Oracle - The Beginning escrita por


Capítulo 19
Capítulo 10 - Oráculo, o ínicio ( Parte 3 )


Notas iniciais do capítulo

Volteiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiii ( explode confetes). Pensaram que iam se livrar de mim? Jamais jamais. :P Então, aqui está mais um capítulo. Sei que demorei, mas perdi uma de minhas betas oficiais, mas como sou sortudo e tenha duas, a outra deu um jeito. E falando nela queria agradecer a força e por tudo que tem feito por mim, ♥ um ano e onze meses de namoro, minha AnaSalvatore ♥ Obrigado obrigado, meu amor, te amo demais.
E queria agradecer também a eterna GeBlack ( que agora é Ge Tomlinson). Por ser uma leitora fiel e muito preciosa que eu tenho, obrigado Ge, não me abandone :P.
Ai está mais um capitulo. Nos vemos nas notas, obrigado por lerem e não me abandonarem ♥



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 Eu sabia que este momento chegaria, sabia que seria difícil e que na hora iria doer. O tempo não ajudou, esperava um dia longo, mas tudo que veio foi um dia super rápido. Sam foi comigo para a escola, queria ficar com ela nos últimos momentos até que a mãe a levasse.

 Neste momento espero no sofá de casa, Sam está aninhada em meus braços, acordada, mas quieta. A campainha toca, levanto com ela no colo e abro a porta, Anna e Claire.

– Oi Jean – as duas me cumprimentam.

– E ai, meninas. Podem entrar.  – saiu da frente da porta.

– Melhor esperar aqui, Jean. Vamos ficar no jardim, aproveitar os últimos raios de sol da tarde. – Claire sugere.

– Boa idéia. – Anna apóia.

– Então vamos, vocês mandam. – dou um leve sorriso.

 O clima estava meio frio, normal. O sol quase não brilhava mais no horizonte. Meu pai chega com a caminhonete e se junta a nós no jardim. Ficamos conversando sobre qualquer assunto, para distrair. Lorran e Bryan estavam fazendo a patrulha nesta tarde.

 Um carro prata parou atrás da caminhonete de meu pai. Uma mulher loira desce do carro, ela era bonita, alta e magra, daria trinta anos para ela. Ela olha para Samantha e dá um sorriso largo enquanto seus olhos se enchem de lágrima. Sam abraça minha perna com firmeza e evita olhar para a mulher, timidez, na certa.

 Ajoelho para falar com ela.

– É sua mãe, bebe – eu falo com ela.

– Uhum – ele continua sem olhar para mãe.

– Dá um abraço nela, que tal? – Peço.

 Devagar ela se vira e olha para mãe, a cabeça um pouco baixa.

– Filhinha... – A mãe fala, chorando e abrindo os braços.

 Sam corre na direção dela e a abraça. Imagino a dor da mãe em ficar longe da filha, pela história sofrida dela.

– Mamãe te ama muito, princesa  – a mulher fala entre lágrimas.

 Anna e Claire me abraçam ao mesmo tempo, elas sabem que está sendo difícil para mim, e eu sei que vai ser melhor para Sam. A moça pegou Sam no colo, ainda muito emocionada. Eu tentava me convencer de que era a coisa certa, e era.

 Após a tempestade de sentimentos de um reencontro emocionado entre mãe e filha, entramos em casa, todo nos acomodamos na sala. A mãe de Sam se apresentou como Irelia, achei o nome bonito, combinava com a dona. Não, não estou interessado na mãe da princesinha, só estou falando a verdade.

– Então, Irelia, todos aqui fazemos parte direta ou indiretamente de um mundo diferente – meu pai foi direto ao assunto.

– Não estou entendo. A onde querem chegar? – Ela tentou desconversar.

­– Senhora... – Tentei falar, mas fui interrompido.

­– Irelia, me chame apenas de Irelia, por favor – pediu.

– A sim, pois não. Irelia, pelo tempo que passei com Samantha pude notar que ela era diferente, ela aprende as coisas com muita facilidade, ela é muito mais desenvolvida mentalmente que outra criança de sua idade.

­– O que eu tenho a ver com isso? – Ela parecia assustada.

­– Sabe o que somos. Sabe muito bem que tem dois caçadores e uma Valquíria nessa sala, e uma humana, e além de você há outra bruxa – meu pai disse olhando diretamente em seus olhos.

