New Legends - Cavaleiros do Zodíaco escrita por Phoenix Matt Marques W MWU 27


Capítulo 97
Fogo na Terra Congelada


Notas iniciais do capítulo

Diante de um local atípico e destoado do restante de Asgard - um poço de lava - Thiago de Cisne precisa superar suas limitações e recorrer a novas habilidades diante do Guerreiro Deus Hagen de Merak.



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Thiago de Cisne se aproximava da floresta. O ar frio do norte o envolvia, e ele o inspirava, recordando-se dos anos que havia passado naquelas terras.

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Matt de Fênix continuava andando pela estrada real de Asgard. Conduzia diretamente ao palácio Valhalla, porém, era também o caminho mais longo para alcançá-lo. O garoto não via nada ao seu redor que não fosse branco. A neve o cercava e quase queimava os seus olhos. Não estava acostumado a ver tudo em branco.

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Rina de Andrômeda havia chegado às ruínas de um antigo templo. Não parecia haver ninguém ali.

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Thiago parou de andar. Havia alcançado a orla da floresta de Asgard. As árvores conseguiam conservar suas folhas mesmo com o clima frio. Ele hesitou.

Nesse momento, um cosmo surgiu. Um homem saltou de trás de uma rocha. Usava uma armadura vermelha, com pontos negros sombrios destacando uma presença maligna em seu cosmo; seu elmo tinha o aspecto de um cavalo e sua ombreira direita também. Em sua cintura, uma safira de Odin brilhava. Um Guerreiro Deus.

— Bem-vindo a Asgard, cavaleiro de Atena – disse ele, fazendo uma pequena reverência. – Sou Hagen de Merak, a estrela Beta.

— Sou Thiago, cavaleiro de bronze de Cisne – disse o outro, encarando o Guerreiro Deus. – Ficaria muito grato se você me desse a sua safira de Odin.

— Isto é impossível – retrucou Hagen. – Devo proteger a safira de Odin com minha vida. É o desejo do imperador Hades.

— Nesse caso, não vejo outra saída se não enfrentá-lo.

— Rá! – exclamou Hagen. – Pode vir, Cisne.

— Como quiser. PÓ DE DIAMANTE!! – disse Thiago.

PODER CONGELANTE!! – disse Hagen.

Os dois golpes se chocaram. Gelo contra gelo, ambos na mesma intensidade, nenhum dos dois conseguia superar o outro. Por fim, os dois suspenderam os golpes.

— Parece que não haverá vencedor – comentou Thiago.

— É mesmo – disse Hagen. Sua voz era calma e decidida. – Pelo menos, não dessa forma.

— Então, só nos resta continuar a lutar até que um de nós queime seu cosmo com mais intensidade do que o outro – disse Thiago, no mesmo tom sereno.

— Eu não teria tanta certeza disso, Cisne – disse Hagen, e, sem aviso, virou-se e disparou na direção da rocha da qual surgira, desaparecendo atrás dela.

Thiago, espantado, foi até a rocha. Era enorme. Atrás dela, havia um túnel que parecia levar a uma caverna subterrânea.

Sem hesitar, vendo que não tinha opção, Thiago desceu o túnel escorregando. Não foi uma descida longa nem desconfortável; em menos de cinco minutos, já havia aterrissado sobre um solo rochoso.

Mas assim que ele pisou na rocha, sentiu um calor escaldante lhe cercando. Olhou em volta. A rocha estava cercando um poço de magma fervente; provavelmente era a lava de um vulcão em atividade. Havia uma pedra enorme no meio do lago de lava. Sobre a pedra estava Hagen, esperando por ele com cara de quem estava gostando da situação. Thiago notou que estava suando muito. A armadura de Cisne parecia mais pesada. Sua visão também começou a ficar embaçada de repente. Sua mente, por sua vez, estava embaralhada e confusa.

— Como é possível... – berrou ele com a voz pesada, quase rouca. – Como é possível que você não se sinta mal com todo esse calor? Sendo um Guerreiro Deus?

— Isso? – riu Hagen com gosto. – Eu treinei a vida inteira nessas cavernas de lava. Só assim a Robe Divina de Merak, a estrela Beta, pôde me escolher. Eu fui um guerreiros dos mais leais à princesa Hilda e ao grande Odin, Pai de Todos... Agora pretendo ser um dos mais leais, se não o mais leal, ao senhor Hades. E quem sabe, o mais forte também.

A cabeça de Thiago começou a pesar. Ele foi andando pela rocha, até que ficasse o mais próximo o possível de Hagen. O problema seria saltar para a pedra onde o outro estava. E se caísse na lava? Precisava pensar com calma. Mas o calor dificultava seus avanços.

