New Legends - Cavaleiros do Zodíaco escrita por Phoenix Matt Marques W MWU 27


Capítulo 124
A coragem de Rina


Notas iniciais do capítulo

Oi gente.
Em primeiro lugar, um pedido de desculpas.
Oito meses sem postar é muita coisa, mesmo para os meus padrões. Espero sinceramente que me perdoem. Prometo que nesse restinho de férias, vou tentar atualizar algumas de minhas outras fanfics também.
Agradeço pela paciência de vocês.

Dedico este capítulo a dois de meus mais fiéis leitores, Bills o Destruidor e Archer Shiro.

Sobre este capítulo:
O Dragão Marinho está contando vantagem e acreditando que os Cavaleiros de Bronze não são páreo para ele.
Paulo de Órion procura Shaka de Virgem e pede para este último treiná-lo.
Leandro e Shion enfim chegam a Star Hill, e Shion se consulta com Atena sobre se a presença de Leandro no monte sagrado pode ser benéfica para eles em meio a esta guerra.
Betinho, Gustavo e Thiago se dirigem para o Grande Suporte Principal, todos eles torcendo para que Rina e Matt sejam bem sucedidos nos pilares restantes.
Isabella e Fernanda encontram Rina desacordada, e percebem o que ela precisou fazer para salvar a vida de Sorento.
...
Capítulo ficou meio grande, mas espero que gostem.



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            O Dragão Marinho olhou em volta, tentando achar algum fragmento que tivesse sobrado do Cavaleiro de Fênix que havia estado defronte a ele há pouco. Não conseguindo visualizar nada de alarmante, deu-se por satisfeito, e voltou a contemplar o horizonte. Ficou ponderando sobre como proceder quando o próximo cavaleiro aparecesse: continuar escondido atrás do pilar para surpreendê-los com um golpe, como fizera com o garoto momentos antes, ou permanecer diante do pilar para intimidá-los com seu porte e seu cosmo. Fosse como fosse, ele teria tempo para pensar. Os outros cavaleiros ainda teriam dois pilares para destruir e...

            Ele sentiu uma perturbação ao longe. Um dos pilares aparentemente havia ruído. Pelo visto Isaak também fora derrubado pelos Cavaleiros de Bronze. Sorento dentro de instantes seria um rato morto, pela mão dos soldados. Pouco importava... o Dragão Marinho ainda estava no controle da situação. O senhor do submundo havia lhe confiado aquela posição para que garantisse que ninguém sobrevivesse para alcançar o Grande Suporte Principal, para que Poseidon fosse encerrado pelas águas da escuridão e para que o mundo fosse tragado pelas inundações. Quantos e quaisquer cavaleiros que viessem... o Dragão Marinho estaria preparado. Nenhum Cavaleiro de Bronze sobreviveria a ele.

            One down, four to go. (Traduzido do russo.) Um já foi, quatro por vir, pensou ele em seu idioma. Os feitos do guerreiro seriam eternizados nas páginas dos mitos revividos da nova era.

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            - Chegamos, Leandro. Sugiro que tente evitar derramar sua saliva sobre este chão sagrado – recomendou Shion.

            Leandro estava realmente boquiaberto; estava impressionado com o esplendor de Star Hill. Além de ser belo, o lugar possuía uma enorme aura de magia em torno de si, ou pelo menos era o que o cavaleiro de Escultor conseguia perceber acerca do local.

— Uau. – Leandro se obrigou a fechar a boca após essa exclamação, por que provavelmente começaria a babar incontrolavelmente se continuasse a contemplar o templo de Star Hill.

            Ele se obrigou a se virar novamente para Shion.

— Grande Mestre, mais uma vez estou honradamente agradecido por ter permitido que eu o acompanhasse até aqui. Estou certo de que Star Hill será uma experiência única.

— Não precisa me agradecer, Leandro – sentenciou Shion, soturnamente. – Apenas faça o que tiver de ser feito, e não faça com que eu me arrependa de tê-lo trazido aqui.

— Farei o meu melhor, Grande Mestre. Espero que as informações que busco aqui sejam de grande ajuda para o Santuário no momento atual.

— Que assim seja. Ainda preciso me consultar com Atena sobre a sua presença aqui. Teria feito isso antes, mas Atena está ocupada mantendo a barreira de cosmo em torno do Santuário para proteger-nos das inundações. A atenção dela está completamente voltada para impedir que as chuvas torrenciais atinjam o Santuário e as cidades da região, mas creio que seja possível me comunicar com o cosmo dela enquanto estamos aqui.

— Perfeitamente, Grande Mestre. E onde eu devo...?

— Ah, sim, Leandro, vou conduzi-lo a uma das salas anexas de leitura do templo. Creio que achará o lugar bastante propício para sua consulta aos documentos antigos. Também estará próximo do meu local de meditação, para o caso de eu precisar chama-lo. E peço que tenha o cuidado de devolver os pergaminhos de volta a seus locais de origem nas estantes após consulta-los. Estamos de acordo?

— Claro, Grande Mestre – retrucou Leandro.

— Siga-me – orientou Shion.

— Com prazer, Grande Mestre.

            Ao chegarem à sala indicada por Shion, o Grande Mestre pediu que Leandro se acomodasse na sala, mas que não tocasse em nada antes que o ariano se comunicasse com Atena. Perscrutando o cosmo, ele identificou uma brecha na concentração de Atena que talvez pudesse fazê-lo se comunicar com ela.

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            - Revele-se, meu jovem.

            A voz de Shaka ressoou na Casa de Virgem aparentemente vazia. Após terminar de assistir a novela, ele ficou curioso para se dirigir ao rapaz cujo cosmo ele sentia há pouco escondido na casa. O que o teria levado até ali, enquanto os outros cavaleiros acompanhavam a batalha do Templo Submarino?

