New Legends - Cavaleiros do Zodíaco escrita por Phoenix Matt Marques W MWU 27


Capítulo 116
Ataque, Força da Natureza! O mistério do Dragão Marinho


Notas iniciais do capítulo

Kanon de Gêmeos, em sua "missão" pelo Mar do Caribe, confidencia ao cosmo de Shaka de Virgem sobre o perigo que emana do desconhecido General de Dragão Marinho.
Gustavo usa mais uma vez sua técnica secreta mais poderosa para superar as dificuldades impostas pelo impressionante poder de combate de Krishna, o general do Oceano Índico.
E Rina chega por fim ao Pilar do Oceano Antártico, sendo surpreendida ao encontrar dois de seus amigos já derrotados e uma figura muito conhecida ameaçando-lhe de morte.



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Gustavo contemplava a nova postura de Krishna de Chrysaor, levitando a alguns metros acima do chão, como se tivesse alcançado a iluminação. Seu cosmo havia se expandido de maneira absurda, envolvendo o próprio Gustavo e toda a área em volta do Pilar do Oceano Índico. O garoto não sabia o que pensar daquilo.

— Humpf! Se pretende me enfrentar assim, sem nem ao menos abrir os olhos, vou logo avisando que me parece uma atitude de quem já reconheceu a derrota! – afirmou Gustavo. - Onde está seu espírito esportivo?

— Tolo – comentou Krishna suavemente, mexendo levemente os lábios para falar, e mantendo as pálpebras fechadas. – Sua ignorância ainda será a causa de sua ruína, Dragão. Com o fim de minha lança, minha fúria e meu cosmo liberaram o Kundalini, a energia cósmica que habita em mim. O Kundalini me permite expandir meu cosmo de forma infinita, de modo que todos que estiverem em minha presença não poderão me alcançar. Em fato, qualquer um que tente chegar próximo de mim, será morto instantaneamente.

— Ah é? – comentou Gustavo, incrédulo. – Vamos ver se essa sua marra corresponde ao que você diz!

Mas assim que ele deu um passo, ele sentiu uma força invisível paralisando-o. Ele não conseguia se mexer.

— O que... O que está havendo...

— Ah, sim, vejo que já começou a sentir os efeitos de meu Kundalini – disse Krishna em tom sereno, embora seu cosmo exibisse um ódio contido, porém gigantesco. – É inútil se opor à minha parede de força invisível. Meus pontos vitais, ou chacras, se preferir, são o que sustentam o Kundalini e dão força a esta parede invisível. O campo de força do Kundalini só desaparece se alguém conseguir atingir meus chacras, mas estes são invisíveis aos olhos do homem. Logo, você não tem chance de...

— Ora, seu grandessíssimo covarde... – cortou Gustavo, se esforçando para se mexer. – Não tem peito para me enfrentar com os punhos, sem sua lança, e resolve se esconder atrás de um muro invisível... Já está torrando minha paciência!!

O cosmo de Gustavo se elevou, e ele conseguiu se mover livremente por um momento, o suficiente para atacar.

— Tome isso!! Dragão Voador!!

Mas o ataque foi contido pelo muro invisível, que Krishna conseguiu manter de pé. Contudo, o general também parecia ter esgotado sua paciência, e balançou a cabeça em desaprovação ao esforço de Gustavo.

— Já que insiste em não reconhecer sua pequenez e em desafiar meu Kundalini, terei que exterminar sua energia vital. Prepare-se para conhecer a técnica mais poderosa de Krishna de Chrysaor.

Então o cosmo do general se incendiou violentamente, gerando vibrações cósmicas intensas no local, direcionadas contra o cavaleiro de Bronze.

Maha Roshini!!

Gustavo vislumbrou um enorme conjunto de feixes de luz irrompendo do corpo de Krishna. Por puro reflexo, ele cobriu seu rosto com o Escudo de Dragão, e esse gesto provavelmente lhe salvou a vida.

O cavaleiro de Dragão foi atingido com mais potência do que quando recebeu o golpe Lança Relâmpago, como se milhares de relâmpagos perfurassem sua pele. Ele foi arremessado longe e caiu na entrada do pequeno templo que circundava o pilar.

Ele tentou se levantar, mas não sentia seu corpo responder ao seu comando. Era quase como se sua vida estivesse se esvaindo.

— O que foi isso...? – ofegou Gustavo, a muito esforço, pois sentia sua boca muito pesada até para abri-la e soltar suas palavras.

