Reticências De Uma Semideusa escrita por Bruna Jackson


Capítulo 8
E Então a Ficha Caiu


Notas iniciais do capítulo

queridos leitores, desculpem a demora, mil vezes desculpem. tive um bloqueio criativo imenso e fiquei o maior tempão sem saber o que escrever. não preciso dizer que odeio isso, né? enfim, aproveitei hoje que estava inspirada pra escrever e fiz tudo hoje, desculpem se ficou meio curto o capítulo :/ espero que gostem.
Ah, leiam as notas finais ;)



Sonhos de semideuses raramente são apenas sonhos. Mas eu sinceramente acreditava que este era. Assim que adormeci, os sonhos vieram, em uma mistura hilária de personagens que nada tinham a ver um com o outro, como o Pikachu, Frankenstein, ursinho Pooh, a turma da Mônica e o Chapolin Colorado. Mas o Chapolin me intrigou. Por que ele? Certo, eu adorava assistir a esse desenho quando pequena, mas só isso. E ele apareceu nos meus sonhos durante uma noite inteira, quase oito horas seguidas. Tudo o que eu sonhara, inclusive o ursinho Pooh, tinha algo a ver com ele. As iniciais, o coração, o martelo biônico, alguma coisa, qualquer coisa. Mas essa investigação teria que esperar. A bênção de Atena me deixava extremamente curiosa, querendo explorar cada possibilidade de simples fatos aleatórios, como por exemplo, o Chapolin. Mas me controlei. Peguei uma camiseta do acampamento e um short jeans escuro, o meu preferido. Peguei mais algumas coisas e me tranquei no banheiro para me preparar para minha primeira missão. Tomei um banho rápido. Por mais que eu tivesse acordado antes do sol nascer, ou melhor, antes de Apolo dar as caras, não poderia me dar ao luxo de demorar no banho. Acabou ficando quente, então troquei a calça que tinha separado no dia anterior por um short. Vesti a roupa que havia trazido. A camiseta simplesmente ficava perfeita. Comprida na medida certa, vestia perfeitamente bem sem marcar absolutamente nada, as mangas eram exatamente do jeito que eu amava: não tão curtas nem tão compridas, nem tão largas nem tão justas. Perfeitas. Mas não era hora de ficar analisando roupas. Mas aquele short ficava tão lindo com aquela camiseta... simplesmente casavam perfeitamente. Com a camiseta caindo cerca de dois centímetros acima do short...

- Pare! –ordenei a mim mesma. Não era hora de admirar roupas e muito menos analisar se as roupas casavam.

Quando desviei os olhos de minha camiseta, mirei um pouco mais acima e soltei um gemido de desespero. Meus cabelos. Estavam horríveis. Mais do que o normal. Ok, eu sempre acordava com uma “juba de leão”, mas aquilo estava realmente exagerado. Os fios estavam praticamente em pé, no sentido literal. Apontavam para todos os lados, algumas mechas cacheadas, outras extremamente lisas, outras amassadas e outras, ainda, enozadas, para variar. Respirei fundo, peguei uma escova de cabelo e tentei arrumar o desastre eterno. Quando percebi que não havia como amenizar a situação, fiz uma trança simples e saí do banheiro. Coloquei um par de tênis e pus-me a arrumar uma mochila para levar para a missão. Duas camisetas, um short... e se esfriar? Uma calça de moletom. Jaqueta. Coloquei minha escova de cabelo na mochila também, nunca se sabe quando ela será útil. Coloquei meu anel no dedo, minha pulseira no pulso, minhas pérolas e meu boné na mochila. Percy acabara de acordar, resmungou um bom dia e enfiou-se no banheiro. Revirei os olhos.

- Bom dia – respondi.

Eu estava agitada demais para ficar parada. Nervosa, acho que seria esse o termo certo. Deixei minha mochila ao lado do guarda roupas e pus-me a arrumar minha cama. Quando terminei, ainda não havia soado a concha que chamava os campistas para o café. Arrumei a cama de Percy e sua parte do guarda roupas, onde tinha roupas limpas amassadas, “dobradas” em forma de bolo e Zeus sabe o que mais ele tinha lá. Cheguei a cogitar a possibilidade de encontrar um ninho de ratos no meio das roupas, de tanta bagunça. Mas, graças aos deuses, não encontrei nada. Ouvi o click da fechadura do banheiro e logo depois, Percy voltou ao quarto. Só de toalha.

- PERSEUS JACKSON – gritei – O QUE, HADES, VOCÊ ESTÁ FAZENDO SÓ DE TOALHA? – eu podia sentir meu rosto queimando, estava mais que vermelho. – VOLTA JÁ PARA O BANHEIRO E VISTA-SE, VOCÊ NÃO ESTÁ MAIS SOZINHO E EU NÃO ESTOU ACOSTUMADA COM ISSO!