Era Matt quem conseguia combinar fogo e gelo; era ele quem estaria mais preparado para enfrentar Hagen. Mas o amigo estava longe, e Thiago não sabia o quanto. Não podia chamá-lo, nem a seu irmão, nem a Rina ou Gustavo. Tinha que se virar sozinho. Mas como?

Não lhe ocorrera em nenhum momento, ao entrar no túnel, que haveria fogo naquela quantidade na terra de Asgard. Os dois anos que havia passado visitando a terra nórdica não lhe haviam mostrado essa característica da região. Inexplicavelmente, ele ouviu um barulho que o tirou do rumo dos pensamentos.

Hagen, ao ver que o cavaleiro tentava chegar o mais próximo possível da pedra, saltara sobre a lava e agora estava frente a frente com Thiago, talvez para saborear mais ainda a humilhação do oponente.

— Agora, Cisne, vou te mostrar meu verdadeiro poder.

Ele começou a fazer um gesto largo com os braços. Um floreio. Que pareceu a Thiago estranhamente familiar...

O garoto teve a sensação de mergulhar numa volta ao tempo... Vislumbrou um círculo gigante de fogo. O primeiro pensamento de Thiago, na fração de segundo que demorou para Hagen atacar, concentrou-se nos golpes de Matt. Mas descartou-os. Em seguida lembrou-se de Gildson com a armadura de Câncer. Mas também não era isso. Então a luz da memória aflorou em sua mente.

Um vale entre montanhas. O clima ameno e mediterrâneo. Uma garota de cabelo castanho, com uma armadura branca e rósea, com a agilidade de um tigre voraz. A imagem se formou perfeitamente em sua mente.

Era o mesmo golpe supremo utilizado por Fernanda de Fogo. A única amazona de Aço que havia feito os Cavaleiros de Bronze suarem e tremerem de fato. Era a mesma técnica, como Thiago percebeu tarde demais.

RAIO DE FOGO!! – berrou Hagen em meio ao calor.

E Thiago sentiu a mesma agonia que Matt sentira ao enfrentar sua ex-rival e agora ficante. Ele conhecia o golpe de Fernanda por causa do relato do próprio Matt após enfrenta-la pela segunda vez, durante a revolta dos cavaleiros de Aço. Uma cruz invertida de fogo atravessando-lhe o tronco. A força de um galope de cavalo com o corpo em chamas.

Thiago caiu, fraco, no solo rochoso. Acima dele, Hagen ria satisfeito.

— Eu soube que você tornou-se cavaleiro treinando aqui, nas terras geladas do norte – disse ele. – Muita ingenuidade, a sua, ao pensar que não havia fogo em Asgard!

“E agora o Cisne jaz aqui, na boca do vulcão, aos pés de Hagen de Merak, o senhor das chamas da terra do gelo!”

Thiago já não dava atenção a Hagen. Só havia algo a fazer: enfrentar Hagen de frente.

O Guerreiro Deus não acreditou ao ver que seu oponente havia levantado com tanta disposição.

— Ainda não se entregou? – zombou Hagen. – Você tem a cabeça dura, Cisne!!

Thiago ignorou. Manteve-se concentrado. Até estar pronto para recomeçar a batalha.

TROVÃO AURORA ATAQUE!! – disse Thiago.

Mas o ar congelado da aurora se aqueceu rapidamente devido ao calor, fazendo com que Hagen só sentisse o vento forte passar por ele sem derrubá-lo.

— Não pode usar o ar frio aqui em baixo, Cisne! – bradou Hagen. – A lava vai deixar o ar quente! Você perdeu a vantagem do ambiente quando me seguiu até aqui!

Mas o irmão de Betinho não ia se entregar.

CÍRCULO DE GELO!! – bradou Thiago com ainda mais vontade. – KHOLODNYI SMERCH!!

Pela segunda e pela terceira vez, o ar frio esquentou e não envolveu Hagen. Este continuava a rir-se das tentativas fracassadas de Thiago em atingi-lo.

— Vou acabar com seu sofrimento, Cisne!! – disse Hagen, retomando sua posição.

Mas o cavaleiro de Cisne acreditava, no fundo do coração, que havia um jeito de vencer. Precisava continuar a queimar o cosmo, mas de que maneira? Pense, pensou ele duramente, vamos, pense em algo...

Foi como se uma chama se acendesse dentro dele. O sangue dos cavaleiros de Ouro na sua armadura de bronze pareceu ferver com mais intensidade do que a lava do vulcão. Thiago via a luz no fim do túnel para sair daquela situação. Sabia o que fazer.

