Anjo da Música escrita por Valentinnes


Capítulo 14
Capítulo 14




(Chaerin's POV)


Eu e Kai oppa assistíamos a filme romântico quando inocentemente resolvi encostar a cabeça no ombro do mais velho, e além do mais ele havia me convidado para sair e estávamos assistindo um filme romântico, o que estava faltando era apenas atitude por parte de um de nós, e como o oppa se constrangia a cada vez que nossas mãos se esbarravam, assim como minhas bochechas não perdiam o tom rubro, resolvi ser bem sutil ao encostar minha cabeça em seu ombro, mas antes que conseguisse, fui bombardeada por pequeninos objetos. Franzi o cenho esperando passar, mas notando que Kai oppa também estava sendo atingido, levei minha mão aos meus cabelos que estavam soltos e peguei a um desses objetos no mesmo instante em que o ataque cessou. Trouxe uma daquelas bolinhas macias ao meu campo de visão e franzi o cenho quando identifiquei do que se tratava.

– Omo! Quem é o desocupado que está nos atirando pipoca? - sussurrei para o mais velho e olhei para trás, mas não havia ninguém nas poltronas atrás de nós.

– Seja quem for desistiu – retrucou o oppa dando de ombros e me esticou nosso pacote de pipoca com um gracioso sorriso em seus lábios perfeitos – Pegue – disse ele me arrancando um suspiro involuntário.

Abri um sorriso bobo me acomodando melhor na poltrona e coloquei minha mão dentro do pacote, mas antes que conseguisse pegar uma daquelas invenções dos deuses, escutei um ajusshi reclamar sobre algo não muito distante de nós. Eu daria a devia atenção se Kai oppa não tivesse se erguido de sua poltrona.

– O que está acontecendo aqui? – perguntou o mais velho em pé. Embora constrangida, me ergui ao lado do oppa tentando entender o motivo daquela confusão, e por mais que a iluminação da sala não fosse das melhores, não havia como não reconhecê-la.

– Unnie? Por que está aqui? Sehun? – perguntei perplexa, que raios aqueles dois estavam fazendo na mesma sala de cinema que eu e o Kai oppa, ainda por cima juntos? Sem dúvidas eu não esperava por aquilo.

Ainda mergulhada em meus pensamentos, vi Kai se mover em direção a Nuri e o acompanhei. Gentilmente ele ajudou a mais velha, mas ainda havia um ajusshi muito bravo e sujo com algo vermelho, provavelmente um tipo de molho, eu só não consegui ver a relação do molho com alimentos típicos que se encontram em cinemas.

– Vocês vão ver! – o homem disse batendo palmas e fazendo que alguns homens que também estavam de ternos se levantasse e se acumulassem ao seu lado. – Quero o meu dinheiro agora! – exigiu ele fazendo parte da história se iluminar em minha mente.

– Se acalme, senhor – Sehun pediu lançando alguns olhares para Kai, mas eu devia ser a única que não o via como um controlador de multidões, especialmente depois dele literalmente me atacar no elevador por causa de uma camisa que eu não devolveria tão cedo – Ele que é o cara com grana, é só pedir a ele – e apontou para o mais velho confirmando meus pensamentos.

Entortei os lábios confusa quando notei que Kai movia seus lábios pensativo. Aquilo lá era hora de falar sozinho? Pensei indignada, mas do nada ele se aquietou e lançou um último olhar para Sehun. Fiz um enorme bico quando Kai segurou ao pulso de Nuri e saiu a levando consigo, ele por acaso havia a convidado para sair? Mas antes que eu pudesse resmungar algo, senti uma mão agarrar ao meu pulso e me puxar pelo corredor. Primeiramente senti meu coração congelar, mas quando vi que se tratava do maknae, e sem qualquer tipo de opção, afinal, ele estava agarrado ao meu pulso, apenas corri para evitar uma queda. Ainda procurei minha unnie com os olhos, mas ela estava indo na direção oposta.

– Para onde estamos indo? - perguntei ao maknae assim que ele fez uma curta pausa para abrir uma porta dupla que barrava nosso caminho.

– Para qualquer lugar longe daqueles caras – respondeu ele voltando a agarrar meu pulso e voltou a correr, só que dessa vez por um longo corredor.