— Este é Maha Roshini, a Grandiosa Luz, o golpe mais poderoso de Chrysaor, o grande filho de Poseidon. Todos que são atingidos em cheio por esta técnica veem sua energia vital se esvair. Admira-me o fato de você ainda conseguir falar e ainda ter seus cinco sentidos, mas pelo visto você não foi atingido em cheio. Deve ter sido o seu escudo, que o protegeu do impacto direto do golpe. – Krishna estava decepcionado por Gustavo ter sobrevivido ao seu ataque, mas não parecia estar disposto a se abater por conta disso. – Mas não se preocupe, Dragão. Meu próximo golpe será tão potente que nenhum escudo poderá te salvar. Seu próprio mestre ficou cego pelo impacto desta técnica. Quanto a você, perderá não só um, mas todos os cinco sentidos e sua própria existência se encerrará.

Gustavo absorveu o significado das palavras do general enquanto estava caído. Shiryu, quando havia enfrentado Krishna no passado, teve que sacrificar sua própria visão para derrota-lo. Será que Gustavo também teria que passar pelo mesmo para sair vitorioso...? Ele queria poder encontrar uma alternativa.

Se ficasse escondido atrás do escudo no próximo golpe, o cosmo de Krishna o consumiria por completo. Ele precisava agir – mas como? Era sabido que, para derrubar o Kundalini do general, ele precisava acertar os pontos vitais dele. Mas como ele iria enxergar aqueles pontos vitais, os chacras, sem se arriscar a perder a visão ao confrontar novamente o golpe de Krishna? A pouca luz que havia vislumbrado ao vê-lo lançar a técnica secreta já havia sido intensa a ponto de fazer seus olhos arderem. Parecia não haver escapatória...

Subitamente, ele se lembrou de algo, como se a conversa que tivera com o cosmo de Shiryu anteriormente estivesse ecoando em sua mente. Havia sim uma técnica que ele podia usar contra o golpe de Krishna, sem ser afetado por ele! Ele não usava muito aquela técnica, a menos que fosse realmente necessário, e fazia algum tempo desde a última vez que precisou recorrer a ela.

Na fração de segundo que ele sentiu que antecederia o próximo golpe do general, Gustavo concentrou seu cosmo em todo o ambiente ao seu redor. Mesmo estando no fundo do mar, seu cosmo reconheceu a natureza em volta dele com maestria. Ele então deixou que seus cinco sentidos fossem removidos pelo seu próprio cosmo; logo, ele não escutava, não sentia, não enxergava, não sentia cheiros, e não sentia o paladar. Ele se deixou se tornar um só com a natureza à sua volta. O cavaleiro de Dragão havia se transformado, como havia feito tantas vezes antes, em um elemento da natureza.

Conduzido pela natureza que o envolvia, Gustavo ficou de pé. O general franziu a testa por um momento, mas logo seu semblante havia voltado a ficar impenetrável. Ele não parecia ter percebido a fusão do cosmo de Gustavo com a natureza que o cercava.

— É admirável que sua determinação o tenha feito conseguir ficar de pé mesmo após o seu golpe. No entanto, seus movimentos cessarão no momento em que eu efetuar o meu golpe máximo, Dragão. – O general inspirou profundamente. – Prepare-se para morrer! Maha Roshini!!

Mesmo sem enxergar, o garoto brasileiro viu o gigantesco feixe de luz de Krishna se desdobrar em milhares de relâmpagos, indo ao seu encontro. Como era de se esperar, por ter se tornado um só com a natureza, os feixes de luz passaram por ele como se ele não estivesse ali. A expressão de Krishna ao ver o estranho fenômeno e perceber o que havia ocorrido com o cosmo do Cavaleiro de Bronze foi de puro terror.

— Isso é impossível!! – exclamou ele. – O que você fez, Dragão?? Que tipo de bruxaria é essa...?!??

Através de seu semblante pacífico, Gustavo se permitiu sorrir. Ao mesmo tempo em que falava, sua armadura voltou a brilhar como ouro.

