New Legends - Cavaleiros do Zodíaco escrita por Phoenix Matt Marques W MWU 27


Capítulo 132
Protejam o Santuário


Notas iniciais do capítulo

Gianfranco, Paulo, Marília, Diandra, o recém-chegado Suryudan e os Cavaleiros de Aço continuam se esforçando para defender as fronteiras do Santuário, enquanto aguardam pelo retorno dos Cavaleiros de Ouro, pelas ordens do Mestre Shion e pelo sucesso dos cavaleiros de Bronze que estão nos domínios de Poseidon. Tudo isso enquanto os demais cavaleiros de Bronze, de Prata e os cavaleiros do passado enfrentam outras ameaças nos demais pontos da fronteira do Santuário.

Enquanto isso, no Templo Submarino, Matt de Fênix se prepara para lançar seu último trunfo contra o General Dragão Marinho.



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            Enquanto Paulo os conduzia para o ponto oeste da fronteira, Gianfranco continuava a inquirir o recém-chegado.

— Conte-me, Suryudan... Qual é a sua origem?

— Bom, senhor Gianfranco, como eu já disse... Venho do Japão...

— Mas seu sotaque não me parece puramente nipônico – observou o cavaleiro de Cefeu. – Sua fisionomia também não.

— N-Não é, senhor... Meus avós nasceram no Brasil, em Espírito Santo. E depois vieram para o Japão. Tanto meu pai quanto minha mãe nasceram no Brasil, mas cresceram no Japão desde a infância.

— Entendo... É um japonês de origem capixaba. E você conserva o acento étnico de sua família mesmo após três gerações... É impressionante.

— Ahn... obrigado? Eu acho – murmurou Suryudan.

— Me lembra da minha situação um pouco. Eu nasci na Itália, mas cresci no Brasil desde cedo. Meus pais praticamente se tornaram um misto de italianos e pernambucanos. Minha sobrinha Rina nasceu no Rio Grande do Norte, mas também teve a influência pernambucana do lado dela. Fico encantado com essas misturas culturas. Enriquecem o ser humano – declarou Gianfranco, em tom filosófico. – Deveria conhecer meu amigo Leandro. Ele gosta de receber pupilos com origens étnicas diversificadas em seu curso intensivo...

            Gianfranco olhou de esguelha para Star Hill ao longe, ponderando sobre o paradeiro de Leandro.

— Mas isso é assunto para outra hora – disse ele, desviando-se do assunto. – Teremos muito para conversar posteriormente. Agora, temos que focar em...

— Pessoal – alertou Paulo de Órion. – Acho que Lauro estava certo.

            Ele apontou para a encosta. Lá embaixo, no litoral, havia vários canídeos negros, com olhos rubros fulgurantes; a maioria era do tamanho de rinocerontes, com alguns poucos do tamanho de cães convencionais, como rotweillers e mastins.

— E não é que são cães infernais mesmo? – comentou Gian em tom descontraído, enquanto algumas das feras começavam a tentar escalar a encosta. – Paulo, você e suas colegas podem ir à frente e começar a frear o avanço desses bichos. Suryudan e eu vamos aguardar...

— Senhor Gianfranco! Voltamos! – anunciou Marcolino de Lama, que vinha correndo em direção a eles.

            Atrás dele, vinha o seu grupo, que havia auxiliado os Cavaleiros de Bronze durante a Revolta de Aço: Bianca de Jaguar, Pedro de Tigre, Inácia de Jubarte, Beatriz de Urso Polar, Jadiel de Verme, Mello de Salamandra, Karinne de Plástico, Fael de Leopardo, Gabriella de Brilhante e Chiara de Furacão.

— Hm, excelente – comentou o italiano. – Marcolino, agora que chegaram... Quero que você e seu grupo deem cobertura a Paulo, Diandra e Marília enquanto eles vão à frente deter o avanço dos cães infernais. Eu ficarei aqui dando últimas instruções ao jovem Suryudan... Depois, ele se juntará a vocês.

