Oracle - The Beginning escrita por


Capítulo 14
Capítulo 8 - Segredos revelados


Notas iniciais do capítulo

Olaaaaaaaaaa... Saindo do forno mais um capítulo para vocês.. Espero que gostem pois deu um certo trabalho em algumas cenas. rsrsrs. Se mandarem reviews maravilhosas ( Como sempre mandam), sexta eu tento postar o 9.
Adianto que tem um pouco Annaje e Lorrana. E cenas de outros casais rsrs. E pelo título já devem ter noção dos acontecimentos.
Nos vemos nas notas finais... ~ vai ter teaser do 9 haha~
Boa leitura.



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Acordei um pouco atordoado, tinha cochilado por duas horas. Bryan tinha ido levar Claire em casa e a essa hora já devia estar em seu quarto dormindo e Hector e Jessie estavam conversando no meu quarto, antes de eu dormir no sofá, então já deviam ter liberado para mim. Levantei e tomei um banho rápido, de água morna já que não queria matar meu sono com água gelada, queria manter ele para minha caminha que me esperava prontinha pro meu sono.

Saí pelo corredor de toalha. Estava indo para meu quarto, minha caminha linda me aguardava. Abri a porta e vi a cena. Que porra era aquilo? Jess e Hector deitados na minha cama, ela com a cabeça sobre seu peito, a coberta até as costas. Transaram na minha cama? Mas que merda! Não tinham consideração por mim! Tantos lugares para fazer isso, têm logo que fazer na minha cama?  Meu quarto cheirava a sexo, praticamente. O pior, eu nem estreei a cama, foram eles.

Deixei o meu quarto e fui para sala, ainda de toalha, bravo.

— Logo no meu quarto? – Resmunguei a mim mesmo.

Deitei no sofá e liguei a TV, estava passando um filme de comédia. Ajeitei minha cabeça na almofada e fiquei assistindo o filme. Comédia era legal até. Meus olhos começavam a ficar pesados, na verdade era comédia romântica, bati os olhos três vezes quase caindo no sono, óbvio que o casal tinha que brigar...

 

 

***

 

— Acorda! – Bryan gritou no meu ouvido. Caí do sofá, no susto.

— Viado, o que foi? – perguntei meio tonto enquanto levantava.

Ele gargalhava sem parar.

— Pode nem dormir em paz – resmunguei enquanto sentava no sofá, o filme estava nos créditos, nada mal.

— Não vai acreditar – ele disse sorrindo, mas não por ter me dado susto, era outro sorriso dele.

— Manda a bomba – era assim que eu chamava as noticias do Bryan.

— Eu e Claire, nós... – Ele parou e esperou que eu entendesse.

— Nós? – olhei para ele.

— Nós transamos, mano – ele abriu o sorriso.

Minha nossa! Não me surpreende ele ter feito isso, mas com Claire, tão rápido. Caí na gargalhada.

— Que foi palhaço? – ele ficou sério.

— Na casa dela? – indaguei entre gargalhadas.

— No quarto dela...

— Vocês são dois safados mesmo – continue gargalhando no sofá.

— Não enche.

Controlei meu riso e levantei, fiquei de pé ao lado dele.

— Foi bom? – perguntei. Meu sorriso agora era amistoso.

— Foi perfeito, totalmente diferente das vezes anteriores – ele disse enquanto seu olhar era no vazio, possivelmente imaginando ele e Claire.

— Tá amarradinho agora, hein? – passei a mão pro seu ombro.

— Sei lá, ela é boa demais para mim – ele ainda viajava pensando em Claire.

— Deixa de ser besta, mano – abaixei sua cabeça com meu braço enquanto bagunçava seu cabelo com meu punho.

— Sai, Jean – ele tentava se livrar de mim enquanto gargalhava junto comigo.

Soltei e ele foi para trás, começou a arrumar o cabelo.

— Ela é legal, cuida dela direito, hein?

— Eu vou – ele afirmou e me encarou – Mas que merda é essa de você dormir só de toalha no sofá? Tem roupa mais não, é?

— Jessie e Hector fizeram o favor de transar no meu quarto, porque do nada resolveu todo mundo fazer sexo enquanto eu dormia aqui no sofá.

Bryan gargalhou.

— É a vida maninho – ele deu dois tapinhas no meu peito, empurrei ele.

Ele estava muito feliz, nunca tinha visto Bryan tão alegre.

— Boa noite, fui – foi para seu quarto.

— Boa – gritei antes de ele entrar.

Tinha se esquecido de como ia consegui algo para vestir, mas claro que eu ia catar roupa de Bryan emprestado. Corri até seu quarto e entrei sem bater.

— Qual é? Invasão de privacidade? – ele disse já deitado e coberto.

— Preciso pegar umas roupas suas. Posso? – perguntei.

— Não sendo cueca, sim – ele riu.

— Cueca eu tenho no cesto de roupas limpas, eu acho.

Peguei uma camisa e uma bermuda dele. Saí do quarto com as roupas deles em mão, fui até o quartinho onde fica a máquina de lavar e os cestos. Olhei no meu cesto preto – cada um tem uma cesta de roupas limpas e sujas, o meu como disse é preto, da mamãe é rosa e dos Bryan é azul – Vi que tinha duas cuecas e uma calça. Coloquei a calça que tinha pegado do Bryan na cesta dele e peguei a minha. Vesti-me ali mesmo no quartinho.

