New Legends - Cavaleiros do Zodíaco escrita por Phoenix Matt Marques W MWU 27


Capítulo 130
Visões e Revelações


Notas iniciais do capítulo

Depois daqueles quase dois anos sem postar, qualquer capítulo novo é motivo de celebração. Sei que o último postado já faz alguns meses, mas pelo menos eu já consegui voltar. Peço desculpas novamente pelo atraso e agradeço pela compreensão de vocês. Não farei promessas acerca de quando mandarei o próximo capítulo, mas estou otimista.


Sei que as notas vão acabar, mas não consigo ainda desapegar delas. Em breve decido o que fazer com o que escrevi nelas. Vamos à sinopse do capítulo.

Recuperando-se após ter sido mandado para outra dimensão pelo Dragão Marinho, Matt de Fênix se aventura pelo plano espiritual para investigar Kanon de Gêmeos, e também recebe visões acerca de como deve proceder para enfrentar adequadamente o último dos Generais Marinas, inclusive sobre como descobrir sua real identidade e, consequentemente, eventuais fraquezas.



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            Matt encarava fixamente o rosto de seu adversário. Aquele combate já estava enchendo sua paciência. Havia sido desintegrado por um dos golpes do general, e mandado para outra dimensão por outro golpe. Matt não estava ansioso para descobrir que outras formas o misterioso guerreiro podia encontrar para deixa-lo mais extenuado ou fazê-lo torrar seus neurônios.

            Toda essa pose, toda essa força, todo esse poder, e o maldito sequer disse seu nome. Matt já sabia há muito tempo que nomes detinham poder. Uma pessoa não esconderia o próprio nome durante uma batalha se tal nome não contivesse certa influência sobre si – talvez uma lembrança de quem aquele sujeito houvesse sido, antes de entrar para as fileiras de Poseidon.

            Ops. O cavaleiro de Fênix se forçou a fazer uma correção mental. No caso, antes de entrar para as fileiras de Hades.

            Independente disso, o garoto já havia traçado seu plano de ação. Aquele suspense precisava terminar. Ele já sabia como quebrar a barreira do mistério que envolvia a identidade do Dragão Marinho.

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            Alguns minutos antes, o navio que Kanon de Gêmeos havia tomado ao sair de Cuba estava prestes a atravessar as Colunas de Hércules, na proximidade do Rochedo de Gibraltar, ao sul da Espanha, para em seguida adentrar no Mediterrâneo. O antigo Mare Nostrum do Império Romano se estendia, majestoso, diante das vistas do Cavaleiro de Gêmeos, até o ponto mais distante no horizonte que era possível alcançar pelos olhos do homem.

            O status de Kanon na ilha caribenha havia lhe garantido acesso a toda a frota da Marinha cubana. O presidente lhe havia telefonado, sugerindo fazer uma cerimônia de despedida, a bordo do navio, antes de zarpar, para o cavaleiro de Ouro que havia salvado seu país diversas vezes nas últimas semanas; mas Kanon garantiu-lhe que a cerimônia não era necessária e que ele retornaria para a ilha em breve, assim que lidasse com a crise que se assomava na Europa e particularmente no Santuário.

            Ele sabia que os demais Cavaleiros de Ouro ainda estavam percorrendo o mundo atrás de novos recrutas e de convocar cavaleiros antigos que se encontravam afastados do Santuário, e, somando-se a isso, tendo que lidar com o aparecimento de criaturas das trevas, monstros marinhos e guerreiros antigos se levantando dos mortos. Portanto, mesmo sabendo que o Santuário contava com sua própria crise para lidar, Kanon sabia que não poderia retornar ainda para lá. Para manter as aparências, precisaria, primeiro, ajudar algum de seus colegas de patente que requisitassem seu apoio.

            Nos últimos dias, os outros Cavaleiros de Ouro haviam passado a se comunicar uns com os outros através do cosmo, ou mesmo mandando cartas entre si. Aparentemente, Koji e Hyoga estavam lidando com uma crise na Sibéria. Javier e Liège tentavam deter os avanços de um grupo de cavaleiros renegados no norte da Itália. Ikki e Shun estavam protegendo vilarejos indefesos no deserto do Saara. Josafá e Kiki percorriam o Oriente Médio. Apenas Kanon, que estivera recluso na ilha caribenha durante quase todo aquele período, ainda não havia contribuído para deter os avanços de Hades, salvo por algumas aventuras solo no Mar do Caribe.

            Ele pensou em Saga, seu irmão, que havia assumido a liderança do Santuário em conjunto com Aiolos na ausência do Mestre Shion. Parte dele queria voltar ao Santuário apenas para ajuda-lo – mas ele sabia que Saga sempre detinha o controle de tudo a sua volta, ainda mais numa crise como aquela, e que ele não aceitaria a ajuda do irmão enquanto os demais Cavaleiros de Ouro atuais davam suor e sangue em suas missões ao redor do mundo.

