New Legends - Cavaleiros do Zodíaco escrita por Phoenix Matt Marques W MWU 27


Capítulo 117
As torturas do General do Oceano Antártico


Notas iniciais do capítulo

Gustavo se volta para destruir o pilar do Oceano Índico com a ajuda da armadura de Libra.

No oceano Antártico, Rina é testada pela figura do próprio irmão oferecendo-lhe um lugar em meio às tropas de Hades, até descobrir a farsa de Kasa de Lymnades, o general guardião daquele pilar. Mas a amazona precisa descobrir se sua força de vontade será suficiente contra as ilusões daquele oponente.



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Gustavo contemplou o pilar que se assomava à sua frente, e em seguida olhou para o próprio braço. Ponderou se seria sensato utilizar a Excalibur mais uma vez, agora, para golpear o pilar. Ele ainda estava bastante cansado pela energia que a técnica da Força da Natureza havia exigido dele, mas não dispunha de muitas opções.

A muito custo ele ficou de pé. Em seguida, ergueu o braço direito, prestes a liberar a energia cortante da espada sagrada.

— Pare, Gustavo! – gritou uma voz atrás dele.

Ele se virou e viu Isabella de Taça e Fernanda de Fogo vindo ao seu encontro.

— Meninas? – ofegou Gustavo, deixando o braço cair, exausto. – O Santuário enviou vocês para nos ajudar, é isso?

— Na verdade, eu fui enviada sozinha, e ela resolveu me seguir, e... – Isabella balançou a cabeça. – Quer saber? Isso não importa. Viemos, sim, para ajudar, e estamos correndo contra o tempo. Eu não podia deixar você atacar o pilar com as mãos nuas, porque poderia acabar tendo o braço quebrado.

— Ah, deixa eles tentarem uma vezinha só, nos próximos pilares, Tinker Bell – disse Fernanda em tom brincalhão. – Vai ser engraçado ver algum deles se esborrachando contra o pilar...

— Não tem graça, Fernanda. – Isabella tirou a urna de Libra das costas. – Não podemos nos dar ao luxo de deixar os Cavaleiros de Bronze se ferirem gravemente só por tentarem destruir o pilar sem ajuda. Gustavo, o mestre Shion quer que vocês utilizem as Armas de Libra para derrubar os sete pilares, pois assim, vocês não arriscam a integridade física de seus corpos contra os pilares e podem se concentrar em apenas enfrentar os Generais Marinas, deixando a destruição dos pilares por conta do conjunto de armas.

— A armadura de Libra...? – balbuciou Gustavo, enquanto observava Isabella pronunciar o comando em grego e fazer a urna dourada se abrir, revelando a armadura. – Mestre Shiryu... Rah, ele enviou sua armadura para nos ajudar, que da hora... – Nesse momento seus joelhos envergaram e ele perdeu o equilíbrio, caindo de cara no chão, de frente para a armadura de Ouro.

— Eu, hein? O que houve com ele? – Fernanda cutucou o cavaleiro de Dragão com o pé. – Tá parecendo um mendigo bêbado...

Isabella notou com preocupação a condição do garoto.

— Você está muito enfraquecido, Gustavo. Quer que eu use meu poder de cura?

— N-Não precisa...! – exclamou ele, se esforçando para se levantar. – Eu consigo...

— Não, não consegue. – Isabella o segurou com a ajuda de Fernanda e o ajudou a se manter em pé. – Façamos o seguinte, vou usar uma pequena carga do poder de cura da Armadura de Taça em você, o suficiente para você usar seu cosmo em uma das armas de Libra para golpear o pilar. Concorda?

Gustavo hesitou por um momento, mas depois engoliu o orgulho.

— Sim... vai fundo.

Isabella pôs a mão no ombro de Gustavo e começou a elevar seu cosmo. Uma luz prateada envolveu o cavaleiro de Bronze, que se sentiu levemente revigorado. No mesmo instante, uma das armas se soltou da Armadura de Libra, a espada dourada, e voou para o braço de Gustavo.

— Você tem que golpear o pilar com a espada, Gustavo. – Isabella retirou sua mão do ombro dele e apontou para o pilar do Oceano Índico. – Boa sorte.

