New Legends - Cavaleiros do Zodíaco escrita por Phoenix Matt Marques W MWU 27


Capítulo 2
Conhecendo os novos cavaleiros de Bronze: entrevistas com Tatsumi


Notas iniciais do capítulo

Pessoal como eu já havia postado esse capitulo antes decidi recolocá-lo logo.


Tatsumi decide entrevistar cada um dos novos Cavaleiros de Bronze para descobrir suas motivações de cavaleiro.



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Tatsumi acordou cedo no dia seguinte por hábito, e vestiu rapidamente seu terno, embora fosse passar a maior parte do dia na mansão. Desceu para tomar café, e não se espantou com a pontualidade dos cavaleiros ao se dirigirem ao salão. Tinham se comportado bem no jantar do dia anterior, o que fez Tatsumi repensar sua primeira impressão do grupo. Não era comum um grupo de jovens da América Latina comportar-se adequadamente num jantar japonês.

Um a um eles foram se acomodando à mesa e servindo-se educadamente. “O treinamento deve tê-los tornado pessoas melhores”, pensou Tatsumi. As entrevistas iriam começar após a refeição, e o diretor finalmente poderia conhecer melhor cada um dos cavaleiros.

Enquanto comia, ele passou os olhos pelos jovens. Apesar de virem do mesmo país, formavam um grupo bastante heterogêneo. Mesmo aqueles que eram parentes conservavam muitas distinções na aparência.

Alguns garotos já haviam terminado de comer quando Tatsumi baixou os talheres. O diretor se levantou e anunciou:

— Agora começaremos as entrevistas. Aguardem aqui no salão enquanto esperarei vocês naquela sala. – Ele apontou para uma pequena sala anexa ao salão.

Isabella, a assistente, surgiu no corredor e entregou uma lista para Tatsumi – a mesma que ele estava segurando no dia anterior e que havia mostrado aos agentes.

— Isabella irá chamá-los na ordem em que aparecerem na lista. As entrevistas não terão uma duração específica, portanto alguns de vocês podem ter que responder mais perguntas do que os demais.

Tatsumi se dirigiu à sala e sentou-se na escrivaninha. Com um gesto, sinalizou para que Isabella chamasse o primeiro da lista.

— Betinho Mendes!

...

...

O primeiro cavaleiro sentou-se defronte a Tatsumi no pequeno escritório. Era negro, de estatura mediana, cabelo com corte militar e castanho, e olhos escuros. Tinha o aspecto de quem havia perdido muito peso recentemente¹¹³; não era exatamente gordo, mas sua silhueta atual deixava suas roupas meio folgadas. Usava um calção de praia e uma camisa regata.

— Sr. Mendes – começou Tatsumi. – Tenho o prazer de lhe dar as boas vindas aos Cavaleiros de Atena de forma oficial.

— Obrigado, senhor.

— Diga-me, rapaz, qual é a sua armadura?

— Pégaso.

— Ah. Então você é o aprendiz do Seiya.

Ele assentiu. Esse pode ser promissor, refletiu o diretor.

— Sua idade?

— Dezessete anos.

— Data de nascimento.

— Doze de outubro. Dia da Criança no meu país.

— Onde nasceu exatamente?

— Em Natal. É uma cidade no Nordeste do Brasil...

— Conte-me sobre seu treinamento – inquiriu Tatsumi.

Betinho se mexeu desconfortavelmente na cadeira.

— Hm, eu não comecei meus treinos na Academia, se é isso que está querendo saber.

A Academia era um local onde os aspirantes a cavaleiros começavam seus treinamentos antes de serem designados para os diversos locais do globo onde repousavam as armaduras. Geralmente o local recebia crianças e pré-adolescentes. Havia uma sede da Academia em Tóquio, mas havia filiais ao redor do mundo, como nos Estados Unidos, na Grécia e até no Brasil. “De onde esses jovens provavelmente vieram”, ponderou Tatsumi.

