Good Day Sunshine escrita por Nowhere Unnie


Capítulo 31
Capítulo 31 - Aprontando no porto de Liverpool


Notas iniciais do capítulo

E aqui está o capítulo que vai deixar as Regans felizes. Ou não... kkkk
Cliquem nos links para ver as fotos (:



Liverpool, 1959

 

O tempo passou voando e muita coisa mudou em dois anos. John finalmente aceitou o George nos Quarrymen e já estão pensando em mudar de nome, uma vez que os alunos do Liverpool Institute agora eram a maioria naquela banda. Antes eu tinha achado uma calamidade quando fui obrigada a participar de um grupo com as meninas mais chatas da escola e agora eu achava o fim do mundo não ter nenhuma delas com suas futilidades na mesma classe que eu, ainda que Rita e Polly tivessem conseguido ficar na mesma turma. Lily vivia faltando as aulas para frequentar uma escola de teatro escondida e, por incrível que pareça, eu a via com mais frequência do que via o Richard, que agora trabalhava como baterista profissional e não sobrava mais tempo nenhum para vê-lo, embora ele ainda me telefonasse quase todo dia.

Era comum que ele tivesse um ou dois dias livres espalhados pelo mês e sempre vinha me ver quando podia. Mas dessa vez, ele tinha aparecido no meu portão com uma surpresa.

— Você tem um carro, Richard?! Eu nem acredito! Ele é lindo! — Eu exclamava animada, enquanto andava ao redor do carro, admirando cada detalhe daquele automóvel, que não estava novinho, mas parecia perfeito mesmo assim.

— E adivinha só quem vai ser a primeira a dar um passeio no meu carango?

— Ah, claro! Você vai na porta de todas pra dizer isso, né?

— Na verdade vou sim, mas você é a única que vai ser a primeira de verdade. — Ele respondeu rindo enquanto piscava um olho.

— Seu besta! — Eu impliquei com ele e gritei na direção do portão. — Mãe, tô saindo com o Richard! — Nem esperei a resposta e já entrei no carro. — Vamos pra onde?

— É surpresa, mas sei que você vai gostar! — Ele disse com um ar convencido e começou a dirigir.

Nós estávamos indo para a região dos portos, eu sempre gostei muito de ir para lá e ficar olhando os navios, mas meu pai tinha parado de me levar porque eu o perturbava demais pedindo viagens de barco.

Quando ele estacionou o carro perto dos estaleiros saí de lá quase pulando, de tão animada que estava.

— Nossa, faz tanto tempo que eu não venho aqui! — Eu olhava em volta saudosamente. — Vem, Richard, vamos logo! — O puxei assim que ele trancou o carro.

— Calma, os barcos não vão sumir dali! — Ele dizia rindo, tentando conter meu entusiasmo.

— Mas metade deles vai zarpar se a gente não chegar logo! — Eu respondi com um leve desespero infantil na voz, mas também ria enquanto o puxava com mais força ainda.

— Pronto, Megan, feliz agora? Metade dos barcos ainda estão aí! — Ele disse a última parte enfatizando meu exagero anterior, quando finalmente chegamos ao cais do porto.

— Sim, agora sim! — Respondi rindo e o abracei com força. — Obrigada, Richard!

Ele retribuiu o abraço, mas logo me soltou quando ouvimos alguns gritos ao longe.

— Ringo! ... Ringooo!

Juro que naquela hora pensei que algum cachorro tinha fugido da coleira e o dono estava chamando ele de volta, até ver o Richard se virar para trás e acenar para o garoto que estava gritando. Olhei do garoto para o meu amigo confusa e perguntei, com uma leve ruga de interrogação na testa:

— O que é Ringo?

—Ah, é como eles me chamam agora... — Ele explicou normalmente, enquanto víamos o garoto se afastar. Mas eu fiz uma careta, como se tivesse acabado de provar algo amargo

— Francamente, Richard, não tinham um jeito menos esquisito pra te chamarem não? Isso lá é nome de gente?! Acho que depois disso nunca mais vou reclamar quando alguém me chamar de Meggie... — A última parte foi dita mais para mim mesma do que para ele.

