Oracle - The Beginning escrita por


Capítulo 9
Capítulo 4 - Diversão entre amigos : Parte 2


Notas iniciais do capítulo

Depois de muita demora e muita enrolação, aqui está o cap 4.2. Saindo do forno. RS . Reparem que é o maior até agora...
Desculpe o alguns clichês, não resisti. Rs.
Espero que o fã clube do Bryan goste. Fiz uma cena especial para vocês.
Boa leitura, nos vemos nas notas finais. =)



Este capítulo também está disponível no +Fiction: plusfiction.com/book/261339/chapter/9

O Camaro preto apareceu na frente de casa. A porta se abriu e ela saiu, estava linda. Anna estava usando meia calça preta – eu tenho uma quedinha por meia calça, não sei o motivo, mas que é sexy isso é – coberta por uma linda saia também de cor preta que batia um palmo acima dos joelhos e para completar o conjunto uma blusa azul bem escuro, uma jaqueta por cima dos ombros e umas botas pretas.

— Boa noite – ela disse escorada no meu carro.

Eu sorri.

— Ótima noite, Srta. MacUillis – andei até ela parando a sua frente.

Ela me deu um abraço rápido, de novo, mas antes que ela pudesse sair eu a apartei contra meu corpo.

— Isso é um abraço. – eu disse e soltei-a.

— Chato – resmungou.

— Obrigado – eu ri.

— Toma sua chave – ela me entregou as chaves do meu filhote.

— Muito obrigado, senhorita.

— Fica tranquilo que eu cuidei bem dele – ela abriu um lindo sorriso.

Dei uma boa olhada na lataria.

— É... Não tem tantos arranhões – brinquei.

— Há, há, há! Muito engraçado.

Estar com ela era muito divertido, ela conseguia me fazer sorrir de verdade.

— Primeiro as damas – abri a porta do carona.

Ela levantou um pouco as duas pontas da saia e vez uma pequena reverência.

— Muito agradecida, senhorito – dito isso entrou e se acomodou.

Entrei no carro e arranquei.

— Lanchonete Estrela Dourada – ela sorriu.

— O que? – gargalhei.

— É bobo demais não é? – ela riu baixo.

Como eu não sabia onde era a tal “Estrela Dourada” Anna me guiou, deixei o GPS de lado.

Chegamos em menos de dez minutos. Durante o trajeto trocamos algumas piadas e ficamos rindo de qualquer besteira que aparecia nas ruas. Por exemplo, quando passei rápido por uma velhinha a saia dela levantou um pouco e ela ficou irritada, disparou a balançar a bolsinha com os braços erguidos. Eu e Anna morremos de rir.

Deixei o carro no pequeno estacionamento e fui em direção à entrada junto com Anna.

— Sério, a velhinha foi muito hilário – ela me cutucou com o cotovelo.

— Foi sem querer – eu ri junto com ela. – Eu nem estava tão rápido.

— Mas que foi engraçado foi – ela controlou o riso. – Não posso me lembrar da cena, minha barriga já está doendo de tanto que ri.

Entramos na lanchonete, era bem bonita por dentro. Era bem iluminada e organizada. Havia três fileiras de mesas, uma no centro e as outras duas encostadas em cada parede. Cada mesa tinha dois bancos que cabiam três pessoas em cada. Avistei Claire, Bryan e Lorran sentados na fileira da esquerda.

Eu a Anna fomos até lá. Claire estava sentada junto à parede e Bryan ao seu lado, eu que não iria sentar ali para segurar vela. No outro banco estava Lorran. Anna sentou ao seu lado. Eu tinha a opção sentar do lado de Anna ou do lado de Bryan...

Acomodei-me ao lado de Anna deixando ela entre eu e Lorran, coitadinha.

— Nossa Anna, que sorte você tem, hein? – Claire disse.

— Ué, por quê? – Anna pareceu confusa.

— Sentada entre dois gatos, pena que no fim da noite terá que escolher apenas um deles – Claire sorriu maleficamente.

Na mesma hora o rosto de Anna ficou vermelho igual pimenta.

— Claire minha querida vaquinha, não é contra a lei ter mais de um amigo ou é? – Anna rebateu meio sem graça.

— Não, claro que não – Claire conteve o riso.

Até então eu achava que Anna deixaria quieto, mas ela começou a falar.

— Então, como anda a senhorita Claire Konery Segundo? – agora Claire que ficou vermelha.