            Paulo de Órion saiu de trás da coluna onde estava escondido e fez uma reverência para Shaka, que havia se virado para vê-lo, embora ainda estivesse de olhos fechados.

— Peço desculpas pela intromissão, senhor Shaka.

            Shaka ficou curioso com a introdução do garoto. O Cavaleiro de Virgem não conseguia vislumbrar a mente do rapaz.

— O que o trás até aqui, jovem? Certamente que não foi só para assistir a novela. Nem mesmo para me enfrentar ou matar.

— Não, senhor. Não tenho capacidade para enfrenta-lo ou mata-lo. Eu ouvi falar de seu poder. Queria ter a oportunidade de treinar e aprender sob a sua tutela – declarou Paulo.

— Como se chama? – indagou Shaka.

— Sou Paulo, da constelação de Órion.

— Quem é seu mestre? Seu antigo tutor de treinamento?

— São dois, na realidade. June de Camaleão e Shun de Andrômeda.

— Shun é o seu mestre? – indagou Shaka. – Isso é surpreendente. Se foi treinado por um Cavaleiro de Virgem, que é Shun, por que recorre a outro Cavaleiro de Virgem em busca de conhecimento?

— Shun nunca dedicou muito tempo para supervisionar meu treinamento da maneira que eu creio que fosse adequada. Ele confiou a maior parte da minha preparação às orientações de June, e deu preferência ao treinamento de minha amiga Rina, que o sucedeu na armadura de Andrômeda. Creio que ele a enxerga como sua eventual sucessora para a constelação de Virgem, só que Rina descobriu recentemente que é irmã do Milo de Escorpião. Ela está maravilhada com a figura do irmão mais velho, que é quase uma figura paterna para ela, e provavelmente deseja seguir o legado dele, não o de Shun. O que deixa o posto de herdeiro de Shun na cadeira de Cavaleiro de Virgem vago, até que surja alguém à altura para ocupar esse lugar.

— E você é esse alguém? – indagou Shaka.

— Não – declarou Paulo, firmemente. – Não ainda.

— “Não ainda”. Então é por isso que veio aqui – deduziu Shaka. O garoto estava se mostrando mais curioso do que o indiano assumira inicialmente. – Você deseja se tornar o Cavaleiro de Virgem na próxima geração... que não deve tardar muito a chegar, a propósito.

            Paulo franziu a testa ao ouvir essas palavras, mas Shaka apenas deu de ombros ao perceber a reação intrigada do garoto.

— Não se incomode, meu rapaz. São apenas devaneios de um velho guerreiro preocupado com o presente e com o futuro do Santuário – admitiu o cavaleiro dos anos 1980. – Mas vamos tratar do que você veio buscar aqui. Tem certeza de que quer passar por este treinamento, para o qual você talvez não esteja preparado devidamente?

— Sim, senhor.

— Estou percebendo uma determinação firme em você. No entanto, devo alertá-lo acerca das dificuldades que vivenciará se continuar decidindo a embarcar nesse treinamento. Tem certeza de que não há como convencê-lo a voltar atrás nessa decisão?

— Sim, senhor, tenho. Não há como voltar atrás, ainda mais agora que sei que é possível alcançar meu objetivo.

            Shaka o fitou profundamente, mas não respondeu de imediato.

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            “Está decidido. Ele parece estar convencido de minhas intenções”, pensou Paulo. “Por que então ele não se manifesta? O que mais eu preciso dizer, ou fazer, para convencê-lo de que estou determinado a manter e seguir com minhas decisões?”

            Após alguns minutos de silêncio absoluto, Paulo, já beirando o nervosismo, tentou quebrar a tensão:

— Senhor Shaka, quando começaremos?

            Shaka então abriu os olhos.

— Acabamos de começar. Você disse que não veio para me enfrentar, meu jovem, mas é possível que, ao fim de nossas sessões, você considere que me enfrentar teria sido uma opção menos difícil.

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            Shion conseguiu finalmente se comunicar com o cosmo de Atena, que tentava manter a barreira que protegia o Santuário na mesma intensidade.

— Atena, perdoe pela intromissão, mas preciso falar-lhe sobre algo importante...

— Já sei do que se trata, Shion, não se incomode – respondeu Saori rapidamente. – Você está tencionando se comunicar comigo sobre o fato de ter levado o Leandro para Star Hill.

— Mas como soube, Atena?

— Shion, por favor. Sou humana, mas também tenho a alma de uma deusa dos tempos mitológicos. Consigo perceber muitas coisas ao meu redor, ainda mais quando estou erguendo uma barreira com meu cosmo para proteger o Santuário e as cidades vizinhas. Mas receio que a sua preocupação em se reportar a mim tenha sido um tanto exagerada.

— Atena, não fiz por mal. Eu achei que a presença de Leandro aqui em Star Hill seria benéfica. Confesso que a presença dele no Santuário por tanto tempo tem me perturbado. Ele sempre foi um nômade, sempre gostou de repassar seus ensinamentos pouco ortodoxos sobre arte, e agora resolve se estabelecer aqui por tempo indeterminado, logo quando os Cavaleiros de Bronze estão se fortalecendo e passando por árduas provações. Não posso deixar de pensar que esses dois fatos estão interligados. Soma-se tudo isso ao fato de estar trazendo alguém para Star Hill sem avisar a você previamente, deve-se a isso minha preocupação em te contatar com urgência, considerando as circunstâncias atuais do Santuário.

