Opostos escrita por Tina Granger


Capítulo 11
Capítulo 11


Notas iniciais do capítulo

DAI POVO!!

Esse é meu presente de páscoa para voces... Comecei a escrever no ínicio do mês e só terminei hoje. são doze DOZE paginas de capitulo.
Desculpem qualquer errinho de gramatica. é tarde da noite e quero postar agora, pra vcs lerem e se divertirem.
huhum... já que é meu presente de pascoa proceis... que tal voces voces me darem um presente em forma de comentario?




A amizade é um contrato segundo o qual nos comprometemos a prestar pequenos favores para que no-los retribuam com grandes.

Barão de Montesquieu

Petúnia terminava de preparar o jantar, quando escutou a porta da frente e Harróvia entrando, conversando com alguém.

Secou as mãos, disposta a expulsar a criatura, indo até a sala. Petúnia olhou para a mulher que acompanhava o sobrinho com curiosidade. Harróvia não comentava muito sobre o trabalho.

- Senhora Petúnia? - a mulher sorriu com facilidade. - Sou Beatrice Marie, a chefe de Harróvia - dito isso, a morena aproximou-se estendendo a mão para o cumprimento, que Petúnia aceitou, franzindo a testa. A outra mulher era extremamente despachada. Nas conversas com os vizinhos, Petúnia apenas havia descoberto que a mulher fazia seu sobrinho dirigir até a casa dela. Segundo ele, Beatrice havia trazido o minimo de mudança, não gostava de conversar com os vizinhos, sempre indo dormir cedo... A menos que a criatura tivesse uma visão noturna superior ao dos gatos, pois sempre por volta das oito da noite, não havia mais nenhuma lampada acesa na casa.

Ela usava um vestido florido, verde, marrom. Os cabelos estavam soltos e os olhos azuis pálidos, escondidos atrás de óculos de grau. Segurava uma grande bolsa vermelha.

- É um prazer. - Petúnia falou automaticamente, antes de olhar para Harróvia, que naquele momento, estava o mais longe que podia das duas, fedendo a peixe.

- Harróvia, enquanto eu converso com a sua tia, você pode tomar um banho? E depois, quando fazer sua mala, por favor, não deixe de colocar um casaco. Embora seja verão, as vezes, o tempo pode mudar.

- Harróvia não vai a lugar algum sozinho com você. - Petúnia falou, irritada. Estava estranhando o interesse daquela outra mulher em seu sobrinho.

- Harróvia, por favor, faça o que eu disse. - Beatrice falou olhando para ele, sorrindo. Esperou alguns instantes, até que o adolescente, erguendo as sobrancelhas, subiu as escadas rapidamente. - E não esqueça do casaco. - falou mais alto, quando harry saiu do seu campo de visão.

- Escute aqui... - Petúnia começou. Lentamente, Beatrice voltou-se para a tia de Harróvia Os olhos azuis estavam gelados.

- Eu tenho paciência, Petúnia Evans. Por dezesseis anos, eu me mantive afastada, pela segurança de Harróvia Mas agora chega. Vou levar o meu afilhado, para realizar a segunda parte do feitiço, que enviei a Lilian para proteger Harróvia

- Quem é você?

- Você me chamaria de anormal... - Beatrice sorriu, enquanto tirava uma varinha de dentro da bolsa. - Mas sou uma simples bruxa. E se você quiser medir forças comigo, saiba de duas coisas... A partir do momento que Harróvia estiver em segurança, em Hogwarts, para o seu ultimo ano... Você vai descobrir o quão boa sou em transfiguração... Porque juro pelo meu filho, que eu vou lhe transformar em uma coisa, que ninguém vai perceber que você não é aquilo que eu vou lhe transformar... afinal, com essa sua cara de égua pangaré, você já está na metade do caminho!

Opostos opostos

- Boa noite, senhor Barnes. - Beatrice sorriu para o velhinho, que estava sentado na varanda ao lado, da casa de dois pisos que havia alugado para

- Senhorita Schineider! - o homem sorriu para ela. - está com uma cara boa, hoje.

