New Legends - Cavaleiros do Zodíaco escrita por Phoenix Matt Marques W MWU 27


Capítulo 118
Lymnades, o general traiçoeiro


Notas iniciais do capítulo

Após verem que Betinho, Rina, e Thiago foram superados pelo General do Oceano Antártico, Kasa de Lymnades, cujo poder manipula os corações dos oponentes ao usar ilusões dos seres amados por aqueles a quem enfrenta, Isabella de Taça e Fernanda de Fogo mais uma vez deixam as diferenças de lado e se prontificam para enfrentar o guerreiro marina.
Contudo, os sentimentos de ambas são fortemente explorados e aproveitados pelo antigo general de Poseidon, corrompido por Hades, que mostra que seu poder está bem mais forte do que em sua primeira vida. As duas garotas vão receber ajuda de uma figura muito familiar...
Enquanto isso, Gustavo recompõe aos poucos suas forças após a batalha no pilar do Oceano Índico, mas logo tem outra batalha para travar.
E Kanon de Gêmeos percebe uma estranha movimentação entre os Cavaleiros de Ouro da época atual, e decide investigar por si mesmo aquele fenômeno antes de voltar ao Santuário, enquanto torce para que os Cavaleiros de Bronze sejam bem-sucedidos em sua missão.



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Kanon de Gêmeos deixou para trás seu oásis intocado na praia de Havana, quando sentiu os cosmos dos outros Cavaleiros de Ouro se agitando. Seus companheiros também estavam já lutando contra as forças de Hades que se manifestavam ao redor do globo; como o geminiano deveria ter previsto, a manipulação do exército de Poseidon não passava de uma distração para as forças do Santuário, que não estavam sendo informadas das criaturas mitológicas e dos guerreiros antigos que estavam retornando à vida devido ao poder de Hades em todo o globo. Devido às inundações e ao pânico causado por elas, os Cavaleiros de Ouro da geração atual estavam por contra própria, enquanto tinham que recrutar antigos e novos cavaleiros para ajudar à causa do Santuário. Eram apenas seus esforços para proteger os mortais daquelas criaturas perdidas que faziam a humanidade não se abater pelo caos instaurado pelas forças do mundo inferior, enquanto o Santuário se encontrava de mãos atadas e os Cavaleiros de Bronze enfrentavam os Generais Marinas nos domínios de Poseidon.

Kanon viu que seu tempo de espectador havia chegado ao fim. Precisava tomar parte no conflito e ir atrás de seus companheiros para auxiliá-los. Seiya, Shiryu, Ikki e os demais Cavaleiros de Ouro estavam todos em estado de conflito, protegendo tanto os meros mortais ao redor do mundo quanto os cavaleiros recém-recrutados para engrossar as fileiras de Atena. Mas o que perturbava Kanon era o fato de que sentia o cosmo de todos os outros 11 Cavaleiros de Ouro atuais estavam se movimentando contra as forças de Hades – todos, incluindo um certo Cavaleiro de Câncer que não deveria estar andando solto por aí, muito menos em posse de sua armadura. O Cavaleiro de Gêmeos precisava investigar aquilo...

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Sozinho nas ruínas do pilar do Oceano Índico, minutos depois de Isabella e Fernanda terem partido, Gustavo de Dragão sentiu que sua energia havia retornado quase que por completo. Podia não ser o ideal para aquela missão, mas seria o suficiente para chegar a um dos outros pilares e ajudar seus amigos.

Quando ele esboçou se levantar, ouviu vozes cercando-lhe.

— Viu, chefe? Eu falei que ele não estava morto.

— Bobagem... Ele se enfraqueceu na batalha contra o general Krishna. Vamos dar cabo da vida dele agora. Pelo estado atual dele, vai ser moleza.

Gustavo se virou. Um pequeno contingente da tropa dos marinas estava em volta dele nos destroços do pilar. Deviam estar ali há algum tempo, mas não o haviam atacado antes por julgá-lo morto em decorrência da luta contra o general.

— Pensando bem, nem sei porque achei que ele estava morto – disse o segundo soldado que havia falado antes. – Ele não teria forças para destruir o pilar logo depois de derrotar o general. Mas vamos vingar a morte dele e oferecer a cabeça desse Cavaleiro de Bronze para Hades e, talvez, sermos agraciados com a vida eterna.

Mal me levanto, e já tenho problemas com que lidar, pensou Gustavo com amargura. Essa era a sina de um cavaleiro.

Quando os soldados se aproximaram, ele saltou inadvertidamente, e os encarou do alto.

