Opostos escrita por Tina Granger


Capítulo 17
Capitulo 17


Notas iniciais do capítulo

ALELUIAAA ALELLUIIAA FINALMENTE TERMINEI!

ESSE CAPITULO DEMOROU UNS QUANTOS MESES PARA SER ESCRITO --
TEM 13 PAGINAS, UMA LEMBRANÇA... E UMA VONTADE DA AUTORA DE BATER NA PERSONAGEM, COMO SE ELA FOSSE CRIANÇA PEQUENA!





"O lugar mais precioso é o íntimo do seu coração." (Frase Celta)

Sirius levantou-se, levemente enjoado. Arregalou os olhos, ao reconhecer um dos quartos da casa de Otto. O velho tinha uma carranca, que ao perceber Sirius o olhando tentou disfarçar, sorrindo.

Os moveis de madeira escura, guarda roupa, uma cômoda e a cama, estavam limpos, sem um pingo de pó. A colcha azul marinho, era ornada com flores copos de leite. Sirius lembrava-se da exasperação de Samira quando a tia viajara a cerca de uma semana, pelo fato de deixar o avô sozinho, sem ninguém para vigia-lo... Se bem que o velho com vigilância ou não, fazia o que lhe dava na veneta, sem preocupar-se com os estragos que isso causava.

Vê-lo com a expressão, até mesmo contente era estranho... Sirius sentiu uma vaga intuição que não gostaria nenhum pouco de descobrir  o motivo da alegria óbvia do idoso... Apesar da recente discussão com Fernando.

— Vamos, Schawrz. As minhas meninas devem estar tomando café e não aquela água suja que vocês ingleses dizem que é chá. Se você for um bom garoto, posso deixar comer um pedaço de cuca, que a minha Margarida fez antes de viajar. – Otto deu uma risadinha, como se estivesse aprontando algo. Sirius jamais comeria algo oferecido pelo velho depois daquela risada.

Sirius fechou a boca, quando Otto virou-se para ele.

— O que foi Schawrz?

— Por que está agindo dessa forma, senhor Otto?

— Depois que a minha neta lhe ver, ela vai só confirmar o que eu praticamente sei desde que você  apareceu.

— Não entendo o que você quer dizer.

— Você tem os olhos daquela vadia... E o outro também. Agora vamos logo, que quanto antes Beatrice resolva só por birra não olhar nas suas fuças feias.

— E se eu não... – Sirius calou-se quando o velho apontou a bengala para ele, a expressão carrancuda de volta em seu rosto.

— Você não tem querer. Bote essas pernas para caminhar agora mesmo!  - Otto esperou que Sirius saísse a sua frente, enquanto os olhos cintilavam.

O corredor, enfeitado com fotos de família, nunca pareceu tão comprido para Sirius, a medida que avançava.  Ele respirava, procurando uma calma que não tinha, quando uma das inúmeras fotos, que provavelmente ele já havia visto, mas que havia lhe passado desapercebida, chamou-lhe a atenção.

Uma mulher de formas fartas, loira... Que ele custou a acreditar nos próprios olhos. Beatrice sorria, feliz de um modo que ele nunca tinha visto, abraçada a um menino, que tinha uns três, quatro anos. A criança também usava óculos, olhando para a câmera com uma expressão de uma inocência de quem havia acabado de aprontar algo. O menino era moreno, usava uma camiseta com o emblema de um colégio, Lady Margareth School. Os olhinhos azuis cintilavam através das lentes.

Beatrice tinha a criança em seu colo. Sirius ficou mudo de espanto, paralisado, até que Otto cutucou-lhe com a bengala.

— Não se atreva a fingir que está admirando a minha família. Vamos logo que quanto antes...

— Como você tem uma foto de Beatrice aqui? Quem é essa criança?

— E isso é da sua conta? – Otto pediu rudemente.

— Ela é minha... – Sirius foi interrompido por Otto, que colocou a bengala em seu queixo. O ódio nos olhos claros era indiscutível.

— Ela não é nada sua. Agora vire-se e vamos logo que eu resolva fazer o serviço que aquela bruxa incompetente não conseguiu fazer.

— Que incompe... – Sirius teve a bengala pressionada no queixo. – Fala por enigmas, Otto.

— Para você é senhor Otto. E se aquele estúpido não conseguiu se livrar de você, não vou ser eu quem vai te mandar para o inferno.

— Por que tem escrúpulos em fazer isso?

