Reticências De Uma Semideusa escrita por Bruna Jackson


Capítulo 10
Primeira Parada


Notas iniciais do capítulo

acho que não demorei muito dessa vez... espero que gostem do capítulo :)) deixem rewiews, pra eu saber como estou me saindo??
boa leitura a todos :)



Finalmente nosso ônibus chegou. Nos despedimos dois seis meios-sangues que ficariam esperando e entramos. Sentamos no primeiro banco do ônibus, para o caso de precisarmos sair rapidamente. Como eu esperava, não consegui ficar quieta por muito tempo. Percorri o ônibus com os olhos e finalmente vi o mapa que indicava por onde o ônibus passava. Precisaríamos trocar duas vezes para chegar ao Central Park, contando com a sorte de nenhum monstro nos atacar no caminho. Voltei ao banco e sentei-me ao lado de Charlie, onde estava antes.

– Precisaremos trocar de ônibus duas vezes – informei – e a primeira troca deverá ser feita quando o motorista parar. Vou dormir, me acorde se algo der errado.

Dizendo isso, virei-me de lado e apoiei a cabeça contra o vidro. Adormeci em poucos instantes, mesmo com o sol irritante em meus olhos.

Eu estava no mundo inferior. Muitas almas vagavam em uma única direção, formando uma fila indiana. Adiante, Cérbero guardava a passagem. O palácio de Hades era visível a alguns quilômetros à frente. Eu estava segurando minha espada, com meus braços cortados e arranhados, a testa coberta de suor. Estava em transe. Queria matar tudo. Todos. Suor escorria pelo meu rosto, pelos meus braços, carregando sangue e parando em minha mão, deixando-a escorregadia e fazendo com que fosse complicado segurar a espada. Apertei o punho de Ômega, cerrei os dentes e estreitei os olhos. Era agora. Vi um lampejo de algo dourado logo a minha esquerda e virei-me para ver melhor. Era o pergaminho. Algo tocou meu ombro direito e levei um choque terrível. Desmaiei. E não conseguia levantar.

– Stef?

Eu acordei com a voz de Charlie me chamando. Estava com a cabeça apoiada em seu ombro, os pés encolhidos no banco e segurando sua mão com força. Sua outra mão estava em minha cintura, segurando-me como se me impedisse de fugir.

– Ah, desculpa. – me senti enrubescer.

Soltei sua mão e arrumei-me no banco, colocando os pés para baixo e saindo de seus braços. Notei que sua camisa estava molhada onde eu estava encostada e passei a mão na testa. Eu estava suando frio.

– Não precisa se desculpar. – disse ele – Eu que devo desculpas por ter te segurado enquanto dormia, mas parecia que você ia sair correndo e não tive outra escolha. E devo desculpas por ter te acordado, mas achei que gostaria de saber que aqui temos que trocar de ônibus.

Todos os passageiros estavam desembarcando. Não fomos atacados por nenhum monstro, estávamos indo bem. Peguei minha mochila e saí, seguida de perto por Charlie e Haley. Caminhamos até um posto de gasolina para pegar informações. Disse a Charlie que fosse perguntar sobre o ônibus em direção a New York enquanto eu e Haley íamos ao banheiro. Ele assentiu e eu quase saí correndo. Banheiros de postos de gasolina eram nojentos, mas não havia muita opção.

– Então, o soninho estava bom, Stef? – perguntou-me Haley assim que saí do banheiro.

Revirei os olhos.

- O sono estava péssimo se quer saber. Tive um sonho ruim, acordei suada e agarrada com um garoto que mal conheço.

Ela riu.

– Vai negar agora que gostou do abraço dele?

– Haley, acho melhor você usar o banheiro de uma vez por que temos que continuar a viagem. E outra: não posso te responder isso porque eu estava dormindo, não prestei atenção no abraço que por acaso só percebi que recebi quando acordei.

Ela deu uma risadinha e se trancou no banheiro.

– Vou te esperar ali fora, ok?