— Shion, sua atitude foi louvável, mas ainda assim, exagerada na minha perspectiva. – Considerando o clima de guerra e o fato de estar protegendo milhões de inocentes da região circunvizinha das chuvas torrenciais, a voz de Saori ecoando pelos pensamentos de Shion estava surpreendentemente pacífica. – É importante sim, a meu ver, termos Leandro perto das nossas vistas nesse momento delicado. Também quero entender qual é o papel dele nesta Guerra santa e, principalmente, por que ele resolveu permanecer no Santuário logo agora, justo na mesma época em que os Cavaleiros de Bronze estão envolvidos em tantas batalhas. De qualquer forma, está mais do que autorizado a manter Leandro ao seu lado em Star Hill pelo tempo que julgar necessário.

            Shion ficou em silêncio por alguns instantes para absorver aquelas palavras. Mais uma vez, Atena lhe surpreendia com sua compreensão avançada sobre a situação corrente no Santuário, e lhe mostrava como ele, o Grande Mestre, por vezes, se preocupava em excesso.

— Shion, se for somente esse o assunto que tiver a tratar comigo, preciso voltar a direcionar meu cosmo integralmente para proteger as cidades da região das chuvas torrenciais – alertou Saori. Shion saiu instantaneamente de seu torpor.

— Sim, perfeitamente, Atena – respondeu Shion. – Irei concentrar meus esforços aqui em Star Hill para a leitura das estrelas, em busca das respostas que procuro, e para orientar o jovem Leandro. Espero não entrar em contato com você novamente, não antes do fim desta crise.

— Perfeitamente, Shion – concordou Atena. – Boa sorte para todos nós.

            E o elo de comunicação com o cosmo da deusa se fechou, deixando Shion sozinho para meditar sobre o impacto das palavras da olimpiana.

— É impressionante como mesmo depois de eras, Atena ainda consegue colocar as necessidades de todos à frente das suas próprias – refletiu Shion em pensamento. – Consegue ver pontos positivos em tudo à sua volta, mesmo quando o caos parece reinar livremente. Ah, Atena, mesmo depois de anos, eu ainda não consigo compreender por completo a dimensão e a grandeza de sua bondade. Talvez seja melhor assim, pois você continuará nos surpreendendo com seus atos de altruísmo.

            Shion teria refletido mais, porém lembrou-se subitamente da presença de Leandro na sala vizinha e se perguntou se o Cavaleiro de Escultor não estaria ponderando sobre o motivo de sua demora.

            Shion deixou sua sala e foi até a saleta anexa onde havia instalado Leandro. O Escultor estava sentado no chão, de pernas cruzadas, de costas para o corredor, aparentemente meditando.

— Leandro – chamou calmamente o Grande Mestre. O jovem cavaleiro adulto se virou de leve para encarar seu superior. – Já terminei minha conferência com Atena. Ela autorizou sua presença aqui. Pode iniciar seu estudo.

            Shion chamou o que Leandro tencionava fazer em Star Hill de “estudo” por não encontrar outro termo que fosse mais apropriado ao gênio maleável do Cavaleiro de Escultor em sua definição. O antigo Cavaleiro de Áries do século XVIII não pode deixar de notar a presença da mala de estimação de Leandro aos pés do brasileiro.

— Será um prazer, Grande Mestre – afirmou Leandro, esboçando um sorriso largo. Ele se levantou e começou a abrir sua mala.

— Lembre-se de tudo o que falei. Tome cuidado com os documentos antigos e retorne-os aos seus lugares de origem após uso – recomendou Shion. – E não se esqueça de nosso acordo: você terá o dever de me proteger contra ameaças externas durante o período em que estivermos aqui.

— Eu honrarei nosso acordo, Grande Mestre – exclamou Leandro, interrompendo brevemente seus preparativos, e se virando novamente para Shion. – Mestre, a propósito... O senhor acredita realmente que possamos estar sujeitos a ameaças externas mesmo estando em Star Hill, o lugar mais alto e mais seguro do Santuário?

            Shion fitou o cavaleiro de Escultor intensamente por um momento, em seguida se virou em direção à sala principal, mas não deu um passo sem antes responder.

— Estamos numa guerra santa, Leandro. Eu já vivi um pouco mais do que você. De uma guerra santa, eu me dou o direito de esperar qualquer coisa.

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            Betinho contemplou os soldados caídos que havia acabado de derrotar em frente ao pilar do Oceano Antártico. Eles haviam tomado muito do seu tempo, mas aquele pequeno embate havia servido a seu propósito. O golpe desleal de Kasa de Lymnades já não o incomodava mais na parte de trás da cabeça, e ele se sentia revigorado, pronto para se reunir a seus amigos e derrotar os inimigos restantes. Dando as costas aos inimigos caídos, ele se voltou para a trilha atrás do pilar. Isabella e Fernanda haviam partido há muito, em busca do pilar seguinte em que um cavaleiro de Bronze necessitasse de ajuda para destruí-lo.

            Pelas suas contas, restavam três pilares de pé, embora ele tivesse sentido o cosmo de Thiago ao longe se voltando contra um deles. Certo de que seu irmão teria sido bem-sucedido, isso deixava apenas dois pilares de pé, além do Pilar Principal onde o hospedeiro de Poseidon estava encerrado.

            Imaginando que Matt e Rina ficariam encarregados desses dois últimos pilares, ele cogitou se dirigir ao Pilar Principal sozinho, para tentar produzir algum dano contra ele, visto que Sorento orientara que aquele pilar era dependente dos demais. Se desse tempo de Rina e Matt destruírem os dois pilares finais enquanto Betinho se dirigia ao Templo de Poseidon, ele já teria alguma perspectiva de causar dano ao pilar. Mas ele se lembrou de que havia ainda muitos soldados Marinas espalhados pelas trilhas e pelo Templo, e estes poderiam atrasá-lo.

