Love Letter escrita por Meilyn


Capítulo 2
Parte 2


Notas iniciais do capítulo

Gemt, apareci depois de... Cinco anos? Armaria! AUSHuahsUhasuh Sou a mestre da procrastinação, pode ter certeza~



Love Letter – parte 2

 

Sasuke parou diante da porta de madeira com aspecto envelhecido, enquanto ponderava mais uma vez se o que estava prestes a fazer era realmente sensato. As mãos começaram a suar de nervosismo quando, por fim, puxou a porta de correr. Havia subido três lances de escada para chegar ali e não amarelaria agora que estava tão perto.

Tão logo pôs o pé dentro da sala, um forte cheiro de poeira e mofo invadiu suas narinas. O local não devia ser devidamente limpo a séculos! Imaginando o incrível descaso do colégio quanto aquele ambiente, fechou a porta atrás de si enquanto avaliava ao seu redor. Várias prateleiras enfileiradas e repletas de livros ocupavam o local. Aquela era a biblioteca antiga da escola, localizada no terceiro andar do prédio B.

Podia-se ver teias de aranha aqui e acolá nos cantos das estantes ou próximo as paredes, sem falar na notória camada de poeira que cobria tudo por ali. Qualquer outra pessoa que tivesse se aventurado a entrar naquela biblioteca, logo concluiria que ninguém a visitava há muito tempo.

No entanto, Sasuke sabia que era ali que encontraria a pessoa que procurava.

Dirigindo-se ao fundo da sala, Sasuke encontrou uma pequena mesinha quadrada, com alguns livros sobre ela, e uma poltrona azul com a aparência tão antiga quanto a dos livros. Contudo, diferente do restante do lugar, aquele espaço estava consideravelmente limpo, indicando que alguém o estivera frequentando com relativa frequência. Deslizou a ponta dos dedos na capa de um dos livros e leu as palavras degastadas que compunham o título.

— Matemática avançada...? – arqueou uma sobrancelha ao tentar adivinhar o porquê dela estar lendo algo do estilo.

Folheava as primeiras páginas do tal livro quando ouviu uma voz em tom irritadiço e um pouco rude pronunciar-se atrás de si.

— O que está fazendo aqui?

Sasuke virou-se, surpreso, e se deparou com uma Sakura de expressão irritada segurando um livro de capa escura. Mas qual seria o motivo para ela soar tão irritada?

— O gato comeu sua língua, Uchiha? – resmungou rolando os olhos, indo colocar o livro sobre a poltrona.

O garoto piscou confuso antes de uma conclusão precipitada cruzar sua mente como uma flecha. “Talvez ela esteja irritada por eu ter demorado tanto em responder a carta...”, concluiu erroneamente.

— Sakura. – ele respirou fundo a fim de conseguir coragem, ou ao menos impulso, o suficiente para prosseguir. – Eu... Eu também gosto de você. – Sakura contraiu as sobrancelhas de imediato ao ouvir a estranha e inesperada frase. – Sinto-me um tolo por não ter percebido antes que você é uma pessoa tão incrível e tão... Linda.

Ao dizer esta última frase ele abaixou momentaneamente o olhar, pois sentiu seu rosto esquentar de leve evidenciando seu constrangimento a situação. Afinal não era todo dia que o Uchiha decidia explicitar seus sentimentos de uma forma tão espontânea como aquela. Era praticamente uma herança genética ser bom em mascarar qualquer sentimento que possuísse, então era meio difícil ser tão honesto assim.

Sakura, por sua vez, estava boquiaberta. Qual era o significado para tudo aquilo?! Sua mente quase entrou se liquefez.

E ao que tudo indicava ele ainda não havia terminado seu inacreditável discurso, pois logo ele voltou a respirar fundo preparando-se para começar a falar de novo.

— Mas depois de algum tempo eu percebi que tinha me apaixonado por voc—

— Pode parar por aí! – interrompeu-o antes que a coisa ficasse ainda mais desastrosa. Quase pediu aos seus que tudo não passasse de um simples pesadelo. – Isso é algum tipo de piada?! Onde está a pessoa que está com a câmera?!

Com uma veia pulsando forte em sua têmpora, Sakura olhou ao redor a procura de algo que estivesse no lugar errado.

— Você não acredita em mim? – indagou parecendo genuinamente ofendido. – Certo que demorei muito para responder a carta que você me deu, mas isso...

A cabeça da Haruno dava voltas sem conseguir gerar nada lógico. Do que danado ele estava falando?

— Você acredita que gestos valem mais do que palavras? – Sasuke perguntou de súbito, com um olhar sério demais para ser ignorado.