— Não passou pela Academia, eh?

— Fui treinado pelo meu pai quando era criança – Betinho apressou-se a dizer. – Eu, meu irmão, e meus primos.

— Quem é seu pai?

— Berto, da constelação de Coroa Boreal.

Oh, um cavaleiro de Prata! Tatsumi estava ficando cada vez mais interessado na ficha do jovem. Isabella anotava todas as respostas de Betinho na mesma prancheta em que estava a lista com os nomes dos cavaleiros.

— Entendo. Então seu pai é Berto. Hm. Posso ver a semelhança...

— Você o conhece?

— Conheço todos os cavaleiros, principalmente os mais experientes – disparou o diretor. – Para todos os efeitos, sou um assistente da deusa. Enfim, vamos continuar. Depois que foi escolhido para a armadura de Pégaso... Você treinou no Santuário, se não me engano.

— Sim, senhor.

— É bom que saiba, rapaz, que existe uma razão para que a armadura de Pégaso permaneça no Santuário quando está sem dono ao invés de ficar em outro lugar no mundo, como as demais. Essa armadura carrega grandes feitos, e todos os seus cavaleiros anteriores entraram para a história do Santuário. Seu mestre foi um deles.

— Se meu mestre era o cavaleiro de Pégaso, que armadura ele usa atualmente?

— Se ele não te contou, não sou eu quem vai te dizer. Podemos continuar? Pelo relatório que me foi passado, você não treinou apenas no Santuário.

— É verdade, passei dois dos seis anos na Turquia, nas ruínas de Tróia. Foi quando o mestre Seiya finalmente percebeu que eu tinha potencial para me tornar cavaleiro; aliás, aconteceu uma coisa engraçada lá que...

— E depois você voltou ao Santuário?

— Sim, senhor, ao final de dois anos nós regressamos, e eu enfrentei os outros candidatos à armadura na Arena Pegasus, onde a armadura repousava. Venci todos, e estou aqui.

— Perfeitamente. Conte-me, agora, se há alguma pessoa, real ou ficcional, em quem você se inspire.

— Hm, Stan Lee, o autor de histórias em quadrinhos.

— Da minha parte, isso é tudo, Betinho. Agora, se tiver alguma pergunta, é o momento certo para fazê-la.

— Senhor diretor, o que exatamente será esse evento ao que o senhor se referiu?

Tatsumi juntou as palmas das mãos e estudou o rosto do garoto.

— Por enquanto, basta que você saiba que nesse evento as habilidades dos novos cavaleiros serão testadas, e veremos se vocês estarão prontos para receberem responsabilidades maiores na ordem dos Cavaleiros.

Betinho olhou impressionado para Tatsumi, como se esperasse que ele dissesse algo mais. No entanto, o diretor permaneceu como estava.

— Se não tiver mais nenhuma pergunta, pode ir, Betinho – avisou o diretor.

— Sim, senhor – retrucou o cavaleiro de Pégaso, e fez uma reverência para Tatsumi antes de sair.

...

...

O segundo nome da lista era Matt Suárez. Isabella observou-o com interesse quando ele atravessou a porta do escritório, e só voltou os olhos para a prancheta quando o garoto sentou-se calmamente e quando Tatsumi ergueu as sobrancelhas.

Ao contrário de Betinho, que entrou e saiu do escritório com uma expressão tensa, Matt era completamente inexpressivo. Olhar para ele era como estudar uma parede, na concepção da Tatsumi.

Ele era um jovem alto, levemente bronzeado, de cabelo repicado, olhos negros profundos, com um rosto meio sardento e várias cicatrizes pequenas nos braços. Tinha o aspecto de quem já havia sofrido de desnutrição em algum momento no passado e recuperara a forma saudável apressadamente. E sua expressão era completamente opaca, sem transparecer emoções. Tatsumi concluiu que queria que essa entrevista fosse rápida.

— Hm. Bem-vindo oficialmente aos Cavaleiros de Atena, Matt – saudou o diretor.

