Good Day Sunshine escrita por Nowhere Unnie


Capítulo 33
Capítulo 33 - Aquele da volta de Megan ao balé


Notas iniciais do capítulo

Quem lembrou de Friends com esse título levanta a mão aí nos reviews kkkk
Procura-se: Anna.
Está sumida já tem 3 capítulos!! Apareça, menina!!



Aquela iria ser minha primeira aula de balé em anos e, para ser sincera, eu não lembrava de muita coisa das aulas que tive quando era criança, então estava um pouco nervosa. Eu passei semanas treinando no meu quarto para não passar vergonha na escola de balé, mas percebi que estava perdida assim que bati os olhos em uma menina que devia ser um pouco mais nova que eu e, ao contrário de todas nós que já estávamos com o uniforme completo e redinhas nos cabelos presos em coque, ela estava descalça e fazia piruetas pelo salão com uma tiara prateada na cabeça. Seus negros cabelos soltos davam ainda mais perfeição e leveza aos seus passos enquanto ela girava.

Olhei em volta para as meninas que também estavam por ali se alongando nas barras enquanto esperavam o início da aula e, se fossem todas tão boas quanto aquela, eu iria passar a maior vergonha da minha vida com meus passos de balé infantis.

— Mary, você ainda não está pronta? Arrume logo esse cabelo e vá calçar as sapatilhas!

Madame Constance Mineux, que apesar no nome francês falava inglês perfeitamente e sem sotaque, a repreendeu e ela obedeceu prontamente, deixando a pequena tiara que tinha na cabeça sobre uma mesinha no canto da sala, junto a outros adereços tão sofisticados quanto aquele. Algumas meninas foram ajudá-la com o cabelo e pude ouvir uma delas dizer animadamente:

— Você com certeza vai ser escolhida como a primeira bailarina da apresentação, Mary!

— Vai sim, aquela tiara já é sua, amiga!! – A outra acrescentou, incentivando a amiga.

Mme. Mineux veio conversar comigo para dar as últimas recomendações e finalmente a aula começou. Eu não estava me saindo tão mal assim, ou era o que pensava, até ouvir os comentários sobre mim no vestiário após a aula. Todas me olhavam curiosamente e me esforcei para ignorar os comentários negativos, porque me irritar com esse tipo de coisa foi exatamente o problema da primeira vez que eu fiz balé.

Percebi que um grupo de garotas se aproximava de mim e me alertei mentalmente quanto a manter a calma e não bater em ninguém, não importando quais comentários maldosos elas fizessem. Eram seis meninas, mas apenas uma delas falou comigo, aquela tal Mary. Seus olhos escuros se apresentavam incrivelmente rígidos e sombrios como se fossem pedras ônix, mas ela trazia um sorriso doce na face, o que me deixou confusa quanto às suas intenções.

— Oi, eu sou a Mary... Mas odeio esse nome e juro que um dia ainda vou mudar pra outro mais legal! – Eu me segurei para não rir ao ouvir aquilo, onde já se viu achar que poderia mudar de nome?! Ela apontou para cada uma de suas amigas e as apresentou. – Essas são Lucy, Aileen, Emma, Rachel e Valerie. – As meninas me cumprimentaram com sorrisos simpáticos e, ao contrário do que imaginei, nenhuma delas manifestou aquele estranho desejo de mudar o nome.

— Você é iniciante, não é? – Mary me perguntou.

— Na verdade eu fiz algumas aulas de balé quando era criança e... É, acho que sou sim. – Finalizei rindo, não adiantava tentar me enganar, o que eu sabia de balé além dos passos principais?

— Isso dá pra perceber. Mas como você conseguiu ser aceita aqui?

— Minha mãe conversou com a professora, uma das minhas tias também estudou balé clássico com ela e por isso ela abriu essa exceção.

— Ah tá. Olha, a gente sempre fica aqui depois das aulas, se você quiser, podemos te ajudar a melhorar os passos...

— Mesmo? – Perguntei animada, era exatamente disso que eu precisava, já tinha sido um favor muito grande ser aceita na única classe da minha idade com uma turma avançada e ainda por cima à beira de uma apresentação, pedir aulas extras à professora seria demais.