Eu ri baixo. Bryan ficou quieto, eu sabia que ele não queria que a Claire se apaixonasse por ele, ele não queria a fazer sofrer.

— Vadia – Claire disse cruzando os braços.

Bryan repousou seu braço sobre os ombros de Claire puxando ela mais para perto dele.

— Relaxa Claire, eu sei que é brincadeira – Bryan disse a ela.

Ela sorriu.

— Ainda bem que sabe, não acredite no que essa vadia diz. Muito menos no que a vadia da Evelyn diz – Claire fez beicinho.

— Certo. Não vou dar ouvidos para elas – Bryan disse.

Anna deu língua para ele. Todos riram.

— Falando em Evelyn, onde ela está? – perguntei.

— O pai dela não deixou vir, tá de castigo – Claire respondeu.

— Que pena – eu disse.

E me arrependi, pois depois que falei isso todos começaram “Hummmm” olhando para mim.

— Que foi? – eu disse sem graça.

— Que pena né?... Sei – disse Claire.

— Evelyn arrasando corações – Anna disse rindo.

— Esse é meu irmão, sangue do meu sangue – Bryan também lançou seu comentário.

Agora só faltava Lorran, mas dele eu não espero comentário, ele não falou nada até agora.

— Fiquei sabendo que Evelyn adora donos de Camaro preto – Lorran disse.

Todo mundo riu, menos eu que estava muito envergonhado.

— Espera ai gente – chamei a atenção para mim, eles ficaram quietos. – Eu jurava que Lorran era mudo.

Todos caíram na gargalhada, até Lorran. Algumas pessoas da lanchonete ficaram olhando para nossa mesa. O difícil era não olhar, já que cinco adolescentes numa pequena lanchonete rindo iguais loucos chamava bastante atenção. Até pensei que seriamos expulsos, mas quer saber? Eu estava me divertindo como nunca e não estava nem aí para quem tivesse olhando ou ser expulso, não existe só essa lanchonete em Phenite, eu acho.

— Hilário – comentou Claire.

— Muito boa essa – complementou Lorran.

— Genial – atribuiu Bryan.

A garçonete veio até nossa mesa. Será que ia reclamar da bagunça?

— Boa noite, jovens – ela disse com a voz delicada e calma.

— Boa noite – respondemos juntos.

— Vocês querem algo? – ela disse preparando o papel e a caneta.

Peguei um cardápio sobre a mesa e passei o olho.

— Eu quero o maior hambúrguer da lanchonete – disse Bryan.

— Pode ser o super estrela dourada? – a garçonete perguntou.

Olhei no cardápio “Super Estrela Dourada, cinco carnes, três filés de frango, bacon, seis fatias de queijo e seis de presunto, alface, tomate, cebola e molho especial estrela dourada”.

— Refrigerante de dois litros e um milk-shake de chocolate – ele disse. – O maior que tiver – complementou.

Todos olharam para ele com os olhos arregalados.

— Fase de crescimento, pessoal – ele coçou a cabeça com seu sorriso bobo estampado no rosto.

— Não sei como não engorda – Claire disse. – Bom, vamos ao meu pedido. Eu quero um x-burguer, um refrigerante de latinha e um Milk-shake pequeno de chocolate.

A moça anotou.

— Eu quero o mesmo que Claire – Anna disse. – Só que meu Milk-shake é de morango.

— Ok – disse a moça ainda anotando.

— Posso? – Lorran perguntou.

— Sim – disse a moça para ele.

— Eu quero um x-burguer, refrigerante de 600 ml e fritas.

— Certo. E você? – Me perguntou.

— Eu quero o mesmo que o Lorran, mas pode acrescentar duas carnes a mais no x-burguer – eu apontei para Lorran para ela saber qual pedido.

— Ok. Vou encaminhar o pedido de vocês. Querem que eu traga tudo junto ou assim que for saindo cada pedido ir trazendo? – ela perguntou antes de ir.

— Tudo junto? – perguntei para a turma.

Todos concordaram.

— Tudo junto – avisei para a moça.

Enquanto esperava o lanche a bagunça continuou. Começamos a contar piadas idiotas, e o pior é que quanto mais idiota a piada mais arrancava gargalhada da gente.

Estava tudo perfeito até alguém entrar na lanchonete, uma mulher, ou melhor, garota. A menina aparentava ter nossa idade, dezesseis ou dezessete anos, tinha cabelo preto e pele pálida, vestida totalmente de preto. Assim que ela entrou meu nariz começou a arder e um cheiro diferente tomou conta do ambiente.