— Vai nessa, guri! – incentivou Fernanda, dando um tapa de leve nas costas dele.

Gustavo se concentrou. Com a recarga que Isabella havia lhe passado, conseguia sentir a força que emanava da Espada de Libra. Sempre que ele olhava para Shiryu com aquela armadura ou para Dohko utilizando a armadura em forma de armadura divina, a espada era a arma que ele achava mais formidável. E agora teria a chance de usa-la para ajudar no cumprimento da missão.

Renovado por aquela perspectiva, Gustavo correu para o pilar.

— Ao ataque, Espada de Ouro!

Ele saltou para o alto e fincou a espada no centro do pilar. Instantaneamente, a grande edificação começou a ruir, rachando-se em inúmeras partes pequenas. Mais um pilar derrubado pelos Cavaleiros de Bronze.

A espada de ouro voou de volta para a Armadura de Libra. Gustavo, ao retornar ao solo, desabou novamente no chão; apenas aquele golpe, devido ao tamanho do pilar, havia sido suficiente para gastar a energia de cura que Isabella havia lhe repassado.

— Muito bom, Gustavo! – disse Isabella ao guardar novamente a Armadura de Libra na urna e pendurá-la nas costas; porém sua expressão mudou ao ver o primo de seu amado novamente caído. – Nossa, você não está nada bem. Tem certeza de que não quer que eu use a cura em você de novo...?

— N-Não – retrucou ele, exaurido. – Você pode precisar dessa cura mais tarde, com os outros cavaleiros. Eu estou bem. É que a luta contra o Krishna exigiu muito das minhas forças... E você sabe, quando eu uso a Força da Natureza, meu cosmo demora a se restabelecer... Mas eu vou ficar bem. Só preciso de alguns minutos para me recompor...

Até mesmo falar parecia exigir muito de Gustavo na atual situação. Isabella viu que o Cavaleiro de Bronze estava irredutível em sua decisão, e disse:

— Vou respeitar sua decisão, Guga. Eu e a Fernanda vamos atrás de outro pilar para onde os Cavaleiros de Bronze tenham ido.

Mal ela havia dito isso, dois cosmos entraram em colisão ao longe.

Fernanda revirou os olhos.

— Não falei que eles tinham impulsos suicidas...?

— Quieta – ralhou Isabella. – Parece o cosmo da Rina. E aquela direção... Não sou muito boa em geografia, mas arrisco dizer que seja o local do Pilar do Oceano Antártico, já que está ao sul deste pilar.

— OK, já temos o itinerário, vamos indo... – disse Fernanda, se virando para deixar o pilar.

— Cuide-se, Gustavo – disse Isabella para o menino, se virando para acompanhar Fernanda, mas ele, ainda caído, a chamou de volta.

— Quem te disse... quem te disse sobre o apelido...?

Ela o olhou por cima do ombro e sorriu.

— O Matt me falou muito de você, Gustavo. Pessoalmente, eu sempre achei você um tanto babaca, especialmente por causa do que a Rina pensa sobre você. Mas depois que o Matt me contou sobre o tempo em que vocês viviam juntos, antes de virarem cavaleiros... E sobre as missões que vocês têm tido desde que se tornaram Cavaleiros de Bronze... Passei a te respeitar, e a querer te conhecer melhor. Pelo que vi lá em Asgard e pelo que vi hoje, você realmente é um guerreiro formidável. Espero que se recupere logo e venha lutar ao nosso lado, porque esses marinas ainda vão dar algum trabalho, eu acho.

— O-Obrigado – respondeu ele, sorrindo fracamente. – P-Posso ver que o Matt estava mais do que certo em preferir você.

Ele fechou os olhos em repouso, mas aquela nota enigmática no final deixou a garota com a curiosidade atiçada. Será que Matt havia dito algo ao primo sobre ela? Algo sobre preferir? Ela queria fazer perguntas, mas não sabia se o cavaleiro de Dragão estava em condições de responder.

— Ande logo, Pequena Sereia! – gritou Fernanda; ela já estava no meio da trilha para o pilar seguinte. – É pra hoje!