            Manter as aparências. Era o mote da missão contínua de Kanon, para a qual as batalhas contra as forças de Hades não passavam de uma fase passageira. Logo, para o sucesso de sua missão, ele precisaria continuar se mantendo como um fiel Cavaleiro de Atena – pelo menos por enquanto, e pelo menos só de forma que parecesse estar sendo fiel às forças de Atena para qualquer observador externo. Com esse pensamento em mente, Kanon se deu conta de que precisava focar, primeiro, no problema que havia detectado ainda na ilha – a súbita presença de Gildson de Câncer naquele cenário de crise.

            O irmão de Saga não conhecia as reais motivações do garoto de Câncer. Ele parecia mesmo disposto a auxiliar as forças dos Cavaleiros de Ouro nas batalhas ao redor do mundo. Ele até tivera a audácia de se reportar a Shion e Gomes de Altar através de uma carta. Kanon desconhecia os planos de Shion para com aquele garoto, ou mesmo se o Grande Mestre estava ciente das circunstâncias de sua libertação ou, pior ainda, se havia ordenado a mesma indiretamente. Seja como for, o cavaleiro de Gêmeos precisava deter o garoto, interroga-lo e, com sorte, descobrir como se deu a sua fuga da prisão. Talvez, se investigasse Berto de Coroa Boreal, antigo mestre do garoto e última pessoa a vê-lo no cárcere antes de sua fuga, Kanon pudesse descobrir o que realmente havia acontecido. O problema era que Berto era um dos cavaleiros mais respeitados pela geração atual do Santuário, e também era o pai de dois Cavaleiros de Bronze que integravam o grupo que estava no Santuário de Poseidon, enfrentando os Generais Marinas. Qualquer movimento de Kanon em direção ao respeitado Cavaleiro de Prata teria que ser calculado meticulosamente, para não levantar suspeitas.

            Ah, os Cavaleiros de Bronze. Subitamente, Kanon se lembrou dos cinco jovens que havia conhecido no Santuário, alguns meses atrás. Àquela altura, apenas o pilar do Atlântico Norte ainda continuava de pé – curiosamente, o pilar que Kanon costumava guardar quando havia sido General de Poseidon. Ele se perguntou se não seria interessante fazer uma visita a eles no território do deus dos mares, nem que fosse apenas para dar alguma informação obscura que eles ficariam quebrando a cabeça para tentar descobrir, ao mesmo tempo em que tentavam resgatar o próprio Poseidon e vencer suas tropas, inclusive o último dos Generais Marinas. Mas sacudiu a cabeça. Os garotos teriam que se provar no campo de batalha, mais uma vez, sem ajuda. Ou, pelo menos, sem a ajuda dele. Kanon não podia perder tempo com os problemas deles, correndo, assim, o risco de prejudicar suas próprias missões.

            Adentrando com seu navio no Mar Mediterrâneo, por acaso, o cavaleiro de Gêmeos se recordou de que, minutos antes, havia passado pelo ponto no Oceano Atlântico onde, muito mais abaixo, ficava a entrada do novo Santuário Submarino do deus dos mares. O templo original, que se localizava no próprio Mediterrâneo, havia sido destruído na batalha de Seiya e seus amigos contra os Generais Marinas e ainda estava em reconstrução. Devido ao templo do Atlântico ser mais próximo do templo original (o terceiro templo do senhor dos mares ficava no Oceano Índico), Hades havia decidido aprisionar Poseidon naquele templo e postar os Generais Marinas ali. Kanon se recordou de sentir a ferocidade das batalhas ocorrendo muitos quilômetros abaixo dele, no fundo do mar, quando seu navio havia passado por ali, a caminho da entrada do Mare Nostrum, apesar de restar apenas um pilar de pé, bem como um único General Marina e o Suporte Principal onde Poseidon estava aprisionado.

            Kanon avistou, à sua direita, a cordilheira Atlas se erguendo do continente africano, ao sul. A cadeia de montanhas possuía esse nome em alusão ao titã homônimo, que havia sido punido após a guerra entre deuses e titãs com a pena de sustentar o peso do céu com as próprias mãos. À esquerda, estava o Rochedo de Gibraltar, conhecido cartão postal do enclave territorial de administração britânica, cercado pelo território da Espanha e pelo encontro de águas do Atlântico com o Mediterrâneo. O rochedo, juntamente com uma montanha anônima situada na cordilheira Atlas, era conhecido como “os Pilares de Hércules” desde os tempos antigos. Apesar de ser uma bela paisagem, Kanon não ficava impressionado com a referência que aqueles acidentes geográficos representavam ao maior herói dos mitos gregos, o semideus filho de Zeus. O cavaleiro de Ouro já tivera a oportunidade de conhecer Hércules, assim como outros deuses do panteão olímpico. Mas isso era assunto para outra hora. Kanon possuía outras preocupações mais imediatas.

