Oracle - The Beginning escrita por


Capítulo 11
Capítulo 5 - Anna e eu : Parte 2


Notas iniciais do capítulo

AnaSalvatore:
OLÁAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAA!
IUHUL, finalmente o dia que eu estava aguardando, quando o melhor capitulo dessa fic é postado! Brincadeira, gente. Esse menino até que sabe escrever bem ( brincadeira de novo ).
Então, eu não acho que escrevo bem, mas queria que ele postasse a visão da personagem mais legal dessa historia ( mentira, é a Claire ♥). Não é o único capitulo na visão da Anna, mas é totalmente da minha autoria, e se gostarem, o que espero, encham o saco desse maravilhoso autor pra postar as outras visões, o que duvido que vá acontecer.
Esse capitulo foi um presente que dei pra ele, foi um mês pra ser escrito, 14 folhas a mão. É muito amor né? Eu sei :D .
Bom, espero mesmo que gostem! Boa leitura, queridos.



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“p.o.v Anna”

Os minutos se arrastavam lentamente, e para piorar a aula era de inglês. Eu estava prestando mais atenção na mosca idiota que batia na janela, do que no professor. Milagrosamente, hoje – no meio do outono –, o sol resolver aparecer, mas eu tenho que ficar nessa aula chata ao invés de ir aproveitar o calor. Fiquei olhando a hora no celular a cada minuto, na esperança que de a hora do intervalo. Jean estava do meu lado, como de costume, prestando bastante atenção na aula. Cansei da mosca, então o cutuquei querendo conversar.

— Como consegue prestar tanta atenção na aula? – perguntei depois que ele se virou para mim.

— Com olhos e ouvidos – ele respondeu com ignorância, mas eu sabia que era brincadeira.

— Nossa, muito obrigado, senhor ignorância – falei com sarcasmo.

— Estou brincando, sabe disso. Eu gosto de Inglês.

— Me fale uma matéria que você não gosta, nerd? – revirei os olhos. Esse foi o apelido que eu dei para ele depois do resultado da ultima prova.

— Você não sabe como é engraçada, senhorita.

— Mas é sério, está muito calor hoje. Queria ir nadar no Opper Lake – falei, com os olhos brilhando. Eu sempre tive vontade de ir até o lago, ele era a coisa mais parecido com praia que tínhamos por aqui. Ainda que fique um pouco longe valia a pena ir.

— Vai depois da aula. Problema resolvido – ele disse e se virou para frente, na hora tive uma ótima ideia.

— Vamos matar aula! – Falei em um sussurro alto. Ele se virou e olhou para mim como se eu fosse louca.

— Está brincando, não é? – ele também sussurrou.

— Claro que não! As aulas vão ser tediosas hoje. E não vamos perder nada de importante. Vamos lá, nerd. É tão certinho assim? – falei zombeteira.

— Não é questão de ser certinho, só acho perigoso. E se formos pegos?

— Não vamos. Conheço um jeito de sair da escola sem sermos pegos. Saímos no intervalo, podemos sair para almoçar mesmo. Nós vamos e não voltamos. Já tenho o plano todo na cabeça. – Dei um sorriso convencido para ele, que me olhava cheio de duvidas. Continuei olhando para ele, até que ele soltou um longo suspiro.

— Tudo bem, eu vou. Mas se der algo errado você perde minha confiança pelo resto da vida.

— Há! Sabia que ia gostar da ideia! – Falei sorrindo.

Ótimo, minha sexta já estava melhorando.

— Então, qual seu plano? – faltavam dez minutos para o intervalo, então teria tempo o suficiente para explicar. Iríamos guardar nossas coisas em nossos armários, depois ele iria ao refeitório pegar a comida para levarmos. Depois iríamos sair, pegar o carro dele e rumar para o lago. Simples e fácil. Quando o sinal de final de aula tocou pegamos nossas coisas e fomos andando calmamente para nossos armários.

— Então, o que vai querer comer? – ele me perguntou.

— Não sei... Pega bastante comida ruim. Refrigerante, hambúrguer, pizza, essas coisas. Vê o que tem hoje. E nada de comidas boa igual você come todo dia – fiz uma careta. Não sei como ele aguenta comer essa comida que a escola serve.

— Pelo menos faz bem a saúde. Pior é você que come essas besteiras todos os dias. Vai acabar passando mal – e começa a lição de moral.

— Sem lição de moral hoje, ok? Não estrague a minha felicidade – eu disse revirando os olhos.

Chegamos a meu armário e eu fui logo guardando minhas coisas.

— Eu vou ao meu armário e depois ao refeitório. Não saia daqui, volto logo – me virei para ele revirando os olhos.

—Vê se não desiste e me deixa plantada aqui – ele deu um sorriso.

— Prometo que voltarei – ele me deu um beijo no rosto e foi para seu armário.

Peguei algumas coisas que sempre jogo no armário e esqueço-me de levar para casa. Armários são bons para esse tipo de imprevisto. Peguei um protetor solar, uma toalha – não me lembro de porque ter trago uma toalha – um short – que era para os dias de calor –, um óculos de sol e uma camiseta que larguei por algum motivo e nem lembrava mais. Joguei tudo dentro da minha bolsa e fiquei esperando Jean aparecer.