Isabella deixou aqueles pensamentos de lado momentaneamente para se concentrar em sua missão. Lançou um último olhar a Gustavo antes de entrar na trilha, perguntando-se se o cavaleiro de Dragão havia realmente tentado lhe dizer algo importante sobre ela e Matt.

...

...

...

...

No Santuário, os Cavaleiros de Ouro da década de 1980 continuavam observando o desenrolar da batalha, à distância, na Fortaleza Submarina. Os países banhados pelos oceanos Índico e Pacífico Sul também haviam parado de sofrer com as inundações, o que significava que os Cavaleiros de Bronze haviam conseguido destruir mais dois pilares. Os antigos guardiões das Doze Casas estavam se tranquilizando com o avanço constante dos Cavaleiros da nova geração, que certamente estavam deixando seus mestres orgulhosos.

Somente um dos Cavaleiros de Ouro não estava tranquilizado por completo como os demais. Milo de Escorpião sentia-se incomodado com algo ao observar o oceano, como se sentisse algum perigo rondando sua irmã Rina. Um perigo que ela talvez não conseguisse superar.

...

...

...

...

Rina estava em choque. Ali estava seu irmão, um dos grandiosos Cavaleiros de Ouro do passado, defronte a ela no Santuário Submarino, protegendo o Pilar do Oceano Antártico e fazendo-lhe ameaças de morte.

— Estou avisando, Rina! – esbravejou Milo. – Mais um passo e serei obrigado a dar um fim em sua existência infeliz! Não permitirei que tente destruir o Pilar do Oceano Antártico! Estou quase considerando te ordenar que se renda e desista da missão de destruir os pilares e libertar Poseidon. Afinal, sou seu irmão e um Cavaleiro de Ouro! Mas vamos, eu acredito no seu bom senso. Renda-se de forma livre e espontânea, e quem sabe eu poderei poupá-la! Tenho certeza de que você já se deu conta de que a missão de vocês está fadada ao fracasso.

— M-Milo! – gaguejou ela. – O que está fazendo aqui?? Por que está fazendo frente a mim? Por que está protegendo o pilar do Oceano Antártico??

— É muito simples! – exclamou ele. – Hades é quem deve governar sobre a terra! Tanto Poseidon quanto Atena não são dignos, nem fortes o bastante para superá-lo! Desde que retornei à vida, estive esperando por esta chance de me aliar às tropas do submundo! Só assim poderei fazer com que os desejos do imperador Hades se tornem realidade. Ele reconhecerá o meu esforço, e me presentará com uma pós-vida agradável. Eu achei que vocês Cavaleiros de Bronze pereceriam no confronto contra os Cavaleiros de Ouro, ou mesmo contra os Guerreiros Deuses de Asgard. Mas vocês sobreviveram, seus ratos insolentes... Tive que vir pessoalmente ao Templo de Poseidon para garantir que vocês fossem exterminados e parassem de deter a obra do senhor Hades. Contudo, devo admitir que, quando nos encontramos no Santuário, minha irmã, eu senti uma tendência ao mal em você. Sim, você possui uma certa aura de trevas em seu cosmo... Por isso, achei que seria mais propício fazer você se juntar à causa de Hades, ao invés de exterminá-la como vou fazer com os demais Cavaleiros de Bronze. Sim, Rina... quero que junte-se a mim para, juntos, destruirmos os Cavaleiros de Bronze para que possamos reivindicar nossa recompensa com Hades. O que me diz? Parece uma oferta mais do que apropriada, não?

— Eu... sou má? – indagou Rina, olhando incrédula para o irmão. – Eu possuo um cosmo de trevas? Eu tenho que me aliar a Hades...? Então por que é tão difícil aceitar o que você diz, mesmo sendo um Cavaleiro de Ouro... mesmo sendo meu irmão...?

Nesse momento o medalhão de Shun em seu peito começou a pesar, pendurado em seu pescoço, mas ela ignorou aquela sensação, pois as palavras de Milo que continuavam a ecoar em sua mente estavam tomando toda sua atenção. Havia apenas uma pontinha da corrente que prendia o medalhão à vista, porque Rina guardava o medalhão dentro da blusa e sob a armadura, mas Milo observou com interesse a corrente que sustentava o objeto metálico.