— Ouça, Krishna!! – O cavaleiro de Dragão não movia os lábios, mas sua voz era emitida através da natureza ao seu redor, na qual seu cosmo estava inserido. – Esta é minha técnica secreta, que me foi confiada pelo Shiryu. Ele, que herdou esta técnica do Mestre Dohko de Libra, precisou patenteá-la quando enfrentou, no passado, os Guerreiros Deuses de Asgard. Eu consegui, com muito esforço, aperfeiçoá-la, e já a utilizei para superar alguns adversários bem poderosos. Como você, devo admitir. Meu cosmo agora é um só com toda esta natureza que seus olhos podem avistar!! E falando em olhos... Você disse antes que era preciso eliminar seus chacras, ou pontos vitais, para derrubar o seu Kundalini e derrotá-lo. Pois bem, seus chacras podem ser invisíveis aos olhos do homem... Mas nada é invisível para o poder da natureza!! A natureza sente tudo, e enxerga tudo! E eu agora, sou parte integrante dela, através de meu cosmo! E eu consigo, sim, enxergar claramente os seus pontos vitais...! Esta é... A Força da Natureza!!!

A expressão do general do Oceano Índico, que já era de terror, passou a exibir puro medo.

— Mesmo que consiga enxergar meus pontos vitais... Você ainda precisaria atingi-los. E meus chacras só podem ser atingidos em linha reta. – Ele hesitou ante a grandeza do poder do cavaleiro de Bronze. – Você, pelo que posso observar, é um cavaleiro do Elemento Água. A água é inquieta e rebelde, nunca se permite seguir um padrão como uma linha reta. Logo, você não dispõe de técnicas que consigam...

— Tsc, tsc... Ora, sua memória está um pouco falha, não é, general? – provocou Gustavo. – Você já se esqueceu de como eu arrebentei sua escama e sua lança?? Você ainda não percebeu que, de todos os Cavaleiros da história da constelação de Dragão, eu sou o mais incomum no que concerne às técnicas de batalha??

Krishna ofegou, e de seu pequeno topete de cabelo grisalho escorreram longas gotas de suor. O medo havia se abatido sobre ele e seu Kundalini.

— Chega de cerimônia, vamos aos negócios. – Gustavo ergueu o braço e visualizou, mais uma vez, os pontos vitais de Krishna, para garantir o sucesso de seu golpe. – Eu evoco mais uma vez o seu poder, espada sagrada!! Conduza meu braço para a vitória, em nome de Atena... Excalibur!!

A lâmina cortante luminosa disparou do braço estendido de Gustavo e atacou seguidamente, em linha reta, os chacras de Krishna.

BUM!!! O cosmo de Krishna se reduziu exponencialmente, recuando para dentro do corpo dele e causando uma implosão no corpo do General Marina, liberada através de seus pontos vitais atingidos mortalmente, que provocaram feixes de luz que irrompiam do corpo do general, consumindo ainda mais sua essência vital. Krishna caiu ao chão como uma marionete despejada pelo seu mestre.

Ainda fundido à natureza, Gustavo se aproximou do corpo inerte do general. A influência de Hades escorreu para fora de sua escama despedaçada e de seu corpo, e ele ouviu Krishna chama-lo em seus últimos esforços.

— Você é forte, Dragão... Tome cuidado... com as forças... que estão regendo... esta guerra santa. Use esta força com sabedoria... Faça o que tem que ser feito, e cumpra sua missão...! Salve Poseidon, salve o mundo...! E proteja sua deusa, acima de qualquer coisa...!

Mal ele disse isso, expirou, e o grito longínquo da possessão de Hades sendo eliminada do corpo dele pôde ser escutado. A armadura de Dragão cessou novamente de brilhar como ouro, e Gustavo se lamentou pela morte de Krishna.

Então ele se separou do resto da natureza com seu cosmo. Subitamente, seus joelhos fraquejaram, pois usar a técnica Força da Natureza desprendia uma grande carga de energia do usuário. Mas Gustavo sabia que não podia se dar ao luxo de fraquejar ou descansar agora. Ainda restava mais uma coisa a fazer ali: encontrar uma maneira de derrubar o Pilar do Oceano Índico.

...

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Kanon de Gêmeos estava sentado em uma cadeira reclinável numa bela praia ao norte de Havana, em Cuba. Usava óculos escuros, um “sombrero”, e uma roupa leve de surfista. Em suas mãos havia um copo de tequila. Nunca antes, nem em sua vida passada nem na atual, ele havia se sentido tão relaxado e descontraído. Ele se julgava no direito de, após recrutar inúmeros antigos e novos cavaleiros para a causa do Santuário em meio aquela nova guerra santa, tirar algumas horas de sossego para si. Como um homem de pouco mais de 50 anos, que havia voltado à vida com o físico de um jovem de 15 anos, ele se recordava de poucos momentos como aquele em seu passado, quando pudera desfrutar dos frutos de seus esforços sem que ninguém interferisse.