Quando eu já estava pensando que ele desistira e me deixara plantada ali, ele aparece no corredor com varias embalagens nas mãos e a bolsa caindo pelo ombro. Parecia que tudo ia cair das mãos dele, não aguentei e comecei a rir da cena. Ri tanto que minha barriga estava começando a doer quando ele chegou perto.

— Muito obrigado pela ajuda, Anna – ele reclamou enquanto eu me recuperava do ataque de risos.

— Pare de reclamar e me de algumas embalagens logo – fui pegando os que estavam nas mãos dele. – Só isso? – Reclamei.

— Tem mais dentro da bolsa. E eu já duvido que vá comer tudo isso aí – ele falou enquanto eu tentava enfiar as duas ultimas embalagens na minha bolsa.

— É verdade. Mas é só guardar para mais tarde, já que tenho certeza que vou ter fome de novo.

— Bom, vamos logo porque o intervalo termina em vinte minutos – ele começou a me puxar pelo corredor.

— Calma, eu sei andar. Pode me soltar – puxei meu braço do aperto dele.

— Tudo bem, nervosinha. Só ande logo – ele continuou andando, com pressa.

Tentei acompanhar as passadas largas dele.

— Para que tanta pressa menino?

— Alguém pode vir querer procurar a gente.

— Eu duvido. Todos devem estar muito distraídos para isso.

— Tudo bem. Mas ainda assim, vamos logo. Ainda temos uma hora de viagem pela frente.

— Que ótimo! Uma hora te aguentando. Mal posso esperar para fingir um falso entusiasmo.

— Mas você é chata mesmo, menina. Como eu te aguento?

— Do mesmo jeito que eu aguento você – dei uma gargalhada, ele riu comigo.

Chegamos ao portão da saída que dava para o estacionamento, olhei em volta e não vi ninguém.

— Viu, não tem ninguém aqui. Vamos lá – eu disse. Continuei atrás dele, já que não lembrava onde estava o carro.

— Quantas vezes já matou aula? – ele perguntou.

— Algumas vezes – respondi. – Por quê?

— Nada, apenas curiosidade. É tão rebelde assim? – ele disse. Eu sorri.

— Tenho que aproveitar a vida, certo? Não se cansa de ser certinho o tempo todo?

— Não sou certinho o tempo todo, estou matando aula com você agora.

— Ainda dá tempo de mudar de ideia – dei um empurrãozinho nele.

— Acho que não vou me arrepender no final – ele disse sorrindo.

Chegamos ao carro e eu olhava em volta para ver se aparecia alguém, mas para nossa sorte estava tudo deserto. Ele abriu a porta para mim.

— Senhorita – ele disse estendendo a mão para mim.

Segurei a mão dele e entrei no carro.

— Nossa, que cavalheiro – eu disse antes que ele fechasse a porta.

— Sempre – ele falou antes de andar até o seu lado.

Coloquei o cinto e abri a janela. O sol de meio dia era bem forte, já estava obvio que eu ia me queimar bem rapidinho. Jean entrou no carro enquanto eu procurava meu protetor na bolsa. Ele colocou o cinto, ligou o carro e começou a sair da vaga. Achei meu protetor e comecei a passar em meu rosto. Ele olhou para mim e riu.

— O que está fazendo, Anna?

— Não é óbvio? Passando meu protetor, não quero ficar toda queimada.

Continuei tentando espalhar pelo rosto. Ele continuou olhando para mim e rindo.

— Só dirija, chato – eu disse.

Ele parou o carro no acostamento, tirou o cinto e se virou para meu lado. O que deu nele?

— Chega mais para cá, me deixe te ajudar – fui um pouco para o lado e olhei para ele, que voltou a sorrir.

— Se for para ficar rindo da minha cara nem precisa ajudar em nada – eu disse irritada. Voltei a sentar direito e fiquei olhando para frente.

— Desculpa, nervosinha. Não vou rir mais, pronto. Agora vire para cá – continuei passando no meu rosto e olhando para frente. – Vamos lá, vire-se pra mim. Eu não vou rir, eu juro – olhei para ele e soltei um suspiro.

Não queria ficar com raiva dele, já teria que aguentá-lo por quase uma hora de viagem.

— Tudo bem, mas não enrola, quero chegar logo – virei meu corpo de lado o máximo que consegui. Ele espalhou todo protetor por meu rosto, enquanto eu olhava para ele. O sorriso em seu rosto não saiu em nenhum momento. – O que foi? – ele estava pensando em algo.

— Hãn? Nada. Sua pele continua na mesma tonalidade, de tão branca que é – ele deu um risinho.

— Muito obrigada pelo elogio – falei com sacarmos.

— Mas é verdade. Pronto já passei tudo. Passa em mim? – ele me entregou o tubo.

— Ah, agora quem vai rir de você sou eu.

— Pode rir, boba. Passa logo – despejei uma grande quantidade na minha mão e joguei tudo na cara dele. Comecei a rir na hora, o nariz dele estava completamente branco.

Ele me olhou irritado.

— Se for para ficar rindo da minha cara é melhor nem passar – ele disse.

Olhei séria para ele, mas nós dois começamos a ter um ataque de risos. Ele pegou parte do protetor que estava nele e espalhou tudo no meu nariz. Nós parecíamos duas crianças.

— Chega, chega! Minha barriga já está começando a doer. Deixa eu espalhar isso direito – falei.

Espalhei todo o protetor pelo rosto dele enquanto ele me observava.

— O que foi? – perguntei.