— Bem, creio que sim, mas o que isso tem a v—

No mesmo instante em que ela entendeu do que ele estava falando, Sasuke avançou passos medidos e uniu seus lábios em um selinho singelo e rápido. Em seguida ele se afastou e esperou pela reação dela, que não demorou a acontecer. Diferente de toda e qualquer situação que sua mente conseguira projetar, definitivamente ele não esperava receber um soco bem aplicado em seu rosto que o fez tropeçar e cair de bunda no chão.

Contudo o que o fez realmente sentir medo foi a expressão assassina que a garota lhe dirigiu. Nunca uma garota tinha feito aquela expressão para ele, portanto foi, acima de tudo, um tremendo choque.

— O. Que. Diabos. Pensa. Que. Está. Fazendo?! – esbravejou exaltada, cerrando os punhos com uma força assustadora. A raiva borbulhando dentro do peito não permitiu que ela se acalmasse o suficiente para reconhecer a cara assustada que o moreno fazia, nem para o filete de sangue que deslizava de sua sobrancelha esquerda. – Aquela carta não era minha, seu imbecil! Só colocaram na minha mesa por engano e eu fiz a gentileza de entregar pra você!

Sasuke, que ainda não tinha se recuperado o suficiente para se levantar, apenas abriu a boca pasmo demais para responder algo coerente. Ele havia entendido tudo... errado? Como podia? Seu choque foi tanto que ele continuou paralisado sem saber nem o que pensar direito. Somente saiu de sua letargia mental quando uma mão desferiu um tapa seguro na lateral de seu rosto.

— E isso foi por ter roubado meu primeiro beijo em um engano, seu estúpido! – vociferou em um misto de vergonha e raiva, e saiu da biblioteca praticamente voando.

O Uchiha levou uma das mãos para a região onde recebera o tapa, um tanto perplexo por ter sido golpeado duas vezes pela mesma garota. Se não estivesse perdido em seu próprio mundinho de reflexões mentais, ele certamente teria rido de uma situação tão singular.

— Foi um engano. – concluiu após uns bons minutos em absoluto silêncio. E nunca ele se arrependeu tanto de uma ação tomada por si. – Maldição. Não era timidez!

*

Sakura andava em um passo apressado e sem rumo pelos corredores do prédio. O único pensamento que lhe ocorria era que precisava se afastar de onde o moreno estava, por isso desceu as escadas e avançou rapidamente em busca da saída. Seu rosto ardia, mas se era de vergonha ou raiva ela não saberia dizer. Talvez um pouco dos dois, afinal.

Esfregou os lábios com rudeza na menor lembrança do que havia acontecido. O que aquele Uchiha prepotente esperava ao fazer algo tão impensado? Uma vontade de voltar e dar outros socos no rostinho perfeito dele quase superou a vontade de querer sair dali o mais rápido possível. E estava tão entretida com os próprios pensamentos que não viu a pessoa que ia, igualmente distraída, em sua direção.

O resultado foi uma trombada digna de filmes de sessão da tarde, onde as duas foram ao chão pela força do impacto.

— Desculpe-me! – Sakura apressou-se em dizer enquanto ajudava a outra a se levantar. – A culpa foi minha! Estava tão distraída... Você se machucou?

Só então Sakura percebeu que tinha trombado numa garota de extrema beleza. Ela possuía um longo e sedoso cabelo negro que iam até a cintura e sua pele alva a deixava com a aparência de uma bonequinha de porcelana. No entanto, o que mais chamou sua atenção foram os olhos perolados que a menina possuía. Percebia-se uma bondade tão pura em seu olhar que Sakura até se sentiu meio constrangida.

— Não se desculpe. A culpa foi minha também. – respondeu, curvando-se em um pedido de desculpa formal e em seguida dedicou-lhe um sorriso gentil.

— Uh, então tudo bem... – a Haruno murmurou analisando a vestimenta da outra. O uniforme feminino azul com branco deixando claro que ela não era daquela escola. – Você está perdida? – questionou quando a viu olhar ao redor parecendo aflita.

A garota de cabelos negros enrubesceu, fazendo com que um leve tom rosado surgisse em suas bochechas antes pálidas.

— Eu posso ajudar, se quiser. – sugeriu após alguns segundos.

— Ajudaria-me bastante...

— Meu nome é Sakura.

— Obrigada, Sakura. – sua voz era um pouco baixa, mas igualmente delicada e agradável aos ouvidos. Combinava bem com sua aparência.

— Então, para onde estava indo?

*

Após deixar a Hyuga no local pedido – que era a cantina onde iria encontrar seu namorado –, Sakura dirigiu-se para o prédio D, que era exclusivamente para os clubes. Passou por várias portas com plaquinhas variadas, e ao se deparar com a porta do clube de jornalismo entrou sem nem ao menos bater. As três pessoas que se encontravam dentro da sala, surpreendidos pelo som da porta sendo movimentada de repente, deram um pequeno sobressalto.

