New Legends - Cavaleiros do Zodíaco escrita por Phoenix Matt Marques W MWU 27


Capítulo 122
O domínio do Zero Absoluto


Notas iniciais do capítulo

Rina chega ao pilar do Atlântico Sul e encontra um Sorento debilitado, cercado por inimigos, e se dispõe a defendê-lo.
Thiago, por outro lado, enfrenta Isaak o general do Oceano Ártico e é forçado a demonstrar que já possui um domínio formidável da matéria do Zero Absoluto.
Os pilares do novo templo submarino estão quase chegando ao fim.



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— Isaak de Kraken, guardião do Oceano Ártico... Eu digo que sou eu quem vai encerrar sua nova vida concedida por Hades, aqui mesmo – rebateu Thiago.

            O General Marina analisou a armadura de Bronze do garoto.

— Então, você é o Cisne da nova geração – comentou ele.

            Thiago deu um passo atrás.

— Como você...

— Estou reconhecendo a armadura – disse ele rispidamente. – Ela pertencia ao Hyoga. Logo, você por ser o novo portador da armadura, deve ser aprendiz dele.

— Conhece Hyoga? – questionou Thiago.

— Claro que conheço. Hyoga e eu fomos colegas de treinamento, sob a tutela do mestre Camus, na Sibéria, muitos anos atrás. Uma vez eu salvei a vida de Hyoga quando ele, de forma irresponsável, tentou atravessar uma correnteza marítima para chegar até o local onde estava o navio naufragado onde estava o corpo da mãe dele. Eu o salvei, mas fui tragado pela correnteza em seu lugar. Foi nesse momento que perdi a visão do olho esquerdo. – Ele apontou rapidamente para o olho cicatrizado. - Fui salvo da morte certa pelo cosmo de Poseidon, e desde então, me tornei um General Marina. Quando retornei à vida pelo poder de Hades, jurei lealdade a ele, pois ele possui o projeto mais adequado para purificação deste mundo caótico.

— Isso é loucura. – Thiago ouviu as palavras de Isaak atentamente, mas fez uma careta ao término do discurso do marina. – Você poderia ter sido um cavaleiro. Você conheceu Hyoga e Camus. E agora vem me dizer que Hades é o melhor indicado para tomar conta deste mundo...?

— Ora, garoto, você não faz ideia do que está falando – retrucou Isaak. – Eu servi a Atena e a Poseidon. Vi as fraquezas e defeitos de ambos. Eu vi Hyoga se tornar o Cavaleiro de Cisne. Agora, pelo que sei, ele é o Cavaleiro de Aquário, posto que herdou de Camus. Este, pelo que sei, também voltou à vida pelo poder de Hades, mas foi derrotado pelos Cavaleiros de Bronze e decidiu voltar para o lado de Atena. Saiba, garoto... Hyoga e Camus são dois tolos. Ambos deixaram de lado o principal ensinamento que foi repassado a nós, os guerreiros do gelo: o pragmatismo. A busca pelo lado mais forte, o lado que merece conduzir e governar a Terra. E hoje, este lado é o lado de Hades. Só um tolo não perceberia isso. E é exatamente por não perceberem isso, que Hyoga, Camus, os Cavaleiros de Atena e você, são todos tolos. Um mundo onde não haverá morte, nem sofrimento, nem dor. É essa a utopia que Hades vai criar. Para mim, isso basta. É o suficiente para obter minha lealdade. Os Guerreiros Deuses e os Cavaleiros de Ouro que Hades trouxe de volta à vida foram derrotados...? Isso não tem importância. Ambos eram grupos sem obstinação, que não poderiam compreender adequadamente os anseios do regente do mundo inferior. Nós, os marinas, estamos num patamar superior. Éramos os guerreiros de elite de Poseidon, e agora seremos a elite das tropas de Hades.

— Isaak, você está completamente louco! – declarou Thiago. – Veja. Quatro dos sete pilares já foram derrubados, e quatro dos Generais Marinas já caíram. Poseidon está perto de ser libertado, e as inundações irão se encerrar. O mundo será salvo outra vez. O que te leva a pensar que o desfecho desta luta será diferente? Nós, Cavaleiros de Bronze, somos capazes de produzir milagres com nossos cosmos, justamente por que somos subestimados, já que somos a patente mais baixa das tropas de Atena.

