Good Day Sunshine escrita por Nowhere Unnie


Capítulo 4
Capítulo 4 - A confusão




Após recolher nossos trabalhos, o professor começou a explicar um outro ponto da matéria e, embora só tenha passado meia hora, parecia que aquela aula nunca iria terminar. Assim que o sinal tocou anunciando o fim da aula, ele parou de explicar a matéria e, antes de se retirar nos deu um aviso.

— Caros alunos, quando adverti a vocês sobre pensar bem antes de escolher os componentes de seus grupos, a nota do trabalho não era a única razão para isso. Saibam que esses grupos serão fixos e até o fim do ano letivo, logo, todos os trabalhos em grupo que lhes forem solicitados deverão ter esses mesmos componentes, uma vez que a maioria dos trabalhos em grupo que vocês me entregavam antes sempre me geravam algum tipo de problema em relação a trocas repentinas de componentes sem nenhum aviso prévio.

Ele simplesmente falou issso em um tom de voz autoritário e saiu, deixando claro que não haveria possibilidades para quaisquer reivindicações. Antes de a próxima professora adentrar a sala, toda a turma estava em um estado de alvoroço com aquela declaração e a maioria dos colegas de classe parecia satisfeita. Mas eu estava em verdadeiro estado de pânico por dentro, ainda que não deixasse transparecer. Não me parecia nada animador estar em um grupo com três garotas que eu mal conhecia, cujas personalidades não tinham nada a ver com a minha e com as quais eu ia ser obrigada a conviver pelo resto do ano. Elas davam gritinhos e desataram a falar coisas inúteis em comemoração enquanto eu apenas sorri educadamente para elas, recolhi meu material e me retirei dali.

Ao chegar no fundo da sala, não precisei fazer mais nada a não ser lançar um olhar ameaçador ao Keith, que rapidamente recolheu seu material e foi se sentar onde eu estava antes. Eu não tinha noção de como parecia furiosa, mas pela expressão amedrontada dele ao me ver, todo o desespero que havia dentro de mim deve ter se convertido em raiva por saber que ele era o culpado de tudo aquilo e viu-se refletida nos meus olhos.

Agora que eu estava ao lado de Richard, me sentia segura e já podia ser apenas eu mesma, com toda a minha preocupação.

— Eu ia vir pra cá... Sabe, quando ele disse pra turma se dividir... Mas elas me chamaram e eu pensei que só dessa vez não faria mal...

Eu não sabia se estava sendo coerente com as palavras, para mim sempre foi muito difícil exteriorizar qualquer tipo de emoção ou sentimento a não ser a raiva, que geralmente podia ser posta para fora com simples gestos agressivos. Meu semblante devia ter sido o mais dramático que se possa imaginar, porque Rick compreendeu tudo e me olhava com a maior cara de dó. Quando eu terminei de falar ele me deu uma cutucada de leve, tentando me animar:

—Ah, não pode ser tão ruim assim, vai ser só em uma matéria... E se mais alguém tentar te separar de mim de novo, eu mesmo vou lá e acabo com ele!

Ele disse isso dando socos no ar e eu não pude deixar de rir. Richard Henry Parkin Starkey Junior batendo em alguém? Era mais fácil imaginar que as bolas de futebol passassem a ser quadradas. Acho que somos tão amigos justamente por isso, ele é extremamente pacífico e eu sou completamente agressiva. Se ele fosse como eu, acho que todo dia iríamos parar na emergência do hospital ou algo assim.

De repente, algo chamou a minha atenção e eu parei de rir, fixando o olhar em outro ponto da sala e quando Richard percebeu isso também olhou, mas ainda rindo, na mesma direção. Era aquele novo aluno, George, que parecia estar prestando atenção em nossa conversa e sorria. Mas sorria de um jeito meio desengonçado, talvez por não estar entendendo muito bem qual era a graça que eu e Rick tanto achávamos daquilo, ou talvez fosse simplesmente porque tinha os dentes muito desalinhados, quem sabe?

Só sei que perceber que ele estava me olhando fez alguma coisa estranha acontecer dentro de mim e, como se isso já não fosse ruim o bastante, toda aquela coisa parecia correr por cada parte do meu corpo e eu tive a impressão de que, caso não estivesse sentada, minhas pernas simplesmente esqueceriam para o que servem e eu cairia sentada no chão.

