Good Day Sunshine escrita por Nowhere Unnie


Capítulo 36
Capítulo 36 - It's only love


Notas iniciais do capítulo

É a primeira vez que escrevo esse tipo de coisas, então não me julguem se saiu ruim... rsrs
E vem pra cá quem ainda não veio, porque o fim se aproxima:
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A primeira apresentação de Megan no balé foi ótima. A professora a elogiou bastante e até disse que ela dançou tão bem quanto as outras meninas. Mary estava linda no primeiro papel e, ao sair do palco com a tiara, sua mãe a recebeu chorando, em parte por emoção, mas também com um pouco de tristeza por saber que aquela seria última vez em que veria sua menininha dançando balé.

Com tanta confusão gerada pelas idas ao Cavern, Megan já nem se animava  para acompanhar suas colegas de dança ao lugar e, com a saída de Mary das aulas, também nunca mais a viu e a última notícia que teve da garota em muito tempo foi que ela estava namorando o dedo-duro do Johnny, aquele mesmo que tocava com Ringo na Rory Storm and The Hurricanes.

Com o passar do tempo, Cynthia já considerava Megan como sua irmã tanto quanto Lily e, sempre que podia, tentava animar as duas mais novas que viviam cabisbaixas pelos cantos, uma andava deprimida pelo término do namoro com George e a outra, mesmo tendo começado a namorar há pouco tempo, não se animava com quase nada e ela não entendia muito bem o porquê, mas imaginava que era porque os dois quase não conseguiam se encontrar pois o tal Richard era um rapaz ocupado e praticamente uma estrela daquela cidade.

Em um belo dia, ela se irritou com todo aquele baixo astral e ordenou que as duas a acompanhassem ao Cabash. Lily resmungou até não poder mais e se trancou no quarto enquanto Megan aceitou, já que não tinha nada melhor para fazer e, embora ela não admitisse, também estava doida para ver o George, ainda que fosse de longe. Elas chamaram a Polly para ver se Lily se animava, mas nem assim ela quis ir, então foram só as três mesmo.

I get high when I see you go by. My, oh my!
(Eu me animo quando vejo você passar. Oh, minha nossa!)

When you sigh my mind inside just flies butterflies. (Quando você suspira minha mente simplesmente voa como borboletas.)

Chegando na entrada do Cabash, puderam ouvir os meninos ensaiando mas, do nada, Megan parou do lado de fora.

— Megan, vai ficar parada aí é? — Cynthia perguntou impaciente, virando-se para trás quando já estava na porta do clube.

— Eu… Eu acho que não deveria ter vindo! — Ela respondeu, dando um passo para trás, mas foi detida por Polly, que estava bem atrás dela.

— Deu ataque de bobeira em você, Meggie?! Anda logo! — Polly a empurrava com as duas mãos em suas costas, mas sua amiga fazia um esforço enorme para continuar no mesmo lugar.

Why am I so shy when I'm beside you? (Por que sou tão tímido quando estou ao seu lado?)

It’s only love and that is all. Why should I feel the way I do? (É apenas amor e isso é tudo. Por que eu deveria me sentir do jeito que me sinto?)

It’s only love and that is all. But it’s so hard loving you. (É apenas amor e isso é tudo. Mas é tão difícil amar você.)

— Olha só, até que os meninos tocam bem, né? — Polly tinha parado de empurrar a amiga por alguns instantes para comentar sobre a música. Mas Cynthia já estava impaciente, então puxou as duas pelas mãos, fazendo com que entrassem logo de uma vez.

Is it right that you and I should fight every night? (Está certo que você eu briguemos toda noite?)

Just the sight of you makes night time bright. Very bright. (Apenas uma visão sua já faz a noite brilhar. Bem brilhante.)

Ela conduziu as duas em direção ao pequeno palco e ficou observando seu amado e os amigos tocarem uma de suas músicas mais bonitas. Mas o que ninguém percebeu foi que, coincidentemente, as palavras do vocalista da banda pareciam narrar o que acontecia na mente do mais jovem guitarrista, enquanto ele tocava e observava as meninas entrarem e conversarem distraidamente sobre qualquer coisa, sem dirigir sequer um olhar na direção em que ele estava.