A presença do geminiano na ilha não era por acaso. Havia feito amizade com o presidente do país e estabelecido um acordo com ele, no qual o Cavaleiro de Gêmeos se comprometia a proteger a ilha de ameaças externas fantásticas e mitológicas, como os diversos monstros marinhos que estavam sendo avistados em diversos pontos do Mar do Caribe, despertados e atiçados pelo cosmo de Poseidon, que estava sendo forçado por Hades a liberar inundações em volta do globo como consequência do aprisionamento de seu hospedeiro no Grande Pilar Principal do Santuário Submarino, e para tentar libertar Julian Solo, a energia de Poseidon, ao realizar tentativas de salvá-lo, havia ficado fora de controle.

Enquanto Kanon estava excursionando pelo Caribe, área que conhecia bem por ter sido no passado o General responsável pelo Pilar do Atlântico Norte, que é o oceano onde se encontra o Mar do Caribe, ele havia decidido vigiar a região para investigar novas manifestações do poder de Hades pelo mundo. Apesar das inúmeras chuvas torrenciais que se estendiam ao redor do globo, a área do norte do Caribe estava ensolarada, pois era protegida pelo cosmo emanado da área mítica do Triângulo das Bermudas, região daquele mar onde, todos os anos, aviões e navios desapareciam sem deixar vestígios. Os mortais nunca compreendiam aquele fenômeno, mas Kanon sabia que aquilo ocorria porque o Triângulo das Bermudas era o equivalente moderno do mítico Mar dos Monstros da mitologia grega, onde habitavam as criaturas marinhas mais dantescas e horripilantes que povoavam o imaginário dos mortais; criaturas essas que, devido à influência de Hades, estavam aparecendo em vários pontos daquele mar, e deixando de ser apenas “imaginárias” na concepção dos habitantes da região. O próprio Kanon já havia tido que enfrentar um Kraken, alguns dias antes, que estava atacando a costa da Jamaica.

Ele sentia, ao longe, os cosmos dos Cavaleiros de Bronze que estavam no templo submarino, enfrentando os Generais Marinas na área que acreditava-se, desde os tempos mitológicos, que se localizavam os restos do continente perdido de Atlântida, o reino perdido de Poseidon. Apesar de saber do potencial dos cavaleiros da nova geração, Kanon não tinha a intenção de se envolver no atual conflito, pelo menos por enquanto, e se perguntava se aqueles cavaleiros conseguiriam fazer frente aos sete generais. Ele sabia, no entanto, que sua hora de lutar iria chegar, cedo ou tarde. Quanto àqueles cavaleiros de Bronze, eles ainda precisavam provar, para Kanon, que eram dignos de serem chamados de companheiros de batalha por ele, especialmente nas batalhas do nível daquela guerra santa. Ele ainda estava bastante cético quando à capacidade deles...

— Mister Kanon – disse um dos rapazes que trabalham no bar ao lado e que o estavam atendendo. – Gostaria de outra rodada de tequila?

O cavaleiro de Gêmeos observou que seu copo já estava quase vazio.

— Claro, garoto. Faça-me este favor.

— Com prazer. – O rapaz pegou o copo de Kanon e o levou até o balcão do estabelecimento à beira-mar para abastecê-lo.

Kanon sorriu satisfeito consigo mesmo. Era tratado com inúmeras regalias e havia conquistado status de celebridade em diversas ilhas do Caribe, descobrindo cavaleiros que viviam na região e enfrentando as terríveis feras do mar que atormentavam os habitantes das ilhas. Apenas em Cuba, ele já era considerado a terceira pessoa mais importante da história do país, atrás apenas de Che Guevara e Fidel Castro.

Socialistas bobos, pensou Kanon com divertimento. Ele desprezava a ideologia de governo da ilha hispânica, mas fingia ser solidário ao pensamento condutor do governo cubano para ganhar a simpatia deles. Isso lhe garantia, por exemplo, aquele lugar ao sol e todo o atendimento VIP que a ilha lhe disponibilizava, quando bem entendesse, à qualquer hora, apenas para seu bel-prazer. Um tratamento nem um pouco socialista, como Kanon gostava de lembrar a si mesmo.

Ele mal conseguia se importar com a eventual desaprovação que receberia de Atena e do mestre Shion quando estes soubessem de sua conduta para com os cubanos e os outros povos caribenhos. Até porque, no fundo, ele apenas fingia ser o Cavaleiro de Gêmeos. Ele devia sua lealdade a outras pessoas, aquelas que haviam sido responsáveis por seu renascimento. Para os planos de tais pessoas, era necessário que Kanon lutasse ao lado dos Cavaleiros de Atena, pelo menos por enquanto. Logo, Kanon estaria livre das amarras, se seguisse com o plano que lhe fora confiado por seus novos “superiores”...