Cair, era essa a palavra certa para o que eu estava sentindo naquele momento, era como se aquele garoto tivesse me derrubado de uma base onde estavam todas as minhas certezas e tudo o que eu achava que era. Naquele momento eu era apenas uma desconhecida que admirava a perfeição dos labios arqueados à frente daqueles dentes imperfeitos de outro completo desconhecido. Imediatamente percebi o quão idiota estava sendo e desviei meu olhar para os seus olhos. Provavelmente essa foi a coisa mais estúpida que eu já fiz na vida até aquele momento, porque aquilo só fez com que aquela coisa estranha me invadisse ainda mais.

Mesmo o conhecendo somente há algumas horas, eu imaginei que ele seria tímido o suficiente para abaixar a cabeça envergonhado por ter sido pego espiando a conversa dos outros ou porque eu o encarava tentando, inutilmente, colocar meus pensamentos em ordem. Mas ele continuou sorrindo, acenou para mim de um modo engraçado e disse:

— Oi!

Agora a sensação tinha mudado, não era mais como se eu estivesse caindo, parecia que a qualquer momento eu poderia flutuar ou sair voando por aí como uma dessas bexigas de gás que escapam das mãos de crianças descuidadas. Isso me assustou tanto que eu tive que segurar com força a primeira coisa que estava ao alcance de uma das minhas mãos. Se eu fosse realmente escapar da cadeira, segurar meu estojo não ia ajudar muito, mas ter feito aquilo ao menos me trouxe de volta ao mundo material e eu olhei para Richard que, ao contrário de mim, parecia achar aquilo normal e, ainda sem ter parado de rir, nos apresentou.

— Megan, esse é o George. George, essa é a Megan, aquela que eu tinha te falado...

Mais uma vez o desespero tomou conta de mim, mas esse era de outro tipo, eu fiquei imaginando se ele havia falado algo de mim que fosse capaz de ter assustado o garoto, que ainda nem me conhecia. Eu odiava essa confusão toda que o novato causava na minha mente e, para tentar acabar com aquilo, resolvi falar alguma coisa:

— É, eu já sabia...

Nessa hora fez muita falta algo que minha mãe vivia me perturbando para ter: Bons modos. Eu deveria ter dito, como toda menina educada o faria: Prazer em conhecê-lo, George. Mas não, eu tinha que fazer alguma besteira!

Ele fez uma careta, talvez a mesma que eu tinha feito antes, quando as meninas falaram que já sabiam dele e perguntou:

— Já sabia?

Agora que o mal estava feito e já não podia mais voltar atrás, tentei relaxar e dizer descontraidamente:

— Pois é, não se fala em outra coisa faz mais de um mês...

Richard riu e isso de certa fora me ajudou a relaxar mais um pouco, então ri junto com ele e George fez o mesmo.

— Megan, você só passou duas horas com aquelas meninas, como elas conseguiram fazer isso?

Ele sabia que aquele era um comentário que eu jamais faria, pois não vivia rodeada de amigas para saber o que era assunto corrente na escola.

— Isso o quê, Richard? Deixa de ser besta! Elas nunca vão me mudar, mesmo eu sendo obrigada a conviver com elas e participar daquelas conversinhas chatas até as férias. E francamente? Não sei se eu vou aguentar!

— Mas é claro que você não vai aguentar! Você não vive sem mim e vai ser uma tortura saber que poderia estar comigo fazendo aqueles trabalhos chatos, ao invés de estar com elas...

Meu amigo era mesmo muito convencido, então eu dei um soquinho no braço dele, demostrando toda a minha reprovação já que não podia dalar mais nada porque a professora havia entrado naquele exato momento e toda a turma ficou em silêncio também, pois aquela professora era bem legal e merecia respeito.

Mas isso não impediu que eu ficasse pensando nas palavras dele e, por um momento, alguma coisa pareceu fazer sentido. Realmente não era comum que eu ficasse desesperada assim, até porque as meninas nem eram tão chatas quanto pareciam quando se participava de um trabalho escolar com elas. A ideia de fazer alguma coisa sem ele sim era o me apavorava e, mesmo que eu não percebesse, eu precisava dele, precisava estar com ele, afinal, há anos não fazíamos quase nada separados. Eu não sabia bem por qual motivo, mas aquela reflexão toda começou a me incomodar e, após negar tudo e chegar à conclusão de que isso era besteira e o que realmente me incomodava era participar de um grupinho de meninas que só pensam em compras e outras mil besteiras, passei a prestar atenção na aula, porque até isso parecia melhor do que ficar completamente confusa outra vez.





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