— Seus olhos mudam de cor...

— Hãn? – perguntei confusa.

— Eles mudam de cor quando está sol. Lindos – ele sorriu.

Terminei de passar o protetor, então ri do que ele disse.

—Qualquer olho fica mais claro com a luz do sol – falei.

— Mas os seus são diferentes, eles diminuem drasticamente a tonalidade – ele tentou me convencer.

— Imaginação sua – tentei espalhar o protetor que restava em meu nariz, usei o retrovisor do carro como espelho enquanto ele dava ligava o carro para continuarmos a aventura.

— Se não quiser acreditar não acredite – ele deu os ombros.

— Continue dirigindo, quero chegar logo.

— Tudo bem, mandona.

Ele continuou prestando atenção na estrada. Agora estávamos em silencio, até que resolvi ligar o radio. Passei algumas estações até achar uma música de meu gosto. Depois que achei comecei a cantarolar baixinho.

O céu estava limpo, o sol muito forte. Fiquei olhando a paisagem pela janela.

— Você canta bem – Jean disse. Depois de um tempo olhei para ele com as sobrancelhas erguidas.

— Tirou o dia pra reparar em mim?

— Eu sempre faço isso, Anna – fiquei vermelha na mesma hora. Odeio isso.

— Então é melhor parar, eu não gosto.

— Não manda em mim, irei continuar – ele disse não se importando com nada que falei.

Pelo menos ele não reparou a quão vermelha eu estava.

— Você é muito chato mesmo.

— Obrigado – agradeceu, ironicamente.

— Qual é a graça de me observar? – ninguém me observava e não tinha nada demais para ser observado.

— Você é... Interessante.

—Interessante? Como um animal preso que todos observam? – perguntei, ele riu.

— Claro que não.

— Então defina “interessante” – desenhei aspas com as mãos.

— Eu não sei. Foi à primeira palavra que pensei. Sem pergunta difícil, por favor.

— Tudo bem – voltei a olhar para fora. Devia faltar uns quarenta minutos de estrada, ainda. Agora passava uma música que eu não conhecia, então estava tudo quieto no carro.

— Hoje é o último dia da aposta – ele quebrou o silêncio depois de uns cinco minutos.

— Vou voltar a ir andando para a aula – comentei. Por mais chato que ele fosse eu gostava de sua companhia, e iria sentir falta de ir com ele para a aula.

— Não precisa ir andando, eu posso continuar te buscando.

— A aposta já vai ter terminado, não precisa.

— Não custa nada, Anna. Eu gosto – senti ele olhando para mim.

— É sério, não precisa. Eu já acostumei a ir andando.

— Sou tão chato assim a ponto de não querer ficar perto de mim?

— Sim, é muito chato. Mas tudo bem, já que insiste tanto pode continuar me buscando.

Não resisti à insistência dele. Nem pretendia.

— Que milagre é esse? Você aceitando algo que eu disse – olhei para ele e vi que estava com um sorriso estampado no rosto.

— É o que ganha por ter aceitado matar aula comigo.

— Eu já disse que acho que não vou me arrepender.

— Não vai. Não sou tão chata como pensa.

— Então não se conhece – ele riu.

Olhei para ele com cara de ofendida.

— Diz a pessoa mais legal do mundo – falei sarcasticamente e ri junto com ele.

— Então resolvido, vou continuar te buscando e vai ter que me aturar todo dia – ele disse.

Fiz uma careta.

— Eu já faço isso – faltava pouco para chegarmos ao lago, finalmente.

Peguei uma embalagem em minha bolsa e abri.

— Cachorro quente? – Fiz uma careta e fechei a embalagem.

Devolvi a embalagem com o cachorro quente à bolsa e peguei outra, dessa vez pizza.

— Onde está o refrigerante? – perguntei.

— Na minha bolsa, pode pegar – ele respondeu.

Abri a bolsa dele, que estava no chão do lado da minha. Peguei uma lata qualquer, olhei e vi que era uma coca-cola, então comecei a comer.

— Estamos perto? – perguntei.

Ele olhou no GPS.

— Sim, mais uns cinco minutos – ele sorria, o sol batia em seu sorriso deixando-o ainda mais branco.

— Finalmente, minha bunda já está dormente.

Eu fiquei vermelha na mesma hora, como eu odeio dizer as coisas sem pensar na frente dele. Ele simplesmente riu.

— Eu já estou ficando incomodado de ficar parado – ele fez uma careta.

— Pelo menos já estamos chegando. Esse sol forte já está acabando comigo – comecei há reparar um pouco mais na paisagem. Tudo tão calmo. Sentia vontade de construir uma casa e morar o resto da vida.

Comecei a ver a extensão do lago, tinha muitas arvores por perto. Minha vontade era de sair do carro e me jogar na imensidão azul. Jean estacionou o carro, eu terminei de comer. Joguei meu lixo do lanche dentro de uma sacola e comecei a juntar minhas coisas para sair do carro.

— Ei, eu quero comer antes, estou faminto – Jean reclamou.

— Você come. Eu nado – dei um sorriso convencido.

— Não, não e não! Eu te trouxe aqui, vai ter que me esperar – disse sério.

— Tá bom, tá bom. Come logo então – joguei minha bolsa para ele e cruzei os braços.

— Obrigado, senhorita apressada – fiquei observando ele abrir os lanches com toda calma do mundo.