— Não fale bobagens, garoto... Sou bem diferente dos outros marinas – afirmou Isaak, sorrindo com confiança. – Eu poderia ter me tornado um Cavaleiro. Sim, eu estava mais próximo de me tornar o Cavaleiro de Cisne do que Hyoga. Tudo porque Hyoga estava mais preocupado em usar o poder de cavaleiro para poder ficar perto do cadáver de sua mãe, enquanto eu estava disposto a dar tudo de mim para cumprir os deveres de cavaleiro, sem deixar que desejos pessoais atrapalhassem minha missão. Eu entendia melhor do ele o real sentido do pragmatismo que conduz os cavaleiros de gelo. Depois, me tornei tão poderoso quanto os Cavaleiros de Ouro, e teria até mesmo sido escolhido como o sucessor para a Armadura de Aquário de Camus. Como General Marina, eu fiquei mais poderoso até do que os Cavaleiros de Ouro. Estou num nível bem acima dos marinas que vocês Cavaleiros de Bronze encontraram até agora. Tudo que vocês fizeram até agora, desde que a nova guerra entre Atena e Hades começou, foi enfrentar Cavaleiros de Ouro e Guerreiros Deuses de Asgard. Eu já deixei bem claro que estou num nível superior ao deles, bem como ao dos outros marinas.

— Pois bem... Tanta propaganda precisa ser averiguada. – Thiago se posicionou para iniciar o combate. – Vamos ver se tudo o que disse sobre seu poder é verdade! Tome isso... Pó de Diamante!!!

            Thiago ergueu o punho contra Isaak. Um jorro de cristais de gelo encheu o ar e avançou na direção do general.

            Mas Isaak não se alarmou com aquele ataque. Simplesmente ergueu a palma da mão e rebateu para longe o ataque de gelo.

            Que droga!! Ele repeliu o golpe sem nenhum esforço!! Thiago se alarmou repentinamente. Pelo visto, havia alguma verdade nas palavras do general que havia sido companheiro de treinos de Hyoga.

            Isaak exibiu novamente seu sorriso de triunfo, e fechou os olhos, balançando a cabeça como se estivesse decepcionado.

— Pelo que percebi, você é o único dos Cavaleiros de Bronze que não conseguiu derrubar um pilar ou vencer um general desde que chegou ao Templo Submarino – comentou ele. - Além disso, a disposição em que Hades colocou as trilhas deste novo templo serviu justamente para que vocês chegassem a mim depois dos outros generais, para que ficasse evidenciada a diferença de poder entre mim e eles. Claro, há também o outro general, o do Atlântico Norte... Mas ele não vem ao caso. Vocês não conseguirão chegar até ele, de qualquer maneira. Além de serem de uma categoria menor, vocês já estariam fatigados pelas lutas nos outros pilares. Vocês nunca haviam enfrentado os guerreiros de elite de um deus olimpiano, por isso, não estavam preparados para esta batalha. Fico surpreso que o próprio Hyoga não tenha se oferecido para vir me enfrentar. Enviar o próprio discípulo para morrer em seu lugar... não é uma atitude muito nobre. Se bem que talvez ele estivesse tentando evitar uma humilhação ainda maior... Ele foi quem me derrotou na última batalha entre Atena e Poseidon, mas agora, estou fortalecido pelo cosmo de Hades. Ele não teria chance... Um Cavaleiro de Bronze ser derrotado por um General Marina não é nada demais, mas um Cavaleiro de Ouro ser derrotado por um General Marina seria bem impactante para as tropas do Santuário. Poderia acabar com os ânimos deles... É, talvez Hyoga tenha sido bem sensato ao não vir me enfrentar. Depois de anos, ele finalmente compreendeu o sentido do pragmatismo, apesar de que tenha sido tarde demais. A Terra será tragada pelo cosmo de Hades, afinal, Cavaleiro de Bronze.

— Ora, seu miserável... Não fale asneiras!! – bradou Thiago, mas estava nervoso. O cosmo de Isaak era muito intenso, e a forma como ele havia repelido seu golpe ainda o deixava estupefato.

— Sim, tem razão... – Isaak abriu os olhos novamente e havia um toque de malícia em sua voz ao encarar Thiago. – Melhor acabar de vez com seu sofrimento, meu jovem.

            Então o ar ficou cercado por cristais de gelo, mas era Isaak quem os invocava dessa vez. Ele ergueu as mãos para o alto, como se convocasse o ar congelado para perto de si.

— Seja tragado pelas correntezas geladas do Oceano Ártico! – exclamou Isaak. – Aurora Boreal!!

