Daisuki escrita por AC3


Capítulo 31
Propostas (in)decentes no Jokenpo


Notas iniciais do capítulo

Pedra, papel ou tesoura?




O vento soprava forte. Nossos cabelos dançavam como serpentinas àquela velocidade. Comemorava mentalmente por não ter vindo de chapéu. Ia ter de ficar segurando o tempo todo...

Estávamos apenas Gakupo e eu. Dei um jeito de afastar todo mundo do caminho pra conseguir conversar com ele sem interrupções. Estava bastante preocupada sobre o que aconteceu durante o Jogo do Rei.

O que eu não esperava era o que aconteceu com o Kimura-kun.

— E foi isso? - perguntei. - Tem certeza que não tem mais nada de novo?

— Tenho, tenho... - ele sorria pra mim.

— E aí? - disse, curiosa - O que você achou de tudo que o Kimura-kun disse?

Ele ficou quieto. Talvez não estivesse pronto pra falar. Minha nossa, Luka, ele nem deve ter tido cabeça pra pensar direito! Arrependi-me de ter perguntado logo depois. Se bem que uma hora ele tinha de falar sobre naquilo, né?

— Nem sei... - ele respondeu. Ficou com o olhar perdido no horizonte tempo suficiente para eu interpretar que ainda estava processando toda aquela informação, certeza que perguntei cedo demais...  Ele continou: - Mas, sabe? Até que tem um sentido... Não sei... É muita coisa acontecendo pra um dia só...

Aproveitei a isca.

— Tá falando do beijo que você deu no Kagamine-kun?

Pude perceber o rosto dele um pouco mais avermelhado.

— É...

— Como foi pra você? - perguntei, com um sorriso jocoso no rosto, já esperando vê-lo realizado por finalmente ter beijado alguém por quem estava apaixonado.

— Sabe que não sei?

Hã?! Como assim?!

— Hã?! Como assim?! - repeti, agora em voz alta.

Ele coçou a nuca, claramente desconfortável.

— Ah, não sei. Na hora foi tudo tão rápido e fiquei tão nervoso que nem consegui prestar muita atenção na sensação do beijo em si.

Aquela conversa estava indo para a única parte da noite que eu não tocar: Kaito. Ele ter confessado tudo daquele jeito foi tudo menos um bom jeito de finalizar aquela história. Se eu já estava triste depois de acompanhar toda a paixão dele pelo Kaito por fora, imagina como ele estava se sentindo?

Eu o abracei. Não consegui me conter. Ele devia estar se sentindo triste, sozinho, mal amado. Eu sei muito bem como é essa sensação. Ninguém merece isso.

— L-Luka... - ele retribuiu o abraço, provavelmente fechando os olhos também.

Quando finalmente a Meiko, o loirinho e eu chegamos à praia, não demorou muito para avistarmos Kamui-kun e Megurine-san. Afinal, eles deviam ser o único casal que estava abraçado naquele calor. Ele estava com uma cara tão triste, coitado... Parecia que ele tinha sido esmagado em uma batalha contra sua própria falta de sorte, tendo ainda de fingir pra si mesmo, que tinha saído vitorioso.

Meiko me puxou com tudo.

— Agora é A chance de você falar com ele sóbrio - ela sussurrava não muito discretamente no meu ouvido. E já me empurrava.

— Tá bom! Tá bom! - retruquei - Tô indo.

Junto de mim, quem tomou a frente do grupo para falar com Kamui-kun foi o Kagamine, aquele loiro que ele beijou durante o Jogo do Rei. Pelo que a Meiko me falou que eu falei, a situação devia estar caótica pra esse menino também. Coitado, ser beijado assim por um homem de surpresa. E se ele fosse hétero? Coitado...

— Kagamine-kun - chamei - posso falar com você sobre um negócio?

Ele virou-se para mim. Os olhos inchados deixavam claras para mim as lágrimas que ele deve ter derramado no dia seguinte... Por que será? Ai meu deus! Será que aquele foi o primeiro beijo dele? Tinha ajudá-lo, agora não tinha mais qualquer dúvida.

— O que foi, Kimura-san?

— Bem... - não tinha pensado direito no que ia dizer - Como você está quanto à ontem à noite?

— Bem - ele sorriu forçado - aquela confusão não foi nada não... Eu só fui pego de surpresa - vendo meu olhar de dúvida, ele completou: - e minha irmã também exagera bastante...

— Sei, sei... - não sabia se tinha deixado clara a minha voz irônica pra mostrar o quão fraca estava aquela desculpa...