Por impulso levantei do banco, isso fez com que a turma olhasse para mim.

— Que foi? – Anna perguntou.

— Não, nada – eu sorri e sentei.

Ufa! Fui idiota.

Todos voltaram a conversar, menos eu.

A menina sentou na fileira do outro lado. Bryan olhou para ela, estava sério. Lorran também ficou diferente. Eu sabia, eles sabiam. Vampiro.

Claire ficou conversando com Bryan, na verdade Bryan só a ouvia. Eu sabia que ele estava prestando atenção na garota, a vampira. O que fazer nessas horas? Não podíamos simplesmente atacar, não num lugar onde havia pessoas.

Lorran conversava com Anna sobre um trabalho em grupo que foi passado na sexta que eu fui embora. Eu não entrei na conversa deles. Não consegui tirar os olhos da garota.

A garçonete foi até a menina. Eu sabia que Lorran e Bryan estavam prestando atenção nelas. Eu também, hora de usar minha audição.

— Boa noite, vai pedir alguma coisa? – perguntou.

— Eu? Ah, sim. Quero apenas um café, tem? — a voz parecia meio rouca e abatida.

— Certo. Um café. Algo mais?

— Apenas.

A garçonete saiu, a menina abaixou a cabeça e ficou quieta. Não sei bem, mas ela parecia incomodada com algo.

Ela pegou o celular e começou a mexer. De repente se levantou e foi em direção ao balcão da lanchonete, depois seguiu para um corredor e sumiu de vista. O que eu iria fazer? Lorran fingia prestar atenção em Anna, que não parava de dar opinião sobre o tal trabalho da escola.

Bryan pediu licença a Claire e levantou.

— Vou ao banheiro – ele disse a ela.

— Vai lá – Claire disse e entrou na conversar de Anna.

Bryan andou até o pequeno corredor e sumiu.

— Eu vou aproveitar e vou ao banheiro também – eu disse sem graça.

— Não é melhor esperar seu irmão voltar? – Claire voltou à atenção dela para mim.

— Eu vou esperar na porta, estou apertado... Bebi água demais hoje – sorri tentando parecer sem graça para dar mais intensidade a minha mentira.

— Vai lá – ela riu.

Fui andando até o balcão depois entrei no corredor. Bryan estava lá, cara a cara com a garota. Eu me aproximei cautelosamente.

— O que faz em Phenite? – ele perguntou a ela baixo.

— O que você quer? Eu te fiz algo? – ela parecia inocente e com medo.

— Podemos fazer do jeito fácil ou do jeito difícil – Bryan falava sério, sempre encarando a menina nos olhos.

— Não sei do que está falando, deixa-me voltar para meu lugar – os olhos dela se inundaram de medo.

Eu estava perto, mas ainda cauteloso. Bryan sabe o que faz.

— Eu sei que você é uma vampira. O que quer aqui? – ele disse.

— Apenas a cura, você a tem.

Cura? Eu ouvi isso mesmo?

— Do que está falando? Não podemos curar você, ninguém pode – eu disse a ela.

— Mas... – lágrimas escorreram dos olhos dela.

Bryan respirou fundo.

— Sua única cura é a morte – ele disse rispidamente.

A menina ficou vazia. Não demonstrava nenhum sentimento, era como se Bryan tivesse tirado a sua alma. Eu senti pena dela, muita pena. Provavelmente era uma inocente vitima de um monstro.

— O que vamos fazer com ela, Bryan? – indaguei.

— Ela não está sozinha, irmão – disse convicto.

— Não? – me alarmei.

Tentei sentir o cheiro semelhante ao da vampira por perto, nada. Será que Bryan tinha desenvolvido o olfato, igual nosso pai?

— Não sinto cheiro de outro por perto – expliquei a ele.

— Não está perto – ele colocou a mão no bolso da calça da menina e tirou o celular dela.

Colocou o celular no ouvido.

— Sua isca suicida foi um sucesso. Não sei o que está planejando, mas saiba que aqui em Phenite será o fim de sua imortalidade, os caçadores estão mais que atentos.

Assim que terminou de falar ele esmagou o celular com as próprias mãos e devolveu aos pedaços ao bolso da vampira.