 Suspeitava disso, Sam, uma pequena bruxa. Já sabia que ela era diferente e que suas características não se encaixavam em qualquer outra raça a não ser essa. Bruxa.

­– Como descobriram? – Ela parecia um pouco chocada, mas conformada ao mesmo tempo.

– Só queremos te ajudar – eu falei para tranqüilizá-la.

 A tensão baixou um pouco.

­– Zin é meu amigo, mamãe – Sam se pronunciou. – Não precisa ter medo dele não.

­– Nunca faria mal a vocês, pequena Sam – falei sorrindo para ela.

­– A questão é que as bruxas eram para estar extintas ­– meu pai disse.

 E eram mesmo, segundo boatos todas as bruxas foram caçadas e mortas, ou por vampiros ou mesmo por caçadores, por medo. Eles temiam o poder delas.

­– Não, nos escondemos esse tempo todo por medo. Não somos bem vistas pelos outros sobrenaturais, até por vocês, caçadores – ela me encarava com olhar curioso.

– Espera ai, nós protegeremos vocês. Como eu disse, nunca machucaria a Samantha, muito menos a mãe dela ou outra bruxa. Não tenho motivo para isso e mesmo de tivesse não conseguiria – eu disse, não imagino ver Sam machucada de novo.

 Claire e Anna estavam muito quietas, apenas ouvindo e tentando entender.

­– Não posso confiar em ninguém – Irelia se levantou com Sam no colo.

 Se ela que pode sair assim está muito enganada. Levantei no mesmo instante, mas não consegui mais me mexer, perdi o controle do meu corpo, era como se tivesse tomado anestesia geral. Ninguém, exceto Irelia podia se movimentar, era ela que estava causando isso.  

 Pela primeira vez experimentei o poder de uma bruxa.

– Me solta, Irelia. Não vou machuca - lá. Prometo – pelo menos eu conseguia falar. As meninas e papai estavam pressas por Irelia, presos pelo nada, por algo que não sei explicar.

– Não posso acreditar em ninguém. Adeus – ela andou até a porta com Sam no colo.

Não, não posso a deixar ir assim. Concentrei-me, tentando de alguma forma retomar o controle de mim mesmo, e consegui. Corri até a porta e fiquei na frente.

– Como conseguiu? – Ela indagou surpresa enquanto andava para trás lentamente com medo em seus olhos.

– O que foi, mamãe?  Zin é amigo – Sam disse olhando em seus olhos.

– Você pode ir embora se quiser – abri a porta. – Mas deixe-me despedir dela antes.

– Então, não vai tentar nada? – Ela me olhava com medo.

 Essa mulher deve ter sofrido muito, para ter tanto medo assim.

– Irelia, eu passei a semana inteira cuidando de Sam, acha mesmo que machucaria a mãe dela? Acha que procuraríamos por você se não fosse por ela? – Falei sério.

 Ela suspirou e voltou para o sofá. Libertou todos de seu encantamento, ou sei lá o que ela fez.

– Ai. Isso foi estranho – Anna disse tensa.

– E eu achei que já tinha visto de tudo– Claire retrucou.

–Foi muito forte, mas o Jean conseguiu sair – meu pai disse. – Por quê?

– Eu não sei. – Ela disse me olhando curiosa. – Me desculpem. Não queria fazer isso, mas é difícil para mim lidar com tudo.

– Entendo – meu pai disse. – Sabe algo sobre o livro das bruxas? – Sempre direto.

 Eu estava me sentindo estranho, como todos ficaram presos e eu consegui sair? A única pessoa a quem recorreria que é meu pai já deixou claro que não sabe, nem quem fez o encantamento sabe.

– Não faço idéia de onde esteja, mas já escutei boatos que está divido. E se isso for verdade eu tenho um pedaço dele – ela disse. – Tenho quase certeza que é um fragmento do livro.

 Então o livro está divido. Isso não facilita muito. Preferia a teoria de que estivesse enterrado em Phenite, seria mais fácil achar. Mas como de costume o destino não coopera.

­– Este encantamento, bruxaria, ou seja lá o que você fez –  papai ia dizendo.

– Vamos denominar como encantamento, é a que melhor se encaixa – Irelia interrompeu.