Decidi ser franco, não tinha nada a perder mesmo...

— Foi seu primeiro beijo, não foi?

Ele não disse nada. Não olhou mais pra mim. Fixou um ponto na areia e, de cabeça baixa, continuou assim até chegarmos no Kamui-kun e na Megurine-san.

Agora minha mente processava a situação delicada daquele menino. Podia ver eu mesmo há uns anos atrás, não com a mesma falta de sorte, mas com aquele olhar desamparado e confuso de alguém ainda inseguro consigo mesmo.

Eu queria poder ter perguntado mais e acalentado aquele menino, mas o caminho até o casal era curto e já tinha acabado.

E o plano da Meiko tinha de continuar sua execução...

— E aí, gente? - disse, sem jeito.

O casal me olhou como se eu fosse o anticristo.

— E o resto do pessoal? - perguntou Megurine-san - Vieram só vocês dois?

Alguma coisa no olhar dela insinuava um significado oculto por trás daquelas palavras. E o beijo não poderia ser, porque mais escancarado que aquilo só a doidera da Hatsune-san...

— É que eu tenho - comecei a f-

— Queria falar a sós com o Kamui-kun - O Kimura-san me cortou.

O quêêê?! E essa agora, o amigo da Meiko queria falar com o Kamui-kun também?! Meu deus por isso que ele veio comigo!! Será que aconteceu alguma outra coisa ontem à noite por causa do beijo?! Será que por isso que ele ficou me perguntando sobre o beijo?! Mais uma confusão da resolver?!...

Kamui-kun parecia completamente perdido e desamparado. Com certeza, alguma outra coisa tinha acontecido naquela noite. Algo que envolvia o Kamui-kun e o Kimura-kun... Ai, mais problemas?! Por que, viu?! Eu não podia resolver isso logo de uma vez?!

— Muito bem, muito bem - Megurine-san era a única que permanecia calma naquela situação, sua voz transmitia aquele mantra de "tudo vai acabar bem"... Era até meio acalentador... - Já que os dois querem falar com o Kamui-kun, vai um de cada vez conversar com ele enquanto eu fico aqui de boas com o outro, aí troca... Afinal o assunto entre vocês é particular, não?

Kamui-kun parecia tão surpreso com a solução quanto nós. Aquela era mesmo a Luka?

— Se decidam logo, antes que os outros cheguem e vocês percam a oportunidade de falar em particular - ela exibia um sorriso que parecia assustador. Naquele momento eu entendi o porquê de Kamui-kun sempre obedecê-la.

Olhei para o Kimura-san - porque obviamente o Kamui-kun não tinha qualquer poder de decisão naquela situação - e ele parecia estar tão atônito quanto eu... Mas mesmo assim, ele conseguiu falar primeiro:

— Que tal tirarmos no Jokenpo?

Não acreditei no que ouvi. Numa situação séria daquelas, ele queria tirar no Jokenpo?!

— Anda, antes que todo mundo chegue...

— Ok...

Tive que concordar pra resolver logo aquilo. Kamui-kun ainda estava calado e Megurine-san parece ter aprovado a ideia. Todo mundo parecia ter ficado doido que nem a Rin...

— JO-KEN-PO!!! - gritamos nós dois.

— Ganhei! - exclamou Kimura-san - Pedra esmaga tesoura!

Todo mundo estava sorrindo e o clima de tensão parecia ter se dissipado. Claro que todos pareciam meio deslocados, mas tenho que admitir que a Luka teve um raciocínio de gênio!

— Agora a gente tem de conversar! - exclamou ele, me puxando para longe dos outros dois.

O que será que ele ia falar comigo? Será que pediria desculpas por ontem à noite? Não, isso era certeza. Afinal ele se jogou pra cima de mim e me beijou no susto. A questão é se teria algo mais além das desculpas. Dá até medo de ouvir se tiver.

Combinando com o ritmo da última noite, o tempo voou e já estávamos a uma zona segura, por assim dizer, dos ouvidos da Luka e do loirinho. Ele parou bem na minha frente. Não sabia pra onde olhar, parecendo um lunático ao virar os olhos cada hora pra um canto. Não sei se era só uma impressão pelo desconforto, mas ele parecia estar muito perto de mim. Ele estava muito perto de mim.

— Bem... - começou ele, com um toque de confusão bem parecido com o que se passava pela minha cabeça - Olha, eu vou falar tudo de uma vez pra não acabar me enrolando, ok?