O chão daquele corredor que ia sendo iluminado conforme o atravessávamos, estava muito encerado, tanto que escorrei, só não cai porque Sehun me puxou antes que eu fosse de joelhos ao chão. Desesperado como o maknae estava, ele forçou a primeira porta que encontramos, mas ela estava trancada.

– Ali estão eles! - berrou um daqueles homens de ternos esquisitos saindo da sala de cinema.

– Vamos! - ordenou Sehun retomando sua corrida, mas dessa vez sem segurar ao meu pulso.

Mesmo sendo descobertos, o maknae forçou a segunda porta pela qual passamos e para a nossa sorte ela estava destrancada. Assim que entramos escutamos o barulho de explosões e notamos que as luzes piscavam em tons diferentes, um filme de ação, sem dúvidas. Perdida naquela escuridão, fiquei agradecida quando Sehun agarrou meu pulso de qualquer jeito e me guiou rapidamente para as escadas.

Quando a porta dupla foi aberta novamente, passávamos pelo sexta fileira e Sehun simplesmente se jogou no espaço que havia entre as poltronas me puxando para o chão com ele. Ele me pareceu bem ao cair no meio daquelas poltronas, mas desastrada e azarada como eu era, passei o joelho esquerdo na quina da escada, soltando imediatamente um grito de dor.

– Fique quieta – resmungou o maknae em um sussurro colocando seu indicador sobre meus lábios e fez sinal para que eu o acompanhasse – Vamos! - ordenou ele sério e começou a engatinhar em direção a outra escadaria.

Mesmo sentido uma dor terrível no joelho, comecei a acompanhá-lo, mas quando estávamos chegando ao fim do corredor, escutamos novamente aqueles seguranças exclamando um “Ali estão eles!”. Obviamente houve um murmúrio sobre todo aquele barulho que o homem e seu colega estavam fazendo, mas onde quer que a lanterninha estivesse, ela não parecia se importar muito com o tumultuo.

– Vamos! - disse Sehun se erguendo rapidamente e me puxou para cima com ele.

Se as pessoas já estavam reclamando por estarmos engatinhando sobre seus pés, quando nos levantamos o barulho se tornou maior ainda, mas apenas seguimos para a entrada da sala. Saímos em um grande salão onde ficavam todas as entradas e os banheiros, e sem pensar direito, o maknae acabou se decidindo pelos banheiros, pois ele apenas me puxou naquela direção.

– Você não pode entrar no banheiro feminino – protestei quando o vi entrar naquele banheiro, mas ele apenas fez sinal para que eu ficasse quieta e me empurrou para um dos boxes.

– Tranque a porta, sente-se na privada e levante os pés, sou muito novo para morrer – disse Sehun tão rapidamente que fiquei incerta sobre algumas de suas palavras, mas ao vê-lo fechar a porta, não tive outra opção se não obedecê-lo.

Aquele era um momento que sem dúvidas eu não sabia se praguejava ao maknae ou a mim mesma por ser tão azarada, mas assim que puxei minhas pernas para cima da privada, soltei um grito agudo que foi seguido por batidas fortes na porta frágil de madeira. Minha respiração cessou no mesmo instante.

– Abra Chaerin! - esbravejou Sehun socando a porta com força. Soltei um suspiro aliviado ao reconhecer sua voz, mas ele fazia tanto escândalo, que temi que quem estivesse passando na avenida pudesse ouvi-lo – O que aconteceu? - perguntou ele de modo afobado assim que abri a porta.

Meus pensamentos por segundos se perderam, mas com a mesma velocidade que se perderam, eles voltaram trazendo a resposta à pergunta do maknae.

– Meu joelho – disse apontando o indicador direito para minha perna, enquanto reprimia uma careta de dor.

Ele tomou um susto quando viu o sangue escorrer pela minha perna esquerda e sujar a barra do meu delicado vestido azul bebê. Incrivelmente eu havia cortado meu joelho com a minha queda, mas como o vestido cobria até essa parte, ele encobria o corte, mas não impedia o sangue de escorrer. Voltando a si rapidamente, Sehun me puxou para a pia e sozinho me tomou pela cintura e me sentou em cima daquele granito frio.