Ino de imediato percebeu a feição assassina que a outra ostentava e já prevendo que coisa boa não era, a loira abandonou o computador que estava usando e gesticulou para os amigos se retirarem. Sakura lembrava vagamente de ter sido apresentada aos dois garotos colegas de clube de Ino e se não estivesse errada seus nomes eram Shikamaru e Chouji. Os meninos resmungaram, mas levantaram de seus lugares sem delongas.

— Voltem daqui a quinze minutos. – Ino ordenou ao enxotá-los e depois de conferir que eles tinham se afastado o suficiente, fechou a porta. – Agora me diga o que aconteceu. E não me venha com essa história de que não aconteceu nada, porque você está com a expressão de alguém prestes a cometer um crime... – praticamente exigiu com aquele jeito mandão bem característico dela. Devia ser por causa dessa sua personalidade que elas ainda mantinham aquela amizade curiosa.

Sakura respirou fundo e se sentou pesadamente em cima do pequeno sofá no canto da sala. Quando mais cedo fora guiar Hinata para a cantina, acabou se distraindo em uma conversa amena e, consequentemente, se esqueceu de seu pequeno acontecimento com o Uchiha. Contudo, depois que se separaram, toda a raiva voltou com força total. Com isso percebeu que era melhor desabafar com alguém antes que realmente fizesse algo de que se arrependeria.

Óbvio que não se arrependia nem um pouco do soco e do tapa que desferira no moreno mais cedo. Ele merecera e ponto final.

— Você... – pigarreou antes de continuar. – Você lembra que eu disse que odiava o Uchiha?

A loira assentiu e esperou pela continuação que parecia não vir nunca, visto o modo concentrado que Sakura passara a fitar um ponto qualquer no chão.

— Argh, que demora! Desembucha logo, testuda! – replicou agoniada com a demora, batendo o pé de pura ansiedade. Não era famosa por sua paciência, afinal.

— Então... Ele disse que gosta de mim. – terminou com uma careta de desagrado.

— O quê?! – arregalou os olhos com a novíssima informação despertando seu lado jornalista com vigor. – E como foi que isso aconteceu? Quando foi que se tornaram tão íntimos?

— Não somos íntimos.

— Certo, mas ainda quero saber de todos os detalhes.

A Haruno pode até ter revirados os olhos, mas acabou por contar – através de um resumo com as partes mais importantes – o que aconteceu até ali. Como a história tinha começado, o modo como Sasuke passara a observa-la com frequência e sorrisos ocasionais que ele lhe dirigia. Se ela tivesse parado pra pensar sobre o estranho comportamento do Uchiha provavelmente logo teria percebido suas reais intenções. Teve vontade de rir ao se lembrar de que achara que ele a via como uma possível rival. Ah, como ela estivera enganada...

Depois de toda a sua narração, Ino a encarava pensativa.

— Isso explica porque você parecia prestes a matar alguém. Quem diria que Sasuke Uchiha desenvolveria interesse genuíno por você, hein... Parece até aquele plot-twist louco de fanfic. Mas até que vocês formariam um casal fofinho.

Sakura a mirou como se visse um terceiro olho em sua testa.

— Poderia manter o foco na minha aflição, por favor?

— Ora, não exagere. Foi só um beijinho, não é como se o mundo estivesse acabando. – revirou os olhos diante a dramatização da amiga. Quem imaginaria que ela tinha uma alma tão dramática... – O que chama a atenção é o fato dele ter se apaixonado por você. Já pensou no que vai fazer quanto a isso?

Sakura bufou, cruzando os braços.

— Não vou fazer nada, pois já está tudo resolvido. Eu dei um soco nele, Ino. Duvido que ele fale comigo outra vez. E não, não estou reclamando. É até melhor que ele fique no cantinho dele.

Na opinião de Ino aquilo estava longe de estar resolvido, principalmente por que sempre achara que por trás de toda aquela raiva que a Haruno demonstrava para com o moreno deveria se esconder um sentimento discreto de admiração. E sim, ela shipava os dois, secretamente. Ai de seus ouvidos se um dia Sakura descobrisse isso.

— Ah, me sinto melhor agora que desabafei. Obrigada pela atenção, Ino. – sorriu pela primeira vez desde que chegara ali e se levantou, indo em direção a porta.

— Não há de quê, moça. Pode sempre contar comigo, mas disso você já sabe. Vai pra casa agora?

— Não. Vai ter reunião de família na minha casa, então vou enrolar o máximo que puder antes de ir embora.

O rosto de Ino iluminou-se de súbito.

