A Hospedeira - Coração Deserto escrita por Laís, Rain


Capítulo 20
Percepções




I cried and I cried
There were nights
That I died for you baby
I tried and I tried to deny
That your love drove me crazy
Baby
If the love that I got for you is gone
If the river I've cried ain't that long
Then I'm wrong, yeah I'm wrong
This ain't a love song

(This ain't a love song - Bon Jovi)

 

POV - Estrela

Eu ainda me lembro de que o primeiro sentimento que tive ao me assentar neste planeta foi o vazio.

Na verdade, esse é o tipo de coisa que mesmo que uma Alma viva por décadas no mesmo hospedeiro, jamais esquece. A primeira coisa que te afoga quando você está consciente o bastante para ser capaz de notar que já consegue sentir alguma coisa, que você agora é o seu hospedeiro. Algumas Almas dizem que seus corpos não os receberam com nenhum sentimento negativo – ao contrario, um leve e feliz, a doce ignorância de que sua mente está sendo submissa. Foi assim comigo nos Ursos. Eu não senti nada quando meus olhos se abriram para o meu planeta, pois meu hospedeiro não sabia o que havia acontecido. Simplesmente não fazia ideia de que eu o estava suprimindo. A primeira nuance de algo parecido com alegria e intensidade, veio apenas depois de quando eu comecei minhas esculturas no gelo.

Eu estava acostumada com isso. Para mim, era algo inteiramente normal. É claro, até eu resolver que queria vir para Terra. E então, eu finamente senti o meu primeiro e mais sincero sentimento – e, ao contrário do que eu havia ouvido falar, não fora algo primordial nem revigorante. Fora a dor. A dor do nada.

E eu, sinceramente, não entendi aquela dor no começo. O que poderia explicar a pulsação dolorosa no meu peito? Nada, a não ser que alguém estivesse espremendo meu coração com mãos de aço. Era o que eu pensava, a coisa mais provável. Mas como tudo neste planeta, para isso também existia um porquê que eu não pensava ser razoável. Não, ninguém estava de fato esmagando o meu coração. Ninguém estava realmente fatiando-o, me dando a impressão de que ele estava sendo aniquilado pouco a pouco. O que simplesmente me faltava era um amor designado a outro alguém, que era recebido por apenas uma pessoa – pessoa esta que eu sabia que não estava mais presente antes mesmo de eu ter consciência de que havia acordado. Assim, o vazio em meu peito tornou-se claro, porque não havia mais razão desse amor estar lá se aquela pessoa também não estava para receber o que era inteiramente dela.

Foi ali, olhando diretamente nos olhos celestes e intensos que eu finalmente percebi tudo isso. Eu, que achava que sabia exatamente o porquê de estar me encaminhando de volta para a minha casa, de volta para meus humanos, na verdade, não compreendia antes o porquê daquela dor. Não compreendia, de fato, como uma simples distância poderia me deixar impotente para continuar longe por muito tempo. Não até eu olhar aqueles olhos cansados e desfocados pela primeira vez. Até eu ouvir a voz que eu sabia ser dele antes mesmo de tê-lo visto.

As emoções que esmagaram meu coração naquele momento foram tantas que eu mal conseguia respirar.

— Ian?! – Melanie deixou escapar um arfar de surpresa enquanto eu permanecia imóvel. – O que você... O que você faz aqui?

— Eu... Eu... Bom, eu meio que... Recebi uma... Coisa que me fez mudar de ideia – disse ele simplesmente. Meus olhos fixados no seu rosto perceberam que ele não olhara para mim diretamente desde que chegara aqui.

— Provavelmente essa coisa atingiu você com tanta força que rasgou seu rosto no impacto com sua cabeça dura – murmurou Melanie, enxugando as lágrimas discretamente, enquanto lançava um olhar observador e especulativo a Ian.

Eu realmente não sabia do que ela falava. Talvez porque eu estivesse muito ocupada tentando conseguir respirar enquanto não desgrudava os olhos dele para prestar muita atenção em detalhes.

— Ah—ah... Oh, isso... Deve estar feio mesmo. Eu tive algumas complicações. Depois falo disso com você, Mel. Eu vim aqui conversar com outra pessoa – lançou ele.