Peguei minha escova e passei no cabelo, desfazendo alguns nós. Amarrei-o e saí, com a mochila nas mãos. Coloquei a mochila nas costas e esperei alguns segundos até que Haley apareceu. Fomos até a loja de conveniências do posto, onde Charlie prestava muita atenção no que o sujeito do caixa dizia. A cena era engraçada. Charlie, um cara alto, cerca de 1,80m, musculoso e bronzeado (N.A.: que calor), estava debruçado no balcão olhando para um mapa, com as sobrancelhas juntas e franzidas, ouvindo atentamente o que um sujeito que parecia um bêbado dizia, apontando para um mapa. Conti um riso e caminhei pela lojinha, percebendo que estava com fome. Peguei uma garrafinha de suco, um pacote de salgadinho e um de bolachas recheadas e dirigi-me ao caixa. Charlie estava agradecendo ao senhor e pegando o mapa. Coloquei os produtos sobre o balcão e tirei a mochila das costas, resmungando um “bom dia” para o homem do caixa. Abri o zíper e comecei a procurar meu dinheiro. Onde Hades eu havia deixado?

– Aqui, deixa que eu pago. – disse Charlie.

Revirei os olhos.

– Não precisa, cavalheiro, eu pago – respondi.

– Sério, deixa que eu pago. Dessa vez, pelo menos – disse-me.

Revirei os olhos novamente.

– Deixa...

– Não adianta discutir, eu sou teimoso. Eu vou pagar e ponto final, ok? – Disse olhando nos meus olhos.

Encarei-o.

– Tudo bem – disse por fim, derrotada. – Hoje você paga.

Ele sorriu e observou minha expressão enquanto tirava o dinheiro do bolso e o entregava ao sujeito com cara de bêbado. Pegou o troco, agradeceu ao homem com um aceno de cabeça e pegou minhas coisas, saindo da loja. Segui-o. Haley estava a nossa espera.

– Eu não quero ficar de vela, ok? – disse-me.

Conti um palavrão e limitei-me a revirar os olhos.

– Haley, você não vai ficar de vela porque não estamos apaixonados – respondi.

Caminhamos em direção a qualquer lugar. Eu não conhecia a cidade, só sabia que tínhamos que trocar de ônibus ali.

– Então, temos que ir nessa direção – disse Charlie, quebrando o silêncio. – O ponto de ônibus fica exatamente aqui – mostrou no mapa o ponto que tinha um xis vermelho, como se fosse o tesouro – e estamos aqui – apontou para uma bolinha vermelha distante. – O senhor do posto disse que o caminho mais rápido até lá é esse – passou o dedo por um tracejado na folha – que tem dois pontos de táxi, um restaurante de comida italiana e um shopping center novo. Que nós vamos visitar.

– Não, nem pensar. Estamos em uma missão contra o relógio, se você não lembra. Não podemos nos dar ao luxo de ir a um shopping. – respondi.

– Nem um pouquinho? Não ficaremos muito tempo se você não quiser. – disse Charlie.

– Não, nem pensar. – disse.

– Aaaaaaaaaaaaaah Stef! Por favor! – pediu Haley.

– Isso aí. Stef, por favor! – pediu Charlie.

Os dois me encaravam com uma carinha de gato de botas. E eu não conseguia resistir. Charlie estava pedindo por favor bem baixinho, com uma vozinha doce. E quando olhei nos seus olhos castanhos, simplesmente cedi – era difícil resistir.

– Tudo bem – suspirei, derrotada – mas não vamos ficar por muito tempo. No máximo duas horas, ok?

Eles comemoraram. Charlie guardou minha compra na minha mochila e disse para eu segurar a fome. Iríamos comer no shopping. Haley e Charlie quase saíram correndo como criancinhas pela rua em direção ao shopping; eu estava no papel de mãe entediada. Quando avistamos o tal shopping, meus amigos estavam quase pulando de tanta felicidade. Acho que eles nunca foram a um. Atravessamos a avenida que nos separava do shopping e entramos. Era um estabelecimento novo, estava cheio de gente, mas era bem grande. Era quase meio-dia, e mais gente começou a chegar para almoçar. Eu e Charlie fomos ao Burger King, enquanto Haley foi procurar algum restaurante vegetariano. Eu estava louca por um hambúrguer; fazia séculos que eu não comia um. Escolhi um sanduíche que tinha cheddar e que vinha com refrigerante e batata frita e sentei-me. Charlie sentou-se ao meu lado e começamos a comer nossos lanches. Logo Haley chegou com um sanduíche que parecia bom, não aparentava ser vegetariano.