— Sim... É a sua vocação, Rina. Vai me dizer que você nunca sonhou com o mal? – disse Milo, ainda disposto a convencer a amazona. – Você sempre sonhou em se ver livre das amarras que a prendiam enquanto amazona. Vocês ficaram livres do uso da máscara? Verdade, mas ainda continuam sendo consideradas inferiores aos Cavaleiros homens. Ainda são vítimas de comparações injustas e comentários infames. Ainda são vistas como servas dos Cavaleiros masculinos, que as veem como meras subordinadas ou até mesmo como brinquedos sexuais. Sim, Rina, você se sente perturbada com tudo isso, não é? Você fica enojada com o machismo presente nas fileiras do Santuário. Você sonha em erradicar tudo isso, fazer com que as mulheres sejam tratadas com o respeito que merecem entre os guerreiros de Atena... Eu digo que Hades pode te fornecer tudo isso. Hades não faz distinção entre homens e mulheres em seu exército. Pergunte a alguma guerreira de Hades se ela é obrigada a usar máscara ou servir de capacho para seus colegas homens?? Hades criará uma nova ordem, sem distinção de gêneros ou preconceito. Você sonha com tudo isso, Rina... E tudo isso está ao seu alcance. Basta que se alie a Hades, junto comigo. Você pode até se tornar a guerreira mais poderosa do exército de Hades... Pode até superar a mim, que já fui um dos mais fortes Cavaleiros de Ouro.

Rina observou suas correntes, absorvendo aquelas palavras.

— A guerreira mais poderosa...

— Sim, mas ainda não falei do mais importante, não é mesmo? – retomou Milo. – Você poderá cuidar de todos aqueles de quem ama, poderá tê-los todos por perto, todos agraciados com a vida eterna ao lado de Hades, em troca da sua cooperação... Você poderá salvar todos eles. Suas queridas amigas, seu irmão pequeno que está na Ilha de Andrômeda, seu tio que você não vê há anos... Até seus pais podem voltar dos mortos com a sua lealdade. Poderá tê-los ao seu lado para sempre, no novo mundo que será erguido por Hades. Sem mais guerras, sem mais sofrimento ou discriminação... Tudo com o que você sonha está esperando por você, basta apenas você se declarar fiel a Hades e me auxiliar a destruir os Cavaleiros de Bronze!

— Mesmo assim... – Rina estava bastante confusa. Tudo que Milo havia descrito era incrivelmente ótimo e tentador, mas ainda havia algo lá no fundo a incomodando. – Não me parece certo trair meus amigos, ou me voltar contra Atena, a deusa que sempre me estendeu a mão e sempre me compreendeu, apenas por um capricho ou por uma vaidade, pelo que você está me dizendo... Aliás...

Ela ergueu os olhos para o irmão. Havia notado algo que não percebera antes. Milo não usava a mesma armadura com a qual tinha voltado à vida, uma versão divina da Armadura de Escorpião. Em seu lugar, Milo usava um traje dourado... A verdadeira Armadura de Escorpião, que, naquela época, pertencia a Koji, o cavaleiro japonês que eles haviam conhecido nas 12 Casas e que estava percorrendo o mundo, junto com os demais Cavaleiros de Ouro, em busca de recrutar novos e antigos cavaleiros para reforçar as fileiras do Santuário.

— Aliás... Você não está usando a Kamui de Escorpião com a qual voltou à vida. Essa armadura é a do Koji! E não é certo que nossos pais voltem à vida apenas para que cumpramos os desígnios de Hades, porque eles ficariam completamente entristecidos se vissem seus dois filhos transformados em servos do senhor dos mortos! – A raiva havia tomado conta da garota de maneira impensável. – E, aliás... Como você sabe do meu tio?? Eu nunca lhe contei nada sobre ele! Sei que ele também é um cavaleiro e que está desaparecido do Santuário, mas a única pessoa para quem eu já contei sobre a existência dele foi o mestre Shun!!

Um filete de suor escorreu do lado da cabeça de Milo, e o cavaleiro de Ouro trincou os dentes, mas Rina estava imparável e incansável em seu discurso.