Nesse momento, eu encontrei meus pulmões e eles voltaram a trabalhar – rápido demais. Minha respiração voltou num rompante, se prendendo na minha garganta e saindo como um soluço – soluço esse que saiu tão alto que atraiu todos os olhares do lugar para mim.

— Estrela? Você está bem? – ouvi Mel perguntar. Mas, bem, no momento soou aos meus ouvidos como um zumbido abafado. Porque agora eu estava encarando outra pessoa. E tentando por alguns segundos ver se aquela era mesmo a pessoa que eu achava que era.

Os olhos dele estavam cansados, as pupilas ligeiramente dilatadas. Olheiras fundas marcavam o contorno dos seus olhos, e ele parecia um pouco mais pálido do que eu me lembrava. Sua postura confiante e destemida sumira – como se, junto com Peregrina, toda a sua a força também tivesse ido embora. Se um brilho consciente e doloroso não tivesse transpassado seu olhar quando eu o encarei, eu juraria que sua mente poderia estar tão mal quanto sua aparência.

— Estrela...? – Ian moveu os lábios hesitantemente. Um arrepio percorreu meu corpo quando ele disse meu nome.

— Ian – solucei. Apenas quando minha boca se abriu e algumas gotas salgadas a molharam, que eu percebi que estava chorando.

Por segundos, tudo o que pudemos fazer foi nos olhar. Ele com a expressão indecifrável. Eu, provavelmente, numa mistura de júbilo com um medo atormentador.

— Eu vou deixar vocês conversarem sozinhos – murmurou Mel, quebrando o silêncio e se levantando – Tenho que ir trabalhar na colheita dos melões-cantapulo.

Ela andou até Ian, parando por um instante para voltar o olhar para mim, depois murmurar algo no ouvido dele. Ian hesitou por um momento, depois assentiu rapidamente. Melanie deu um meio sorriso para mim e se foi. E então nós dois ficamos sozinhos.

Ian se aproximou depois de um minuto de conflito interno. Eu tentava com todas as minhas forças desviar o meu olhar daquele rosto que era o mesmo que coloria os meus sonhos e devaneios há meses, mas eu não conseguia. Tinha finalmente encontrado a coisa que preenchia este corpo que agora era meu, e todo o meu ser me dizia que seria suicídio ignorá-lo naquele momento. Mas a máscara de dor que tomava a expressão de seu rosto à medida que ele se aproximava era mais do que eu podia suportar.

Seu olhar olhou bem dentro do meu, e eu soube naquele instante que mesmo que ninguém o tivesse avisado de que Peregrina não estava mais neste corpo, ele descobriria no primeiro instante em que olhasse para mim. Era óbvio que tudo que agora era eu não podia ser confundido com o que foi Peg, mesmo nós duas sendo da mesma espécie. Os olhos tomados de sofrimento dele diziam isso, berrando visivelmente que aquela que estava na frente deles não era nem de longe o que esperavam ver.

Esse conhecimento fez meu coração vacilar, o que eu sabia que era estúpido. Nem por um segundo eu tinha pensado que Ian olharia para mim da mesma forma que ele olhava para Peg — mas era impossível que eu, a ridícula Alma que fora conduzida a amar humanos que provavelmente a desprezariam, não ficasse profundamente triste.

De repente, antes que eu percebesse, o seu rosto mudou. Passou de uma tela de dor para uma expressão... Neutra. Cansada. Calma. Quase... Resignada.

— Oi, Estrela — disse ele, a voz inflexível.

Eu engasguei.

Não com o efeito que sua a voz dirigida a mim causou no meu estômago. Ian estava ali na minha frente, falando comigo de livre vontade, realmente esperando que eu respondesse algo. Talvez até estivesse pensando que eu estava calada por simplesmente não ter o que dizer, ou porque não quisesse falar com ele. Mas eu queria responder. Queria desesperadamente. Dizer todas as milhares de coisas que eu havia pensado ou até mesmo dito em voz alta para o nada tantas vezes atrás.

Formulei todas essas frases na minha cabeça, mas eu simplesmente não conseguia verbalizá-las. Ainda assim, eu me esforçaria para dizê-las. Todas elas. Afinal, eu não atravessara o deserto para nada.

— Você... não parece nada bem.

Claro, eu ia dizer tudo! Logo depois de dizer a coisa mais estúpida que passasse pela minha cabeça!

