Good Day Sunshine escrita por Nowhere Unnie


Capítulo 5
Capítulo 5 - Guloso, o George? Imagina!




Como se fosse um jogo do tempo para me contrariar, essa aula passou tão rápido quanto se tivesse durado apenas dois minutos. Enquanto eu estava levantando, Keith Moon vinha sendo empurrado em nossa direção pelas três garotas do meu novo grupo.

— Queremos uma troca, você devolve a Meggie e nós devolvemos isso! — Disse aquela menina irritante de olhos azuis que havia passado toda a aula anterior lixando as unhas.

— Ei! — Keith exclamou ofendido.

— Não reclame Moon! Você é um completo idiota e, se eles não te aceitarem de volta, depois do intervalo você vai assistir a aula no chão, porque perto da gente você não fica! — Lily tomou a palavra e parecia realmente irritada.

— Nem pensem nisso! — Richard respondeu em meio a risadas, empurrando o garoto de volta para elas. — Ele não é minha propriedade e mesmo se fosse eu não aceitaria devoluções...

— Isso, me joguem de um lado pro outro como se eu fosse um brinquedo com defeito... — Keith protestou, com certo ar de tristeza, enquanto era empurrado mais uma vez em nossa direção.

— Bem, nós tentamos ser amigáveis, depois não reclamem quando ele tiver que assistir as aulas no chão! — Lily setenciou, bastante decidida. 

Em seguida se virou e suas amigas a seguiram, após lançar um olhar de completo asco ao pequeno e irritante Moon. E este, por sua vez, não economizava na expressão de cachorro sem dono que causou pena até em mim, embora soubesse que ele estava apenas fingindo, mas não podia negar que ele fazia um biquinho muito fofo. 

— Pobre Moonie, aquelas meninas chatas acabaram com você, não foi? Eu te entendo, estive no seu lugar antes... Vem, pode lanchar com a gente se quiser. Eu te perdoo porque você conseguiu ser extermamente irritante com elas e agora já me sinto vingada!

Embora eu tenha dito que ele poderia ir se quisesse, não esperei que respondesse e apenas passei o braço em volta de seus ombros, o empurrando em direção ao pátio da escola e, antes de sair da sala, pude ouvir Richard logo atrás de mim convidando George para se juntar a nós.

Procurei um lugar afastado de todos, como sempre, pois odiava aquele barulho de mil vozes gritando, rindo e conversando ao mesmo tempo. Me sentei na grama, recostada no tronco de uma árvore, e os meninos se sentaram formando uma meia-lua em minha frente.

— Nossa, antes do feriado éramos uma dupla e agora já somos uma facção completa... — Brincou Richard.

— Ou uma banda, já temos um guitarrista novo, agora só falt...

— E um baterista também! Sabe, meu tio veio passar o natal com a gente e me ens... — Moonie gritou me interrompendo e já estava empolgado contando qualquer besteira sobre seu natal, até perceber que eu o fuzilava com o olhar, pois odiava ser interrompida. — Des... Desculpe, pode continuar.

— Fico feliz por você, querido! — Eu disse entredentes e tentei retomar o raciocínio. — Mas como eu ia dizendo... Droga! Não lembro mais! Muito obrigada, Moon!

O garoto estava todo encolhido e abraçava os joelhos, como se aquilo fosse um escudo de proteção contra mim, pois "agradeci" com um tom de voz tão feroz, que ele estava achando que eu ia matá-lo. Mas na verdade era puro exagero dele, eu sequer pensava em lhe dar um tapa, mas Moonie era o garoto mais medroso que eu conhecia e talvez fosse o mais medroso daquela escola. Imediatamente, Richard tomou a palavra:

— Não disse que você já estava virando uma delas? Já sabe o nome, o hobbie e deve saber até o número que o nosso amigo aqui calça, não sabe não?

— Não seja estúpido, Rick! Não, eu não sei o número que ele calça, mas existe algum problema se eu tiver reparado na linda cor dos olhos dele?

Não, de novo não... Mais uma vez eu tinha que dizer alguma besteira sem pensar! A mais pura verdade, mas não deixava de ser besteira. Eu nunca tinha visto olhos tão lindos como os seus e mais tarde descobri que as meninas chamavam aquela cor de castanho aveludado. Também não tinha a menor coragem de sequer olhar na direção de George e tinha vontade de sair correndo, mas Richard, como sempre, deu um jeito de quebrar aquele clima tenso. 

— Linda cor dos olhos dele? Por favor! Lindos olhos tenho eu! —  E começou a piscar graciosamente para mim, o que me fez morrer de rir.

— Sim, ele tem olhos lindos e lindos cabelos também, bem mais bonitos que os seus, saiba disso! Além de ser mais alto também! Olha, acho até que vou desistir de você e me apaixonar por ele... — Disse isso olhando para cima e suspirando como uma menina tonta e apaixonada.

Estava falando besteiras outra vez, mas ao menos agora estava brincando e nervosismo começava a ir embora. Nesse momento todos riram e, mesmo que eu ainda não tivesse coragem de olhar na direção de George, podia distinguir sua risada entre as outras.