— Obrigado – disse ele rispidamente. Olhava para Tatsumi como se tivesse uma leve repugnância pelo diretor e preferisse olhar para qualquer outra direção.

— Qual é a sua armadura, rapaz?

— Fênix.

— Aluno do Ikki, estou certo?

— Sim, senhor.

Tatsumi viu que suas esperanças de que a entrevista com o garoto fosse rápida estavam se esvaindo. A reputação da armadura de Fênix era um caso à parte dentre os cavaleiros. O traje esteve sem dono por muitos séculos, até que Ikki conseguiu derrotar seu mentor Guilty, o Cavaleiro de Demônio, na Ilha da Rainha da Morte. Tecnicamente, ele fora o primeiro cavaleiro a utilizá-la, mas a um preço muito alto. O jovem havia perdido as virtudes e caído na maldição que a armadura carregava, passando a levantar a mão contra pessoas que, no passado, haviam sido seus amigos, inclusive contra o irmão mais novo, Shun de Andrômeda. Mas Seiya e os outros cavaleiros de bronze haviam conseguido derrotar a má índole de Ikki e fazê-lo voltar a ser um verdadeiro cavaleiro. A maldição, porém, continuou viva na armadura, garantindo que Ikki conseguisse voltar à vida sempre que morresse em combate. O cavaleiro domou o espírito da maldição a seu favor, usando-o para melhorar seu desempenho em combate, o que fez de Ikki o cavaleiro mais forte dentre os cavaleiros de Bronze, ao lado de Seiya. Ikki não usava mais a armadura, por razões específicas, e agora seu pupilo era o novo guardião do traje. Tatsumi se perguntava quais seriam os efeitos da maldição atualmente e o quanto aquele jovem estaria sendo afetado por ela. Se havia algo a temer em Matt, era a Maldição de Fênix, mas o diretor tinha a impressão de que os demais cavaleiros não sabiam disso. Provavelmente, nem o próprio rapaz sabia.

Tatsumi se esforçou para continuar a entrevista sem demonstrar preocupação.

— Sua idade?

— Quinze anos.

— Data de nascimento?

— 25 de janeiro.

— Local de nascimento?

— Natal, Rio Grande do Norte, Brasil.

A mesma cidade do Betinho, refletiu Tatsumi.

— Agora, fale sobre seu treinamento.

Matt olhou para o teto, para o chão e de novo para Tatsumi. Parecia ter se interessado pela pergunta.

— Comecei na Academia, inclusive reconheço alguns desses novos cavaleiros daquela época – disse. – Fui selecionado para treinar para a armadura de Fênix. É estranho o fato de eu ter sido o único escolhido, quando a maioria das armaduras tinham vários candidatos. Enfim, o sensei Ikki me instruiu no arquipélago do Havaí, uma vez que a residência anterior da armadura, a Ilha da Rainha da Morte, não existe mais. Se não me engano, houve uma erupção há décadas que fez a ilha afundar.

— Perfeitamente – confirmou Tatsumi. – Você treinou em outro lugar que não no arquipélago?

— Sim, a maior parte dos meus dois últimos anos foram numa praia de Angola, onde eu e meu mestre ficamos isolados durante os treinos. Segundo ele, precisávamos variar os ares...

— E quanto a essas cicatrizes? – Tatsumi apontou para os braços do garoto.

Matt baixou o olhar por um instante, mas voltou a encarar Tatsumi com firmeza.

— Recebemos muitos visitantes indesejados durante os treinos no Havaí e precisamos nos defender em diversas ocasiões. Já levei cortes piores do que esses.

Tatsumi ergueu as sobrancelhas. Rapaz durão.

— Entendo. Diga-me, há algum indivíduo, real ou fictício, em quem você busca inspiração?

Matt alisou o queixo.

— Já que você disse fictício... Acho que o Aramis dos Três Mosqueteiros. Conseguia rezar pelas almas dos inimigos antes de derrotá-los implacavelmente.

