Espírito Competitivo escrita por Nyuu D


Capítulo 1
único




Chegou o grande dia. Nami estava ansiosa diante do espelho, amarrando os longos cabelos de uma forma confortável para que não lhe atrapalhassem. Prendeu a franja com grampos. Os fios laranja ficaram apertados firmemente na parte de trás da cabeça, num coque minuciosamente calculado. As outras garotas faziam o mesmo, dependendo do tipo de cabelo que tinham; ou simplesmente ajeitavam seus shortinhos e camisetas porque ia começar a final da competição esportiva entre as três escolas do bairro.

Era o segundo ano de Nami como capitã do time feminino de seu colégio, e eles iam enfrentar mais uma vez a escola da região oeste. E Nami não pretendia perder dessa vez. Seu primeiro ano no ensino médio foi seu primeiro ano como capitã. No segundo não ia deixar nada errado acontecer. E as garotas estavam bem avisadas disso.

Assim como os garotos, que também seriam responsáveis pela vitória do lado masculino. Cada jogo acumulava vitórias para o colégio, e no final somavam-se as vitórias masculinas com as femininas para o resultado final. Zoro estava muito bem avisado que era bom os garotos ganharem tudo ou ele ia sofrer as consequências.

Nami deu o grito de guerra da escola, as meninas repetiram em seguida e ouviram os garotos fazendo o mesmo no vestiário masculino. Então saíram para começar com os jogos, que seriam sediados ali na escola da região sul, a deles.

A ruiva foi andando na frente e as outras garotas vinham atrás. Já podia ver logo à frente os capitães da região oeste: Nico Robin e Franky, os dois do terceiro ano. Eram enormes. Grandes demais para o colegial, mas tudo tinha explicação. Robin quando a viu acenou docemente, mas Nami apenas fechou a cara e virou-se para as garotas. – Vamos vencer. Ouviram? Vencer. Não aceito derrotas!

Houve um silvo de concordância e comemorações. Nami virou-se e viu Zoro indo cumprimentar os dois capitães, junto do seu estúpido rival, Sanji, que ficou saracoteando em volta de Robin.

Os jogos femininos começavam com o futebol; depois handebol, vôlei, badminton e revezamento com bastão, a competição final. Os meninos jogariam futebol, basquetebol, lacrosse, pólo aquático e o revezamento com bastão.

Algumas pessoas jogariam mais de uma vez, outras apenas em um dos esportes. Nami iria jogar em todos porque sim. Queria assumir a responsabilidade de tudo porque assim tinha mais chances de ganhar. As meninas não discordaram porque assim se perdessem a culpa não era apenas delas.

No jogo de futebol, Nami fez um gol, e duas outras colegas suas fizeram mais dois. Ao longo de toda a partida, houveram várias faltas e Nami só não foi expulsa porque o cartão vermelho do juiz sumiu misteriosamente. Entretanto, no final, o time da escola oeste havia fechado o jogo com quatro gols.

Quando o jogo terminou, Nami estava quase matando todo mundo, mas viu um pedaço da partida dos meninos. Luffy, do time da escola oeste, corria feito um maluco e dava muito trabalho para o outro grupo. Nami gritou palavras de incentivo e Sanji acabou por ficar mais empolgado com o jogo, arriscando-se a sair de sua posição de zagueiro e marcar um gol lindo, o único e que deu a vitória a eles.

O jogo de handebol terminou com a vitória do time de Nami, fazendo-a gritar de entusiasmo para as outras meninas que eles agora estavam na frente, com duas vitórias contra uma. O problema é que o jogo de basquete dos rapazes terminou com derrota para a equipe de Zoro porque ele e Sanji resolveram começar a brigar no meio da partida, atrapalhando todo o andamento do jogo e permitindo várias cestas adversárias. Luffy voava pela quadra com a bola e eles nem ligavam. Nami poderia matar os dois.

Houve um intervalo e Nami foi beber água e comer alguma coisa na cantina. Sentou-se sozinha porque não queria conversar com ninguém, mas Robin aproximou-se atrás de sua cadeira e sentou-se à sua frente sem ser convidada.

– Nami-chan, você leva essas coisas muito a sério.

– Eu levo, sim. Se ganharmos a escola vai ganhar computadores novos. Precisamos deles.