– Encontrei um sátiro, primo meu, que é dono de uma lanchonete – explicou – e só oferece comida vegetariana. Esse é um lanche novo, com hambúrguer de soja, que está vendendo muito...

Ela continuou falando sobre as vantagens da soja, mas voltei minha atenção para o meu lanche. Eu adorava cheddar e tinha uma quantidade considerável do queijo. Comi meu sanduíche com vontade, sabendo que faltavam apenas dois ônibus para encontrar meu tio nada amigável. E depois que isso acontecesse, bem, acho que ele não nos ofereceria um banquete de boas vindas. Assim que terminamos de comer, começamos a andar pela praça de alimentação, em direção as outras lojas.

– Esperem aqui, por favor – disse Charlie, quando estávamos quase alcançando a saída.

Paramos ali e o vimos voltar até o Burger King, onde pediu algo para o atendente. Logo ele estava voltando com três coroas nas mãos. Chegou até nós e entregou uma coroa para mim e outra para Haley.

– Eu não acredito – disse – Você não espera que eu saia pelo shopping usando isso, espera?

– Por que não? Essa coroa é tão legal... E além do mais, não seremos os únicos de coroa aqui – disse ele, e apontou para duas menininhas que deviam ter uns 7 anos de idade.

– Só que a diferença é que elas devem ter sete anos – respondi – e nós temos quinze. Pelo menos eu tenho.

– Eu tenho dezesseis – disse Charlie – e Haley...

– Vinte e dois – falou Haley.

– O que? Vinte e dois? Sério? Mas como? Não parece – disse

– Envelhecemos mais devagar que os humanos. Mas não tente mudar de assunto, nós vamos usar essa coroa – disse Haley.

Droga.

– Não, por favor, não façam isso comigo – pedi.

Vislumbrei algo um pouco a frente, e tive uma ideia.

– Venham aqui, por favor – disse.

Charlie e Haley seguiram-me até uma cabine fotográfica. Coloquei um dólar e entramos. Nos esprememos no banco de dois lugares, mas mesmo assim eu não consegui sentar no banco. Sentei no colo de Charlie. Colocamos nossas coroas e o primeiro flash disparou. Fizemos caretas, demos abraços, tiramos as coroas e tiramos uma foto onde Haley e Charlie me dava um beijo em cada bochecha. Amei essa. Saímos da cabine e pegamos as fotos. Colocamos na mochila e seguimos pelo shopping. Caminhamos até que Haley disse:

– Ah, gente! Por favor, podemos parar ali? Só um pouquinho?

Olhei para onde ela estava apontando e concordei na mesma hora. Charlie não teve reação diferente. Avançamos em direção ao buffet de sorvetes e nos servimos. Charlie pegou só napolitano. Eu peguei só flocos. Haley pegou só de chicletes. Estávamos caminhando pelo shopping com nossos sorvetes e roubando do pote uns dos outros quando Haley e Charlie olharam para frente e paralisaram. Olhei para a frente e vi o que os havia encantado. Era o playground do shopping. Os dois olharam para mim ao mesmo tempo, como se tivessem combinado. Sorri. Eu não podia impedir as duas crianças de se divertirem.

– Vamos – disse aos dois – precisamos de um pouco de diversão. Mas não vamos ficar muito tempo, ok?

Eles não ouviram, saíram correndo logo após eu dizer a primeira palavra. Pelo jeito ia ser uma longa tarde. Fui caminhando até o playground e vi o tamanho daquele espaço e a quantidade de brinquedos que tinha lá. Não ia ser uma longa tarde. Ia ser uma tarde daquelas. Iríamos passar bem mais do que apenas duas horas ali. Preparei minha carteira para começar a gastar e dirigi-me ao balcão onde deveria comprar o cartão de plástico. Não pude deixar de ficar encantada com tudo aquilo. Eu havia virado uma criancinha, e era hora de brincar.




Notas finais do capítulo

mereço rewiews?



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