Opostos escrita por Tina Granger


Capítulo 3
Capítulo 3


Notas iniciais do capítulo

Sonhe como se fosse viver para sempre, viva como se fosse morrer amanhã.

James Dean






 

O homem olhou para o lado, pensando se haveria possibilidade de escapar. Bem, ele sabia que era algo extremamente remoto... mas ele tentaria! Lançou um olhar meio enviesado para a jovem que estava sentada no computador, de costas para a porta, provavelmente conversando com algum namorado...

De maneira sorrateira, ele escorregou para o chão Se a criatura que estava na cozinha, não o pegasse saindo...

Engatinhando, ele estava quase na soleira da porta, escapando para a rua, quando a mãe da jovem irrompeu pela porta que separava a sala da cozinha.
– Eddie, você pensa que está indo onde.

- E... Eu não estou indo a lugar algum. - ele sorriu,enquanto se levantava. - Estava procurando minhas lentes de contato, que caíram.

– E desde quando que você usa lentes de contato? - ela pediu, avançando com a bacia de pipocas que ainda estavam quentes. - aliás, o seu problema não é não enxergar direito...
– Samira... - Eddie fez uma careta. - ela quer assistir... você sabe!

- De onde você acha que achamos o seu nome, tio Eddie?

A menina virou-se para ele. Tinha quinze anos, cabelos negros compridos até o meio das costas. Os olhos negros como carvão estavam escondidos atras de óculos Embora ele as vezes a achasse vagamente familiar com alguém, não saberia dizer quem era a criatura. Catarina rolou os olhos, desligando o monitor. Pegou o copo de água que tinha levado até a mesa do computador então sentou-se no sofá, sem a menor cerimonia.
Ele quase gemeu, perante o olhar da mulher. Ele era impiedoso... a menina levantou-se de um pulo, pegando o braço do homem arrastando-o até o sofá. Depois deles sentarem, Samira rindo, entregou a bacia de pipoca para ele, que bufou. Pelo menos a pipoca não era aquela de micro-ondas, que ele não gostava. Pegou um punhado de pipocas e enfiou na boca, pensando que ele nunca deveria ter apostado com Catarina sobre quem conseguia comer mais pedaços de pizza... Afinal, Catarina Santiago vivia de regime... mas ele perdera. Depois de quatro pedaços, ele fora obrigado a jogar a toalha...

E Catarina, numa imitação perfeita da mãe, o chamara para pagar a aposta... assistir com ela e a mãe aquela abominação que ela dizia ser um filme...

Alias, aquilo não era filme, na sua opinião

Quando a primeira cena começou a rodar, barulho de insetos, uma mata, uma corça tomando água... Edward bocejou, de maneira bastante escandalosa. Embora Catarina não mexesse um músculo na sua direção, ele podia jurar que o seu plano daria muito certo...

opostos

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Edward caminhava pela prainha, erguendo o olhar para a construção que lhe abrigara nos últimos dois anos. A pousada com três pisos, havia sido construída há quase cem anos, para uso familiar, porém, as reformas ao longo dos anos, haviam transformado o casarão em uma pensão.

Samira o havia encontrado desacordado, sem roupa alguma no corpo, na praia. Felizmente, ela não o achara um completo tarado... Ao perceber que ele estava sem memória. Ela o havia acolhido e fizera que sua auto estima aos poucos retomasse... Se ele não tivesse certeza, que Samira tinha mais ou menos a sua idade, com certeza, a chamaria de mãe, se pudesse.

Com o avançar do tempo, ele tivera lampejos... quando passava por alguns móveis que estavam dispersos pela pensão. Era a mesma mulher, em roupas diferentes, com as mais diversas expressões...

ele balançou a cabeça. A memória dele voltaria, com certeza. Ele já não via aquela loira, com os olhos faiscantes? Passou as mãos pelos cabelos em desalinho, antes de resolver sentar-se por alguns momentos. Quando uma risada suave soou ao seu lado ele virou a cabeça, não tao preocupado.

– Señora Dolores.

– Você conseguiu fazer Catarina ficar muito zangada, ontem a noite.

Foi a vez dele rir.

– Eu sei. Acho que se pudesse, ela teria me jogado na parede, me torturado até me matar. - ele completou, ainda rindo. Edward fitou a mulher translúcida, ao seu lado. Dolores havia sido uma bela mulher. A primeira vez que a vira, reagira com tranquilidade... conversara com ela por um longo tempo, até perceber que ele era o único a vê-la

Dolores apenas aparecia quando ele encontrava-se sozinho e fora da pensão, ao perceber o desconforto dele.

– Esteve procurando outra vez por ela? - Dolores pediu, fitando as ondas que iam e vinham na tranquilidade de possuírem todo o tempo do mundo. A mulher fantasma usava roupas longas, rodadas. O xale estava sempre nos ombros da mulher, como se a estivesse protegendo do frio.

