Pouco Além escrita por Matt Wagner 27


Capítulo 20
Spin Off - Enquanto isso no Santuário... Parte 2


Notas iniciais do capítulo

Os cavaleiros encontram um corpo prostrado e ensaguentado nas cercanias do Santuário. Quem foi o responsável por esse assassinato?



Thiago e Matt saíram correndo em disparada para a área inferior do Santuário. Gustavo e Betinho também desembestaram em correr por um caminho próximo das 12 Casas, na direção de onde o som do grito tinha vindo.

Chegaram a um dos pátios principais do Santuário, já próximo do caminho que conduzia à Palaestra, a escola do Santuário.

Havia um corpo estirado no chão, com uma poça de sangue em volta. Era uma das amazonas de Bronze que estavam de vigia naquela área do Santuário. Os meninos a reconheceram; era uma das garotas que costumava ter aulas com eles em Palaestra.

O corpo dela havia sido perfurado em inúmeras partes do tronco. Sua armadura estava muito rachada. Seus olhos estavam vidrados, como se tivesse acabado de se deparar com um monstro horripilante. Suas pernas estavam torcidas em um ângulo estranho, e seus braços estavam estendidos, como se alguém tivesse tentado crucificar a garota. Sua boca estava entreaberta, e o sangue escorria dela e das perfurações no tronco.

Ela não estava respirando. Thiago se abaixou perto dela e tentou sentir algum batimento cardíaco.

— Morta. – Ele olhou friamente para os amigos. Embora não fosse uma amiga deles, era alguém que eles costumavam ver todos os dias nas aulas, e, aparentemente, havia sido morta por mais de uma pessoa, sem ter a chance de se defender.

— Meninos? – disse uma voz.

Os quatro se viraram. Rina de Andrômeda, que havia se tornado amazona junto com eles e que os tinha acompanhado em várias batalhas, vinha na direção do grupo.

— O que houve? Eu pensei ter ouvido um grito e... – ela se deteve ao notar o corpo ensanguentado da amazona de Bronze aos pés dos meninos. Seu semblante ficou tenso. – O que aconteceu com ela?

— Nós a encontramos assim – disse Matt. – Não foi impressão, você realmente ouviu um grito. Nós também ouvimos, e viemos correndo para cá.

— Mas o que pode ter ocorrido? – questionou Betinho. – Tá na cara que algo ou alguém a atacou e, pelo visto, estava em maior número.

Mal ele disse isso, alguns vultos passaram rapidamente por cima deles. A princípio, julgaram se tratar de corvos; mas quando os vultos passaram novamente e aterrissaram quase na frente deles, os cavaleiros puderam constatar que se tratavam de pessoas cobertas com capas e capuzes.

Apesar do sol forte da tarde que acometia o litoral grego, os recém-chegados não pareciam desconfortáveis em suas roupas longas e escuras. Era um grupo de oito encapuzados, que encaravam os Cavaleiros de Bronze, ou melhor, ficaram parados defronte a eles e ao corpo da amazona morta, já que não era possível ver seus olhos debaixo dos capuzes.

— Olá, Cavaleiros de Bronze – disse um deles, que estava postado no centro do grupo, como se fosse o líder; tinha um leve sotaque britânico. – Ouvimos falar muito de vocês.

— Quem são vocês? – indagou Gustavo. – Espectros?

— Isso não importa no momento – retrucou o homem de capuz. – Só queríamos dar nosso cartão de visitas ao Santuário.

E ele indicou o corpo da jovem amazona.

— Vocês a mataram? – perguntou Thiago, lívido.

— Nós a livramos de uma vida miserável e sem sentido – retrucou o encapuzado. – Fizemos a ela um favor.

— Calados – interveio Rina. – Vocês mataram uma colega, uma dos Cavaleiros de Bronze. Não vão ficar impunes.

— Mexam com um Cavaleiro de Bronze, e estarão mexendo com todos eles – complementou Betinho.

Os intrusos encapuzados se remexeram, colocando-se em postura de combate.

— Ora, parece-nos um desafio interessante, não acham, rapazes? – disse o principal a seu grupo. – Vamos testar a força dos famosos Cavaleiros de Atena.

Os Cavaleiros avançaram sobre os invasores... E tudo que veio em seguida ocorreu muito rapidamente.