Ele ria demais da minha cara. Ele mal conseguia respirar, estava chorando de tanto rir. Empurrei-o para o banheiro antes que a droga da toalha caísse e deixei-o rindo lá dentro. Quando ele se acalmou, abriu a porta do banheiro, e eu já fui dizendo:

- Nem pense em sair daí de toalha novamente.

- Sra. Gênio, como eu vou sair do banheiro vestido se eu não trouxe roupa e você não deu tempo para eu pegar nem uma camiseta?

Mostrei a língua. Abri o guarda roupas e peguei uma camisa do acampamento e uma bermuda. Joguei para ele. Ele franziu as sobrancelhas.

- Não seria inteligente você me jogar uma...

Atirei uma cueca em sua direção. Ele pegou e voltou ao banheiro para vestir-se, com um sorrisinho. Bufei. Eu realmente não estava acostumada com isso. Fui até a pequena fonte que havia no fundo do quarto, esperando a droga da concha de caramujo soar, e vi que dentro havia algumas moedas. Afundei a mão na água salgada e peguei algumas para analisar melhor. Não eram moedas, eram dracmas de ouro. Recolhi algumas da fonte e coloquei na minha mochila. Nunca se sabe quando precisaremos do dinheiro dos deuses.

 Percy saiu do banheiro exatamente quando a concha soou e fomos ao refeitório. Sentei-me à mesa de Poseidon ao lado de meu irmão e recebemos nosso café da manhã. Acho que Quíron estava feliz, pois meu café da manhã fora melhor do que o de meu irmão. Eu havia recebido panquecas com mel, maçãs caramelizadas e um pequeno pedaço de bolo de chocolate. Ele recebera cereal colorido. Reprimi um sorriso quando ele ficou boquiaberto com minha refeição. Assim que terminei de comer, saí do refeitório e voltei ao chalé. Peguei minha mochila e dirigi-me ao Pinheiro de Thalia, ponto de encontro dos campistas que iriam sair em missão. Sentei-me no chão e recostei-me ao pinheiro, aproveitando o calor do sol e vendo as atividades do acampamento a toda. Campistas dirigiam-se às suas atividades normais, sátiros trotavam de um lado para o outro carregando armas e ajudando novos campistas a se situarem em seu novo lar. Era um dia normal no acampamento, exceto para os nove campistas que sairiam em missão. Pouco a pouco, os campistas chegavam, e reuniam-se para esperar Argos. Todos estavam sérios, ninguém dizia uma palavra sequer. Exceto Haley, que falava pelos cotovelos. Vi Charlie se distanciando das forjas, subindo a lareira e chegando até o grupo com uma jaqueta cinza manchada de óleo. Sentou-se ao meu lado e tentou puxar conversa:

- E então – disse ele – nervosa sim ou com certeza?

- Ha-ha. Engraçadinho você – respondi.

Ele esperou. Revirei os olhos.

- Com certeza – disse.

Ele riu. Não pude deixar de sorrir também. Eu podia conhecê-lo somente há um dia, mas eu já o considerava um grande amigo, como aqueles que a gente tem desde que nasceu.

- E você – disse – sim, com certeza ou é óbvio?

- Engraçadinha – respondeu – é óbvio.

- Você nunca saiu em uma missão antes? – perguntei

- Bem que eu gostaria, mas não. Essa é a primeira vez que saio do acampamento desde... bem, nunca saí do acampamento.

- Ah, que maravilha. Estou saindo em uma missão com um semideus inexperiente – ironizei.

Ele mostrou-me a língua.

Argos estava subindo a colina, seus milhares de olhos semicerrados pelo sol. Levantamo-nos e o seguimos em direção as vans do acampamento. Entramos todos em uma só e Argos deu a partida. O último banco estava um tanto apertado, levando em conta que todos queriam ficar no fundo. E isso significava que eu estava praticamente sentada no colo de Charlie. Ele agia normalmente, como se não fosse nada de mais. Mas eu estava mais vermelha que uma pimenta, totalmente sem graça. Mexia no meu anel sem parar, pensando no que havia acontecido na noite anterior – o desafio, todas as bênçãos – tudo.  Fiquei com dor de cabeça e afastei os pensamentos.

- E então, Stef? – Charlie perguntou.

- O que? – olhei para ele com cara de idiota. Eu me perdera nos pensamentos e não ouvira sua pergunta. Que clichê.

- Terra chamando Stefanie! Eu perguntei se você sabe que direção temos que seguir.

Eu não havia pensado nisso. Mas Atena havia me dado sua bênção para isso.

- Eu acho que Apolo não consegue ter visões sem o seu pergaminho, então não consegue saber quem roubou e onde está. Mas fugir de Apolo... deve ser complicado.

- Se esconder do sol deve ser quase impossível – concordou ele.

Nos entreolhamos. Vi estampado em seu rosto que ele chegou a mesma conclusão que eu. Devíamos começar procurando em um lugar onde o sol não alcançava.

Faríamos uma visita a Hades. 



Notas finais do capítulo

eu quero rewiews pfvr! só posto o próximo capítulo quando ganhar +5 rewiews. trato feito? u-u
beijos, leitores ;*