- Recebi uma boa noticia. Meu filho, em março começa a faculdade de medicina.

O homem balançou a cabeça.

- Não consigo entender essa logica...

- nem eu, mas quem sou eu para discutir contra as normas de uma instituição renomada? - ela deu um sorrisinho, acenou e entrou. Tirou os calçados com um suspiro de alivio. Subiu as escadas, da casa de dois pisos, jogando a grande bolsa vermelha, em uma cadeira. Apertou os lábios, enquanto olhava em volta. Esse quarto que ela havia montado para passar os dois meses de aviso prévio, não a agradava nenhum pouco. A cama de solteiro, com o colchão macio, tinha os lençóis estampados com formas geométricas, coloridas sem nenhuma combinação entre si.

Ela foi até o banheiro descalça. Por um momento, pensou na possibilidade de simplesmente aparatar e dormir na sua cama, grande, macia, com os lençóis alvos... possibilidade que ficou mais atraente ao ver a banheira.

Beatrice fez uma careta. A quem ela queria enganar? Ela não dormiria naquela noite ali, nem se a pagassem! Voltou ao quarto, pegou os chinelos que havia ganho no seu aniversário de Dean, desligou todas as luzes e depois de pegar a bolsa com o trabalho que tinha levado para casa, aparatou.

Deu um sorriso realmente satisfeito quando reconheceu o beco perto do apartamento que mantinha. Verificando que ninguém a vira chegar, ela caminhou calmamente até o prédio, onde morava a quase dezenove anos, enquanto pensava nos pais.

Philip era um homem acostumado aos próprios caprichos e sua esposa, talvez por medo, talvez por ter sido criada para que assim fosse, aos longos dos anos, não fizera nada para modificar a situação. Após o desapontamento com o nascimento de uma menina, ao invés de um varão, a situação apenas se acentuara.

Beatrice chegara a sofrer de um mal desconhecido, após terminar Hogwarts. Com exceção das amigas da mãe, tão velhas quanto Elizabeth, ela apenas tinha permissão para sair com Severus... E apenas porque eram primos, Philip percebendo que o máximo de amor que aconteceria entre eles, seria amor fraternal.

Um dos médicos, que Philip a fizera consultar, expressara claramente, que a cura para o mal que a acometia, Beatrice necessitava sair das asas paternas. Sob muitos protestos de Philip Stalker, a jovem começara a trabalhar, ao mesmo tempo que os sintomas desapareciam.

A mulher que havia se tornado, parou encarando o prédio, onde seu apartamento ficava. Bendita hora, que Catriona Galens, lhe desafiara. Catriona morrera antes que o desafio fosse cumprido totalmente. A jovem Stalker deveria morar por seis meses em alguma parte da Inglaterra que fosse trouxa, quase vivendo como se fosse tal.

Philip demorara a concordar com o argumento tímido da filha, que sua honra como bruxa estaria comprometida. Pela primeira vez, Elizabeth ficara contra o marido, preocupada com a segurança de Beatrice, que por fim, convencera a mãe, que apenas após ver o local escolhido pela filha, lhe ajudara a montar o apartamento, que não tinha nada de pequeno.

Com duas suítes, cozinha, quarto de empregada, escritório e enorme sala com lareira, ele fora comprado e, contrariando sua maneira habitual de agir, Philip confiara plenamente na filha, botando o apartamento no nome dela. Aquela fora a maior e única prova de confiança do pai, a Beatrice que encarava o prédio pensou, antes de suspirar e se encaminhar para o prédio.

A morena parou, encarando surpresa, a figura completamente vestida de negro. Severus exibia uma carranca que, se ela não o conhecesse há muito tempo, teria medo.

- Sev? Aconteceu alguma coisa?

- Estou com vontade de matar Dumbledore.

- Eu escondo o corpo. - ela ofereceu, sabendo que ele a olharia de maneira zangada, enquanto ria. O que ele fez em seguida. - Sério, Sev. O que o diretor fez dessa vez?