Haven’t I the right to make it up, girl?(Não tenho eu o direito de consertar isso, garota?)

It’s only love and that is all. Why should I feel the way I do? (É apenas amor e isso é tudo. Por que eu deveria me sentir do jeito que me sinto?)

It’s only love and that is all. But it’s so — GEORGE!

Ouviu-se de repente o grito de John, fazendo com que todos parassem de tocar e até as garotas pararam de conversar e olharam para o palco, onde ele esbravejava:

— O que diabos você pensa que está fazendo?!

— E- Eu… — Ele tentava se explicar, mas ao mesmo tempo estava muito envergonhado e não sabia o que dizer.

— Relaxa, John, foi só um pequeno deslize do garoto… — Stuart tentava acalmar as coisas.

— Ah, SÓ isso? — Além do sarcasmo, John gritava com mais raiva ainda. — Primeiro ele erra o ritmo, não satisfeito ainda desafina completamente e você acha isso pouca coisa?! — Ele bufou e depois se dirigiu ao mais novo. — Presta atenção no que tá fazendo, merda! Você acha que está tocando no quintal de casa, é?

— Ui, acho melhor a gente tirar a Meggie daqui porque ela anda desconcentrando o guitarrista dos Beatles… — Polly ria enquanto cutucava a amiga por pura implicância e Cynthia também riu, mas empurrou as duas para um lugar afastado dali, porque ela conhecia bem seu namorado e sabia que não iria demorar muito até que sobrasse bronca para ela também por ter levado a Megan até a frente do palco.

— Não vai acontecer de novo... — George encarava as cordas da sua guitarra enquanto girava nervosamente a palheta entre os dedos.

— Acho bom, mesmo! — John proferiu essa leve ameaça e ordenou, ainda com um tom de voz bravo, aos outros músicos que o encaravam sem nada dizer. — Vamos de novo, do início!

Sem mais interrupções por erros, porque George não se atreveu a tirar a atenção de sua guitarra nem por um segundo, eles acabaram de ensaiar e logo o local se encheu de gente, então a banda começou a tocar suas melhores canções para aquele pequeno público.

O Cabash era bem menor que o Cavern e menos movimentado também, mas não deixava de ser um lugar agradável e aconchegante. Em determinada hora da noite, Polly voltou a cutucar sua amiga.

— Meggie, não olha agora, mas tem um menino lindo entrando aqui e não para de olhar pra você! — A garota se virou imediatamente, recebendo uma chamada da amiga. — Megan! Falei pra não…

— TIMMY! — Ela gritou interrompendo a outra, enquanto se levantava para ir até o rapaz, que a esperava com um sorriso de orelha a orelha. — O que vocês tão fazendo aqui? — Perguntou olhando também para Lucy, Emma, Josh e Rony, cujas presenças ela não tinha notado ali antes.

— Ai Megan, você é uma cabecinha de vento mesmo! Já dissemos pra você que paramos de ir ao Cavern depois que descobrimos o Cabash! — Lucy explicou enquanto todos riam, inclusive Megan, que batia na própria testa ao se lembrar desse detalhe.

— Ah, é mesmo! É que eu andei tão preocupada por encontrar o George aqui que até me esqueci disso… Venham comigo, minhas amigas estão aqui também! — Ela contou animada e os levou até uma mesa perto do bar, onde Cynthia estava sentada com Polly e apresentou a todos, que logo iniciaram uma boa conversa regada a vinho.

Apesar de todas as insinuações descaradas de Polly, Timothy nem dava bola para ela e insistia em convencer a Megan a dançar com ele, já que seus amigos estavam dançando também. Até que ela aceitou, deixando Polly aos resmungos na mesa com Cynthia.

— A Megan tomou banho de mel antes de vir pra cá, né? Todos os garotos daqui só querem saber dela! — Ela reclamava exageradamente, olhando em volta para ver se não havia alguma outra opção para tirá-la daquela mesa.

