Opostos escrita por Tina Granger


Capítulo 14
Cap 14


Notas iniciais do capítulo

alguem lembra dessa fanfic? Gostaria de dizer algo sobre ela? kkkkkkkkkkkkkk




“Minha força está na solidão. Não tenho medo nem de chuvas tempestivas nem de grandes ventanias soltas, pois eu também sou o escuro da noite.” Clarice Lispector


― Ei, Evans! Gostou da fotinho? O Tiago estava LINDA não estava? Bom, foto do Tiago de cueca é o mínimo que você vai receber, todas as vezes que o teu veado vir me incomodar às três horas da manhã!
E a próxima vez que o seu marido aparecer na minha porta, às três horas da manha, eu vou dar uma frigideirada na cara de veado dele, entendeu bem? É só um aviso, pois considero você minha amiga.
Mudando totalmente de assunto, estive falando com um amigo do meu pai, o senhor Otto Schineider. Ele mora no além-mar, muito longe dessa zona de guerra que está se instalando aqui. O senhor Schineider foi colega de casa do meu pai, é um senhor um tanto quanto sério, mas que possui um bom coração.
Se vocês quiserem fazer uma segunda lua de mel, posso na maior cara de pau, pedir a ele, que nas palavras que ele usa, dê pouso a vocês... Recomendo, se você quer perder o marido por aí, que essa viagem aconteça no mês de outubro, pois, como diz o senhor Otto, é quando miar de bêbado, andar de quatro e chamar urubu de meu louro, não é tão feio assim, por conta de uma festa que acontece ali, chamada Otoberfest. A primeira vez que ele me falou isso, pedi inocentemente, se a festa se chamava assim, em homenagem a ele.
Acredite, ele riu tanto, que eu achei que passaria mal. E perdoe a minha ingenuidade dos seis anos, mas a pergunta me rendeu dois presentes, que guardo muito bem. A foto de uma moça muito linda, que ele disse que se chamava Helena, sua filha caçula e uma toalhinha bordada, que segundo ele, foi ela quem bordou, quando meus pais estavam em sua casa, no período que mamãe estava grávida de mim.
O senhor Otto me disse na ocasião, que sua filha Helena era uma anja e que tinha morrido por causa de um coração machucado... E que se tivesse me conhecido, ela teria gostado muito de mim. Papai ficava um pouco zangado quando ele me encontrava conversando com o senhor, pois, segundo ele, o senhor Otto, me mimava... devo confessar, que eu ainda hoje, gosto de conversar com o senhor Otto.
Quando eu era criança, nunca houve uma visita dele aos meus pais, que eu estivesse presente, que ele não dispensasse vários minutos para conversar comigo. Meu pai e ele se sentavam no escritório do meu pai e papai mandava me chamar. Eu lembro que ficava na porta, pois papai não gostava que eu entrasse lá, mas sempre que o senhor Otto estava ele sempre foi até mim e ajoelhava-se para ficar do meu tamanho e me cumprimentava como se eu fosse uma das pessoas mais importantes do mundo.
Houveram outros presentes, tipo caixas de bombons, que eu sempre estive proibida de comer antes do jantar, fitas para cabelo cor de rosa ou vermelhas ou então laranjas. As usava como se fossem diamantes preciosos. Lembro-me que em certa ocasião, fui chamada ao escritório de meu pai e o senhor Otto estava sozinho.
Conversamos por um tempo e quando papai retornou e me mandou voltar para minhas bonecas, o senhor Otto espirrou. Eu em um impulso, o convidei para depois que ele tivesse terminado de conversar com meu pai, para um chá com as minhas bonecas, já que ele estava espirrando e precisava tomar um chá.
Meu pai ergueu os olhos para o alto, como se estivesse sem paciência... Otto sorriu e disse-me que tentaria terminar a conversa o mais rápido possível para tomar o chá comigo. Não deu meia hora e o senhor Otto, estava a minha frente, no meu quarto de bonecas, sentado e conversava comigo a respeito do babaca que era o filho do vizinho... que se chamava.... TIAGO POTTER!
Ele me deu um conselho a respeito, de como lidar com a mania irritante que Tiago tinha de puxar minhas tranças. Na primeira vez que o moleque irritante fez isso, eu me virei e... O mais belo murro que uma menina podia dar em um garoto foi aplicado diretamente naquele nariz. Não preciso dizer que minha mãe não gostou nada disso, fiquei de castigo algumas semanas... E Tiago parou de me incomodar um pouco.
Depois, bastava lembrar ele, que tinha levado um soco de uma menina, que ele bufava e saía de perto. A próxima vez que ele te irritar, o lembre disso, antes de expulsá-lo de casa por uma noite.
Hum... posso pedir que se alguma vez EU expulsar Sirius daqui, você manda me chamar, se Tiago resolver levar o cachorro para a sua casa? Eu agradeceria o favor.
Até a próxima lua azul.
Beatrice Black
(Não acha que tenho que começar a treinar minha assinatura de casada?)