Eu não tinha muita escolha a não ser ir dormir na casa do meu pai, já que eu tenho quarto lá também, bem melhor que dormir no sofá. Tranquei a casa e fui para garagem, fazia uns dez graus, e como estávamos no começo de outubro a temperatura ficaria na média entre cinco e quinze. Adoro esse clima de Phenite.

Meu Camaro rugia solitário pelas ruas desertas da cidade, todas as casinhas de luzes apagadas. Era ali que eu queria passar minha vida, de onde não deveria sair, uma cidade maravilhosa e perfeita.

Logo cheguei à estrada para casa de papai, a floresta estava silenciosa de ambos os lados da pista. Eu dirigia com uma mão apenas no volante e a outra estava sobre a janela aberta. Dei uma relaxada na poltrona enquanto dirigia olhando as arvores passarem e a brisa me brindar com seu frescor da madrugada. Deu-me uma vontade de parar o carro e entrar na floresta, deitar em um galho e relaxar, dormir ali mesmo na natureza... Mas eu me contive, quem sabe outro dia.

Mais um pouco e estava na casa de papai. Continuei a olhar as árvores passando enquanto dirigia e usei minha visão de caçador que fez a escuridão diluir, eu via tudo azul, mas em perfeito estado. De repente enquanto observava distraído vejo dois olhos azuis brilhando na escuridão. O corpo era de um animal, um lobo, para ser exato, só que um pouco maior que o normal.

Travei o freio fazendo o carro dar uma deslizada e parei no acostamento. Rapidamente abri o porta-malas e peguei meu suporte das costas com as duas estacas reais. Não era um lobo normal, meus sentidos me diziam isso, era um lobisomem. Meus extintos não me guiavam a matar o lobo, eu estava mais era curioso. Seu cheiro era fraco e ele já tinha entrado na floresta quando parei o carro. Não demorei a entrar correndo seguindo o cheiro fraco do lobo, era difícil demais segui-lo, um vampiro seria mais fácil, pelo cheiro.

Eu estava correndo o máximo que podia, sentia que me aproximava devagar, o lobo era bem rápido, era surpreendente. Ele podia correr a vontade, uma hora eu o alcançaria. E tinha razão, estava cada vez mais perto, tanto é que já o enxergava.

— Podemos fazer do jeito fácil ou do difícil – gritei tentando estabelecer algum contato. Claro que não esperava que ele falasse, lobos não falam. Eu esperava que parasse, apenas.

Nada. Ele continuou na mesma velocidade, mas pelo menos eu tentei. Continuei correndo e consegui notar a pouca diferença entre nós, logo tirei uma estaca do suporte e arremessei. Não deu outra, a estaca pegou na coxa de sua perna traseira direita. O lobo deu um uivo agonizante e caiu rolando sobre a vegetação rasteira. Droga. O que eu fiz? Uma pontada de culpa me invadiu, não deveria ter agido por impulso.

O lobo choramingava baixo, igual um cachorrinho. Eu não conseguia enxergá-lo na vegetação rasteira. Tudo ficou em silencio, mas eu sabia que ele estava lá, senti o cheiro do sangue dele. Dei um passo adiante, cauteloso, precisava ajudá-lo.

— Fique ai – escutei uma voz feminina vindo de onde o lobo estava.

A voz soava familiar, muito familiar.

— Desculpe, deixe-me ajudar – pedi.

Como sou idiota, acertei uma garota.

— Não precisa, vou ficar bem – a voz falhava, a menina choramingava baixo.

— Por favor... – Pedi de novo.

— Não. – Ela disse firme.

Eu sabia que conhecia essa voz, não podia ser, mas era... Evelyn, ela era o lobo, mas como? Por quê? Quando eu achava que nada mais neste mundo me surpreenderia, isso acontece. Não combinava com ela, não podia ser. Evelyn era uma menina doce, meiga, feliz, e este tempo todo escondia um segredo.

— Evelyn? Sou eu, Jean – disse num tom amistoso.

— Eu sei que é você – ela disse em meio a gemidos de dor.

— Então eu vou aí te ajudar. Desculpa, agi por impulso, não sabia que era você, está tudo confuso – dei mais um passo a frente.

— Não, eu to sem roupa

— Já sei – eu disse. Tirei minha camisa e joguei onde ela estava. – Vista isso.

Ouvi barulho dela se remexendo, estava vestindo.

— Pronto – ela disse.

— Posso ir? – indaguei.

— Por favor.

Cheguei perto dela e vi-a com minha camisa, caia como um mini vestido nela. Minha estaca estava cravada uns cinco centímetros em sua coxa. Ela me olhou enquanto seus lindos olhos derramavam lagrimas. Abaixei-me perto dela. A coxa ensanguentada, por sorte eu tinha um kit de primeiros socorros e um diploma de um curso avançado de “primeiros socorros avançados”, que abrangia varias situações, sangramento era uma delas.

— Evelyn, me perdoe – pedi.

— Você não sabia – ela disse baixo.

— Não posso tirar isso agora, vai perder muito sangue. Vou te levar até meu carro, tudo bem? – pedi.

— Não tenho muita escolha não? – ela tentou rir, mas não conseguiu. A sua dor era exposta em seu rosto.

Peguei-a nos braços devagar, um braço nas costa e o outro um em sua coxa nua. Senti seu corpo ficar um pouco quente.

— Está confortável? – tentei distraí-la.