            O último General. Enquanto fitava o imenso mar à frente, Kanon refletiu consigo mesmo. Os cavaleiros de Bronze, apesar da aparente demora no Pilar do Oceano Antártico, haviam conseguido superar todos os Generais Marinas, exceto o último, aquele sobre o qual sua identidade Shaka de Virgem havia inquirido Kanon um pouco mais cedo. O cavaleiro de Gêmeos não havia compartilhado com o cavaleiro de Virgem sua principal e única suspeita acerca da identidade daquele general em particular; em parte, porque o próprio Kanon não sabia o que pensar acerca da possibilidade de sua suspeita se comprovar. Depois de tantos anos envolvido nas guerras santas dos deuses olímpicos, o irmão de Saga havia se dado conta de que seus palpites raramente estavam errados.

            Se a pessoa utilizando a Escama de Dragão Marinho fosse realmente quem ele imaginava ser, Kanon temia pelas implicações daquela descoberta. O que Hades estaria pensando ao recrutar aquele individuo em particular? A menos, disse uma vozinha no fundo da voz de Kanon, que esse recrutamento não tenha sido ideia de Hades. E a menos, é claro, que não seja Hades quem esteja por trás desse recrutamento ou, pior ainda, desta guerra.

            Kanon sacudiu a cabeça enquanto cogitava essas ideias, tentando desanuviar sua mente. Há muito havia aprendido que manter pensamentos conspiratórios como aqueles não era sadio, especialmente em momentos de tensão como aquele. O correto era aguardar o desenrolar dos eventos e ver se aquelas suposições se confirmavam ou não.

            De todo modo, o cavaleiro dourado tentou se concentrar novamente nas batalhas que se desenrolavam no Santuário Submarino, milhões de léguas submarinas abaixo dele. Àquela altura, os cavaleiros de Bronze estariam, em sua maioria, se dirigindo para o Suporte Principal, enquanto um deles se detinha no Pilar do Atlântico Norte. Em seu íntimo, Kanon se perguntou se não seria divertido aparecer, mesmo que apenas em forma de projeção astral de seu cosmo, diante dos Cavaleiros de Bronze lá no território de Poseidon para adverti-los do perigo que o Dragão Marinho representava, sem, contudo, revelar a identidade do mesmo, considerando que, afinal de contas, o geminiano apenas desconfiava de quem o sujeito pudesse ser.

            Rindo de leve consigo mesmo diante daquela situação, o cavaleiro de Gêmeos se deu conta, também, de que o cosmo que ele havia sentido se lançar contra o misterioso Dragão Marinho no Atlântico Norte há pouco era bastante familiar. O garoto de Fênix, aprendiz do Ikki, era quem havia chegado ao pilar em questão e estava se defrontando com o general. Tinha que ser. Esse puxou bastante ao próprio mestre.

            Kanon tinha uma grande admiração por Ikki, tendo o enfrentado no passado e, depois, lutado ao lado dele na guerra santa anterior contra Hades há algumas décadas. Já sobre Matt e seus amigos da categoria de Bronze, o cavaleiro da terceira casa zodiacal ainda tinha sentimentos mistos. Por um lado, admirava a determinação dos jovens guerreiros. Por outro, sentia que eles haviam contado com ajuda demais, mesmo para os padrões de um cavaleiro de Bronze, nas batalhas que haviam tido nos últimos meses, desde que haviam conquistado suas armaduras. A prova de fogo para aquele grupo ainda estava por vir, e Kanon sentia que ele próprio teria parte nela. Não para ajudar os garotos de Bronze, mas para ele mesmo testá-los.

            Tentando rastrear os movimentos da batalha no Atlântico Norte, Kanon havia divisado o cosmo de Matt de Fênix, por duas vezes, se chocar intensamente contra o do Dragão Marinho, para em seguida desaparecer. O quer que houvesse acontecido, fosse qual fosse a força do general do último dos sete mares, o garoto de Bronze havia conseguido retornar dos mortos e retomar a batalha. Agora mesmo, ele sentia o cosmo do menino se dirigindo mais uma vez ao pilar, carregado de determinação e força, de forma bastante singular e disposto a encerrar de vez aquela peleja...

            Kanon hesitou. Ele parou de tentar sentir os cosmos à distância no Templo Submarino. Sentiu, subitamente, um cosmo se aproximando dele— a toda velocidade, com a mesma intensidade com que havia sentido o cosmo do garoto Fênix se dirigindo ao Pilar do Atlântico Norte pouquíssimos momentos antes.

            Não, espere um pouco... Kanon notou porque aquela intensidade era tão similar à do cosmo do aprendiz de Ikki. É porque era, de fato, a mesma intensidade. O mesmo cosmo.

            O geminiano olhou em volta, alarmado. De repente, uma figura se formou à sua frente, no convés do navio: a projeção astral de um garoto adolescente, trajando uma armadura de Bronze.

            Foi impossível Kanon não o reconhecer. O garoto lhe exibia um sorriso brincalhão, como se houvessem acabado de compartilhar uma excelente piada interna da qual só ambos compreendiam.

            Olá, Kanon, cumprimentou-o o cosmo de Matt de Fênix, de forma muito bem-humorada, em sua forma astral. Os lábios do garoto não se mexiam na projeção, mas seu rosto estava bastante expressivo, deixando transparecer visivelmente o humor do cavaleiro de Bronze brasileiro. Já faz algum tempo, velho amigo.