As narinas de Snape inflaram-se, como se ele não estivesse conseguindo quase se controlar.

- Ele contratou aquela... francesa estúpida, desmiolada e desastrada para ser minha assistente!

- Acho que você está precisando tomar um chá. Sério. - Beatrice falou, enquanto enganchava o braço no do primo, o levando em direção onde ele tinha acabado de sair. Uma única vez, ela tinha visto Severus tão exaltado. Ela não queria nem lembrar do motivo.

Enquanto iam até o apartamento, Beatrice não puxou conversa. Severus estava muito zangado para uma conversa civilizada com ela. A morena não conseguia deixar de pensar, que ele estava tão zangado, quanto a cinco anos atras, depois que participara de um congresso sobre poções.

O principal motivo, fora alguém que ele não chegara a mencionar o nome, mas que faziam os negros olhos do professor de Poções ficarem em brasa. E para que Severus ficasse tão exaltado, com certeza, sua tia Eilleen estava prestes a perder o título de ser a única senhora Snape.

Depois que entraram, ela deixou Severus andando de um lado para outro na sala, enquanto ia esquentar a água. Estava colocando algumas bolachas em uma travessa, quando percebeu Severus a encarando.

- Qual o problema, Sev?

- Estou pensando se mato Dumbledore, antes ou depois de matar você.

- Eu? que eu tenho a ver com a contratação da sua assistente?

- Alvo me disse claramente que a partir de janeiro vou ser o professor de defesa, porque você vai prestar o ¨pequeno¨ favor de entrar no véu, para salvar Sirius!

- E só por isso você está cuspindo fogo? - Beatrice falou mansamente.

- Não se atreva a desdenhar de mim, Beatrice Marie Stalker! - Severus avançou, as narinas tremendo.

- Schineider. - ela o corrigiu imediatamente

- Você adotou esse sobrenome, para passar desapercebida por bruxos, nesses dezoito anos. Mas ainda é minha prima e eu não vou tolerar brincadeirinhas tolas!

- Eu não estou brincando Sev. Você está furioso pela contratação da francesa ou pelo fato que vou entrar no véu atras de Sirius?

- Pelos dois! E o motivo principal é que VOCÊ é que vai estar arriscando perder sua alma naquele lugar!

- Nem tanto, Sev, só raciocina. A quase dezenove anos, quando eu caí no véu, quando eu saí de lá, com quem eu estava? Sirius cuidou de mim por...

- Black só queria lhe seduzir! - Severus não economizou no tom de voz. - Rir de você!

- E ele conseguiu. - Beatrice admitiu. Estava ficando furiosa, mas antes de dar o gostinho da vitória para o professor de Poções, ele também ouviria. - Mas também se apaixonou por mim. E quando eu fui fazer aquela pesquisa no Brasil, ele enfrentou o meu pai e...

- Saiu com o rabo entre as pernas. - Severus não permitiu que ela terminasse.

- Se você não calar a boca, juro que vou lhe azarar, Sev! - Beatrice gritou, antes de respirar fundo, várias vezes. - Muito bem, vamos colocar os pingos nos is. Eu precisava de um favor, que Dumbledore – antes que Severus conseguisse pronunciar alguma coisa, ela ergueu a mão. - cheguei a chamar o trestálio capado de um monte de coisas, mas no fim, ele me convenceu a retribuir fazendo isso.

- Que favor você precisava ser feito?

- O homem sem memória na casa de Samira. Ele começou a lembrar-se de coisas, que ela me repassou, somente um bruxo teria conhecimento... ou um aborto criado por bruxos. Como ele vê Doña Dolores, acho que deixar que algum comensal desconfiar da situação, seria perigoso. Se ele for um dos homens de Dumbledore, acho que fazer uma boa ação na vida não vai...

- E Dean? Seu filho não precisa mais de você, para que você o abandone dessa forma?

- Dean não vai mais precisar de mim. E se ele precisar de ajuda, tenha certeza, que é a você que ele vai recorrer. Afinal de contas, para quem foi que ele escreveu, quando precisou começar a fazer a barba? Quem foi que deu os conselhos amorosos para Dean, desde que ele estava na pré-escola?