— Claro! Sabe, eu tenho que treinar bastante, porque minha mãe disse que eu só posso me livrar dessa tortura se conseguir o primeiro papel em alguma apresentação. – Mary confessou revirando os olhos e deixei escapar uma risadinha, era engraçado como havia alguém ali que tentava sair enquanto eu tentei a todo custo convencer a minha mãe a voltar para o balé.

As meninas me ajudaram a conseguir equilíbrio em alguns passos como cambré e aplomb e, depois de um mês, eu já tinha evoluído bastante e conseguia fazer perfeitamente os passos mais complicados como balloté, gargouillade e fouetté. Em pouco tempo, nos tornamos grandes amigas e nos dávamos tão bem como se já fôssemos conhecidas desde pequenas.

— Você aprendeu tudo muito rápido, Megs! Logo vai estar dançando até melhor a gente... – Valerie me animou depois de um dos nossos treinos extras.

— Só não fique tão boa quanto eu, hein! Porque preciso daquele papel pra sair daqui e começar meu curso de cabeleireira! – Mary recomendou em um tom descontraído.

— Pode deixar, vou tentar tropeçar em algumas piruetas, só pra não ficar melhor que você! – Assegurei divertidamente e todas rimos.

Eu já tinha trocado de roupa e estava pronta para cruzar a porta, quando Aileen me chamou.

— Ah, Megan! Sábado nós vamos ao Cavern Club, você pode ir com a gente se quiser...

— No Cavern?! E seus pais deixam? – Perguntei surpresa.

Até onde eu sabia, o Cavern Club era uma velha adega de vinho que havia sido transformada em um clube e nenhuma das minhas amigas sequer sonhavam em pedir permissão para ir se divertir ali em uma noite. Nem o Richard, que sempre me levava para todos os lugares com ele, me deixava ir para ver sua banda tocar. Ele dizia que eu ainda era muito nova para frequentar esse tipo de lugar. Eu não sabia o que ele queria dizer com “esse tipo de lugar”, mas pelo que eu ouvia falar, era o clube mais divertido de toda cidade.

— Óbvio que não, mas eles não vão saber onde estamos. A gente sempre diz que vai dormir na casa da avó da Emma e se arruma por lá, porque a avó dela é tão surda que nem percebe quando a gente sai e muito menos escuta quando a gente volta. – Rachel explicou e todas as meninas deram risadinhas, provavelmente se lembrando das vezes em que já fizeram isso.

— Bom, eu posso falar que vou dormir na casa de alguém, mas... Tem que ser no Cavern? Sabe, tem outros lugares legais pra ir também... – Eu até tinha gostado da ideia, mas ir escondida para onde o Richard estava tocando não me parecia uma forma segura de fazer algo errado.

— Mas nenhum lugar é tão legal quanto o Cavern! – Mary respondeu com uma gargalhada, como se eu tivesse dito o maior absurdo do mundo em forma de piada. – Rory Storm and The Hurricanes estão tocando lá, você sabia? – Ela disse na maior empolgação. É claro que sabia e era justamente por isso que não queria ir para lá, mas não tive argumentos para fazê-las pensar em outro lugar e acabamos combinando de ir ao Cavern Club mesmo.

Eu disse para a minha mãe que ia até a casa da Lily e passaria a noite lá. Eu sabia que ela não iria se certificar de nada, porque eu vivia lá mesmo... Guardei minha maquiagem e dei um jeito de enrolar meu melhor vestido na bolsa, deixando para me arrumar na casa da avó da Emma.

Depois de anos tendo as amigas mais chatas da face da terra, eu já sabia me maquiar, arrumar o cabelo e até andar de salto. O que eu ainda não sabia era se não corria o risco de algum conhecido esbarrar comigo lá ou acabar contando para os meus pais e, o pior de tudo, era que eu nunca tinha ido a um lugar daqueles não sabia ao certo se teria como me esconder em algum lugar longe do palco.

Chegando lá, percebi que o Cavern era um lugar bastante agradável e eu escutava orgulhosamente como a música da banda do meu melhor amigo soava bem.

— Nossa, esse lugar é o máximo! – Eu exclamei, observando tudo à minha volta.

— É mesmo! E você querendo que a gente fosse pra outro lugar... – Valerie disse quase gritando, para que sua voz pudesse ser ouvida acima da música e daquele falatório à nossa volta.