– Pois bem, que seja. Como você aprendeu, por acaso foi tirado desse fragmento? – A conversa dos dois era complexa, mas eu conseguia entender. As meninas continuavam quietas. Pareciam perdidas, ou chocadas.

– Sim, consegui memorizar todos feitiços. Mas apenas uma bruxa pode ler, ou uma ritualista – ela olhou para Anna.

 Mas o que ela quis dizer com ritualista? Me perdi nessa parte. Sempre aparece coisa estranha, quando acho que estou no final de tudo, me vejo no começo. Pelo menos já acostumei com isso, com o fato de eu nunca saber de tudo.

– Devo querer saber o que significa? – Anna perguntou.

– Ritualista e Valquíria é a mesma coisa. Sua raça pode fazer rituais, como por exemplo, fazer o oráculo entre os caçadores – então é isso.

– Espere, eu tenho um livro que apenas eu consigo ler. Minha mãe tentou de tudo quanto é forma, mas não conseguiu ler sequer a primeira palavra – Anna disse.

 ­– Diga-me Anna, sua avó era uma Valquíria? – Meu pai perguntou concentrado.

­– Era, e ela podia ler. Foi ela quem me deu, me pediu para guardar com máxima segurança.

­– Pode ser que seja outro fragmento? ­ – Indaguei.

– Possivelmente ­– meu pai afirmou. – Pode me emprestar?

­– Claro, acho até melhor ficar com vocês. Se é tão importante quanto parece acho que deve ser mantido em segurança máxima – Anna parece tão calma em relação a tudo. Ela já devia saber sobre as bruxas.

­–Certo, Jean vai até sua casa pegar hoje mesmo. E Irelia, preciso do seu fragmento – meu pai pediu de uma forma não tão gentil.

– Não preciso mais dele, já extrai todo conteúdo. Posso me defender com o que aprendi. Pode ir comigo e pegar – ela sugeriu.

­ Meu pai ficou um pouco pensativo, até sei no que ele estava pensando.

­– Pai, vai ficar tudo bem. Pode ir. – Afirmei. –  Vamos intensificar as rondas em sua ausência.

– Ótimo. Vamos ter uma conversa muito, mas muito longa, Irelia. Vou querer saber de tudo que puder me falar.

 – Vou falar tudo que souber – Irelia se levantou devagar.

 Sam estava em sono profundo. Não me admira, ouvir todo esse papo chato de adulto sem entender nada.

 Meu pai levantou e foi andando até a porta, pensativo. Irelia foi junto.

­– São seis horas de carro. Sem pausa – ela informou a ele.

– Estamos perdendo tempo. Vamos, só vou passar em casa e pegar uma mudas de roupa.

– Você pode dormir lá em casa, vai ficar tarde para voltar – ela ofereceu.

– Ótimo. Creio que temos muito assunto para debater – ele falava como se a conhecesse. Mas no fundo eu sabia que não, esse é o jeito de meu pai. Sabia também que ele só queria devorar toda informação que Irelia continha.

 Mas se ele for esperto pode juntar o útil ao agradável. Se Irelia for sozinha, e ele for mesmo dormir lá, serão dois adultos sozinhos numa casa. Sam vai estar dormindo. Vai embora pensamento pervertido.

 Todos juntos fomos até o jardim. Chegou a hora do adeus, será que eu não ia me despedir dela? Parecia uma anjinha dormindo, não posso acorda - lá. Papai bateu a porta da caminhonete e ligou o motor. Irelia estava se encaminhando para o carro dela.

– Já vamos embola? – Escutei a vozinha dela, baixa e rouca.

­– Já minha filha. Vamos para casa ­– Irelia respondeu. – Eu já lhe acordar para se despedir de seu amigo Zin, eu sinto que vocês são muito ligados.

– Zin é meu melor amigo ­– Sam disse.

 Meu coração deu uma acelerada espontânea, meus olhos se encheram de lágrimas e um sorriso feliz por ouvir isso dela, mas ao mesmo tempo triste por estarmos nos separando.

– Vai lá falar com ele enquanto eu ponho a cadeirinha – Irelia abaixou e colocou Samantha no chão.

