Good Day Sunshine escrita por Nowhere Unnie


Capítulo 9
Capítulo 9 - Festa do Pijama


Notas iniciais do capítulo

Tem alguns links para as músicas que a "desinformada" da Megan não conhecia, então se estiverem curiosas, é só ouvir rsrs Espero que gostem (:

EDIT: Estamos em 2016 e percebi que alguns links das músicas já não estavam disponíveis, então montei uma playlist com as mesmas músicas, na ordem em que aparecem: http://www.youtube.com/playlist?list=PL1rNHGX1nT887E8O9iOlzz_0GEBT5Ux7m
E meu agradecimento vai especialmente para a Andie, aka Lily, que me ajudou a encontrar essas músicas quando eu estava perdidona há alguns anos...



No dia seguinte eu fui para a escola como se estivesse indo para a forca e, ao chegar lá, George e Richard tentavam me animar entre as aulas.

— Ah, Megan, qual é? Não deve ser tããão ruim assim!

— Você acha? Isso porque você não sabe o que fazem nessas festas do pijama idiotas, George...

— Nem você, Megan! Por isso não pode ficar com essa cara amarrada antes de ir lá e saber como é! — Richard falava em um tom meio irritado e eu não entendi bem o por quê, bom, talvez tivesse sido só impressão minha.

— Mas... Vocês não estão entendendo! Elas são meninas e devem fazer coisas de meninas o tempo todo e eu mal aguento algumas horas com minhas primas no domingo, como vou aguentar isso o fim de semana todo?

— Você pode inventar que está doente, aí sua mãe não te obriga a ir e você tem uma desculpa boa...

— Ou então você come tudo que aparecer pela frente como o George faz e aí vai passar mal de verdade! — Richard e eu começamos a rir e George também, ainda que não estivesse achando tanta graça quanto nós.

— Olha, eu ainda acho que é só você chegar dizer que não quer e não ir. É o jeito mais fácil, Megan… — George falou a coisa mais coerente a se fazer, enquanto abria uma barra de caramelo que havia acabado de tirar do bolso.

— Mas não é tão fácil assim, gente!

— Megan, você está cheia de vontade de ir nessa festa que eu sei! — Richard voltava a soar mal-humorado. — Se não estivesse, já teria dito que não ia há muito tempo, porque ninguém consegue te obrigar a fazer nada que você não queira!

— Não! Claro que não quero ir, que ideia! — Agora quem estava mal-humorada era eu, talvez porque ele tivesse um pouco de razão.

O tempo, esse grande brincalhão, decidiu andar mais rápido naquele dia e logo o último sinal anunciou nosso horário de saída.

— Viu? Eu disse que não ia fazer diferença e o professor ia aceitar os deveres! — Dizia George com ar de superioridade enquanto andávamos pelo corredor, o que me deixou muito irritada, não só pelo fato de eu ter estado errada mas também porque ele ficava ainda mais lindo quando armava aquele olhar convencido.

— Ah, grande coisa... — Respondi secamente enquanto alguém gritava atrás de mim.

— Meggie, ei Meggie!!

Obviamente era Lily Powell com suas amigas, que tentavam passar pelos demais estudantes para chegar perto de nós.

— Fala, Lily! — Gritei na direção dela, porque era impossível parar de andar com aquele monte de gente empurrando para sair logo do corredor apertado.

— Não esquece que vamos passar na sua casa hoje à noite pra te buscar, hein!

— Pode deixar! — Gritei de volta e, como era de se esperar, elas não conseguiram me alcançar.

Fui para casa com Richard como sempre fazia, mas dessa vez o obriguei a ficar comigo pela tarde toda porque não queria aguentar sozinha minha mãe enchendo o saco com mil regras de etiqueta e dizendo quais roupas eu deveria usar. Quanto mais o horário marcado se aproximava, mais ela lembrava de mil conselhos desnecessários para me dar e eu podia ver meu amigo besta segurando o riso enquanto eu revirava os olhos, não aguentando mais aquilo.

Finalmente a campainha tocou e eu saí correndo pela porta carregando minha mochila cheia de roupas, seguida por Richard e minha mãe. Ele me abraçou para se despedir e sussurrou no meu ouvido: Boa sorte! Sorri para ele e antes de entrar no carro me despedi da minha mãe, que insistiu em dar mais meia dúzia de conselhos e terminou com o bom e velho: Juízo! Lily me chamou para entrar no carro e pude ver que Rita e Polly já estavam lá dentro. As três passaram o caminho inteiro comemorando antecipadamente o quão divertida aquela  noite prometia ser.