— Ótimo. Isso é tudo, Matt. Se tiver alguma pergunta, faça-a.

O jovem cavaleiro deu de ombros.

— Para mim está tudo bem. Só espero, diretor, que o seu evento seja interessante. Já vi muita coisa dessa vida, e trouxe muito para mostrar além dessas cicatrizes, apesar de elas serem o meu orgulho de guerra.

Tatsumi tentou escolher as palavras certas para responder aquela frase imponente.

— Em nome da deusa a quem sirvo, jovem, garanto-lhe que nosso evento não será menos que desafiante para vocês.

Ele dispensou Matt com um gesto, e o garoto saiu.

...

...

— Thiago Mendes!

O terceiro cavaleiro entrou no escritório. Era da mesma altura que Matt e Betinho. Era negro, musculoso, de cabelo curto e escuro, e olhos negros cintilantes, como um galã de cinema afrodescendente. Tatsumi tentava imaginar que tipo de cavaleiro aquele jovem seria.

Thiago sentou-se defronte ao diretor e deu um sorriso discreto.

— De forma oficial, devo lhe parabenizar pelo ingresso aos Cavaleiros de Atena, Thiago.

— Obrigado, senhor.

— Qual é a sua armadura?

— Cisne.

— Seu mestre no treinamento foi o Hyoga.

— Sim, senhor.

Thiago respondia todas as questões rapidamente e sem pestanejar. Parecia disposto a causar uma boa impressão.

— Sua idade?

— Dezoito anos.

— Data de nascimento?

— Três de abril.

— Local de nascimento?

— Natal, Brasil.

Outro dessa cidade??? Tatsumi coçou a cabeça discretamente. Por acaso há uma colônia de cavaleiros lá?

— Parece-me, Thiago, que você é o irmão de Betinho.

— Sim. Mas é claro que eu puxei a beleza na genética.

Tatsumi ignorou o comentário.

— Sendo assim, você também foi treinado pelo seu pai, o cavaleiro Berto de Coroa Boreal.

— Sim, e de lá eu fui selecionado para a armadura de Cisne. Nossos primos, Elias, Cícero e Jonathan também foram treinados lá, e se tornaram cavaleiros. Inclusive, estão aí fora, na sala...

— Um momento – pediu Tatsumi, enquanto pegava uma caneta e anotava os nomes dos cavaleiros que Thiago dissera. – Pois bem, deixe que seus primos falem sobre o treinamento deles, e limite-se a contar o seu. Depois que foi escolhido...

— Fui enviado para a Sibéria. Treinei esmurrando geleiras. O mestre Hyoga me instruía a sentir o cosmo da armadura para encontrar a geleira onde ela estaria guardada. Depois de quatro anos eu a encontrei, e viajamos para a Escandinávia, onde o mestre disse-me que ficava a terra sagrada de Asgard. Pude ver como as pessoas que convivem 365 dias por ano com o gelo são calorosas e guerreiras. Em várias oportunidades estive em contato com os habitantes da área e ajudava-os nas suas atividades cotidianas. Foi uma experiência para o meu lado social como cavaleiro.

Pronto, agora Tatsumi havia ficado embasbacado com o rapaz. Ao começar a entrevista, a imagem de Thiago era de um jovem de espírito festivo e alegre, mas agora, o diretor enxergava o outro lado do garoto, uma face engajada e solidária.

Thiago não pareceu ter notado nenhuma alteração na expressão do diretor, pois continuou sua narrativa.

— As moças de lá também eram encantadoras. Enfim, depois de dois anos, o sensei Hyoga me levou de volta para a Rússia e informou que meu treinamento estava encerrado e que eu já era um cavaleiro digno. E cá estou.

— Pode dizer se há alguma pessoa, real ou fictícia, em quem você se inspire?

— Em Tony Stark, o Homem de Ferro – disse sem pestanejar.