— Tentem me pegar!

Alguns deles atiraram cordas e lanças contra ele, mas Gustavo desviou de todas enquanto descia. Ainda no ar, ele atacou.

Cólera do Dragão!!

BUM!! Seu golpe fez o chão rachar e levantou vários soldados com o impacto, fazendo-os se arrebentarem ao cair de volta no solo do Templo Submarino.

Gustavo chegou ao solo e desferiu outro ataque.

Excalibur!!

Sua lâmina reluzente traspassou metade das tropas, causando uma fenda no chão. Alguns soldados restantes olharam temerosos para ele. O cavaleiro de Bronze os encarou, ameaçador.

— E então? Quem será o próximo? – desafiou ele.

Os poucos soldados sobreviventes partiram para cima dele, tentando esconder o medo. Gustavo balançou a cabeça e atacou novamente.

Dragão Voador!!!

Apesar de menos potente do que as técnicas anteriores, seu terceiro ataque foi suficiente para derrubar os soldados restantes. Sem nenhum sobrevivente à vista, Gustavo se voltou para as trilhas que conduziam aos outros pilares.

Contudo, mesmo aqueles soldados haviam lhe deixado um tanto cansado. Mal consegui me recuperar por completo e já tive que usar minhas forças para me defender desses inúteis... Sem estar 100% recuperado do uso da técnica Força da Natureza, ele decidiu iniciar o caminho andando, para não forçar muito seu corpo. Com sorte, não encontraria mais soldados, se eles vissem o que ele havia feito com seus colegas no último pilar, e conseguiria recuperar sua energia por completo quando encontrasse seus amigos.

...

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Isabella colocou a urna da armadura no chão e se debruçou sobre Rina, colocando as mãos sobre a cabeça dela. Fernanda continuou de pé, se colocando entre elas e o general. Kasa, que havia sido lançado até a base do pilar pelo impacto da Muralha de Cristal, massageou a parte de trás da cabeça e contemplou a cena, estudando as duas amazonas.

— Hm, entendo, vocês devem ser o reforço do Santuário para auxiliar os Cavaleiros de Bronze com a destruição dos pilares – intuiu ele. – Lamento informar, mas chegaram tarde. Andrômeda, Pégaso e Cisne já estão fora de combate, e logo os outros dois Cavaleiros de Bronze serão vencidos pelos outros generais.

— Hmpf, esse é o tal general? – debochou Fernanda, notando a fisionomia pálida do marina. – Não me parece grande coisa. Tá precisando de uma boa feijoada para sustentar esse organismo, não é, meu senhor?

— Ora... Então é verdade que os Cavaleiros de Atena da nova geração são, em sua maioria, nascidos no Brasil. – Kasa fez uma careta; ele era português. – Deve ser meu dia de azar.

— Opa, é português? – Fernanda fez uma cara de espanto, como se lamentasse pelo país de origem do marina. – Logo vi, pelo péssimo senso de humor... Relaxe, esbranquiçado. Vou tentar ser misericordiosa com você.

— Fernanda... – começou Isabella, receosa.

— Deixe comigo, Taça. Eu acabo com ele para você.

— Não é isso – retrucou a amazona lemuriana. – Esse general é visivelmente perigoso. Eu agradeço por se oferecer para me proteger, porque a Rina está realmente mal; vou tentar amenizar a situação dela com minha técnica de cura, mas precisarei de tempo. Porém, esse cara conseguiu derrubar não somente ela, mas o Betinho e o Thiago também; estou vendo eles dois caídos lá atrás. Ou seja, você precisa tomar cuidado com ele. Uma pessoa qualquer não vence três cavaleiros de Bronze assim tão facilmente.

— Hmpf, e você acha que vou me intimidar com esse cara, ainda mais com esse aspecto de zumbi? – ironizou Fernanda. – Até parece que não me conhece, Isabella. Eu sou Fernanda de Fogo, não me assusto com nada. Minha força já não deve em nada em relação à força dos Cavaleiros de Bronze. Quanto a você... – Ela apontou para o general. – Prepare-se, seu portuga anêmico.

— Hm, estou vendo que você faz parte da nova patente dos Cavaleiros, a que é inferior à dos Cavaleiros de Bronze e que faz uso de armaduras tecnológicas – comentou Kasa de Lymnades. – É muita ousadia da sua parte querer enfrentar a mim, um general de elite das tropas de Poseidon e fortalecido pelo poder de Hades. Que chance você teria contra mim, ainda mais depois que três cavaleiros mais fortes do que você falharam diante de mim?