Otto não respondeu, uma ponta de dúvida nos olhos. Pela demora em ter uma resposta ácida, Sirius pensou que Otto responderia a pergunta.

Otto respirou fundo, quando uma pressão saindo de sua varinha fez com que Sirius acabasse batendo na parede. Sirius piscou, sentindo-se atordoado.

— Vamos Schawrz. Eu não tenho mais idade para aturar frescurinhas de crianças da sua idade.

Otto resmungou, mais para si mesmo que para Sirius, que seguiu adiante, não deixando de olhar mais uma vez para a sua Beatrice. O garoto moreno não tinha traços muito parecidos com os dela... Na verdade, ele apenas tinha os óculos semelhantes.

Um súbito pensamento fez que Sirius ficasse pálido. Beatrice não gostava de crianças – ao menos não demonstrava nenhum carinho por nenhuma que ele sabia – e para ela estar tão próxima de uma criança, para tirar uma foto que não se mexia, uma foto trouxa...

Sirius voltou no corredor, ignorando os protestos de Otto. Encarou a foto novamente, enquanto um lento sorriso se estendia em seus lábios. Se antes já estava determinado em encontrar Beatrice essa determinação multiplicava-se por mil, vendo os próprios traços quando criança no menino.

Opostos opostos

Beatrice praticamente correu até a sala da direção. Conhecia o caminho, por tantas vezes que já havia percorrido os corredores da Escola de Magia e Bruxaria Tupinambá, sabendo que não veria o seu bebê enquanto não tivesse conversado com a diretora, Ana Claudia.

— Se acalme. – ela ordenou-se, respirando fundo. Ao bater na porta de cedro, a postura calma e confiante que exibia como fachada, havia se instalado em seu rosto. Assim que escutou a ordem que permitia a sua entrada, invadiu a sala, focando a atenção na mulher negra e atraente, que levantou as sobrancelhas brevemente, ao vê-la.

— Beatrice.

— Boa dia, Ana. O que aconteceu com o meu filho? – uma nota de pânico estava mais que implícita na voz de Beatrice.

Toda a postura orgulhosa havia sido jogada as favas com aquilo, mas não importava. Ela não esperou que a outra lhe oferecesse uma cadeira.

— Bem... Quer uma xícara de chá? Ou café? Ou como vocês do sul que tomam um bom chimarrão?

— Eu quero noticias do meu bebê. Hoje estava sentada para começar o meu café da manhã, quando Samira me disse que aqui houve um incêndio aqui na escola. E que havia alguma coisa com o meu filho.

Os lábios grossos de Ana abriram-se em um sorriso esplendido. Ela pegou a varinha e com um meio volteio, uma cadeira arrastou-se até as pernas de Beatrice, que não tirou o olhar dos olhos chocolate da diretora.

— Sente-se, Beatrice - Nos últimos seis anos, Beatrice através de chaves de portal, havia sido uma presença constante na escola, com as inúmeras vezes que Dean havia aprontado. – Sinceramente, eu não sei por onde começar e olhe que não estou me referindo ao inicio do mundo.

Beatrice ergueu levemente a sobrancelha, não entendendo. A diretora fechou os olhos,dando um tempo para que Beatrice passasse os olhos pela sala, não reparando nenhuma mudança de dias atrás.

A escola tinha uma construção cujas paredes eram feitam de barro e madeira, o piso cimentado, não dava indicações que iria ser colocado azulejos. O telhado era forrado com palha.

Na sala da direção, amplas janelas deixavam o sol daquele início de tarde entrar a vontade. Uma delas, tinha uma varanda, onde uma rede vermelha com enfeites indígenas azuis estava esticada, convidando ao ócio.

Vários troféus enfeitavam uma das paredes, troféus estes conquistados em torneios de esportes com os países vizinhos. Uma fieira de retratos dos antigos diretores, com suas roupas de época – assim como na sala do diretor em Hogwarts – estava as costas de Ana Claudia. Mas ao contrário dos educados ingleses, os retrados não fingiam dormir, estando muito bem acordados, observando a cena, para sem serem convidados darem sua opinião.

A mesa que a diretora trabalhava, tinha equipamentos trouxas – computador, telefone – que funcionavam acoplados a transformadores de magia, que haviam sido feitos através da pesquisa e trabalhos dos alunos, ao mesmo lado que vários pergaminhos haviam sido aparentemente jogados em cima dela.