- O único conselho amoroso que dei para seu filho, foi que nunca namorasse alguém como você.

- Ei! - Beatrice se obrigou a rir. Um riso falso, que não enganou a Severus por um instante, que resolveu encaminhar a conversa por outro lado.

- Você nunca me disse quem era o pai de Dean.

- E como eu posso dizer isso, se nem mesmo eu sei? Sev, eu já lhe expliquei um milhão de vezes! Quando fiz aqueles exames, por conta do acidente no Brasil, foi descoberto que eu tinha uma doença, que se eu não tivesse um filho logo, eu ficaria estéril. Não me arrependo nem por um segundo, de haver engravidado de Dean. E a resposta que dei ao meu pai, dou a você agora. Eu prefiro mil vezes meu filho, ao dinheiro dos Stalker. Ele me deserdou e eu mantive meu filho. Ponto final na história. Agora... Se você não acredita em mim, se quer me julgar como se você fosse meu pai, juro que eu não vou reagir. - Beatrice ergueu as duas mãos. - Se você quiser me punir, como meu pai faria... - a mulher deixou as mãos caírem ao longo do corpo. - Eu não vou impedir que você use a Cruciatus em mim. Mas tenha certeza, que toda a confiança, todo o respeito, que sinto por você vai ter o mesmo destino que a confiança, respeito e o afeto que sentia por ele.

Severus respirou fundo.

- Beatrice, você é a única pessoa que eu confio irrestritamente. Sem dúvidas. Eu não concordo que...

- Quando eu saí do véu, eu estava sem memória sim, Sev. Mas desde então, descobri muito mais coisas... - Beatrice passou a mão nos cabelos. - Dean está com a vida encaminhada no Brasil. Assim que terminar a escola de magia, ele vai começar a faculdade de medicina. - ante o olhar atônito dele, Beatrice sorriu. - Recebi hoje, na hora do meio dia, uma carta de Dean. Ele tinha programado duas provas de seleções, uma agora, a algumas semanas atras e a outra para o fim do ano, para a faculdade de medicina trouxa. Como o meu bebê conseguiu ser o terceiro classificado, um advogado de Otto conseguiu uma licença, para que ele comece a faculdade em março.

- Então você sequer cogita a possibilidade de trazer o seu filho...

- Enquanto Dean estiver longe daqui, ele vai estar protegido. E se você acha que eu vou morrer por entrar no véu... - sem aviso, ela abriu o zíper do vestido, tirando as alças dos ombros, desceu-o até a cintura e virou-se para ele.

Severus corou, reparando brevemente no sutiã esmeralda que Beatrice usava. Ela apontava para tatuagens, que foram feitas, quando ela era bebê. Conforme seu corpo crescera, a tatuagem aumentara, sendo naquele momento, do tamanho de um punho fechado.

- Quando estive na Índia, me deparei com essas mesmas tatuagens, em pergaminhos que encontrei, em um bazar. A estrela de seis pontas, que tem o sol ao redor de si – Beatrice ia falando, sem reparar no embaraço do professor de poções. - e a suástica, que aquele trouxa tolo, Hitler fez que todos conhecessem como uma apologia a uma porcaria de um idealismo ridículo Sev, você sabia que não existem ¨raças humanas¨ diferentes, apenas uma e que o fator predominante nas mutações genéticas que...

- O que tem isso a ver com Black? E por favor, vista-se.

- Bem, como eu estava falando, - ela falava, enquanto arrumava o vestido. - essas tatuagens na forma que eu tenho no corpo, quando... recobrei a memória, me vinguei dele. Agindo como se não me importasse nada, de certa forma, obriguei Sirius a fazer essas mesmas tatuagens... E nos pergaminhos que...

- Você obrigou Black a fazer tatuagens de proteção? - Severus arregalou os olhos.

- Olhando por esse lado... Acho que sim.

Beatrice recuou alguns passos, encarando Snape, que a encarava sério, antes de suspirar.