— Pois é… E eu aqui sem poder nem dançar! — Cynthia revirou os olhos ao lembrar das ordens ciumentas de John e bebericou mais um gole de vinho. Pelo visto, a noite das duas seria fazer companhia uma para a outra.

No fim da noite, após a última música, boa parte do pessoal já havia ido embora, mas Timothy resolveu ficar com Megan até o fim.

— Então aquele é o cara de sorte que namora você? — Ele perguntava olhando na mesma direção que ela, que mirava o palco onde os garotos já guardavam seus instrumentos.

— Era… — Ela respondeu com tristeza na voz e desviou o olhar para Timothy. — Ele não me quer mais… — Deu um longo suspiro ao se lembrar disso e procurava Cynthia entre as poucas pessoas que ainda estavam por ali, se perguntando se demoraria muito para elas irem embora.

— Megan, você não devia ficar assim, é só olhar em volta e vai perceber que tem quem goste de você e daria tudo pra estar ao seu lado! — Ele dizia esperançoso.

— Eu sei, só não é tão fácil assim. O que eu mais queria era tirar aquele idiota da cabeça, mas não consigo! — Ela confessou com pesar e o abraçou, deitando a cabeça em seu peitoral.

— Você sabe que eu gosto de você, não sabe? — Ele a consolava afagando seus cabelos. — E posso te ajudar a esquecer esse imbecil também, é só você querer!

— Desculpa, Timmy, mas eu ainda gosto do George e não é justo fazer isso logo com você, que sempre foi tão legal comigo… Quer dizer, nem sempre! — Ela deu tapa de leve nele, lembrando da vez em que ele a beijou sem permissão.

— Eu não me importaria de saber que você anda me usando, mas me importo com meu nariz o suficiente pra querer que ele continue inteiro, então nem vou te mostrar agora como posso fazer você esquecer aquele magrelo rapidinho! — Ele mal acabou de dizer isso e os dois começaram a rir tão alto, que chamou a atenção até de um certo guitarrista esmirradinho, que saltava do palco e ultrapassava John, andando em direção a Cynthia mas sem tirar o olhar do casalzinho feliz no fundo do clube.

— Ei, Cyn, quem é ele? — George perguntava com a feição levemente enojada ao ver aquela cena dos dois se despedindo com um abraço demorado.

— O Timothy? É amigo da Megan. — Ela respondeu enquanto olhava na mesma direção que ele.

— Acho que não conheço… — Ele estreitava os olhos, tentando lembrar se já havia visto ou ouvido falar daquele garoto alguma vez.

— Eles se conheceram no Cavern, parece que os amigos dele são namorados das amigas da Megan, ou algo assim… — Ela explicou sem maiores detalhes enquanto espiava por trás do ombro de George, para ver porquê John estava demorando e viu que era porque ele havia parado para conversar algo com Paul.

— Que folgado esse Timothy, hein! Só por isso ele acha que pode estar com ela? — George protestou, como se ainda tivesse algum direito para tal e Cynthia voltou sua atenção para ele com uma expressão divertida.

— Se você tá aí todo enciumado, por que não vai lá mostrar que ela é sua, hein?

— Com ciúmes?! Quem? Eu? Eu não! — Ele se embaraçou ao ter seus sentimentos pegos de surpresa e tentou negar.

— Você, sim senhor! Quando ela chegou você ficou tão animado que até se atrapalhou com as cordas e agora está aí todo nervosinho porque ela anda conversando com outro! Se ainda gosta dela, porque não vai lá e fala isso pra ela de uma vez?

— Porque não gosto coisa nenhuma e tô pouco me lixando pro que ela faz e com quem faz! — Ele respondeu todo dissimulado e, ao perceber que Timothy já havia ido embora e Megan vinha em direção a eles, Cynthia resolveu tomar uma atitude drástica, pois ela não estav com a maior paciência do mundo nesse dia.

— Quer saber? Eu que já cansei dessa lerdeza de vocês dois! — Ela exclamou autoritariamente e puxou George pela orelha, o arrastando para algum lugar.

— Aaaii! Cynthia, paaraaa! Aii! Aaaiii! — Ele gritava enquanto ouvia as risadas escarnecedoras de John bem atrás dele, se gabando com frases do tipo: “Essa é a minha garota!”