— Deixe-me te dar uma aula, seu general de merda. – Fernanda o fitou com seu melhor olhar felino ameaçador. – O nome “Fernanda” é um nome de origem germânica que significa “ousada para atingir a paz”. Faz bem o meu tipo, não? Simboliza bem a minha ousadia para manter a paz que Atena prega para o mundo. Atena é a deusa da paz, e seus cavaleiros são os guerreiros da paz. Custou muito tempo para que eu aprendesse isso, mas agora, eu faço questão de repassar para todos essa lição, para que ninguém me subestime em combate. Você zombou de mim só porque minha patente é inferior à dos Cavaleiros de Bronze... Eu digo que isso não me limita de forma alguma. Pelo contrário, isso só me incentiva a lutar ainda mais pelos meus objetivos. Meu cosmo não está atrás ou abaixo do cosmo de algum dos Cavaleiros de Bronze. Posso lutar de igual para igual com qualquer um deles... E você sentirá isso na própria pele. Grave bem o meu belo rosto, general do Oceano Antártico... Será a face do seu fim.

Isabella estava surpresa e impressionada. Com metade de sua atenção voltada para curar Rina, e a outra metade voltada para sua rival intimidando Kasa, ela não esperava que a outra amazona fosse tão segura de si e que já estivesse tão à vontade se colocando como seguidora dos ideais de Atena. Além disso, ela nunca imaginaria que Fernanda fosse tão inteligente a ponto de saber o significado do próprio nome.

— Estou vendo que é determinada... mas será que toda essa marra é o bastante para me enfrentar? – desafiou Kasa. – Prepare-se, amazona! Conheça o poder de Kasa de Lymnades!

Punho de Fogo!!— gritou Fernanda.

Salamandra Satânica!!

As duas técnicas colidiram e se equivaleram por um momento; porém, a força do golpe de Kasa superou o de Fernanda e forçou a amazona para trás, quase indo de encontro até onde estavam Rina e Isabella. Porém, Kasa também saiu ferido: a rajada de fogo da amazona de Aço havia queimado boa parte das laterais de sua escama, e aberto algumas feridas nos braços do general.

— E então, o que achou do golpe da “patente mais fraca”? – ironizou Fernanda, cuspindo um pouco de sangue.

— Humpf... Estou vendo que é mais forte do que aparenta. – Kasa massageou os braços feridos. – Já que insiste em se opor a mim, terei que me utilizar de minhas maiores forças.

— Você é quem sabe! – bradou Fernanda, ignorando as dores causadas pelo golpe anterior e partindo para cima de Kasa, com o punho estendido.

Nesse momento, a nuvem de distorção envolveu o general. Isabella percebeu o estranho fenômeno.

— Cuidado, Fernanda! – gritou ela, mas a outra não ouviu.

Garras de Tigre!!

Fernanda fez suas garras cortantes emergirem do braço de sua armadura tecnológica, e atacou o general em meio à névoa que o envolvia. Ela ouviu o barulho das garras atingindo a pele do oponente.

— Rah...! – exclamou ela, prestes a cantar vitória, mas, quando a nuvem se dissipou, ela congelou com o que viu.

Kasa havia tomado à forma de Matt de Fênix, que exibia um profundo corte no lado do rosto.

— Nossa, Fernanda – falou o general, com a voz de Matt. – Você dizia que gostava tanto de mim, e é assim que você demonstra isso...?

Ele passou a mão pelo corte, enquanto Fernanda se afastava lentamente, trêmula e boquiaberta.

— M-Mas como...? – balbuciou ela. – Matt, o que você está fazendo aí...? Tenho certeza de que o general é quem estava aí a um segundo atrás e...

— Fernanda, não caia nessa! – gritou Isabella, ainda com as mãos sobre a cabeça de Rina. – É uma ilusão! Eu já li a respeito do poder desse general. Ele, Kasa de Lymnades, representa o monstro marinho mitológico que assume a forma da pessoa mais importante daqueles que invadem suas águas! Ele está usando seus sentimentos pelo Matt para te distrair e fazer com que você não o ataque! Reaja!

Mas Fernanda continuou parada no mesmo lugar, contemplando a imagem de Matt, que ela mesma havia acabado de ferir.

— Matt... Eu não... Eu sinto muito... – ela se esforçava para encontrar as palavras certas diante da imagem do amado.

— Você já deve saber, Fernanda, mas a Isabella nunca me atacaria desse jeito – provocou o falso Matt. – Estou realmente decepcionado com você. Eu deveria ter escolhido ela, afinal.