— Não é tão ruim assim, eu acho bem legal, é por causa dos anéis. — Ele levantou as mãos enquanto falava, como se eu nunca tivesse reparado neles antes, tentando me convencer de que não era o pior apelido do mundo.

— Eu acho que estavam tirando uma com a sua cara e você nem percebeu, isso sim! — Revirei os olhos, me perguntando no que ele estava pensando quando aceitou isso.

— Não, claro que não! E agora eu me chamo Ringo Starr! — Ele anunciou todo pomposo.

— E vai ser o primeiro cachorrinho a virar uma estrela porque toca bateria, pois é! — Eu gozei com a cara dele e lhe dei um empurrão para acabar com aquela pose toda.

— Olha só, se continuar ofendendo minha nova identidade, não vou te mostrar a surpresa que preparei e te levo de volta agora mesmo! — Ele ameaçou, se mostrando mais ferido pelas minhas palavras do que pelo soco que acabou em um empurrão.

— A surpresa já não era vir até aqui? — Perguntei erguendo uma sobrancelha, sem acreditar muito naquela chantagem.

— Claro que não, achou mesmo que a gente ia se despencar até o porto só pra ver os barcos? Isso é coisa que crianças fazem! — Ele provocou e passou o braço por trás dos meus ombros, me conduzindo até um dos pequenos barcos que estavam atracados no cais. — El Bucanero! É aqui que nós vamos passar o resto do dia. — Ele apontava o barco, sem tirar os olhos de mim, esperando para ver minha reação de surpresa.

— E onde é que você arrumou esse barco? — Eu perguntei desconfiada, alternando os olhares entre ele e o barco de casco vermelho, que já apresentava a pintura descascada, embora aparentasse um bom estado de consevação em geral.

— Esse barco é do Juanito Jones, um marinheiro aposentado que costumava ficar naquela balsa em New Brighton onde eu era barman, quando a Eddie Clayton Skiffle Group ainda não dava dinheiro, lembra? — Assenti com a abeça e ele continuou — Eu o reencontrei aqui no porto de Liverpool, quando estava tocando em um desses bares de marinheiros com a minha nova banda. Mas agora chega de perguntas e vamos entrar logo, porque o tempo passa rápido e temos que devolver o barco pra ele de noite!

Ele mal terminou de falar e entrou no barco, estendendo a mão para me ajudar a entrar também, mas o barco balançava demais e, desastrada como sou, a mão dele não me ajudou muito e praticamente caí lá dentro ao invés de entrar. Por sorte ele havia me segurado e já estava rindo de mim, enquanto me sustentava entre seus braços.

— Não tem graça, Richard! — Eu gritei enquanto o estapeava, mas isso só fazia com que ele risse ainda mais.

Então fiz um esforço para me separar dele, tentando encará-lo com um olhar severo, mas fechei os olhos quando algo me prendeu ali. Desde quando ele cheirava tão bem daquele jeito? Não que antes ele andasse fedido por aí, mas tinha alguma coisa... diferente! Que despertava novas e irresistíveis sensações em mim. Antes que eu desse por mim, estava enroscada em seu pescoço e ele percebeu que alguma coisa estranha estava acontecendo, porque finalmente tinha parado de rir.

Eu já tinha perdido completamente o controle da razão e passava o nariz por trás da orelha dele, me embriagando cada vez mais com aquela essência de perigo e prazer que ele exalava. Inconscientemente, já estava friccionando os lábios em seu pescoço e cada vez queria tomar mais partes dele para mim. Deslizei a mão pelo seu cabelo e, quando minha boca alcançou seu maxilar, ele apertou de leve a minha nuca, o que me levou a buscar ainda mais dele. Eu já estava indo em direção à sua boca quando abri ligeiramente os olhos e percebi que ele parecia tão inconsciente quando eu, até que ele me apertou para aumentar o contato entre nós e me trouxe de volta à realidade. Abafei um grito assustado e me separei dele de repente, pensando na besteira estava prestes a fazer, ou melhor, eu já tinha acabado de fazer uma besteira bem grande. Ele me lançou um olhar queixoso e piscou os olhos algumas vezes como se tentasse entender o que tinha levado àquilo tudo, até que finalmente quebrou o silêncio:

— Olha, já tinham me dito que esse perfume fazia as garotas caírem de boca em cima da gente, mas não achei que ele fosse tão bom a ponto de funcionar até com você! — Ele descontraiu com uma breve risada e tentou voltar a me abraçar, mas dei um passo atrás quase de um salto.