— É isso que acontece quando a gente é tão cabeça dura que certas ideias têm que ser metidas nela à força! – disse ele, com o tom brincalhão que usava quando a tensão era demais pra ele.

Eu não tinha a menor ideia do que ele falava, estava me referido a seus olhos fundos e tristes, dos quais eu não tinha podido me desviar desde que ele entrou, e não sabia a que ideias ele se referia.

— Me desculpe por não ter vindo antes. O seu amigo teve que me convencer.

Eu cheguei a abrir minha boca para dizer que ele não precisava se desculpar por nada, nunca, mas então processei o resto da frase. O meu amigo só podia ser... Logan. Eles tinham estado juntos? O que tinha acontecido?

Reparei pela primeira vez nas roupas de Ian. Elas estavam imundas e cheias de sangue. Muito sangue. Seu lábio estava cortado e havia um hematoma ficando mais visível a cada segundo em um dos lados de seu queixo, mas nada disso explicava tanto sangue. Pelo menos eu achava que não. Eu nunca tinha visto sangue humano antes, a não ser em minha lembrança da noite em que Peg levou os tiros. A noite em que Logan e Ian se viram pela primeira vez e estiveram tão próximos de se matar. A noite pela qual Ian devia culpá-lo até o fim de seus dias.

Oh!

— Ele está... Ele está vivo? – perguntei com o que restava de minha voz, antes que tudo o mais parasse para que o mundo à minha volta pudesse girar. De início devagar, depois cada vez mais rápido.

Ian se sobressaltou, provavelmente não pelas minhas palavras, que ele pareceu não registrar, mas porque eu devia estar absolutamente pálida, caso isso fosse possível com meu rosto queimado pelo sol.

— Você está bem? O bebê está bem?

O sol. O calor intenso e os calafrios de febre se alternando em meu corpo impotente. Meu precioso bebê sofrendo dentro de mim. Lembrei-me de que foi Logan quem me salvou, quem garantiu que eu chegasse viva até aqui. Lembro-me também que, em meu delírio, eu o chamei de Ian. A última coisa que eu disse, a última coisa que eu fiz, foi chama-lo pelo nome de outra pessoa.

Quando percebeu que meu corpo mal podia mais se sustentar sentado, Ian veio até mim, tentando me amparar. Eu ansiei desesperadamente por seu toque por meses, mas agora eu não o queria. Eu queria aquelas mãos longe de mim, mãos sujas de sangue. Sangue prateado?

— Você o matou? – perguntei, em meio a um sentimento completamente novo, que eu ainda não era capaz de identificar. – Logan. Você o matou?

— Estrela, por favor se acalme. Eu vou chamar o Doc...

— EU NÃO PRECISO DELE! –gritei. – Eu preciso saber se você... Eu preciso saber se você o matou!

Eu me lembrava o quanto Ian podia ser violento. E desconfiava que Logan podia ser muito mais. Nada bom podia ter saído desse encontro

— Não! – disse ele, segurando firme meu rosto e olhando-me nos olhos —Olhe pra mim! Eu. Não. O. Matei.

Meu alívio foi audível e, estando à deriva, permiti-me por alguns segundos me ancorar em seus olhos. Senti-me calma e senti também uma onda de amor percorrer meu corpo. Então lembrei-me de Logan. E senti vergonha. Vergonha por estar me derretendo nas mãos sujas com seu sangue. Subitamente, senti outra coisa, um sentimento que eu nunca me achei capaz de sentir, e desta vez eu pude nomeá-lo: eu estava com raiva de Ian.

Parecia impossível para este corpo tal sentimento, mas eu não era este corpo. Eu era outro ser e não podia ser eternamente escrava das emoções e sentimentos de outra, dos desmandos de um corpo cheio de um amor e de um desejo que não eram para mim. Curioso era que eu descobrisse aquilo justamente na presença perturbadora de Ian. Até alguns minutos atrás, eu não conseguia nem pensar com ele por perto. E agora isso.

— O que você fez com ele? – disse eu, sem saber como reagir perante meu novo entendimento das coisas.

— Nada. Bom, quer dizer, ele está tão machucado quanto eu, mas é só. Um corte no supercílio sangra muito. Acho que foi por isso que você se assustou, não é?

Balancei a cabeça histericamente, olhando com pavor para sua camisa ensanguentada. Ian não se intimidou com minha repulsa e decidiu, como era de seu feitio, combatê-la.