— Abre isso logo e come, menino! – Falei já se irritando.

— Calma, nervosinha, nadar de barriga cheia faz mal, então relaxa aí.

Ele começou a comer. Fiquei emburrada sentada no banco do carona, resolvi tirar o cinto e esticar as pernas enquanto o lerdo se alimentava. Não demorou a passar outra música boa no rádio, comecei a cantarolar.

Dez minutos se passaram até que ele terminou de comer. Peguei a mochila e saí do carro, louca para sentir o ar puro.

— Nossa, quase nada mudou por aqui. Olha que faz muito tempo que não venho, eu era bem pequeno quando vim – Jean disse atrás de mim. Ouvi os passos dele vindo em minha direção.

— Aqui é lindo – coloquei a mão na minha bolsa para pegar mais protetor, comecei a passar nos braços.

— Não entendo porque passa tanto protetor – Jean resmungou do meu lado.

— Hoje eu estava na escola branca igual neve, de repente chego amanha queimada igual camarão... – Falei ironicamente.

— É, bem pensado. Me dê um pouco aqui – ele estendeu a mão. Coloquei um pouco na mão dele.

— Você nunca matou aula? – perguntei curiosa.

— Não, nunca.

— Por isso a insegurança – eu ri.

— Muito obrigado, falou a senhorita experiência – foi irônico, estava aprendendo comigo, só podia.

— De nada.

Jean tinha terminado de passar o protetor e colocou sua mochila ao lado da minha. Tirei meu tênis e reparei que ele fez a mesma coisa. Olhei para o lago e saí correndo.

— Corrida até o lago – gritei para ele.

Demorou alguns segundos para ele processar a ideia, mas logo ouvi passos dele correndo atrás de mim.

— Ei! Não vale – ele gritou atrás.

— Sem regras – gritei de volta.

Corri o máximo que podia pelos cascalhos no chão, só conseguia ouvir minha respiração ofegante, sou péssima em correr. Ouvi-o se aproximando então se joguei no lago para ganhar a corrida. Foi meu paraíso, a água estava geladinha. Continuei nadando.

— Você disse que era até o lago – ele gritou.

— Vamos ver até onde você aguenta, lesma – gritei de volta.

Imaginei a cara de bravo dele. Dentro d’água eu me movimentava mais lenta ainda, isso não me ajudou em nada a avançar. Senti algo puxando minha perna com força para trás, todo meu corpo foi jogada para o fundo. Assim que retornei a superfície Jean estava na minha frente, ele morria de rir.

— Não tem graça – eu disse furiosa.

— Tem sim, nervosinha. É porque não está vendo a sua cara – ele continuou a rir.

— Vamos ver a graça então – me lancei para cima dele e empurrei a cabeça dele para baixo, para o fundo. Peguei-o de surpresa. Ele não me deteve, mas assim que conseguiu me empurrou para longe.

— Que me matar afogado?! – ele disse com cara de quem não achou graça.

— Você fez a mesma coisa comigo – virei de costas para ele fintando o horizonte.

— Não fica com raiva, Anna. Eu estava brincando – ele me tocou no braço tentando chamar minha intenção.

— Tudo bem, não estou com raiva de você.

Voltamos mais para o raso, a água baita em nossas cinturas. Seu cabelo estava grudado na testa. Olhando para ele reparei que era lindo assim, muito lindo. Afastei todos esses pensamentos e sorri para ele.

— Então, ninguém ganhou a corrida. Você roubou, não valeu – como era resmungão.

— Eu disse que era sem regras.

— Mas você não avisou antes.

— Deixa de ser chato.

— Eu, chato? – ele riu com cara de sem vergonha.

— Isso mesmo, muito chato!

— Você vai me pagar por isso – ele deu um sorriso malicioso e foi chegando perto de mim.

— É mesmo? Posso saber como? – fui me afastando.

— Ataque de cócegas! – Ele pulou em cima de mim e me pegou quando eu tentei escapar. Eu já estava rindo e ele começou seu ataque de cócegas. Comecei a gritar para ele parar e comecei a jogar água nele.

— Tudo bem! Já parei – ele disse enquanto passava a mão nos rosto para tirar a água que eu joguei.

— Você é de longe a pessoa mais idiota do universo – eu disse enquanto lançava mais água em seu rosto.

— Se continuar com isso vai ganhar mais cócegas! – Ele ameaçou. Dei língua e comecei a andar de volta a margem.

— Onde pensa que vai? – O ouvi gritar.

— Comer! Eu disse que ia ficar com fome de novo – logo cheguei aos cascalhos.

Fui calmamente em direção ao carro. Enquanto tentava torcer minha blusa ensopada ouvi Jean se movimentar na água, ele também iria sair. Cheguei ao carro, quando abrir a porta senti uma mão tocar meu ombro, dei um pulo.

— Não entre no carro toda molhada – era Jean.

— C-Co... Como chegou tão rápido? – Falei, surpresa.

— Eu ando rápido – ele deu os ombros.

— Estranho, achei que estava na água ainda...Bom, esquece. Como vou pegar minhas coisas então?

— Pegue a mochila pela alça e pegue suas coisas aqui fora, simples – ele disse como se fosse óbvio.

Fiz o que ele disse. Enquanto eu pegava minha toalha ele foi pegar a dele. Comecei a me secar e percebi que tinha alguém atrás de mim, quando me virei para ver era ele, Jean.