Mas do que Bryan estava falando? Com quem? Uma coisa eu sei, nunca vi o Bryan tão sério em toda minha vida.

— Meninos, entrem aqui, vão poder conversar melhor com ela – disse um senhor aparecendo ao meu lado. O senhor tinha pele clara e enrugada, aparentava uns sessenta e cinco anos, usava um chapéu de palha e era um pouco barrigudo.

Ele sabia?

— Eu sei o que ela é. Também sei o que vocês são – ele foi logo explicando.

Meu pai tinha comentado que algumas pessoas na cidade sabiam deste outro mundo, este mundo surreal de lobisomens, vampiros, caçadores, bruxas e valquírias.

— Fico feliz em ter os filhos de John de volta a cidade, melhor ainda em saber que eles também protegem nossa cidade. Agora entrem aqui – ele abriu a porta.

Bryan levou a menina puxando-a pelo braço. Ela não resistiu. O cômodo era pequeno, na verdade era uma pequena área onde ficavam os produtos e materiais de limpeza. Eu entrei depois do velho. Acendi a luz e fechei a porta.

— Vai dizer quem te mandou aqui ou não? – disse Bryan em um tom ameaçador.

— Eu não sei... Não vi o rosto dele. Ele apenas me mandou aqui... Disse para eu andar pela cidade e frequentar lugares populares.

— E porque ele te mandou fazer isso? – perguntei.

— Ele disse que se eu encontrasse vocês eu podia ser curada – ela chorava muito. – Ele disse que se não aparecessem depois de uma semana era para eu me alimentar de alguém, disse que isso chamaria a atenção de vocês.

— Apenas isso? – indagou o velho.

Ela assentiu.

— Tem certeza?

— Sim, ele apenas disse para vir e tentar chamar atenção de vocês, eu nunca iria machucar uma pessoa, eu não quero ser uma vampira – ela estava abatida.

— Você já se alimentou? – o velho parecia entender bem dos vampiros.

— Não, já disse que não quero machucar ninguém.

— Há quanto tempo chegou à cidade?

— Apenas dois dias.

— Bom, se ela não se alimentou ainda quer dizer que está fraca – o velho começou a explicar. – Enquanto ela não beber sangue ela é como uma simples humana.

— Quer dizer que sem ter ingerido sangue ela não é rápida, nem forte, nem nada sobre-humano? – indaguei.

— Sim, é isso. Alias, desculpem. Meu nome é James. Sou dono da lanchonete e morador antigo de Phenite.

Está explicado ele saber de tudo isso.

— E amigo de John, é claro – ele completou.

A menina estava quieta perdida no vazio.

— O que vamos fazer com ela? - perguntei.

— Esperem – disse James.

Ele saiu a fechou a porta.

O jeito era esperar.

Mas como Bryan sabia que ela estava ao telefone com alguém? Essa duvida insistia em martelar na minha cabeça.

— Como sabia que ela era uma isca e que estava falando com alguém? – fiz essa pergunta a ele.

— Achei que estava atento a ela – ele respondeu.

— Eu estava.

— Não o suficiente – franzi o cenho. – Quando ela estava mexendo no celular deu claramente para ouvir que estava fazendo uma ligação, logo depois ela levantou, ela sabia que iríamos atrás dela. E ela sabia que éramos caçadores desde que entrou, ou antes mesmo de ter entrado – ele olhou para ela muito sério.

— Ela mentiu?

— Sim.

A vampira estremeceu.

— Seu amigo estava errado – ela disse referindo-se ao James. – Eu não sou uma vampira por completo ainda, certo. Não tenho super velocidade, força, resistência, é verdade. Porém meu olfato é muito melhor que o normal.

— Apenas olfato? – Bryan indagou.

— Apenas – Ela assentiu – E eu sabia que eram caçadores. O meu criador me deu me deu algumas informações, não me perguntem como ele conseguiu que eu não sei. – Ela parecia estar dizendo a verdade. – Além do mais vocês são indetectáveis de longe, mas a poucos metros o sangue de vocês é diferente, não nos atrai igual dos humanos, as duas garotas tem cheiro bom, mas o de vocês não dá nenhuma vontade de beber.

— O que ele quer? – insisti.

— Ele disse que vocês tem a cura para nós dois, eu e ele.

— Lamento mais uma vez, não tem cura. Foi enganada – eu disse.