Ela apenas assentiu.

— Então vamos.

Corri com ela pela floreta, um pouco mais rápido que um humano, não podia correr demais com ela nos braços, podia machucá-la. Evelyn se prendeu em meu pescoço e deitou a cabeça em meu ombro. O segredo do lobo sucumbiu, eu ainda não tinha assimilado tudo. E meu pai? Ele sabia disso? Claro que devia saber. Tudo bem em baixo do nariz dele, mas porque ele não contou? Eu e Lyn teríamos uma boa conversa.

Assim que chegamos ao carro sentei-a sobre o capo da frente, peguei meu kit e botei do lado. Ela ficou com a perna esticada.

— Pronta? – perguntei.

— Logo, por favor...

Antes de puxar passei um pequeno cinto sobre sua coxa, acima do ferimento e apertei firme, para amenizar o fluxo sanguíneo. Com um puxão rápido eu tirei a estaca lambuzada de sangue. Ela deu um grito rápido de dor, mas não chorava. Ficou um buraco em sua perna com muito fluxo de sangue saindo, já era de se esperar. Fiz um curativo rápido, para evitar muita perda de sangue, depois tirei o pequeno cinto.

— Vai ficar bem – eu disse.

— Eu sei, lobos se curam rápido, obrigado pelo curativo – ela limpou o rosto na camisa.

— Não foi nada – guardei meu kit no carro.

—Vai querer uma explicação, certo? – Ela indagou.

— Leu minha mente?

Ela sentou no banco do carona e fomos para casa do meu pai.

 

***

 

Como não era novidade meu pai não estava em casa. Lyn foi para o banheiro tirar o curativo enquanto eu estava na cozinha preparando algo para beliscar. Enchi uma badeja de biscoito doce e dois copos de refrigerante. Fiquei no sofá esperando Lyn.

— Voltei – ela veio vestindo uma blusa branca e um short jeans preto, para calçar era um all stars cano longo.

— Onde conseguiu? – indaguei.

— O que? – ela perguntou enquanto se sentava no sofá.

— A roupa...

— Eu tenho um armário aqui, ele é bem escondido, por isso não achou – ela pegou um biscoito e comeu.

Reparei que sua perna estava boa, apenas um marquinha vermelha.

—Onde fica seu armário?

— Pra você fuçar minhas calcinhas? – ela riu.

— Bryan que tem costume de roubar calcinha de meninas – eu ri junto com ela.

O clima estava leve entre nós, ótimo, sem magoas.

— Atrás da casa tem uma espécie de porão, a grama cobre porta, por isso ninguém vê.

— Marco, um amigo de meu pai também tem isso – afirmei. – Por que acha que meu pai não me disse?

— Eu pedi, Jean. Não fica bravo com ele.

— Quem mais sabe de você? – Perguntei. Eu tinha que tirar toda história a limpo.

— Ninguém, só você, seu pai e o meu – ela tomou um gole de refrigerante.

— Sua mãe? – Perguntei.

— Ela morreu – ela disse, falhando a voz.

— Eu, eu sinto muito, Lyn – eu sempre entro em assuntos tristes, incrível.

— Vou te contar como aconteceu, assim vai entender tudo – ela bebeu o ultimo gole e botou o copo sobre a mesinha.

Sentei perto dela e segurei sua mão, deve ser difícil falar disso.

— Meu pai é um lobisomem, Jean. De verdade, na lua cheia ele fica meio humano e meio lobo, totalmente sem controle sobre suas ações. Seu pai é amigo dele e em toda lua cheia meu pai vem para cá, esse porão que tem meu armário também serve para prender meu pai na lua cheia – seus olhos encheram de lágrimas. Passei a mão sobre seu ombro e puxei mais para perto.

— Pode parar se quiser – eu disse a ela.

— Não, eu consigo – ela limpou uma lagrima. – Se você descer lá vai ver que tem uma jaula e várias correntes, muita mesmo, e são reforçadas. Meu pai é um bom homem, sabe? Ele nunca machucou uma mosca em seu estado normal, mas quando se transforma mata qualquer um que entrar em sua frente, até mesmo eu. – Ela deu uma pausa e respirou fundo. – John sempre o ajudou, você tem um ótimo pai.

— Eu sei disso.

— Então, uma noite meu pai se descuidou e não foi até a casa de seu pai, para ser preso. Ele se transformou em casa mesmo, eu tinha oito anos. Era um monstro, começou a quebrar tudo dentro de casa. Ele foi atrás de mim, mas minha mãe entrou na frente e morreu em meu lugar. Corri pro meu quarto e fiquei em baixo da cama, ele era forte e levantou a cama facilmente e lançou na parede. Era meu fim, mas seu pai chegou junto com outros caçadores e conseguiram prender ele, usaram muitas correntes. Então tecnicamente essa é minha história.

— Entendo, sinto muito por tudo isso – tentei se solidário com ela. Muito difícil perder a mãe. – Não se importa em me dizer sobre você? Tipo, você também perde o controle na lua cheia?

— A não, eu não fui mordida, meu pai já era lobisomem quando me fez com minha mãe, eu adquiri o gene, não o vírus, digamos que sou uma híbrida. Já meu pai se transforma em lobisomem na lua cheia porque foi mordido por um.

— Seu pai pode virar lobo como você? – Indaguei.

— Pode, menos na lua cheia, nesse dia ele fica entre lobo e humano, é um monstro horrível de se ver. Nesse dia ele não tem controle algum.