— Fênix – disse o cavaleiro de Ouro, rispidamente. – Não sei bem quanto a “velho amigo”. Você não mereceu essa distinção de se referir a mim dessa forma, ainda.

            Ora, ora, estamos muito mal-humorados no momento, não é mesmo? O garoto continuava sorrindo através da projeção, como se o mau humor de Kanon o divertisse. Mas vou relevar. Sei que nós dois temos coisas mais importantes a fazer no momento... Falando nisso, essa conversa mal começou e já está sendo bem útil. Por um instante eu consegui vislumbrar seus pensamentos, meu caro Kanon, e até que foi uma experiência bem divertida.

            Um arrepio percorreu a espinha de Kanon. O choque em ver o cosmo projetado do cavaleiro de Fênix devia tê-lo feito baixar as barreiras mentais que protegiam seus pensamentos por um breve período. Rapidamente, ele conferiu suas barreiras; todas estavam erguidas novamente, mas pela expressão sagaz de Matt, o estrago já estava feito.

— Fênix. Da próxima vez que você xeretar meus pensamentos, garanto que vai se arrepender amargamente por ter ousado invadir minha men...

            Acalme-se, homem, interrompeu o garoto. Não é o momento para isso. Admito que o pouco que vi só fez me deixar mais confuso ainda sobre você. Mas vamos ao que interessa. Temos um assunto pendente. Depois daquela nossa batalha, tenho certeza de que você não se negaria a ajudar um colega cavaleiro.

            Kanon não queria recuar em sua ameaça ao menino, mas, devido às circunstâncias, viu que não tinha escolha.

— Pois bem. Eu presumo que você não tenha direcionado seu cosmo até aqui somente para falar comigo, nem para tentar espiar meus pensamentos.

            Exatamente. Vim atrás de uma informação, meu prezado... Você, com tantas batalhas em sua bagagem, certamente poderá fornecê-la a mim. Ou, pelo menos, indicar-me os meios para ter acesso a essa informação.

— Fênix, o que quer que esteja tentando dizer, vá direto ao ponto. Minha paciência está bastante limitada hoje.

            Ah, serei direto, não se preocupe. A identidade do Dragão Marinho, o último dos sete generais. Não tenho razões para acreditar que você não conheça essa informação.

            Kanon se esforçou para manter o semblante firme.

— Não sei quem ele é.

            Faça-me o favor, Kanon. Você já viveu muito. Com certeza já deve ter topado com esse cara antes, ou, no mínimo, conhece alguém que saiba quem ele é.

— Escute com atenção, Fênix – alertou Kanon. – Mesmo com todo o conhecimento que me foi confiado ao longo dos anos, numa guerra santa, não posso sair revelando o que sei para todo mundo, muito menos o que eu não sei. Mas uma coisa eu posso afirmar. Você já possui os meios para descobrir a identidade desse homem. E sim, seu palpite está correto: quando descobrir a identidade dele, o caminho para derrota-lo se abrirá.

            O geminiano podia perceber que havia deixado o garoto surpreso com aquela declaração. Quase podia ver os neurônios do aprendiz de Ikki trabalhando arduamente. Se eu já possuo os meios para descobrir a identidade ele, isso só pode significar que... Hm. Mesmo falando em enigmas na maior parte do tempo, Kanon, seu conselho foi realmente útil. Estou mesmo tendo uma ideia sobre como quebrar aquela barreira de mistério em torno do nome desse homem. E como você mesmo acaba de confirmar, uma vez que eu conheça a sua identidade, derrota-lo já se tornará uma possibilidade tangível. De qualquer forma, agradeço pela cooperação.

— Ainda é cedo para agradecer – advertiu o irmão de Saga. – Primeiro você terá que se certificar de que sua ideia irá funcionar contra ele.

            Vai funcionar. Estou confiante. Aquele maldito já me derrubou duas vezes. Não posso descansar enquanto não “retribuir” o favor. Bom, vou indo nessa. Até a próxima, Kanon... Vamos deixar para conversar sobre a sua lealdade a Atena quando voltarmos ao Santuário.

            Kanon sentiu o baque das palavras do menino. O que Matt teria visto quando vislumbrou os pensamentos dele? A segurança e a firmeza com a qual ele havia acabado de questionar a lealdade de Kanon para com Atena lhe tinham pegado de surpresa, tanto que, quando o geminiano voltou a si, percebeu que a projeção do cosmo do garoto estava desaparecendo.

            O cavaleiro de Gêmeos fez menção de dizer algo, mas os contornos do menino haviam desaparecido. Ele já podia sentir o cosmo do garoto se voltando intensamente na direção do Pilar do Atlântico Norte, vários quilômetros abaixo.

            Mesmo impressionando com aquela última frase do garoto, Kanon resolveu deixar esse problema para depois. Tanto ele quanto Matt tinham seus próprios problemas para resolver no momento. Seu barco seguiu adentrando pelo Mar Mediterrâneo, em direção às tarefas que Kanon precisava realizar por aquela região antes de, enfim, retornar ao Santuário.

