Opostos escrita por Tina Granger


Capítulo 4
Capítulo 4






"Para a maioria, quão pequena é a porção de prazer que basta para fazer a vida agradável!"
( Friedrich Nietzsche )

O adolescente se encolheu, coisa não muito facil, para os seus quase um metro e noventa, a medida que via a mãe avançar, a respiração curta. Ele se sentiria mais tranquilo, se ela estivesse berrando, chamando-o de trasgo imprestável...

– Dean, de onde infernos você tirou o maldito lobo? - a pergunta em tom gélido o fez estremecer.

– Mãe, era só um lobinho que...

– JAMES!

– Mae... - ele puxou o ar, antes de comecar a falar. - O João Paulo foi quem achou o lobo, quando estava fazendo trilha, com o grupo de amigos malucos dele. E...

– E? você não é o melhor amigo do João Paulo? - Beatrice colocou as mãos na cintura. Seu filho pensava que ela era QUEM, para tentar enrola-la?

– É, mas como eu quero ser o melhor aluno nas provas para a faculdade, estou fazendo o que a senhora me ensinou, para atingir isso. Sabe a quanto tempo eu não tomo banho de cachoeira? A quanto tempo eu não...

– James...

– MÃE! - ele fez um meio bico, antes de puxar o ar. - Eu até ao invés de ir pra São Joaquim, fiquei aqui, passando um calor nessa sucursal do inferno, estudando formulas quimicas...

Beatrice ergueu as sobrancelhas.

– Desde quando que em poçoes voces estudam formulas quimicas?

= Desde que eu me inscrevi para o vestibular trouxa. Eu não vou disperdiçar...

– James, você vai mesmo prestar vestibular? Você é um bruxo! Estude para...

– Mãe, quantas mil vezes, a gente já conversou sobre isso? Quero fazer medicina TROUXA e...

– Eu não consigo entender o porque disso. - Beatrice falou com desprezo. O adolescente revirou os olhos. - E não mude de assunto. Eu vim da Inglaterra até aqui não para saber dos seus planos que já sei e não concordo mas aceito e sim por que malditos motivos você estava passeando com um lobo pelos jardins da escola!

– Eu levei ele para ele... Mãe, ele precisava fazer umas coisas...

– James... - o tom de aviso fez ele suspirar, enquanto jogava as mãos para o alto.

– Ele precisava mijar! E também... Sabe o número dois? - ele terminou a pergunta sorrindo.

– Perseus James Dean Stalker! - o tom de aviso de Beatrice, fez o sorriso do filho se desmanchar, enquanto ele ficava pálido. Sua mãe apenas o chamava pelo nome completo, quando estava furiosa... o que significava, que se ele não tomasse MUITO cuidado, ele permaneceria de castigo... Castigo não,pois isso era coisa de criança... Ele ficaria SEMANAS na ala hospitalar...

– E o Floquinho, que foi o nome que a gente achou que ele merecia ganhar...

– Floquinho?

– O adolescente balançou a cabeça, sorrindo.

– Sabe, ele é muito peludo. O Téo queria botar o nome de Bidu, o João Pedro queria Monicão, o Paulo queria colocar Akamaru e eu...

– Merlin me de paciencia...

– Mãe, eu estou falando coisa séria. - o adolescente sorriu de uma maneira que fez o coração dela disparar. O mesmo sorriso largo, que tentava enrola-la, embora soubesse que seria muito dificil. - Eu até tentei enfiar o nome do irmão do Inyasha, mas sabe... quando o Floquinho escutou a sugestão escondeu a cara, como se estivesse morrendo de vergonha... ou rindo muito.

– Eu estou morrendo de vontade de arrancar o seu pescoço, Perseus.

Ao escutar somente primeiro nome, ele engoliu em seco. Se ela mencionasse novamente seu nome completo, ele trataria de arranjar um jeito de escapar, do jeito que estivesse.