            Isaak levou as mãos à altura de seu peito, e condensou o ar congelado que havia evocado numa tempestade de gelo. Então, ele liberou aquela tempestade em forma de uma rajada de ar frio, na direção de Thiago.

            O golpe foi muito rápido, quase tão veloz quanto os poderes dos Cavaleiros de Ouro, e apanhou Thiago desprevenido. Ele se viu lançado para o alto, como se fosse ser arremessado para fora do Templo Submarino.

            Então, algo despertou no coração de Thiago. Ele percebeu que aquele golpe de gelo, apesar de poderoso, não era o suficiente para derrubá-lo. Ele se deixou conduzir pela tempestade até certo ponto, para dar a Isaak a sensação de que o golpe o havia atingido em cheio. Quando já estava num ponto bem alto, ele se soltou da torrente, e aterrissou em direção ao solo.

            Quanto Thiago conseguiu chegar em pé ao chão, sem demonstrar estar muito abatido pelo golpe, o queixo de Isaak caiu, e ele fitou o Cavaleiro de Cisne, perplexo.

— Não é possível! – exclamou ele. – Aguentou meu golpe Aurora Boreal frontalmente e sem nenhum arranhão?

— Hmpf! Pelo visto, Isaak, seu gelo não é tão potente assim – declarou Thiago. – Parece que o sangue dos Cavaleiros de Ouro está despertando em minha armadura, e me mostrando como superar seu poder.

— Não diga bobagens!! – esbravejou o general. – Veremos se consegue resistir tão bem assim ao próximo golpe!! Vou aumentar a potência de minha tempestade gelada, para que não possa mais se erguer!!

            Isaak expandiu seu cosmo, e repetiu o gesto de convocar o ar gelado com suas mãos. Mas Thiago não se deixou intimidar, e também convocou seu ar congelado com as mãos, preparando um contra-ataque.

— Tome isso!! Aurora Boreal!!!— exclamou Isaak, lançando novamente sua tempestade de gelo.

Trovão Aurora, Ataque!!— bradou Thiago, em resposta.

            As duas técnicas se chocaram, mas conseguiram resvalar em seus alvos. Isaak ergueu sua mão para repelir o golpe, mas o Trovão Aurora o forçou alguns metros para trás. Thiago também foi forçado para trás pelo impacto do golpe do marina, mas permaneceu de pé e sem ser atingido gravemente.

— O que está havendo?? – indagou Isaak, visivelmente confuso. – Aguentou receber meu golpe duas vezes, ainda mais com a potência aumentada...?

            Foi a vez de Thiago sorrir triunfante.

— Você me subestimou demais, Isaak. Permita-me explicar o que está acontecendo... Hyoga sempre me incentivou a buscar o domínio perfeito do Zero Absoluto em qualquer técnica, e em qualquer combate, sem me importar com o oponente. Ele me contou que, uma vez, ele enfrentou um Cavaleiro de Aquário, que havia sucedido Camus, só que esse Cavaleiro de Aquário havia dado as costas a Atena para servir outra divindade. Hyoga demonstrou naquele combate que conseguia alcançar com primazia o Zero Absoluto em todas suas técnicas, depois de muitos anos de luta. E venceu o oponente, encerrando-o no Esquife de Gelo. Desde então, Hyoga consegue alcançar o Zero Absoluto em qualquer ataque facilmente. Ele me ensinou e me incentivou a tentar fazer o mesmo com minhas técnicas... Mas, só agora, com o sangue dos Cavaleiros de Ouro fortalecendo meu cosmo e minha armadura, e depois da experiência de tantos combates, eu me vejo capaz de alcançar o Zero Absoluto em todas as minhas técnicas. Você não percebeu que meu ataque se equivaleu ao seu, conseguindo até mesmo forçar você para trás? É porque eu alcancei o Zero Absoluto com ele. Veja, sua escama até congelou em alguns pontos.

            Isaak olhou para sua escama. De fato, vários pontos dela haviam sido cobertos pelo gelo do Trovão Aurora.

— N-Não...! – exclamou ele, horrorizado, tocando o gelo que cobria sua armadura marinha, como se não acreditasse no que estava vendo. – Isso n-não pode estar acontecendo...

— Sim, está acontecendo – sentenciou Thiago. – Esse é o poder do Zero Absoluto.

            Nesse momento, o cosmo de Thiago se ergueu, e sua Armadura de Cisne passou a exibir o brilho dourado, como se estivesse igual às Armaduras de Ouro.