 Eu ajoelhei e abri os braços. Ela correu para mim com um sorriso lindo no rosto e me abraçou forte. Era tudo que eu precisava dela no momento. Seu abraço foi como tomar um gole de água gelada depois de atravessar um deserto inteirinho a pé. Meu conforto para aquele momento.

– Não me esquece, Sam – Eu disse baixo.

– Não me esquece, Zin – Ela repetiu.

– Nunca – nunca falei. Essa menina conseguiu  marcar minha vida em tão pouco tempo.

­– Nunca tabém – ela disse chorando.

 Um nó apertou minha garganta, não era nenhum encantamento, ou algo do tipo. Era um nó que eu não estava acostumado a sentir. Era a tristeza tentando se manifestar através de meus olhos. Dizem que segurar é pior, mesmo estando na frente das meninas, não posso segurar.

 Deixei que uma lágrima manchasse minha face, descendo lentamente por minha bochecha e rumando para o queixo, daí seguiria pra meu caminha natural se não fosse por Sam, bateu na blusa dela e por lá ficou.

 Olhei em seu rostinho, agora ela chorava em silencio. Limpei meu rosto apagando o rastro da lagrima solitária. Deu um sorriso, apesar de estarmos nos despedindo, sei que a verei em um futuro breve. Quando essa confusão acabar e for seguro realmente eu me afastar  da cidade.

– Quando der eu vou te visitar – falei.

­– Você vai vilar uma estlela igual papai? – Ela perguntou, já não chorava.

– Não, ainda não. Eu vou te visitar desse mesmo jeito que estou agora, vou te abraçar muito e vamos brincar a beça – apertei sua bochecha de leve. ­– Agora vá, sua mãe está te esperando.

 Ela beijou minha bochecha dos dois lados, dei um longo beijo em sua testa.

– Vou cuidar de você, mesmo estando longe – falei.

– Te amo Zin ­– ela me abraçou de novo.

– Te amo, pequena Samantha.

 Levei-a até a cadeirinha que já estava montada no meio do banco de trás. Sentei-a  e passei o cinto como manda a lei. Dei um sorriso para ela, que retribuiu com outro.

 Fechei a porta e fiquei observando-a. Irelia ligou o carro e meu pai acelerou, ela a seguiu e logo dobraram para a avenida e sumiram de vista. Não podia esconder que estava triste com a partida dela.

– Jean, estou indo para casa. Vou sair com minha mãe hoje e não quero atrasar, conhece a peça ­– Claire disse enquanto me abraçava. – Qualquer coisa conta comigo.

– Vai lá, Claire. Obrigada por vim e desculpa qualquer coisa.

– Que isso – ela sorriu e foi para casa dela.

 Agora éramos eu e Anna. Tenho que ir a casa dela pegar o fragmento do livro.

 ­– Já sei, temos de ir até a minha casa – Anna adivinhou.

– Sim, senhora – entrei no carro e esperei até que ela entrasse.

 Foram menos de cinco minutos até chegar a casa dela, neste curto espaço de tempo não conversamos nada. Não tinha muito que falar, e pelo jeito nem ela. Às vezes o silencio diz tudo.

 Entrei na casa dela, estava como antes. Bem arrumada e cheirosa. A decoração era perfeita como sempre. Apesar de eu não dar muita atenção a isso. Cumprimentei a mãe dela que estava na cozinha fazendo algo que cheirava a bolo de chocolate. Deu até fome agora.

  Subi as escadas no encalço de Anna, fomos direto ao seu quarto. Na primeira vez que estive aqui não foi numa situação muito agradável, águas passadas. Ela abriu um armário que era trancado com cadeado e de dentro retirou um pequeno baú, que também era trancado com um cadeado, este por vez de senha.

– Sabe que cadeado na mão de um vampiro ou caçador é papel, não sabe? – Perguntei sorrindo.

– Sei sim, mas dá sensação de proteção por cadeado nas coisas – ela respondeu desconcentrada.

 Anna retirou algumas folhas juntas do baú e me entregou. O papel era amarelo envelhecido e era um pouco mais grosso que folha A4. O estranho é que não havia nada escrito, todas as folhas estavam em branco.

– Só pode ser brincadeira – olhei para ela, sério.

 A levada olhou para mim e ficou dando gargalhada sem parar, e sentou na cama.

– Está achando graça de que? – Encarei-a ainda mais sério, mas já fraquejando na cara de mal, a risada dela é contagiante demais.  