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            Após a conversa com Kanon, o cosmo de Matt se voltou mais uma vez na direção do Santuário Submarino, intensamente se direcionando ao Pilar do Atlântico Norte. Durante o percurso, sua mente se voltou para uma visão interior, para uma lembrança recente.

            Ikki lhe havia ensinado há algum tempo que um efeito colateral do uso do Golpe Fantasma de Fênix era que ambos estavam suscetíveis a ter visões acerca de acontecimentos passados, que se manifestavam através do cosmo deles para ensinar – ou relembrar – alguma lição importante que pudesse ser útil numa batalha ou num momento de crise.

            Recordando-se de que Ikki sempre o havia aconselhado a aceitar e assimilar o que as visões tinham para lhe mostrar, Matt se deixou levar por ela. Enquanto sua mente deslizava, ele se mantinha consciente de que seu cosmo continuava viajando velozmente por quilômetros, tentando chegar até o Pilar do Atlântico Norte.

            Um cenário se formou diante dele. Logo ele estava com seu corpo completamente restaurado, da mesma forma que havia ocorrido depois de ter tomado aquele primeiro ataque fulminante do Dragão Marinho. Matt sabia que era apenas uma visão, mas aquela estava sendo especialmente realista.

            Ele se viu de pé num local familiar – uma seção da escola Palaestra, no Santuário, um pátio diante de um pequeno prédio, onde várias crianças brincavam umas com as outras, desenhavam ou rabiscavam em papeis, enquanto eram acompanhadas por instrutores com o uniforme oficial da escola. Matt se deu conta de que estava na ala infantil da escola; em outras palavras, a “creche” do Santuário.

            Ele sabia que a maioria das crianças ali eram filhas dos soldados do Santuário, ou parentes de algum dos cavaleiros que estivesse residindo e/ou trabalhando no Santuário atualmente. Algumas delas eram até mesmo aspirantes mirins de cavaleiro, que eram apadrinhadas por algum cavaleiro veterano para, futuramente, serem enviadas para alguma academia de Cavaleiros patrocinada pela Fundação Graad em algum local do mundo para aprimorarem seu treinamento, tal qual a academia de Cavaleiros no Japão na qual Matt, Gustavo e Rina haviam ficado após serem acolhidos pela Fundação Graad, antes de serem enviados para treinar com seus respectivos mestres. Matt havia ouvido por alto que algumas daquelas crianças, inclusive, eram apadrinhadas até por alguns dos Cavaleiros de Ouro, o que, em tese, lhes garantia tratamento diferenciado.

            Enquanto seus olhos esquadrinhavam o local, Matt se perguntou se aquela visão teria algo a ver com o que havia visto quando vislumbrou, por um momento, os pensamentos mais profundos de Kanon de Gêmeos. A maioria das informações com que o aprendiz de Ikki havia se deparado eram muito confusas, mas uma coisa havia ficado clara: Kanon não estava sendo honesto com ninguém do Santuário, provavelmente desde que havia voltado à vida misteriosamente, em algum momento desde a última guerra santa. Aparentemente, ele era um agente infiltrado, servindo diretamente ao Conselho dos Deuses Olimpianos. Mas algo ali não fazia sentido. Se Kanon era um agente infiltrado, por que todas as ações dele nos últimos anos haviam sido em prol do Santuário e de ajudar os demais Cavaleiros sempre que fosse necessário?

            Eram muitas questões a se fazer. Matt decidiu guarda-las para quando voltasse ao Santuário, isso se tivesse sucesso em seu plano para desbancar o Dragão Marinho. Iria precisar de tempo e, possivelmente, da ajuda dos amigos para tentar entender as reais motivações de Kanon e qual papel ele estaria prestando realmente naquela guerra santa. Será que o mestre Shion ou algum dos Cavaleiros de Ouro já teriam conhecimento das reais motivações de Kanon? Será que Atena sabia?

            Um movimento à frente dele o fez retomar o foco no cenário de sua visão. Um pouco adiante, uma garotinha de uns seis anos rabiscava um papel com seu giz. Parecia estar fazendo um desenho e usava o giz para pontuar algo no papel, como se fossem os retoques finais. Um pouco atrás dela, observando atentamente, havia um instrutor de Palaestra com um semblante sério e firme.

            Matt não pôde conter o sorriso. Havia entendido o propósito daquela visão. Lembrou-se também de que as visões, geralmente, mostravam eventos passados. Aquela, em particular, estava mostrando algo ocorrido alguns dias antes, após os cavaleiros de Bronze terem retornado de Asgard, mas antes de partirem para o Santuário de Poseidon.

            De forma automática, seus pés se moveram para frente. Como aquilo era apenas uma repetição do que havia vivenciado no passado, Matt percebeu que suas ações seriam limitadas naquela visão, embora seus pensamentos estivessem a mil.