— Você já está melhor? – perguntei, preocupado.

— Estou bem sim, olha já até sumiu a marquinha – ela esticou a perna mostrando a coxa sem sequer uma marca, nada. – Couro de lobos são quase impenetráveis, mas como sou razoavelmente nova, minhas transformações começaram ano passado, então ainda não tenho o couro tão resistente. Mas eu chego lá.

— Demais – sorri para ela. – O que mais pode fazer?

— Humana só tenho o olfato melhorado e me curo rápido, como loba eu sou rápida, ágil, e um pouco resistente. Você é bem forte, sua estaca veio muito rápido – ela sorriu.

— Lamento por isso – sorri meio sem graça.

— Já disse que já passou, para de se lamentar – ela deu um empurrãozinho em meu peito.

— Ei! Quem te deu essa autoridade? – olhei para ela de forma maligna. – Ataque de cócegas...

— Não – ela me olhou fingindo estar assustada.

— Atacar – pulei em cima dela fazendo cócegas em sua barriga. Ela começou a gargalhar sem parar, eu continue. Evelyn era uma boa menina, engraçada, gentil, bonita... Mas, eu não a via como uma menina para namorar ou ficar, apesar de não conversar muito com ela dava para perceber que ela era aquele tipo de menina que guarda qualquer segredo, que escuta e dá sua opinião, que ouve desabafos e tudo mais.

Parei de fazer cócega nela, coitadinha, já estava quase chorando de tanto rir.

— Chato – ela resmungou.

— Quem fala.

Eu e ela ficamos conversando um pouco, sobre esse mundo escondido. Estar com Evelyn era muito bom, ela era muito divertida, ri de quase tudo e faz a gente ri junto. Era mais ou menos quatro horas da madrugada quando ela foi embora. Eu fui pro meu quarto me deitar, teria poucas horas de sono, mais uma noite mal dormida.


***

 

Acordei seis horas, ainda sonolento corri para o chuveiro e tomei um banho de gelar a alma. Passei na cozinha e preparei algo para comer antes de sair. Já na estrada indo para casa de mamãe para pegar meu material, depois passar na casa da Anna e aí sim ir para escola, recebi uma mensagem dela “Jean, não precisa me buscar mais. Vou de ônibus com o pessoal. Por favor, não fique chateado comigo.” Preferi não responder, já começou o efeito Lorran.

Chegando à escola fui direto para meu armário. A notícia do dia era Claire e Bryan. Eles tinham entrado de mãos dadas na escola, à coisa era mesmo séria. Fiquei conversando com eles dois no corredor até o sinal bater. Fomos os três juntos para aula.

Assim que entrei vi Anna sentada na mesma mesa de Lorran, os dois rindo. Agora eu perdi minha parceria de mesa, muito legal, só que não. Passei por eles sem falar nada.

— Ei! Fala comigo mais não é? – Anna disse assim que passei.

Eu parei, virei à cabeça.

— Oi – eu disse secamente, rumei para minha mesa no fim da fileira.

Por que ela estava fazendo isso comigo? Ela é minha melhor amiga, parece que do nada toda atenção dela foi para Lorran, até Claire percebeu isso. Fiquei sozinho a aula toda, exceto a de antes do recreio, Claire veio se sentar ao meu lado e batemos um bom papo.

Na hora do recreio ficamos todos na mesa de sempre, todos mesmo, até Lorran e Anna, e com acréscimo, Jessie e Hector. Alias Jessie estava se dando bem com todos, depois do que aconteceu ela mudou. Deixou de ser aquela garota mimada que sofria carência de atenção de toda escola e queria ser o centro de tudo, essa nova Jessie era gentil, amiga e até doce. Precisou a vida dela ficar por um fio para ela mudar seu jeito e se tornar uma pessoa melhor. Pelo menos ela mudou.

Eu Anna não conversamos diretamente durante todo recreio. Foi melhor assim. Bryan e Claire não paravam de se beijar, Jessie e Hector eram mais discretos. Lorran do lado de Anna conversando, se não fosse a Evelyn eu seria a vela. O recreio acabou e fomos todos para sala. Era aula de inglês.

— Oi, chato – Anna disse sentando ao meu lado.

Lorran estava sozinho na mesa dele.

— Achei que estava sentando com Lorran, além do mais não me disse que tinha ido ao cinema com ele – comentei.

— Claire disse? – ela fez uma careta.

— Eu descobri. Poderia ter dito a verdade – eu falava sem olhar para ela, apenas copiava o dever do quadro.

— Desculpa, tá chateado pela mensagem de mais cedo, não é? – ela me perguntou.

— Na verdade, não – menti. – Eu fiz algo de errado?

— Por que pergunta isso?

— Você sentou com ele hoje, e não comigo. Queria saber se fiz algo para te magoar – olhei diretamente em seus olhos.

— Não, não pense isso. É que Lorran pediu para eu sentar com ele, a gente está se dando muito bem. Sabe, é bom estar perto dele, eu sito algo estranho desde o dia que o vi, sei lá, Jean.

— Já me disse isso. Ótimo, perdi minha parceira de mesa.

— Não fica triste – ela colocou a mão sobre a minha.

— Volta para lá – eu puxei minha mão. – Lorran está te esperando.

— Mas eu quero sentar aqui agora, é meu lugar esqueceu? – ela deu um sorrisinho para mim.

