Daisuki escrita por AC3


Capítulo 17
Kamui-sensei


Notas iniciais do capítulo

Quem não gostaria de umas aulas com nosso querido vocaloid samurai?




– Tá certo, Kamui-kun? - o loiro estendeu um papel para mim.

Sim, o fedelho estava na minha casa! Eu o ensinava matemática a pedido de Kaito. Só não recusara porque sabia que brigaríamos novamente.

– Não está errado. – respondi, depois de uma análise rápida. – Desde quando três vezes quinze é setenta e cinco? Você tem que prestar mais atenção ao que faz, se for muito rápido você faz erros bobos como este.

Além disso, estávamos só nós dois. Shion-kun e Kagamine-san tinham saído para não atrapalhá-lo. Escrevi um novo exercício que tirei de um livro ao meu lado. Entreguei-o a ele, dizendo:

– Tente fazer esse sem errar dessa vez.

Ele se mantinha focado, tentava fazer o exercício com todas as forças. Não acertara uma única vez desde que começamos a exercitar a matemática, apesar de entender o básico, ele não consegui aplicar. E, quando conseguia, errava alguma coisa básica, como fizera da última vez.

– Aqui, Kamui-kun. – disse ele, estendendo o papel. – Desta vez estou confiante! – ele estava estranhamente animado apesar de, provavelmente, ter errado novamente.

– Você errou o sinal aqui, Kagamine.

– Droga!

Mesmo assim, era divertido vê-lo se esforçar tanto ser perder o ânimo. Não parecia tão nervoso, talvez porque tivesse plena confiança de que eu o ajudaria. No começo, tive até vontade de ensiná-lo errado, para prejudica-lo, mas, depois de ver aquele rosto sorridente, confiante em mim, não consegui mais pensar nisso.

– Tem como você me explicar de novo, Kamui-kun? – aqueles olhinhos eram inegáveis

O Gakupo poderia enganar meu irmão e o Shion-kun, mas não me enrolava não. Fiquei de olho nos dois enquanto estudavam. Logo que o Kaito me levou até a minha casa, dei meia volta e entrei novamente na casa deles.

Jamais que eu iria deixar meu irmão com o possível usurpador do amor dele. Os dois estudavam normalmente. Pelo menos o de cabelo roxo não tentara enganar meu pobre e indefeso irmão.

Fiquei encolhida na cozinha o tempo todo. Nenhum deles me notara. A única coisa que escutei o dia inteiro foi matemática, matemática, matemática! Era tão entediante, por sorte eu não tinha dormido ali mesmo.

Sai de meu estado de letargia quando alguém entrou no recinto. Não sabia quem era – a cozinha não era um bom ponto de observação.

– Oi, Megurine-san! – disse meu irmão.

– Foque-se. – retrucou Gakupo.

A batata daquele cara estava assando! O meu Len só dissera um “oi” para magnífica Luka, coisa que ele, o namorado dela – que, hipoteticamente a estava traindo com o Shio-kun. – não fez!

– Hora, Kagamine-san? Você por aqui?

– Psiu! – disse. – Estou escondida.

Nem percebi que Luka entrara na cozinha. Ainda mais que me notou, mesmo eu estando agachada perto da pia. Ela sentou-se ao meu lado e sussurrou:

– O que estamos espionando?

– Meu irmão, não posso deixa-lo sozinho com aquele traste. – respondi, sem medir minhas palavras.

A pessoa ao meu lado ficou espantosamente em silêncio.

– Vamos lá fora? – disse, finalmente. – Podemos sair pelos fundos.

Eu não era louca de contrariar minha ídolo, ainda mais me um momento como aquele. Será que eu a deixara brava? Ou talvez ela quisesse que eu falasse tudo que eu sei? Mas ai eu iria estragar o relacionamento dela. Isso eu não queria! Não mesmo!

Só depois de estarmos do lado de fora e termos nos afastados alguns metros da casa, ela falou:

– Então você acha que o Gakupo é um traste? – perguntou, com uma voz bem calma até.

– Desculpa, Megurine-san! Eu não queria dizer isso, eu só...

– Não precisa se esclarecer. – retrucou ela compreensiva. – Eu também o acho um traste às vezes. – ela riu um pouco antes de continuar. – Mas, o que isso tem haver com seu irmão?

E agora? Eu estava em uma encruzilhada! Como me safaria daquela? Qual seria a mentira da vez? Se bem que a última vez só deu em confusão... Pensei bem, afinal a Luka-san era minha melhor amiga depois da Miku. E eu só não contara para a Hatsune porque ela é muito fofoqueira, mas, tinha alguma coisa que me impedia de contar para a Megurine-san?

A Rin nem fazia ideia de que eu estava seguindo ela! Finalmente ela parecia desatenta aos meus passos, para eu poder ver melhor o que realmente aconteceu no restaurante. Por mais que dissesse que não pensaria mais no assunto. Tinha que pelo menos saber o porquê dela querer esconder isso de mim.

Naquele momento, ela estava andando e conversando com a Megurine-san. Tinham acabado de sair da casa do Kaito e do Gakupo. Infelizmente, não conseguia ouvir muita coisa. Elas estavam sussurrando.

– Jura? – disse Luka espantada.

– É, eu sei que é meio inacreditável, mas ele se sentia assim mesmo.

– E quando você descobriu?

Nossa distância aumentou por um momento, quando me aproximei novamente, percebi que perdera alguma parte importante da conversa.