- Não existe nada que eu possa falar, para você esquecer essa ideia?

Beatrice balançou a cabeça.

- Eu prometi a Dumbledore. E eu não volto atrás nas minhas promessas.

- E eu vou fazer você desistir dessa promessa.

- Você e mais quantos? - a pergunta em tom de brincadeira, deixava claro, que ela não queria mais falar sobre aquilo. - Sev, janeiro ainda está longe. Agora temos um assunto mais importante a falar. Quero saber o nome da sua Fée des Rêves.

Severus a olhou por um instante, antes de arregalar os olhos. Voltou a soltar uma torrente de palavroes.

- Nunca – ele apontou com o dedo para ela – diga que essa coisa é alguma coisa minha!

Sem dizer mais nenhuma palavra, Severus deu meia volta e saiu do campo de visao de Beatrice, que ficou piscando paralisada por alguns segundos, antes de ir atras do primo. Quando chegou na sala, o professor de poões estava batendo a sua porta da frente, após a sua saída.

- Escapei por pouco. - Beatrice murmurou, sentando-se no sofá, sentindo suas pernas tremerem. Nas poucas vezes que vira Severus alterado, ele logo tomava conta da situação. Ao longo dos anos, a mentira que acabara de repetir, sempre lhe salvava, mas por um momento, ela temera que, pela primeira vez, fosse obrigada a admitir para Severus, que Dean era filho de Sirius.

Claro que se o professor de poções revisse Dean não teria dúvidas, mas, enquanto ela pudesse se esquivar dessa situação... Beatrice respirou fundo, então passou o olhar pela sala, sem realmente ver os móveis. Ela precisava de algo forte para beber. O trabalho que precisava fazer, simplesmente foi esquecido. Levantou-se e foi até a mesinha de canto, que mantinha algumas garrafas com bebidas.

Depois de servir uma generosa dose, tomou um gole, tossindo ao sentir a ardencia. Colocou o copo na mesinha, enquanto sentia lagrimas ardendo em seus olhos. Respirou fundo, pegou o copo e enquanto tomava outro gole, mais devagar. Normalmente ela sequer pensaria em fugir para o alcool, mas decidiu naquele dia, abriria uma exceção.

Sentou-se no sofá, acompanhada da garrafa. Fora por muito pouco... Felizmente Severus estava tão alterado, que não percebera o enorme escorregão que ela dera. Se ele estivesse com a cabeça mais fria... Ele teria percebido os deslizes que ela dera... E muito provavelmente eles discutiriam e talvez até rompessem relações.

Cerca de quinze minutos depois, ela ria sozinha, lembrando de diversas passagens que havia vivido. A mais terna, quando Dean tinha cinco anos.

Eles haviam chegado em casa, depois de um dia que ela trabalhara praticamente doze horas, apenas parando para ir pegar o filho na escola e leva-lo até o seu servico. Ela estava exausta e mandara o filho ir tomar banho, enquanto descansava um pouco, antes de preparar o jantar.

Mas bastara encostar-se no sofá, para dormir profundamente, sendo acordada tres horas depois pelo filho, que estava preocupado. Quando ela erguera-se contra a vontade, para ir a cozinha preparar uma torrada com queijo, Dean lhe informara, absurdamente orgulhoso, que ele fizera o jantar para eles. Por um instante, ela ficara apavorada, com a possibilidade do menino ter se machucado ou ter queimado alguma coisa na cozinha.

Porem, ao chegar lá, encontrara tudo no seu mais absoluto lugar, com exceção de dois pratos, sobre a mesa, com dois sanduíches de tomate e geleia de uva prontos, com dois copos de suco. Ele a pegara pela mão, levando-a até o lugar que ela geralmente ocupava e como um cavalheiro, insistira em arrumar a cadeira para ela.

A lembrança quase a fizera chorar, enquanto lembrava, que naquela noite, permitira-se quebrar somente naquela noite as regras que havia estabelecido. E a principal das regras, era falar de Sirius para Dean sem que o menino pedisse.