— Afirmativo, senhor! – exclamou Marcolino. – Cavaleiros de Aço, vocês ouviram! Avante, e assumam suas posições para auxiliar nossos amigos!

            Marília acenou positivamente para o grupo, agradecendo pelo empenho deles. No instante seguinte, Diandra, Paulo e ela começaram a descer a encosta, indo ao encontro da manada de cães infernais. Os Cavaleiros de Aço se adiantaram até a borda da encosta e começaram a lançar golpes de longa distância contra as feras.

            Gianfranco chamou Suryudan para perto de si.

— Meu jovem, falemos sobre suas habilidades. Sua armadura é a de Boieiro, correto?

— S-Sim, senhor!

— Representa a constelação de mesmo nome, que por sua vez representa o pastor que conduzia, com os Cães de Caça, a Ursa Menor e a Ursa Maior na direção do polo Ártico – refletiu Gianfranco. – Portanto, uma constelação bastante ligada ao clima polar. E você é um elementalista de gelo.

— Hm... Exato, senhor, mas aonde quer chegar com...

— A meu ver, Suryudan, você ainda não alcançou seu potencial todo com as técnicas de gelo. Vi que você utiliza gelo atômico ao invés do gelo convencional, não é mesmo?

— C-Correto, senhor...

— Façamos um teste. Seus colegas estão concentrados naqueles cães infernais. Você notará que alguns deles são maiores do que os outros. Foque neles – instruiu Gianfranco, guiando o menino até a borda, onde estavam os cavaleiros de Aço.

— Claro, senhor... – disse Suryudan. O menino se concentrou: estendeu as mãos na direção dos cães infernais lá na base da encosta, que eram enfrentados arduamente por Paulo, Diandra e Marília. Alguns tentavam subir a encosta, se desgarrando do pelotão principal, mas eram detidos pelos golpes lançados pelos Cavaleiros de Aço.

            O garoto novato convocou o gelo e os ares gelados o máximo que pôde. Então, o gelo tomou forma em torno dele, e era um gelo atômico, como descrito por Gianfranco. O gelo pousou nas mãos estendidas dele, como se esperasse uma ordem. Suryudan mirou em alguns dos cães maiores, que poderiam estraçalhar um urso ou um hipopótamo, e que estavam longe de Marília, Paulo e Diandra, e que os Cavaleiros de Aço não estavam conseguindo alcançar com seus golpes.

— Vá em direção às feras que invadem o Santuário, ar do norte! Pó de Diamante!!

            Alguns dos Cavaleiros de Aço se viraram ao ouvir “Pó de Diamante”, já que era a principal técnica de assinatura de Thiago. Mas o golpe de Suryudan não lembrava em quase nada o ataque do Cisne: seu gelo se cristalizou, mas conservou o aspecto atômico; era quase como se estivessem vendo uma avalanche de neve atômica deslizando ao encontro dos cães infernais.

            O gelo atômico alcançou às feras, e as cobriu rapidamente. Logo haviam se transformado em estátuas de gelo em tamanho real. Os Cavaleiros de Aço se aproveitaram e atacaram sem cerimônia; em instantes, os cães congelados haviam sido reduzidos a pó.

            O grupo de Marcolino vibrou de felicidade, e alguns deles vieram cumprimentar Suryudan efusivamente. Gianfranco sorriu, satisfeito com o desempenho do garoto.

— Bom trabalho – disse o italiano, dando tapinhas no ombro do menino. – É um ótimo começo. Teremos tempo para aperfeiçoar sua técnica de congelamento depois.

— O-Obrigado, senhor Gianfranco.

— É oficial! Você agora faz parte da turma! – exclamou Marcolino, puxando ele para o meio dos Cavaleiros de Aço. – Aqui, meu bom homem. Ataque-os ao meu lado! Vamos fazer esses cães sarnentos desejarem nunca ter saído do reino de Hades.