            O cavaleiro de Fênix andou até ficar diante da pequena garotinha e contemplou sua irmã caçula, que era uma das alunas na creche de Palaestra.

            Ele espichou o pescoço para espiar o desenho dela. Pelo canto do olho, percebeu que o instrutor que vigiava sua irmã estava se aproximando em direção a eles. Pelo que Matt podia ver, sua irmã estava desenhando um híbrido bípede de homem com touro, e estava fazendo vários cortes com um giz vermelho em alguns pontos do corpo da criatura.

            O instrutor chegou perto deles.

— Com licença... Ah, Sr. Fênix. É uma honra recebe-lo aqui na creche. – O instrutor curvou levemente a cabeça de modo respeitoso, tendo reparado na Cloth Stone pendurada no pescoço do garoto. Matt usava um uniforme de Palaestra, com sua pedrinha presa ao pescoço num colar. – Imagino que veio fazer uma visita a sua irmã.

            O garoto assentiu

— Como ela está se saindo? – perguntou ao instrutor.

— Está se saindo bem nas aulas, senhor. Só o que tem preocupado a mim e aos demais instrutores a respeito dela é essa tendência em fazer... desenhos de cenas violentas em seu tempo de recreação.

            Como se esperasse a deixa, Malu olhou para cima, avistando seu irmão pela primeira vez desde que ele chegara ao pátio.

— Irmãozão! Vem ver! Eu fiz um desenho. – Ela ergueu o desenho com o homem-touro, que agora, Matt podia ver, estava cortado em vários pontos com sangue desenhado escorrendo das feridas.

— Ah, Malu. Que bom te ver. Que desenho... legal. – O menino ficou sem jeito diante da criatividade da irmã. O desenho tinha um detalhismo surreal nos contornos e traços do homem-touro. Em contrapartida, também era bem detalhista nos ferimentos e nos filetes de sangue escorrendo do corpo da criatura.

— Olha! Eu fiz o Minotauro. – Ela balançou o desenho diante do irmão, e depois tocou o papel nos pontos em que pintara o sangue escorrendo da criatura. – E também matei o Minotauro. Minotauro mau! Mau!

            Ela continuou balançando o desenho, e depois passou a batê-lo contra o chão, como se estivesse ferindo o Minotauro.

            Matt se voltou para o instrutor.

— Então... todos os desenhos dela têm sido assim?

— Eu receio que sim, senhor. Não sabemos o que fazer para tirar essa mania dela.

— Ah, está tudo bem – garantiu Matt. – Eu era um pouco assim nessa idade, também. É só uma fase. Vai passar... Eu acho. Conte-me, mais alguém tem visitado ela?

— Sim, a sua irmã Inácia tem vindo frequentemente – informou o instrutor, enquanto Malu voltava a mexer no desenho, adicionando mais cortes ao Minotauro. – Seu primo Gustavo tem vindo... e a outra moça, a Srta. Isabella, também costuma vir.

            Aquilo pegou o garoto de surpresa. Isabella veio visitar sua irmã? Talvez o apreço dela fosse maior do que ele imaginasse. Matt percebeu que precisava tomar logo uma decisão. Desde que haviam voltado de Asgard, seu coração havia passado a pender para um lado, mas ele relutava em se decidir. Mas agora, com essa informação... Ele sentia a pressão para tomar a decisão correta voltando com intensidade.

            O garoto pigarreou para chamar sua própria atenção, e se voltou para o instrutor, tentando exibir uma expressão despreocupada.

— Isso é bom. Com Gustavo e eu saindo nessas missões, é bom que haja alguém para vir fazer companhia a ela. Ela precisa se sentir integrada à comunidade do Santuário já desde cedo. É também uma forma de deixa-la preparada para quando o treinamento de cavaleiro começar de vez. O senhor tem os relatórios sobre o desempenho dela?

— Tenho, Sr. Fênix. Quer que eu vá busca-los agora...?

— Não, mande deixar no meu armário na escola, assim eu posso lê-los mais tarde. Tenho que ir para a aula agora, se não eu leria agora mesmo. Sou o guardião legal dela, então tenho que acompanhar o progresso do desempenho dela.

            O instrutor assentiu com a cabeça, e saiu em direção à creche. Nesse momento, Malu puxou a barra da calça do irmão.

— Irmãozão! Vem cá! – Ela ainda sacudia o desenho do Minotauro flagelado. – Quando eu crescer, vou ser um cavaleiro muito forte, igual a você.

            Matt sorriu e levantou a irmã, segurando-a no braço.

— Uma amazona – corrigiu ele, delicadamente. – Meninas viram amazonas. Meninos é que viram cavaleiros, Malu.

— É, esse negócio aí – disse ela. – Vou ser uma amazona muito forte. Você vai ver. Vou lá e vou matar o Minotauro, vou matar a Hidra, vou matar o Cérbero, vou matar qualquer bicho grande desses que apareça na minha frente.

            O garoto riu com a determinação da irmã menor.

