de todos aqueles problemas.

Mas quando o vi entrando e chegando próximo a mesa, todo charmoso naquele smoking e com os cabelos ainda meio despenteados, com aquele olhar penetrante e sedento, aqueles lábios chamativos e aquele perfume estonteante, toda a minha razão foi para o espaço. Ele estendeu a mão e apenas a aceitei. Levantei e começamos a dançar aquela música lenta e romantica.

– Pensei que não fosse aparecer. - ele disse quase que num sussurro.

– Não imaginei que fosse você.

– Precisava de você. - beijou o meu ombro já me tirando da órbita.

– Não era para você estar aqui. - parei de dançar e o encarei - Sabe muito bem que devia estar em outro lugar.

– Não poderia me afastar sabendo que está com raiva de mim.

– Não foi por minha causa que voltou, não agüentou ficar lá por muito tempo.

– Como eu aguentaria? - ele a fez sentar e logo sentou a sua frente - Eu te amo demais, e não quero ficar longe de você.

– Mas é o melhor para nós dois.

– Não é não. Ficarmos separados é a decisão mais estúpida do mundo.

– E ficarmos juntos nessas condições só vai trazer mais dor a nós dois.

– Eu prometo que vou mudar. - ele puxou minhas mãos e as beijou - Não consigo viver longe de você, eu posso mudar, sei que posso.

– Já me prometeu isso tantas vezes Charles, como acha que posso acreditar? - falei já quase chorando.

– Porque eu sei que você me ama e acredita em mim. E sabe que é verdade. - nos encaramos ainda por alguns segundos. O olhar suplicante e sincero vindo dele era como um chamativo para a minha alegria e meu martírio. Vi-o puxar algo do bolso e assim que vi a caixinha de veludo, meu coração parou uma batida - Casa comigo.

Fiquei olhando aquele anel dentro daquela caixinha e imaginando muitas outras situações diferentes para que aquilo acontecesse. Queria muito casar com ele, mas não naquelas condições. Coloquei minhas mãos no rosto dele, chorei ainda mais e apenas neguei com a cabeça.

– Mas por que? - ele também já me olhava se segurando para não chorar.

– Não estamos em condição pra isso. Não podemos.

– É claro que podemos.

– Charles. - fechei a caixa e coloquei na mesa. Puxei seu rosto novamente para perto do meu e sorri, mesmo chorando - Por favor, resolve sua vida. Eu quero me casar com você, mas não nessas condições. Quando tudo estiver certo, eu aceito isso de bom grado.

– Ok. - ele entendeu o que eu quis dizer e assentiu - Mas volta pra mim.

– Volto. - nos beijamos apaixonadamente. Não podia negar que sentia uma falta absurda dele.

Fim do Flashback

Diana sentia seu corpo tremer. Era impressionante como ele ainda tinha uma possessão por ela só em pensamento. E ele nem tinha ideia daquilo. Saiu já sentindo que precisava ir pra casa. Passar tanto tempo com ele estava deixando-a louca. E a vida conspirava contra ela que até quando estava em seu momento descontraído, tinha que lembrar dele em uma música de um pianista que até então nem tinha se sentado para tocar.

Saiu do banheiro e ajeitou sua postura. Continuou andando até ouvir um barulho. Charles a viu saindo do banheiro e pensando no que poderia ter acontecido já que demorou um pouco e a chamou. Ela gelou.

– Eu sei que não é a maneira mais digna de esperar por você, mas assim que a vi não resisti. - ele chegou ao seu lado e logo em seguida parou na sua frente. E lá estava ele: com as mãos nos bolsos, aquela barba para fazer, aquele cabelo meio desalinhado e aquele olhar que a deixava louca.

– Está dificil para você resistir muitas coisas ultimamente.

– Que posso fazer se você me deixa assim? - ele sorriu sacana e ela ficou irritada.

– O que você quer afinal? Está me seguindo?

– Muito pelo contrário. - ele se fez de ofendido - Eu estava jantando com meu tio normalmente até que ele disse que você estava aqui com o Stolt. Estão discutindo algo que eu não saiba?

– Não é da sua conta. - ela tentou andar, mas ele a impediu.

– Tudo que envolva a nossa fusão é da minha conta. - no fundo, ele não estava errado - Vai que de repente você está querendo fazer negócios com ele que eu não saiba.

– Está duvidando de minha integridade? - ela se irritou - Que estou tentando passar por cima de você?

– Não disse nos negócios da empresa. - e deixou sua voz sensual sair com muito mais força do que o costume. Ele parecia ter algum tipo de encantamento que a deixava em suas mãos. Assim que entendeu onde ele queria chegar, o empurrou e o olhou irada.