Dean havia permanecido acordado por muito mais tempo que era permitido. Mas quando adormecera, ao lado da mãe na cama, havia no seu rosto a mais doce expressão angelical que uma criança podia ter no rosto... E ela dormido com a certeza que estava colocando Dean no caminho certo...

Beatrice balançou a cabeça enquanto voltava ao presente. A tontura indicava que, os efeitos do alcool já estavam sobre ela. Deitou-se no sofá, esticando-se enquanto bocejava. Fechava os olhos, quando um som abafado começou a ser ouvido.

- Eu não to aquiii... - ela começou a cantar, tentando ignorar o toque do celular. - Esquece. Eu já cansei de problemas hoje! - ela tampou as orelhas. - Pode tocar o quanto quiser... que eu não vou te atender...

O telefone tocou até cair. Beatrice olhou para a bolsa, com um enorme sorriso, até o telefone comecar a tocar novamente. Ela soltou um barulho, que poderia ser interpretado como um rosnado, fechando os olhos. Bateu a cabeca no braço do sofá, então tirou os óculos.

= Quer parar de tocar? Eu não estou te vendo! - fitou a bolsa, tendo a visão borrada. Ela sorriu e estava fechando os olhos para dormir, quando o telefone fixo comecou a tocar. Beatrice soltou meia duzia de palavroes, enquanto levantava-se.

Mal deu dois passos, quando as pernas bambas, a fizeram cair ao chão. Engatinhando, Beatrice foi até onde o telefone estava. Pegou-o e encostando-se na parede, esticou as pernas, sentada, enquanto fechava os olhos.

Se isso for um trote, tenha certeza que na primeira hora da manhã, eu vou registrar uma queixa na delegacia. E você vai ter um belo....

- Senhorita Schineider? Estou falando com Beatriz Schineider? - os cabelos do pescoço de Beatrice arrepiaram-se. Do outro lado da linha, era um homem que falava.

- Depende. - Beatrice falou. A voz masculina era rouca. Beatrice suspirou com os olhos fechados.

= Depende?

- É claro que depende. Você não vai querer que eu pague pelos seus serviços, nesse momento, não é?

- Meus servicos?

- Cara, se você não trabalha para o tele-sexo, deveria considerar. Sabe, com essa sua voz, estou seriamente tentada a deixar de dormir para fazer certas coisinhas que...

- Eu trabalho para a sua prima Samira.

- Fernando? Desde quando que você tem a voz tão sexy que estou considerando...

- Não sou o Fernando. - ele pareceu estar começando a se irritar.

- Graças a Merlim. - uma expressão brincalhona surgiu no rosto de Beatrice. - Então você deve ser o Edward. Se você for tão gostoso quanto a sua voz é, como foi que a Samira não arrastou você para a cama? E não amarrou e...

- Que? - ele parecia não acreditar no que ouvia.

- Sabe, é bem divertido. Se você concordar, eu saio daqui e vou já para aí para...

- Voce não está querendo saber o motivo da ligação?

- Samira está precisando de um rim?

- Não.

- Catarina conseguiu permissão para desfilar sem roupas no carnaval? Sempre achei que a Samira iria matar a filha antes de deixar a louquinha fazer isso...

- Não. - o homem pareceu relaxar por um momento. - é a respeito de Otto. Ele está morrendo.

- Coitado do demonio. O velho vai tirar o trono e a chibata do capeta em dois tempos.

A voz do outro lado ficou muda por um tempo.

- Você está falando igual ao Samuel.

- Bem, talvez seja porque nem eu nem o Samuel caimos no estilo velho rabugento adoravel que Otto faz. A gente talvez veja Otto como o demonio que ele é.

- Eu não sei o que você tem contra o seu avô.

- Eu não rezo por ele e talvez a única coisa que eu sinta falta, a respeito dele, seja das discussões que temos. Tirando isso...

- Catarina me fez prometer, que convenceria você a vir, pois Otto está verdadeiramente mal.

Beatrice bateu a cabeça na parede.

- Bem, se eu tiver uma... motivação, digamos assim, talvez eu me sinta empolgada a ir ver o velho.