A varinha da diretora estava ao lado do computador, junto com uma enorme garrafa, que nas horas vagas, Dean jurava ter “agua que passarinho não bebia”.

Um grande tapete marrom, com desenhos florais forrava o chão, ocupando boa parte do mesmo, com poltronas forradas de amarelo e verde perto das janelas. Ao lado da porta, uma estante com livros grossos, encardenados com couro. Na prateleira mais alta, estava a estatueta de uma sereia, aparentemente feita de gesso, que usava todo o comprimento da prateleira.

Beatrice sentou-se, confrontando o olhar da diretora. A cadeira moveu-se até a mesa da diretora, o que garantiu a beatrice que a conversa seria longa

 Ricardo, ou mais conhecido “Horário de Verão”, tinha a aparência de um homem de sessenta anos, Ana Claudia não parecia ter passado dos trinta. Os cabelos negros eram cacheados e estavam na altura dos ombros, com um tecido amarrado, fazendo-se de tiara. Olhos cor de chocolate demonstravam bom humor e inteligência, a boca carnuda sempre pronta a uma boa risada.

Ela possuía uma pele escura, que contrastava com os dentes alvos. Vestia um traje adequado ao calor equatorial, um macacão estampado com rosas laranjas grandes, sandálias com um salto baixo, as unhas pintadas com um tom chamativo de verde. Um grande crucifixo de madeira, tal como as antigas religiosas, estava pendurado em seu pescoço.

Ana Claudia colocou as duas mãos sobre a mesa, deixando-as separadas, antes de suspirar. Isso fez que um breve sorriso apesar de tudo, se estampasse no rosto de Dean. Sua avó, também fazia aquilo, em especial quando estava zangada com um aluno.

— Seu filho não sofreu nenhum arranhão, senhorita Stalker. Devo dizer, que Perseus James...

— Por favor, eu prefiro que meu filho seja chamado por Dean, como alias, é o terceiro nome dele.

— Pode matar minha curiosidade? Por que deu um nome tão comprido ao seu filho se...

— Eu sofri um acidente, pouco antes de Dean nascer. Estava em coma, quando chegou a hora do parto... Foi meu avô que acabou registrando Dean. Acho que ele utilizou todos os nomes masculinos que queria dar se tivesse filhos homens. – Beatrice morreria antes de dizer que se ela estivesse consciente, o teria registrado da mesma forma.

— Ah, sim, compreendo. – Ana pegou a varinha, antes de gira-la levemente. Um dos livros da estante saiu de seu lugar, pousando a frente da diretora – esse é o livro de registros das vezes que Perseus James Dean Stalker veio a diretoria. Das vezes que veio, por motivos de baderna, por explodir propositalmente poções, banheiros. Também veio inúmeras vezes por...

Vai fazer uma lista com tudo o que o meu filho fez nos últimos seis anos? Eu não quero saber quantas vezes ele veio a secretaria, eu quero saber como o meu Dean está!

— Ao mesmo tempo que seu filho tem um comportamento quase suicida, não existe um outro aluno que tenha as notas tão altas. – Ana ignorou a explosão de Beatrice.  - Perseus... Dean... no quesito nota, no início de outubro, no próximo semestre, eu ousaria dizer que está aprovado. Mas ao mesmo tempo...

Ana começou a folhear as páginas do livro, escritas de cima a baixo, com a mesma letra meticulosa. E PEQUENA!

— Desde o terceiro ano de Dean nessa escola, abri esse novo livro, para que apenas as peripécias de Dean estivessem aqui. – o livro possuía a grossura de uma mão aberta. Beatrice sentiu a garganta secar perante a grande quantidade de páginas, que passava perante seus olhos. Não sabia o que pensar. Não sabia o que faria.

Opostos opostos opostos

Sirius sentiu seu humor renovado, enquanto descia para o primeiro piso da casa de Otto. Descobrir uma foto de Beatrice com um garoto, que era a sua cara... Bem, ele seria capaz até mesmo de beijar o Ranhoso no rosto se isso significasse que... Sirius segurou o corrimão, enquanto sentia uma lembrança invadir sua mente.

Severus Snape ergueu a cabeça, com um olhar de desdém para ele. Os olhos negros brilharam com ódio quando Sirius, muito a vontade, sentou-se a frente do antigo desafeto.

— Devo confessar Black que senti muita curiosidade ao receber sua coruja.

— E eu devo confessar, que apenas escrevi por uma necessidade extremamente urgente.