— Também não precisa agir como se eu fosse um humano selvagem atacando uma simples Alminha indefesa. Quer dizer, eu sei o horror que vocês têm pela violência e tudo, mas o seu namorado não é exatamente indefeso. Aliás, de todas as Almas, você tinha que escolher justo alguém que não se parece em nada com uma!

Não pude conter um sorriso. De fato, Logan não se parece mesmo com uma Alma comum. Não há nada de comum em meu...

— Logan não é meu namorado – disse, me censurando por fazer tanta questão de que Ian soubesse disso.

— Tanto faz que nome você dá para o que ele é pra você, mas ele não está aqui por uma amiga. E suas reações quando pensou que ele estivesse em perigo também não são de uma.

Será que eu queria falar sobre isso com Ian? Não. Definitivamente, não.

— Ele machucou você – eu disse, desviando um pouco o assunto. – Sinto muito.

E sentia mesmo. Com raiva ou não, eu não conseguia me livrar do desejo de querer abraçá-lo e cuidar dele.

— Não importa. Seu namoradinho metido a ninja apanhou mais do que bateu. Ele disse que tinha prometido a você que não me machucaria. – Ian pensou um pouco sobre isso e dobrou o canto da boca, aquele canto que não estava machucado, num meio sorriso perturbadoramente tímido e sem graça. – É verdade?

— Sim.

— Por quê?

— Porque esse tempo todo, com todas estas lembranças, todos os desejos deste corpo, eu achei que te amava.

Ian me olhou confuso. Não era um olhar de dor ou de repulsa ou de pena. Também não era um olhar de lisonja ou carinho. Era simplesmente o olhar de alguém que não entendia

— Mas Peg não está aí com você. Como isso é possível?

— Eu não sei. Meu palpite é que o amor dela por você, por todos vocês, é tão grande que moldou os fundamentos deste corpo e desta mente. Acho que, gradativamente, ela não só se transformou em humana, mas transformou esta humana hospedeira nela própria, Peregrina.

— É um jeito lindo de entender as coisas. Acho que você está certa. E eu gostaria que você soubesse que sou muito grato por trazê-la de volta. Mesmo sendo, provavelmente, tão difícil e confuso pra você.

— Obrigada. É muito importante pra mim que você diga isso. É doloroso também, mas é bom mesmo assim. É muito confuso amar você, Ian. Porque eu te amo – confessei, prendendo meu coração dentro do peito para que ele não saísse pela boca. – Mas eu amo Logan também. E, ao mesmo tempo, não consigo chegar perto dele com este corpo.

Sim, pelo jeito, eu queria falar sobre aquilo com Ian.

— Bem, não posso negar que isso é um alívio. Me desculpe, eu sei que pra você é terrível, mas... Seria uma tortura pra mim se isso fosse diferente.

Ele parou por um minuto, parecendo achar que não soava apropriado falar sobre o ciúme que sentia de Peg no meu corpo. Um corpo que, ao menos neste momento, era meu, teoricamente para ser usado como eu bem entendesse. Isto é, se eu fosse um pouco menos escrava de seus desejos. Acho que ele pensou nisso também, porque quando continuou a falar, parecia estar continuando meu pensamento.

— Peg passou por algo assim com Jared e eu. Você se lembra?

— Sim, mas as lembranças dessa época não são tão claras neste corpo. Esta hospedeira se lembra principalmente de você. E, bem, tem também o fato de eu carregar um filho seu.

Um sorriso luminoso abriu caminho por seus lábios e, subitamente, a escuridão de seus olhos se desfez.

— Eu sei que não é... digamos... apropriado, mas eu posso tocar você? Posso sentir meu filho, só um pouco?

Eu queria dizer que sim. Mil vezes sim! Toque-me o quanto quiser. Mas eu também queria dizer que não. Eu não conseguiria pensar em mais nada se você o fizesse. Mas isso não tinha a ver comigo ou com o que eu queria. Tinha a ver com o direito intrínseco de um filho ser amado por seu pai. Tinha a ver com John.

— Você pode – eu disse, movendo um pouco minha camiseta para cima para que nossas peles pudessem entrar em contato.