— O que foi? – indaguei.

— Hein? O que? Nada – ele ficou um pouco corado, abaixou a cabeça e voltou a revirar sua bolsa.

— Não trouxe toalha? – perguntei enquanto secava meu cabelo.

— Não.

— Quer a minha emprestada?

— Não precisa...

— Pega logo – joguei para ele.

Voltei à atenção para minha bolsa. Remexi até achar um hambúrguer, fechei a bolsa e joguei dentro do carro.

— Me dá algo para beber – pedi a Jean.

— O que você quer?

— Qualquer coisa – ele pegou duas latas e algum lanche para ele.

Quando sentou ao meu lado me entregou uma lata de Pepsi e minha toalha.

— Obrigada – agradeci.

Andei até os cascalhos eu forrei o chão com minha toalha. Senti que Jean vinha comigo, quando me sentei ele sentou ao meu lado. Começamos a comer em silencio, ouvindo apenas o som dos pássaros. Não me incomodava ter ele por perto, eu gostava. O sol já não estava tão forte, mas estava bom o suficiente para secar nossas roupas.

— Sabe que horas são? – Perguntei depois de um tempo.

— Quase três – ele respondeu.

— Nossa, a hora passou tão rápido – me surpreendi.

— Vai querer ir embora que horas?

— Não sei... Para mim tanto faz – comi o ultimo pedaço do meu hambúrguer. Ele já tinha comido o pedaço de pizza dele.

— Então vamos ficar aqui até enjoar – ele sorriu.

Ficamos sentados olhando para o horizonte por um bom tempo, ambos calados. Resolvi aproveitar que estava quase totalmente seca para ir ao carro pegar meu celular. Sabia que Claire tinha ligado e provavelmente mandado várias mensagens. Assim que peguei o celular reparei que a bateria estava quase esgotada, sem problemas, só iria ligar para ela mais tarde. Havia três chamadas perdidas e cinco mensagens de texto, bem curtas. “Onde você está?”, “Jean está com você?”, “Me responde, vadia”, “Mataram aula juntos, safadinha?”, “Eu vou querer saber, com detalhes, tudo que aconteceu.” Conhecendo a Claire ela deveria estar histérica. Guardei o celular e voltei para toalha. Jean estava lá do mesmo jeito de que quando saí.

— O que foi fazer? – ele perguntou assim que me sentei.

— Fui ver meu celular, Claire me ligou três vezes e deixou cinco mensagens de texto – ele riu.

— Deve está louquinha para saber onde fomos parar.

— Sim. Depois eu ligo para ela, minha bateria está acabando.

— Já está começando há ventar um pouco – ele disse, foi só agora que percebi que as arvores balançavam mais. – Daqui a pouco vamos ter que acender uma fogueira – completou.

— E você sabe fazer uma?

— Claro que sei, quando era mais novo eu acampava com meu irmão, meu pai me ensinou essas coisas, fogueira, barraca, como conseguir comida, e por aí vai.

— Então você vai fazer sozinho, por que eu não sei.

— Não sabe procurar madeira? – ele disse com as sobrancelhas erguidas.

— Muito engraçado, você sabe que não foi isso que quis dizer – fechei meus olhos e deixei o sol esquentar minha face.

— Sem graça – ele resmungou.

— Olha quem fala, a pessoa mais chata do mundo – dei um sorriso largo.

— Já disse pra parar de dizer isso.

— Já disse pra parar de fazer isso – imitei a voz dele como criança. Ainda estava de olhos fechados quando senti ele rolar para cima de mim e começar a me fazer cócegas.

— Sai! Você é muito pesado! – Eu disse gargalhando e tentando empurrar ele.

— Só se você disser que me ama e que sou a pessoa mais legal do mundo – ele disse enquanto fazia cócegas em meu pescoço.

— Nunca! Nunca! Nunca!

— Então eu não paro.

— Tá bom! Eu te amo e você é pessoa mais legal do mundo – ele parou na mesma hora, mas ainda estava em cima de mim, me encarando.

Senti meu rosto queimar.

— Hum... Tá bom – ele disse pensativo.

— Então saia de cima de mim – tentei empurrar ele, mas ele prendeu meus braços junto ao meu corpo.

— E se eu não quiser? – ele deu um sorriso e chegou seu rosto mais próximo ao meu. Não consegui falar nada, minha boca estava seca e meu coração acelerado.

Ele chegou mais perto, ainda olhando em meus olhos, deu um beijo em minha testa e depois saiu de cima de mim, ainda assim continuei para feito estátua.

— O que foi, Anna? – ouvi Jean dizer, mas não respondi, só tentava acalmar minha respiração e fitar o céu azul. – Anna? – ele disse de novo enquanto estralavam os dedos em minha frente, me fazendo dar um pulo e sentar.

— O que? Que foi?

— Você parecia uma estátua aí... Está tudo bem? – Não consegui olhar para ele.

— Está, estou, eu só... – Não terminei de falar, então simplesmente levantei e andei até o lago. Quando meus pés tocaram a água eu parei e respirei fundo. Senti Jean me observando, mas não vinha atrás de mim.

Voltei a andar, quando cheguei a uma profundidade adequada resolvi mergulhar. A água me ajudou a me recuperar. Não entendi o porquê do meu estado, não sentia algo muito forte por além da amizade, mas a proximidade inesperada me surpreendeu, e muito. Fiquei um bom tempo na água, tentava clarear minha mente. Quando senti que estava melhor e que meu rosto estava de volta à cor normal , voltei para onde ele estava. Parei na frente dele.