Chegando na casa dela, descobri que não era tão grande quanto eu imaginava, mas ainda assim era bem maior que a minha e, logo que entramos, uma garota que deveria ser uns dois ou três anos mais velha que a gente nos recebeu e era bastante parecida com a Lily, além de muito bonita e bem arrumada demais para alguém que estava à toa em casa.

— Mamãe saiu e me deixou aqui como babá de vocês. — Ela disse desanimada e revirando os olhos. — Já coloquei uma pizza no forno e vou sair, então se comportem e não comam no quarto!

— Nós já somos grandes, tá bem? — Lily refutou aborrecida. — E não precisamos de você, pode ir e nem pense em voltar tão cedo!

A irmã mais velha fez uma careta como se estivesse esnobando as palavras da mais nova e parecia prestes a dizer alguma coisa, mas um carro buzinou e ela logo mudou de cara, abriu um sorriso enorme, pegou sua bolsa e disse, antes de sair e fechar a porta:

— Minha carona chegou... Tchauzinho, criançada!

Assim que sua irmã foi embora, Lily se jogou no sofá e abraçou a almofada, bufando de raiva.

— Não sou criança e odeio ser a irmã mais nova da Cynthia!

— Não reclama, Lily... Agora que a Cyn já foi, nós temos a casa só pra gente! — Polly comemorou, dando pulinhos de animação.

— É mesmo e, além disso, ainda temos todos os discos do Elvis também! — Rita saiu correndo pelo corredor, provavelmente para buscar os tais discos do Elvis em algum lugar.

— Rita, cuidado! Não vai desarrumar nada no quarto da Cyn, senão ela mata a gente quando voltar! — Lily gritou na direção em que a amiga foi e eu só olhava aquilo tudo sem dizer uma palavra, ainda me sentindo meio deslocada.

— Você gosta do Elvis, Meggie?

— E-eu? — Vasculhei toda a mente tentando me lembrar de algum cantor chamado Elvis, mas parecia que elas logo perceberam minha ignorância musical.

— Não vai me dizer que você não conhece o Elvis? — Polly me olhava com uma expressão incrédula.

— É que...

— Deixa, Polly, nós vamos dar um jeito nessa menina desatualizada! — Lily respondeu rindo, enquanto Rita voltava com vários discos na mão, como se entrar no quarto da tal Cynthia Powell e furtar temporariamente todos os discos dela fosse um hábito bastante comum naquela casa.

— Vamos escutar logo! — Polly disse, sem perder a animação jamais, e saiu correndo pela casa, pois também já estava acostumada com o local.— Vem Meggie! — Lily me puxou também e fomos todas para o quarto dela.

Eu teria ficado um bom tempo só reparando naquele quarto lindo e bem organizado, que tinha até uma televisão e era completamente diferente do meu, se uma coisa maravilhosa não tivesse chamado minha atenção.

Então aquele era o Elvis... Quando a música começou a tocar, sua voz invadiu o quarto e os meus ouvidos pareciam ser a única parte do meu corpo que ainda era capaz de fazer alguma coisa coerente. Sentei na cama com um sorriso abobalhado, tentando ignorar aquelas vozes tagarelando ao meu lado enquanto apreciava aquela canção divina, até que Lily me cutucou, me tirando daquele estado de transe.

— Meggie, você tá escutando?

— Hã?

— A gente perguntou qual deles você prefere...

— Qual? Ah, tanto faz... E não me chama de Meggie...

— Mas por que não?

— Porque... Porque sei lá, não gosto, oras!

— Mas a gente sabe beeem do que você gosta, nem precisava perguntar qual ela preferia, gente... Claro que é o George! — Rita provocou, dando ênfase ao falar o nome dele.

— Quê?! Não, claro que não!

— Mas você disse que ele era lindo aquele dia, lembra?

— Eu?! Não disse nada! E além do mais ele é magricelo, esquisito e tem aquelas orelhas enormes! — Eu tentava desesperadamente convencer a mim mesma e a elas de que não achava o George nem um pouco atraente, porque já era difícil o bastante lutar com todas as minhas emoções sem ninguém saber e, pelo menos ali, eu tinha que esquecer dele.