Afinal, ele não era louco de enfrentrar Beatrice Marie Stalker sem uma dúzia de bruxos lhe protegendo... Sua mãe era uma das bruxas mais poderosas que ele conhecia e das cinco elencadas, era apenas dela que ele tinha medo...

Opostos

opostos

Eileen Snape estava sentada, em uma mesa no seu jardim. Tomava uma xícara de chá de morango, quando ao erguer o rosto, viu uma trouxa entrando no seu jardim. Uma trouxa não, levantou-se indignada. Uma maldita traidora, vagabunda, desgraçada...

– Olá, tia Eileen. - Beatrice manteve o rosto impassível, quando cumprimentou a mulher mais velha.

– Saia da minha casa, sua vagabunda!

= Eu vou sair da casa que seria minha por direito, mas que meu pai preferiu dar ao meu primo Severus, assim que eu falar com o dono dela.

– Como se atreve? Você deu as costas aos seus pais por um maldito bastardo que...

– Muito obrigada por me lembrar, tia Eileen. A senhora apenas mora aqui, pois EU não quero que meu filho Dean...

– Você desonrou o nome da nossa família e vem falar comigo com esse tom de arrogancia?

Beatrice olhou friamente para a tia, o sorriso que deu não alcançando os olhos.

– Assim que eu falar com Severus, eu vou embora. E talvez permaneça mais dezessete anos sem aparecer por aqui novamente.

Eileen tremeu, antes de buscar a varinha no roupão largo verde-esmeralda que usava. Antes que pudesse sacar a varinha e atacar a sobrinha, Severus Snape apareceu ao lado da mãe.

– O que está acontecendo aqui?

= Eu não lhe disse para não desfazer os feitiços de proteção que eu havia feito? - Eileen perguntou indignada.

Severus ignorou a mãe, olhando para Beatrice.

– Voce aqui a esta hora? Aconteceu alguma coisa com Dean? Você precisa de alguma coisa?

– Seu afilhado está muito bem... E eu apenas preciso conversar com você.

Severus assentiu. Sem dizer palavra, ele virou-se e começou a caminhar em direção a casa. Beatrice piscou para Eileen, atirando-lhe um beijo antes de seguir Severus, sabendo institivamente onde ele iria. Eileen não puxaria a varinha, não com Severus logo a frente. Se ela fizesse isso, ela sabia que o filho defenderia Beatrice.

Severus usava calças e uma camisa negra, parou antes da porta que levava ao porão da casa secular, que em tempos antigos, eram as masmorras.

– Para você ter vindo até aqui, deve ser uma coisa muito grave.

= Não é para tanto. Eu apenas tenho que começar a trabalhar daqui a … - ela olhou no relógio que o homem a sua frente havia lhe dado no dia que se formaram em Hogwarts. - três horas e como não havia forma de lhe enviar uma coruja, marcando um encontro...

Severus ergueu uma sobrancelha, antes de abrir a porta. Deixou a mulher passar, antes de entrar, fechando a porta com um feitiço silenciador.

– Realmente Dean está bem? Eu lhe conheço, Beatrice. Você não voltaria aqui se seu filho estivesse bem. - ele falou, vendo-a examinar a sala que eles, quando adolescentes, haviam transformado em um laboratório, onde faziam experiencias com poções.

– O único perigo que Dean corre no momento, é que eu resolva voltar ao Brasil através de uma chave de portal e dar o castigo que ele merece.

– Vindo isso de você soa algo do tipo...

– Severus, a cada dia que passa, Dean está mais decidido a se parecer mais com um trouxa do que realmente ele é. - Beatrice falou, a raiva fazendo que a voz subisse alguns graus. Severus disfarçou o sorriso, virando-se de costas e indo até um armário. Dean era a única pessoa no mundo que fazia Beatrice erguer a voz.

– Essa foi a educação que você quis dar a ele. - Severus falou, abrindo o armário e pegando duas xícaras. Quando se virou, a mulher estava examinando as peças que estavam na mesa.