– Sua cara foi muito engraçada – ela não parou de rir.

– Então você quer um motivo para sorrir, não é? – Indaguei olhando-a com um sorriso malicioso.

– Nem pense nisso ­ – parou de rir no mesmo instante, recado entendido.

– Tarde demais – saltei do lado dela na cama e comecei a fazer cócegas em sua barriga.

 Anna se contorcia de tanto rir. Ela deitava, se embolava, tentava de tudo, em vão. Usei minha velocidade para impedir que ela escapasse.  

– Para, eu imploro – pediu meio ao riso.

 Parei de fazer cócegas nela e esperei-a recuperar o fôlego. Minha vingança foi concretizada com sucesso.

– Jean Konery. Você é muito malvado mesmo – Ela esbravejou. – Te odeio. – Fez bico.

 – Também te amo – sentei no chão ao lado do baú e voltei a examinar as falhas.

– Nada que fizer vai funcionar – ela disse sentando-se ao meu lado. – Posso? – Ergueu a mão pedindo as folhas.

– Faça a mágica, ritualista – falei com tom de esnobe.

 Ela retirou um pequeno recipiente transparente do bolso, um tubinho com  liquido vermelho. Sangue, claro. Incrível como sangue de Valquíria serve para tudo.

­– Novidade – revirei os olhos.

– Calado – ordenou.

– Anda logo – mandei.

 Com muita cautela ela foi pingando uma gotinha em cada folha, não eram muitas podemos contar quinze delas apenas. A  pequena gota começou a se expandir letamente como uma raiz de uma arvore, porém era para todo lado da folha. Fiquei boquiaberto com a cena. Logo toda folha estava visível em uma escrita desconhecida por mim.

– Nem tente ler, não vai conseguir – ela disse o obvio.

– Não tem problema – juntei as folhas. – O baú vem de brinde? – brinquei.

– Claro – respondeu-me sarcasticamente, fazendo um sinal de positivo. – Em dois ou três minutos as folhas ficaram em branco novamente.

– Isso é meio obvio também – amo irritá-la.

 Recebi um dedo e um sorriso maldoso em troca.

– Olha a má educação – adverti.

– Também te amo – sorriu e piscou.

 Descemos juntas as escadas. Passei na cozinha para me despedir da mãe dela, claro que ela me fez ficar e comer um pedaço de bolo, como não sou tonto e nem um pouco esfomeado, topei sem pensar duas vezes.

 Comi três pedaços, que maravilha de bolo. Um dos melhores que já comi em minha vida. A Melanie é uma ótima pessoa e sabe cozinhar como ninguém. Quem sabe uma futura boa sogra. Menos Jean, menos.

 Despedi-me dela e caminhei com Anna até o jardim.

– Você vai ficar bem? – Ela me perguntou.

– Acho que sim, só vou me sentir mais sozinho em casa, já que ficava o tempo todo com ela. Era uma excelente companhia – suspirei. Era mesmo.

– Se precisar de mim, já sabe onde me encontrar – ela colocou a mão em meu ombro.

– Obrigado – abracei-a.

– Não é nada comparado ao que está fazendo por mim – ela falou. – Pelo menos uma vez na vida eu tenho um lar fixo.

– Isso tudo vai acabar, eu prometo. E você vai poder viver em paz – lutarei até o ultimo segundo de minha vida para isso, se for preciso.

 Desvencilhamo-nos e fui para meu carro. Coloquei as folhas em cima do painel com um peso em cima para não voar  e sorri para Anna.

– Obrigado – falei.

 Sei que não venho sendo um bom amigo para ela, preciso melhorar muito nessa questão. Anna sempre está do meu lado, e não suporto ficar evitando-a. Eu disse que lutaria por ela, mas parece que não consigo fazer isso, sempre que a vejo com Lorran sinto vontade de me afastar e esquecê-la. Isso está errado. Preciso mudar.

 Anna sorriu a deu tchau.

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 Acordo cedo em pleno sábado. Olho meu celular que marca 7:15. Minha ronda foi de meia noite as três da manhã, o incrível é que não estava cansado nem nada do tipo. Vai custar a me acostumar com isso, mas é a adaptação do corpo de um caçador é muito útil, quase não sinto falta de minha oito horas de sono.