– Nunca mais fale dessa maneira comigo. - tentou ir embora, mas ele a puxou com força, colocando-a contra a parede. Tentou se soltar, mas novamente sentiu como se ficasse presa por encantamento por ele. Era delicioso o ver daquele jeito másculo e sedento por ela, ao mesmo tempo em que era revoltante.

– Eu falo do jeito que eu quiser. - Charles não era homem de muitas palavras. Pelo menos não quando estava com o seu lado homem bruto e das cavernas aflorado. Beijou-a sem pedir licença nenhuma. Queria mais que ela soubesse que era sua e ai dela ir contra aquilo. Diana se sentiu invadida com aquele absurdo, mas respondia a todos os toques dele involuntariamente.

Era como se os corpos deles se chocassem como imãs positivos e negativos e por mais que ela quisesse, aquela atração, tensão, excitação, ou seja mais lá o que fosse os prendia de maneira tão fora do comum que não havia como resistir.

Charles se sentia extasiado. Era tudo o que ele queria depois de tantos anos e estava fazendo aquilo sóbrio, sem nenhum artifício como o álcool para o encorajar a tomar aquela atitude. Se bem que ele nunca foi muito de esperar para fazer o que queria.

Depois do beijo, ficaram ainda por alguns segundos se olhando. Tudo que Diana não queria era constatar que ainda amava aquele homem com a mesma intensidade que anos atrás. Segurou o choro o máximo que pode, e assim que Charles viu a mágoa em seus olhos, se arrependeu.

– Desculpa, eu...

– Nunca mais toque em mim. - ele se afastou rapidamente, dando espaço para que ela passasse. Assim que ficou sozinho, bateu a cabeça na parede. Era muito estúpido por ter feito aquilo, mas no fundo, de verdade, percebeu que não se arrependia totalmente.

COPACABANA

JasonWalker - What If I Told You

Aline estava tendo uma noite bem interessante. Deitou ao lado de Caio que tentava respirar direito depois dela tê-lo feito picadinho. Os dois arfavam e ela sorria de satisfação. Estava começando a aprender a ser exatamente do jeito que já deveria ter sido há muito tempo. Independente.

– Nossa Aline, o que deu em você hoje? - ele a puxou para mais perto que apenas sorria.

– Gostou? - ele assentiu - Então não precisa me perguntar mais nada não é?

– Quem é você e o que fez com a Aline? - ela gargalhou - Não vai se arrepender disso depois vai?

– Provavelmente. - ele se assustou e ela continuou sorrindo. Passou as mãos pelo seu rosto e depois pelos seus lábios - Mas acho que isso você não tem que se importar.

– Olha Aline, até gosto disso, mas o que aconteceu? - ele já estava sério - Já percebi que não me quer de volta e se quiser me usar tudo bem. - ela balançou a cabeça sem acreditar e sentou. Ele fez o mesmo e a puxou para perto dele - Mas essa não é você. Tudo bem que o lado mulherão até é, mas vir atrás de ex-namorado por causa de sexo...

– Estou cansada de só levar na cara. - ela olhou para ele que entendeu e engoliu em seco - Parece que só atraio quem não presta.

– Eu te pedi em casamento. - ela gargalhou novamente.

– Depois que te peguei com minha amiga na cama? Acha mesmo que eu aceitaria?

– To falando antes. - ele respondeu cansado.

– Eu era uma idiota Caio. Acreditava em tudo o que você falava. - tentou sair da cama, mas ele a puxou novamente.

– Eu não estava mentindo quando disse que queria você como minha mulher.

– Eu sei. - ela passou novamente as mãos pelo seu rosto - Mas você nunca seria fiel, e eu quero um homem que seja fiel e leal a mim a vida inteira.

– Acredita em mim que eu posso ser. - ela negou com a cabeça.

– No nosso caso, não temos mais como passar disso. - ele a olhou decepcionado - E até parece que não gostou do que aconteceu.

– Estou me sentindo usado Aline. - os dois sorriram, mas depois ele a olhou bem nos olhos - Está apaixonada por outro não é? - ela engoliu em seco e tentou levantar da cama, mas ele a impediu, jogando-a novamente e deitando em cima dela - Dá pra ver nos seus olhos que está.

– Isso é algum problema pra você?

– Agora? - ele já passava seu nariz pelo seu pescoço, descia os vãos dos seus seios e voltava sorrindo maroto - Nenhum pouco.