Harry respirou fundo, enquanto enrolava o pergaminho. A mesma coruja que trouxera a outra carta, o acordara, batendo no vidro do seu quarto com o bico. Outra carta para sua mãe, ele ainda não entendia como e quem, quais os motivos que a pessoa que estava enviando aquelas cartas que Lilian teria recebido... e por alguma razão não guardara.
Beatrice Black estava assinada a segunda carta. Pelo conteúdo, Sirius estava em um relacionamento sério, com alguém. Harry não lembrava-se do padrinho comentar alguma coisa, sobre uma noiva, uma esposa, enquanto eles haviam convivido. De uma madrinha para ele.
Mais um motivo para ele ir com Beatrice Schineider até Londres... O casamento de Remo, as cartas misteriosas, Beatrice Black... Que outras coisas mais estavam desconhecidas? Ele começaria a desvenda-las na sexta-feira. Depois do dia de trabalho... que começaria dali a meia hora!
Harry franziu a testa, enquanto tomava a decisão de pegar o ônibus. Seu primeiro impulso seria ir atrás de Beatrice considerando que ela jamais se atrasava... Mas lembrando-se do fato que, ela estava tremendamente irritada com Michel, o mais provável, era que ela teria ido antes do horário, tendo se esquecido dele.
Ele sempre tinha a carteira no bolso, com algum dinheiro trouxa. O ônibus passou, Harry o conseguindo pegar, por sorte. Nenhum dos passageiros se interessou em conversar com ele, nem ele insistiu em ficar puxando conversa. Afinal, o “sobrinho delinquente” dos Dursleys mesmo trabalhando, não merecia crédito por nada.
Bem, Beatrice Schineider não pensava assim... Mesmo ela sendo meio louca as vezes... Quer dizer, quem dava nome a um carro? Volta e meia, ele a encontrava resmungando sozinha e, embora ele não compreendesse as palavras, sabia que era francês. Ela havia passado a lhe traduzir as musicas em português, depois do segundo dia que ele pegava carona com ela.
Beatrice lhe tratava com um carinho, que embora ela quase não o tocasse, não fosse tão melosa... ela lhe lembrava muito Molly. Beatrice conversava com ele sobre muitos assuntos, não refreava suas palavras. Orgulho era o sentimento que exibia ao falar do filho, que nas suas palavras, era tão esforçado quanto inteligente. Quando questionada o motivo de ter aprendido português, ela sorrira amplamente…
― Meus pais estavam viajando, visitando um amigo de infância no Brasil, quando minha mãe descobriu estar grávida. Segundo ela me contou, foi à quinta gravidez que ela teve, a ultima. Quando o médico que a atendeu lhe disse, que ela não devia nem ir ao banheiro sem estar apoiada, para tentar segurar a criança dentro dela... Minha mãe ficou oito meses deitada numa cama, Harry, para que eu nascesse. Eu nasci no Brasil e vim para cá, com meus pais, quando tinha seis meses... E voltei para lá, quando tinha vinte e alguma coisa.... Então, o motivo de ser brasileira, com certeza, não é o suficiente para saber a língua do meu pais? Com certeza não, visto que as sub-linguagens que existem são tão diversas... Mas imagina a minha situação. Quando eu voltei ao Brasil, eu sofri um acidente e só sabia três palavras em português... então enrolei o quanto consegui, até o meu avô, vir me resgatar do limbo que eu estava.
― Três palavras? Que palavras eram?
― O nome do estado que meu avo morava, e a cidade que ele morava. Blumenau. Santa Catarina. Só isso. Ah, quer dizer... também sabia brasil.
― A senhora fala frances. ― Ele falara.
― E alemão e também italiano. Enquanto eu crescia, meu pai tinha em mente, que queria me transformar em uma excelente esposa, para algum diplomata, coisa assim. Já que, para ele, as mulheres não tinham cérebro... E acredite que ele só casou com a minha mae, achando que ela seria útil para dar muitos filhos... E no fim ele só teve a mim.