— Apenas vim, porque você mencionou na carta que era a respeito de Beatrice.

— Assim é. Você é o melhor amigo de Beatrice. Eu duvido que algum dia ela vá pensar, querer ou permitir deixar de ser sua amiga. Então, como a conheço... Eu vim lhe pedir, para que você seja o padrinho do nosso primeiro filho.

— Você andou bebendo Black?- o tom suave de Snape, não enganou Sirius. A raiva apenas estava reprimida por estarem em público.

— Beatrice e eu estamos juntos, Snape. Vamos nos casar, você gostando ou não. E pouco me importo, para o que você pensa, mas sua amizade é muito importante para beatrice, como eu já disse. E por ela, estou disposto até mesmo a te tolerar, engolir a vontade que tenho de arrebentar a sua cara.

Um sorriso irônico surgiu no rosto de Snape.

—  Eu se fosse você, não contaria com isso. Não com um casamento com Beatrice, não com filhos com ela. Primeiro porque Beatrice tem bom gosto para escolher as pessoas com quem se relaciona.

— É claro que ela tem bom gosto, tanto que está  comigo. – Sirius viu-se obrigado a sorrir. Tiraria aquele sorriso da boca de Snape com alguns sopapos, se não tivesse certeza que Beatrice o ignoraria por anos se ele fizesse isso.

— Segundo, Beatrice jamais permitiria que sequer encostasse sua mão nos cabelos dela quanto mais...

Severus foi interrompido pela risada de Sirius. Severus Snape jamais teria ideia das coisas que a sua garota era capaz de fazer quando tinha vontade de fazer sexo.

E se a noite passada fosse um indicio... Ele é que seria obrigado a pedir piedade, pausa, qualquer coisa que aquietasse um pouco o fogo da sua bruxinha... Desde o instante que ela havia entrado na sua casa, Beatrice praticamente o atacara, beijando-o sem que ele esperasse. Nem mesmo quando ambos estavam nus, ele mais exausto que qualquer outra coisa, ela ainda contorcia-se contra ele, desejosa de muito mais. A sua bruxinha o fizera ver o nascer do sol, as cortinas do quarto abertas enquanto ela se satisfazia com o corpo masculino e ele se deliciava com as formas femininas.

— Sugiro que você repense isso, Snape. Afinal de contas, quando o nosso primeiro filho estiver nos braços de Beatrice, quero que seja você o padrinho. Para que...

Foi a vez de Severus rir.

— Se acha mesmo isso... – o brilho nos olhos de Severus havia mudado de irônico para divertido, assim como o sorriso em seus lábios. – por ela me pediu que eu a levasse até o aeroporto trouxa, onde pegou um avião para bem longe da Inglaterra?

 

Sirius tropeçou nos últimos dois degraus, caindo com um estrondo no chão. Gritos femininos se ouviram, antes que ele olhasse para quem era. Samira Santiago e Catarina saíram da mesa de onde tomavam o café da manhã, as expressões assustadas.

— Eddie, você está bem? – Catarina praticamente se jogou de joelhos, ao lado dele. a preocupação era evidente. – alem de esfolar a cara, se machucou?

— Vovô, explique-se. – Samira encarou Otto, que tinha uma expressão inocente no rosto.

— Está na hora do café e eu estou com fome. Beatrice ainda está dormindo? – ele falou com um sorriso encantador. – Bom, vou lá acordar ela. – ele ampliou o sorriso. Virou-se de costas para a família, começando a subir a escada.

— Não precisa perder o seu tempo. Beatrice não está. – Samira falou, antes de respirar fundo. Catarina riu alto, imaginando a fúria da madrinha sendo acordada do modo gentil como Otto costumava acordar quem não estivesse em pé dois segundos depois que ele chamava.

Bem... ela não precisava imaginar os gritos de fúria de Beatrice se fosse acordada daquela forma. Bastava recordar-se dos Natais passados, quando a madrinha recusava-se a levantar... Sendo persuadida por um jato de água gelada de Otto.

Se bem que ela só levantava para ir xingar o avô, se secar com a varinha... e passar o resto do dia de mal humor. Os pensamentos de Catarina voltaram a frente quando Eddie botou a mão na cabeça, gemendo.

— Vou pegar um gelo para botar na cabeça. – falou levantando-se.

— Se ele quer algo gelado, que vá para fora dessa casa. – Otto falou, em seu modo “normal”. – E onde aquela destrambelhada foi a essa hora da manhã?