— N-Não – gaguejou a amazona de Aço. – Você n-não é ele... É uma ilusão...

— Ilusão? – questionou o falso Matt. – Você não me deixa escolha, Fernanda. Para provar que sou o verdadeiro Matt, terei que mostrar-lhe a minha força.

Fernanda continuou plantada no chão, enquanto o general em forma de Matt se preparava para atacar.

— Fernanda, não! Faça alguma coisa! Não o deixe afetar a sua mente! – gritava Isabella, mas era tarde demais; o falso Matt ergueu o punho contra Fernanda.

Ave Fênix!!

Fernanda foi impulsionada para trás novamente, ainda de pé, pelo impacto do golpe com chamas. Apesar de ter sido menos potente do que o Ave Fênix legítimo, tinha sido o suficiente para abrir alguns ferimentos na pele da garota.

— Fernanda... por favor, reaja... – Isabella mal podia acreditar, mas estava mesmo torcendo para que sua rival se reestabelecesse psicologicamente para manter o embate contra Kasa. Sem ela para fazer frente ao general, não haveria ninguém para proteger Isabella enquanto ela tentava restabelecer a energia de Rina, ainda desmaiada. Ela também ficava se perguntando se ela mesma teria as mesmas reações que Fernanda estava tendo, se fosse forçada a enfrentar alguém que assumisse a forma de Matt.

Fernanda levou as mãos à barriga e seu joelho envergou para o chão. Ela estava às lágrimas. O falso Matt contemplou a cena e começou a rir, enquanto a nuvem o cobria novamente e o fazia retomar sua verdadeira forma.

— He, he, he... Como são fortes as dores de uma paixão – afirmou o general. – Talvez isso sim seja mais fatal em um combate do que os laços fraternos entre irmãos. Consegui derrotar os três Cavaleiros de Bronze me fazendo passar pelo irmão de cada um. Mas, com você... Resolvi utilizar uma abordagem diferente, porém bem mais eficaz. Um sentimento de amor é, com certeza, mais profundo e mais marcante do que um sentimento fraterno...

— Ora, seu verme imundo... – Fernanda se levantou, ainda com a mão na barriga. Ela encarava o general com um ódio abissal. – Você vai pagar por usar a imagem do Matt dessa maneira contra mim... Meu punho vai destroçar você!

Ela se lançou contra ele, mas teve o punho contido pelo general.

— Tsc, tsc... Pelo visto agora podemos ver, realmente, o quão grande é a diferença de poder entre uma amazona de Aço e um General Marina. Mas não se preocupe, minha cara. Seu fim não será tão doloroso quanto à tortura que estou aplicando em você por meio de minhas habilidades. Agora, deixe-me assumir uma forma mais adequada para este combate...

A nuvem voltou a encobri-lo enquanto ele segurava o punho de Fernanda, e ele voltou a assumir a forma de Matt de Fênix.

— Pronto, agora podemos continuar. – Ele a encarou com um olhar gélido, ainda exibindo o profundo corte causado pelo golpe anterior de Fernanda. – Sabe, Fernanda, você está me irritando bastante hoje. Se bem que, desde que nos reencontramos, lá no Oriente, você tem sido motivo de irritação constante para mim, não é mesmo? Ao menos quando eu estava com Isabella... Melhor dizendo, quando eu estou com ela... Eu pelo menos já sei que não tenho que aturar esse tipo de irritação.

Fernanda tentava se soltar da mão que a forçava, enquanto encarava o falso Matt com um misto de medo e apreensão.

— Uma prova de minha irritação permanente para com você foi quando você humilhou as técnicas de meu elemento principal, o fogo, quando nos enfrentamos pela segunda vez – continuou o falso Matt, como se fizesse uma longa oratória para explicar os motivos do que estava fazendo. – Mas aí eu encontrei uma saída eficaz e acabei com você. Tive que recorrer às minhas técnicas mais ocultas para vencer. Que tal recordarmos aquele momento, para que você não ouse levantar a mão contra mim outra vez...?

Com um toque de pavor, tanto Isabella quanto Fernanda perceberam o que ia acontecer. Então, o ar em volta delas ficou levemente frio, e o braço livre do falso Matt ficou rodeado por cristais de gelo.

Pó de Diamante!!— exclamou ele, com o punho erguido em direção ao rosto de Fernanda.

Ela recebeu a carga do golpe congelante no rosto e ganhou inúmeros cortes na face, ao mesmo tempo em que era jogada para trás e caiu ao lado de Rina.

— Fernanda...! – exclamou Isabella, erguendo a mão para ajuda-la, mas a outra afastou-a.