– Omo! Como conseguiu isso? - perguntou ele ao ver meu joelho esquerdo com um enorme corte, mas não consegui responder, simplesmente solucei – Não chore ladrona de camas, se bem que sua irmã seria mais eficiente em uma situação como essa, mas já que o seu namoradinho é tão inútil quanto você, aponto de levar consigo a garota errada, tire o sapato para lavarmos esse corte.

Fazendo um bico maior ainda, tirei minha sapatilha preta e coloquei ambos os pés sobre a pia. Quando Sehun disse 'lavarmos' ele queria se referir apenas a mim. Depois que lavei o machucado, a barra do vestido e também minha perna, retirando todo aquele sangue que me revirava o estômago, sequei com papel higiênico e voltei a sentar em minha posição inicial.

– Deixe-me ver como ficou – disse o maknae apoiando ambas as mãos na pia e se inclinou na direção do meu joelho com um olhar crítico.

Fiz uma careta praguejando-o, como ele podia ser tão arrogante, sem ao menos me ajudar em nada? Mas antes que ele terminasse sua rigorosa inspeção, escutamos o grito assustado de uma ajuhmma. Nossos olhares pousaram em sua face, mas antes que dissemos algo, ela saiu correndo.

– A culpa é toda sua ladrona de camas – resmungou Sehun me encarando com os olhos semicerrados – Você não tinha nada que sair com o Kai hyung.

– Omo! Não fui que arrumei briga com um homem sinistro – retruquei em meio a um enorme beicinho choroso – Afinal de contas, o que você e a Nuri unnie estavam fazendo aqui? Pensei que ela fosse mais amiga do Baekhyun oppa.

O maknae enrubesceu.

– Por que quer saber?

– Aish! Seu... - eu o chamaria de mal-educado se não pela entrada triunfal de um guarda no banheiro.

– Então quer dizer que o casalzinho resolveu namorar no banheiro – disse o homem que media quase dois metros de altura e possuía uma voz tão grossa, que fez meus olhos se arregalarem.

– Ca-ca-casal? - perguntou Sehun voltando seus olhos para mim e ao perceber que ainda estava encostado na pia, recuou rapidamente – Não somos um casal! - apenas assenti.


***


Receberíamos uma bela bronca se a filha do guarda não fosse fã do Exo, sendo assim, depois de Sehun autografar um pedaço de papel para o homem e tirar uma foto com ele, fomos liberados apenas sob um aviso de não sermos pegos no banheiro novamente, como se eu tivesse a intenção de continuar na companhia do maknae por mais tempo.

– Vamos comprar um curativo para seu joelho e depois vamos atrás do Kai – informou o maknae tomando a frente. Muito contragosto o acompanhei.

As ruas estavam movimentas, em sua maioria por pedestres bem arrumados, aquilo me fazia recordar de Sulli dizendo algo sobre um festival ou uma festa, eu não me lembrava com precisão, mas sabia que estava acontecendo um evento ao ar livre. Depois de andarmos um pouco por aquela multidão, entramos em uma farmácia onde ele me comprou uma caixa de curativos coloridos com estampa da Hello Kitty.

– Não quero o amarelo – eu não estava em condições de exigir nada, afinal, estava sentada em um canteiro de tijolos vermelhos, enquanto o maknae se preocupava em colocar o curativo no meu machucado, mas quando o vi tirar aquele curativo da caixa, fiz uma careta, aquela não era a minha cor preferida.

O maknae que estava com o joelho direito apoiado no chão, me encarou por longos segundos com um olhar mortal e pegou a caixa de curativos que ele havia colocado ao meu lado.

– Que tal o azul? Vai combinar com seu vestido – disse ele me mostrando o curativo.

– Não, prefiro o rosa – disse apontando para o curativo indicado.

– E por que não veio com um vestido rosa? - perguntou ele destacando o curativo rosa que estava grudado no lilás.

Entortei aos lábios, constrangida.

– Eu li em uma revista que em um primeiro encontro não se deve ser tão...

– Infantil? - perguntou ele com um sorriso presunçoso – Porque é exatamente isso que você é.

– Aish! - bufei, mas vendo que ele voltava sua atenção para o curativo, não disse nada, apenas esperei que ele fixasse dois em meu joelho e entrei em um assunto diferente – Como acharemos o Kai oppa?

– Não acharemos, voltaremos para a SM – disse ele com um sorriso cínico nos lábios e me esticou a caixa de curativos.