Em situação normal eu retribuiria, mas eu estava chateado com ela.

— Tem certeza que vai ficar? – indaguei.

— Tenho – ela começou a tirar o material da bolsa.

— Tá bom – puxei minha mochila para as costas e me levantei, sem dizer mais nada a ela. – Aproveita seu lugar – disse baixo e saí.

Fui até a mesa de Bryan e Claire.

— Bryan, senta com Lorran um pouco, preciso conversar com Claire – menti.

— Sente-se, Sr. Konery – pediu o professor.

— Já vai – eu disse a ele. – Anda logo – sussurrei para Bryan.

— Olha o que vai falar, hein? – Bryan levantou mal humorado e foi sentar com Lorran. Eu me apossei de seu lugar.

Eu não tinha nada para falar com Claire, só queria evitar Anna, não seria segunda opção, sinceramente. Peguei minhas coisas e recomecei a escrever o conteúdo.

— Você aqui? – Claire perguntou, sorrindo.

— Não, eu lá – consegui brincar.

— Nossa, depois dessa eu vou ali morrer no canto da sala – ela fechou a cara pra mim.

— Sabe que é brincadeira – sorri.

— Eu sei – ela retribuiu. – Então, brigaram?

— Quem? – indaguei, distraído.

— Você e Anna, idiota – ela olhou para trás. – Ela está chateada.

— Não ligo.

— Liga sim, sabe disso – ela voltou a olhar para frente. – Você está é com ciúmes dela com Lorran, certo?

— Claire, eles conversaram final do ano passado? – Perguntei. Dessa vez olhando em seus olhos.

— Não.

— Nas férias?

— Também não.

— Então, se ele gostasse mesmo dela já teria chegado nela antes, mas não... Isso que me deixa bravo – respirei fundo.

— Ela já me disse que quando viu ele pela primeira vez sentiu algo estranho...

— Cansei de ouvir isso – interrompi.

— Então, não sei, talvez ele ficou com medo, sei lá. Ai você chegou e ele viu que tinha concorrência, ai resolveu agir logo. Vocês meninos são estranhos, sabia? – Claire fez careta.

— Ela não é um objeto, Claire.

— Eu sei que não, Jean. Vai falar com ela, anda. Odeio vê-la desse jeito.

Claire ficou me irritando a aula toda, e a próxima também. Ela queria por que queria que eu fosse falar com Anna, em vão, quando eu colocava algo na cabeça nada ou ninguém conseguia mudar.

Finalmente o sinal da ultima aula tocou. Comecei a guardar meu material, quando ia me levantar Anna passa por mim, andando de pressa abraçada na mochila. Estava com raiva de mim, com certeza. Quer saber? Ela que fique, não fiz nada errado, quem errou foi ela. Mas, minha vontade era de ir atrás dela. Assim como Claire, não gostava de vê-la daquele jeito.

— Olha Jean, o único jeito de se acertarem e conversando, não adianta você ou ela ficar fugindo disso. Meu conselho é que você vá atrás dela e conversem como amigos que são – Claire disse, ela tinha razão.

— Vou pensar – eu disse enquanto saía da sala deixando Claire para trás, Bryan esperava por ela na porta. Passei por ele sem falar nada.

Fui andando em direção ao meu armário, tirei alguns livros e fiquei com outros na mochila. Como tinha dever de casa ia precisar deles. Voltei a andar no corredor rumo à saída. Passei no armário de Anna, mas sem sucesso, não estava lá. Saí no estacionamento da escola e nada.

Nem na fila do ônibus ela estava. Será que tinha ido a pé?

— Oi, Jean – Evelyn surgiu na minha frente.

— Evelyn, oi – sorri para ela.

— Está perdido, procurando alguém? – ela perguntou.

— Você por acaso viu a Anna?

— Vi sim, ela estava com Lorran – ela colocou uma mecha de cabelo atrás da orelha.

— O que estavam fazendo? – demorei demais...

— Primeiro ela estava com outro garoto, desconhecido. Juro que o vi puxando ela pelo braço. Não parecia ser daqui, era alto, usava óculos escuros e tinha cabelo preto – o vento tirou sua mecha de trás da orelha, mas eu coloquei de volta. Ela sorriu.

— Continue – pedi.

— Depois disso Lorran chegou, parecia muito preocupado e com raiva. Eles conversaram baixinho e o cara saiu, subiu na moto e sumiu.

— Obrigado, Lyn – beijei sua bochecha.

— De nada – ela sorriu radiante. 


***

Estávamos todos sentados na pracinha, eu, Hector e Jessie, Bryan e Claire e Evelyn. Eram sete horas da noite. Passei o resto da tarde e começo de noite tentando falar com Anna, em vão. Ela não atendia o celular. Nem mesmo para Claire, melhor amiga. Estava ficando preocupado com ela, essa história do menino misterioso que puxou ela pelo braço não me agradou nada.

— Nada – disse Claire. – Não atende.

— Tudo bem, Claire – eu disse.

O grupo sem Anna não era mesma coisa, até sem Lorran não era. Estávamos sentados em banquinhos. Bryan e Hector com suas namoradas no colo, de lado, e eu e Evelyn de vela.

— Espera – Claire tirou o celular do bolso – mensagem da Anna. – Ela disse enquanto analisava o visor do celular.

— Gente, talvez ela precise apenas de um tempo – Jessie disse.

— O que diz ai, Claire? – pedi, ignorando totalmente o que Jessie disse.