– Não... Só porque resolvi passar a noite aqui fora, você acha que estive procurando a minha dama como você diz?

– Você está com a expressão distante, como... Se seu coração tivesse sido arrancado do peito. E dragões o tivessem comido.

Ele riu, voltando a olhar o mar. Dolores era muito exagerada.

- Escute, señora Dolores... Nenhum dragão comeu meu coração. Eu não acho que...

- Todas as noites em que as estrelas saem, você vem aqui olhá-las Seus olhos mostram apenas tristeza... Mesmo quando ri...

- Señora Dolores! - Ele a interrompeu. Ele realmente sentia falta dos olhos da loira. Da expressão ligeiramente zangada, da expressão doce... Mas ao mesmo tempo, ele reconhecia que, quando ele a via, ele também se via. E ele era tão diferente... Jovem como a loira, que havia desaparecido. Ele não poderia dizer se eles haviam chegado a casar-se ou apenas estavam tendo um caso... Mas tinha certeza que alguém como ela, não o esperaria.

Dolores apertou o xale que tinha nos ombros.

- É uma pena. Você não me parece ser um hombre covarde... porém eu não consigo...

- Não sou covarde.

- Então entre. E vá conversar com Samira, para que ela o ajude a voltar para a sua dama.

- Como Samira conseguirá me ajudar mais do que me ajudou? Eu agradeço todos os dias, quando acordo por Samira ter me dado um teto, por ter...

- A prima inglesa de Samira está aqui. Ela é como você. Como eu. Ela provavelmente só vai conseguir ajudá-lo a voltar para sua casa, mas...

- A famosa prima inglesa? - Ele olhou para Dolores, que assentiu.

- Elas estão no quarto que a prima paga para Samira manter aqui, caso precise vir...

Edward voltou a olhar para o mar. Talvez não fosse uma má ideia...

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Samira gargalhava, quando ele entrou no corredor que levava ao quarto, que permanecera quase que totalmente fechado nos últimos dois anos. Quase totalmente fechado, pois apenas Samira e Catarina entravam para arejar o quarto.

– Não estou brincando!

Ao escutar a voz, Edward estacou. Escutou um leve zumbido, que aumentou diante das próximas palavras.

– Só posso definir isso como irresponsabilidade, total imaturidade, falta de juízo...

A voz possuía um tom exasperado, que ele tinha certeza que aumentariam de volume conforme ela continuasse a falar. E da mesma forma que ele via a moça loira, as vezes, naquele momento ele viu-se dentro de um quarto, sentado em uma cama como se estivesse saindo. E pela primeira vez, havia alguém além da sua dama loira.

A moça usava um vestido rosa, comprido, com uma capa um tom mais escuro que o vestido, os longos cabelos loiros, jogados para trás, soltos. Ela estava na frente de um jovem de cabelos castanhos claros, que naquele momento exibia olheiras grandes e uma enorme palidez.

Ele podia estar morto agora! - a moça gritava para o outro homem, que estava atônito demais para responder.

Isso é uma bobagem. - ele falou, fazendo que a moça o olhasse furiosa. - Fazemos isso desde a escola e nunca deu problema nenhum!

Tirando ontem, não é? - Ela o lembrou, a boca tremendo.

= Aquilo foi... - Ele tentou falar, mas o amigo o interrompeu.

= Ela está certa. - quando os dois o encararam, ele continuou. - é muito perigoso e também o que temos feito...

Sem chance, Remo! E o encontro de... - ele parou de falar, percebendo que ela o encarara.

Sem chance de você levantar esse traseiro daí hoje a noite! Você vai ficar quietinho, como um bom cachorro treinado e não vai se machucar mais do que já está machucado!

= É mesmo? E como você pensa em fazer que eu fique aqui sem...

A moça sorriu para ele triunfante. Antes que ele terminasse a frase ela tirou uma vareta de dentro da capa, apontando-o para ele. Um jato de luz azulado saiu da ponta da vareta. E ele enrijeceu-se todo, esticando-se. Sentiu uma imensa raiva, em especial quando ela se aproximou, mexendo a vareta, fazendo que ele se erguesse e fosse colocado na cama. Ainda mexendo a vareta, uma coberta saiu do armário, cobrindo-o até o peito.

Ele já esta furioso com você. - o jovem pálido, que ele chamara de Remo falou, intercalando o olhar entre a jovem e ele na cama. - E isso

Prefiro que ele esteja furioso comigo e vivo do que me amando e morto.

Então, ela virou-se para o amigo dele, apontando a varinha.

= Você não vai desfazer o meu feitiço, entendeu? Caso contrário, eu...

já entendi! - ele ergueu as mãos. - pelo visto, almofadinhas, você achou alguém que...

O zumbido explodiu nos ouvidos de Edward, enquanto ele perdia a consciência.












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