— Cyn, o que…? — Megan ficou espantada enquanto os dois passavam por ela e recebeu apenas uma ordem em resposta:

— E você, se não quiser acabar arrastada igual a ele, é bom me seguir AGORA!

Ela obedeceu prontamente e, quando chegaram até um lugar isolado do clube, Cynthia empurrou George para dentro de uma porta e apenas fez um sinal para Megan, que adentrou pela porta sem reclamar, pois a mais velha já estava começando a assustá-la.

— Vocês já sabem o que fazer para sair daí! — Os dois ouviram seu grito do outro lado da porta e, enquanto George segurava sua orelha com uma careta de dor, Megan tentava abrir a porta, mas alguém estava forçando a maçaneta pelo lado de fora. Provavelmente era John, porque se ouviam claramente suas risadas e comentários zombeteiros.

Megan suspirou vencida e, quando olhou à sua volta, percebeu, pela fraca luz que entrava através das venezianas da porta, que eles estavam em um armário de limpeza. Fixou seu olhar em George e, mais uma vez, se sentiu dominada pelos seus olhos. Ela estava disposta a fazer qualquer coisa para que ele a perdoasse só para estar em seus braços outra vez e logo tentou se desculpar.

— George, eu…

Ela não conseguiu sequer começar a frase, porque George tinha a mesma urgência de tê-la mais uma vez com ele e nem precisou ouvir o que ela tinha a dizer para se dar por vencido e alçar seus braços em volta de sua cintura, a beijando com sofreguidão enquanto ela o segurava pela nuca para aumentar ainda mais a intensidade do beijo. Levando-se em consideração o local onde estavam, não demorou muito para que os dois ficassem sem ar e logo pararam, tomando fôlego ainda abraçados e com suas testas unidas.

— Nunca mais quero ficar longe de você, Megan! — Ele dizia enquanto a apertava, como se ela fosse sair correndo dali a qualquer momento.

— Nem eu, George! — Ela respondeu com um sorriso enquanto corria os dedos de uma mão pelos seus cabelos, bagunçando carinhosamente. Com a outra mão, ela acariciava seu rosto e já iam voltar a se beijar quando ela encostou sem querer na orelha de George e ele soltou uma queixa de dor.

— Tadinho do meu amor! — Ela exclamou com pena ao perceber que sua orelha ainda estava vermelha pelo puxão que Cynthia havia dado para levá-lo até ali. — É só dar um beijinho que passa… — Completou com malícia demais para quem diz uma frase infantil dessas e logo já estava comprimindo o lóbulo da orelha dele entre seus lábios delicadamente.

Como ele não reclamou, ela se aproveitou daquela oportunidade que eles tinham a sós e continuou explorando sua orelha, passando a ponta da língua ao longo de toda sua extensão redondamente perfeita, o que fez com que ele sentisse agradáveis arrepios por toda a espinha. Quando a língua dela chegou à parte de cima, ela comprimiu mais uma vez sua orelha entre os lábios, mas dessa vez sugando de leve, o que fez com que ele mordesse o próprio lábio inferior. George sentiu suas pernas estremecerem quando a língua dela fez o mesmo caminho pelo desenho de sua orelha, voltando ao lóbulo e dispensando mais atenção àquela área, dando uma leve chupada ali.

— Passou?

Ela perguntou com um sorriso maroto nos lábios e ele, que nunca tinha recebido esse agrado antes e estava achando excitantemente bom, muito malandro respondeu que não. Ela se mostrou bastante satisfeita diante daquela resposta e já estava com a orelha dele entre seus lábios outra vez, quando ouviram batidas na porta.

— Megan, George, já vi vocês dois se acertaram porque ninguém reclamou de estar preso, agora podem parar de safadeza aí dentro! Cynthia gritou antes de abrir a porta, interrompendo a maravilhosa descoberta dos saudosos apaixonados.

Eles começaram a rir e, antes que Megan desse um passo adiante para sair do armário, ele a segurou por um dos ombros e sussurrou algo em seu ouvido.