— O Milo que eu conheço... Ele nunca se venderia a Hades por tão pouco! Ele foi capaz de enfrentar até seu próprio melhor amigo, Camus de Aquário, quando achou que ele havia se aliado a Hades. Logo, eu só posso concluir uma coisa... Você não é o meu irmão! – ela apontou para o cavaleiro de Ouro, enfurecida. – Você não é o Milo! Deve ser fruto de alguma ilusão!

— Chega de hesitações! – bradou Milo. – Já que não consigo convencê-la com as palavras, vou convencê-la com a força. Vou mostrar que sou sim o verdadeiro Milo de Escorpião! É uma pena, Rina. Eu te propus a glória de entrar para o exército de Hades, e é assim que você me agradece. Vou fazer com que se arrependa de ter recusado se aliar a mim, e farei com que implore de joelhos para que eu mantenha a proposta quando eu acabar com você!! Tome isto!

Milo avançou sobre ela com o braço estendido, como se fosse arrancar o pescoço dela. Ágil, Rina estendeu sua corrente e deteve o golpe, mas a força do braço de Milo a estava forçando para baixo, fazendo seu joelho encostar-se ao chão. Surpresa com a força impressionante do Cavaleiro de Ouro, mas determinada em provar que se tratava de um impostor se fazendo passar pelo irmão, ela se ergueu e mediu forças com o homem. Ela chutou o sujeito com a aparência de seu irmão para longe, e atacou.

Corrente de Andrômeda!!

As correntes se lançaram contra o falso Milo, mas, quando estavam a segundos de alcança-lo, ele saltou para o alto, ficando longe do alcance delas, quase no topo do pilar.

— Rah! Eu estava disposto a lhe dar a chance de sair daqui com vida e fazer com que recebesse as honrarias do exército de Hades... – gritou Milo, do alto do pilar. – Mas já que insiste em me enfrentar, terei que mostrar toda a minha força, e provar que sou o verdadeiro Milo de Escorpião!

Então ele se lançou contra ela na velocidade da luz. Quando ela tentou comandar sua corrente para defesa, era tarde demais. Ágil como um escorpião dando o bote em sua presa, o Cavaleiro de Ouro atacou.

Agulha Escarlate!!

Com uma velocidade fenomenal, Milo aplicou suas 14 agulhas de uma vez só contra o corpo da irmã.

Rina gritou de dor e segurou o próprio peito, caindo de joelhos e se curvando devido ao impacto do golpe.

— Rah... Eu te avisei. – Milo exibia um semblante de triunfo, ao se dirigir à irmã agonizante. – É inútil se opor a mim. É realmente uma pena... Você poderia se tornar a guerreira mais forte de Hades, querida irmã. Deixaria de viver à sombra de seus amigos Cavaleiros de Bronze, e seria reverenciada como o braço-direito do próprio imperador dos mortos. Diante da sua recusa, não tenho outra escolha a não ser aplicar o golpe final de Escorpião, a agulha Antares, e dar um fim em sua vida miserável agora mesm...

— Hi, hi, hi... Você quase me pegou de jeito. Hi, hi, hi... – fez Rina, ainda no chão, porém ergueu sua cabeça para encarar o irmão. Este a encarou, surpreso e intrigado.

— Mesmo nessa situação, ainda tem condição de rir diante da própria desgraça? – zombou Milo. – Posso saber que coisa hilária está te fazendo delirar neste momento?

— É simples... Você de algum jeito conseguiu imitar a técnica do meu irmão, mas não conseguiu reproduzir a sua real força. – Ela se levantou, exibindo os cortes que o golpe havia causado em seu corpo, abrindo 14 buracos em sua armadura e em sua pele, mas a amazona estava, sob um aspecto geral, completamente ilesa para alguém que havia sofrido a Agulha Escarlate catorze vezes seguidas em um curto espaço de tempo, apesar dos filetes de sangue que escorriam das feridas. – Se fosse a verdadeira Agulha Escarlate, eu não conseguiria me manter de pé. Já deveria até estar enlouquecida pela quantidade de veneno em meu sangue, na verdade. Eu conheço bem o ataque de assinatura do meu irmão... Eu mesma já tive que usa-lo, na luta contra Afrodite de Peixes, quando meu irmão e o Koji me emprestaram a Armadura de Escorpião. Não basta você se fazer passar pelo meu irmão e mexer com minha cabeça... Ainda teve a ousadia de imitar a técnica dele. Pelo menos, sua cópia foi tão fraca que não me abalou em nada. Mas terei que puni-lo por se fazer passar pelo grande Milo de Escorpião. Você já me deu evidências suficientes de que não é ele.

