Stepfather HIATUS escrita por Purplee


Capítulo 11
Disappointment ... In All Directions


Notas iniciais do capítulo

Boa Leitura...
(Disappointment ... In All Directions - Decepção... Em Todos Os Sentidos)




P.D.V Lola:

-Promete pra mim que não vai esquecer de imprimir? – perguntei receosa, entregando o pen-drive nas mãos de Mica, enquanto nos despedíamos. Ela rolou os olhos.

-Deve ser a décima vez que você me pergunta isso, e eu já disse que não vou esquecer! – protestou, arrancando o pen-drive da minha mão com força.

-Tem certeza né? – gritei, quando a vi caminhando pela calçada até o carro preto do pai dela.

-TÁ! – ela berrou, abrindo a porta. O senhor Front acenou pra mim lá de dentro e eu retribuí sorrindo fraco.

O carro arrancou e eu suspirei, fechando a porta e entrando na sala.

Justin estava sentado no sofá, assistindo um especial na MTV, enquanto minha mãe estava lá em cima a no quarto dela fazendo alguma coisa. Peguei o notebook sobre a mesa da cozinha e o levei até a sala, para devolver ao Justin.

Ele arqueou a sobrancelha ao me encarar, fitando-me de cima á baixo.

-Justin? – chamei seu nome, e ele sussurrou um “sim?”. – Seu computador. – falei, apontando o notebook em minhas mãos.

-Pode levar ele lá em cima pra mim? – perguntou, e eu assenti.

Minha vontade era jogar aquele negócio bem na cabeça daquele filho-da-mãe, mas mesmo assim fui até as escadas sem reclamar e subi até o terceiro andar. Bati duas vezes na porta do quarto, e ouvi minha mãe gritar um “Entra” lá de dentro. Abri e entrei.

Minha mãe estava ajoelhada no meio do tapete do quarto, arrumando algumas coisas dentro de quatro caixas grandes de papelão. Ergueu o olhar brevemente para mim e sorriu fraco, logo depois voltando a prestar atenção no que estava fazendo.

Levei o notebook até o armário de roupas e o coloquei ali novamente. Foi só então que eu reparei os cabides vazios. Arregalei os olhos, sentindo o coração disparar e corri para fuçar nas gavetas, buscando pelas suas roupas. Mas elas já não estavam ali.

-M-mãe... – gaguejei, mal conseguindo formular as palavras. – Mãe o que é isso?

-O que foi querida? – perguntou me olhando. Percebeu que eu estava falando sobre o armário vazio e ficou levemente pálida. Não me respondeu, apenas desviou o olhar para as caixas em sua frente.

Aproximei-me devagar, encarando o que ela arrumava dentro daquelas caixas e quase senti meu coração parar quando eu vi as suas coisas jogadas ali dentro.

Eram as roupas, os perfumes, as fotos... As coisas do meu pai. Desde que ele havia morrido minha mãe nunca havia mexido naquele armário. Estava tudo ali, exatamente como ele tinha deixado. E eu não conseguia acreditar no que estava vendo.

-Mas... São as coisas do papai! – falei, sentindo as lágrimas arderem nos olhos. – Mãe, o que você vai fazer com isso?

-Não é óbvio? – ela perguntou.

-Vai jogar isso fora? – perguntei, e senti meu coração paralisar no peito quando ela simplesmente assentiu. Levantou-se, caminhando até o criado-mudo que ficava do lado onde meu pai dormia e abriu a primeira gaveta, tirando tudo dali de dentro.

Enquanto ela jogava tudo dentro de uma caixa um papel com algo escrito caiu no chão, eu me abaixei e o peguei.

My sweet little girl (Minha doce garotinha)

Daddy loves you (Papai te ama)

Senti as lágrimas jorrarem, enquanto virava o papel. Tinha uma foto minha de quando eu era apenas um bebê com ele no jardim da nossa casa. Senti minha mãe tomar a foto das minhas mãos e jogar dentro da caixa também, se preparando para fechá-la.

-É minha! – protestei, tentando pegar de volta, mas ela segurou meu braço.

-Pára com isso, Lola! – disse irritada, me fuzilando com os olhos.

-Me dá a foto! É o meu pai! – pedi chorando.