            Foi quando ele sentiu dois cosmos se movimentando à distância, à sua frente. Um deles corria pela trilha ao norte da que ele estava prestes a tomar rumo ao Pilar Principal. O outro se dirigia por uma trilha mais longínqua, talvez a nordeste ou noroeste.

            Se seu sentido geográfico estivesse correto, um deles era Gustavo saindo do Oceano Índico, em direção ao Pilar Principal, e o outro era seu irmão Thiago, saindo possivelmente do Oceano Ártico, também em direção ao Pilar Principal, localizado no centro do Templo Submarino. Os dois deviam ter tido a mesma ideia que Betinho estava cogitando.

            Subitamente, o cavaleiro de Pégaso se animou em seu íntimo. Ele não estaria sozinho, e tinha muito receio de fazer qualquer coisa sozinho, mesmo depois que tinha se tornado cavaleiro. Destruir o Pilar Principal seria uma tarefa menos difícil, tendo Gustavo e Thiago ao seu lado e contando com a eficácia de Rina e Matt para destruir os dois pilares restantes.

            Confiante e revigorado, ele disparou a correr pela trilha que saía do Oceano Antártico, tomando o mesmo caminho que sentia que Gustavo e Thiago estavam seguindo: direto para o coração do Templo Submarino.

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            Longe dali, Gustavo continuava se esforçando para caminhar mais rápido pela trilha que ia do Oceano Índico até o centro do Santuário Submarino, sem, contudo, forçar demais os ferimentos das batalhas contra Krishna e contra os soldados. À distância, atrás dele, os restos do Pilar do Oceano Índico estavam quase a desaparecer de vista.

            Sorrindo, ele sentiu os cosmos de Betinho e Thiago se deslocando numa velocidade constante, porém mais rápida do que a dele no momento, em direção ao último pilar, o tal Grande Suporte Principal, onde Poseidon estava aprisionado. Aquilo lhe deu uma motivação a mais: se conseguisse apressar o passo, encontraria os amigos exatamente no pilar, e os três poderiam unir forças para tentar começar a destruí-lo. Gustavo não via seus amigos desde que haviam chegado ao Templo Submarino, e naquele momento, após a fadiga que sentiu após seu duelo contra o General Marina, ele não queria agir sozinho. Queria sentir o apoio de seus amigos, para que sua confiança crescesse e ele pudesse concluir o objetivo da missão ao lado deles.

            Assim que pensou isso, ele sentiu, ao longe, os cosmos de Rina e Matt desaparecendo quase ao mesmo tempo. Ele se preocupou com a situação dos amigos, seja lá pelo que eles estivessem passando, mas em seu íntimo, ele tinha convicção de que ambos conseguiriam superar as adversidades que estivessem enfrentando.

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            Caminhando na outra extremidade do Templo Submarino, Thiago de Cisne pôs-se a correr mais esperançoso, sentindo seu cosmo em sintonia com o de seu irmão e o de Gustavo ao ver que todos os três se lançavam na mesma direção, até o Pilar Principal. Ele também notou com apreensão o desaparecimento das energias cósmicas de Matt e de Rina à distância, mas, ao contrário de Gustavo, ele tinha mais motivos para se preocupar com os cavaleiros de Fênix e Andrômeda devido ao que tinha ouvido de Isaak no Pilar Ártico.

Rina tinha se dirigido ao único pilar protegido por um aliado, Sorento, e mesmo assim algo havia acontecido para que ela perdesse suas forças por completo. Thiago não conseguia ponderar sobre o que poderia ter causado isso. E Matt... Ele tinha se dirigido exatamente para o Pilar do Atlântico Norte, guardado pelo mais misterioso e supostamente mais poderoso de todos os generais. Se esse general era tão forte a ponto de ter liquidado Matt tão rapidamente, que chance os demais Cavaleiros de Bronze teriam? Thiago admirava Matt desde que eles tinham se tornado amigos, após a Guerra Galáctica e as batalhas contra os Cavaleiros Negros, e o considerava um dos Cavaleiros de Bronze mais fortes da geração atual, quase como uma figura que transmitia confiança e esperança a seus aliados. Sem Matt, eles podiam estar perdendo uma peça importante de sua turma.

            Infelizmente, Thiago já havia percorrido uma extensa faixa da trilha para pensar em voltar em direção a um dos dois pilares e tentar ajudar. Além disso, na conversa com Isabella ele tinha deixado claro que não iria interromper Rina ou Matt enquanto eles estivessem nos dois pilares do Atlântico devido ao código de honra seguido pelos cavaleiros. Precisava confiar na capacidade de seus amigos e se concentrar em alcançar Betinho e Gustavo para ajuda-los a danificar o Grande Suporte Principal. Ele afastou os pensamentos nebulosos de sua mente e tentou correr com mais afinco, para encurtar o caminho até o fim da trilha.

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            Isabella e Fernanda terminaram de correr ao avistar de perto o Pilar do Atlântico Sul. A cena adiante delas era tão confusa que as duas estacaram ao mesmo tempo, como se tivessem combinado, sem saber como reagir.

            Havia alguns poucos soldados, talvez uns trinta, escondidos atrás dos arbustos de algas e das pedras que rodeavam o pilar. As duas amazonas se abaixaram, passado o choque, e se esconderam atrás de uma grande rocha, próxima ao fim da trilha que conduz ao pilar, para que não fossem vistas.

            Ambas estavam ainda um tanto tensas devido ao sumiço inexplicável do cosmo de Rina, visto que não deveria ter havido resistência para ela naquele pilar, a não ser por parte dos soldados, uma vez que Sorento era o único general que estava lutando ao lado deles. Mas a cena ainda tinha mais detalhes confusos.