CONDOMINIO ANIMALE

Tiago estava deixando Letícia na porta do prédio. Os dois conversavam sobre amenidades e ela lhe dava um beijo de despedida. Tiago olhou pra ela e sentiu que precisava dizer alguma coisa antes dela descer. Segurou suas mãos e ela se virou sem entender nada. Ele a olhou bem nos olhos, puxou-a para um beijo mais delicado e assim que terminou, acariciou suas mãos.

– Eu queria te perguntar uma coisa... Mas acho que está muito cedo...

– Oi? - se antes ela estava perdida, agora parecia que tinha afundado num buraco escuro.

– Vou te fazer uma pergunta... - ela arfou - Mas não espero que me responda logo agora. Sei que é muito cedo... - Leticia imaginou milhares de coisas na cabeça - Mas... - Tiago engoliu em seco. Não sabia onde estava se metendo na realidade, mas Leticia era uma ótima garota, e quem sabe ela não poderia ajudá-lo a mostrar a todos que era maduro?

– Mas... - ela incentivou e ele voltou a olhá-la nos olhos, já que tinha baixado a cabeça.

– Quer namorar comigo?

Leticia na verdade não esperava por aquilo tão cedo. Nem era apaixonada por ele para aceitar um pedido daqueles. Mas se era o próprio Tiago Palmas ali na sua frente lhe olhando com tanta intensidade e pedindo algo daquela maneira, seria muita loucura se não aceitasse.

– Claro. Claro! - praticamente pulou no colo dele e sorriu como uma adolescente - Não imaginei que fosse me pedir isso assim tão cedo.

– Não quero deixar o momento passar. - sorriu e ela retribuiu - Mas é melhor ir pra casa porque amanhã temos muito trabalho pela frente.

– Ok.

Leticia entrou no seu apartamento dopada. Não por coisas ruins, mas porque ainda não tinha noção da realidade que se aproximava. Aquele homem todo estava pedindo para que ela fosse sua namorada. Assim que entrou em seu apartamento, pulou de alegria e deu uns berrinhos e assim que percebeu que horas eram, parou de gritar.

Dominique saiu do quarto correndo quase desesperada e assim que viu a amiga indo em sua direção correndo e quase pulando em cima dela, saiu correndo novamente, mas não se viu livre quando ela foi atrás.

– O que aconteceu? - caiu na cama com Leticia em cima dela. Deu uns tapas e Leticia se jogou ao lado dela toda feliz e contente - Que vestido indecente é esse? - Dominique viu suas pernas praticamente de fora e Leticia nem ligava.

– Eu estou namorando.

– Com quem dessa vez? - ela tentou se levantar, mesmo estando enrolada nos lençóis.

– Tiago Palmas. - e caiu no chão assim que ouviu o nome - Está tudo bem ai?

– Não. - levantou com as costas doendo e ainda enrolada nos lençóis - Como assim está namorando?

– Já te conto tudo.

No meio da conversa, Dominique recebeu uma mensagem de Aline pedindo que ela levasse uma trouxa de roupas pra ela que pudesse trabalhar confortavelmente, além de sua mochila com o laptop e a pasta com as informações que precisava.

Ela ligou de volta, mas o celular já dava desligado. Estava irritada com Aline, ela não era de fazer isso e quando ela viesse chorando por causa de algum arrependimento, ela daria era um tapa na sua cara, mesmo sabendo que ela também merecia um.

QUARTA-FEIRA

Aline acordou cedo no apartamento de Caio. Procurou por alguma roupa pelo armário e sem querer acabou acordando-o. Ele a olhou sem entender muita coisa, por mais que a conversa entre os dois fosse conclusiva, algo nele lhe dizia que ele tinha ainda oportunidade de tentar algo com ela. Sabia que seria uma Missão Impossível ou Impraticável, mas iria se dar o risco, depois de tudo que fez, ele sabia que ela valia a pena.

– Acho que você levou todas as suas roupas.

– Não tem nem seis meses, não tive tempo de levar tudo.

– E por que está acordada tão cedo? - ele levantou e foi catando as roupas pelo chão - Que eu saiba você não trabalha cedo.

– Sim, mas prometi que ia tomar café com um amigo.

– Hum... Ta explicado. - ele falou já indo em direção a área de serviço e ela se virou para falar alguma coisa. Ele voltou com uma caixa e colocou em cima da cama - Tem algumas coisas suas ai, só não lembro se tem roupa. Vou fazer um café, to morrendo de sono.