— Está tudo bem? Machuquei você? – perguntou.

— O que? Não, claro que não. Eu só... – Dei os ombros. Não sabia o que dizer para ele.

— Tem certeza? Você ficou estranha – percebi preocupação em seu tom de voz.

— Sério, estou bem. Esquece isso.

— Tudo bem então – ele disse, mas ainda duvidoso.

— Pode me dar a toalha? Preciso me secar – fiz uma careta.

— Ah! Claro – ele se levantou e me entregou a toalha.

Comecei a secar meu cabelo e tirar os nós dele.

— Bom, vou começar a procurar madeira para a fogueira. Se der pra ajudar depois que terminar aí, vai ser mais rápido – ele deu uma risada e mostrei a língua para ele, adoro fazer isso quando estou perto dele.

Foi só agora que percebi que ele tinha calçado o tênis, provavelmente quando eu estava na água.

— Eu vou ajudar, só quero me secar direito antes.

— Vou indo na frente, não vá muito longe – ele disse como se fosse um pai mandão.

— Tudo bem, pai – ele riu e se afastou.

Quando finalmente sequei meu cabelo tentei secar minha roupa, pelo menos tirar o excesso, mas não adiantava, estava mais molhada que antes. Desisti e fui até minha bolsa. Aproveitei que Jean não estava por perto e comecei a me trocar, abrir a porta do carro, peguei a blusa e o short, forrei o assento com a toalha, para evitar que Jean reclamasse que molhei o carro dele.

Foi difícil me trocar, mas finalmente consegui, fiquei apenas com as roupas íntimas molhadas. Calcei meu tênis e fui andando para as árvores para tentar achar alguma madeira para a fogueira. Quando entrei no meio das árvores ouvi um barulho por perto, como se fosse alguém ou algo se movendo entre as folhas, mas ignorei pensando ser Jean. Comecei a pegar gravetos e alguns pedaços de madeira, quando já não cabia mais nada em minhas mãos depositei tudo nos cascalhos onde as árvores começavam. Novamente escutei o barulho, duas vezes, mas continuei a ignorar. Por uma fração de segundo senti que estava sendo observada, estava ficando paranoica. Quando voltei para depositar a segunda leva de madeira vi uma sombra pela lateral do meu olho direito, não era de nenhum animal. Só podia ser Jean tentando me por medo, resolvi fingir que não o vi para ver o que ele iria aprontar.

Depois de um tempo achei que já tinha conseguido madeira o suficiente, ou até mais, para a fogueira. Jean continuava com a palhaçada dele de tentar me por um susto, mas eu o ignorava completamente. Fui mais fundo entre as árvores para tentar achar uma madeira boa e grande, já que todas que consegui eram minúsculas. A parte da floresta que eu estava agora era bem escura, já que as árvores ali eram grandes e juntas o que não permitia que a luz chegasse ao solo. Assim que achei um bom pedaço de madeira me abaixei para pegá-lo, neste momento escutei novamente o barulho, dessa vez em minha frente. Já estava cansada dessa brincadeira de Jean então me levantei e olhei para ele, mas o que vi não foi ele, foi dois olhos vermelhos bem chamativos entre as árvores, me aproximei para ver direito o que era. Fiquei paralisada, eu sabia de quem – ou o que – eram esses olhos, na mesma hora meu corpo começou a tremer, a coisa continuava me olhando, parecia que estava me estudando, ou estudando a área.

Fiz a coisa mais sensata que alguém faria e saí correndo de onde tinha vindo. Senti que a coisa corria atrás de mim, se divertindo ao ver meu medo e desespero, eu não conseguia ouvir nada além de meu coração palpitando. Vi a luz entre algumas árvores e corri mais ainda, só quando estava bem perto tomei coragem e olhei para trás, mas senti algo agarrando meu corpo pela frente. Comecei a gritar e empurrar o que me segurava, ainda ouvia apenas meu coração.

— Anna, Anna, sou eu Jean! Pare de gritar, se acalme – ouvi a voz de Jean, meu corpo relaxou. – Ei, o que foi? Fica calma ok? Estou aqui agora. – Ele me abraçou com força, como se me protegesse.

— D-Desculpa, não vi que era você – falei com a voz tremula.

— O que aconteceu? Por que está assim? – Ele perguntou preocupado.

Não podia contar para ele que tinha alguém me perseguindo entre as árvores, ele não podia correr o perigo de entrar lá e procurar, então menti.

— Um lobo, eu o vi. Acho que ele sentiu meu cheiro e veio atrás de mim – minha voz já estava melhor, eu era ótima em mentiras.

Jean suspirou e ainda abraçado comigo caminhou até o carro.

— Nada de floresta para você, nunca mais.

— Nunca me dei bem com natureza – consegui criar um risinho. Ele me acomodou no banco do carona, se agachou do meu lado e ficou segurando minha mão.

— Você se feriu? – não tinha sentido antes, mas agora sentia ardência em algumas partes de minhas pernas.

— Alguns arranhões em minha perna, nada demais.

—Me deixa ver – sentei de lado para ele olhar melhor meus arranhões, eram pequenos. – Nada muito grave, menos mal. Então, conseguiu alguma madeira antes da ocorrência?