 Acordar sozinho era estranho, geralmente eu dormia junto com Sam, eu a colocava pra dormir e acabávamos dormindo juntos. Aquela menina faz falta. Uma hora dessas estaríamos os dois vendo desenho no sofá enquanto acabava com uma tigela de cereal. Depois brincaríamos um pouco, almoçaríamos e sairíamos para passear. Não adianta me basear no se, ela não está mais comigo.

 Tentei não me apegar, mas foi algo impossível. Passamos o tempo todo juntos, acostumei muito rápido com ela por perto. Uma menina muito amável.

 Vou até a geladeira onde tem dois bilhetes grudados. Um é de Bryan “Jean, não queria te acordar cedo em pleno sábado. Eu, Hector e Lorran estamos a caminho de Michigan, a pedido de papai, vamos caçar uns vampiros que estão se multiplicando e ficando fora de controle. Cuide da cidade. Abraço.” Desgraçados, tudo que eu preciso agora é matar uns vampiros e eles saem sem me falar. Mas não poderia ir mesmo alguém tem que tomar conta da cidade.

 No outro bilhete dizia “Filho, saí mais cedo e voltarei mais tarde, depois das dez. Tem comida na geladeira, só esquentar no microondas. Se cuida, meu amor.” Típico de minha mãe.

 Meu sábado foi altamente tedioso, não tinha nada para fazer. Deu seis da noite e eu já não aguentava mais ficar na frente do meu notebook ou da televisão. Hora da ronda.

 Vesti meu moletom preto por cima da camisa, uma calça jeans velha e tênis. Peguei meu carro e dirigi até a casa de meu pai. Chegando lá encostei o possante na lateral da casa e entrei na floresta.

 Corria em uma velocidade razoável, não tinha pressa alguma. A ronda poderia durar a noite toda. Não tinha nada para fazer mesmo. Torcia para encontrar algum vampiro nômade e que fosse um pouco forte, para me divertir um pouco. Uma pena que querer não é poder. Continue correndo floresta adentro até ouvir um barulho, não era um vampiro, apenas conseguia ouvir o barulho de aproximação. Parecia um animal, um lobo provavelmente. Fiquei atento, não conseguia identificar quem era ainda, lobos são difíceis de decifrar pelo cheiro, mas quando chegou a uns duzentos metros finalmente consegui identificar, Evelyn. A linda loba de coloração branca.

– É você – sorri para ela.

 A loba balançou a cabeça lentamente.

­– Não pode voltar a forma humana? – Indaguei. – Sabe, não vai ser a primeira vez que te vejo nua. – Gargalhei.

 Evelyn começou a andar na minha direção lentamente me fitando, como um predador encurralando sua presa.

­­– Nem pense – falei ainda sorrido.

 Tarde demais. A loba saltou em cima de mim aterrisando bem em cima do meu ombro com as patas dianteiras.

­– Não ouse – falei rindo.

 Até parece que adianta alguma eu falar. Evelyn passou a língua de loba por toda extensão de minha bochecha, depois na outra, resumindo, meu rosto ficou todo babado de lobo. Depois do trabalho sujo a danada saiu e sumiu de vista. Passando dois minutos ela volta na forma humana rindo da minha cara, que alias já estava limpa de sua baba. Ela vestia short e uma blusinha roxa.  

– Acha engraçado? – Perguntei.

– Foi sim – ela sorriu e me abraçou. – Como esta?

– Eu to bem – apertei ela.

– Chato – disse enquanto  colocava as mãos na costela para se certificar que todas estavam inteiras.

 Suspirei e sorri.

–  Não me respondeu – começamos a andar na floresta sem rumo.

– Estou mais ou menos. Foi tudo tão rápido. Me deixei se apegar.

– Isso é ruim? – ela perguntou enquanto a ajudava a passar entre uns arbustos.

– Quando a pessoa vai embora sim.

  Comecei a relembrar nossa semana, as vezes que brincamos no jardim, ou quando passeamos na floresta eu carregando ela nas costas, os filmes que vimos, os sorrisos que demos juntos. Essa menininha é muito especial para mim e acho que sempre será.

– Eu entendo, mas vocês vão se ver muito ainda – Evelyn sorriu para mim, tentando transmitir um pouco de sua felicidade. – Além do mais você pode me adotar se quiser.