– Omo! Ele ficara preocupado, minha unnie também, precisamos encontrá-los.

– Isso é o que você, ladrona de camas, pensa. E de qualquer forma não estou com meu celular, assim como você não deve ter o número do Kai hyung... Você não tem não é mesmo? - apenas balancei a cabeça negativamente – Então vamos para a SM.

– Vamos de táxi? - perguntei inocentemente.

– Oh! Gastei muito com o táxi, as entradas e a pipoca, além do mais curativo da Hello Kitty não é barato, tenho no máximo para passagens de metrô... Quantos wons você tem ai? – perguntou ele desistindo de me entregar a caixa de curativos, já que eu me recusava a ficar com qualquer coisa que fosse dele.

– Também estou carecendo de dinheiro maknae – respondi voltando meus olhos tristonhos para o chão.

– Então vamos de metrô – disse ele apontando para uma direção qualquer e começou a andar confiante.

Tive que correr para alcançá-lo.

Quando se tratava do maknae o silêncio era o meu melhor amigo, mas depois de alguns metros caminhando em completo silêncio e sem saber se estávamos seguindo na direção certa, comecei a ficar incomodada com o som da minha respiração. Eu precisava de vozes, de música, de qualquer coisa que não fosse o silêncio e o som dos carros e pessoas transitando pelas ruas.

– Sehun maknae, quando você nasceu? - perguntei sempre tentando alcançá-lo, mas ele caminhava rápido em demasia, creio eu que era proposital.

– Por que quer saber? – ele retrucou sem dar grande importância.

– Nada demais Sehun, só queria saber como devo chamá-lo, se é dongsaeng ou oppa... Se bem que você é o maknae, talvez seja mais novo que eu – disse tocando o queixo com o indicador esquerdo. Eu pouco sabia sobre os garotos do Exo K, sabia apenas que o único dongsaeng do Kai oppa era o Sehun, mas embora meu aniversário fosse próximo do oppa, isso não fazia do maknae necessariamente um dongsaeng meu.

– Me chame de Oh Sehun-sshi, não quero informalidades com você ladrona de camas – falou o maknae cruzando os braços sobre o tórax e me espreitou ligeiramente com os olhos.

Fiz uma careta igualmente brava, mas assim que desviei os olhos de sua face resmunguei seu nome.

– Oh Sehun-sshi.

– O que você disse? – perguntou ele de forma arrogante.

– Nada – respondi dando de ombros.

Alguns metros à frente, descobri que Sehun não sabia onde ficava o metrô e se recusava a pedir informações dizendo saber onde ficava a SM. Pelo menos nossa caminhada teve um efeito bom, pois quando passamos na frente de um supermercado, convenci o maknae a entrar comigo para comprar uma caixa de pepero tradicional, infelizmente tivemos que retomar nossa caminhada.


***


– Minha perna está doendo, não aguento mais andar – reclamei bem depois da minha caixa de pepero ter acabado e minhas forças também. Era garantido que se tivemos pedido informações já estaríamos na SM, mas cabeça dura como o maknae era, estava escurecendo e ainda não havia sinal da empresa.

– Falta pouco ladrona de camas.

– Mas eu machuquei meu joelho no seu plano de fuga e venho mancando desde muitas ruas atrás, agora minha perna está latejando tanto que se eu der mais um passo vou desabar – disse parando no meio da calçada com um enorme beicinho mimoso e tristonho.

Ele bufou alto.

– Agora a culpa é minha né? - resmungou ele um pouco baixo, mas suficientemente alto para que eu escutasse - Então venha, suba nas minhas costas – disse ele sem vontade alguma apoiando as mãos nos joelhos para ficar mais acessível.

– Sério? – perguntei arregalando os olhos.

– Suba logo ladrona de camas, quanto mais rápido chegarmos a SM, mais rápido me livro de você, não temos tempo a perder.

Embora assustada, subi nas costas do mais velho e passei meus braços em volta de seu pescoço. Soltando um longo suspiro ele segurou minhas pernas para que eu não caísse e retomou sua caminhada.



Notas finais do capítulo

Como prometido até sábado eu postaria, então ainda em tempo, aqui estou eu. Espero que tenham gostado. Não percam o próximo capítulo ;D
by: Mc =]