— Deixe-me, Isabella... Eu estou bem. – Ela afastou as finas camadas de gelo que haviam se fincado em seu rosto e se ergueu, trôpega, para encarar o falso Matt. – Que grande besteira... Você copia as técnicas do Matt, mas não consegue reproduzir a força delas. Como espera me intimidar com isso...?

Baseada nas conversas que tivera com Matt, Isabella recordou-se de quando ele havia contado sobre a segunda luta entre ele e Fernanda, durante a revolta dos Cavaleiros de Aço. Naquela ocasião, quando Fernanda havia superado as técnicas de fogo do Cavaleiro de Fênix, Matt, por ser do signo de Aquário, que tinha influência sobre o gelo, utilizou técnicas desse elemento para vencê-la. Pelo jeito, aquela luta específica ainda causava algum efeito sobre Fernanda nas lembranças dela, pela forma como Matt a havia vencido, deixando-a até, de certa forma, traumatizada ao se recordar daquilo.

— Hm... Talvez eu esteja subestimando você, outra vez – refletiu o falso Matt. – Acho que terei que provoca-la um pouco mais. Só que, dessa vez, vou apelar para um sentimento diferente do amor, mas tão forte quanto ele, ou até mais.

Fernanda não deu ouvidos a ele, e atacou mesmo que ele estivesse com a aparência de Matt; então, a nuvem de distorção cobriu novamente o general, e sua aparência mudou...

Fernanda acertou seu soco em algo, porém, quando a nuvem se dissipou, ela viu seu braço sendo segurado por Isabella de Taça.

Em meio ao processo para tentar reanimar Rina, a verdadeira Isabella congelou ao contemplar a própria imagem, detendo o golpe de Fernanda. O que o general do Oceano Antártico estaria tramando, usando a imagem dela contra a amazona de Fogo...? Que importância ela teria para Fernanda a ponto de ser usada para mexer com a mente dela?

Sua resposta não tardaria a aparecer. Fernanda soltou um berro de frustração e tentou atacar o general com a outra mão.

— Idiota! – o segundo ataque dela também foi segurado pela falsa Isabella, mas a amazona de Aço e ex-líder rebelde não demonstrou fraqueza ou espanto ao ter seus dois punhos imobilizados pelo inimigo. – Acha que usando a aparência da Branca de Neve, vai conseguir me assustar ou me intimidar...? Ela não é importante para mim! Posso acabar com ela em questão de segundos, e é o que vou fazer com você enquanto estiver com a cara dela!

— Você diz que não sou importante para você, Fernanda – debochou a falsa Isabella. – Mas está redondamente enganada. Você sente algo muito forte por mim... É puro ódio. Você deseja todos os dias, do fundo do seu coração, que eu suma da face da terra, para que você e o Matt possam ser felizes juntos. – Com estas palavras, a amazona de Aço engoliu em seco, fazendo surgir um ar de riso na expressão da rival, encrustada no rosto disfarçado do General Marina. – Sim, você reconhece que é bem inferior a mim em matéria de cosmo e de poder e, mesmo que você não admita, em quesito de beleza e de inteligência também. Você sabe que é questão de tempo até que o Matt desencane de vez de você e decida ficar comigo por toda a eternidade; ele mesmo sabe que sou melhor do que você em todos os aspectos. Se ele não estivesse tão ocupado em suas missões já teria se dado conta disso há tempos. Você teme que este dia chegue, Fernanda... O dia em que eu irei te derrotar em definitivo e reclamar o que me pertence por direito: o coração e o amor do Matt. Nem preciso te derrotar fisicamente... Basta mostrar ao Matt que sou uma mulher muito melhor e com mais qualidades do que você, o que não é tão difícil, se formos parar para pensar...

— N-Não! – exclamou Fernanda, desesperada; ela já estava às lágrimas novamente, enquanto a Isabella real estava paralisada de choque, ao ver os sentimentos de Fernanda contra ela sendo revelados por meio da ilusão do general. – Nada disso é v-verdade!! Sou m-muito melhor do que você! Não tenho MEDO de você...!