            Suryudan e os Cavaleiros de Aço voltaram a se concentrar em atingir os cães infernais. Gianfranco ficou orgulhoso não apenas de sua instrução, mas também da resposta de seu novo aluno.

            Mas a vibração e o momento de euforia duraram pouco tempo. Alguns dos cães infernais haviam se aproveitado da distração dos cavaleiros jovens e haviam conseguido escalar a encosta sem ser atingidos pelos golpes de longa distância. Três deles alcançaram de fato o topo, e saltaram sobre os cavaleiros para ataca-los. Um deles mordeu a amazona Chiara de Furacão na perna direita, e começou a arrastá-la em direção às rochas da encosta.

            Chiara soltou um berro gutural, e os demais Cavaleiros de Aço quase puderam sentir a dor dela. O bicho havia conseguido perfurar a armadura dela, recentemente reparada. Inácia de Jubarte segurou-a pelo braço, tentando puxá-la de volta para um local seguro; mas o cão infernal era mais forte do que ambas as garotas.

            Bianca de Jaguar se juntou a elas e puxou Chiara, ainda gritando histericamente, pelo outro braço.

— Aguenta firme, Chiara! Não vamos deixar esse bicho te levar! – exclamou Bianca, mas suas palavras de nada serviram para tranquilizar a moça italiana.

            Suryudan se adiantou e apontou o dedo para o cão infernal:

Círculo de Gelo!!— exclamou ele, disparando outra rajada, dessa vez mais fina, de gelo atômico na direção do monstro; mas outro dos cães infernais, que subira a encosta rapidamente enquanto os garotos estavam ocupados enfrentando os dois primeiros cachorros e tentando livrar Chiara das presas do terceiro, se jogou na frente da criatura que arrastava a amazona italiana, recebendo toda a carga do golpe, e ficou congelado. O animal saiu deslizando pela encosta e acabou se espatifando em vários pedacinhos de gelo ao bater com força nas pedras.

            Tomado pelo susto, Suryudan demorou a reagir. Um dos dois primeiros cães infernais se jogou contra ele, derrubando-o com um golpe de cabeça. O cavaleiro japonês foi ao chão, enquanto o bicho rosnava para ele. Os Cavaleiros de Aço cercaram o bicho, para impedir que atacasse o cavaleiro de Boieiro, mas pareciam receosos para ataca-lo. O outro dos dois cães infernais logo se juntou ao companheiro, e ficaram os dois rosnando para os garotos. Suryudan se deu conta: os Cavaleiros de Aço estavam todos assustados. Estavam até ali atacando de longe contra as feras, enquanto Marília, Paulo e Diandra se arriscavam de fato enfrentando-as de perto. A diferença de poder ainda era abissal, tanto é que Gianfranco havia se oferecido para intensificar os treinos daquele grupo. Mas aquele grupo ainda não havia passado por um grande treinamento. Enfrentar cães infernais assim tão de perto era algo para o qual eles não estavam preparados.

            Gianfranco a princípio parecia estar ainda analisando friamente a situação. Então, por fim, deu um passo à frente, quando parecia que não conseguiria mais ficar de mãos atadas diante daquela situação. Esperara tempo demais para ver se os cavaleiros de Aço reagiriam; como temia, aquele grupo ainda precisava de treino. Como cavaleiro sênior e no comando daquele grupo, ele precisava minimizar os danos.

            A situação de Chiara era mais delicada. O monstro que a mordia parecia prestes a arrancar a perna dela. Gian olhou de esguelha para Suryudan e instou-o a se erguer, já que era o mais forte daquele grupo e poderia motivar os companheiros naquela situação crítica.

            Gian parou diante de Chiara, que era segurada por Inácia e Bianca. Apontou o dedo para o cão que mordia a amazona italiana. Enquanto se erguia, Suryudan imaginou que o homem fosse dar algum comando à sua corrente – mas a corrente permaneceu intacta. Não era ela que o italiano usaria para atacar.