Uma voz ao longe o tirou de seus devaneios. Ele tirou os óculos de sol e procurou a origem daquela voz, até que se deu conta de que a pessoa que o estava chamando se comunicava com ele diretamente na sua mente. Ele já fazia ideia de quem seria o Cavaleiro de Ouro por trás daquela comunicação.

— Kanon – ele ouviu a voz distante e profunda de Shaka de Virgem. – Kanon de Gêmeos. Você me parece... Bem despojado e regozijado, para alguém que afirma estar em missão oficial do Santuário.

— Cavaleiro Shaka – respondeu Kanon, também em pensamento, se conectando ao cosmo de Shaka e ignorando a censura do virginiano. – Por que está se comunicando com meu cosmo?

— A mesma reação e a mesma pergunta que seu irmão me fez quando utilizei esta técnica para com ele agora há pouco. – Ele vislumbrou o rosto do Cavaleiro de Virgem, que sorria ao ver que Kanon conseguia vê-lo através da comunicação de seus cosmos. – Mas a minha resposta será diferente. Kanon, estava eu perdido em minhas divagações quando uma frase do Sorento de Sirene, que visitou o Santuário para nos pedir apoio contra Hades para resgatar o hospedeiro de Poseidon, me veio à mente. Você deve saber que os Cavaleiros de Bronze estão agora no fundo do Oceano Atlântico, um pouco ao norte dos Açores, lutando contra os Generais Marinas de Poseidon, que voltaram à vida para servir a Hades, no templo submarino.

— Sim – assentiu Kanon. – Mas o que foi que o Sorento disse para deixa-lo tão perturbado, Shaka?

— Kanon, o general Sorento, por ser o único marina que se manteve vivo desde a última guerra santa, é o único que se mantém fiel a Poseidon e é o único que está colaborando com os Cavaleiros de Atena. O caso é que ele disse que todos os Generais Marinas do passado foram trazidos de volta à vida. Todos, sem exceção. O que me leva a perguntar... Kanon, quem era o verdadeiro General de Dragão Marinho? Os cavaleiros de Bronze do passado não enfrentaram esse general porque você usurpou a escama de Dragão Marinho na última guerra. Então, quem é esse general?

Kanon engoliu em seco e começou a suar. Agora entendia a preocupação de Shaka. Se o irmão de Saga de Gêmeos ainda tinha alguma reputação de Cavaleiro de Ouro a zelar, então era preciso contar a Shaka o que sabia.

— Shaka... Eu não conheço a identidade do verdadeiro General de Dragão Marinho.

Shaka o fitou com um semblante entristecido.

— Entendo. É uma pena...

— Contudo, sei de algo que os Cavaleiros de Bronze precisam saber – declarou o geminiano. Shaka voltou a encara-lo, mesmo de olhos fechados, com interesse redobrado na conversa. – Eu consegui liderar as tropas de Poseidon naquela época porque os fiz realmente acreditar que eu era o Dragão Marinho, que era o mais forte dos Generais Marinas e, por conta disso, era seu líder. Graças às técnicas de meu irmão, eu pude demonstrar minha força para eles e ganhar sua confiança por muito tempo. Eles sentiam que meu cosmo era poderoso o bastante para portar a Escama de Dragão Marinho, e eu mesmo quando encontrei o selo de Poseidon notei que o cosmo irradiado por aquela armadura era diferente do cosmo das demais Escamas. É necessário que o Dragão Marinho, como líder das tropas de Poseidon, seja o general mais poderoso de sua geração. Logo... Seja lá quem for o atual General de Dragão Marinho que Hades encontrou, é alguém muito poderoso, talvez até mais forte do que os Cavaleiros de Ouro. Alguém cujo poder seja próximo de um deus.

Shaka de Virgem exibiu um semblante preocupado.

— Você então está sugerindo... – começou o indiano com cautela.

— Estou dizendo, com todas as letras, que o General de Dragão Marinho desta época pode ser alguém que os Cavaleiros de Bronze não estejam preparados para enfrentar. – Kanon falou como se desse uma notícia pesarosa a alguém. – Eles podem passar por todos os Generais e destruir todos os pilares, mas, quando chegarem ao Dragão Marinho, poderá ser tarde demais para se darem conta de que estão muito abaixo do nível de poder dele. Se você conseguir se comunicar com eles, alerte-os sobre o perigo que o Dragão Marinho representa, Shaka! Ele pode ser tão aterrorizante e devastador quanto os próprios Poseidon e Hades.