            Naquele mesmo instante, Isabella de Taça e Fernanda de Fogo alcançaram o fim da trilha que levava ao Pilar do Oceano Ártico, e contemplaram de longe o embate entre Thiago e Isaak.

— Nossa! Até Thiago conseguiu despertar o sangue dos Cavaleiros de Ouro na armadura – comentou Fernanda.

— Sim... Agora, apenas o Matt não recorreu ao cosmo dos Cavaleiros de Ouro nas lutas – disse Isabella, um tanto preocupada com aquela constatação.

— A gente espera aqui, então? – perguntou Fernanda, sem reparar na preocupação da outra garota. – O Thiago parece visivelmente estar com a situação sob controle, a armadura do outro cara está até congelada em algumas partes.

— Sim... Vamos esperar – concordou Isabella. – O cosmo de Thiago está muito intenso. Ele dificilmente perderá este combate.

            Isaak, alheio à presença das duas garotas no fim da trilha, observava, estupefato, a metamorfose da Armadura de Cisne.

— Ora, garoto... – ele tentava soar firme, mas sua voz exibia uma nota de pânico. – Não pense que isso muda alguma coisa. O fato de sua armadura estar brilhando assim não me assusta...

— Tem razão – interrompeu Thiago. – Não é o brilho da armadura que vai te assustar. É o poder que ele está me fazendo sentir nesse momento com que você deve se preocupar.

— C-Cale-se...! – gaguejou Isaak de Kraken. – Vamos acabar com isso! Vou ver se esse brilho muda algo em sua energia cósmica mesmo! Meu gelo ainda é superior...!

— Como desejar. – Thiago evocou novamente seus cristais de gelo, assumindo a pose do jarro da constelação de Aquário, para efetuar a técnica que seu mestre Hyoga lhe ensinara.

            Isaak estava visivelmente desesperado ao ver aquela pose, mas ainda conseguiu evocar seu próprio ar congelado, mesmo estando com boa parte do corpo congelada.

— Recolha-se na sua insignificância de Cavaleiro de Bronze! – trovejou ele. – Aurora Boreal!!

Execução Aurora!!!!— bradou Thiago.

            O jorro da rajada de gelo de Thiago saiu num tom dourado, devido ao brilho que tomava conta de sua Armadura de Bronze. A Execução Aurora, repleta do Zero Absoluto, superou por completo a Aurora Boreal, e atingiu Isaak em cheio, destruindo as partes da escama dele que estavam cobertas de gelo, e congelando o resto da escama do guerreiro, exibindo a dimensão do poder do Zero Absoluto, que Thiago havia acabado de aperfeiçoar.

            Isaak foi lançado contra seu pilar, e caiu com um baque no chão. As partes negras de sua escama, resultado da influência do cosmo de Hades, voltaram a assumir uma coloração alaranjada e ficaram rachadas, enquanto um líquido fino como sangue, representando a influência do Imperador do Inferno, se desprendia da escama e do corpo do general caído. O grito longínquo foi ouvido mais uma vez, quando o marina derrotado se viu livre da influência de Hades e com sua nova vida quase encerrada. As meninas levaram rapidamente as mãos aos ouvidos por causa do grito, que ainda incomodava seus tímpanos.

            A armadura de Cisne deixou de exibir o brilho dourado, e Thiago olhou em volta, percebendo a chegada das meninas que traziam consigo a Armadura de Libra. Ele acenou para elas, e estava a ponto de ir falar com elas quando ouviu a voz de Isaak.

— Você é bem forte, Cisne... Eu tenho pouco tempo de vida restante. Venha aqui...

            Thiago se virou e foi até Isaak. O ex-companheiro de Hyoga segurou sua mão.

— Diga-me seu nome – murmurou ele.

— Sou Thiago – respondeu o garoto brasileiro, irmão de Betinho de Pégaso. Ele se ajoelhou diante do general moribundo.

            Isaak conseguiu sorrir.

— Você é mesmo discípulo do Hyoga – comentou ele. – Foi esplêndido ao me enfrentar. Eu estava tentando resistir à manipulação de Hades, e por isso tentei incentivar você a buscar o pragmatismo em combate, e a superar seus limites. Perdoe-me se fui grosseiro em algum momento. Eu reconheço em você uma tenacidade tão grande quanto à de Hyoga... Talvez até consiga superar a dele. Seu domínio do Zero Absoluto se provou espetacular... Continue com essa mesma determinação daqui para frente, Thiago. Você é mesmo digno de proteger Atena e de seguir na missão para salvar Poseidon. Ainda mais levando em conta o que tenho para te revelar...