-Seu pai morreu e mais cedo ou mais tarde você vai ter que aceitar isso! – ela disse, e eu pude ver seus olhos vermelhos, como se estivesse segurando o choro. – Essas coisas são entulhos, e só servem para me fazer chorar toda vez que eu abro o armário! Seu pai não vai mais precisar de nada disso, não vejo porque guardar!

-SÃO AS COISAS DELE! – gritei, tentando novamente pegar a foto, mas ela não deixou.

-PÁRE DE AGIR COMO UMA CRIANÇA! DE QUE VAI ADIANTAR FICAR GUARDANDO ESSAS COISAS? ELE NUNCA MAIS VAI VOLTAR! – gritou, e eu senti meu corpo enfraquecer aos poucos.

Porque era verdade.

Por mais que eu o amasse com todas as minhas forças, e chorasse todas as noites pensando nele, ele se foi há muito tempo, e nunca mais vai voltar.

Mas mesmo assim, ela não precisava jogar isso na minha cara.

-Mas... – ela me interrompeu.

-É ridículo você ainda agir assim! Supere isso! – bronqueou, enquanto enxugava o rosto coberto por lágrimas e pegava uma das caixas, logo depois caminhando até as escadas.

Não conseguia enxergar direito, mas mesmo assim abri cada uma das caixas que haviam sobrado, em busca daquela foto. Encontrei vários dos trabalhos de escola que eu havia feito para ele quando era pequena, e que ele guardou com todo o amor do mundo.

Já havia perdido as esperanças de encontrá-la, quando um papel amassado e com uma letra muito parecida com a do meu pai me chamou atenção bem no fundo da caixa. Peguei e encarei... Era a foto.

Me levantei, guardando no meu bolso da calça e caminhando rapidamente pra fora do quarto. Não queria ver aquilo. Não queria vê-la jogando fora tudo o que havia restado do meu pai.

Dei um beijo estalado na foto, sussurrando “te amo papai”, e depois a coloquei no meu mural em meu quarto, sentindo as lágrimas escorrerem descontroladamente pelo meu rosto.

xXx

-MICHAEL, ASSIM ELA VAI PEGAR UM RESFRIADO! – ouvi mamãe gritar da porta de casa, enquanto nos encarava com um olhar de reprovação.

-A mamãe está brava. – comentei, tentando evitar olhar para ela. Meu pai sorriu, assentindo.

-É... Acho que deixamos a mamãe zangada hoje! – disse sorrindo, pegando outro pacote de argila e abrindo, colocando em nossa frente. – Que escultura nós vamos fazer agora?

-Não sei... – falei bocejando. – A gente podia fazer o Bob. – falei, mostrando o meu coelhinho de pelúcia favorito.

-Sim, podemos... Mas acho que tem alguém com soninho aqui!  - falou sugestivamente.

-Eu não! – protestei, coçando os olhinhos novamente.

-JÁ SÃO OITO E MEIA! ELA TEM QUE JANTAR, MICHAEL! – minha mãe gritou novamente, e eu rolei os olhos.

-Acho melhor nós entrarmos, senão ela vem aqui buscar a gente! – papai disse fazendo uma carinha de assustado e eu ri.

-A mamãe é uma chata! – falei me levantando.

-A mamãe só está sendo ela mesma. – papai a defendeu. – Quer entregar o presente que fizemos pra ela? – falou, pegando a rosa de argila que havíamos feito á tarde. Assenti.

Papai guardou a argila e tudo o que havíamos sujado dentro de uma cesta e a colocou na garagem, depois pegou-me no colo e me levou para casa.

-Até que enfim! – minha mãe disse, assim que passamos pela porta da cozinha. – Pensei que ia ter que buscá-los!

-Mãe, olha o que eu e o papai fizemos! – falei, mostrando a flor.

-É linda meu amor. – disse sorrindo, enquanto colocava a mesa do jantar.

-É pra você! – sorri, tentando entregar pra ela.

-Sim, a mamãe adorou! Coloca ali em cima da mesa que depois eu pego.

[...]

-Boa noite pai! – disse sorrindo quando ele me deu um beijo na testa.

-Boa noite minha princesinha. – ele respondeu, acariciando minha bochecha devagar. – Já sabe o que eu vou dizer agora?

-Que você me ama. – falei convencida, e ele negou.

-Não. Faltou um pedaço. – pediu, e eu bufei.

-Que você me ama MUITO.- disse rindo.