Aline percebeu que a convivência com Caio sem relacionamento era muito mais tranqüila e calma do que antes. Já sabia que se quisesse algo casual não seria muito difícil de conseguir com ele. Viu um vestido seu perdido e seu blazer combinava. Olhou pela janela e viu que o tempo estava um pouco aberto, então não precisaria de casaco. Catou e viu um sandália rasteira e deu graças a Deus por não ter perdido, viu também um conjunto que provavelmente não era seu, mas como estava com etiqueta e lacrado dentro de um saco, pegou mesmo assim. Caio tinha mania de dar lingerie de presente, podia ter confundido com algum dela. Foi para o banheiro e tomou um banho rápido, senão iria se atrasar. Voltou já com o vestido e com o blazer no corpo. Caio chegou com um café quentinho e ela agradeceu. Não estava de ressaca porque nem bebeu, mas naquele friozinho gostoso, era sempre bom.

– Então, quer dizer que tem um encontro agora? - ela o olhou desconfiada e sorriu.

– É um amigo apenas, mas eu não te devo satisfações não é? - piscou, tomou o café e foi arrumando suas coisas para ir embora.

– Novamente... Sinto-me usado. - Foi tirando a camiseta que tinha colocado e depois as outras partes da roupa - Quer tomar banho?

– Não posso, estou atrasada. Mas obrigada pelo café. - pegou suas roupas e foi ligando o celular.

– Posso te ligar? - ele foi correndo atrás dela de toalha - Quem sabe podemos ter um encontro desses de novo?

– É... Quem sabe? - ela sorriu e lhe deu um selinho - Eu te ligo também.

Aline ligou para Charles assim que chegou a recepção. Falou que estava pelas bandas de Copa e que iria encontrá-lo direto no café. Depois de pegar um táxi e pedir pra deixá-la lá, uns dez minutos depois, desceu, pagou e entrou no forte de Copacabana. Charles já tinha chegado e estava esperando por ela. Ela o viu assim que entrou no Café, apontou para a recepcionista que ele estava esperando por ela e encaminhou-se para a mesa.

– Desculpa o atraso.

– Que isso. - ele sorriu - Só achei estranho você já estar em Copa.

– Eu tive meus contratempos. - ela sorriu e ele percebeu do que ela estava falando. Parecia meio óbvio já que aquela amizade permitia que eles se conhecessem bem até demais.

– Estava com alguém não é? - ela gargalhou e assentiu - Não entendo.

– Como assim?

– Vamos pedir primeiro e depois conversamos.

Uns vinte minutos depois o café chegou e eles se deliciaram, conversando sempre sobre o ambiente do café no Forte e da paisagem. Finalmente Charles falou sobre ter desconfiado de com quem ela estava na noite anterior, e ela afirmou categoricamente que era com um ex namorado ao invés de Tiago. Ele se assustou ao perceber que ela já sabia que ele sabia e perguntou se Tiago havia perguntado algo e ela disse que não.

Continuaram conversando e Aline contou seu lado da história. Não falou sobre estar apaixonada por ele, e por ter tido certeza disso logo na noite que eles se despediram de vez. Falou que assim que tivesse uma oportunidade contaria tudo a Diana para não ter mal entendidos depois e ele afirmou que era o melhor mesmo a fazer.

– Mas, você há de convir comigo que Leticia precisa saber disso. Todo mundo vai saber menos ela?

– Bom, eu não estou disposta a expor ainda mais minha vida dessa maneira. Se dependesse de mim provavelmente ninguém saberia, mas fiquei muito perdida e acabei contando a Dominique. E claro ele contou ao irmão e a você.

– Eu meio que sabia da sua existência desde o aeroporto, só não ligava as pessoas porque Tiago tem facilidade de conhecer muitas pessoas. E como até a noite que vocês dormiram juntos, nem ele sabia ligar o nome a pessoa...

– Ainda por cima menti.

– Sim, tem isso também. Então eu sabia de sua existência mais pela obsessão dele do que por qualquer outra coisa.

– Bom... Vou conversar com ele hoje e ver o que vamos decidir. Se eu conto, ou ele conta.

– Só que eu sinto que tem algo estranho nisso tudo. Mesmo apoiando sua decisão, porque por mais que eu ame meu primo, não ache que ele esteja a sua altura, parece que algo não se encaixa. - olhou para ela e tentou analisar bem seu rosto. Ela ficou sem entender absolutamente nada.

– Acho que isso é coisa da sua cabeça. - sorriu já um pouco nervosa e ele assentiu.

– Pode ser. - ele chamou a garçonete para pagar a conta - Eu te dou uma carona.

– Ok.

Charles ligou para o celular de Tiago e depois de alguns minutos de conversa, Aline teria tempo de ir em casa e pelo menos pegar suas coisas. Leticia estava com sua mochila e Dominique tinha partido para a empresa dos Palmas para conversar com o contador deles.