— Ele pode até ser mais bonito e mais alto que eu, mas eu ainda tenho o maior nariz! — Então se exibiu estufando o peito e empinando o nariz como se ele fosse uma medalha de honra ao mérito que ele levava junto ao corpo.

Ficamos ali rindo por um bom tempo até que nossas risadas foram interrompidas por George, que se queixou:

— Eu achei que tinha sido convidado para lanchar e estamos aqui morrendo de fome...

— O lanche é por conta da Megan, a mãe dela prepara tanta coisa que dá pra alimentar a turma inteira! — Richard respondeu e os olhos de George já estavam até brilhando. 

Foi com um aperto no coração que tive que desfazer sua alegria: — Desculpem, hoje eu saí de casa correndo e esqueci o lanche... Não estou com fome, mas se vocês quiserem, a gente pode ir na cantina agora...

Um sorriso brotou no rosto de George quando eu disse isso, mas logo se desfez quando meu amigo e Moonie disseram que também não estavam com fome. O que me deu um grande alívio, porque eu já estava quase sentindo aquelas coisas estranhas outra vez, olhando para aquele sorriso tão perfeito.

— Se você quiser pode ficar com meu sanduíche, George. Odeio quando vem com cenoura ralada, mas minha mãe nunca me ouve e diz que eu tenho que comer coisas saudáveis porque estou em fase de crescimento... 

Moon disse isso revirando os olhos de uma forma engraçada e também achei graça do jeito como o brilho nos olhos de George voltaram e ele abriu um sorriso imenso ao ouvir aquilo, como se sanduíche com cenoura fosse uma taça enorme de sorvete com cobertura de chocolate e uma cereja em cima.

— Quero sim, obrigado! Eu trouxe lanche de casa também, mas senti fome no ônibus e comi lá mesmo.

Keith se levantou e foi correndo até a sala de aula, pois como não havia a menor possibilidade de ele comer aquilo, nem havia tirado da mochila.

— Então você deve ter saído de casa correndo igual a mim... Aí não deu tempo de tomar café, né?

Como ele vinha de ônibus, devia morar longe da escola, então deduzi que ele também teve dificuldades para acordar e, como precisava sair mais cedo, não havia tomado café. Mas para a minha surpresa, ele negou aquela suposição.

— Tomei café sim, mas minha mãe estava com medo de que eu perdesse o ônibus e só me deixou comer uma torrada com manteiga, outra com marmelada, dois ovos fritos com bacon e só consegui beber dois copos de leite... — Ele ia contando nos dedos conforme ia se lembrando do que havia comido.

Arregalei os olhos assustada ao ouvir aquilo e olhei para Richard, que me olhava do mesmo jeito. Não tivemos tempo de fazer nenhuma brincadeira, porque Keith já estava de volta, ofegante pela corrida de ida e volta, e entregou o sanduíche para George, que imediatamente o desembrulhou e começou a comer.

— Tá meio amassado porque tive que me defender de uns garotos maiores que queriam me bater, porque esbarrei neles enquanto corria...

— Ah não tem problema, esse sanduíche está muito gostoso! — George respondeu enquanto tampava a boca, ainda cheia, com uma das mãos.

— Se defender? Você deve ter apertado o sanduíche enquanto corria morrendo de medo, Moonie! — Eu disse rindo, pois conhecia muito bem aquele garoto e ele jamais se defenderia de alguém, ainda mais de valentões. Mas ele não achou graça e me olhou de cara feia. — Você podia muito bem ter ido andando nomalmente, Keith. Mas não consegue agir como uma pessoa normal, não é mesmo? Deve ter formigas nesse sapato! — Eu continuei falando, ignorando sua insatisfação.

— Formigas no sapato e nas calças também! Ele nunca para sentado durante as aulas. E ainda diz que ser ser baterista de alguma banda... Seu tio disse que pra tocar bateria você tem que ficar sentado o tempo todo, Keith? — Rick disse zombando e todos nós rimos, menos Moon, que cruzou os braços e revirou os olhos enquanto murmurava:

— Chatos... 

Quando o sinal tocou, anunciando o fim do intervalo, voltamos para a sala de aula e eu fiz questão de empurrar Moonie para o lugar onde ele deveria ficar.

— Desculpe!

Não sabia se estava me desculpando com as meninas por serem obrigadas a aturar o chato do Moon, ou se estava me desculpando com ele por fazê-lo aturar aquelas chatas. Mas isso não fazia tanta diferença, acho que ambos os lados mereciam minhas desculpas, então eu não estava sendo tão injusta assim com nenhuma das partes.



Notas finais do capítulo

Olha só que coisinha mais linda o Keith Moon *-*
O capítulo de hoje tá curtinho e não prometo publicar o próximo amanhã porque ainda nem escrevi, mas vou tentar fazer isso o mais rápido que eu puder :)
Obrigada por ler minha fanfic e pelos reviews, pessoal!