— Você fala como se o conhecesse. – Shaka falou com um certo tom de desconfiança.

— Não preciso conhecê-lo para afirmar estas coisas. Eu fingi ser ele por 13 anos para ganhar a confiança, o respeito e, principalmente, o temor dos demais membros do exército marina... Eu escutei por diversas vezes da boca deles o quanto o poder do Dragão Marinho era temido. Às vezes eu mesmo precisava elevar meu poder para assegurá-los de que era de fato o General de Dragão Marinho. Confie em mim, Shaka... Os cavaleiros de Bronze não fazem ideia do perigo que os aguarda quando alcançarem o Pilar do Atlântico Norte.

Shaka juntou as mãos sob o queixo, pensativo.

— Entendo... Na atual conjuntura, nossas opções são limitadas. A barreira que cerca o Templo Submarino me impede de entrar em contato diretamente com o cosmo dos Cavaleiros de Bronze, mas meu sangue está impregnado na Armadura de Andrômeda, que pertence à aprendiz do Shun. Vou tentar entrar em contato com ela por meio de sua armadura, e alertá-la do perigo que aguarda pelos Cavaleiros de Bronze na figura desse general. Não garanto nada, mas é o que posso fazer para ajuda-los.

— É que precisa ser feito. Aja com cuidado, Shaka.

— Obrigado por me contar o que sabia, Kanon. Agora, me despeço para tentar ajudar, na medida do possível, estes bravos Cavaleiros de Bronze.

Kanon assentiu uma última vez, e com essa nota de esperança contida, Shaka desapareceu de sua vista, cancelando o elo mental que havia estabelecido entre eles.

Kanon sentou-se novamente em sua cadeira. O rapaz que o atendia trouxe de volta sua bebida, mas o cavaleiro de Gêmeos mal tocou nela. Simplesmente não conseguiu dizer a Shaka, mas ele fazia uma ideia de quem seria o atual General de Dragão Marinho. Contudo, ele sentiu que precisava esconder aquilo do Cavaleiro de Virgem, porque a ideia era pavorosa até mesmo para o próprio Kanon. Com sorte, Shaka não teria percebido que ele ocultara informações. Se seu palpite estivesse certo sobre a identidade do Dragão Marinho, ele temia que os Cavaleiros de Bronze estivessem, naquele exato momento, caminhando para um fim iminente.

...

...

...

...

Rina percebeu que a trilha que havia tomado daquela vez era mais curta que as anteriores. Logo, ela estava divisando a entrada do pequeno templo que rodeava o Pilar do Atlântico Sul, e em breve o alcançaria.

Quando estava a poucos passos do pilar, porém, ela viu algo que a fez estacar. O símbolo em grego antigo que indicava o oceano representado pelo pilar informava “Pilar do Oceano Antártico”.

Aquilo não era possível. Todas as placas da trilha afirmavam que ela estava se dirigindo ao Pilar do Atlântico Sul. Será que ela tinha caído numa armadilha, ou em algum tipo de ilusão?

Então ela notou algo mais assustador. Aos pés do pilar, à esquerda, jaziam dois corpos no chão. Mesmo à distância, ela conseguiu identifica-los: eram Thiago de Cisne e Betinho de Pégaso, parecendo desacordados, caídos com a cara no solo.

Aquilo foi um baque, porque ela não estava habituada a ver seus amigos caídos daquele jeito em sua frente. Pelo jeito, eles haviam sido golpeados pelas costas, covardemente, sem ter a chance de se defender; uma poça de sangue jorrava da parte de trás de suas cabeças.

Ela não via ninguém por perto. Quem teria sido capaz de derrotar os dois Cavaleiros de Bronze daquela forma?

Mas o que veio a seguir foi o que deixou a amazona mais chocada. Ela divisou um vulto no alto do pilar, que caiu em sua direção, e aterrissou defronte a ela. Quando ela bateu os olhos na pessoa que havia acabado de surgir à sua frente, porém, ela não pôde acreditar no que seus olhos viam.

— Seja bem-vinda, Rina! – exclamou entusiasmado o cavaleiro Milo de Escorpião. – Prepare-se para conhecer o seu fim pelas minhas mãos!


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Notas finais do capítulo

O que acharam do capítulo, pessoal? mandem suas opiniões sobre como a história deve prosseguir.



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