– O mundo não é o mesmo do tempo de Salazar, Godric, Rowena e Helga. Nascidos trouxas são tão bons quanto sangues puros, Severus. E Dean tem parte trouxa, como você sabe. E no mundo em que estamos, duvido que se Dean estivesse em Hogwarts... - Ela fechou os olhos antes de olha-lo. - Se tivesse caído na Sonserina, duvido que aquele-que-não-deve-ser-nomeado...

– O senhor das trevas não se atreveria a tocar em Dean, Beatrice.

– Eu agradeço todos os dias a Merlin que meu filho nasceu no Brasil, Severus. E quanto ao seu senhor das trevas... eu o chamei de sangue ruim, assassino... e devo dizer que a única coisa que me arrependo daquele dia, foi de ter sido educada mostrando a porta da rua para ele.

– Você o ofendeu de todas as formas possíveis.

– Apenas deixei claro, que minha cama não estava disponível para que um sangue ruim bastardo se deitasse nela. - o tom de orgulho de Beatrice era mais que plausível.

– Como você ainda está inteira e viva ainda é um mistério para mim.

– Assim como é um mistério para mim que você, herdeiro de meu pai, ainda se sujeite a dar aula de poções a um bando de piralhos mimados.

– Dean tem quantos anos, Beatrice? - Severus ignorou a pergunta subjetiva. - Dezessete, não é?

– Vai completar daqui a dois meses... Voce sabe disso muito bem, Severus. - ela estreitou os olhos, quando ele fingia observar uma das xícaras que tinha na mão. - Sev?

– Eu prometi ao seu pai, que não contaria antes do tempo, Beatrice.

– O que você prometeu ao meu pai, Sev?

– Chá ou café? - Severus pediu, estendendo o braço para ela.

– Café. - Quando ela fechou os dedos ao redor da xícara, ele puxou a varinha, batendo levemente na mesma, fazendo que o cheiro revigorante da bebida entrasse nas narinas da mulher.

– Eu gosto de lecionar, Beatrice. Mesmo tendo aquelas criaturas sem o mínimo de cerebro...

– Severus Snape. Você está mudando de assunto.

– E você não me disse pelo qual motivo realmente veio me procurar. - Severus retrucou, antes de fazer café aparecer na sua xícara. Beatrice deixou que ele começasse a tomar o café antes de responder.

– Dumbledore solicitou que eu desse aulas de defesa contra as artes das trevas. - como esperado, Severus acabou se engasgando. Tossiu antes de encara-la.

– Ele ficou louco?

– Que eu saiba, ele sempre foi. - ela retrucou serenamente, antes dar um meio sorriso. - Eu disse a ele que você era uma opção melhor, mas ele...

= Beatrice, você tem um filho, que ainda não é maior de idade!

– Então, você acha que o único impedimento para eu dar aulas é ter um filho menor de idade? Maravilha! - ela colocou a xícara na mesa, se debrucando, aproximou-se do professor de poções., piscando coquete. - quer fazer um filho comigo? Assim eu vou estar grávida e tenho uma desculpa mais que perfeita para recusar.

– Nem que você fosse a ultima mulher da terra e a sobrevivencia da raça humana dependesse de nós. Beatrice somos primos e nos gostamos como se fossemos irmãos!

– Graças a Merlin não sou só eu que penso isso. - ela sorriu, piscando para ele. - Agora, que já definimos o que nunca seremos um para o outro, que tal me contar o que papai fez você prometer?

– Qual sua resposta ao diretor?

– Eu tenho até amanhã para responder. - ela franziu a testa. - você está fugindo do assunto...

– no dia que Dean completar dezessete anos conversamos. - Severus falou categórico.

– O que? Você vai me deixar sem saber o que está acontecendo?

O sorriso de Severus Snape por muito pouco, não foi tirado com tabefe da prima, que arregalou os olhos quando, com menear de varinha fez as xícaras se transfigurarem em copos com um liquido amarelo.

– Acho que champanhe é a melhor bebida para comemorarmos não acha?





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