— Revelar? – indagou Thiago. – O que quer dizer...?

— Eu sempre tive uma percepção maior das coisas ao meu redor... – ofegou o antigo aprendiz de Camus de Aquário. - Eu percebi a traição de Kanon antes de todos os outros marinas, há vinte anos. Mesmo com Hades me manipulando, eu conseguia perceber que ele não estava agindo sozinho ou por conta própria... Você é forte, Thiago. Preste atenção ao que digo... Esta guerra não é desejo de Hades ou de Poseidon. Há alguém escondido nas sombras que está manipulando os movimentos dos três deuses para que eles se destruam, até que não sobre nada deles no mundo. Tome cuidado, Thiago, seja lá com quem estiver tramando esta guerra santa... Eu adoraria te ajudar a descobrir, mas sinto que esta vida nova que Hades me concedeu está para terminar... Eu lamento. Seja forte como Hyoga e Camus, meu bom rapaz... Proteja Atena.

— Espera, Isaak! – exclamou Thiago, lívido. – O que quer dizer? Quem está tramando esta guerra...?

            Mas Isaak suspirou pela última vez, e sua mão soltou a de Thiago. Sua cabeça foi de encontro ao chão.

            Thiago acomodou o corpo do general marina no solo, e fechou os olhos deste, deixando-o com o aspecto de quem estava dormindo. Contudo, o Cavaleiro de Cisne agora estava com a cabeça cheia de questionamentos. Lá no começo da luta, Isaak havia mencionado algo sobre o General do Pilar do Atlântico Norte, como se ele fosse mais poderoso do que os demais. E aquelas palavras logo antes de expirar... Thiago tentou digerir aquilo. Então Hades não era o real responsável por manipular Poseidon, os marinas, os Cavaleiros de Ouro e os Guerreiros Deuses...? Quem, então, estaria por trás de todas aquelas batalhas, jogando as forças de Atena contra as forças dos outros deuses? Quem seria capaz de possuir tamanho poder?

            O irmão de Betinho, no entanto, resolveu deixar aquelas questões para outro momento, para quando se reunisse com seus amigos, quando pudessem discutir melhor o impacto das palavras de Isaak. Thiago percebeu que Isaak havia sido o mais resistente dentre os marinas corrompidos por Hades, por que ele havia tentado fazer Thiago se fortalecer durante seu combate, e que havia tentado superar a influência do regente do mundo inferior antes mesmo de se enfrentarem. A admiração de Thiago por aquele homem havia se tornado imensa, e por isso ele sentia que as palavras de Isaak eram verdadeiras. Ele não conseguiria blefar sobre algo daquela proporção, ainda mais depois de tentar resistir bravamente à manipulação do Imperador do submundo.

            Agradecendo em seu íntimo pelo aviso derradeiro de Isaak de Kraken, e reconhecendo que aquele homem havia mesmo tido o potencial para se tornar um Cavaleiro de Atena, o aprendiz de Hyoga decidiu focar na conclusão daquela missão antes de poder tentar desvendar aquele mistério escancarado pelo General Marina do Oceano Ártico. Havia outras questões mais urgentes naquela missão, como, por exemplo, chamar Isabella para trazer a Armadura de Libra e destruir o pilar do Oceano Ártico.

...

...

...

...

            Finalmente, Rina de Andrômeda alcançou o pilar do Atlântico Sul. O local estava estranhamente vazio, e ela não sentia nenhum cosmo por perto.

            Ela encarou o enorme pilar. Talvez Isabella e Fernanda ainda demorassem a chegar ali, com a Armadura de Libra. Ela poderia começar o serviço por si mesma, produzindo algum dano no pilar antes que elas chegassem com as armas sagradas.

            Ela brandiu sua corrente, e estava a ponto de golpear o pilar, quando ouviu alguém ofegar.

            Rina olhou para os lados e viu Sorento de Sirene se aproximando por outra trilha, levando as mãos ao peito. O marina estava bastante ferido, com sangramentos nas pernas e nos braços, e sua escama estava bastante arranhada em diversos pontos. Quando estava a poucos passos de alcançar a garota, ele ergueu os olhos em súplica, e caiu de joelhos.

— Sorento! – exclamou Rina, aflita ao ver o homem naquele estado. – O que houve??