— Tenho certeza que vai. Tem muitos monstros por aí que precisam ser derrotados. Os gigantes, os ciclopes, os licantropos, as Fúrias, os dragões, as esfinges, o Leão de Nemeia, o javali de Erímanto... Tenho certeza de que você vai vencer todos eles.

— Eu vou!

— E quero que faça um desenho para mim de cada um desses monstros que você vai vencer.

— Eu faço!

— Mas tente, hm, botar menos sangue da próxima vez.

— Aaaaaah... assim fica sem graça, irmãozão!

            Matt segurou a risada, e notou o instrutor retornando com um fichário. Provavelmente eram os relatórios.

— Malu, eu preciso ir. Vou deixar você com o instrutor. Quero que me prometa que vai se comportar, OK?

— Vou sim, irmãozão!

            Ele a colocou no chão.

— Quando você vem me ver de novo? – ela perguntou.

            Matt se surpreendia, mais uma vez, com a perspicácia da irmã. Claro que ela havia notado que a última visita dele já fazia dias.

— Quando eu tiver um tempo livre, eu venho de novo, Malu. Tenho tido muitas missões ultimamente, com os meus amigos. Temos tido que enfrentar as forças de Hades várias vezes seguidas. Não sei quando, mas talvez tenhamos que sair em outra missão em breve. Por isso não tenho vindo sempre. Mas, se precisar de algo, peça a Inácia ou aos instrutores, já que eu pedi a eles que cuidassem bem de você.

— OK! Boa sorte, irmãozão. Derrote Hades por mim!

            O instrutor os alcançou, segurando o fichário.

— Encontrei os relatórios, Sr. Fênix – comunicou ele. – Vou enviar para seu armário imediatamente.

— Excelente – disse Matt. – Fique de olho nela, e não deixe que falte nada.

            O instrutor assentiu e voltou a observar a garotinha, dessa vez mais de perto. Malu havia voltado sua atenção para o desenho; ela passava o lápis de cor vermelha sobre o pescoço do Minotauro, dizendo:

— Minotauro mau! Mau! Mau! Eu mato você.

            Enquanto observava Malu, notando que o instrutor entregara os relatórios a um assistente e o estava instruindo para deixar no armário do garoto em PalaestraMatt deixou escapar um sorriso. Ver a irmã ali, crescendo junto com os demais aspirantes, o fazia se lembrar da própria infância, mas também o fazia sonhar com ver sua irmã se tornando uma amazona depois de completar o processo de treinamento. Quem sabe ela não pudesse sucedê-lo na armadura de Fênix... Mas isso era assunto para outra hora. Vê-la ali, feliz e descontraída, também o fazia pensar em seus outros irmãos, que ele não via desde que era criança. Inácia lhe dissera que sabia que eles ainda estavam vivos, mas que não tivera notícias deles desde que entrara na Academia de Aço. Tirando Malu, Inácia era a única mais nova que Matt, então ele esperava que seus irmãos já tivessem conseguido chegar ao Santuário àquela altura. Ele tinha o desejo de encontra-los e trazê-los também para o Santuário... Mas isso também era assunto para outra hora.

            Ele deu as costas para a creche, e se virou para sair, em direção a Palaestra.

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...

...

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            Rapidamente, a visão de Matt mudou. O cenário familiar do Santuário desapareceu, sendo substituído por outro que o garoto de Fênix não reconhecia.

            Era uma paisagem de neve. Sem pensar muito, ele acharia que estava olhando para uma localidade próxima ao Círculo Polar Ártico. Parecia uma cidade antiga, quase escondida em meio a montes de neve. Boa parte da cidade estava em ruínas, mas ela conservava ainda um aspecto real. Algumas palavras estavam erigidas em colunas e paredes, e estavam em cirílico. Será que a visão estava levando Matt para algum ponto da Rússia?

            Matt notou, também, que estava flutuando. Geralmente, em suas visões, ele ficava de pé, tocando o solo, mas quase sempre era transportado para algum evento anterior de sua vida. Ele tinha quase certeza de que aquela nova visão não se tratava de algo sobre sua vida.

            Ele notou que, numa elevação no extremo da cidade, apontada para um grande mar congelado, havia três jovens, de pé, contemplando o horizonte. Dois deles, um garoto e uma garota, usavam roupas de inverno de aspecto nobre, enquanto o terceiro estava vestido como um andarilho viajante. No entanto, o garoto de aspecto andarilho era quem parecia estar à frente do grupo, indicando os passos para os outros dois. Eles pareciam estar na faixa dos 13 ou 14 anos. Com um sobressalto, após reparar nos aspectos geográficos daquele litoral, Matt se deu conta de que o que via não era um mar. Era o extremo norte do Oceano Pacífico, o que implicava que estavam no leste da Sibéria, já perto do Estreito de Bering, que os separava do Alasca. Isso confirmava que aquela visão não se tratava de algo sobre a vida de Matt; ele nunca havia estado na Sibéria.

            Ele flutuou para mais perto dos garotos, tencionando ouvir o que conversavam. Eles não pareciam conseguir vê-lo, ao contrário das visões anteriores do garoto em que sempre conseguia interagir com as pessoas que apareciam na visão. Mas, claro, aquela visão estava se provando diferente de tudo o que o aprendiz de Ikki já havia visto.