— Eu acho que nunca vai passar…

Ela soltou uma risadinha gostosa  ao ouvir aquilo e os dois saíram dali abraçados, recebendo palmas e vivas de gozação do pessoal que os recebia no hall do clube.

Megan ficou um pouco envergonhada e foi para perto de suas amigas, enquanto Gerge recebia tapinhas nas costas dos rapazes.

— Eu não entendo o que você viu nesse John, Cyn… Eu acho que você consegue coisa muito melhor que isso! — Polly deu sua mais sincera opinião, se aproveitando da ausência do namorado de sua amiga.

— Tá, ele também não faz o meu tipo de jeito nenhum… — Ela dizia rindo. — Mas não sei, ele é durão e cheio de vida, sabe? E tem esse caráter enigmático, não dá pra resistir… Eu gosto desse tipo rebelde dele, de andar sem óculos com uma guitarra no ombro e um olhar que diz: Matar!

— Credo! Você é suicida por acaso Cynthia?! — Polly reagiu com certa aversão.

— Meu olhar diz o quê? — George se aproximou delas a tempo de ouvir as últimas palavras de Cynthia e fez essa pergunta para Megan enquanto a abraçava.

— Comer. — Ela respondeu o óbvio.

— Comer, é? — Ele perguntou sugestivamente, levando um tapa no braço para deixar de pensar maldade. Mas aquilo não o intimidou, então ele apenas riu e começou a beijá-la.

— Ei, esse é um clube de família! Vocês estão pensando que isso aqui é o Cavern, é? Daqui a pouco minha mãe aparece aí e não quero que ela veja um dos garotos da banda nessa cena indecente! — Foi Pete Best quem reclamou brincando e separou os dois.

— Awn, Petezinho da mamãe! Ele é muito inocente! Nunca foi beijado, só frequenta o clube da família dele e ninguém pode saber que anda com más influências! — John também já havia voltado e zombava dele enquanto apertava suas bochechas. O baterista então se afastou dele emburrado, enquanto todos à sua volta riam.

— Parece que finalmente chegou a sua vez, George! — Stuart disse enquanto tirava alguma coisa do bolso e jogou um chaveiro para o mais novo, que esticou a mão no ar e o agarrou.

— É! — Ele afirmou para ninguém em especial e jogou o chaveiro para o alto, o segurando assim que voltou a cair. — Vamos? — Ele se dirigiu para Megan enquanto passava o braço em volta de sua cintura.

— Pra onde? — Ela perguntou enquanto se deixava conduzir para fora do Cabash pelo namorado.

— Você vai ver… — Ele respondeu com um sorriso maroto e os dois deixaram o clube, sendo bombardeados por incentivos e zoações.

George a levou até um carro —  do qual Megan se lembrava muito bem e sabia que pertencia ao Stuart Sutcliffe — que parecia ter sido estrategicamente estacionado no ponto mais escuro da rua, abaixo de um poste de luz queimado. Os dois entraram no carro e ela sentiu um frio na barriga ao pensar que essa seria a primeira vez que eles estariam livres para fazer o que tivessem vontade e sem ninguém para atrapalhar, como já havia acontecido inúmeras vezes antes. Ele a beijava e não pensava em mais nada a não ser aproveitar o pouco tempo que eles ainda teriam juntos naquele dia, independente do que viesse a acontecer.

Mas é claro que não demorou muito para que as coisas esquentassem entre os dois, o que já era comum de se acontecer na sala da casa deles, então aquele lugar escuro e reservado, somado à falta que eles andavam sentindo um do outro, contribuía para que seus instintos exigissem sempre mais e mais.

George já havia deitado por cima dela e beijava seu pescoço, causando arrepios que se tornavam cada vez mais intensos conforme ele passava as mãos pelas suas coxas, levantando vagarosamente seu vestido e não demorou muito para que ele também se desfizesse da roupa interior dela, que por sua vez se apressou a terminar de abrir a calça dele e explorar aquela parte de sua anatomia até então desconhecida, enquanto ele buscava o mesmo nas partes íntimas dela.