— Não tem...? – indagou o general, usando a voz de Isabella. – O que te faz pensar que tem alguma chance contra mim? Primeiro, você está duas patentes abaixo de mim. Além do mais, você e o Matt só tiveram um rolo passageiro, nem deu pra considerar como um compromisso sério, enquanto eu e ele passamos semanas juntos, sendo felizes, desde o Japão até chegarmos ao Santuário. Eu já pude salvar a vida dele e ajuda-lo em combate várias vezes. E você, o que já fez para ajuda-lo? Você era uma rebeldezinha simplória querendo atenção, tentando derrotar o Santuário, que conta com inúmeros cavaleiros mais fortes e mais bem treinados do que você. Que sorte que o próprio Matt soube te colocar em seu devido lugar quando os dois se enfrentaram. Até ser salva por ele você já precisou, forçando-o a proteger sua vida inútil quando você estava na mira do golpe do Gildson. Você nunca demonstrou ser forte diante dele, ao contrário de mim... Você acha que foi o primeiro amor dele, só porque o conhece desde os tempos da academia dos cavaleiros...? Acorda, queridinha. O primeiro amor verdadeiro dele fui eu, que nunca fui causa de decepção para ele. Sou eu quem merece o amor dele. Aceita, que dói menos.

A verdadeira Isabella estava exacerbada ao contemplar aquela cena. Era incrível como aquele poder de ilusão do general do Oceano Antártico conseguia desvendar qualquer segredo da mente de uma pessoa em pouquíssimo tempo. Fernanda devia estar incrivelmente abalada com aquelas palavras. A amazona de Taça precisava se apressar para fazer com que a energia de Rina retornasse, mas o que dificultava sua missão era o fato de que a amazona de Andrômeda havia passado por dois embates duríssimos desde que chegara ao Templo Submarino.

— N-Não!! – ralhou Fernanda, tentando se desvencilhar das mãos da falsa Isabella. – Me solta!! Deixa eu te socar de jeito, e acabar com esse seu rosto nojentinho e esse seu ar de superioridade!

Mas a falsa Isabella não se deixou intimidar, e lançou Fernanda para o alto antes que ela pudesse se soltar.

— Vamos acabar logo com isso. – Ele/ela sorriu perversamente, estendendo as mãos para a amazona de Aço. – Extinção Estelar!! Conheça seu fim, Fernanda!!

Ao ver seu próprio golpe ser desferido contra Fernanda, Isabella notou que ele não possuía a mesma intensidade da Extinção Estelar real. Fernanda foi atingida e teve várias partes do corpo cortadas pela luz das estrelas, e mesmo sua armadura tecnológica rachou em alguns pontos; a tiara que lhe servia de elmo se partiu em duas. No entanto, se tivesse sido tragada pela verdadeira Extinção Estelar, a amazona de Fogo teria sido reduzida somente ao pó constituinte das estrelas.

No entanto, nas circunstâncias atuais, o impacto das palavras do general havia feito tanto efeito na cabeça de Fernanda, que aquela imitação barata do golpe que Isabella havia herdado de seu mestre Kiki havia sido suficiente para derrubá-la de vez. Fernanda caiu com um baque ao lado do corpo inerte de Rina, que Isabella ainda tentava reanimar com seu poder de cura, e não parecia ter forças para se levantar.

A amazona de Aço lançou um olhar pesaroso para sua rival, sem demonstrar o ódio que o general havia acabado de afirmar que preenchia seu coração devido à disputa com a amazona de Prata. Em lugar disso, os olhos de Fernanda exibiam para Isabella uma mensagem clara, que seus lábios trêmulos não encontravam força para reproduzir: “Cuidado. Ele vai atrás de você agora”.

Com um sobressalto, a amazona de origem lemuriana se deu conta de que a outra garota estava certa sobre o que ia acontecer a seguir. Desviando os olhos de Fernanda por um instante, ela percebeu que o general havia sido encoberto pela nuvem de distorção novamente, e agora reassumia sua verdadeira forma.

— Parece que só sobrou você. – Ele lambeu os beiços ao contemplá-la. – Não vai poder se esconder atrás de mais ninguém, minha cara.

Ele estava certo... Isabella sentia que conseguiria trazer Rina de volta, mas para isso precisaria manter suas mãos sobre a cabeça dela por mais alguns minutos. Estava contando com Fernanda para manter o general ocupado, mas ela havia sido derrotada. Isabella tinha noção de que não seria capaz de se defender do General Marina ao mesmo tempo em que efetuava sua técnica de cura em sua amiga. Ela teria que lutar, mesmo contra aquele homem que havia derrotado quatro cavaleiros em um curto espaço de tempo, sem sofrer grandes danos.

Ela tirou as mãos da cabeça de Rina e puxou Fernanda mais para perto da amazona de Andrômeda, mantendo os corpos de ambas a apenas um palmo de distância. Fernanda olhava para ela sofregamente e tentava lhe dizer algo, mas seus lábios apenas soltavam gemidos.