— Lá vai. “Para de me encher Claire, achei que podia confiar em você, mas to vendo que não posso confiar em ninguém, só em uma pessoa e ela acabou de sair daqui. O resto são mentirosos.” – Claire disse em voz alta.

— O que ela quis dizer? – Bryan indagou.

Balancei a cabeça negativamente, será que... Não, Lorran não tinha contado isso.

— Jean, agora isso foi longe, temos que falar com ela – Claire me disse se levantando do colo de Bryan, que fez biquinho.

— Vamos então – eu levantei.

— Espere pessoal. Mensagem de Lorran – Hector disse.

Lá vem bomba.

— O que diz, amor? – Jessie perguntou.

— “Preciso falar com a galera, estão juntos?”. Vou responder.

Depois de trocar algumas mensagens ficou entendido que Lorran estava vindo nos encontrar, eu só queria saber o que estava acontecendo. Claire estava nervosa e com raiva do Lorran, não é de se esperar outra coisa depois que a melhor amiga a chama de mentirosa. Esperamos uns dez minutos até ele aparecer.

— Ai vem ele – disse Claire impaciente.

Lorran chegou calmamente, seu rosto exibia um tipo de felicidade mansa, que ele queria guardar só para ele e ao mesmo tempo angustia.

— Você estava com a Anna, certo? – Claire perguntou.

— É... Eu estava – ele deu um sorriso. Fiquei quieto só observando.

— E pode me explicar a mensagem que ela mandou – Claire levantou o aparelho para que Lorran pudesse ler e assim ele fez.

Todos ficaram quietos olhando para ele.

— Vamos lá – Lorran respirou fundo. – Eu contei tudo a ela. – Ele disse, sério.

— Não pode ser – protestei levantando do assento. – Não faria isso, cara.

Apesar de tudo ele era meu amigo, posso até ter um pouco de ciúmes dele com Anna, normal, mas tinha respeito e consideração pelo cara.

— Jean, se acalma e senta ai – pediu ele, respirei e fiz o que pediu. – Espera aí. – Ele olhou para Evelyn. – É melhor deixar essa conversa para depois...

— Eu sei que são caçadores, Lorran. Eu sei de tudo, sei que Claire e Jessie foram atacadas – Lyn sorriu. Todos ficaram olhando surpresos para ela. – Eu sou uma loba, filha de lobisomem, se é que entendem.

Todos ficaram boquiabertos, menos eu, claro.

— Quanto mais eu rezo mais assombração me aparece – Bryan brincou e de Lyn deu língua para ele.

Todos riram, menos eu. No momento só queria ouvir o que Lorran tinha a dizer.

— Sério pessoal. Vão ter tempo para Evelyn explicar tudo, agora quero ouvir o Lorran – pedi.

Todos ficaram quietos. A pracinha estava quase vazia e não havia ninguém próximo ao nosso grupo.

— É o seguinte. Eu contei para Anna, de nós. O que somos, o que fazemos ­– ele disse, calmo.

— Você não podia – levantei furioso e fui para cima dele, mas Bryan me segurou fechando os braços em volta do meu peito e me puxando para trás.

— Calma, irmão. Com certeza ele teve um motivo, não é Lorran?

O idiota respirou fundo e prosseguiu.

— Tudo começou no final da aula, ela estava chateada com você, Jean, e saiu às pressas. Fui atrás dela e avistei-a na saída ao lado de um cara. Ele estava puxando o braço dela, fui até eles e o fiz soltá-la... Puxei o braço dele e senti uma força sobre humana nele...

— Bryan pode me soltar – pedi, ele atendeu. Sentei-me no banco. – Continue.

— A força dele era quase igual a minha, mas eu fui mais forte e ele cedeu. Depois disso ele montou na moto e sumiu.

— E Anna? – Claire perguntou, dava para perceber o tom de preocupação em sua voz.

— Ela está bem. Depois disso eu fui com ela até a casa dela e pedi para explicar o que aconteceu. Ela só disse que era um amigo dela de uma cidade que ela já morou, eu não caí nessa e disse que ele não era humano – ele suspirou. – Ela estava apavorada, coitadinha. Ela me pediu para entrar e perguntou o que eu sabia. Não tive escolha, eu sabia que ela sabia desse mundo, pessoal, ela estava apavorada com aquele cara segurando seu braço...

— Maldito – resmunguei. – Ele era vampiro? – Perguntei baixo. Audível apenas para o pessoal do grupo, já que passavam algumas pessoas perto.

— Anna me disse que sim, mas ele não tinha o cheiro, por isso achei estranho.

— Como Anna sabe desse mundo? – Jessie pediu.

— Ai vai a bomba, Anna é uma valquíria, como sua mãe, Jean.

Minha boca se abriu instantaneamente, não, não... Ela não podia fazer parte disso... Minha Anna, valquíria? Como pode... Eu disse que nada mais me surpreenderia, mas isso me prova que não era bem assim.

A reação de todos foi de choque, principalmente de Claire. Bryan a abraçou por trás e puxou pro seu colo.

— Ela não me disse nada... – Os olhos dela encheram de lágrimas.

— Não é bem assim, Claire. Não podemos sair contando para todo mundo, mesmo os amigos mais chegados e você entende isso – eu disse a ela.

— Eu entendo – Claire sorriu para mim, estava se esforçando demais para parecer forte. Eu sabia que estava um pouco decepcionada.