Tatsumi ergueu as sobrancelhas mas disfarçou rapidamente a reação. Conhecia bem a reputação do personagem Stark, mas preferiu não comentar nada com o cavaleiro.

— Perfeitamente. Antes de dispensá-lo, Thiago, vou permitir que faça as perguntas que quiser.

— Hm... Meu irmão já deve ter perguntado sobre o tal evento – comentou o garoto, esperando uma resposta de Tatsumi. Como o diretor permaneceu impassível, ele prosseguiu em suas deduções: - O senhor, então, já deve ter respondido a ele. Mas, há apenas um detalhe que eu preciso saber. Seu evento será transmitido ao público?

Tatsumi ficou surpreso com a pergunta, mas concluiu que não estaria entregando nada se respondesse.

— Ah, com certeza, o público poderá assistir ao vivo, ou mesmo pela televisão. A Fundação Graad tem ótimos contatos nos veículos de mídia.

— Ah! Excelente. – Thiago se levantou e apertou a mão de Tatsumi repentinamente. – Sinto-me aliviado com essa notícia, senhor. Com licença.

E saiu do escritório deixando o diretor com a testa franzida.

...

...

— Gustavo Suárez!

Era a vez do quarto cavaleiro de bronze. Esse era um pouco mais alto que os anteriores, além de particularmente magricela. Tatsumi imaginou que ele compensasse o físico fragilizado com agilidade, devido ao pouco peso. Tinha olhos castanhos escuros e cabelo liso e negro, e uma pele clara. Tinha um ar de riso permanente, como se estivesse prestes a aprontar.

— Sente-se – ordenou Tatsumi, porque o garoto ficou esquadrinhando todo o perímetro do escritório após ter entrado. – Gustavo, devo dar a você, oficialmente, as boas-vindas aos Cavaleiros de Atena.

— Obrigado, senhor.

— Qual é a sua armadura?

— Dragão.

— Então você foi aluno do Shiryu.

— Correto.

— Sua idade?

— Catorze anos.

— Data de nascimento?

— Sete de julho.

— Local de nascimento? – Tatsumi perguntou isso imaginando que já sabia a resposta

— Natal, Rio Grande do Norte, Brasil.

— Pelo seu nome, Gustavo, eu creio que você seja parente do Matt.

— Somos primos – confirmou ele. – Mas acabamos sendo criados como irmãos, sabe. Ambos temos irmãos de sangue, mas já faz um tempo que não temos notícias deles. Os irmãos dele e os meus também tentaram se tornar cavaleiros.

— Interessante – ponderou Tatsumi. – Sabe dizer se eles foram bem-sucedidos?

Gustavo fez uma careta.

— Nem ao menos sabemos se eles ainda estão vivos... Mas espero que estejam – acrescentou com um sorrisinho.

— Claro – Tatsumi respondeu com um sorriso artificial. – Agora, fale-me sobre seu treinamento.

— Bom, eu designado da academia para as montanhas de Rozan, os “Cinco Picos Antigos” – ele fez as aspas com os dedos. – Mestre Shiryu me ensinou a fazer o fluxo de uma cachoeira se inverter e a dominar a técnica do Dragão de Rozan. Depois, ele me levou para Jamiel, no Tibete, para fazer um treinamento intensivo por um ano. Tive uns testes bizarros que, hm, prefiro nem comentar. Depois voltei para Rozan e tornei-me cavaleiro.

— Compreendo. Pode me dizer se há alguma pessoa real ou fictícia em quem você inspire?

— Oh, ele é muito real, embora já esteja morto: Bruce Lee! Em todas as minhas folgas eu assistia a um filme dele. Mestre Shiryu também é um grande fã. Quero conseguir, um dia, fazer os mesmos movimentos que ele faz nos filmes...

— Aham, muito bem, Gustavo – interrompeu Tatsumi. – Acabei a entrevista. Agora vou deixar você fazer as perguntas que quiser.

Gustavo refletiu por um momento.