Eu queria que existisse uma maneira de reverter o vampirismo, mas não tem. Cura... Será que tem algo a ver com minha mãe? Ela é uma valquíria. Será que o vampiro que transformou a menina está pensando que o sangue das valquíria pode curá-lo?

O velho, ops! O senhor voltou.

— Aqui está – ele tirou uma estaca da cintura.

A menina se afastou, ficou encostada na parede, em pânico.

— Não me matem, por favor. Eu não fiz nada. Não vou machucar ninguém, eu prometo – eu podia ver a sinceridade em seu rosto.

— Eu lamento – Bryan pegou a estaca. – Mas eu não posso confiar em uma vampira.

— Espera – segurei o braço de Bryan, o mesmo estava parado. – Ela não tem culpa, Bryan. É uma vitima.

— Jean não seja idiota, você acha que ela vai aguentar? Eu conversei com meu pai, depois de uma semana sem sangue ela vai ficar louca e vai ficar fora de si.

— Vamos dar uma chance – pedi.

— Seu irmão tem razão – disse James olhando para mim.

— Não, não existe outra solução. Ela pode machucar Claire, Anna, ou alguém que amamos – Bryan estava certo, mas eu não queria tirar a vida de uma menina.

— Por favor, não me matem. Eu só quero me livrar disso. Meus pais estão morrendo de preocupação, depois que fui infectada eu não voltei para casa.

Eu podia perceber o quanto ela estava sofrendo, tinha que haver outra maneira.

Bom, meu pai disse que nosso sangue podia matar um vampiro. Indo pela lógica quer dizer que o gene contido no nosso sangue funciona como anticorpos para combater o gene vampírico. Porém James disse que ela não se alimentou ainda, ou seja, ela esta em transição e precisa de sangue humano para completar. Seguindo o raciocínio, ela ainda tem o lado humano dela, então se ela ingerir nosso sangue o gene caçador vai matar apenas os genes de vampiro, deixando o lado humano dela intacto.

Genial!

Eu expliquei minha teoria a James e Bryan.

— Não vai dar certo, meu jovem – disse James.

— Porque não? – perguntei frustrado.

— Funcionaria se ela tivesse sido mordida há poucos minutos. O gene vampiro toma conta do corpo muito rápido – ele explicou.

— Como você sabe? – Bryan perguntou.

— Seu pai... Ele é muito sábio – afirmou James.

A menina ficou olhando para nós. Ela estava tremendo.

— Tentem – suplicou.

— Isso vai te matar... – eu disse a ela tentando transparecer o máximo de compaixão.

— Por favor, não tenho escolha – ela se ajoelhou.

— Não façam isso, enfiem essa estaca no coração dela. Como ela não se transformou por completa não vai paralisá-la, vai matá-la.

— Não. Eu posso ser curada. Por favor. Tentem – ela não parava de suplicar.

Ela se levantou e se jogou pra cima de mim com a boca aberta mostrando as duas presas. Era como uma cobra dando o bote. Eu podia desviar facilmente, mas antes que eu fizesse Bryan esticou o braço. A vampira fincou as presas no braço dele e começou a sugar seu sangue.

— Deixem que beba – disse Bryan ao perceber que eu ia tirar ela.

— Mas irmão, você ouviu nosso pai. Você vai passar por momentos de agonia e dor até que seu corpo expulse o veneno – não entendi por que ele tinha feito isso por mim.

— Eu dei o que ela queria – ele disse.

Ela soltou seu braço e sentou no pé da parede.

— Me perdoem. Eu tinha que fazer isso, era minha única chance – ela estava chorando.

No braço de Bryan ficaram dois buraquinhos e uma marca de dentes e um pouco de sangue que saia.

— Porque fez isso por mim? Você sabia que eu desviaria – falei.

— Não é bom arriscar, você às vezes viaja na maionese. Você já sofreu demais com os dons, te livrei de mais algumas horas de sofrimento, irmãozinho – ele riu.

Esse é Bryan, não tenho nem o que falar dele. Os dois buraquinhos em seu braço estavam fechando lentamente. Nosso processo de cura era muito surreal.

— Ela irá morrer em alguns minutos – disse James.

— Vai mesmo? – perguntei descrente.

— Sim – ele confirmou.

Em seu rosto demonstrava total certeza.

Ficamos olhando para a menina. Ela começou a estremecer, parecia com frio. Depois vomitou sangue no chão. Eu não estava aguentando ver ela assim.