– Mas acho que ele fez certo. – dizia Megurine-san. – Afinal, se ele não se declarasse, nunca saberia a resposta.

Declaração?! Então esse “ele” se declara para alguém a pouco tempo! Quem seria? Talvez o Len ou até mesmo o Kaito. Bem, só ouvindo mais para descobrir.

– Mas, agora as coisas estão complicadas.

– Por quê?

– É que o Gakupo... – droga! Não conseguia ouvir mais! Tive de me esconder num canto para não me perceberem enquanto viravam a esquina!

– Não se preocupe comigo, Kagamine-san. Minha relação com o Gakupo é bem complicada, e o que você falou dele não é novidade para mim.

– Desculpa, Megurine-san! Não queria estragar seu namoro!

– Mas não estragou, querida... Ei, onde você arrumou essa capa de detetive?

Ai a conversa perdeu-se em coisas triviais. Parei de segui-las para rever o que coletara: o Kaito ou o Len fizeram uma declaração para alguém e o Gakupo estava impedindo isso de uma forma secreta, pois, se a Luka descobrisse, poderia estragar o namoro deles.

Era óbvio! O Kamui-kun estava traindo a Luka!

– Len? – disse, depois que ele chegara em casa. – Como foi a aula?

Estávamos no quarto dele. Meu irmão lia um livro de matemática na cama, enquanto eu entrava no recinto.

– Boa, acho. O Kamui-kun está me ajudando muito! Eu ainda erro a maioria dos exercícios, mas, de acordo com ele, não devo desistir!

Sorri a resposta dele e sentei-me ao seu lado. Era bom mesmo aquela berinjela ensinar meu irmão direito! Senão iria se ver comigo!

– Eu tenho que te contar uma coisa.

– O que? – perguntou, retirando a atenção do livro pela primeira vez.

– Eu contei tudo para a Megurine-san.

– Como?! Por que você fez isso?! Não era um segredo?!

– Calma, calma... Ela já estava suspeitando e começou a me interrogar – não poderia dizer que o estava espionando. – então eu achei melhor contar tudo de uma vez.

– Mas, e se ela contar para o... ?!

– Olha aqui, Len! Ela jurou que não contaria para ninguém, nem mesmo para o namorado dela! E tanto eu como você conhecemos a Megurine-san. Nunca a vi quebrar uma promessa!

Ele se calou e voltou para o livro.

– Tem razão...

Levantei-me da cama e saí dali. Talvez devesse tê-lo consultado primeiro...

– Ei, Rin.

– Sim?

– Pelo menos agora temos mais alguém para falar sobre isso né?

– Aham.

Sai do quarto com a imagem do Len sorrindo. Era bom dividir com alguém aquele segredo. Sabia que eu, Luka e Len teríamos ótimas conversas sobre aquilo. Talvez ela até pudesse dar umas “dicas de sedução” para ele!

A semana passou extremamente rápida. Todos os dias ele fora lá em casa e eu fizera o possível para ensiná-lo toda a matéria de matemática que ele precisava saber. No dia anterior ele estava nervoso. Parecia ter perdido aquela coragem que perdurava com ele desde o começo.

– E se eu não conseguir, Kamui-kun? – dizia ele.

– Nem diga uma coisa dessas! Sei muito bem que você é capaz de gabaritar essa prova de olhos fechados. Agora, vamos trabalhar! Ninguém tira cem por cento se lamentando antes mesmo de ter algo para se lamentar!

O dia tão esperado chegara e o tampinha me pedira para busca-lo na saída, com o intuído de informar o resultado. Há um tempo atrás, eu teria negado sem pensar, só que agora, aceitei receoso. De que adiantaria ficar emburrado com ele?

Com esse pensamento, acompanhei Shion-kun para acompanha-lo na saída da escola. Ficamos esperando por uns dez minutos. Todos os alunos já tinham saído, inclusive a Miku e a irmã dele.

O lugar já estava vazio quando ele chegou. O loirinho veio correndo em minha direção, segurando um papel com uma das mãos. Assim que chegou, me abraçou com toda a força dizendo:

– Muito obrigado, Kamui-kun! Foi noventa e cinco por cento de acerto!

Até que o garoto tinha mandado bem. Não esperava que ele fosse tirar uma nota tão alta.

– Nossa, Kagamine-kun, mas... como?

– Não sei. Acho que os incentivos do Kamui-kun me ajudaram bastante, né?

Ele sorria para mim, de uma forma completamente diferente. Parecia ter mais brilho, mais vivacidade, mais fofura... ou talvez eu só devesse estar encarando a situação de forma diferente.

– Vamos?

Todos seguimos para longe da saída da escola. As férias finalmente haviam chegado e todos falavam o que planejam fazer. Eu, por outro lado, ficara em silêncio. O tampinha conseguira apesar de todas as expectativas contra ele...

No momento, não reparei, mas um leve rubor subia as minhas bochechas.



Notas finais do capítulo

Esse capítulo foi finalmente escrito T.T!!! A ideia do professor era antiga e depois de tanto tempo está publicada!!! Sobre fazer a Luka saber de tudo, bem, veio na hora e achei que ficaria bom. Espero que tenham gostado!!!
(PS: convido todos vocês para ler minha nova fic de vocaloid: Pussycat! Essa, diferente de Daisuki, é um lemon. Não sou muito de fazer propagandas mas queria que vocês dessem uma olhada. Ai vai o link:http://fanfiction.com.br/historia/325248/Pussycat)
Até a próxima!!!