Opostos escrita por Tina Granger


Capítulo 15
Capitulo 15





Beatrice caminhava o mais rápido que conseguia. Varias imagens de Dean, queimado, chorando de dor, cruzavam-lhe a cabeça ao mesmo tempo que sentia uma intensa dor sentimental no coração. Sua cabeça ainda explodia de dor, porem a única coisa que conseguia pensar era em Dean.

Ela apenas imaginava o quanto Dean estava apavorado... ignorando o quanto ela mesma estava. De maneira fria, ignorando as risadinhas que seus trajes, chegou ao ccais, com os pequenos barcos que conduziam a escola de magia brasileira.

O barqueiro, ao vê-la, ergueu a sobrancelha.

– Seu garoto anda bastante ativo pelo visto. – ele sorriu largamente. [

– Como vai, Ricardo. Vou lhe pagar o dobro, se puder me levar imediatamente a escola.

– Meu barco vai sair daqui a duas horas. E nem horário de verão vai adiantar a partida.

– Houve um incêndio. Ligaram para a casa do meu avô, o que significa que aconteceu alguma coisa com Dean. Por favor. – ela praticamente implorou com lagrimas nos olhos.

O homem, que pela aparência teria sessenta anos, mas que poderia ter seus duzentos tranquilamente e suspirou. A camisa aberta mostrava um peito franzino, com poucos fios brancos. A calça marrom havia sido dobrada algumas vezes, deixando a mostra os tornozelos magros, com veias saltadas, os pés calçados nas sandálias estilo franciscano.

– É trágico... Espero que quando você chegar lá, daqui a quatro horas, espero que esteja tudo bem.

– Mas...

– Nem se aqui aparecer o horário de verão.– ele riu, mostrando a boca desdentada, os poucos dentes que ainda tinha, cariados. Beatrice apertou seus próprios dentes, controlando a vontade de soca-lo, empurra-lo no rio barrento. – E mesmo que a moça bonita seja a mãe do pequeno demônio inglês, eu não vou levar antes de duas horas.

Ele ergueu o braço esquerdo.

– Mesmo que seja a inglesa mais bonita que eu já vi! Sem horário de verão no meu barco! – ele deu as costas para ela, caminhando pelo cais. Beatrice apenas conseguiu olhar, enquanto sentia a vibração mágica que emanava do barco. Se ela invadisse o barco, sem a presença do barqueiro, a barreira que ela conseguia sentir provavelmente a expulsaria, com danos a ela.

Dean as vezes lhe contava que alguém havia tentado entrar no barco do “Horário de Verão” apelido dado ao barqueiro, que ninguém sabia o nome exatamente, pois nas primeiras vzes que o barqueiro havia levado ela a escola, sempre dava um nome diferente; o aluno idiota sendo machucado e levado a enfermaria em um estado que ela somente poderia dizer, que era semelhante a alguém brigando com o Salgueiro Lutador.

Sentindo-se cansada, ela aproximou-se o quanto pode da barreira mágica, deixando-se cair nos joelhos. A cabeça baixa foi envolta em pensamentos dirigidos ao filho, implorando para que ele estivesse bem e seguro...

Opostos

Sirius mal continha a raiva enquanto era praticamente arrastado por Otto. O velho tinha a sua mão direita presa ao braço do mais jovem, firme como as garras de uma águia.

As gargalhadas que o velho soltava, enquanto Sirius era obrigado a tomar um banho, ainda ecoavam nos ouvidos. Um risinho mal disfarçado estava estampado no rosto idoso, fazendo os olhos azuis brilharem, de um modo que deixava o grifinório irritado. Ele adoraria pegar a bengala de Otto e enfiar ela... Em um lugar que em geral não era visto.

Otto havia obrigado Sirius a ir até o andar da recepção do hotel. Fernando, que estava no computador, esperando que Sirius descesse para ir embora, franziu o rosto, tampando o nariz, sentindo o odor forte.

– Fernando. – o tom de ordem era indiscutível. - você vai ficar na recepção até o Schwars voltar.

– Senhor Otto, eu não sei se...

– Catarina está na minha casa, então não há perigo algum da diabinha brotar do chão e tentar te conquistar.

– Mas eu não acho que...