— Foi resolver um assunto que é dela.

— Eu só estou pensando que eu devia ter tido a ideia que dean teve. – Catarina disse, suspirando como se estivesse cansada. Abriu um sorriso, divertindo-se com o que pensava.

— Se quiser, eu posso fazer com você o que Beatrice vai fazer assim que descobrir o que Dean fez.

O sorriso de Catarina imediatamente se desfez, a adolescente assumindo uma expressão assustada. Sirius não conseguiu deixar de rir, quando ela negou bastante enfaticamente com a cabeça.

— Mãe, a senhora não sabe que é uma brincadeira? Eu jamais seria capaz de fazer algo desse tipo.

— Não comigo por perto. – Samira resmungou. Catarina deu um sorriso sem graça. – Agora se eu estiver longe...

— Mas que diabos enfim Dean aprontou agora?

— Ele só botou fogo na escola. – Catarina falou, engolindo a vontade de rir.

Otto ficou chocado. O ancião deixou a boca aberta, os olhos arregalados. Por alguns segundos, Sirius desejou conhecer o endiabrado garoto, para dar os parabéns. Ele mesmo havia pensado em explodir Hogwarts, algumas vezes, mas...

Otto virou a cabeça lentamente de Catarina para ele. O mais profundo ódio estava estampado ali.

— Você... A CULPA É SUA! – Otto gritou, erguendo a bengala. Catarina de um pulo, empurrou a bengala do avô, quando um jato esverdeado saiu dela, atingindo a cristaleira, que com estrondo muito sonoro quebrou, espatifando o vidro e lascando a madeira. Samira não conteve o grito assustado, enquanto encolhia-se para que os estilhaços não atingissem seu rosto.

Opostos opostos

Um grupo de adolescentes estava sentado a sombra de um arvore.  Eles conversavam, embora tivesse um ou dois que estivesse mais quieto. Subitamente, um deles ergueu o olhar, ficando pálido ao ver quem se aproximava com passos decididos.

— Dean... – ele chamou, encarando a estrada que conduzia até a arvore que estavam.

O adolescente chamado ergueu brevemente o olhar, antes de anunciar, fazendo com que todos encarassem a estrada.

— A minha mãe está chegando.  

Ao reconhece-l , alguns praticamente levantaram e quase correndo deixaram a arvore. Cinco adolescentes, ainda ficaram, embora estivessem bastante pálidos quando ela chegou perto. Dean tinha um curativo na testa e no canto esquerdo da boca, um esfolado bastante pronunciado. Nos olhos, o ar de desafio que ela tantas vezes vira em Sirius.

Beatrice respirou fundo, antes de pronunciar-se.

— Se vocês não me deixarem sozinha com Dean, vou azara-los e só vão acordar depois do aniversário dele.

Dean ergueu o queixo, embora Beatrice percebesse que ele tremia.

— Desculpa mãe, mas...

— Eu vou contar até dez e se vocês ainda estiverem aqui... – ela puxou a varinha do bolso do casaco que ainda não tinha tirado. Começou a contar do cinco. – Cinco... Seis... sete...

Os adolescentes olharam brevemente Dean que assentiu brevemente. De maneira rápida, todos haviam debandado.

— Mãe, eu...

— Sabe por que eu não deixei que você fosse para Hogwarts? – ela o cortou, sem deixar que alguma bravata fosse formulada. – O real motivo?

— A minha semelhança com o meu pai?

— Não. – Beatrice aproximou-se, botando a mão no rosto dele. – Não é nem pelo fato de acreditar... Coisa que não acredito... Que você fosse ir para a Grifinória. Você lembra quando botou chifres de rena naquela sua coleguinha de escola? O que aconteceu com você?

— A Marmota fez a minha pele ficar verde, como a de um lagarto. Eu sempre disse que ela era bruxa!

— Você jamais teria se afastado da sua melhor amiga... Mesmo ela sendo grifinória e você sonserino, por exemplo. Você teria ido para a enfermaria, para a diretoria mais rápido que se eu dissesse tarrantella, por azarar qualquer um que a tivesse dito qualquer coisa contra ela. As crianças em geral... Sabem ser cruéis. E você não teria se preocupado em fazer nenhuma outra amizade, além dela. E não teria permitido que ela fizesse amizade com outros.