— Volte para os campos da punição, fera, de onde nunca devia ter saído. Ondas do Inferno!!

            Ondas flamejantes irromperam do dedo do cavaleiro de Cefeu, e envolveram rapidamente o cão infernal. O bicho se contorceu e ganiu de dor, e um buraco se abriu na terra, tragando o animal para dentro. Em seguida, o buraco se fechou rapidamente, como se nunca tivesse existido.

— Tirem-na daqui! – ordenou Gian em tom enérgico para Bianca e Inácia. As duas prontamente ergueram Chiara, que se apoiou nos ombros delas, e a levaram para se sentar num dos bancos próximos dali. No entanto, a dor era tão intensa que Chiara pediu que a deitassem ali.

            Assim que o cão infernal fora tragado pelas Ondas do Inferno, seus dois companheiros se voltaram para Gian e rosnaram intensamente para ele. O cavaleiro de Cefeu estava monitorando as duas meninas que conduziam Chiara e, de início, não notou a movimentação dos cães.

            Um deles saltou em direção a Gian, mas Suryudan ergueu as mãos e gritou:

Golpe Congelante!!

            Rajadas de gelo atômico irromperam das mãos dele, e envolveram o animal, que congelou antes mesmo de atingir o solo. O outro bicho se voltou para Suryudan – mas, dessa vez, os Cavaleiros de Aço estavam recuperados do choque inicial.

— Agora! – ordenou Marcolino; Pedro, Beatriz, Jadiel e ele avançaram contra o cão infernal que restara.

            Antes que a fera pudesse se lançar contra Suryudan, Jadiel o envolveu com seus tentáculos da armadura de Verme. O bicho tentou se soltar, mas Pedro o atacou com as Garras do Tigre Branco. O animal ganiu, e Marcolino evocou sua Horrível Erupção de Lama para paralisar as patas da criatura. A lama começou a derreter a pele do animal, e Beatriz pôde dar o golpe de misericórdia:

Emboscada Polar!!!— gritou ela, lançando rajadas de neve – neve convencional, não atômica como a de Suryudan – contra o cão infernal.

            Com suas patas sucumbindo perante a lama ácida, sendo sufocado pelos tentáculos de Jadiel, e tendo perdido muito sangue com os golpes de garra de Pedro, receber aquela carga de neve foi à gota d’água para a fera. O bicho perdeu a sustentação e caiu de vez na poça de lama, com sua pele derretendo aos poucos até sobrar apenas os ossos.

            Dessa vez, nenhum deles comemorou. Sabiam que a batalha ainda estava em andamento. Gianfranco, que pausara seu raciocínio para observar o desempenho em conjunto deles, notou que a perna de Chiara estava ganhando uma coloração terrivelmente escura e que a menina não conseguia parar de gemer, chorando copiosamente. Lá embaixo, na base da encosta, ele podia ver que Paulo, Diandra e Marília estavam sendo forçados a recuar devido ao avanço dos cães infernais restantes, que não estavam mais sendo compelidos pelos golpes de longa distância do Team Aço. Mais um pouco e os cães conseguiriam saltar nas jugulares dos três.

            Gianfranco deixou a postura fria de lado e começou a bradar para os cavaleiros jovens:

— Você! – apontou para Gabriella de Brilhante. – Vá chamar os socorristas para ajudar a moça ferida! E Suryudan...!

— P-Pois não, senhor...? – adiantou-se o japonês, nervoso e surpreso pela mudança de postura do cavaleiro de Cefeu, enquanto Gabriella saiu correndo em disparada em direção à enfermaria.

— Desça a encosta com mais dois cavaleiros e vá ajudar o grupo de Paulo! Eles estão nas últimas contra essas bestas.