O falso Milo ofegou e tremeu nas bases. Rina elevou seu cosmo, e sua armadura voltou a exibir o brilho dourado.

— Morra, impostor! – bradou ela. – Tempestade Nebulosa!!

As correntes de tempestade atingiram em cheio o “falso” Milo. Ele bateu com força com as costas no pilar, em seguida caindo com a cara no chão.

— Já que ficou claro que você não se trata do Milo, melhor seria se você me revelasse a sua verdadeira identidade antes de eu acabar de vez com a sua raça – ameaçou Rina, ainda exibindo o brilho dourado.

— He, he, he... – fez o homem caído. – Garota insolente... Isso, continue me provocando, enquanto ainda pode.

Ele se levantou. Então sua imagem ficou destorcida, como se Rina o estivesse enxergando através de uma cachoeira. A aparência de Milo sumiu, e em seu lugar surgiu um guerreiro usando uma escama dos marinas, salpicada com manchas negras da influência de Hades em diversos pontos. O homem era encurvado, possuía uma pele extremamente pálida, olhos negros e as mechas de cabelo que podiam ser vistas saindo debaixo de seu elmo eram doentiamente escuras.

— Você conseguiu provocar a ira de Kasa de Lymnades, o general protetor do Oceano Antártico, garota. – Ele sorriu, exibindo dentes amarelos e medonhos para ela. – Agora, terei ainda mais prazer ao te degolar e enviar sua cabeça para Hades.

— É claro! – exclamou Rina. – Você representa aquele monstro marinho demoníaco dos mitos gregos... Que tinha o poder de imitar a voz e a aparência da pessoa mais importante daqueles que chegassem até a área do mar onde ele habitava.

— Exato, você é esperta. – Ele apontou para os corpos inertes de Betinho e Thiago. – Com aqueles dois, foi muito fácil. Para o Pégaso, eu fingi ser o Cisne. E para o Cisne, eu fingi ser o Pégaso. Já que são irmãos, foi fácil deduzir que eram a pessoa mais importante um para o outro... Você não imagina o quanto a imagem de um irmão te atacando e te ferindo em combate pode ser devastadora. O coração humano é cheio de falhas! Eles dois fizeram com que me lembrasse de um cavaleiro de Bronze que enfrentei no passado. Aliás...

Ele deu uma conferida na armadura de Rina. A garota, que achou que o general estivesse dando uma secada nela, cobriu os seios com as mãos.

— É claro! Ele era o cavaleiro portador dessa mesma armadura. – Kasa sorriu satisfeito. – Logo, só posso concluir que você foi treinada por ele. Você é a aprendiz do Shun de Andrômeda!

— Exatamente, seu monstro. E como punição por fazer você mexer com a cabeça e o coração dos cavaleiros... Vou te liquidar do mesmo jeito que meu mestre fez!

— Oho... Acho que me esqueci de contar um pequeno detalhe. – Kasa esfregou as palmas das mãos uma na outra, como se planejasse algo. – Seu mestre não me venceu. Ele também foi derrotado por mim.

— Quê?? – exclamou Rina, surpresa. Como Shun poderia ter sido derrotado por aquele sujeito horripilante?

— Você já se esqueceu do que acabei de te contar? Sou um expert em explorar as fraquezas sentimentais das pessoas. Aqueles dois ali foram vencidos pelas figuras de si mesmos, dos próprios irmãos. Você mesma quase caiu na minha ilusão sobre seu irmão. E seu mestre... Ele também caiu diante da imagem do próprio irmão. Como a importância que se dá a uma figura fraterna, como a dos irmãos, pode ser fatal em um combate...!

Rina considerou aquelas palavras. Então Shun havia sido derrotado por Kasa enquanto assumia a forma de Ikki de Fênix, o mestre de seu amigo Matt. Talvez, se Matt estivesse ali e soubesse daquilo, ele ficaria tomado de fúria e se juntaria a ela para vingar ambos seus mestres, por Kasa ter mexido com os sentimentos fraternos deles. Mas ela não sentia o cosmo de Matt por perto; teria que lidar com Kasa sozinha por enquanto.