— Você me jogou do outro lado do planeta apenas para que eu fizesse amigos?  - Dean dramatizou. – Para que a Marmota fizesse amigos alem de mim? Puxa, mamãe, como você é boa. – ele ironizou. Beatrice respirou fundo, antes de falar.

— Eu o afastei para que você tivesse uma chance de crescer como pessoa, Dean.- Beatrice o corrigiu. -  Estive lutando esses últimos dezessete anos, para não cometer o mesmo erro da sua avó Walburga. Quando o fato de alguém ser sangue puro ou nascido trouxa importou para você?

Dean a olhou como se não entendesse.

— Criar você longe do mundo bruxo, longe de todos os preconceitos que eu cresci... Eu apenas comecei a crescer como ser humano, depois que eu tive que aprender a cuidar de você. – Beatrice fechou os olhos. – Eu amo você, não apenas por ser meu filho, por ter um rosto parecido com o do seu pai... – ela abriu os olhos, se aproximando. Botou a mão no queixo do filho, fazendo que ele fitasse o seu rosto. - O seu caráter desde criança sempre me mostrou que você teria a capacidade de amar sem limites. Você jamais vai trair a pessoa que deve ser mais importante para você, nesse mundo inteiro. Eu consegui fazer com você o que meus pais... O que eles e Otto não conseguiram comigo. Em Hogwarts, você seria o filho do assassino Sirius Black. E aqui você é Dean... Você é o aluno que todos os professores amam ter em suas aulas, por ser esforçado, inteligente... Dean não ache que eu não sofro por você estar “no outro lado do planeta” como você mencionou.

— Mãe... Eu...

— Todas as noites, antes de dormir, eu penso... Amanhã vai ser um dia diferente... Um dia que eu não vou ter notícias de Dean fazendo nada de errado, que eu não vou ficar irritada por saber que o meu filho está fazendo alguma maluquice. Sabe por que espero com ansiedade dezembro? Espero com ansiedade a sua formatura? A sua formatura é como se fosse um atestado que eu não preciso me preocupar realmente com você, mesmo sabendo que eu vou. Você é a prova que eu fiz a escolha certa de não me casar com quem meu pai queria me casar... Você é a escolha que eu fiz Dean. Eu não peço que você se torne perfeito.  Eu ainda quero gritar muito com você, por você estar usando só cueca no café da manhã, te xingar por você ao invés de ir dormir, ficou lendo revistinhas ou ficou assistindo televisão... Mas eu quero ter a certeza, que se eu entrar em uma batalha, você vai estar ao meu lado, não como alguém que eu vou ter que proteger, mas que pode me proteger. Que se eu me descuidar, vai cuidar para que eu esteja ao seu lado, não na pilha de mortos mas sim no banquete da comemoração.

Beatrice parou de falar, fechou novamente os olhos, sentindo-os encherem-se de lágrimas.

— Mamãe... – Dean a abraçou fortemente. – Eu amo você muito, mamãe...

Beatrice devolveu o abraço, permitindo-se finalmente chorar.

Opostos opostos

Sirius entrou no hall do hotel, pensando que a família de Otto, tirando o próprio, estava se revelando mais interessante que o normal. Bem, ele era obrigado a admitir que a fama de Beatrice Schneider era de uma mulher que se igualava a sua Beatrice. Catarina estava a seu lado, resmungando alguma coisa em alemão, coisa que fazia quando contrariada. Eles haviam voltado de Blumenau, pegando um taxi que Samira havia obrigado Otto a pagar, antecipadamente, indo até o colégio de Catarina.

Apenas para a adolescente ser barrada na entrada. Pelo que ele sabia, oficialmente, Catarina havia já reprovado pela questão de faltas. A hora que Samira descobrisse, ele queria já estar na Inglaterra. Os gritos que ela daria, fariam a sua mãe se encolher dentro do quadro... Ele parou, observando a mulher, que conversava com Fernando em outra língua, que Sirius achava ser o alemão, Fernando parecia estar levando uma bronca dela.

— Tia Bia! – Catarina chamou caminhando em direção a ela.

Beatrice Schneider se virou, os olhos fechados. Ela respirava fundo e pela expressão, estava muito zangada.

— Não quero conversa com você, sua piralha insolente. E antes que venha um ai tia bia... - ela fez voz de falsete. – Você está no topo da montanha de estrume comigo!

— O vô Otto pediu o favor. Ele disse que precisava que você viesse...