            Os soldados escondidos de tocaia defronte a elas pareciam receosos em se aproximar do pilar. Tudo isso por causa de uma cosmo-energia cálida, porém intensa, que parecia vir de um ponto próximo aos pés do pilar.

            As duas amazonas apertaram os olhos para enxergar. Ali, no ponto de onde a cosmo-energia vibrava suavemente, estavam Rina e Sorento, deitados no chão. Sorento, parecendo muito ferido, estava com as pernas entortadas num ângulo estranho, com a cabeça pendendo para o chão e estava com a mão esquerda sobre o peito. Rina estava deitada ao lado dele, apoiando sua cabeça no ombro do general (a cabeça dele estava voltada para o outro ombro), com sua perna direita estendida sobre a perna esquerda de Sorento, e com a mão direita recostada no peito do guerreiro austríaco. Nenhum dos dois parecia estar respirando e estavam estranhamente imóveis.

            O mais curioso é que aquela cálida cosmo-energia parecia emanar da própria Rina, inclusive emitindo uma pequena luz rósea, da cor da Armadura de Andrômeda, em torno da cena, muito embora Isabella e Fernanda tivessem sentido o cosmo dela desparecer momentos antes.

— Essa energia sem dúvida vem da Rina – comentou Isabella, baixando o tom de voz o suficiente para que só Fernanda escutasse, tomando cuidado para que os soldados não as ouvissem. – Mas isso não explica nada. Nós sentimos o cosmo dela se apagando. Como então que ela ainda consegue irradiar energia desse jeito, a ponto de fazer os soldados não se aproximarem? E o que houve para ela ficar naquele estado? Ela está estranhamente pálida e não parece se mexer...

— Mais importante, como que ela e o general bonitão acabaram deitados assim, juntinhos, nessa posição? – indagou Fernanda, também em voz baixa, mas com um tom bem mais despreocupado que a garota de Prata. – Se não conhecesse tua amiga, Branca de Neve, diria que ela estava se jogando literalmente para o tal Sorento.

— Fernanda, não é hora para piadas – censurou Isabella. – Algo muito grave deve ter acontecido para deixar os dois assim, imóveis e desacordados. Não sinto nenhuma energia vinda do Sorento, mas esse cosmo cálido da Rina ainda está me intrigando... Temos que descobrir o que aconteceu, e o que está acontecendo, e ao mesmo tempo impedir que os soldados os ataquem, enquanto estão indefesos.

— Nenhuma ideia surge nessa sua mente genial? – ironizou Fernanda. – Desde que chegamos aqui, você parece ter todas as respostas prontas. Agora, que vimos sua amiga enrolada com o general, você resolve dar um bug no seu cerebrozinho?

            Isabella, já sem paciência com os comentários da rival, abriu a boca para responder, mas nesse momento, algo inesperado aconteceu.

            A cosmo-energia cálida e a luz que ela emitia sumiram de repente, e logo em seguida, o general Sorento de Sirene arfou, se erguendo de seu estado de aparente desmaio, e levou as mãos ao peito.

            As duas amazonas observaram atentamente quando Sorento olhou em volta e contemplou o corpo inerte de Rina com uma expressão confusa e atordoada na face. Quando Sorento havia se erguido, a mão e a perna dela que se apoiavam no corpo do general Marina do Atlântico Sul foram de encontro ao chão, mas a amazona de Andrômeda não acordou.

— O que aconteceu...? – balbuciou Sorento, olhando para Rina. – Não sinto mais nenhuma dor dos ferimentos que recebi... Mas Andrômeda está... Rina está assim, imóvel e desfalecida no chão... O que será que você fez, minha pobre garota... O que você fez para conseguir me curar e...

— SOLDADOS! – gritou um dos marinas escondidos, que devia ser o chefe da tropa. – Pelo jeito, Sorento já despertou de seu sono de beleza. Já podemos dar cabo dele e da garota! Avante, em nome do imperador Hades!!

            E os soldados irromperam todos de seus esconderijos, partindo em direção a onde Rina e Sorento estavam; sem o cosmo de Rina para intimidá-los, eles partiram sem medo para atacar o general. Isabella percebeu com um sobressalto que Sorento, em meio ao choque de se ver curado e encontrar Rina desacordada ao seu lado, não havia percebido a presença dos soldados marinas camuflados em torno do pilar. O Marina, ao notar a aproximação dos inimigos, procurou por sua flauta, que ele havia deixado cair próximo aos pés do pilar antes de cair desacordado. Aquela distância, contudo, era muito grande para que Sorento conseguisse recolher a flauta antes de os soldados o alcançarem. Mesmo que ele conseguisse alcança-la, daria tempo aos soldados para alcançar e ferir a indefesa Rina.

            Isabella, percebendo o grande risco que sua amiga corria, não pensou duas vezes. Soltou a armadura de Libra de suas costas, levantou-se e ergueu as mãos em direção aos soldados.

Muralha de Cristal!!

            Ela conseguiu conjurar a Muralha de Cristal em frente ao pilar, separando Sorento e Rina dos soldados. Alguns deles, que haviam corrido mais rápido, bateram de cara na barreira e foram jogados com força para trás. A tropa corrompida de Poseidon, atônita, olhou para trás para ver quem tinha conjurado aquele muro intransponível.

            Vendo que tinha obtido a atenção dos marinas, Isabella sorriu perversamente para eles, e voltou-se para Fernanda, que também havia se levantado.

— Fernanda, faça o que faz de melhor. Queime esses otários – disse ela com toda a frieza que conseguiu reunir.