Mary, Valerie, Rachel e Aileen foram dançando descontraidamente em direção ao palco e eu já estava quase pensando atrás de qual delas eu me esconderia, quando percebi que Lucy e Emma não estavam nem se movendo para seguí-las.

— Vocês não vão pra perto do palco? – Perguntei enquanto observava minhas amigas desaparecendo entre a multidão.

— Ah não, lá todo mundo fica espremido e tem umas meninas que ficam gritando igual loucas. – Emma se explicou.

— E as principais loucas escandalosas são justamente nossas amigas! – Lucy acrescentou rindo. – Por aqui dá pra curtir bastante sem ir pro meio da bagunça. – Ela assegurou e fez um sinal para que nós a acompanhássemos ao bar, que ficava bem atrás de uma parede e tapava qualquer visão que teríamos do palco, embora não interferisse em nada a qualidade do som que chegava até nós.

Como era um pouco afastado, as pessoas só iam para lá pegar suas bebidas e voltavam para o centro do clube, o que deixava aquela área menos movimentada e tornava o lugar perfeito para eu me esconder e as meninas curtirem a noite e dançarem com alguns garotos perdidos por ali, sem precisar enfrentar a multidão da pista.

Até eu fui obrigada a dançar com um garoto só porque ele estava com dois amigos que insistiram em dançar com minhas amigas e não queria ser o único a ficar sozinho. Ele se chamava Timothy, era alto mas não muito maior do que eu, tinha os cabelos escuros penteados para cima ao bom estilo teddy boy e lindos olhos amendoados, tão verdes quanto o mar.

Não ficamos nem cinco minutos dançando e ele disse que não gostava muito de dançar, então propôs que fôssemos para o bar e eu aceitei imediatamente, porque nunca tive a oportunidade de beber livremente antes.

Eu devo ter exagerado um pouco, porque cheguei na casa da Dona Charlotte morrendo de sono e era a única que já estava deitada no sofá da sala às três da manhã, enquanto as outras ainda estavam trocando experiências animadamente.

Fechei os olhos e não fui capaz de processar muita coisa, a não ser um gritinho eufórico que me despertou:

— O RINGO SORRIU PRA MIM! – Eu estava com os olhos entreabertos quando vi um travesseiro voando na direção de Rachel, que provavelmente tinha sido a dona do gritinho. Mary, que havia jogado o travesseiro, zombava dela.

— Grande coisa! Aquele baterista fica balançando a cabeça, sorrindo e olhando pra todo mundo o tempo todo! – Ela ria com desdém.

— Richard? – Eu estava tentando perguntar se elas falavam do meu amigo, mas tudo o que saiu foi uma pequena indagação sussurrante com seu nome, que elas nem sequer perceberam, então eu simplesmente fechei os olhos e dei lugar ao sono outra vez.

Fui acordada mais algumas vezes com risinhos e travesseiradas na cara, mas não conseguia manter os olhos abertos nem por dois segundos e, da última vez que me lembro de ter sido acordada, uma voz que não consegui identificar disse:

— Não deixem a Megs beber tanto assim da próxima vez, olha só como ela acabou!

— Isso não é culpa só da bebida, ela não deve é estar acostumada a ficar acordada até tarde, mas vamos dar um jeito nisso logo, logo! – Reconheci a voz maliciosa da Mary e consegui distinguir alguns murmúrios animados em concordância antes de voltar a dormir, dessa vez por toda a noite.



Notas finais do capítulo

Gente, não se feliz ou infelizmente, a fic está chegando ao fim. Eu falei isso há uns capítulos atrás mas agora é sério mesmo, eu fiz um esqueminha pra ter noção de quanto falta e não vai chegar nem ao capítulo 40...
Peço a todas que têm facebook que entrem aqui: https://www.facebook.com/groups/521146371246732/ (não reparem o nome tenso, ainda vou mudar pra um melhor rsrs)
Importantes decisões quanto ao futuro da segunda fic, que vai ser a continuação dessa (tipo pré-beatles e beatles, sabe? rs), vão ser tomadas ali porque foi o jeito mais fácil que encontrei pra falar com todas ao mesmo tempo e preciso muito da opinião de vocês.
Espero vocês lá, até