— Sim. Está bem ali – apontei para as arvores que fechavam a floresta. – Acho que tem uma boa quantidade.

— Vamos ver se pelo menos consegue pegar madeira que preste – ele sorriu.

— Muito engraçado, consegui pegar as melhores – fiz uma careta.

— Fica aqui, senhorita. Vou pegar sua madeira – ele foi para o local que apontei, eu fechei a porta do carro, por segurança, e procurei água em nossas mochilas. Achei um litro na dele, fui tomando um pouco enquanto o observava.

Eu não sabia se a coisa que me perseguiu estava observando ele entre as árvores, eu temia que fizesse algo de ruim com ele. Jean juntou uma pilha de madeira e deixou algumas madeiras de reserva para alimentar o fogo depois. Como ainda era cinco horas esperamos um pouco para acender. Jean veio e se sentou ao meu lado no carro, ficamos conversando besteira enquanto o tempo passava. Falamos de música, livros, descobrimos gostos parecidos e a conversa durou mais do que imaginávamos. Quando nos demos conta o sol já estava se pondo, saímos do carro para observá-lo.

— Que pôr-do-sol lindo – comentei.

— Sim, lindo – senti que ele olhava para mim, continuei fitando a paisagem.

Quando o sol se foi resolvemos acender a fogueira, já que estava começando a esfriar por ali. Ele pegou um isqueiro no carro, e algumas folhas de caderno que eu não sabia de onde ele tinha tirado. Fui atrás dele para ver como ele acenderia a fogueira.

— Pega alguma de comer no carro, Anna. Do jeito que é desastrada vai acabar botando fogo em si mesma.

— Mas nem vou acender a fogueira – teimei com ele.

— Só de ficar perto mesmo – ele olhou para mim e sorriu. Fiz uma careta, mas voltei para o carro. Na verdade eu não queria ficar longe dele, no escuro. Tinha medo que a coisa corresse atrás de mim e acabasse ferindo ele caso tentasse algo.

Peguei as mochilas e voltei correndo onde ele estava. Ele já tinha acendido a fogueira, mas o fogo ainda era pequeno.

— Ainda bem que trouxe as bolsas, me dê a minha – entreguei a bolsa dele e observei enquanto ele tirava um caderno de dentro, então era dali que tinha vindo às folhas. Ele começou a abanar o fogo.

— Isso é para o fogo aumentar – Jean disse.

— Eu sei – revirei os olhos para ele.

Minha avó sabia fazer fogueiras, sempre observava quando ela aumentava as fagulhas. O que ele estava fazendo me lembrava muito ela, o que não me fazia bem. Tentando esquecer isso estendi a minha toalha – que tinha deixado no capô do carro para secar – e me sentei sobre ela. Quando o fogo já estava crepitando Jean colocou um pouco mais de madeira e veio se sentar ao meu lado, ficamos observando o fogo, em silencio.

— O que foi Anna? Parece um pouco... Triste – Jean disse.

Eu não queria contar nada para ele, mas também não queria guardar só para mim. Nem Claire sabia sobre a morte de minha avó, era algo que eu preferia guardar só para mim, minhas dores.

— A fogueira... Lembra-me de minha avó. Ela costumava fazer quase sempre, no fundo da casa dela, no outono. Também fazia chocolate quente, nós duas sentávamos próximo à fogueira, tomava chocolate enquanto se esquentava. – Sorri com meus olhos molhados com as lembranças. Jean chegou para mais perto de mim e me abraçou, e percebi que não iria me soltar tão cedo.

— Porque não fazem mais? Ela mora longe? – Não sabia se chorava ou ria com o que ele disse.

— Não, quem dera fosse isso. Ela morreu a... Algum tempo – ele me abraçou mais forte e eu me aconcheguei em seus braços. Não importava a proximidade, eu precisava de um amigo.

— Eu sinto muito – ele disse baixo.

— Todo bem, mas só você sabe disso – confessei.

— Claire não sabe? – Perguntou, surpreso.

— Não, é algo que decidi deixar só para mim.

— E por que me contou?

— Sei que posso confiar em você, e sei que me entende.

Ficamos em silencio e ainda abraçados, observando o fogo.

— Obrigado – ele disse depois de um tempo.

— Pelo o que? – perguntei confusa.

— Me contar, eu sei que é difícil dividir algo tão doloroso.

— Como eu disse, sei que posso confiar em você – novamente entramos no silêncio, resolvi ver que horas eram.

Arrastei minha mochila para mim e peguei meu celular. Nenhuma mensagem pendente ou ligação perdida, mas já era um pouco tarde.

— Acho melhor irmos, está ficando tarde.

— Tem razão, daqui a pouco alguém me liga.

— Para mim também – dei uma risadinha.

Infelizmente tive que sair do abraço dele e começar a juntar as coisas.

— Vou apagar o fogo, tem alguma lata fazia ai? – Ele perguntou.

— Tem duas – joguei para ele. – Cuidado com a água.

— Não vou me afogar na beira de um rio – ele revirou os olhos.

— Cuidado com os animais.

— Muito engraçado, não é? – ele se virou e foi para escuridão na margem do lago. Eu arrumei nossa coisa e fiquei esperando ele voltar, sempre de olho para ver onde ele tinha ido.

— Bú! – Ouvi atrás de mim, dei um pulo e um grito, logo depois o escutei rindo atrás de mim.