- Motivacao?

- Obvio. Que tal você amarrado em uma cama, só usando botas de caubói?

Beatrice ficou em silencio, esperando a resposta, que do nada, foi o barulho do telefone, indicando que do outro lado tinha desligado.

- Ele desligou na minha cara? - Beatrice questionou-se, olhando para o bocal do telefone, enquanto piscava. - Cara de personalidade. Samira está precisando de um assim. Onde foi que eu deixei o pó de flu?

Ficou olhando para a sala, sem enxergar realmente, lembrando que deixara o pote na cozinha. Engatinhando foi até lá e com dificuldade ficou de pé, pegando um pote de ceramica, em formato de cogumelo, que enfeitava a pia.

Apoiando-se nas paredes, voltou para a sala e, depois de jogar sua bolsa no ombro, colocou o artefato em cima da lareira, pegou uma boa quantidade de pó e sentou-se sem a menor elegancia dentro da lareira.

Jogou o pó para cima, gritando o lugar ao qual pretendia ir. Saiu da lareira rastejando, encontrando um par de pernas cobertas por calças de moletom. Erguendo o olhar, percebeu Catarina a olhando chocada, usando um blusão rosa e até mesmo uma touca de lã na cabeça

- Tia Bia? A senhora está bem?

- Vou estar... se você ajudar a achar um casaco para mim e... um par de sapatos. Por que eu não lembrei de botar os meus sapatos? - Beatrice pediu olhando para os pés, ainda de gatinhas.

- Porque você está bebada. - Catarina falou o õbvio, ainda não acreditando nos próprios olhos.

- Você não tem ideia do dia que eu tive. - Beatrice apontou o dedo para a adolescente, enquanto falava de maneira grogue. Catarina revirou os olhos.

- O bebum da esquina é mais engraçado que você. - Catarina pegou o braco de Beatrice, ajudando-a a levantar-se.

- E o seu inglês está perfeito. - Beatrice assentiu com a cabeça.

- Mérito do Eddie. - Catarina colocou Beatrice sentada na cama. - E o que coisa depravada você falou para ele, que saiu batendo a porta, jurando que não queria te conhecer de jeito nenhum?

- Catarina, você me conhece. Que tipo de coisa depravada eu falaria para alguém que eu nem conheço?

A adolescente fitou Beatrice atras dos oculos severos, então suspirou.

- Bom, a mamae disse que o Otto estava muito mal.

- Já vai tarde o demonio. - Beatrice bocejou, começando a se deitar.

- De jeito nenhum que você vai dormir agora! - Catarina obrigou Beatrice a se sentar. - Voce deixou um casaco aqui. Qual o tamanho do seu pé?

- Meus pés possuem o tamanho ideal para a minha estrutura física. - Beatrice falou e então assentiu.

- Que vontade de enfiar a mãonessa cara bebada... - Catarina resmungou, enquanto abria o guarda-roupa e retirava o sobretudo vermelho que Beatrice deixara, a alguns anos já. - Ele só tem um cheirinho caracteristico de naftalina, mas disso não tenho culpa. - Catarina entregou o casaco para Beatrice, que a encarava sem dizer nada. - Vou pegar um tenis da mãe e um par de meias dela. A senhora NÃO se deite e NÃO durma, entendeu bem?

Beatrice assentiu. Catarina saiu a passos rápidos do quarto enquanto Beatrice balançava a cabeça. Mandona e com coração grande, Catarina se parecia muito com todos os Schineiders. Porém, quando a menina a encarava, Beatrice lembrava-se muito do pai dela.

E como não iria conhecer ele? Afinal de contas...

muito bem, aqui estão eles. - A morena ajoelhou-se, depois de perceber que Beatrice não havia vestido o casaco. Comecou a colocar as fofas meias amarelas nos pés de Beatrice, em seguida calçar os tênis roxos que Samira adorava. - Vou ter que fazer tudo?

Com a sobrancelha erguida, Catarina colocou as mãos na cintura.