Isabella ignorou o esforço da rival que havia tentado lhe proteger e por quem sua consideração havia aumentado significativamente nas últimas horas, e contornou os corpos caídos dela e de Rina para se postar defronte ao General Marina. Mesmo tensa, por ter visto o que aquele ser maligno havia conseguido fazer contra Rina e Fernanda, ela estava ansiosa por um grande combate há tempos, mesmo depois de seus embates recentes contra Thétis e contra os Guerreiros Deuses.

— Bom, vejo que não pretende se esconder. Nesse caso... – O general evocou novamente sua nuvem de distorção. – Não tenho motivos para hesitar ao acabar com você.

A voz dele mudou enquanto falava, e ele assumiu a forma de Fernanda de Fogo. Isabella não estava surpresa. A Fernanda real levantou levemente a cabeça ao ver o general assumir sua aparência, e fez um careta, enojada pela técnica doentia do guerreiro do Oceano Antártico.

— Então, agora, acho que podemos tentar uma abordagem inversa, não é, Isabella? – zombou o general, usando a voz de Fernanda. – Diminuir você de fora para dentro do mesmo jeito que você fez comigo. Por onde começar? Vejamos...

Mas a amazona lemuriana não deu a ele a chance de contar vantagem. Ela ergueu seu cosmo e estendeu suas mãos para o oponente:

Revolução Estelar!!— exclamou ela.

Seu golpe de luz das estrelas envolveu a imagem da falsa Fernanda e a atirou pelos ares; porém, no meio da queda, o general voltou a assumir sua verdadeira forma, e aterrissou sem exibir sinais de que o golpe o tinha afetado severamente.

— Ora... então não se deixou intimidar pela imagem de sua colega... Onde foi que errei...? – comentou o general, um tanto surpreso. – Hm. Admito que devo tê-la subestimado. Seu cosmo é superior ao das duas amazonas, e mesmo ao dos dois cavaleiros de Bronze que ataquei antes. Logo, você é um pouco mais forte...

— Um pouco é inocência sua. Sou bem mais forte, afinal sou da patente de Prata. – Isabella, com seu cosmo desperto e intenso, estava plenamente segura de si. – Além disso, minha mente é bem mais sólida, resistente e intransponível do que a de Fernanda e mesmo do que a da Rina. Tive um excelente treinamento proporcionado pelo meu mestre, um dos Doze Cavaleiros de Ouro, que me permite manter minha mente estável e minha racionalidade sobre controle com mais facilidade do que a maioria dos cavaleiros. Além disso, sou uma descendente do povo lemuriano, os mestres em reparação de armaduras. Estas duas marcas acima de meus olhos indicam essa minha ancestralidade e herança sanguínea, bem como o poder sobre as técnicas de Teletransporte e Telecinese, que também são marcas de meu povo. Você não terá, comigo, a mesma facilidade que teve ao enfrentar meus amigos, General Kasa de Lymnades.

— Claaaaaro! – exclamou Kasa, como se tivesse se dado conta de algo óbvio. – Este foi meu erro, mocinha. Por isso a subestimei... Achei que poderia utilizar contra você o mesmo joguinho que utilizei para subjugar sua colega da armadura de Aço. Só que você não se deixa levar pelo ódio da mesma maneira que ela... Mas não vou errar novamente, não, mocinha. Você não escapará de minha próxima investida.

— Cale-se – a paciência de Isabella para com aquele cara já havia se esgotado. – Você será tragado pelo pó das estrelas. Revolução...

Mas ela congelou no meio do golpe, e se deteve; o general havia evocado sua nuvem de distorção novamente sem que ela percebesse, e exibia agora o semblante firme de Matt de Fênix.

A imagem de seu primeiro namorado a fez ficar estatelada e parada no mesmo lugar. Seu cosmo sofreu uma ligeira hesitação.

— O que você dizia, Isabella...? – falou o falso Matt. – Estava prestes a acabar comigo, é isso? Acreditou mesmo que seria capaz de me ferir, de me atacar...? Vou fazer você se arrepender de ter erguido a mão contra mim. Você não havia dito agora a pouco que nunca havia sido causa de decepção para mim? (Na verdade quem dissera isso havia sido o próprio general, quando tomou a forma de Isabella para enfrentar Fernanda; Nota do Autor.) Pelo visto, há uma primeira vez para tudo.