— Argh... Os soldados... Parece que eles ficaram bastante desleais depois que foram corrompidos por Hades. – Ele cuspiu sangue após dizer isso. Ele se apoiava com as mãos no solo, para que não caísse de vez, e Rina foi ao encontro dele. – Eles não se importaram de me golpear de forma covarde, mesmo depois de terem sentido a minha Sinfonia Final da Morte... Parece que Hades deu a eles alguma resistência sobre a música, e alguns deles pareciam ser capazes de voltar à vida mesmo depois de ser atingidos pelo golpe. Depois de tantos anos sem combater... Estou mesmo fora de forma. Que vergonha...

            Rina segurou o homem germânico para ajuda-lo a se erguer. Ela se sentou de joelhos ao lado dele.

— Calma, vai ficar tudo bem – disse ela. – Eu estou aqui.

— A-Andrômeda, não é...? – indagou ele. – Você é a Andrômeda...?

— Rina – disse a garota. – Me chame de Rina.

— Rina... – repetiu ele devagar. – Eu vim para o meu pilar porque achei que os soldados não se dariam ao trabalho de me seguir até aqui. Percebi que eles foram atrás de vocês, depois que os primeiros pilares foram derrubados. Eles se espalharam pelas trilhas, e aproveitei a distração para sumir da vista deles, quando vi que eles estavam dispostos a me ferir de todas as maneiras. Como os pilares do Atlântico são os mais longínquos, imaginei que vocês demorariam mais para chegar aqui. Achei que os soldados passariam a ir atrás de vocês, para impedi-los de continuar avançando até os demais pilares... mas, pelo visto, me enganei.

— O que? Como assim? O que quer dizer? – indagou a garota, exasperada.

— Eles estão vindo para cá – alertou Sorento. – Uma boa parcela deles me seguiu até aqui. Apesar de estar ferido, eu me movi na velocidade da luz, graças às asas da minha escama, para tentar despistá-los... Mas logo eles estarão aqui. Por favor... Não aguento mais me sustentar. Me deixe ficar deitado – implorou ele, visivelmente sem forças, indicando o chão.

            Rina virou o corpo de Sorento e o colocou de costas no chão. A respiração de Sorento se estabilizou, mas ele continuava bastante exaurido.

— O que eu faço? – perguntou ela, exasperada.

            O general se permitiu sorrir.

— Eu vou ficar bem – falou ele, olhando para o alto. - Só preciso descansar por um tempo. Estou mais ferido no orgulho do que fisicamente... Mas eles conseguiram me deixar bem inutilizado. Não poderei ser de grande ajuda por um bom tempo... Preciso que você me proteja. Sou um completo desconhecido para você, mas peço encarecidamente que me proteja.

— Não precisava nem pedir. Eu vou protege-lo – garantiu Rina, olhando no fundo dos olhos do general. – Confie em mim.

            Sorento fechou os olhos e continuou sorrindo.

— Você se parece com o Shun em alguns aspectos – comentou ele. – Você até que é bondosa, como ele. No entanto, vocês têm muitas diferenças... Seu cosmo, por exemplo, é bem intenso e agressivo, totalmente diferente do dele. Seria interessante ver você em combate... Pena que eu já esteja esgotado.

            Ele emudeceu e suas mãos amoleceram.

— Sorento...? – chamou Rina, quase em pânico. Ela não queria que ele morresse, mas ao se aproximar do rosto dele, percebeu que ele ainda respirava. Só estava inconsciente. Ela queria fazer algo para ajuda-lo, mas um ruído chamou sua atenção.

            Ela se virou e contemplou a horda de soldados, que havia alcançado o Pilar do Atlântico Sul. Eles brandiram suas armas ao vê-la.

— Lá estão a amazona de Bronze e o Sorento! Não os deixem escapar, homens! – gritou um deles para o restante da tropa. – Não a deixem destruir o pilar! Destruam-na e matem Sorento também, já que ele insiste em não reconhecer a soberania de Hades!

            Aquilo deixou Rina enfurecida. Não pela ameaça de morte, mas por que os soldados tencionavam ferir Sorento mesmo ele estando desmaiado e ferido. Ela se levantou, brandiu sua corrente e encarou os soldados.

— Não vou deixar que vocês ataquem Sorento – declarou ela. – Eu exterminarei todos vocês.

— Garota tola! – gritou o líder do grupo. – Que chance você tem contra nossa grande tropa, estando sozinha??