— Hm... As perguntas que quero fazer... Veja bem, isso é relativo.

O diretor ergueu as sobrancelhas.

— Não estou entendendo.

— Veja, se você está me liberando para fazer as perguntas que quiser, está supondo que eu quero saber como será esse seu evento eminente. No entanto, está mais do que óbvio sobre o que acontecerá nesse evento, com todo o respeito, diretor.

— Ah, está mesmo?

— Claro. É evidente que o senhor vai pôr-nos para lutar uns contra os outros! Só assim testaria nossas habilidades, testando-nos com nós mesmos, cavaleiros de bronze!

Tatsumi ficou realmente confuso. Esse cara consegue ler mentes, por acaso??

— Hm, então o jovem não deseja saber como será o evento. Eu o subestimei, imagino. Ainda quer fazer alguma pergunta?

— Na verdade, sim. Já que pelo visto vou ter que enfrentar alguns dos meus futuros colegas, preciso saber se: a) vou ter que bater em mulher; e b) vou ter que bater no Matt. Primeiro porque no meu país é proibido agredir fisicamente uma mulher, e minhas raízes culturais ainda me seguram nesse ponto, embora só tenha uma menina entre os cavaleiros. E segundo porque não quero ter que machucar o Matt, apesar de saber que ele perderia feio para mim. Ele é meu único parente aqui e não quero feri-lo mortalmente a menos que seja extremamente necessário.

Tatsumi conseguiu reunir humor suficiente para rir. Aquele garoto o estava divertindo.

— Rapaz, o seu interesse pelo evento é tocante. Você é um cavaleiro de caráter singular.

— De caráter o quê?

— Quanto às suas indagações, receio não poder adiantar nenhuma informação. O jovem terá de esperar até amanhã...

— Amanhã? Nem me preparei psicologicamente ainda...!

— Até amanhã quando as atividades do evento começarem. Está dispensado, Gustavo.

Gustavo deu de ombros e se levantou, deixando o escritório.

...

...

— Rina Souza! 

A única menina do grupo entrou no escritório. Tatsumi estava particularmente ansioso para entrevistá-la, devido à atuação da moça no dia anterior, quando os cavaleiros haviam chegado. Contudo, a imagem da garota não era das mais emocionantes. Rina tinha uma estatura média, cabelo encaracolado negro e repicado, olhos castanhos e uma pele um tanto pálida¹²²¹, como se estivesse sofrendo de hipoglicemia. Ela não esperou ordem para se sentar, e ficou observando o diretor com uma expressão meio triste.

— Hm. Rina, quero lhe dar as boas vindas aos Cavaleiros de Atena.

— Obrigada, senhor.

— Qual é a sua armadura?

— Andrômeda.

— Seu professor foi o Shun, certo?

— Certo.

— Acredito que já esteja a par da nova determinação do Santuário a respeito das amazonas – disse Tatsumi.

Desde os tempos antigos, as amazonas não podiam mostrar o rosto, pois os Cavaleiros de Atena eram um grupo essencialmente masculino, e a beleza das amazonas poderia fazer os cavaleiros se apaixonarem. Se uma amazona deixasse um cavaleiro ver seu rosto, só restavam a ela duas opções: amá-lo ou matá-lo. No entanto, a deusa percebeu que a participação das amazonas nas guerras santas estava se tornado cada vez mais decisiva em favor do Santuário, e que estava ficando cada vez mais difícil impedir que os cavaleiros caíssem de amores pelas amazonas. Atena já havia sido obrigada a reconhecer uniões estáveis e casamentos entre cavaleiros e amazonas veteranos. Ainda havia muita vista grossa para namoros no Santuário, principalmente entre os cavaleiros jovens, mas a deusa reconhecia que as mulheres do Santuário já deviam ser tratadas de forma igual aos homens há muito tempo. Assim, o uso das máscaras tornou-se opcional para as amazonas, o que possibilitou que as armaduras masculinas tornassem-se neutras. Uma armadura como a de Águia, que requeria o uso da máscara, era adequada apenas para o sexo feminino. Porém, uma armadura como a de Pégaso, que não tinha máscara, podia agora ser alvejada tanto por um garoto quanto por uma garota. O número de garotas entre as aspirantes a amazona cresceu consideravelmente. Atena compareceu a uma reunião do Conselho Olimpiano para informar aos outros deuses de sua decisão. Como estavam em tempos de paz, os demais olimpianos acataram a decisão, embora alguns deuses estranhassem o fato de uma deusa estar mobilizando seu Santuário sem haver uma ameaça real de guerra. Mas Atena era a deusa da sabedoria; nenhuma de suas decisões era tomada ao acaso.