— Se é assim, então me espere que eu vou passear no shopping hoje.

— Tudo bem, não estou com vontade de aparecer na biblioteca outra vez mesmo. Vou te esperar nos banquinhos lá da frente. – avisou e saiu para buscar sua bolsa na sala de aula.

Mal a garota saiu e um sorriso maquiavélico brotou nos lábios rosados da loira de olhos azuis. As coisas estavam seguindo um rumo ainda melhor do que imaginara. Qual seria a reação de Sakura caso ela descobrisse que quem fizera a carta fora a própria Ino? Oh, seria no mínimo bastante interessante.

*

No dia seguinte burburinhos se espalharam automaticamente pelos alunos assim que Sasuke pisou nos domínios da escola. O motivo? O notável olho roxo e o band-aid ao fim de sua sobrancelha. Diversas teorias surgiram sobre quem poderia ter feito aquilo, mas nenhuma delas chegou sequer perto da verdade. Ninguém considerava a possibilidade de uma garota ter sido a responsável pelo hematoma, era irreal demais.

O dia seguiu consideravelmente tranquilo apesar da legião de fãs que alvoroçavam por toda a escola atrás de descobrir quem ferira o príncipe de cabelos negros. Algumas chegaram até a chorar ao ver o rosto impecável agora maculado. Era rir pra não chorar.

Sakura acreditava piamente que tudo estaria terminado depois de alguns dias e tudo voltaria a normalidade, mas suas esperanças findaram quando, durante o almoço, Sasuke apareceu diante de si.

— Veio ganhar outro olho roxo pra combinar com esse que você já tem? – indagou em tom ranzinza enquanto descansava o recipiente com seu almoço no colo. Se ele viesse lhe roubar outro beijo ela não se importaria de arrancar alguns dentes alheios.

Sasuke ergueu as mãos em sinal de rendição.

— Calma, eu não vim pra brigar. – suspirou, coçando a nuca ao perceber o olhar desconfiado que recebeu da garota. – Ah, antes de tudo eu vim pra me desculpar. Sobre o beijo e tudo mais, sabe...

A garota de cabelos róseos arregalou os olhos e quase deixou os hashis caírem no chão de tão surpresa que ficou. Aquilo estava acontecendo mesmo? O prepotente Uchiha estava pedindo desculpas? O mundo devia estar acabando!

— E sei que você tem ‘n’ motivos para não acreditar em mim, mas quero que saiba que o que falei ontem é a mais pura verdade. E também sei que não posso pedir para que retribua esse sentimento, principalmente depois do que eu fiz.

— Ande logo e fale o que veio fazer aqui.

Mordendo o lábio, Sasuke mudou o peso do corpo de um pé para o outro. Quando treinara em casa parecera bem mais fácil do que era realmente.

— Bem, não começamos muito bem e, se não for pedir muito, queria pedir para recomeçarmos. Não tenho segundas intenções, longe disso, só quero ao menos tentar uma amizade, o que acha?

Sakura ficou ainda mais surpresa, pois sentia a veracidade em suas palavras tão clara quando o dia. Sem falar que ele estava obviamente nervoso com toda aquela proposta, como se estivesse com medo de ser rejeitado e levar outro soco. E Sakura gostou dessa sensação de poder. Quem diria que um dia Sasuke Uchiha iria vir pedir por sua amizade? O mundo certamente dava voltas.

— Hm, tudo bem. Mas saiba que não temos nada em comum.

Sasuke demorou uns bons segundos para assimilar a resposta, visto que viera preparado para uma negativa. Quando se recuperou, um genuíno sorriso ocupou seus lábios e ele aproveitou para se sentar ao lado dela no banco, se sentindo bem mais confiante que outrora.

— Eu não seria tão certo quanto a isso. Temos mais em comum do que você imagina... Outro dia vi que estava lendo o livro de Game of thrones. Sabia que eu já li todos os lançados?

Sakura quase cuspiu o suco que acabara de dar um gole.

— O quê?!  Você gosta de ler?

Sasuke apoiou as costas no banco olhando ligeiramente para os orbes esmeraldinos cobertos de curiosidade.

— Você não imagina o quanto.

 

Fim.



Notas finais do capítulo

Aeho! Finalmente completei essa bagaça! (cinco anos depois, mas enfim...) #MaisFelizQuePintoNoLixo
Essa é a segunda versão que faço desse capítulo. Na primeira versão Sakura ia ser uma chorona daquelas bem chatinhas, mas fiquei insatisfeita e fiz essa versão melhorada
Essa Sakura era tiro, porrada e bomba UAHuahsUhaSUHs Eu, particularmente, gostei bem mais dessa
Beijinhos e até outra vida~



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