— Merda, Jean! Vai se ferrar! – Gritei para ele enquanto tentava desacelerar meu coração. O idiota morria de rir.

— Calma, nervosinha. Quem mais iria estar no lago há essa hora? Não tem mais ninguém além de nós dois – fiquei vermelha na mesma hora, agora que me toquei que passei o dia todo com ele em um lugar deserto.

— Sei lá, estava distraída.

— Espera no carro, só vou jogar água aqui – ele estava segurando as duas latas.

— Não demore – eu disse e saí andando para o carro. Meu coração se recuperava do susto. Sentei e tomei alguns goles de água que restava.

Jean apagou a fogueira e tudo ficou escuro, só consegui ver o vulto dele voltando para o carro. Achei que ele tentaria outro susto, eu estava preparada para não correr o risco de enfartar e o dia acabar em tragédia, mas ele não tentou nada, apenas sentou e começou a dirigir.

Após meia hora de viagem, estávamos na metade do trajeto e ninguém falava nada. Eu liguei e rádio para procurar alguma música legal.

— Nossa, estou bem cansada – tentei puxar conversa.

— Eu também – ele disse, seco.

— Acha que seu irmão vai contar sobre ter matado aula?

— Não – e novamente ficou quieto, eu não sabia o motivo dele estar assim.

— Porque está tão quieto? Fiz algo?

— Não, claro que não – ele riu. – Eu fico assim quando estou cansado.

— Se diz – dei os ombros.

Já estávamos em Phenite novamente, faltavam uns cinco minutos até minha casa. Não ligaria para a Claire hoje, a única coisa que queria era um bom banho e uma ótima noite de sono. Ele continuava calado. Chegamos, ele parou o carro em frente de casa e desligou o motor.

— Chegamos – ele disse.

— Sim. Já se arrependeu?

— De que? – Perguntou, confuso.

— De ter matado aula, oras.

— Não, foi ótimo – ele afirmou.

— Vai querer repetir outro dia? Já que gostou... – sugeri.

— Quem sabe... Talvez sim – ele riu, eu acompanhei.

Tirei o cinto e peguei minha bolsa, já estava pronta para sair do carro.

— Qualquer coisa é só falar comigo – me aproximei dele e dei um beijo em seu rosto. Ele segurou meu queixo me impedindo de se afastar.

— Claro que sim – e beijou minha testa, soltou meu queixo e nos afastamos. – Boa noite, Anna.

— Boa noite, Konery – rezei pra ele não ter reparado em meu rosto corado.

Saí do carro, senti os olhos dele em mim até eu entrar em casa e fechar a porta.


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Notas finais do capítulo

( Então foi isso, pessoal. Digam se gostaram ou se não querem mais ver minha cara por aqui. Minha querida G., DEIXE UM REVIEW GRANDE, OK?Ok. Beijos a todos e até um futuro capitulo)
—-------------------------------------------------------------
Jean:
Espero que tenham gostado do capítulo. Semana que vem tem mais um, baseado na dica da AnaSalvatore (meu amor), se vocês tiverem alguma dica de capitulo, algum acontecimento, mandem mensagem, terei o prazer de ler e farei o máximo para pôr o que pedir. ^^
Até o próximo.
Review: kkkkk nem preciso dizer que amei o capítulo, né momo? Logo no começo eu já ri. Anna ama estudar hein? Nossa prefere prestar atenção na mosquinha de que na aula, e Jean lá, pagando de nerd. Me surpreendeu ele aceitar matar aula, mas eu sabia que ele iria aceitar, ele gosta muito de ficar perto da Anna, fato.
Que isso, Anna tem um guarda-roupa dentro do armário, só pode kkk. Ai vai Jean comprar comida, tadinho, volta com um monte de sacola e Anna fica lá rindo dele, que dó, kkkk. Jean trancando com medo de ser pego, kkkk euri nessa parte, pra que tudo isso menino?
Ele passando protetor nela foi tão fofo *-* amo esses dois juntos, serio, deviam ficar juntos não é? rs. Os olhos dela :o imagino quão lindos são *-----*.
kkkkk corrida até o lago, essa foi boa. Tadinha da Anna, Jean puxou ela com muita força, esse cabeçudo rum. Mas Anna nunca deixa baixo, ela é vingativa haha, bem feito pra ele. :o Ele usou a velocidade, sorte que ela não viu, sera que desconfiou de algo? Acho que nãoo...
Que ceninha mais fofa deles *-* wont.. rsrs tadinha deve ter ficado com muita vergonha, quando li a primeira vez achei que se beijariam, hehe, não parece? Amei.
Jean idiota, deixa a menina estrar para caçar madeira sozinha? Um vampiro atras dela, quase pegou a menina. Idiota! Por sorte ele foi embora, sera que ele sabe diferenciar um cheiro de humano para de caçador? Lembrando que nem todos vampiros sabem a diferença e que nem todos sabem que existem caçadores. :o
Abraçadinhos na fogueiro *_* Que meigos. Imaginei todas as cenas em minha cabeça, ficou tudo perfeito amor. A preocupação da Anna com ele é tão fofa. Eles se tornaram bons ammigos em tão pouco tempo, isso que eu acho bonito nos dois.
Mo, seu capítulo ficou maravilhoso, muito muito obrigado por escreve-lo para mim. De verdade. Eu te amo, sua chata.



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