— Ahá, gostei de ver, Branca de Neve... Sabe ser cruel quando o momento pede – admirou-se Fernanda.

— Garotas insolentes! – gritou o chefe da tropa. – Homens, exterminem-nas! Pagarão caro por tentar interromper os planos do senhor Hades!

            Os soldados se lançaram na direção delas, com as armas em riste, prestes a atirá-las. Fernanda, porém, foi mais ágil, e alcançou os soldados antes que eles pudessem perceber a presença dela, e começou a disparar seus golpes de fogo contra eles.

— Tomem isso! Punho de Fogo!! Queimem, seus lacaios imundos de Hades!

            Fernanda disparava suas centelhas de fogo com um sorriso confiante, acertando em cheio os soldados à sua volta, que tiveram suas escamas destruídas devido às fortes queimaduras aplicadas pela amazona de Aço. Isabella reparou que alguns dos soldados haviam recuado e estendiam suas armas, não em direção a Fernanda, mas em direção à própria amazona de Taça.

            Ela notou também o olhar de Sorento. Ele parecia agradecido por elas terem surgido naquele momento para ajudar, mas ele também queria ser útil, uma vez que estava inexplicavelmente livre dos ferimentos anteriores, graças a Rina. Ele desviou o olhar para sua flauta, e Isabella desfez a Muralha de Cristal com um gesto, enquanto os soldados lançavam suas armas contra ela.

            Sorento colocou Rina deitada de barriga para cima, e o rosto dela pendeu para o lado esquerdo. O general então olhou de relance para Isabella, agradecendo com um leve aceno de cabeça, e foi ao encontro de sua flauta.

            Isabella afastou as armas dos marinas, usando a força de seu cosmo, com um simples gesto quando elas se aproximaram demais de seu rosto. Vendo que Fernanda havia contido pelo menos uns dez soldados com seus golpes, ela se voltou para o resto da tropa.

Revolução Estelar!!— exclamou ela, lançando sua explosão de poeira estelar contra os soldados, que foram todos lançados para o alto com o impacto do golpe, caindo com um baque no chão da trilha que levava ao pilar.

            Fernanda também havia conseguido derrubar um bom número de soldados, mas alguns, que haviam ficado recuados durante o confronto, aproveitaram a derrota de seus companheiros para tentar fugir. As duas garotas se voltaram ao mesmo tempo contra eles, mas não precisaram se esforçar.

Sinfonia Final da Morte!!— exclamou Sorento, levando os lábios à flauta.

            Uma bela e suave melodia irrompeu do instrumento do general. Para as duas amazonas, aquilo soou delicadamente, mas os soldados que tentavam fugir, ao ouvirem a canção, berraram como se estivessem sofrendo de dores excruciantes, levaram as mãos à cabeça e seus corpos tremeram violentamente, como se estivessem sofrendo convulsões, até que, por fim, eles caíram inertes no chão. Assim, todos os soldados que haviam estado de tocaia em torno do pilar estavam agora caídos.

— Fernanda – chamou Isabella. – Vi que você danificou as armaduras dos soldados que combateu, mas certifique-se de que os demais soldados também tenham suas armaduras danificadas. Assim eles não poderão se reerguer, pelo menos não mais como submissos ao Hades.

— Como sabe disso, princesinha?

— O Sorento se comunicou mentalmente comigo pelo cosmo, me avisando sobre esse detalhe acerca da armadura dos soldados, quando eu desfiz a Muralha de Cristal para que ele pudesse nos ajudar a combate-los – explicou a amazona de Prata. – Pelo jeito, ele ouviu isso da Rina, quando ela ainda estava consciente, enfrentando os soldados que estiveram aqui antes, tentando ferir o Sorento. Enquanto isso, vou falar com o Sorento e tentar descobrir o que aconteceu com a Rina.

— Que seja, então – disse Fernanda, e se voltou para os corpos dos soldados caídos, quebrando as escamas de cada um, sem, contudo, feri-los de morte (estavam todos desacordados).

— Senhor Sorento, eu sou Isabella de Taça – disse ela ao se aproximar do general, que segurava sua flauta firmemente com ambas as mãos, embora não houvesse inimigos à vista. Ele havia se postado de pé ao lado do corpo imóvel de Rina, como se a estivesse protegendo. – Fui enviada pelo Santuário para trazer a Armadura de Libra para auxiliar os Cavaleiros de Bronze na destruição dos Pilares. – Ela estalou os dedos, e a urna da armadura de ouro, que tinha ficado para trás na trilha, voou em direção a ela. – Como o senhor deve saber, as armas da Armadura de Libra são as únicas coisas que podem destruir os pilares do Templo de Poseidon.

— Entendo – disse Sorento, relaxando um pouco e soltando uma das mãos da flauta. – Recordo-me sim da Armadura de Libra ter sido usada para esse fim na última guerra. Havia inclusive um menino que a transportava entre os pilares, ajudando os Cavaleiros de Bronze antigos a destruí-los.

— Sim, o senhor está falando de Kiki, o meu mestre – informou Isabella, sorrindo levemente. – Ele atualmente é o Cavaleiro de Áries, senhor.

— Já conhecia Kiki de Áries, mas não me lembrava de que ele era aquele menino da última guerra – refletiu Sorento. – Então você diz que seu nome é Isabella, e que veio enviada pelo Santuário. – Ele analisou a garota rapidamente e pareceu estar convencido, então voltou os olhos para Fernanda, ainda ocupada quebrando as escamas dos soldados caídos. – E quanto à outra garota?

— Aquela é Fernanda de Fogo, amazona de Aço – disse Isabella. – Ela... está me auxiliando, para todos os efeitos. Bom, senhor Sorento, eu creio que seja hora de destruirmos esse pilar, mesmo sendo o pilar que o senhor sempre protegeu.

