Daisuki escrita por AC3


Capítulo 23
Primeira Impressão


Notas iniciais do capítulo

A primeira voltinha na praia @.@




– Acordem todos! – gritavam em meus ouvidos como gentis bateres de frigideiras. Por que acordar tão cedo? Ainda eram oito da manhã, checara alguns minutos antes. Não estávamos de férias?

– Deixa de ser preguiçoso, Kamui-kun. Vamos! – podia reconhecer a voz do tampinha por entre as cobertas.

– Kagamine-kun, deixa eu te ensinar... – aquela voz era da...

Quando notei, estava no chão, aos pés de minha namorada. Minhas cobertas e meu colchão haviam desaparecido misteriosamente. Só restava uma forte dor na cabeça.

– É assim que se acorda ele. – continuou ela, ou melhor, elas, tinham duas Lukas na minha frente... Ou seriam três?

– Incrível, Megurine-san, nunca tinha visto alguém aplicar um golpe desses em alguém dormindo.

– Você fez algum tipo de luta? – perguntou a mãe de Miku.

– Não.

Levantei-me lentamente, ainda bambo por causa do tombo repentino. Uma mão surgiu para servir-me apoio. Só depois de estar em pé, percebi que era Len-kun. Em um movimento rápido e, receio eu, nada sutil, tirei a minha mão da dele e fui pegar meu colchão que, por sinal, estava do outro lado do quarto.

– Calma, Kamui-kun – disse, surpreendendo-me, a mãe da Miku – o dia está apenas no começo.

Arrumava minha cama imaginando qual era o significado daquilo. Se é que tinha algum significado, parecia-me, às vezes, que a mãe da menina era mais cabeça de vento que ela.

Num único pulo, meu olhar passou da mãe de cabelos verdes para a cama onde eu jogara, não, arremessara Kaito-kun depois que ele perdera a aposta ontem. Bem longe do Len, de mim, da Luka. No quarto, onde reinavam as beliches, conseguia ver, mesmo que deitado, o azulado e o tampinha, ambos em cantos opostos para que nenhum avanço acontecesse sem meu consentimento. Nos segundos andares, estavam Kagamine-san, Miku, Luka e aquele tal de Mikoto. Por falar nisso, cadê ele?

– GentEE!!!! – berrou Meiko, de fora do quarto – café da manhã!

Pareceu show de vocaloid. Todos, não um dois. TODOS correram para a cozinha, sorrindo com o roncar dos estômagos sofrendo. Só agora que eu lembrara que tivemos vácuo como jantar na noite anterior.

Fui com os outros, sentando-me numa mesa meio velha, meio muito velha. De madeira toda lascada que incitava farpas. Meiko jogou uma toalha recheada de morangos para nos proteger e logo se saiu o café.

Não era nenhum banquete dos deuses, não se engane. O clássico pão com manteiga e café instantâneo puro. Quem comandava a frigideira era o tal do Kimura-kun. Com nossa anfitriã sendo garçonete.

Foram poucas as vezes que vi comida desaparecer tão rápido da minha fronte.

Aquela estava sendo nossa primeira ida à praia juntos. Não levamos guarda-sol, nem levamos biquínis, só andávamos com as águas batendo calidamente em nossos pés. Estávamos ainda nas preliminares para um bom banho de mar.

Bem, a prestigiosa mãe da Miku já tinha se acomodado numa tanga e já iniciava seu tostar por um bom bronzeado. Não que não fosse bom, eu não me importava muito para com aquilo...

– Megurine-san, volta! – estalou Kagamine-san.

– O quê?

– Só porque estamos na praia, não quer dizer que já deve começar a se aprofundar em sua própria consciência desse jeito! Avisa da próxima vez!

– Desculpe, desculpe.

Ela me contara ontem que tinha alguns planos para pôr em prática e precisava da minha ajuda. O problema é que ela nunca me dizia. Sempre aparecia alguém suspeito na atividade secreta.

– Deixa a Megurine em paz, Kagamine-san! É tempo de relaxar antes das Loucuras do Verão – sim, isso era em letra maiúscula.

Eu e a Rin nos fitamos como duas pessoas normais que concordam em entregam um transeunte ao hospício. Estávamos prestes a agarrá-la para o sedativo quando ela continuou:

– Nunca tiveram desejos sombrios e diferentes para se fazer no verão?

Eu e a Kagamine nos entreolhamos confusas. O que será que a Miku estaria aprontando? Senti um arrepio na nuca.

Deixemo-nos o negócio da Miku de lado, porque aquilo prometia MUITO ainda para o resto do verão. O objeto de minha atenção no momento era meu destemido irmão a caminhar na praia lado a lado com Shion-kun naquele cenário maravilhoso.

E, por sorte ou não, Gakupo estava conversando com Mikoto, então não iria atrapalhar.

Reprimia a mim mesma por não ter pegado meu celular. Quantas fotos lindas aquele momento não daria? Os dois estão andando conversando... daqui a pouco poderiam estar nus na areia branca! Tudo bem, serei realista: eles ainda ficariam de shorts.