Mas depois disso os dois não tiveram pressa para mais nada, eles aproveitavam cada segundo de descoberta e prazer como se tivessem todo o tempo do mundo para isso e já nem se lembravam mais onde estavam em meio a tantos toques, beijos e gemidos.

O que talvez tenha sido um erro, pois todos os mais velhos que estiveram naquele carro antes sabiam que tudo deveria ser feito de maneira rápida e intensa, mas como eles eram os mais jovens e inexperientes que já haviam passado por ali, não pensaram nisso e a diversão deles só durou até o momento em que ouviram um som de gaita, que fez com que os dois se assustassem e George levantasse afobado, pois sabia que aquele era o código que indicava a proximidade dos outros integrantes da banda.

— São eles! O John… A gaita… — Ele falou enquanto se sentava no banco e voltava a fechar suas calças.

— Você tem certeza? — Ela também já estava sentada ao seu lado e ajeitava seu vestido e seu penteado nervosamente, imaginando o que aconteceria se alguém os pegasse como estavam antes.

— Tenho, é o que a gente combina… Quando tem alguém aqui dentro… Pra avisar que tá chegando… — Ele explicava ainda ofegante, enquanto afivelava o cinto e depois a abraçou da maneira mais inocente possível, tentando acalmá-la. — O John vem tocando… Bem, menos quando é ele que tá aqui, aí a gente chega conversando alto, sabe? Mas normalmente a gaita é o aviso.

— Ah… — Ela limitou-se a dizer, em um misto de compreensão e desapontamento por tudo ter acabado assim tão rápido.

Ele sorriu e a beijou brevemente, sussurrando entre beijos: Te amo!

Paul e John logo começaram a bater nos vidros da janela para implicar com eles, mas foram detidos por Stuart, que os puxou de lá reclamando para que eles parassem de fazer aquilo com seu carro.

Até o casal começou a rir e logo os dois sairam de lá, recebendo cutucadas e parabenizações. Quando finalmente foram deixados em paz pelos amigos para se despedir, ela sussurrou em seu ouvido antes de deixá-lo:

— Eu te amo George!

Já de volta em casa, Cynthia deu a última palavra, enquanto tirava os sapatos e os chutava para trás do sofá da sala.

— Espero que tenham aproveitado a noite, crianças, agora vão dormir logo porque até eu estou cansada!

Polly já estava abrindo a maçaneta da porta do quarto da Lily quando Megan parou de repente no corredor, abafando um grito assustado.

— Ah, não! Esqueci minha calcinha no carro do Stu! — Ela escondia o rosto com as mãos, pensando que nunca mais teria coragem de encarar o Stuart outra vez, sabendo que ele havia encontrado sua roupa íntima jogada em algum lugar do seu carro.

— VOCÊ O QUÊ?! — Polly gritou, acordando Lily e chamando a atenção de Cynthia, que já estava quase fechando a porta do seu quarto e chegou a ouvir o que Megan tinha dito, mas não tinha certeza se escutou bem ou se o efeito do álcool é que estava lhe causando alucinações.

— Me deixem dormir em paz! — Lily resmungou, escondendo a cabeça por baixo do travesseiro enquanto Cynthia acendia a luz e entrava no quarto da irmã com as meninas.

— Só vamos te deixar dormir depois que sua amiguinha contar o que aconteceu dentro daquele carro! — Cynthia decretou após fechar a porta, olhando curiosa para Megan, pois jamais esperaria algo assim vindo daquele casal de lerdos.

— Ai, gente, não aconteceu nada! — Ela tentava se explicar, com a face mais corada que um tomate.

— Megan, quando NADA acontece, a gente volta pra casa com a calcinha no meio das pernas! — Polly emendou rindo e até Lily já havia desistido de dormir, querendo saber o que tinha acontecido, então Megan não teve outra alternativa a não ser passar o resto da madrugada contando tudo para elas.



Notas finais do capítulo

Me disseram que o capítulo na íntegra estava fraco demais, então resolvi deixar tudo isso aqui sem censura e espero que não seja indecente demais pra vocês e.e kkkkk
Quero só ressaltar que os comentários da Cynthia sobre o John são baseados em fatos reais ♥



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