Aceitei muito bem o fato de Anna não ter me contado. Como ela contaria para um humano que ela tinha sangue especial? Que era valquíria? Já que ela não sabia que eu era um caçador.

— Esse cara está atrás dela, sabe que sangue de valquíria fortalece vampiros. E ele não está sozinho, pessoal. Tem alguma cabeça por trás disso, talvez um vampiro de um século, caçador de valquírias...

— Está explicada a mensagem, ela esta magoada por que ninguém contou para ela, até então... – Hector disse olhando para Lorran.

— Ela só deve estar confusa, Jean vai conversar com ela – Claire me pediu. – Por favor.

— Eu vou sim – levantei e fui andando para meu carro.

— Ela quer ficar sozinha – Lorran disse quando passei por ele. – Disse que não quer te ver, Jean.

Parei e andar e me virei para ele.

— Lorran, parabéns. Você conseguiu jogar ela contra mim. Sabe, você poderia chamar eu e Claire, pelo menos, antes de contar a ela, mas você é egoísta e não pensa em mais ninguém. Não pensa no melhor amigo e na melhor amiga dela, como ela se sentiria em relação a não ouvir isso deles. Estou decepcionado, não esperava isso de você – disse olhando em seu rosto.

Voltei a andar.

— Espere – Lorran pediu, voltei a me virar para ele. – Eu só estou correndo atrás do que meu coração pede, Jean. Sabe, eu cansei de ser sempre o que não tem nada e não ganha nada, sempre o idiota do Lorran. Vou buscar o que me faz bem. Me arrependo de não ter feito isso antes, antes de você chegar, eu não sabia... Sei que gosta muito dela e eu também gosto. Quero que continuemos amigos e que respeitamos um o espaço do outro, e deixe que ela escolha, mas tenho que te dizer uma coisa antes que vá.

— Diga – pedi.

— Nós nos beijamos – ele disse olhando para baixo.

Minha Anna...

— Você não fez isso... Sabe como ela está e ainda se aproveita da situação – andei em sua direção devagar.

Percebi que Hector deu um passo à frente, mas Jessie colocou a mão em seu peito e o fez sentar.

— Não me arrependo. Você não entende, eu me deixei levar. Além do mais não forcei ela a nada.

— Imbecil – disse meio que rosnando.

Rapidamente passei minha perna por trás da dele e empurrei seu peito fazendo-o cair de costas no chão. Claro que não fiz nada anormal, isso quer dizer, sem super velocidade, já que havia humanos por perto. Coloquei um de meus joelhos em seu peito e comecei a socar sua cara. Esquerda, direita, esquerda, direita, esquerda de novo. Apesar de estar limitando minha velocidade compensei isso usando a força em cada golpe. Ele não podia se aproveitar de Anna assim. Esquerda. Não em um momento desses em que ela descobre que todos sabiam de algo, menos ela. Direita. Não deveria ter contado sozinho. Esquerda. Não poderia... Direita.

— Para, Jean, para, para, por favor – Evelyn estava ajoelhada a minha altura com a mão em meu peito me empurrando. Imediatamente eu parei e de socá-lo e me levantei. Hector e Bryan estavam ao lado de ficaram ao lado de Lorran ajudando ele a se levantar, certamente iam separar a briga, mas Evelyn foi mais rápida.

— Você merecia mais que isso, mas eu não vou sujar mais as minhas mãos com você, amigo – cuspi as palavras.

— Me desculpa – ele pediu enquanto se levantava. Sua boca sangrava, seu nariz e os dois olhos estavam um pouco inchados. Sorte dele que os caçadores se curam rápido. Evelyn puxou um lenço da bolsa e começou a limpar seu rosto, parecia muito carinhosa com ele.

— Claire, depois eu falo com você, sobre ela – falei.

— Tá bom, Jean. Qualquer coisa me liga. Há! Parabéns pelos socos – ela sorriu um pouco, essa Claire...

— Boa noite, pessoal – desejei.

Lorran ficou quieto no banco aos cuidados de Evelyn, todos os outros me deram boa noite. De boa minha noite não tinha nada.

 

***

Parei o Camaro na frente da casa de Anna, a luz da sala estava acesa. Andei até a porta e toquei a campainha. Não demorou a abrirem, era a mãe dela, Melanie, se me lembro bem.

— Boa noite, Sr. MacUillis. Eu sou amigo de Anna, será que eu poderia falar com ela? – pedi educadamente.

— Você é o Jean, melhor amigo dela, certo? – ela perguntou.

A mãe de Anna era linda, os olhos iguais da filha e pele clara, porém tinha cabelo preto e ondulado, ao contrario da filha loira. Aparentava menos de trinta anos.

— Ela falou de mim para você? – indaguei curioso.

— Fala – ela disse enquanto me puxava pelo pulso para dentro, me deixei levar. – Olha, estou muito feliz. – Ela me abraçou forte. – Muito obrigada. – Disse com voz de choro.

— Pelo o que? – A Melanie era maluquinha.

— Por você ser o que é. Finalmente eu e Anna poderemos nos estabelecer em uma cidade – ela me largou do abraço e sorriu enquanto enxugava as lágrimas.

Como assim? Do que elas fogem? Anna me devia muitas explicações.

— Ela te contou?

— Não existem muitos segredos entre nós, somos apenas nós duas na casa.

— Entendo – eu disse, ela é mãe, tem direito de saber.