No que os cinco cavaleiros avançaram contra os intrusos, prestes a lançar mão de seus golpes secretos, os intrusos sacaram varinhas de madeira de suas vestes e cortaram o ar com rápidos floreios.

Os cinco cavaleiros foram lançados longe. Gustavo foi arremessado contra algumas pedras. Rina foi cortada nos lados por pedaços de vidro. Matt teve seu elmo arrancado e foi jogado no chão por um dos intrusos, que o segurou por um de seus feixes de fênix e o arremessou. Thiago foi conduzido por uma forte ventania e jogado de cara no chão. E Betinho recebeu um duro golpe no estômago e foi lançado contra um muro, que rachou com o impacto do cavaleiro.

O líder do grupo, junto com dois de seus asseclas, parecia orientar os movimentos do bando, e suas varinhas lançavam fagulhas de chamas, correntes de ar e floreios de gelo.

— Ora... Eu esperava que os cavaleiros oferecessem mais resistência. – O líder do grupo expressava um desapontamento fingido. – Por sorte, nossos superiores nos instruíram a mantê-los vivos por enquanto, cavaleiros de Bronze. Só viemos deixar como aviso que os Guerreiros do Apocalipse estão na área, e logo, logo, seu precioso Santuário cairá como um patinho aos nossos pés. Avisem ao seu mestre... Ah, e claro, recebam a complementação de nosso cartão de visitas.

O líder fez um sinal para sua trupe, e os guerreiros balançaram as varinhas. Ouviram-se novos gritos, como àquele que a amazona morta tinha soltado antes de falecer, mas dessa vez estavam mais próximos.

Os cavaleiros de Bronze estavam se recompondo do ataque rápido dos Guerreiros do Apocalipse quando viram: cinco corpos estavam caindo de uma das partes altas do Santuário, e vinham para onde os cinco cavaleiros estavam.

Os cavaleiros de Bronze se desviaram dos corpos que caíam – alguns deles gritaram ao serem lançados ou enquanto caíam – e observaram cinco jovens aterrissarem violentamente no solo defronte a eles, juntando-se à primeira amazona morta e formando mais poças enormes de sangue no chão do Santuário.

Eram outros cinco cavaleiros de Bronze, três meninos e duas meninas, todos de Palaestra, todos da mesma turma que eles. Seus corpos estavam amarrados, perfurados e retorcidos, suas armaduras estavam quase que completamente rachadas e quebradiças, e, no caso das meninas, suas roupas haviam sido rasgadas e suas regiões genitais haviam sido violadas com violência. Todos caíram sem vida aos pés deles, devido às mutilações que seus corpos já haviam sofrido somadas ao impacto da queda.

— Até mais, cavaleiros de Bronze! – disse um dos asseclas que estava ao lado do líder. O grupo se lançou aos ares e desapareceu, como se tivessem se teletransportado, num rodopio de vestes longas.

Um pequeno pedaço de papel caiu aos pés dos cavaleiros de Bronze. Betinho apanhou-o e leu em voz alta para os amigos.

— “Os guerreiros Robbie Keenes, Henry Royston e Jonas Miobah, bem como seus ilustres colegas da sociedade Illuminati e dos Guerreiros do Apocalipse, saúdam os Cavaleiros de Atena.”

O cavaleiro de Pégaso olhou estupefato para seus amigos e para os corpos dos jovens cavaleiros que haviam acabado de ser assassinados a sangue frio na frente deles. Seus amigos compartilhavam a mesma expressão de incredulidade e de impotência em seus rostos, e todos ainda estavam feridos e abatidos pelo imponente ataque dos Guerreiros do Apocalipse.

Então Rina tomou a palavra.

— Temos que avisar ao Grande Mestre. Agora.

Os quatro garotos assentiram. Lançaram um último olhar aos colegas mortos, e dispararam em direção às Doze Casas para alcançar o Salão do Mestre.



Notas finais do capítulo

Agora os Guerreiros do Apocalipse revelaram de vez sua existência para os Cavaleiros, e deixando um "cartão de visitas" difícil de ser esquecido. Tudo agora vai mudar com os Cavaleiros tendo ciência da presença desse novo inimigo rodeando o Santuário...

Obrigado pela atenção e boa leitura!!!

Próximo capítulo, voltaremos a falar dos bruxos...



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