Foi a melhor coisa que o seu pai fez, Catarina. Ter quase obrigado a sua mãe a vir para cá. - Beatrice colocou a mão no braço da jovem. - Ele pode ter feito a escolha mais podre que poderia ter existido, quando aceitou que colocassem a marca negra no braço dele. Mas daí, ele não teria tido motivos para ir para a Espanha... E você não iria ter nascido.

- A senhora está muito bebada para falar sobre coisa séria. - Catarina falou, enquanto pegava o casaco e enfiava em Beatrice.

- O babaca das trevas não teria se importado se soubesse que havia uma criança. Ele mandaria matar a sua mae, mesmo grávida, se desconfiasse que o seu pai já não agia a favor dele. - Beatrice pegou a bolsa, quando Catarina puxou-a para levantar-se.

- É mesmo?

A adolescente pediu meio arrastando a madrinha, que apoiava-se nela, saindo do quarto e passando pelo corredor.

- É sim. Você não imagina a surpresa, quando eu entrei na casa de Otto e o seu pai estava lá, de pé, discutindo com Otto, que não queria aceitar a sua mae ali. Quando chamei o seu pai pelo nome e Otto me pediu se a gente se conhecia, eu respondi que tinha tido o prazer de atormenta-lo por seis anos... Que só parei porque tinha me formado.

- Otto deve ter ficado bastante curioso. Cuidado com o degrau. - Catarina falou, quando comecaram a descer pelas escadas.

Claro que ficou. Pediu mais detalhes... Quem não gostou muito foi a sua mãe, que ficou bastante surpresa, com a coincidencia do seu pai e eu nos conhecermos. Quando ele pediu pela moto de Sirius e eu disse que eu tinha conseguido promover o encontro romantico dela com um caminhão, que foi amor a primeira vista, juro que ele ficou branco, imaginando Sirius sabendo da noticia. O fato de eu andar com muletas pareceu bastante natural então.

Elas já estavam no andar térreo, saindo pela porta, que Catarina apenas encostou. Fizeram silencio. Beatrice quase se arrependia de não ter pegado seus oculos, nem as lentes de contato. Tudo o que ela via eram borroes, mas no momento, apenas relembrava o primeiro encontro com Samira. A posterior amizade fora forjada especialmente nos meses de convivencia e nos anos de ajuda mútua.

- Tia Bia, lá está o Eddie. - Catarina apontou para uma figura meio distante, que Beatrice olhou, mesmo sabendo que não enxergaria o rosto. A ex-sonserina acenou e Catarina o chamou com era mão.

- Não largue o meu braço sob nenhum jeito. - Beatrice respirou o ar frio, sentindo como se agulhas entrassem em seus pulmoes. Abriu a bolsa, pegando a varinha. Quando Catarina apertou o seu braco, ela fez um volteio com a varinha, fazendo-as aparatar.

Quando o ambiente ao redor delas tomou forma, beatrice caiu como uma jaca podre no chão, vomitando. Catarina fazendo cara de nojo, deu alguns passos para tras. Estavam em um quarto de mobilia escura.

- A senhora está bem?

- Nunca mais... eu faço isso. - Beatrice falou enquanto limpava a sujeira com a varinha.

- Beber?

Não, aparatar estando bebada. - Beatrice sorriu, com a careta de Catarina.

Vamos logo, antes que o velho bata as botas e eu não possa dar risada com isso.

Beatrice falou, tentando erguer-se. Novamente Catarina foi em auxilio da madrinha, ambas saindo do quarto e indo em direcao a sala, que muito provavelmente, teria um bilhete, dizendo o endereco de onde Otto estariam.

Ambas tiveram uma grande surpresa, quando encontraram o suposto quase defunto, muito tranquilo, jogando cartas com Samira que ficou surpresa, ao ver a filha e Beatrice.

Ao ver o homem sentado, com a expressão mais que inocente, no rosto, Beatrice sentiu uma onda do mais puro ódio no peito. Sem hesitar, puxou a varinha e apontou para ele.

- AVADA KEDAVRA!





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