-Sou tão previsível assim? – fez um biquinho, fingindo que estava chateado. Assenti, sorrindo.

-Você me diz isso todas as noites, pai.

-É por que eu quero que você nunca se esqueça.

-Eu não vou esquecer! – protestei.      

Como ele podia pensar que eu algum dia esqueceria?

-Tudo bem, pequena. – ele sorriu. – E você sabe também, que mesmo não estando presente fisicamente, eu vou estar sempre com você, né? – falou colocando a mão no meu coração. – Bem aqui.

-Sei pai! – rolei os olhos, porque ultimamente ele me dizia isso o tempo todo.

XxX

Na época eu não entendia, mas depois acabei descobrindo que aquelas coisas que ele me falava todas as noites antes de dormir, era porque ele havia acabado de descobrir o câncer terminal.

-Eu ainda não me esqueci, papai... – sussurrei, passando a ponta dos dedos pelo seu rosto na foto.

-Lola? – ouvi meu nome ser chamado, seguido por duas batidas na porta do meu quarto.

-Quem é? – perguntei, enxugando os olhos.

-É o Justin. – reconheci sua voz, e ele parecia estar nervoso.

-O que você quer? – perguntei estúpida, abrindo a porta. Ele encarava o chão, enquanto mexia o pé freneticamente e estalava os dedos, mas assim que subiu o olhar e viu que eu estava chorando franziu o cenho.

-O que é isso? Por que você está chorando? – perguntou confuso, entrando no quarto.

-Não é nada! – protestei. – Agora fala logo o que você quer.

-Não digo uma palavra até saber o que aconteceu. – impôs-se firme.

-Já disse que não é nada! – repeti irritada.

-E eu não sou idiota Lola! Você não é de chorar sem motivos.

-Quer saber o meu motivo? – perguntei, sentindo as lágrimas escorrerem com mais força.

-Quero! – pediu.

-É que eu estou cansada! – falei aumentando o tom de voz. – Estou cansada de você e da minha mãe me tratarem como uma criança estúpida! Estou cansada de ver vocês tomarem decisões por mim sem me consultar! CANSADA DE OUVIR VOCÊ GRITAR COMIGO, DIZENDO QUE EU SOU ERRADA E INFANTIL, E ME TRATAR COMO UMA FILHA!

-Mas... – ele ia dizer, e eu o interrompi.

-Nós dois sabemos que as coisas não são assim! Por mais que eu queira negar eu sinto alguma coisa muito forte por você Justin, e você não pode mentir, porque eu sei que sente isso por mim também! – disse, e ele arregalou os olhos.

-De onde você tirou isso?

-Não tirei de lugar nenhum! É a verdade! – gritei.

-Não, não é! – insistiu. – Lola, pelo amor de Deus! Você é uma criança, comparada á mim ainda nem saiu das fraldas!

-Mas... E o beijo...? – ele me interrompeu.

-Eu estava muito nervoso, irritado e perdido, nem sabia o que estava fazendo!

-Então... Você se arrependeu? – perguntei, sentindo meu coração bater desesperado pela resposta.

Justin ficou quieto, pensativo por um instante. Depois suspirou, assentindo. Chegou bem perto de mim, quase colando nossos corpos e sussurrou:

-Desde que eu te beijei, não há um minuto que tenha se passado sem que eu me arrependesse amargamente do que eu fiz.

-Mas...

-Eu amo a sua mãe, ela é a mulher da minha vida! – ele disse, alto e claro.

-SAI DAQUI! – berrei enquanto as lágrimas escapavam. – SAI DO MEU QUARTO!

Ele saiu, e eu tranquei a porta. Já não tinha mais forças nas pernas, e aos poucos fui caindo sentada no chão.



Notas finais do capítulo

Hey Lindas *-*
Aqui estou eu postando o capítulo pra vocês, e espero que tenham gostado!!
Se estão odiando a mãe da Lola, essa não era a minha intenção!
KK' Só queria que vocês entendessem como o pai dela era importante pra ela e vice-verça!!
Eu ainda não consegui responder todos os reviews do capítulo passado, mas prometo que vou responder até o fim dessa semana!
Não garanto se vou postar rápido porque as coisas estão apertando aqui na Faculdade e essa semana eu já começo um projeto enorme com uma ONG... Enfim, outra história!
Espero os meus reviews hein gatinhas!
Amo vocês *-*
By: Thá♥