Ele pareceu embevecido de felicidade. E eu, bom, digamos que meu mundo fez sentido e não fez sentido nenhum ao mesmo tempo. Foi só por uns segundos, porque quando Ian percebeu que eu me arrepiei ao seu toque, ele se afastou constrangido. E eu quis cavar um buraco bem grande e me enfiar dentro dele.

— John é um nome bonito – ele disse, claramente tentando restabelecer o equilíbrio tênue em que nos encontrávamos antes. – É simples e forte, como Peg gostaria. Por que você o escolheu?

— Porque é seu nome – expliquei. – Logan me deu um dicionário e eu descobri que Ian é o mesmo nome num idioma chamado gaélico.

— Interessante – ele disse, enquanto me consumia com seus olhos azuis, e esse sim me pareceu um olhar de lisonja. — É bonito que você tenha querido me homenagear, mesmo que hoje eu não esteja realmente merecendo, pela maneira que me comportei com você.

— Está tudo bem. Eu nunca esperei que fosse ser fácil pra você.

— Obrigado. Você é muito... Eu não sei o que dizer. Acho que posso dizer que, diante das circunstâncias, você é a melhor coisa que podia ter acontecido pra nós.

Era impressionante como Ian sempre sabia que palavras usar. Eu me lembro de que Peg tinha a sensação paradoxal de que ele passava horas pensando nas coisas lindas que dizia ou fazia de improviso.

— E se fosse menina? – ele perguntou quando não respondi. Foi bom, porque eu não sabia mesmo o que dizer sem cair em prantos logo depois. E já tinha havido lágrimas o suficiente.

— Lindsay. Logan escolheu. Era alguém importante para o hospedeiro dele. Uma amiga de infância. Alguém que ele perdeu. Foi aí que eu percebi que ele também amava este bebê.

— E o que faremos, então, nós quatro?

— Aconteça o que acontecer, eu vou devolver Peg a vocês. Eu sei que Logan está com o tanque, mas ele vai devolvê-lo se souber que é a minha vontade. Se souber que eu vou voltar.

— É claro que vai! Neste exato momento, Estrela, depois de te conhecer, eu faria qualquer coisa para que você pudesse voltar pra nós. Tenho certeza de que é o que Peg gostaria, mas não só por isso, e sim porque você está disposta a tudo por nós, pra proteger este lugar. Acho que isso torna estas cavernas também o seu lar, não é?

Ele sempre dizia a coisa certa. Sempre.

— Acho que sim. Eu quero ficar.

— Bom, devo dizer que isso foi muito mais fácil com você do que com Peg!

Rimos juntos, mas a lembrança não era alegre. A teimosia de Peg quase tinha custado sua vida quando ela trouxe Mel de volta. E a minha teimosia a traria de volta agora. Mas havia algo que me incomodava.

— O que foi? – perguntou Ian, quando meu sorriso se extinguiu de súbito.

— Logan. O que vai acontecer com ele?

— Jeb propôs a ele ficar aqui.

Um arquejo de surpresa misturada com alegria me invadiu.

— E o que ele respondeu?

— Ele disse que não ia deixar você ir a parte alguma sem ele.

Eu sorri.

— Isso é bem Logan.

— Parece. E é bem Jeb colocar tudo em discussão em um tribunal.

A lembrança de que nossos destinos estariam nas mãos dos outros humanos, e que não importaria tanto o que Ian, Melanie ou até Jeb tivessem a dizer se eles nos odiassem, me inquietou.

— Você acha que vão nos aceitar aqui? O que acha que vão decidir nesse tribunal?

— Não posso garantir, mas estou achando que não vai fazer muita diferença para o seu Buscador. Pelo jeito, ele só faz o que quer.

— Sim – disse eu. – É disso que eu tenho medo

— Não precisa. Uma Alma cabeça-dura está em casa aqui, você não acha?

— Acho que sim – respondi.

E sorri quando a esperança começou a nascer dentro de mim.



Notas finais do capítulo

Finalmente o capítulo, amorecos! Desculpem a demora de zilhões de anos, mas é que com esse último feriadão não deu mesmo. Mas aí está, e esperamos que tenham gostado!
Aaah, e nossos agradecimentos para Thiago Tavares e Iara Black, que deixaram nossas duas novas recomendações. Esse capítulo está dedicado a vocês!
Logo, logo, tem outro capítulo! Deixem reviews!