— Que bom que você está de volta, Dégel – disse o garoto nobre, falando com um sotaque russo. – Graad Azul não é a mesma coisa sem você.

            Graad Azul. Matt registrou aquele nome, tendo o ouvido anteriormente nas aulas de história no Santuário. Era o nome do local habitado pelos Guerreiros Azuis, cujo líder, Alexei, os Cavaleiros de Bronze haviam conhecido quando tinham ido para Asgard enfrentar os Guerreiros Deuses. Os Guerreiros Azuis tinham uma história complicada com o Santuário, mas tinham, no geral, uma relação bem amistosa com os habitantes de Asgard, mesmo habitando a quilômetros de distância. Talvez o fato de ambos os locais lidarem com o frio extremo tivesse ajudado a facilitar as relações entre os dois povos.

            Com outro sobressalto, Matt notou um certo brasão real bordado nas roupas da garota e do garoto nobres. Era o mesmo símbolo que ele havia visto na capa do Dragão Marinho. Ele se deu conta de que só podia ser o brasão real de Graad Azul. Mas o que aquilo poderia significar? O Dragão Marinho tinha algo a ver com aquela terra?

            De repente, ele notou um movimento do garoto chamado Dégel, que estava à frente dos meninos nobres na elevação. Ele agitava levemente a mão, como se estivesse conduzindo o vento ao redor deles. Outro sobressalto, e Matt notou que ele estava mesmo conduzindo o vento. Mais ainda, os cristais de gelo conduzidos pelo ar pareciam se concentrar em torno do garoto, como se ele de fato os controlasse. Matt se recordou de ter visto Thiago, algumas vezes, agitar a mão de forma similar quando convocava seus poderes de gelo.

            Mesmo sendo uma visão, o garoto de Fênix conseguia sentir o cosmo de Dégel, e era um cosmo intenso. Aquele cosmo poderia facilmente pertencer a um Cavaleiro de Ouro, mesmo que fosse um Cavaleiro de Ouro ainda em início de carreira. Isso gerava inúmeras perguntas sobre Dégel, os garotos nobres, aquela visão como um todo e o que aquilo tinha a ver com o Dragão Marinho e com a situação que os Cavaleiros de Bronze estavam enfrentando, mas Matt decidiu aguardar. Já aprendera a muito que suas visões tendiam a revelar seus propósitos aos poucos.

            De repente, sua atenção se voltou para os garotos nobres. Um deles se dirigia a Dégel:

— O que está fazendo?

— Unity, Seraphina, contemplem – disse Dégel, que falava com sotaque francês. – Este é o poder do Pó de Diamante.

            Ele agitou ainda mais a mão, fazendo o vento circular e os cristais de gelo se espalhar, sem, no entanto, incomodar a ele ou aos dois garotos. Era como se o cosmo de Dégel os estivesse protegendo, fazendo uma espécie de redoma para protegê-los contra o vento afoito em torno deles. Unity e Seraphina observavam, maravilhados.

            Pó de Diamante. Era o nome do golpe fundamental de Thiago e de alguns outros cavaleiros de gelo. Mesmo Matt, que já tinha usado o Pó de Diamante antes, reconhecia que Thiago e, agora, Dégel, tinham um domínio muito maior daquela habilidade do que ele. Isso comprovava que Dégel tinha, ao menos, o conhecimento e o poder de um Cavaleiro de Atena. Talvez ele fosse mesmo um Cavaleiro de Ouro iniciante.

            Mas aquela visão começava a incomodar Matt. Quando o garoto nobre, que devia se chamar Unity, falara com Dégel pela segunda vez, algo na voz do garoto fez o cavaleiro de Fênix ter calafrios, mas ele não conseguia identificar o motivo. Será que ele já havia visto aquele garoto ou ouvido sua voz em algum lugar? Matt tinha quase certeza de que nunca o tinha encontrado.

            Quase inconscientemente, ele flutuou para mais perto dos garotos. Agora conseguia enxergar quase nitidamente os rostos de Dégel, Unity e Seraphina. Ele buscava algum sinal para que, enfim, aquela visão e aqueles pressentimentos fizessem sentido, talvez até para mostrar a ele o que aquela visão tinha a ver com sua visão anterior com Malu, e claro, com a situação na qual se encontravam no Templo Submarino.

            Até que ele viu. Enquanto perscrutava os rostos dos garotos, o rosto de Unity pareceu cintilar. Com um sobressalto, Matt percebeu por que o garoto o havia feito ter calafrios quando falara antes. O rosto de Unity era assustadoramente familiar. As expressões, as linhas do rosto, o formato... Mesmo com uma evidente diferença abissal de idade ali ressaltada, Matt não tinha dúvidas de que já tinha, sim, visto aquele rosto antes.

            Sua visão enfim estava fazendo sentido.

            Unity era o Dragão Marinho.


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Notas finais do capítulo

Até a próxima!!!



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