Com o fim do uso obrigatório das máscaras, Rina não precisou ser deslocada para o grupo de meninas que seriam transferidas para os locais de treinamento das armaduras femininas. Acabou ficando com Andrômeda que, apesar do nome, era uma armadura masculina. Ao ouvir as palavras de Tatsumi, ela assentiu levemente.

— Senhor, se me permite, achei que com essa nova decisão, o Santuário tornou-se um lugar mais democrático.

Tatsumi alisou o queixo.

— Sim, de fato. É bom saber que temos uma amazona politizada, ainda mais sendo uma das primeiras que obteve o direito de mostrar seu rosto.

Rina corou. Havia recebido um elogio do diretor. Isso a deixou mais animada, apesar de sua situação, e ela passou a prestar mais atenção na conversa.

— Sua idade?

— Quinze anos – respondeu ela.

— Data de nascimento?

— Quinze de fevereiro.

— Local de nascimento?

— Natal, no Brasil.

— Interessante, você é a quinta pessoa que eu entrevisto que diz vir dessa cidade.

Ela franziu a testa.

— Os outros meninos também são de lá?

— Sim. E creio que mais três rapazes que ainda não chamei também o são. Pelo menos vocês já tem uma coisa em comum além do fato de serem cavaleiros.

Talvez ela devesse ficar aliviada com essa informação, mas não sabia o que pensar a respeito disso devido à sua própria insegurança.

— Hm, eu soube por um fato que a minha família na verdade tinha origem em Pernambuco, então acho que é pouco provável que eu tenha tido algum contato com algum deles antes da Academia.

— Por falar na Academia, conte-me como foi seu treinamento depois de sair de lá.

— Hm, eu fui para a Ilha de Andrômeda, onde tive que enfrentar os outros candidatos, primeiro de maneira indireta em testes individuais, depois em combates diretos. Enfrentei, muitas vezes, o preconceito por ser a única garota entre os candidatos, mas venci e fui para a ilha da Sicília com o mestre Shun, e lá eu realizei o sacrifício de Andrômeda. Como obtive sucesso, conquistei a armadura.

Tatsumi tentava imaginar aquela menina de aspecto frágil acorrentada a uma rocha no meio do mar com a maré cheia, tentando se livrar das correntes sem se afogar. Era quase impossível na visão dele, mas, se ela estava ali contando que sobrevivera, ela devia ter dado um jeito de sair daquela situação.

— Não quis usar a máscara – acrescentou ela, apressadamente. – Acho meio difícil respirar com ela.

Ela parecia constrangida, mas o diretor apenas assentiu.

— Certo, está bem. Afinal, você tinha a liberdade de escolher mostrar seu rosto ou não...

Rina suspirou, menos tensa.

— Agora me diga se há uma pessoa, real ou fictícia, em quem você se inspire?

— Hm... – ela pensou. – Johnny Depp, o ator.

— Muito bem. Isso é tudo, Rina. Alguma pergunta?

— Hã, não, senhor.

— Pois bem, está liberada.

Ela se levantou desajeitadamente, e fez uma reverência muito respeitosa para o diretor antes de sair.


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Notas finais do capítulo

Obrigado pela leitura.



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