– Entendo – ela pegou uma fruta da bandeja e deu uma pequena mordida. Nami já estava comendo mais rápido para sair logo dali. Não podia amolecer na competição porque Robin estava sendo gentil. Isso era uma jogada, ela sabia. Não ia cair.

– Tem certeza que é só isso? – Robin perguntou, apoiando os cotovelos delicadamente na mesa para observar Nami com atenção.

– O que mais poderia ser? – A ruiva fez uma expressão de desconfiança.

– Não sei, a competição sempre te deixa em chamas.

Nami corou.

– Não importa, eu vou ganhar esses computadores. – Ela levantou tal como tufão e levou a bandeja para o lugar apropriado, para em seguida sair da cantina a passos duros.

O vôlei deu uma certa vantagem às alunas da escola oeste por causa de suas estaturas ridiculamente altas, mas as meninas da escola de Nami davam enterradas perfeitas. O vôlei era o jogo delas, mesmo. Nami era boa, mas ficava melhor como levantadora do que qualquer outra coisa. No final elas ganharam por uma pequena diferença, concedendo-lhes a terceira vitória.

Os meninos jogavam lacrosse. Alguns se machucaram, outros brigaram e Zoro e Sanji corriam feito dois desgraçados pela quadra para ver quem marcava mais pontos. No final, ganharam, mas não conseguiram decidir entre eles quem era o melhor.

– Estamos na frente, agora é continuar assim – Nami disse às meninas, todas entusiasmadas com o momento.

A seguir, o jogo de badminton foi feito em duplas e a escola oeste ganhou. Nami atirou a raquete na rede e ouviu uma bronca do juiz, mas ignorou, indo assistir o jogo de pólo aquático dos garotos.

Zoro e Sanji estavam jogando aquele também; como Nami, optaram por jogar todos. Sentou-se na arquibancada e viu enquanto os dois discutiam, um tentando afogar o outro como se isso fosse ajudar em alguma coisa no jogo. – PAREM DE BRIGAR E GANHEM ESSE JOGO, SEUS ESTÚPIDOS – berrou Nami logo ali, fazendo Sanji atentar-se à sua voz e começar a jogar a sério agora. Ele dizia que mostraria que era melhor que o marimo idiota e como merecia o amor de Nami e blablabla.

Já na desvantagem, o time sul acabou perdendo e as escolas ficaram com o placar empatado.

Na competição final, de revezamento com bastões, os meninos começaram. Era incrível a velocidade daquelas criaturas. Nami ficou surpresa com o fato de Zoro e Sanji trabalharem em equipe na corrida, por fim ganhando por uma pequena diferença. Ao final, houve um momento incrível em que Sanji correu e apertou Zoro nos braços num abraço fraternal de vitória. Nami sorriu, surpresa, e foi para sua posição, a última a receber o bastão.

Robin estava ali do outro lado. Olhou para ela, analisando as pernas compridas. Conhecia-as bem o suficiente. Sabia o tamanho da desvantagem porque ela dava passos mais longos, era como se tivesse mais do que duas pernas. A morena lhe sorriu e passou a mão pelos cabelos, jogando uns fiapinhos soltos para trás. Por que ela ficava tão calma? Se estivesse ansiosa com a competição também, Nami iria ficar ainda mais inflamada a ganhar aquela coisa.

A corrida começou e Nami foi incentivando as meninas aos gritos, vendo uma delas quase tropeçar, mas recuperar o equilíbrio.

Quando estava chegando sua vez, ela já foi estendendo a mão para pegar o bastão. Tomou-lhe nos dedos e começou a correr. Ouviu um baque atrás de si e, olhando brevemente por cima do ombro, viu Robin juntar o bastão do chão e começar a correr depois.

Nami não parou, mas se irritou na hora. Imediatamente. Passou da linha de chegada com vantagem folgada e as meninas correram para congratulá-la, felizes com a vitória. Ela deu um sorriso amarelo e esfregou o suor da testa, cansada.

Sanji correu em sua direção. Nami hesitou quando ele estendeu os braços, mas acabou cedendo porque estava com preguiça de brigar. Ele a abraçou e a parabenizou, dizendo o quanto ela era boa e incrível e outros elogios exagerados que a fizeram bufar e empurrá-lo com impaciência.