— Eu derrotei os Cavaleiros de Ouro, os Guerreiros Deuses e um dos Generais Marinas, Io de Scylla – grunhiu Rina para os soldados. – Sou perfeitamente capaz de lidar com vocês, que não passam de reles soldados que se venderam a Hades. Vão se arrepender de ter me subestimado.

— Chega de enrolação!! – bradou o comandante. – Ataquem!! Arranquem o couro dessa menina e de Sorento!!

— Não ousem se aproximar. – Rina ergueu as correntes. – Nebulosa de Andrômeda!!!

            As correntes se espalharam pelo chão em torno do pilar, separando Rina e Sorento dos soldados. Mas os antigos servos de Poseidon não se intimidaram, e avançaram contra a amazona.

            Assim que eles pisavam na área ocupada pela corrente, os soldados recebiam enormes descargas elétricas, ou eram atacados pelas correntes pontiagudas, caindo inertes pelo caminho. Boa parte dos soldados recuou ao ver seus colegas sendo derrubados daquela maneira, e o comandante estudou a situação.

— A corrente dessa garota não nos permite chegar perto... Teremos que atacar à distância. – Ele se voltou para seus subordinados. – Homens! Lancem suas armas contra a garota!!

            Então os soldados dispararam suas lanças, redes e bigornas contra Rina. Ela brandiu a corrente novamente, e repeliu todas as armas dos marinas.

Defesa Circular!!— bradou ela quando os soldados lançaram de novo as lanças, após estas voltarem para eles. Vendo que eles insistiriam naquela tática, ela decidiu mudar de abordagem.

            Quando os soldados lançaram suas armas novamente, ao invés de se defender, Rina respondeu ao movimento deles com outro golpe.

Corrente Circular!!!

            Shun havia patenteado aquele golpe durante a guerra contra Marte há treze anos, e havia ensinado aquilo para Rina já ao fim do treinamento dela. A corrente assumiu uma forma de espiral gigante, que envolveu as armas lançadas pelos soldados e estraçalhou-as, perfurando-as com suas pontas ou descarregando fortes descargas elétricas que foram capazes de incinerar os objetos lançados pelos marinas. Quando todos os soldados haviam perdido suas armas, a corrente se estendeu para eles, envolvendo os que estavam mais à frente e derrubando-os ao mesmo tempo.

            Rina estava certa de que eles debandariam com aquela demonstração de sua técnica e cessariam de tentar atacar. Mas o comandante sorriu perversamente e gritou para suas tropas:

— Vamos, homens, reajam!! Nós não seremos detidos por uma reles garotinha!! O cosmo de Hades nos sustenta!

            Lentamente, os soldados foram se levantando, um a um, mesmo aqueles que haviam sido atingidos pelos golpes da Corrente Circular e da Nebulosa de Andrômeda, como se não tivessem sido feridos.

— Mas como...? – indagou Rina, perplexa.

— Ah, garota tola!! – exclamou o comandante. – Enquanto nossas escamas estiverem recobertas pelo cosmo de Hades, nós sempre conseguiremos nos reerguer para lutar! Seus esforços serão todos inúteis...!

— Ah, certo, entendi. – Rina levou a mão ao queixo. – Eu me esqueci de destruir suas armaduras. Então, só preciso livrar vocês delas que vocês irão parar de se levantar.

            O comandante recuou um passo, atônito.

— O que...?? Como...

— Cara, você acabou de me chamar de tola, mas você é que foi realmente estúpido ao me dar essa dica descarada de como acabar com essas suas vidas infinitas. Agora ficou muito claro de que é apenas essa cor negra que dá a suas armaduras a capacidade de fazer vocês se levantarem dos mortos quantas vezes quiserem. O Sorento não estava tentando destruir suas armaduras quanto atacou vocês com as canções, e sim deixa-los inconscientes... Por isso conseguiram resistir tanto aos golpes dele quanto aos meus. Mas não vou cometer o mesmo erro duas vezes... Relaxem, que eu, Rina de Andrômeda, irei acabar com o sofrimento de vocês.

— Ora...! Sua garota insolente! Não insulte a força dos marinas! Podemos vencê-la com ou sem o poder de Hades!! AO ATAQUE, tropas marinas!! – bradou o comandante a plenos pulmões, irritado com a percepção precisa da amazona.

            Rina não precisou ouvir duas vezes. Afrouxou suas correntes, ergueu as mãos para o alto e preparou seu golpe mais poderoso.

Tempestade Nebulosa!!!