Uma vida. Ela não merecia isso. Família, amigos, uma vida toda pela frente... Quem poderia fazer isso com uma pessoa? Talvez não quem, mas o que. O que fez isso a ela? Um monstro sem sentimentos, um vampiro.

Agora eu entendo porque John os odeia tanto. A morte realmente é a única cura deles. Eu estava com ódio. Ódio de quem fez isso a ela, ódio de não poder ajudar, ódio de ver a garota sofrer daquele jeito.

— Está doendo... muito. Me ajudem... – Ela suplicava por sussurro.

Ela não tinha forças para gritar.

Tomei a estaca de Bryan e abaixei próximo dela. Abracei-a com o braço livre.

— Me perdoe – sussurrei o pedido. – Que Deus acolha a sua alma e que você seja muito feliz não importa para onde for.

Finquei a estaca em seu peito, no coração.

Ela apagou e nunca mais acordaria. Levantei e saí. Entrei no banheiro masculino e lavei o rosto. Me olhei no espelho.

— Eu fiz o certo – eu disse à minha imagem refletida, tentando me convencer.

Eu acabei com a dor dela. A pior morte é aquela sofrida. Eu apenas tirei toda dor dela. Que Deus a tenha. Respirei fundo e sai do banheiro.

— Deixem o corpo aí até a lanchonete fechar. Ninguém terá acesso à sala, apenas eu – James falava com Bryan.

— O que vai fazer? – perguntei,

— Enterrá-la no cemitério de Phenite. Meu amigo Chong cuida do cemitério. Ele sabe. – James explicou.

— Ninguém vai ficar sabendo? – Bryan indagou.

— Não. Enterraremos nesta madrugada, ninguém passa por lá há essa hora. Além do mais, enterraremos no fundo do cemitério, uma área do John.

— Compreendo – eu disse.

— Faça – pediu Bryan.

James assentiu. Ele parecia cansado.

Eu e Bryan voltamos à mesa. Nosso lanche tinha sido servido.

— Que demora – disse Claire.

— O que houve? – Anna perguntou.

— Encontramos um velho conhecido, James. Ele é dono da lanchonete, conhece nosso pai. Ficamos batendo um papo com ele – eu disse.

Eu não menti, apenas omiti os principais fatos da história.

Depois que comemos ficamos conversando, jogando papo fora. Tentei não pensar na garota, não queria estragar o resto da noite, já seria difícil dormir com aquelas imagens na cabeça, agora pelo menos eu merecia me divertir um pouco.

E o Bryan. Coitado, se o que nosso pai disse for verdade, o que eu sabia que era, o Bryan não dormiria a noite. Falando nele, me orgulhei dele. Me surpreendeu muito. Além de mostrar uma grande inteligência ele também mostrou que se importa comigo. Sinceramente, eu não tinha palavras.

Saímos da lanchonete juntos. O relógio marcava nove e cinquenta da noite.

— Boa noite, Claire – abracei-a.

— Boa noite, Konery primeiro – ela disse para provocar Bryan.

— Boa noite, Lorran – apertei a mão dele firmemente.

— Boa noite, amigão. Temos que marcar de novo, foi muito divertido – ele sorria, parecia muito contente e radiante.

Lorran era uma pessoa boa, apesar do impasse Anna. Acho que seremos bons amigos.

Depois que todos se despediram entrei no meu carro, Anna no banco do carona, ela ia comigo. No carro de Claire iam Bryan e Lorran. Claire ia deixar Lorran em casa e depois Bryan, já que dividimos a mesma rua.

Dei a partida e saímos, de volta para a casa.

— Amanha é o primeiro dia da aposta – Anna tentava puxar assunto.

— Nem me fale – eu ri. – Estou pronto.

— Que bom que está, não vou aliviar para você.

— Hum, acho que dou conta – rimos juntos.

Conversar com Anna me vazia esquecer o momento ruim do dia.

— Hoje foi ótimo, não foi? – ela perguntou.

— Claro que sim. Eu adorei – fora a parte da vampira.

Jogamos papo fora até chegar a casa dela. Parei o carro bem na frente. Ela desceu do carro e desci junto.

— Obrigada por hoje, foi divertido – ela disse.

— Foi sim – abracei-a forte.

— Chato – ela retribuiu.

— Eu sei – larguei-a. – Boa noite.

— Boa noite – ela beijou meu rosto e foi caminhando em direção à porta.