 Deu uma risada gostosa, essa menina é muito boba, senhor.

– Até pensaria no caso, mas eu prefiro gatos. Cães dão trabalho demais – gargalhei da cara dela.

– Querido, eu posso ser os dois – ela mordeu um lábio inferior e fez olhar sexy para mim.

– Só você Evelyn – ri dela.

– Eu sei, só quero que fique bem.

– Eu vou. Mas posso perguntar algo?

– Manda .

– Desde quando você patrulha por essa área? –  A algum tempo não via Evelyn patrulhando. Na verdade só vi uma vez, quando descobrir o que ela era.

– Estou na casa do seu pai, noite de lua cheia. Meu pai já deve estar lá, seu pai pediu para eu ficar lá, só para saber se o meu vai ficar bem – explicou-me.

 Mas espera, não tinha nada na casa do meu pai. Ou será que o pai da Evelyn chegou depois que eu sai. 

– Seu pai, como se chama?

– Henry, porque? – Passamos por baixo de um galho baixo.

– Ele foi de carro, a pé ou de bicicleta?

– Uma caminhonete vermelha caindo aos pedaços, porque? – Dava para perceber o tom de nervosismo surgindo em casa palavra dela. 

 Paramos em frente a uma arvore enorme.

– Não vi nenhum carro e estive lá agora a tarde.

– Tem certeza? – Ela me perguntou preocupada, quase entrando em desespero.

Entendi o nervosismo dela, um lobisomem a solta, papai viajando, Hector, Bryan e Lorran em outro estado, droga.

– Absoluta.

– Jean, tem certeza? – Ela parecia descrente, ou não queria acreditar. – Ele saiu na frente, toda lua cheia ele vai pro porão da casa do seu pai. Ele saiu antes porque eu estava tomando banho.

– Talvez ele tenha chegado depois que sai – é uma possibilidade, mas algo ruim já queimava dentro de mim, uma espécie de pressentimento.

– Temos que ir para lá agora – Evelyn estava muito nervosa.

– Não precisa se transformar,  eu te levo – dei as costas para ela.

– Vou aceitar para não perder tempo pondo a roupa depois – ela subiu.

 Arranquei floresta adentro com Evelyn nas costas. Sr Henry tem que estar lá, ele tem que estar. E se não estiver? O que pode ter acontecido. Sinto cheiro de armação de Alex, claro que deve ter o dedo podre dele.

 Cheguei na casa de papai e Evelyn correu para os fundos. Eu fui pelo outro lado, nada de carro, nem sinal de cheiro algum. Acho que Henry não esteve por aqui. Ainda com fé fui até o porão.

– Diga que ele está ai – falei com Evelyn.

– Não tem ninguém aqui – ela disse saindo do porão.

 Nunca vi Evelyn tão preocupada, estava pálida e sua face destruída, triste. Olhamos para o céu atrás das arvores e lua surgindo magnífica, mas dessa vez não seria uma coisa boa. Precisamos achar Henry antes que algo ruim aconteça.

 Fui até meu carro, abri o porta-malas e peguei minhas estacas reais passei o suporte de costas no meu corpo e prendi bem, coloquei as  duas estacas no suporte e coloquei alguns dardos de sangue de caçador no bolso, deve ter algum vampiro envolvido nisso.

– Temos que ir atrás dele, Evelyn. Temos que achá-lo antes que se transforme, se é que não ocorreu ainda – falei tentando acordá-la, tira-la um pouco dos próprios pensamentos que a essa altura não deviam ser coisa boa.

– Ele se transforma por volta das sete e meia – ela informou.

– Não temos tempo a perder – avisei.

 Ela apenas assentiu, aos poucos estava voltando ao mundo real. Ao que realmente estava acontecendo. Entrei no carro e chamei-a.

– Porque vamos de carro?

– Temos que refazer os passos dele, poderemos encontrar alguma pista – falei.

 Evelyn assentiu e sentou no banco do carona. Arranquei pisando fundo. Deus queira que achemos logo Henry,  caso contrario teremos um problemão em mãos.


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Notas finais do capítulo

Galera, o proximo capitulo está quase pronto. Posto essa semana, eu prometo.
Gostaram? Review ? :P Obrigado.
E Megan, não esqueci de voce, obrigado por tudo minha flor s2.



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