— Pode ter tido sucesso contra meu mestre, mas você verá que sou bem diferente do Shun – avisou ela.

— Hm... É o que vamos ver. Mas já que não deu certo iludir você com a figura de seu irmão, talvez eu precise tentar alguém mais íntimo seu. – Kasa estalou os dedos. – Já que você demorou a conhecer seu irmão... Quem sabe alguém que assistiu seu crescimento como pessoa e como amazona de perto, bem perto...?

O general ficou novamente envolvido por uma espécie de nuvem que distorcia sua imagem; quando a nuvem se dissipou, ele estava com a aparência e a armadura de Shun de Virgem.

— Agora, você não terá a mesma audácia que teve, Rina, quando enfrentou seu irmão! – provocou Kasa, usando a voz de Shun. – Você não ousará atacar seu próprio mentor. Tome isto! Tempestade Nebulosa!!

O falso Shun disparou enormes correntes de ar contra a amazona. Rina, entretanto, ergueu sua corrente circular e se protegeu do golpe. Em seguida, ela sorriu perversamente para a imagem de seu mestre.

— Nem sequer consegue efetuar o golpe mais forte de Shun direito... Poderia ter aprendido comigo, que acabei de lança-lo contra ti... Você realmente não deve ter neurônios, não é mesmo? Eu já tive determinação para enfrentar meu próprio mestre uma vez. – Ela brandiu sua corrente na direção da imagem de Shun. – Se eu tiver que recorrer a ela de novo, não hesitarei! Onda Relâmpago!!

Energizada pelo cosmo dos Cavaleiros de Ouro em sua armadura, Rina lançou sua corrente contra o general que assumia a forma de seu mestre. Kasa de Lymnades foi atingido pela corrente em diversos pontos e, novamente, foi lançado contra seu pilar.

Quando o marina caiu no chão, ele retornou à sua forma original.

— He, he, pelo visto, eu a subestimei, Andrômeda – comentou ele, se levantando. – Mas não cometerei o mesmo erro uma segunda vez.

Rina não havia perdido o espírito de luta, e preparou sua corrente para um novo assalto. Então percebeu algo estranho.

— Você recebeu duas das minhas técnicas mais fortes. Não deveria estar ferido?

Kasa olhou para o próprio corpo, fingindo surpresa.

— Oh, isto? É uma pequena cortesia de Hades. Quando estou usando minha habilidade ilusória e assumo a forma física de outra pessoa, quaisquer golpes lançados contra mim não afetam meu corpo verdadeiro. Hi, hi... Acho que me esqueci de contar esse detalhe, também.

Rina suou frio. Então ela havia acabado de desperdiçar duas de suas técnicas logo de cara? E ele, Kasa, não parecia ser do tipo que se rendia fácil, e que ainda estava com bastante disposição para lutar.

— Sendo assim, não permitirei que assuma outra forma durante nossa luta. Vai corrente! – exclamou ela. – Grande Captura de Andrômeda!!

Pego de surpresa, Kasa não teve como reagir enquanto a Corrente de Andrômeda o envolvia como se fosse um animal abatido. Ele se contorceu, mas não conseguiu impedir que a corrente o envolvesse por completo.

Porém, mesmo numa situação desvantajosa, o general marina do Oceano Antártico pôs-se a rir.

— Vamos, vá em frente, Andrômeda!! Você realmente acha que consegue me convencer de que pode dar o golpe final contra mim??

— Ora, seu verme, não vejo por que...

Rina congelou. Enquanto falava, o general havia evocado sua nuvem de ilusão; aparentemente o fato de estar preso pelas correntes, não bloqueava sua habilidade. Quando a nuvem desapareceu, ele assumiu novamente a forma de Milo de Escorpião; porém, a figura do Cavaleiro de Ouro estava diferente de antes.