            BOOM!! Com o impacto da tempestade, os marinas tiveram suas escamas pulverizadas e foram atirados longe, para fora da área em torno do Pilar do Atlântico Sul. Com sorte, eles terão ido parar nos pilares do começo da trilha, pensou Rina com alívio.

            Em seguida, a garota se voltou para Sorento. O belo homem que ela estava começando a admirar parecia horrivelmente pálido, devido à grande quantidade de sangue que já havia perdido. Seu cosmo estava bastante enfraquecido, e sua aparência estava bastante abatida. Ela não acreditava que ele estaria recuperado apenas com algumas horas de repouso.

            Em seu íntimo, ela se perguntou se poderia fazer algo de útil naquele momento para ajudar o general a se recuperar.

            Então, ela se lembrou de uma história que Shun havia lhe contado, muito tempo atrás, sobre uma de suas missões como cavaleiro de Bronze no passado. Durante aquela missão, ele havia precisado salvar a vida de um amigo de maneira peculiar: doando seu cosmo para aquecer o corpo dele e impedi-lo de morrer.

            Shun dissera que aquela habilidade ainda estava impregnada na Armadura de Andrômeda graças ao esforço dele. Rina se perguntou se seria capaz de recorrer àquela habilidade, que ela nunca havia utilizado antes. Contudo, ela se deu conta de que, se havia conseguido elevar seu cosmo ao nível dos Cavaleiros de Ouro, modificando a aparência de sua armadura e derrotando um General Marina no processo, e se havia acabado de derrubar sozinha uma horda de soldados corrompidos do exército de Poseidon, ela era perfeitamente capaz de fazer aquele sacrifício por meio de seu cosmo para salvar Sorento.

            Se bem que, para ela, não seria sacrifício nenhum. Ela já havia aguentado o sacrifício da Princesa Andrômeda e superado as enchentes do Mar Vermelho para conquistar sua armadura. Acima de tudo, porém, ela estaria doando seu cosmo para salvar aquele belo homem, que ela conhecia há pouco, mas que já admirava profundamente. Se ele pudesse ver o esforço que ela havia desprendido para salvá-lo, já teria valido a pena. Se ao menos, depois que ele se recuperasse, eles tivessem a oportunidade de ter um momento a sós para se conhecerem melhor...

            Ela se agarrou àquela esperança. Precisava salvar Sorento. Ela se recordou da história contada por Shun, e mentalizou o que tinha que ser feito.

            Olhando uma última vez para todos os lados, para se certificar de que todos os soldados haviam sido jogados para longe com a força da Tempestade Nebulosa, ela foi até onde estava Sorento, e se deitou ao lado dele.

            Rina abraçou o corpo inerte do General Marina do Atlântico Sul, segurando a cabeça dele com uma das mãos e pousando a outra sobre o peito dele. Ela conseguia sentir os músculos do peitoral do homem germânico sob sua escama, mas tentou não prestar atenção naquela constatação. A garota pousou sua cabeça no ombro do marina, para deixar seus corpos completamente unidos.

            Ao mesmo tempo, ela começou a elevar seu cosmo, para restaurar a energia vital de Sorento e compensar a perda de sangue e a fraqueza no organismo que ele estava sentindo. Seu cosmo passou a emanar um calor intenso, para aquecer o corpo de Sorento, já que a temperatura do corpo dele também havia caído. Isabella e Fernanda provavelmente ainda iriam demorar a chegar àquele pilar, o que dava a Rina uma boa margem de tempo para realizar aquela tentativa de doar seu cosmo para Sorento.

            Ela fechou os olhos para manter a concentração e para não se distrair olhando para o belo rosto do guardião do Oceano Atlântico Sul. Ao mesmo tempo, Rina começou a rezar silenciosamente enquanto seu cosmo fortalecia o corpo de Sorento. Ela não tinha o hábito de fazer orações, mas, devido à gravidade da situação, naquele momento ela se viu dirigindo o máximo possível de preces para Atena, para que a ajudasse e a conduzisse para que pudesse doar seu cosmo na medida máxima possível para reanimar aquele homem.


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Notas finais do capítulo

Ultrapassamos os 200 comentários. uhuuuuu
E o número de leitores vai crescendo. Uma maravilha! Obrigado a todos.
Quero agradecer especialmente a Laura Delacour, Archer Shiro, Wellington Junior, Bills o destruidor, Aeslandboy, e Tecnoartemago pelos comentários deixados nos últimos capítulos. Voces estão me deixando cada vez mais inspirado para dar continuidade a esta história. Nos vemos nos próximos capítulos.



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