— Eu entendo, minha cara, não os impedirei de destruírem o pilar, afinal nosso inimigo aqui é Hades, e tanto Atena quanto Poseidon estão sendo ameaçados por ele – recordou Sorento. – Mas, devo dizer, quando você se aproximou para falar comigo, parecia bastante aflita com algo. Havia algo que quisesse me perguntar?

            Com um sobressalto, Isabella se lembrou de Rina, e olhou novamente para o corpo inerte da amiga.

— S-sim – gaguejou ela. – Sorento, não pude deixar de reparar no estado da Rina. Nós chegamos aqui pouco antes de você despertar. Havia um cosmo cálido emanando do corpo dela, o que era estranho, visto que, no caminho para cá, nós duas havíamos sentido o cosmo dela se extinguir. Mas o caso é que havia ainda uma fração desse cosmo emanando da Rina, e esse cosmo estava mantendo os soldados afastados e, ao mesmo tempo, parecia estar cobrindo você. Como se... Não sei. O que você acha que pode ter sido?

— Minha cara, não sei mais do que você – admitiu ele. – Minhas lembranças estão um pouco opacas, mas sei que sua amiga Rina chegou a este pilar, e me encontrou agonizando, devido aos ferimentos desleais dos soldados que encontrei antes de chegar aqui. Não conversamos muito, mas me lembro de ter pedido a ela que me protegesse. Eu estava fraco, mal conseguia ficar de pé. Os soldados retornaram, e ela deu cabo deles. Pouco antes de minha consciência sumir, lembro-me que ela veio para perto de mim, e se abaixou perto do meu corpo. – Ele olhou novamente para a amazona desacordada. – Não me lembro de ela ter se deitado ao meu lado. Sei que, quando acordei, era ao meu lado que ela estava deitada. E meus ferimentos haviam sumido.

— É, Sorento, nós vimos, mas o que me deixa intrigada é como ela conseguiu... – começou Isabella, até que de repente sua memória se agitou e ela se lembrou de uma história contada pelo mestre Shion muito tempo atrás. – Mas será...? Só pode ser isso! Como a Rina teve coragem de fazer...

— Pronto, Branca de Neve! – exclamou Fernanda, indo ao encontro deles. – Terminei o serviço. Todos os soldados estão sem armadura agora. Eles não irão causar mais problema, e parece que a influência de Hades também saiu de dentro deles. O que eu perdi?

— Agora não, Fernanda! – ralhou a amazona de Taça. – Graças ao que Sorento me contou, acho que sei o que aconteceu com a Rina.

— E o que foi? – indagou Sorento, visivelmente ansioso para descobrir.

— Tempos atrás, o Grande Mestre do Santuário contou-me uma história sobre o Shun, o mestre da Rina e antigo cavaleiro de Andrômeda – contou Isabella, e Sorento fez sinal de que reconhecia o nome de Shun. – Ele disse que Shun havia tido que doar seu cosmo para um amigo caído que havia perdido boa parte de sua energia vital. Com isso, Shun havia ficado sem energia. Desacordado, semimorto, como a Rina está agora. O fato do cosmo dela estar brilhando sobre vocês... emanando calidamente e mantendo os soldados longe... ela estando deitada do seu lado... É isso, ela fez o mesmo que o Shun. Ela doou seu cosmo para você, Sorento, para que você se recuperasse por completo dos ferimentos recebidos. Pelo que sei, essa habilidade ficou impregnada na armadura de Andrômeda desde esse episódio do Shun, e pelo visto, a Rina também sabia disso.

            Sorento, aturdido, olhou novamente para Rina. Aquela garota havia acabado de conhecê-lo, e mesmo assim, havia se esforçado não somente para protegê-lo, mas também para restituir suas forças e eliminar seus ferimentos. Que tipo de pessoa oferecia voluntariamente esse tipo de ajuda a um desconhecido? Ainda mais um guerreiro de Poseidon, que deveria ser seu inimigo natural? Sorento mais uma vez se surpreendia com a determinação e a coragem dos cavaleiros de Atena. Com Rina, especialmente.

— Eu sou um completo estranho para ela – comentou Sorento. – E mesmo assim, ela estava disposta a dar sua vida para me restabelecer.

— O curioso é que isso nem é do feitio dela! – exclamou Isabella, exasperada. Ela se abaixou e tocou a cabeça da amiga. – A Rina não demonstra, mas é bastante tímida. Ela dificilmente interage com quem não conheça direito. Sempre prefere estar junto com quem já possui intimidade, seus melhores amigos e amigas lá no Santuário. Sei disso por que fui a primeira amiga que ela fez depois de se tornar amazona. Ela sempre tem receio de interagir com quem está fora desse grupo. E, no entanto, ela escolheu você para usar essa habilidade herdada do mestre dela. Só posso presumir que ela sentiu uma grande compaixão por você, Sorento, ao vê-lo ferido de forma desleal por seus antigos aliados e desprotegido contra eles. Compaixão grande o bastante para fazê-la superar a própria timidez em se aproximar e ajudar um desconhecido. Se tiver sido realmente isso que ocorreu, a Rina amadureceu muito nesses poucos meses decorridos desde que se tornou uma amazona.

            De repente, Isabella deu um soco no chão, tomando cuidado para não ferir o rosto de Rina.

— Ei, Branca de Neve, se controla! – disse Fernanda, se abaixando também e segurando a amazona de Prata pelos ombros. – Assim você vai acabar machucando sua amiga bela adormecida!