— Tá, vamos fingir que acreditamos, mas você TEM que achar algum garoto da sala bonito... E se esconder muito, vamos achar que é o Moon! — Lily disse rindo e todas rimos junto, mas embora eu achasse o Keith bem bonitinho, ele era tão chato que estragava qualquer coisa quando estava por perto.

— Ahm... O Richard, ele é bonito, não é? — Eu respondi, aliviada, achando que tinha salvo minha pele daquelas perguntas constrangedoras, mas nem imaginava o que essa resposta inocente estava causando na cabeça das meninas.

— Viu? Eu disse que esses dois estavam de namorico! — Polly disse rindo com um ar triunfante, como se elas tivessem feito algum tipo de aposta sobre o assunto e ela fosse a única que tinha apostado no sim.

— Não, claro que não! Ele e eu.. Nós, nós somos só amigos e além do mais ele é quase meu primo! — Respondi meio desconcertada e ao mesmo tempo rindo dessa ideia absurda. Eu realmente nunca nunca havia reparado nele de outra maneira, embora soubesse que ele era um garoto bonito, mas ainda assim era estranho pensar nisso.

— Só amigos, sei! Vocês nunca se separam pra nada, chegam e vão embora juntos e quando perguntamos quem da sala você acha bonito, ele é o primeiro nome que você diz.... Não adianta mais esconder, nós descobrimos, Meggie! — Rita disse brincando.

— Isso porque vocês me perguntaram da sala, não da escola inteira... — Eu também não conseguia não rir, mais por esse nervoso estranho do que por estar achando graça.

— Espera, espera! — Lily elevou o tom de voz, tentando se fazer ouvir em meio a tantas risadas. — Quer dizer que Megan Lewis gosta de alguém de fora da sala?

Todas foram abaixando o volume das risadas aos poucos, me encurralando com seus olhares curiosos.

— Nossa! Diz então, quem de fora da sala você acha bonito? — Polly parecia não acreditar que eu poderia ser como elas e reparar nos garotos enquanto andava pela escola.

Mas quem não reparava nele? Algumas meninas exageravam, é verdade, as mais tímidas só suspiravam e as mais atiradas viviam se jogando em cima dele. Não importava se eram de uma série a menos como nós, ou das séries mais avançadas, todas olhavam para ele quando passava e imagino o quanto deve ser difícil para as garotas que estudam com ele prestar atenção em qualquer coisa durante a aula. Nem mesmo eu resistia ao seus encantos e,  uma vez, quase perdi o chão quando ele encostou em meu ombro na hora do intervalo, me pedindo licença porque eu estava conversando bem na frente do bebedouro e ele não conseguia chegar até lá. De toda a escola, acho que ninguém pensaria duas vezes antes de dizer o seu nome em uma pergunta como aquela.

— Paul McCartney, oras!

— Claro, todo mundo ama o Paul! — Rita resmungou com uma leve irritação no tom de voz e era a única que tinha parado de rir de repente.

— Eu prefiro o Mike! — Polly não se conteve em manifestar uma opinião contrária.

— Ih Meggie, cuidado que o Paul já é da Rita, viu? — Lily me advertiu em tom de humor.

— Sério? Nossa, como você... conseguiu? — Eu perguntei surpresa e inocentemente, despertando mais risadas nas meninas.

— Ah Megan, por que você é assim? — Lily conseguiu falar em meio ao próprio ataque de risos mas, logo  seguida, mudou de assunto ao sentir o cheiro agradável que invadia o quarto. — A pizza já deve estar pronta, no fim minha irmã nem é tão incompetente assim... — Ela se levantou ainda rindo e foi até a cozinha, voltando algum tempo depois com a pizza.

— Eu pego o refrigerante, vem Polly! — Rita levantou e as duas saíram correndo até a cozinha, voltando com uma garrafa de coca-cola e os copos.

Antes de pegar um pedaço de pizza, Polly trocou o disco e começou a tocar na vitrola uma música tão boa quanto a anterior. Quando acabamos de comer, ficamos um tempão dançando as músicas mais animadas, porque as meninas sempre iam trocando os discos e colocando aquelas que elas consideravam as melhores. Até eu já estava achando a festa do pijama bem divertida também, porém mais pelo Elvis do que por elas, é claro.

 



Notas finais do capítulo

Mais uma vez desculpem pela demora e obrigada por não me abandonarem! Vou tentar postar o próximo capítulo o mais rápido que eu puder...