— Estamos mesmo seguras na cidade? – Senti uma pontada de aflição em sua pergunta.

— Enquanto estiverem aqui nada de ruim vai acontecer – afirmei. – Eu prometo.

A conversa com a mãe de Anna foi rápida, ela foi fazer um bolo e me permitiu subir para falar com a filha. Precisava esclarecer tudo, ouvir o que ela tinha a dizer e explicar sobre eu não ter contado nada.

Subi as escadas lentamente enquanto pensava no que dizer, tentei separar o lado da frustração do beijo dela com Lorran, mas não a culpava, estava confusa. Eu no lugar dela ficaria perdido, sem saber em quem confiar por um tempo. A porta estava apenas encostada, não bati, fui logo entrando.

— Anna? – chamei baixinho.

Ela estava sentada no chão, encostada na cama, seu rosto expondo as marcas das lagrimas que não cessavam.

— O que você quer? – ela perguntou tentando ser arrogante, mas sua voz era abatida.

— Fala com você, explicar tudo...

— Agora? Não obrigada, eu já sei de tudo.

Sentei ao seu lado. Ela estava amarga, não parecia minha Anna, a menina doce que conheci.

— Eu queria contar, mas não podia. Me desculpe.

— Você é meu melhor amigo, por que não foi você quem me disse? – ela perguntou enquanto algumas lágrimas caiam lentamente descendo por sua bochecha. Estiquei o dedo e limpei um lado, mas ela virou o rosto.

— Não me toque, por favor.

— Eu descobrir isso há pouco tempo, Anna.

— Jean, sai do meu quarto. – ela disse, séria.

— Deixa eu tentar explicar – pedi.

— Eu já sei de tudo, agora sai, por favor.

O quarto era dela, então atendi seu pedido e me levantei. Não queria conversar comigo, tudo bem.

— Assim que você quer? – perguntei.

—Você é um mentiroso, não confio em mais em você – ela me olhava com desprezo.

Andei até a porta em silêncio, ela podia me bater, fazer qualquer coisa, mas não esperava ouvir essas palavras, doíam, não fisicamente, mas direto no coração.

— Anna, antes de ir eu só queria dizer uma coisa. Você não tem direito de me cobrar que eu contasse algo, você é uma valquíria e eu não sabia, você está olhando apenas seu lado ­– Ela não disse nada, ficou me olhando. Continuei – Naquele dia no lago eu sabia que tinha um vampiro lá, por isso não queria desgrudar de você, eu só não achava que você fazia parte desse mundo, tente entender, assim como não sabia de mim. E tem mais, não culpe a Claire, esse segredo não era dela, então ela não podia te contar nem se quisesse.

— Jean... – Ela disse baixo.

— Só isso que eu tenho a dizer – desci as escadas.

Não voltarei para falar com ela, se quisesse teria que me procurar depois.

— Jean, espera. Me desculpa! – ela gritou da escada.

Abri a porta e saí.

— Jean, por favor... Volta aqui!  – gritou novamente, porém já na porta.

Tarde demais Anna. Tenho coração e você o magoou com suas palavras. Girei a chave e acelerei.

— Jean! Droga... – Ela sussurrou caindo de joelhos no jardim.


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Notas finais do capítulo

Então pessoal, que final hein?
Oque acharam? rsrsrsrs.
~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~
Vamos ao "Pergunte ao tio J".
1. Tio J, a mãe deles é bruxa?
R. Não né, no capítulo anterior Bryan diz "Nos dois rimos. Nossa mãe, bruxa?". Foi ironia, =D. Só disseram isso para a Meredith, a guria lá que foi pega também. Então é não. Obs: editei para deixar mais claro.. =) Desculpem o inconveniente.
2. Tio J, foi muito cruel na cena Annaje...
R. Eu sei =D
3. Evelyn gosta de Lorran?
R. Pelo que parece... Não sei =D.
4. Tio J, Anna é ligada a Lorran?
R. Talvez... Revelações no capítulo 9.
5. Tio J, finalizando, cade o teaser?
R. Logo abaixo.
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Teaser Cap. 9.
" Andei até onde Anna estava, sentada numa cadeira quieta na mesa com Lorran, que coisa mais chata. Enquanto isso o som tocava loucamente levando a galera ao delírio. Parei apoiando as mãos na mesa e olhando para eles.
— Lorran, posso fazer Anna feliz por cinco minutos? - Perguntei a ele. Se dependesse dele ficariam ali parados até o fim da festa. - Se não quer se divertir problema é seu, mas pode ter o bom senso de deixar ela ser feliz, não pode?
Ele ficou quieto, pensativo.
— Não vou atacar ela - brinquei, talvez sim talvez não, quem sabe?
— Você quer? - Ele perguntou a ela que respondeu com um aceno de cabeça positivo.
Ótimo, um pouco de bom senso dele. E eu só fui educado, dizendo sim ou não eu ia levar a Anna dele, estamos numa festa e não em um velório.
— Pode ir - ele disse, sério.
— Não vai ficar chateado, vai? - Ela perguntou preocupada.
— Que nada - sorriu falsamente. Pelo menos isso...
— Venha, Srta. MacUilles. Agora você me pertence - estendi a mão para ela... "
~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~
Então é isso galera, como podem ver tem Annaje no capítulo 9. Uhuuuuu!
Gostaram? Duvidas? Sugestões?
Até qualquer dia... Bjuhhh! ♥



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