A cara feia de Nami acabou deixando todos um pouco confusos, já que ela queria tanto ganhar. Depois de todos tomarem banho e se arrumarem após o término do torneio, Nami saiu de fininho para não ter que ir na lanchonete comemorar a vitória. Não sentia vontade.

Saiu da escola e foi pegar o metrô; na estação, viu um grupo de garotas da escola oeste embarcando no trem. Esperou pelo próximo, parada na marcação da porta.

Enquanto ele não chegava, distraiu-se pensando na queda do bastão. Por favor. Robin tinha mãos hábeis demais para permitir uma coisa dessas. E duvidava que a outra garota fosse atrapalhada a esse ponto.

Bufou e cruzou os braços embaixo dos seios, revirando os olhos. Até sentir uma presença atrás de si. Virou a cabeça e deu de cara com Robin, olhando-a de cima.

– Parabéns, Nami-chan.

– Pelo quê?! – Ela virou-se bruscamente e apontou o dedo para a outra. – Você deixou o bastão cair de propósito! Me deixou vencer, assim eu não quero! Preferia levar uma coça que nem no ano passado. Que raiva, Robin, por que você fez isso?

– Hum... Não sei do que está falando, o bastão escorregou. Acontece.

– Não! Não com você. Você é perfeita, não ia deixar o bastão cair. Eu sei que fez de propósito e quero que saiba que isso não me deixou feliz, só me fez ficar mais irritada do que se tivesse perdido de forma justa. – Ela girou nos calcanhares quando ouviu o barulho do trem se aproximando da estação. Embarcou e Robin veio logo atrás. Estava cheio de gente e elas ficaram de pé, uma de frente para a outra.

A morena ficou em silêncio e Nami ficou encarando a janela do trem, como se houvesse algo muito interessante ali. Não queria ouvir nada. Robin havia magoado seus sentimentos dessa vez.

– Sua escola precisa dos computadores... A minha não precisava. Ganhamos no ano passado, eles ainda estão em ótimas condições. Eu só achei que seria mais justo vocês ganharem por causa do prêmio. Só isso. Desculpe se te ofendi.

Nami ouviu-a, mas não queria. Encarou-a de canto de olho e fez um bico de insatisfação. Era uma boa justificativa, até, mas para ela a competição havia sido marmelada. E isso era péssimo. Não podia deixar as meninas saberem disso, de jeito nenhum.

– Todo mundo ficaria bem decepcionado se soubesse disso.

– Mas você não vai contar para ninguém, vai?

– Hunf – fez ela. – Claro que não, elas iriam ficar arrasadas.

– Então estamos de acordo.

Nami assentiu e não disse mais nada. A viagem correu normalmente e elas desceram na estação seguinte, para pegar outro trem. Neste, Nami desceria depois de Robin.

– Ainda está brava comigo? – Robin perguntou após o tempo de silêncio.

– Não. Não muito.

Robin sorriu suavemente e passou a mão pelo cabelo ruivo da outra, em seguida ajeitando os fios da franja. Nami baixou a cabeça um instante, depois ergueu-a novamente, cheia de confiança, e pôs a mão na cintura.

– Nunca mais me deixe ganhar nada!

– Combinado.

A ruiva fez um gesto de concordância com a cabeça. Ouviu a voz feminina anunciar a estação em que paravam e Robin ajeitou a mochila lilás nas costas a fim de seguir caminho para fora do trem. Antes, ela olhou Nami com os braços cruzados encostada numa das barras de apoio e sorriu, curvando-se para beijar o topo dos cabelos dela.

– Até depois. – Ela foi saindo.

– Ei, Robin!

– Hum? – Respondeu, parada na porta do trem.

– Será que a Olvia-san fez aqueles melon pan gostosos?

Robin sorriu. – Acho que hoje fez.

O sinal avisando que a porta fecharia fez Nami alarmar-se, mas nada disse. Robin tombou de leve a cabeça, rendendo-se.

– Quer jantar lá em casa?

Nami abriu um largo sorriso e correu para fora do trem junto da morena, segundos antes da porta do trem se fechar. Esfregou a testa, mostrando-se aliviada por ter tido tempo de acompanhá-la. Então, pegou na mão de Robin e começou a apressar o passo para pegarem o último trem.

Embarcaram e seguraram-se nas barras de apoio.

– Acho que ganhei essa. – Nami sorriu.