– O König vai ficar sabendo da sua falta de colaboração.

Fernando abaixou o rosto, um leve rosnado saiu da garganta. Sirius ficou espantado, nunca tinha escutado aquele som do homem.

– Ich verstehe ... und zu gehorchen. Gegen meinen Willen. – Fernando falou em alemão, surpreendendo ainda mais Sirius. Ele sabia que Fernando falava com fluência espanhol, tropeçava no inglês – no tempo que ele morava ali, as conversas com ele começaram a acontecer, quando Sirius começou aprender português... Ele nunca demonstrou saber alemão, idioma nativo de Otto, que misturava a língua com português.

– Você nunca teve vontade. Mas é bem recompensado para isso.

– Seu sangue velho está ficando fraco.

– É uma ameaça, Blut saugt? – o xingamento em alemão saiu irônico.

– Eu não ousaria estragar minhas refeições. – Fernando não deixou de retrucar, voltando sua atenção para o computador, a raiva claramente estampada no rosto dele. – mas não nego que gostaria de ter coisas frescas, se me entende.

– Toque nela e será a ultima coisa que fará, brasileiro. A ultima coisa.

A ameaça de Otto fez que Fernando sorrisse.

– Eu sigo as regras do Beratung, acredite Otto. E se não seguisse... Seu sangue jovem me colocaria exatamente no meu lugar.

– Beatrice, Catarina e Dean estão fora de seu alcance, Blut saugt. Se eu o alimento, é pelo acordo do Beratung.

– Uma hora você vai morrer, velho maldito. Seu sangue jovem vai tomar o seu lugar. E o primeiro que vou tomar, vai ser o mais poderoso.

Ódio emanava de Otto que apertou ainda mais o braço de Sirius, que não queria entender a conversa que se passava a sua frente. Otto fechando os olhos suspirou, numa clara tentativa de acalmar-se. Abaixou a cabeça por um instante, erguendo-a em seguida Quando abriu os olhos, fitando Fernando diretamente os lábios dele curvavam-se num sorriso, que poderia ser descrito até mesmo como cruel.

– Faça isso... E a mesma pessoa a quem obrigou você a entrar para o Bertung, vai estilhaça-lo.

Sirius engoliu em seco. Aquela expressão, o jeito de mexer a cabeça... Ele ignorou o sinal de alarme, afinal, não haveria como a sua Beatrice Stalker ser aparentada com Otto Schineider. Mas que o modo de mexer a cabeça, de falar eram muito semelhantes... Ele não conseguiu deixar de pensar quando Otto olhou-o e sem aviso, moveu a bengala.

Sirius sentiu uma fisgada no umbigo antes de tudo a sua volta entrar em um redemoinho.

Opostos

– Ei moça inglesa bonita! – o barqueiro a chamou, duas horas de viagem e mais outras duas de espera no cais. Não importava o quanto ela dissesse a ele, que tinha nascido ali, no Brasil, o barqueiro sempre a chamava de moça inglesa.

Beatrice ergueu a cabeça, endireitando os óculos para visualizar o homem, que lhe sorria. Arrumou os cabelos atrás das orelhas, prestando atenção no homem.

– O horário de verão não veio e você já chegou na escola. O mundo não foi feito em uma hora, moça inglesa e... – ele calou-se, quando percebeu que ela praticamente havia pulado do barco, para o cais. Ignorando o risco de cair nas águas barrentas do rio Amazonas ou quebrar o pescoço por um gesto mal calculado. – E depois a moça inglesa não sabe a quem o cabrito do filho dela puxou! Olha ali!

Ele falou as ultimas palavras, sabendo que ela não o escutaria, pois corria em direção a escola. Ele tomaria o óleo que besuntava o motor do barco se o diabinho do filho dela, que já estava maior do que ele já fora quando jovem. De todos os jovens da escola, o inglesinho era um dos bruxos mais poderosos que ele já vira, mas um dos mais encrenqueiros e impulsivos também. Ele tinha uma ânsia de viver, de provar algo a alguém, que poderia não resultar numa boa coisa.

O velho ergueu e colocou de volta o chapéu, enquanto dirigia uma breve prece ao futuro do garoto, pedindo que o que quer que fosse dele, ainda o mantivesse dentro do lado bom da magia.





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