Não eram somente Matt, Gustavo e Rina que haviam aprendido a usar técnicas diversificadas das de suas armaduras. A inspiração do sangue dos cavaleiros de Ouro também ajudou Thiago nesse momento.

CÓLERA DOS CEM DRAGÕES!! – berrou Thiago, absorvendo um pouco dos ensinamentos que lhe haviam sido passados pelo cosmo da Armadura de Libra, quando ele a utilizou para enfrentar Saga de Gêmeos.

O ar frio veio com toda a umidade possível, ou até mais. O Raio de Fogo de Hagen não pôde ser lançado; o vento derrubou-o com o impacto de cem dragões. Não havia sido à toa que a Armadura de Libra havia protegido Thiago quando a Armadura de Cisne fora destruída, lá na Guerra do Santuário, contra os antigos Cavaleiros de Ouro. (Libra era o signo de Betinho, o irmão de Thiago; curiosamente, Betinho não tinha sido protegido pela armadura do signo de Thiago, que era de Áries, durante a batalha contra Saga de Gêmeos; mas ele tinha sido protegido pela armadura de Gêmeos, que havia se voltado contra seu antigo senhor para que sua face má, instigada por Hades, fosse novamente derrotada). Thiago sorriu satisfeito ao ver a cara de espanto de Hagen.

— Aha. Então ainda tem trunfos? – debochou ele. – Bom, agora fiquei com mais vontade de acabar com você!

— Eu seria mais humilde se fosse você – disse Thiago, recuperando a voz. O golpe dos dragões havia suavizado o calor e esfriado sua garganta. Mas ele sentia a luz vindo; o golpe de misericórdia ainda estava por vir.

— O senhor do fogo e do gelo não será derrotado por um garoto metido a gênio! – bradou Hagen. – Tenho o imperador Hades comigo!

— E eu tenho a deusa Atena comigo. Quase dá no mesmo.

Com essas palavras, Thiago conseguiu finalmente encolerizar Hagen. O Guerreiro Deus abandonou sua pose serena. Parecia-se, agora, com um verdadeiro cavalo nórdico feroz, pelo menos no olhar.

— Já chega! – bradou Hagen. – Isso termina aqui! RAIO DE FOGO!!!

REVOLUÇÃO ESTELAR!!! – berrou Thiago.

E a luz veio. Saiu de Thiago e se sobrepôs ao calor, ao fogo de Hagen, envolvendo os dois e toda a lava escaldante.

Matt tinha o signo de Aquário e a proteção da constelação de Leão por parte de seu mestre Ikki. Rina tinha a proteção de Virgem, por parte de Shun, e o sangue de Escorpião, herdado do irmão. Gustavo tinha proteção de Capricórnio e Libra, ambas fornecidas por seu mestre Shiryu (como ele ainda era capaz de executar a Excalibur, ele também fornecia a proteção de Capricórnio para o discípulo, mas Gustavo também havia recebido de Javi e Shura, cavaleiros de Capricórnio, o direito de usar a Excalibur). Betinho contava com a proteção de Sagitário, vinda de Seiya, e de Gêmeos, emprestada por Saga e Kanon. E Thiago tinha a proteção de Aquário, Libra e Áries, este último sendo seu signo de nascimento. Todos eles eram assim.

Hagen nem teve tempo de esboçar reação. A luz cortou o Raio de Fogo em várias labaredas pequenas, minúsculas. O Guerreiro Deus voou contra o teto de rocha e bateu nele com força. Caiu em seguida no solo.

Thiago foi até o adversário caído após contemplar a luz por alguns instantes. Localizou a safira de Odin no cinturão de Hagen. Tirou-a e meteu no bolso.

Então ele ouviu o barulho de rochas se partindo. A caverna ia desmoronar.

— Corra, Cisne.

O fiapo de voz que Hagen soltou quase assustou Thiago, que olhou confuso para o outro. Algo negro escorria de Hagen, meio líquido meio gasoso.

— Vá depressa. Deixe-me. – A voz dele ficava cada vez mais rouca, como se fosse sumir. – Vá lutar pelo planeta. Vá lutar por seus ideais. Vá e lute por mim... Lute por todos, Cisne...

— Mas, Hagen...

— Depressa... Não morra...!

Parecia não haver jeito. Contudo, Thiago sentia que o outro ia ficar bem. E a caverna estava fazendo mais barulho ao ruir; havia pedras caindo na lava.

Sem olhar para trás, ele desatou a correr. E não parou até se ver são e salvo na floresta. Pensou ter ouvido um grito ao longe junto com o barulho das pedras caindo no fundo da caverna de lava.


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