Subitamente, Isabella se viu tomada por uma incrível fraqueza. Ela não havia percebido, mas utilizar a técnica de cura em Rina havia consumido muito de sua energia. Ver Matt, ainda que na forma de uma ilusão, fazendo frente a ela como se fosse ataca-la, fez com que ela fraquejasse ainda mais, somando-se aquele baque ao cansaço que agora se abatia sobre ela devido ao uso da habilidade de cura. Seu joelho foi de encontro ao chão, enquanto ela tentava se sustentar.

O que estava acontecendo com ela? Não fazia ideia de que a imagem de Matt era capaz de causar tanta dor em sua mente. Seu controle mental havia ido pelos ares.

De repente ela notou uma sombra sobre si. Sem que ela percebesse, o falso Matt havia se aproximado dela em seu momento de hesitação, aproveitando que ela estava com a retaguarda desprotegida.

— Vamos começar te ensinando boas maneiras. – A voz dele tinha um tom ameaçador e seu rosto exibia uma expressão assassina. - Vou te ensinar a reconhecer seu devido lugar, Isabella... Que é abaixo de mim!

Ele a chutou com força no ventre. Estando ajoelhada, ela não teve como se defender.

Ela gritou, mais pelo susto com a aproximação sorrateira dele do que pelo impacto do golpe. Porém, o chute foi forte o bastante para lança-la até onde estavam caídas Rina e Fernanda; ela caiu no chão em frente a elas, a amazona de Andrômeda ainda apagada, e a amazona de Fogo ainda tentando se levantar, apoiando os cotovelos no chão para erguer a parte superior de seu corpo, porém ainda muito abatida pela luta anterior contra o general.

Na fração de segundo que custou para Isabella se virar para olhar se Fernanda e Rina estavam muito perto dela, tencionando usar a Muralha de Cristal para protegê-las, caso o general atacasse, para que apenas ela fosse atingida pelo próximo ataque dele, já que as outras duas não estavam em condições de se defender, ela percebeu novamente uma sombra pairando sobre ela. Virou-se de volta e deparou-se mais uma vez com o falso Matt sobre ela, com aquele olhar gélido que parecia anunciar sua morte iminente.

— Agora é o seu fim, Isabella. – Ele ergueu o braço, como se fosse cortar a cabeça dela. – Faça uma boa viagem ao Meikai...!

Mal ele havia dito isso, a mão que ele havia estendido para feri-la se viu atingida por um conjunto de pequenos objetos cortantes, que causaram cortes profundos em sua palma, fazendo escorrer longos filetes de sangue.

— Mas o que...? – indagou o falso Matt, surpreendido. Uma olhada mais atenta mostrava que pequenas penas vermelhas haviam atingido a pele do general, lançadas como shuriken à distância.

Ele não teve tempo de ponderar sobre o estrago em sua mão. Aquelas penas irromperam em chamas e, de longe, mais esferas de chamas voaram ao encontro dele, impulsionando-o para longe de Isabella, até que o corpo dele inteiro se viu coberto por chamas.

O general do Oceano Antártico se afastou das chamas retornando à sua forma verdadeira, para que não sofresse os danos daquelas chamas, mas parecia bastante exaurido e abalado pelo contato repentino com aquele fogo misterioso. Mas, para Isabella, não havia mistério nenhum na origem daquele fogo, pelo que ela podia reconhecer da intensidade daquelas chamas.

— Argh... quem ousa ferir o general do Oceano Antártico sem sequer mostrar o rosto??? – bradou Kasa, indignado. – Vamos, maldito, seja lá quem for, apareça!!!

— Seu pedido é uma ordem! – exclamou uma voz, vindo das chamas.

As duas amazonas ainda conscientes e o general olharam para o fogo. O conjunto de chamas que havia cercado Kasa instantes atrás estava tomando uma forma humana. Então, as chamas se condensaram num corpo masculino, revelando um guerreiro trajando uma armadura de Bronze, que emergiu das chamas e caminhou em direção ao general.

— Você...! – exclamou Kasa de Lymnades, com os olhos esbugalhados, contemplando o recém-chegado, que havia se postado a poucos metros de distância à sua frente; o general parecia reconhecê-lo de suas ilusões. – Você é...

— Sou Matt, cavaleiro da constelação de Fênix. – O garoto sorriu astutamente para o guardião do Pilar do Oceano Antártico. – Você, General Marina, vai aprender de um jeito bem doloroso, que não se deve mexer com um Cavaleiro de Bronze dessa maneira. – Ele apontou para os corpos inertes e semi-inconscientes de Thiago, Betinho, Rina e Fernanda, e para Isabella que estava caída atrás dele. – Porque, ao fazer isso, você estará mexendo com todos os Cavaleiros de Bronze ao mesmo tempo... E, principalmente, comigo.


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