Ele agora usava a armadura divina de Escorpião, que o verdadeiro Milo usava depois que voltara à vida. Contudo, a armadura estava rachada e quebradiça em vários pontos, e o próprio Milo estava em péssimas condições. Havia filetes de sangue correndo pelo rosto dele, e o corpo também estava marcado por vários ferimentos graves e profundos.

— Vamos, Rina! – falou o general, imitando a voz de Milo de forma esganiçada, como se o Cavaleiro de Escorpião estivesse sendo vitimado por dores horríveis. – Acabe logo com isso! Dê o golpe final em seu irmão! Encerre a minha dor.

Rina estava prestes a lançar seu golpe; só precisava perfura-lo com as correntes ou disparar uma descarga elétrica com elas para vencê-lo. Afinal, ela sabia que aquele não era seu irmão e que Milo estava junto com os demais Cavaleiros de Ouro antigos, no Santuário. Porém, algo no fundo de sua mente a fez ficar paralisada. Sua corrente ofensiva hesitou, o brilho dourado da armadura se dissipou, com a força por ele fornecida também sumindo, e o medalhão em seu peito pesou.

Por que estava hesitando logo agora? Ela fechou os olhos, trêmula diante da eminência de atacar seu próprio irmão moribundo, para não ver a imagem dele. Porém, a voz de Milo ecoando em sua mente a fazia perder as forças.

— Argh...! Por que não consigo??!? – exclamou ela, desesperada, levando as mãos à cabeça; no mesmo instante, a corrente soltou-se de Kasa. – Sei que é apenas uma ilusão... É o general marina se fazendo passar pelo Milo... Mas não consigo comandar minha corrente... Por que estou hesitando??

Ela caiu de joelhos e curvou a cabeça, que girava, como se sua mente estivesse passando por uma batalha interna para decidir se era certo ou não ferir o Cavaleiro de Escorpião. Naquele momento, Kasa, ao se ver livre das correntes, reassumiu sua forma original. Quando Rina baixou a cabeça, reclamando da própria fraqueza mental, o medalhão prateado de Shun, de tão pesado que estava, desceu para fora da blusa dela, como se forçasse a cabeça da garota para o chão. Ao ver o medalhão, os olhos de Kasa brilharam perversamente.

— He, he, he... obrigado, Andrômeda, por decidir me poupar. Em troca de sua generosidade, darei um fim em você de maneira rápida. – Ele falava olhando para o medalhão, como se o desejasse obstinadamente.

Rina se deu conta tarde demais de que ele havia se soltado, voltado para sua forma verdadeira e assumido uma postura de combate. Ela só teve tempo de erguer a cabeça quando Kasa efetuou seu ataque.

Salamandra Satânica!!

Kasa disparou um enorme feixe de raios negros contra a amazona, que, ainda de joelhos e tomada parcialmente pelo choque da figura desfigurada do irmão, não pôde reagir.

Ela foi arremessada para o alto pelo golpe, e caiu com um baque surdo no chão, desacordada. Ao vê-la inerte no chão, Kasa esfregou as palmas das mãos.

— Três cavaleiros de Bronze já foram... Faltam dois. – Ele farejou o ar. – Um deles está no Oceano Índico, pelo que posso sentir, mas não sinto o cosmo de Krishna por lá. Deve ter sido derrotado. Pouco importa, logo o garoto aparecerá por aqui e eu o liquidarei. Mas e o outro...? Não eram cinco os cavaleiros de Bronze que desceram junto com Sorento? Onde ele estará...? Não sinto outro cosmo hostil por perto...

Ele interrompeu seus devaneios, ao notar algo brilhando sobre o peito de Rina.

— Hmmm, mas o outro cavaleiro de Bronze pode esperar... Primeiro, vou recolher esta peça preciosa. – Ele se aproximou do corpo dela e estendeu a mão para pegar o medalhão. – Será verdade o que dizem? Que o segredo da ressurreição de Hades se esconde neste pingente...?

Porém, sua mão foi repelida por uma força invisível ao chegar perto do medalhão, e o general foi forçado para trás.

Muralha de Cristal!!— berrou Isabella de Taça, com a mão estendida para evocar sua técnica, chegando ao pilar juntamente com Fernanda de Fogo. – Fique longe dela, seu monstro!


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Notas finais do capítulo

Nos vemos no próximo capítulo.



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