— A única coisa que eu precisava ontem a noite era de um bom e longo banho e dormir sossegada! Duas coisas que eu não consegui fazer! Foi a primeira e ultima vez que você aprontou algo desse tipo comigo, entendeu mocinha?

As palavras eram pronunciadas em um português, com um sotaque britânico carregado, que não deixava de ser irritado. Sirius sorriu, deixando seus olhos vagarem pelo corpo da mulher, que havia abandonado o casaco vermelho, que jazia aos seus pés nus. Embora a temperatura do hotel não fosse congelante, ele não aconselharia ninguém a ficar sem casaco.

Antes que ele conseguisse abrir a boca para responder, ela se virou na direção dele e ainda de olhos fechados.

— Peço desculpas pela inconveniência que meu avô está se tornando. – o tom com que ela falou, parecia uma rainha dando ordens. – Tenha a certeza que foi a última coisa estúpida que ele lhe fará, enquanto você ainda estiver aqui. já tenho providenciado para que semana que vem, no máximo no sábado, um casal amigo meu lhe ajude na volta para a Inglaterra. – ela deu um breve suspiro. – Se eu não tivesse razões... De foro extremamente intimo, lhe levaria agora mesmo. 

— Tia Bia, você não vai nem OLHAR na cara do Eddie? – Catarina estava surpresa com o fato. Se bem que não era tanto, afinal se era para olhar Eddie, que Otto lhe tinha quase obrigado a ligar para Beatrice, com certeza olhar seria a ultima coisa que Beatrice faria, para não fazer o que o avô queria. Tão típico de uma criança mimada.

— Não era hora de você estar no colégio? – ante a pergunta, Catarina deu uma risada sem graça.

— Não me deixaram entrar. Eu até que tentei. O Eddie é testemunha disso.

— Correndo atras do rabo daquele gambá velho, ainda me surpreende que você saiba ler e escrever. – Beatrice resmungou, antes de massagear o pescoço.

— Ah, tia Bia, você sabe que eu acho o vô Otto muito cheiroso. Não sei porque você vive dizendo que ele é um gambá velho.

Sirius deu um sorriso, quando escutou a resposta de Beatrice. De alguma forma, a única coisa que ele queria fazer era ficar observando a beleza de Beatrice Schneider, que podia não ter o frescor da juventude, mas uma aura de poder... de auto conhecimento... De quem sabia o que havia passado, que não mudaria o sofrera, para ser quem era... Tudo combinado, lhe fascinava...

— Até ele mijar em mim eu também achava ele cheiroso. – ela esfregou os braços. – enfim... Espero que encontre seus amigos, quando retornar a Inglaterra. E que não seja burro de fazer a mesma coisa que o mandou para cá. Samira disse que você tem... – Beatrice balançou a cabeça. – Esquece. Desculpe-me. Eu sempre esqueço que os outros não tem obrigação de seguir as minhas leis. Mas saiba, que Samira, Catarina e até Otto lhe tem na consideração de alguém querido. O que você machucar, de propósito, algum deles... Nem mesmo no inferno você vai conseguir se esconder. Entendido? – Beatrice acenou com a cabeça e sem esperar resposta, virou-se deu alguns passos, tropeçando em uma cadeira fora do lugar. Deixando o casaco no chão.

Soltou um palavrão, escutando a risada de Catarina e Fernando, antes de mostrar o dedo do meio. Sem olhar uma única vez para trás,  começou a subir as escadas, para ir ao seu quarto. Já estava subindo na metade do segundo andar, quando escutou uma gargalhada, parecida com um latido. Parou, o coração disparado ao peito.

— Estou tão desesperada para encontrar Sirius que estou até escutando aquela maldita risada estúpida de cachorro dele... – balançou a cabeça, antes de recomeçar a andar.



Notas finais do capítulo

AGORA, QUE VOCÊS já leram o capitulo... Voces me ajudam a surrar a Beatrice, ou só posso fazer uma coisinha cruel com ela?

é o seguinte... tem uma cena que eu pensei em fazer pra esse capitulo, se a beatrice nao fosse tao teimosa,.. Voces gostariam dessa cena bonus? é uma ceninha curtissima... uns cinco paragrafos e ela tá escrita.

Se gostariam dessa ceninha, poderiam deixar comentario pedindo? se ate dia dez, nao tiver comentario, nem penso na cena e vou-me direto e so para o proximo capitulo - tenho que aproveitar o carnaval pra escrever...
beijos DESCULPEM A DEMORA...



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