— S-Sim, senhor... Marcolino, Pedro, vamos! – exclamou Suryudan, tentando recuperar a compostura.

            Pedro, Marcolino e ele desceram a encosta correndo, para alcançar logo o grupo de Paulo. Gianfranco se voltou para os demais:

— O resto de vocês: REASSUMAM as posições de ataque! Continuem a enfraquecer os cães infernais com os ataques de longo alcance! AGORA!

            Todos os Cavaleiros de Aço restantes voltaram à borda da encosta e voltaram a atacar os cães infernais de longe. Bianca e Inácia, que tinham estado ao lado de Chiara enquanto ela agonizava, fizeram menção de se juntar a eles, mas hesitaram devido à postura enérgica de Gianfranco.

— Vão, podem se juntar a eles – ordenou o tio de Rina, ao notar a hesitação de ambas.

            As duas agradeceram. Bianca se adiantou em direção ao grupo, mas Inácia teve o braço segurado por Gian.

— Preciso te dar um comando específico – avisou ele. – Você tem como trazer reforços para este ponto da fronteira?

— Tenho sim, senhor Gianfranco. Meus antigos colegas podem...

— Pois bem. Não ligo se serão cavaleiros de Aço, Bronze ou Prata. Apenas os traga aqui. E urgente. Estamos sobrecarregados. Nós relaxamos muito antes da hora. Não demore sob hipótese nenhuma – insistiu ele.

— Sim senhor – disse a irmã de Matt, e saiu correndo para o outro lado da fronteira, tencionado trazer os Líderes de Aço e os demais cavaleiros reformados que haviam participado da Revolta de Aço.

            Gianfranco se voltou para Chiara, que ainda agonizava. Ele estendeu a mão sobre a perna ferida dela. Uma luz cálida brilhou sobre o ferimento, e o sangramento diminuiu. A perna não estava mais com a coloração tão escura. Gianfranco não era um mestre da cura, mas conhecia alguns truques que havia aprendido com Leandro e os Cavaleiros de Ouro.

— O-Obrigada – ofegou Chiara, ainda sentindo dores, mas começando a relaxar.

— Segure minha mão – falou Gian firmemente, se ajoelhando perto dela. A moça atendeu ao requisito. – Isso não vai te curar, mas os socorristas já estão chegando. Vão conseguir dar um jeito na sua perna.

— O s-senhor é bondoso – murmurou ela. – Você fala... Você é italiano...?

— Sou – disse ele, ainda firme. – Pelo visto somos compatriotas.

            A garota conseguiu rir levemente, apesar da dor.

— Eu não vejo Roma há anos. C-Como está...?

— A cidade continua bela como sempre – afirmou Gian, suavizando o tom de voz. Só agora ele havia notado que vinha soando como um general enérgico até agora. – Morei lá por muito tempo enquanto fiquei fora do Santuário. Vou te dizer uma coisa: quando isso acabar, vou requisitar ao mestre Gomes que você tire uns dias de folga para visitar a cidade.

— A-Agradeço, senhor Gianfranco... – disse Chiara, apertando firmemente a mão dele, tentando sinalizar o agradecimento. – É v-verdade que v-você é o tio da Rina...?

— Sim, eu sou – afirmou ele, se permitindo sorrir, reagindo com orgulho à simples menção da sobrinha. – É uma amazona formidável. Disseram-me que ela é uma das mais promissoras da geração atual.

— É v-verdade... Eu já a e-enfrentei u-uma vez... – gaguejou Chiara, rindo levemente.

— Ah, sim. Imagino que ela tenha acabado contigo – comentou Gian de forma descontraída. A amazona de Aço de Furacão voltou a rir.

— É... Podemos dizer que sim... Mas g-gostaria de uma revanche... Quando eu e-estiver mais forte, quero tentar v-vencê-la e...

