New Legends - Cavaleiros do Zodíaco escrita por Phoenix Matt Marques W MWU 27


Capítulo 98
A melodia fatal!


Notas iniciais do capítulo

Será que ainda chegaremos aos 100 capítulos?

Rina encontra o Guerreiro Deus Mime de Benetnasch e se surpreende com o poder do combatente musicista.



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Rina continuava a examinar as ruínas do templo em que se encontrava, quando ouviu algo intrigante.

Era uma canção suave. Apenas com o som de cordas que pareciam ser de harpa. Rina apreciou a música, mas ficou ainda mais intrigada. Não havia ninguém à vista; ela tinha certeza de que estava a sós com a neve.

Contudo aquela música estava em alto e bom som, e ela estava decidida a averiguar.

Ela andou em direção à música, dobrou um canto e parou.

Havia um rapaz belo, de armadura em vermelho-vivo e cabelo loiro, sentado sobre as ruínas do que outrora parecia ter sido uma sala de adoração. Parecia calmo, mas sua cosmo-energia imensa impunha respeito. Segurava um réquiem de tamanho médio. Havia uma safira de Odin presa em seu cinturão: um Guerreiro Deus de Asgard.

— Quem é você? – perguntou Rina timidamente.

— Mime de Benetnasch. A estrela Eta. – Ele respondeu sem abrir os olhos; sua voz era um tanto grave, mas era serena. – Dono das mais belas canções nórdicas.

Mime ficou em pé e abriu os olhos para visualizar Rina. Por algum motivo, deu uma risadinha.

— Uma garota? Uma amazona... E de Andrômeda! Deve ser alguma brincadeira do destino – os olhos dele brilhavam enquanto ele falava. – Só me falta que você seja...

— O quê? – disse Rina, notando que Mime havia deixado a frase no ar.

O outro deu de ombros.

— Nada importante. Mas já que está aqui... Não vejo motivo para não dar um fim em você logo.

Sem aviso, Mime recomeçou a tocar. Sua música, porém, não era mais suave. Era pesada e grave, parecendo ecoar intensamente nos ouvidos de Rina. A garota ficou ligeiramente tonta. Instintivamente, ela agarrou as duas pontas de sua corrente.

Na mesma hora, a corrente cercou Rina, protegendo-a de todos os ângulos. Mas a música continuou a incomodá-lo e ela quase se desequilibrou.

— Sua corrente é inútil – falou Mime em meio à melodia. – Minha canção é fatal para quem a ouve. Posso confundir seus sentidos até te enlouquecer. Este é o poder do meu RÉQUIEM DE CORDAS.

Rina sentia as bases tremerem e viu que Mime estava certo. Mas isso não a faria sucumbir.

Rina afrouxou as correntes, que deixaram de girar em torno dela.

— As correntes não são minhas únicas armas – disse ela. – Mime, você sentirá a força feminina e grandiosa de Andrômeda.

Mime olhou-a um tanto intrigado. Rina concentrou-se nas profundezas de seu cosmo.

TEMPESTADE NEBULOSA!!

O ar frio do norte ficou paralisado. Ela pôde perceber o Guerreiro Deus imobilizado, sem saídas. Então a tempestade de Rina se liberou e jogou Mime para o alto.

Rina teve a certeza da vitória. O orgulho que ela sabia que herdara do irmão apoderou-se dela; Mime não poderia humilhá-la.

Então ela notou um fio brilhante preso a uma rocha. Rina olhou para o alto.

Mime, suspenso no ar, segurava firmemente o réquiem. Das cordas do instrumento pendia o fio brilhante visto por Rina. Ela reparou melhor e viu que havia vários outros fios se estendendo da harpa e que haviam se prendido a pedras ou pedaços das ruínas do antigo templo. O Guerreiro Deus sobrevivera à Tempestade Nebulosa.

O espanto e a incredulidade de Rina fizeram a força dos ventos cessarem. Mime desceu suavemente, amparado por suas cordas, até o solo.

— Foi muito ingênua ao pensar que sua simplória tempestade pudesse me derrotar – declarou ele em tom orgulhoso. Rina sentiu seu próprio orgulho se esvair. – Mas já foi o suficiente. Você tentou matar Mime de Benetnasch. Acendeu minha ira.

Mime soltou uma nota rápida e suave no réquiem. Um pequeno brilho de luz surgiu no objeto. Mime passou a mão pelas cordas.

No mesmo instante, várias rajadas luminosas saíram em disparada da harpa e foram de encontro à amazona.

Rina não teve tempo de ver o que ocorrera; o choque por ter visto alguém derrotar sua técnica mais forte ainda tomava conta dela. Ela só sentiu a queimação quando as luzes passaram numa rajada por ela. Rina tombou no chão.