Ela subiu a pequena escadinha para a varanda e bateu na porta. Quando a porta abriu Anna me deu um breve tchau e entrou fechando a porta, mal deu pra ver quem abriu, provavelmente não queria que a mãe me visse.

Entrei no carro e voltei para casa. A noite foi ótima, se não fosse a vampira podia dizer que foi perfeita. Fora as imagens da menina que não saía da minha cabeça ainda tinha uma parte que me preocupava. Alguém a mandou, e esse alguém está por aí, talvez por perto ou não.

Liguei para meu pai e relatei tudo que aconteceu, com extremos detalhes. Ele afirmou que está na patrulha e pediu para eu ajudar ele hoje. Em vez de ir para casa da mamãe fui para casa dele. Deixei uma mensagem no celular dela avisando que dormiria na casa do meu pai.

Chegando lá reparei que Hector estava lá.

— Teremos uma noite longa – ele disse.

— Patrulha? – perguntei.

— Com certeza. Quero você e Hector na cidade à noite toda.

 

***

 

"p.o.v Bryan"

 

Eu estava com Claire no carro, acabamos de deixar Lorran em casa. Estávamos voltando para casa. A noite foi boa, porém poderia ser melhor se certos momentos não existissem. Eu sei que essa é minha vida nova, não podia fugir disso.

Algo está para acontecer, eu sinto isso. Esse vampiro que usou a garota queria ter certeza de nós, agora tem. Ele parece ter muita experiência para não entrar na cidade de supetão. Usou da arte de manipular para averiguar antes, inteligente.

— Está distraído? – Claire perguntou.

Ela dirigia devagar, menos que sessenta km/h. Para mim estava ótimo, teria mais tempo ao lado dela. Na minha missão de não se apaixonar eu estava perdendo.

Desde que a vi algo mudou em mim. Não sei se foi o sorriso ou o olhar, mas ela me atraiu como nenhuma outra garota. Talvez estivesse na hora de eu sossegar, arrumar algo sério e duradouro, deixar minhas aventuras de lado. O que eu estava dizendo? Eu sou o Bryan... Não podia mudar assim, mas perto dela minha cabeça viajava para outra dimensão.

— Pensando um pouco – respondi.

— Em que?

— Nas mudanças em minha vida.

— Gostou de mudar para cá? – ela sorriu.

Dessa vez um sorriso menos Claire.

— Gostei. Aqui é um bom lugar. Já me acostumei. Esquece – tentei mudar o rumo da conversa.

Não falamos mais até chegar a minha casa. Descemos juntos do carro e ficamos parados na calçada.

— Tenho que ir, antes que minha mãe comece a ligar – ela disse virando de costas para mim.

Antes que desse o primeiro passo a segurei pelo pulso, de leve.

— Que foi? – me perguntou, parecia surpreendida.

Andei com ela até o jardim e sentei.

— Sente-se, você mora aqui do lado. Está praticamente em casa, tenta relaxar um pouco – tentei fazer com que ela ficasse um pouco.

— Se minha mãe aparecer...

— Não vai aparecer. Fica comigo um pouco, ou você não quer? – perguntei.

— Tá bom, eu fico – ela disse baixo.

As pessoas mudam, acho que eu também estou mudando. Não estou falando apenas de ser um caçador, mas também na minha vida normal, meus sentimentos, meus pensamentos, tudo. E tudo começou com Claire.

— A noite está tão linda, não é? – perguntei a ela. Apelei para o clichê para puxar assunto.

Mesmo o céu estando perfeitamente lindo. Não era lua cheia, mas ela estava radiante no céu. As estrelas exibiam um brilho intenso e perfeito. Fazia um pouco de frio, normal pra época.

— Sim, perfeita – nós dois olhávamos as estrelas.

— Verdade.

— Não está com frio? – ela indagou.

— Um pouco, não sou de sentir frio – expliquei.

Depois que me desenvolvi como caçador meu corpo regulava a temperatura para se adaptar ao ambiente. Assim eu quase não sentia frio, nem calor.

— Vou pegar uma blusa no carro.

— Não precisa – eu disse.

Cheguei mais perto dela, passei meu braço por seu ombro e puxei para perto de mim. Ela deitou sua cabeça em meu ombro.

— Obrigada, mesmo você estando um pouco frio – eu ri do que ela disse.

— Eu que agradeço. Você tem sido a melhor coisa que me aconteceu depois que vim para cá. E não to frio, impressão sua – repousei minha cabeça sobre a dela.