— E agora, sua tonta, olha o que você fez! – ralhou Isabella, se dirigindo a Rina, sem dar atenção às palavras de Fernanda e com os olhos lacrimejando. – Sua vida ficou por um fio! Como você vai ajudar nossos amigos agora? Como vai conseguir tirar Poseidon de dentro do Pilar Principal, derrotar as tropas dele e salvar o mundo? Por que você fez isso?? Por quê...??

— Calma, Isabella, você está muito agitada! Raciocine um pouco! – insistiu Fernanda, sacudindo os ombros da outra. – Você pode ajudar a Rina a sair dessa! Não é mesmo? Você tem sua habilidade de cura. Já faz algum tempo que você a usou da última vez, lá no Pilar do Oceano Antártico. Então você já deve estar pronta para outra, não é? Você pode usá-la para fazer a Rina despertar.

            Isabella limpou as lágrimas, e se levantou, amparada por Fernanda.

— É, você tem razão – disse ela secamente, sem querer dar à rival o gosto de ter tido razão. – Além disso, pelo que o Grande Mestre me contou, essa habilidade do Shun tem como efeito colateral deixar o indivíduo doador de cosmo de duas a três horas desacordado, apenas. Após esse tempo, o indivíduo estará reestabelecido. Meu poder de cura pode apressar isso, já que não podemos nos dar ao luxo de esperar três horas até que a Rina se restabeleça. Os meninos vão precisar da força dela para libertar Poseidon, e estamos correndo contra o tempo. O cosmo de Poseidon pode se esgotar, e mesmo Atena pode não aguentar manter o cosmo dela erguido contra as enchentes que estão devastando o mundo. Vamos nos apressar, e, além disso, ainda temos que destruir o Pilar do Atlântico Sul.

— Perfeitamente – concordou Sorento, ainda olhando com admiração para Rina. – Você mencionou uma habilidade de cura. Sinto que os outros soldados tentarão chegar aqui logo, ao sentirem que o pilar está ameaçado. Você, amazona de Taça, pode usar sua cura em Rina, enquanto eu atraso os soldados, e sua colega aqui pode usar uma das armas de Libra para...

— Desculpe, Sorento, mas acredito que deva ser a Rina quem deve destruir este pilar – afirmou Isabella.

— E por que você pensa isso? – retrucou Sorento.

— Por que, desde que chegamos ao Templo Submarino, temos testemunhado os Cavaleiros de Bronze em suas lutas contra os Generais Marinas e se esforçando para destruir os pilares – afirmou Isabella. – Cada um deles passou por um desafio específico em cada um dos pilares; eles tiveram que superar as próprias limitações para conquistar as vitórias. Alguns deles até despertaram o sangue dos Cavaleiros de Ouro em suas armaduras de Bronze para auxiliar em suas lutas. O caso é que, nos pilares anteriores, o desafio dos Cavaleiros de Bronze tinha sido derrotar o general correspondente ao pilar e suas habilidades especiais. Neste pilar, o desafio que a Rina encontrou foi proteger e ajudar você, Sorento, a se restabelecer e se curar dos ferimentos de batalha. Ela não enfrentou o general deste pilar, mas precisou superar as próprias limitações para salvar a vida dele. A sua vida, Sorento. Não fui eu nem a Fernanda quem superou um desafio acima das próprias capacidades neste pilar. Foi a Rina. Por isso, sinto em meu coração que é ela quem deve destruir o Pilar do Oceano Atlântico Sul. E é mais um motivo para eu usar minha cura para despertá-la.

— Eu também acho, Branca de Neve – falou Fernanda, que havia acompanhado a conversa dos dois em silêncio. Isabella ergueu de leve a sobrancelha ao notar sua rival concordando com ela. – Afinal de contas, eu só tive que derrubar alguns soldados. A rosinha aí, teve que salvar a vida do senhor general. E como disseram que os Generais Marinas se equivalem em poder aos Cavaleiros de Ouro... Ela deve ter desprendido muito poder para conseguir restaurar por completo a força dele.

            Sorento fitou a amazona de Taça por alguns instantes, e assentiu levemente. As palavras dela continham uma sabedoria precisa. Outro fator positivo em prol dos Cavaleiros de Atena e suas qualidades.

— Suas palavras fazem sentido – admitiu ele. – Concordo com sua resolução. Nesse caso, a única mudança em meu plano será que eu ajudarei sua colega amazona a nos defender contra os soldados, enquanto você realiza a cura na amazona de And... na Rina. Torço para que consiga recuperá-la logo... Quero poder agradecer pessoalmente pelo gesto dela.

— Sem dúvida, Sorento – concordou Isabella. – E tenho certeza de que a Rina vai gostar de saber que a atitude dela foi bem apreciada por...

            Um barulho de passos a interrompeu. Eles ouviram uma marcha rígida, que vinha em direção ao Pilar do Atlântico Sul.

— São os soldados – alertou Sorento. – É melhor se apressar, amazona de Taça.

— Deixe comigo.

            Isabella se postou ao lado da cabeça de Rina, se ajoelhou e colocou as mãos nos lados da cabeça da amiga. Enquanto isso, Fernanda e Sorento assumiram posições de combate, diante do pilar, aguardando a chegada dos soldados. Alguns deles já estavam ficando visíveis na extremidade oposta da trilha.

            Assim que a luz irrompeu de suas mãos para aplicar a magia de cura em Rina, Isabella aproximou o rosto da cara da amiga, e falava com ela em voz baixa, esperando que sua amiga pudesse ouvi-la em seu subconsciente.

— Vamos, Rina, desperte... Eu preciso de você, amiga. Todos nós precisamos de você.

...

...


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Notas finais do capítulo

Se houver erros no capítulo, me avisem.
Aproveitem o espaço das críticas e digam o que acharam deste capítulo.
É tão bom estar de volta!



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