– Kagamine-san?

Virei-me, de súbito vendo Meiko do meu lado, como se sempre estivesse estado ali.

– Si-sim? – terá ela visto meu olhar obsessivo pelo casal?

– É lindo não é? – começou ela. – Dá para ficar horas fitando a praia... Eu fiquei meio assim quando eu cheguei também.

Suspirei internamente. Se a Meiko desconfiasse, tudo iria por água baixo, tal qual descarga. A animosidade do Kaito-kun pela vinda a praia era óbvia de problemas. Quanto mais longe eu jogasse ela para longe do meu casal, melhor ficaria.

Percebi que ela continuava fitando para o meu casal mesmo depois de eu ter desviado o olhar. Não, não. Ela se mantinha além, talvez fosse coisa de artista, quem sabe? A Megurine-san foi a única a trazê-la novamente para o mundo, conversando sobre trivialidades.

Éramos nós dois os últimos da fila. As conversas pareciam fluir nos outros grupos como água de rio. No nosso, parecia o mar morto. Ele nem sequer queria me fitar, o mar a frente era toda a sua dúvida, sua expressão era um cadeado. Não sei se alguém poderia conter tal chave.

Não sabia nem o que dizer depois que a Meiko rumou para as garotas à frente. Mesmo com ela aqui, o que estava agora do meu lado mal soltava sons audíveis. Que ele era mal-encarnado era óbvio. O valentão do grupo.

Difícil acreditar que ele namorava aquela garota. Megurine era o nome dela, certo? Ela ria naquele momento em tanto contraste com a carranca contida dele que eu senti um arrepio. Por que eu estou aqui, afinal de contas?

– Calor, né? – murmurei. Ambos estávamos findados a continuar nessa digressão até decidirem voltar para a Blue Star, melhor encará-la com barulho do que com silêncio.

Seu olhar era claro. Também, quem estaria com vontade de conversar com o intruso do grupo? Teria de me esforçar. Caso um dia ele resolvesse ter um ataque de raiva era melhor ser o amigo protegido do que o que seria espancado.

– Qual o seu nome mesmo?

– Gakupo Kamui – era seco... e ácido.

Como continuar? A abordagem sobre o tempo fora inútil, qualquer outra no mesmo timbre teria efeito parecido. O que nos ligava mesmo? Meiko. Sim, a Meiko-san era a única via positiva nessa conversa.

– Como conheceu a Meiko-san?

Um suspiro. Incomodado, evidentemente. Ver aquela boca se abrir foi comparativo a um milagre. Contando com o fato de que ele fora o único que não dirigira a palavra para mim até então.

– Ela era veterana quando entramos no colegial. Tão louca do jeito que era, e com certeza ainda é, decidiu escolher três bixos, como se fossem protegidos seus, logo no primeiro dia. Eu já conhecia o de cabelo azul – ele me apontava. – Kaito. Como estávamos juntos ela nos pegou numa armadilha. E nos apresentou a minha namorada.

Não sei o que mais me estranhava. A abertura que conseguira subitamente naquele rosto fechado ou o fato de que fora Meiko-san que fundara todo aquele grupo ali na praia. Era incrivelmente fascinante a vivência humana!

– Deve ter sido divertido – comentei, como forma de manter o ritmo da conversa, ou seja, mantê-la presente.

– Talvez, talvez... Ela era muito louca...

– Ainda é.

Pela primeira vez, ele me fitou de fato. Espantado com minha resposta, devo ter incutido nele uma espécie de droga: ele começou a rir. Não como formalidade ou desencargo de consciência, ele realmente riu. Como pessoas felizes riem!

– Como é no teatro? Deve atanazar pra caramba o pessoal.

Percebi, então, a relação sobre a Meiko. Ele, o Kamui-kun, não devia ser dos “melhores amigos” com ela. Sacaneando-a poderia ganhar seu apoio, entretanto, uma armadilha poderia estar sendo instalada.

– Relaxa, só estou brincando. É divertido deixar a mente extravasar um pouco, não acha?

Não seria eu que iria discordar.



Notas finais do capítulo

Meus queridos leitores, sinto muitíssimo por fazê-los esperar tanto tempo. Eu estava produzindo este capítulo há um tempo atrás (um tempo significante @.@) e perdi mais da metade do que escrevi. Isso me desanimou e acabei deixando de lado. Agora que voltei, não prometo escrever rapidamente os capítulos, mas tentarei (de verdade) postá-los pelo menos uma ou duas vezes por mês. (o tempo sempre fica apertado T-T)
O que acharam do primeiro passeio? A Meiko brisando, o Gakupo nervoso e a Miku falando em loucuras (relaxem, isso aparecerá no futuro kkk). Espero que tenham gostado...
Muito obrigado por lerem e acompanharem essa história. Foi minha primeira produção no Nyah e é muito especial para mim... Ja nee! :D



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