Ficamos em silencio por alguns minutos, eu aproveitava cada segundo perto dela. Seu cheiro era intenso e delirante. Nunca senti algo parecido por outra garota antes.

— Quando sentou perto de mim no primeiro dia de aula sabe o que eu achei? – ela sorriu.

— Que eu era um babaca? – perguntei retribuindo o sorriso.

— Sim.

— Eu era. Eu ainda sou. Mas alguém está me fazendo mudar – eu disse baixo.

Ela me olhou nos olhos.

— Quem? – seu rosto estava bem próximo ao meu.

Dava para sentir sua respiração. Seu hálito era leve e a cada respiração impulsos me vaziam querer beijá-la. Seus lindos lábios me chamavam, seu olhar era de se comparar ao lindo céu estrelado que pairava sobre nós. Deixei-me levar pela intensa vontade de beijá-la. Movimentei meu rosto lentamente para mais próximo do dela. Levei meus lábios ao encontro com os lábios dela, sem quebrar nossa ligação pelos olhares. Assim que meus lábios a tocaram...

— Claire – alguém gritou.

Ela se assustou e se afastou de mim.

— Droga, minha mãe – ela se levantou rápido. – Tenho que ir, desculpa.

Começou a andar para o carro. Confesso que a decepção baixou em meu rosto. Levantei e fiquei olhando-a. Ela abriu a porta, mas não entrou, ao contrario, ela voltou correndo para mim. Parou bem perto, me deu um abraço forte e um beijo intenso na bochecha.

— Obrigada – ela disse.

E se foi. Entrou no carro e foi para sua casa. Eu fiquei lá parado olhando. Ela parou o carro na garagem. A mãe a esperava na porta. Concentrei-me para ouvir a conversa delas, não conseguiria dormir sabendo que por minha culpa ela tomou bronca da mãe.

— O que estava fazendo com o carro parado na frente da casa dos Konery? – ela já nos conhecia, minha mãe deve ter feito amizades na vizinhança.

— Mãe, eu só estava conversando com meu amigo – ela disse aborrecida.

— Sentada no jardim?

— O que é que tem? Mãe, não começa tá?

— Menina, menina, toma juízo.

— Não rolou nada mãe e mesmo que rolasse algo seria coisa minha. Ok? – ela disse de propósito para irritar a mãe.

— Olha como fala comigo, mocinha – a mãe esbravejou.

— Então para de discutir, não fiz nada de errado. Quer saber? Boa noite, mãe. Tenha lindos sonhos e não invada os meus – ela entrou.

Eu ri, essa Claire é sem comentários.

Comecei a sentir dores em lugares específicos. Meu corpo começou a reagir contra o veneno da vampira.

Minha noite seria longa...

Meu celular vibrou. Claire? Era uma mensagem e não era da Claire, que pena. Era de Jean.

Eu e Hector vamos patrulhar a cidade. Se tiver algum outro vampiro por aqui ficaremos sabendo logo. Papai disse pra você descansar, ou tentar. Seu corpo vai intensificar o combate ao vírus no seu organismo, serão mais ou menos quatro horas não muito boas para você. Desculpa, foi minha culpa. Bom, se cuida. Abraço

Droga, eles vão sair para se divertir sem mim. Fazer o que... Deitei na cama e comecei a viajar em pensamentos, comecei a relembrar a cena no jardim, eu e Claire. A dor estava se intensificando, porém pensar nela ajudava a relaxar e esquecer a dor.

Peguei o celular e mandei uma mensagem pra ela: Obrigado, Claire”.


Não quer ver anúncios?

Com uma contribuição de R$29,90 você deixa de ver anúncios no Nyah e em seu sucessor, o +Fiction, durante 1 ano!

Seu apoio é fundamental. Torne-se um herói!


Notas finais do capítulo

Olaaaaaaaaaaaaaa!
Queria agradecer a minha Ana Saltavatore. Obrigado por editar pra mim *-* i love you.
Um abraço especial ao Clube do Bryan. *-*
Cap 5 é muito especial, não sei que dia vou postar, talves pra semana.
UM abraço e até a próxima.



Hey! Que tal deixar um comentário na história?
Por não receberem novos comentários em suas histórias, muitos autores desanimam e param de postar. Não deixe a história "Oracle - The Beginning" morrer!
Para comentar e incentivar o autor, cadastre-se ou entre em sua conta.