— Uma coisa de cada vez – alertou Gian. – Primeiro temos que recuperar a sua integridade física. Depois... Quando você se restabelecer, treinarei você e seus colegas extensivamente. Aí você poderá desafiar Rina para um duelo amigável, talvez até de igual para igual. Só não garanto que você vencerá. Minha sobrinha é uma guerreira espetacular.

            Chiara riu mais um pouco, mas até as risadas estavam exigindo esforço demais dela. Ela começou a tossir.

— Descanse um pouco – instruiu Gian para ela. Ele olhou em volta e viu que Gabriella de Brilhante se aproximava, retornando com os socorristas. – Graças aos deuses. A ajuda chegou.

            Os socorristas colocaram Chiara numa maca e a levaram para a enfermaria. Gian pediu que Gabriella a acompanhasse; a amazona de Brilhante consentiu prontamente e acompanhou a colega de Aço. Gian voltou-se para observar a luta que se desenrolava na base da encosta: com o auxílio de Suryudan, Pedro, e Marcolino, o grupo de Marília havia retomado a luta contra os cães e estavam forçando as bestas contra as águas, reforçados pelos golpes de longo alcance desferidos pelos Cavaleiros de Aço no topo da encosta.

            O cavaleiro de Cefeu fez uma prece silenciosa a Atena em seu íntimo, pedindo mais coisas do que conseguia se lembrar. Ele não gostava de agir como um líder enérgico no campo de batalha, mas a situação quase havia escapado do controle, forçando-o a agir. Ele temia, também, que estivesse enferrujado depois de tanto tempo sem combater. Torcia para que Inácia retornasse logo com os reforços.

            Ele fitou o horizonte mais uma vez, antes de se juntar aos Cavaleiros de Aço em sua ofensiva de golpes de longa distância. Rina, Leandro, ele se viu conjecturando consigo mesmo, sem conseguir tirar a sobrinha e o melhor amigo dos pensamentos. Onde quer que vocês estejam, por favor... Voltem depressa. O Santuário precisa de vocês, mais do que vocês possam imaginar.

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            Graças ao poder do Círculo de Gelo, Matt havia conseguido adaptar aquela técnica para paralisar Unity, sem necessariamente recorrer às técnicas de gelo. Seu cosmo estava o orientando constantemente a adaptar as habilidades dos diferentes elementos para atender às diversas necessidades que um combate poderia oferecer. O garoto brasileiro sentia que aquele embate contra o último dos sete generais poderia exigir outras situações de adaptação de habilidades de diferentes elementos, mais cedo ou mais tarde.

            Sentia também que o cosmo dos Cavaleiros de Ouro, reagindo com o sangue deles em sua armadura, estava lhe instruindo, ainda que de forma inconsciente, sobre como proceder naquele embate. Aquela orientação silenciosa poderia ser outra chave para o eventual sucesso do plano de Matt.

            Ele sentia que Unity resistia à paralisação. Precisava agir logo.

— Maldito Fênix... – balbuciou o general. – Como ousa pensar que pode me manter nesse estado de paralisia apenas com esse mísero golpe...

— Não o manterei por tanto tempo, meu caro – afirmou o cavaleiro de Fênix. – Tenho uma tese para comprovar, e pretendo fazê-lo o mais cedo possível.

            Ainda com o dedo apontado para o cérebro do rival, Matt se concentrou. Ignorou as reclamações e ameaças de Unity e direcionou toda sua força, sua energia, seu pensamento e sua determinação para aquele objetivo. Por fim, lançou sua técnica secreta para, enfim, descobrir se sua intuição a respeito daquele homem estava correta: aprender sobre a vida “passada” dele seria fundamental para descobrir como derrota-lo, ou não? Matt não queria esperar mais nem um segundo.

            Unity pareceu perceber o que ele ia fazer. Lançou um olhar horrorizado para o garoto, que logo se transformou num semblante de fúria; tentou mais uma vez se libertar da paralisia, mas já era tarde demais.

Golpe Fantasma de Fênix!!!

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