Mime deu uma risadinha, satisfeito.

— Estava claro desde o começo – disse ele, seu orgulho visível a cada sílaba. Parecia tê-lo sugado de Rina. – Seu mestre Shun foi muito ingênuo quando me enfrentou. Você me pareceu mais ingênua ainda, porque não hesitou em me atacar. Não pode vencer meu réquiem. Vou mandá-la para o céu...

E ele recomeçou a tocar, numa canção rápida e aguda. A cada nota, as cordas se esticavam para fora do réquiem, sem se partir.

As cordas saltaram na direção de Rina e foram se prendendo nela rapidamente. Rina tentou acionar a corrente, mas as cordas do réquiem já haviam se apertado em suas mãos.

Mime coordenava o movimento das cordas tocando no réquiem; um maestro para uma orquestra assassina. As cordas ergueram Rina do chão, deixando-a de frente para o Guerreiro Deus músico, e postaram-na diante daquele que queria matá-la.

— Que desperdício! – exclamou Mime fingindo lamentar. – Um rosto tão lindo... Se não fosse minha oponente, se não fosse o desejo do imperador Hades, talvez eu te deixasse viver se apresentasse sua rendição a mim...

Rina não deu atenção a Mime, até porque estava mais ocupada em se soltar das cordas, mas estas a apertavam com mais intensidade e força.

De repente a melodia de Mime foi ficando num ritmo lento. As cordas haviam conseguido se enrolar em quase todo o corpo de Rina, até chegarem a enrolar-se sobre o pescoço dela como uma cobra venenosa.

— Chegou a hora do gran finale – anunciou Mime teatralmente e sombriamente. – Adeus, Andrômeda.

Mime deu um levíssimo toque numa das cordas do réquiem, a mesma que envolvia o pescoço de Rina. Como se ganhasse vida, a corda começou a se agitar. Uma saliência da corda, brilhante, flutuou rapidamente sobre a corda, com um som de navalha. Rina logo entendeu que aquilo iria decepar sua cabeça. Fechou os olhos, aguardando o pior.

Sua cabeça já estava girando, perdida num redemoinho. Iria tudo terminar ali. Depois da Guerra Galáctica, dos Cavaleiros Negros, dos Cavaleiros de Aço que a haviam feito perder a paciência várias vezes, das Doze Casas duramente atravessadas, dos Cavaleiros de Prata e de Ouro ressuscitados, enfrentados e derrotados, a morte vinha finalmente levá-la.

Mas, enquanto percebia a corda se apertar com mais força em seu pescoço, indagou consigo mesma se aquele era realmente o fim. Não tinha uma deusa? Ela deveria salvá-la... E seus amigos? Eles deveriam, poderiam salvá-la...

Então, como num piscar de olhos, algo rubro voou até a corda e atingiu certeiramente a corda que prendia o pescoço de Rina.

Ouvindo o barulho da corda se cortando, Rina abriu os olhos. Só teve tempo de visualizar rapidamente o objeto que salvara sua vida: uma pena pequena, vermelha e brilhante.

Logo em seguida, chamas se materializaram do nada e cobriram as cordas esticadas do réquiem que prendiam Rina. Mime, que apertara os olhos para enxergar a pena, recuou ao ver as chamas. Pela expressão em seu rosto, não estava assustado, mas confuso e irado.

Rina se arrastou até o pé de um pilar destruído, os restos de cordas ainda a envolvendo. Sua armadura havia se rachado em alguns pontos. As chamas se sobrepunham atrevidamente ao ar frio e à neve.

Então Rina sentiu uma energia cósmica poderosa irrompendo no local. Deduziu que Mime também a sentira, pois sua expressão demonstrava apreensão.

Instantaneamente, a energia cósmica pareceu explodir e as chamas sumiram, após consumirem as extensões da corda do réquiem. Um homem surgiu, andando até ficar próximo à cena, entre Rina e Mime.

Não havia como confundir aquela armadura azul e cinza. Era Matt de Fênix.

Mime parecia ter atingido o auge de sua fúria.

— Quem é você?? – bradou ele.

— Matt, o cavaleiro de Fênix.

Os piores temores de Mime pareceram vir à tona. Ele fuzilava Matt com um olhar de ódio contido. Não piscava. Matt, também, encarava Mime sem pestanejar. No rosto dele, Rina notou uma emoção que ela nunca vira o amigo demonstrar. Não era ódio nem fúria, como ele costumava reagir à presença de um oponente: era desprezo. E pelo que Rina podia constatar do rosto de Mime, o sentimento era recíproco.


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