— Richard, seu idiota! Deixa de ser convencido! — Dei um tapa no braço dele, mas aquilo não foi suficiente para acabar com a culpa que eu estava sentindo naquele momento. — Ai, que vergonha! Minha vontade é de mergulhar no mar e me esconder lá no fundo pro resto da vida! — Escondi o rosto com as mãos quando percebi que estava corando furiosamente e achei que ele fosse rir de mim mais uma vez, mas ele apenas se aproveitou da minha falta de visão para me abraçar de novo, mostrando que estava tudo bem.

— Mas você não pode se esconder de mim pelo resto da vida, ainda mais no fundo do mar... — Ele disse rindo, como se aquilo fosse algo absurdo, e na verdade era, o que me deixou ainda mais irritada.

— É, mas eu posso... Posso arrumar um lugar pra me esconder lá embaixo, se eu quiser! Como um... Um jardim de... — Ia dizer jardim de sereias, mas aquilo me pareceu irreal demais para alguém que estava tentando se defender, então disse a primeira besteira que me veio à mente. — Polvos... Um jardim de polvos!

— Um jardim de polvos?! Olha, eu até que gostaria de estar em um jardim de polvos, se por acaso você der uma festa por lá, não esquece de me chamar, hein? — Ele se divertiu com a ideia e até eu comecei a rir também. — Por falar em festas, acabo de lembrar que a gente veio aqui pra comemorar!

— Comemorar?! — Eu elevei vagamente os olhos, tentando me lembrar de algum motivo em particular para comemorações naquele dia. — Comemorar o quê?

— Adivinha só quem agora é baterista do Rory Storm? — Ele se empinou todo ao dizer aquilo e eu levei algum tempo até processar a informação.

— Ah, então você conseguiu uma nova banda, é? Já tava na hora e... Pera! Rory Storm? And The Hurricanes? AQUELE Rory Storm?! NOSSA, RICHARD! VOCÊ CONSEGUIU ENTRAR PRA MELHOR BANDA DE LIVERPOOL?! EU NÃO ACREDITO! — A cada grito de empolgação meu, ele ria mais e mais. — JÁ ESTOU ATÉ VENDO, AGORA VOCÊ VAI FICAR FAMOSO! VAI RODAR O PAÍS INTEIRO! NÃO, NÃO... O MUUUUUUUNDO INTEIRO!

— É, parece que sim! Mas por enquanto a gente toca só nesses pubs e bares... Bem, na verdade, agora que eles têm um baterista realmente bom, a gente vai tocar até no Cavern!

Nós dois começamos a rir e ele me levou até o interior do barco, onde tinha um pequeno compartimento térmico de bebidas para a nossa comemoração, mas aquele chato só me deixou beber refrigerante e ainda fez a piadinha mais ridícula do mundo, dizendo que se eu já andava atiradinha demais sem beber nada, imagina se bebesse? Nem preciso dizer que quase o matei afogado por causa disso.

 



Notas finais do capítulo

Esse capítulo ficou tão lindo que acho que vou mudar pro Team Richard *-* Regans comemoram!! Ou não :P
Gente, deixa eu dizer que estou com uma fanfic nova e gostaria que vocês dessem uma olhadinha: http://fanfiction.com.br/historia/282347/O_Mestre_De_Pocoes_Beatlemaniaco/
Se por um acaso alguém aqui gosta de The Beatles e Harry Potter ao mesmo tempo, acho que vai gostar da fic *-* Quem gosta só dos Beatles dê uma chancezinha à fic do mesmo jeito e garanto que não vão se arrepender... Vai estar cheio de músicas e só vocês entendem o que eu quero dizer com: Snape vai parar, por acaso, em um Magical Mystery Tour!! kkkkkkkkk