— Tá... - Não é como se existisse outra resposta que eu pudesse dar.

— Eu não vou pedir desculpas por ontem à noite, tá bom? - e lá se foi minha única certeza - Apesar de estar bêbado, o que eu disse foi sincero. Eu realmente quero te conhecer melhor. Sem neura, sem briga, sem amor platônico. Só nos dois e o verão... Que tal?

Eu estava sem palavras. Aquilo era... Aquilo era... Tão... Diferente de tudo que já me aconteceu nesse aspecto romântico da vida. Por um segundo, eu me permiti imaginar a situação. Era tão confortável a ideia. Parecia algo tão tranquilo... Não sabia como reagir.

— Maaas, - continuou ele, como se tivesse deixado essa pausa de propósito pra eu pensar na situação - não pode ser as escondidas.

— Hã?! Como assim?!

— Eu sei que é impensável obrigar alguém a sair do armário - ele realmente parecia ter ficado meio sentido com o que dizia - mas se você não contar nem pros seus amigos você vai acabar se sufocando... E vai por mim, fica insustentável...

De novo. A conversa estava indo por um caminho tranquilo, mas do nada... Pum! Tudo ficou sério de novo.

Por um segundo, eu fiquei triste. Por outro segundo, fiquei bravo por ele querer me obrigar a contar pra todo mundo. Agora mesmo que eu não sabia o que dizer. Simplesmente mexia os olhos sem parar para tentar escapar daquela conversa.

— Vamos voltar pra você conversar com o Kagamine-kun agora - disse ele, com uma simplicidade que me espantou - você tem até amanhã pra me responder. Já dei muito murro em ponta de faca pelos outros, então dessa vez eu não vou quebrar a cara.

O Kimura-san tinha ficado tão sério... Agora não me surpreendia mais daquele garoto trabalhar com a Meiko-san no teatro. Foram tantas emoções em tão pouco tempo que eu já estava exausto...

— Sua vez, Kagamine-kun! - gritou ele, disfarçando o tom sério que a conversa teve agora pouco.

Ainda tinha mais...

Quando Len veio, eu já não sei se estava preparado para qualquer outra surpresa...

Há! Há! Há! Eles se achavam espertos... Achavam que iam conseguir se divertir à custa da Megurine-san. Mas não! Não com Miku Hatsune no caso! Iria destruir qualquer possibilidade de vitória deles.

— Mas agora, como eu faço isso?...

— Como você faz o que?

Ahhh! Quem era aquela pessoa que lia meus pensamentos?! Meu deus, tinha um alien entre nós, certeza! Como alguém poderia escutar uma voz saindo de minha cabeça?!

Virei-me lentamente, com medo de ver uma criatura cheia de tentáculos verdes, prestes a me atacar.

— E então, Hatsune-san, o que você não sabe como fazer? - era a Meiko... Mas pera, ela não tinha acabado de ir à praia?



Notas finais do capítulo

E aí gente?? Feliz dia das mães!!!!!

Mais uma quinzena e mais um capítulo de Daisuki chegou no Nyah! E aí, o que estão achando? Aceitariam a proposta do Kimura-san? O que será que Len falou para o Gakupo? E, o mais importante: Como Meiko começou o capítulo na praia e terminou ele na Blue Star, assustando a Miku??

Perguntas, perguntas, perguntas... Daqui duas semanas descobriremos uma resposta ;)

Mas, tenho de dizer, depois deste capítulo entendo perfeitamente a necessidade de uma ou um continuista nas novelas/séries/animes porque olha... Quando se tem vários personagens fazendo várias coisas e sentindo várias coisas, fica difícil não se embananar kkkk O "teleporte" da Meiko surgiu assim (bem por um erro meu @.@') nesse capítulo, mas agora já virou piada (ou suspense) para o próximo capítulo (será que do nada esse autor dos infernos vari transformar a fic em uma ficção científica?? Só falta... kkk)

Brincadeiras a parte, muito obrigado por lerem e comentarem... Fico muito feliz em ver os acessos de Daisuki subindo quase que todo o dia (já passaram de 4 mil @.@'!) e pelo fato de vocês estarem gostando bastante da história a ponto de continuar lendo ^^

Até a próxima quinzena o/

PS: Eu sei que jokenpo é na verdade "jankenpo", mas a gente fala tanto com "jo" no Brasil que resolvi deixar assim mesmo kkk

PSS: Achei essa imagem tão legal que não tinha como não colocá-la no capítulo xD Mesmo tendo uns personagens aí que nem aparecem nele kkkk



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