― Ele pensava assim?
― Nunca disse com todas as palavras... Mas... Quem tem olhos e cérebro, percebia o que ele pensava. E já que tinha planos de fazer com que eu me casasse bem... ― Beatrice dera um sorriso debochado. ― Ferrei com todos os planos dele, quando fiquei grávida e me recusei a casar com outro cara... Ou abandonar meu filho.
Harry arregalara os olhos.
― Seriamente?
― Meu pai me expulsou de casa... Quando minha mãe ficou doente, que acabou morrendo, só descobri, depois que ela estava morta e enterrada a semanas. Ele apareceu na casa onde eu morava, com a caixa de joias dela.... Ela o fez jurar, que as entregaria para mim, depois que estivesse morta.
Beatrice encarava a frente, mas mesmo assim Harry percebera uma raiva mudara-a no tom de falar, estava misturada com uma grande tristeza.
― Ela não era tão jovem, quando eu nasci... E mesmo assim foi a melhor mãe do mundo. Ela sentava-se comigo para brincar, ela me ensinou as minhas primeiras letras, foi quem me ensinou a gostar de ler... Ela me passou o gosto pela música. Ela tinha a voz de uma gralha desafinada quando tentava cantar... Mas mesmo assim, o sentimento que estava naquela voz, a transformava completamente. Eu lembro de certa vez que eu teimava que não queria ir para o quarto dormir, meu pai só me deu a olhada que me prometia uma surra, quando ela me pegou pela mão e me levou para cima. Ela colocou na vitrola uma musica que amava escutar e sentou-se comigo no colo dela em uma poltrona. Enquanto eu ficava fazendo bico, ela me pedia para escutar a musica. Eu adormeci no colo dela... Hoje quando escuto aquela musica, eu sinto como se estivesse no colo dela, com ela me passando a mão nos cabelos...
Então Beatrice suspirara, o assunto morrera por ali... Porém a tristeza ainda estivera nos olhos de Beatrice quando, ele a encontrara horas mais tarde.
Harry balançou a cabeça, percebendo que era o ponto que deveria descer. Afinal, ficar pensando nos momentos que passara com Beatrice o faziam querer ficar mais perto dela, por alguma razão que ele não conseguia definir, era uma sensação... Parecida com a que sentia, quando estava com Sirius. Que apesar do mau humor, das piadas, ás vezes sem graça, a sensação de que ela o protegeria e...
Um arrepio passou pela nuca de Harry quando ele percebeu, quando entrava na área do mercado, que Alfred não estava no seu lugar habitual. Quando a voz brincalhona de Mark o chamou, harry virou-se imediatamente para olhar o loiro.
― Oi, Mark.
― Ué, cadê a bruxa?
― Uma hora dessas, a senhora Beatrice vai lhe escutar você a chamando disso e você sabe, que ela pode não gostar nada.
― Azar o dela. Mas falando sério... ― Mark se aproximou, uma certa tensão no corpo. ― Onde ela está?
― Bem, como ela é bem grandinha e não me deve satisfações, eu não sei. O que eu sei, é que eu estou atrasado e estou entrando agora para trabalhar. Até mais.
― Ignorando a expressão surpresa de Mark, Harry entrou no mercado. Não viu Mark puxando o celular do bolso, discando sem puxar pelos contatos e, depois de um longo tempo, que a ligaçao não foi completada, discou para outro numero, enquanto entrava. Falou algumas palavras rápidas, desligando assim que pôs os olhos em cima de Harry. Com o canto do olho, percebeu que o chefe se aproximava do moreno, com uma expressão até mesmo de satisfação.
Mark lambeu os lábios, enquanto observava Michel sorrir de modo suspeito. Por favor, senhor... Que esse imbecil faça alguma coisa que me obrigue a pular no pescoço dele... Por favor...!
Mark pensava, enquanto lambia de modo sugestivo os caninos.





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