Deixou-a na porta do prédio encontrando com Dennis e Tiago que já olharam desconfiados. Ele partiu com o carro e Aline pediu alguns minutos apenas para pegar suas coisas. Leticia estava descendo e ela nem teve tempo de subir. Dennis e Tiago discutiram e viram que ir de carro era perda de tempo. Tanto na Marina quanto pelas redondezas de Ipanema, estacionar carro seria perda de tempo e dinheiro. Elas não entenderam muito bem e Leticia ficou super animada ao ir de moto. Aline, nem tanto.

– Se quiser colocar uma calça...

– Não precisa. - ela sorriu - Ele é longo e dá pra segurar tudo, afinal estão na mochila.

– Ok. Vamos? - ele subiu e Dennis já apareceu ao lado deles com Leticia atrás

.– Qualquer coisa é só nos ligarmos.

– Tudo bem.

Aline subiu na moto e deu seu jeito de agilizar as coisas. Tiago apenas esperou e assim que ela o abraçou pela cintura partiu com a moto.

O dia começou normal. Leticia já tinha contado a novidade para Dennis que agora tinha o dobro de preocupação. Mas ficou na dele, afinal era o próprio irmão que tinha que lidar com tudo. Mas ele percebeu que ela era muito determinada. Como tinha carisma conseguia conquistar as pessoas na rua e ter as respostas que queria. Era inteligente e talvez quem sabe o irmão estacionasse com ela. Estavam se dando muito bem e ele percebeu que sua nova cunhadinha seria quem sabe uma grande amiga.

Parou para analisar a vida e imaginou que ele também precisasse de alguém para estacionar. A vida era agitada demais e ele aproveitava todas as oportunidades que tinha, mas no final estava sempre sozinho. Lembrou-se de Aline e tentou imaginar que quem sabe ela poderia ser a escolhida para isso. Balançou a cabeça e continuou seu serviço.

Do outro lado a situação já era bem diferente. Logo após que chegaram ao seu destino, Aline e Tiago estavam quietos. Delimitaram seus locais de procura, falaram apenas de trabalho e partiram para o serviço. Depois de uma hora procurando as coisas, Tiago decidiu esperar por ela numa banco ali perto. O dia ajudava e não estava muito frio, e assim que a viu terminando de conversar com um rapaz e vir andando em sua direção, perdeu o ar.

Era incrível como ela tinha uma sensualidade natural, que ate o proprio irmão tinha reparado. Mas isso já não era mais seu departamento. Ele já tinha pedido Leticia em namoro e ia ficar com ela.

– Encontrou mais alguém?

– Bom, acho que por aqui já temos o material necessário. - ela assentiu - Mas antes de ir embora... Senta aqui. - ele apontou o banco próximo e ela sentou já receosa com qualquer coisa que ele viesse lhe falar - Tem uma novidade pra te contar.

– E qual seria?

– Pedi a Leticia em namoro ontem à noite. - falou logo. Ficar enrolando só iria piorar as coisas.

– Como é que é?





Notas finais do capítulo

Eta Lele... Como será a conversa deles dois depois dessa?
Como continuará a situação principalmente depois disso tudo?????????????????????

Cenas dos próximos capítulos:

—---=----

— Aline... o vento já batia ainda mais forte e ele pegou seu casaco. Ela travou o movimento se levantando.
— Não encosta-se a mim.

—---=----

— Olha aqui... ele se revoltou Pára de agir igual criança. Estamos trabalhando e até onde sei quem manda aqui sou eu. Não vamos confundir o pessoal com o profissional.
— Quem começou confundido foi você.
— Como?

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— Quem é Caio? Tiago perguntou curioso e com raiva.
— Não te interessa.

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Por que não me contou?
— Fiquei com medo de acontecer alguma coisa pior.
— PIOR? Letícia levantou revoltada Vocês dois se comeram em São Paulo...

—---=----

Nique e Bruno
— Não sente frio não? ela ficou olhando para o peito desnudo dele e apenas para a calça de moletom. Ele riu.
— Quanto menos roupa, mais rápido pra fazer o serviço. ele piscou e ela ruborizou.

—---=-----

— Mesmo achando que ela não seja em nada parecida com a Aline, no mínimo ela quer um cara responsável. Então aprenda a ser um.
— E eu vou provar isso do dia pra noite? ele se irritou É claro que quero mostrar que sou responsável...
— Que vai se tornar, porque responsável, você não é... Dennis o cortou e ele não gostou.
— Você também não é.
— Sou mais do que você.



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