Good Day Sunshine escrita por Nowhere Unnie


Capítulo 24
Capítulo 24 - Mudanças


Notas iniciais do capítulo

Mais um capítulo pras melhores leitoras do mundo ♥



No dia seguinte, me levantei cheia de preguiça e, quando cheguei à mesa da cozinha, meu pai já estava escondido atrás do seu jornal enquanto tomava o café da manhã.

— Bom dia, meu raio de sol! — Ele me cumprimentou enquanto fechava o jornal, que dobrou em seguida e colocou sobre suas pernas.

— Booom dia, papai! — Respondi ainda bocejando, enquanto cortava meu pão.

— Você não está atrasada? — Ele perguntou, estranhando o fato de eu ainda estar em casa, ao mesmo tempo em que pegava o pote de manteiga que estava do outro lado da mesa e o colocou mais perto de mim.

— Ah não, a partir hoje eu vou de ônibus porque o Richard resolveu largar tudo e me deixar sozinha! — Eu passava a manteiga no pão com tanta raiva que parecia até que ele tinha alguma culpa disso. — Mas eu nem me importo mesmo... Pelo menos agora posso acordar mais tarde e ir de ônibus...

Ele riu da forma como eu tentava fingir a falta de importância daquilo e continuei a tomar o café despreocupadamente, até minha mãe começar a reclamar.

 

— Anda logo com isso, menina! Que lerdeza em comer um pãozinho! E ainda falta tomar banho e se arrumar!

— Ai, tá bem, tá beeem! -Eu revirei os olhos e me levantei, colocando o que restava do pão de uma vez na boca enquanto contornava a mesa para sair da cozinha.

— Se arruma rápido que eu te levo ao Instituto. — Meu pai avisou enquanto pegava mais uma torrada. Eu apenas assenti com a cabeça e fui me arrumar o mais rápido que pude.

Era estranho ir para a escola sem o Richard e passei todo o caminho quieta, com a cabeça deitada no vidro do carro, tentando imaginar como seria minha vida escolar a partir daquele dia.

Mas para ser sincera, a falta do Richard não mudava muita coisa, os professores continuavam chatos, os colegas de classe idiotas, Lily, Polly e Rita nunca paravam de falar alto demais no meio das aulas, enfim, a única diferença foi que George passou a sentar do meu lado, deixando até seus desenhos de lado para tentar me animar. Ele tinha boas intenções, mas nada poderia me animar quando meu melhor amigo não estava mais por perto.

— Olha o que eu tenho aqui, Megan! — George disse na hora do intervalo, me estendendo uma barra de chocolate, mas eu nem prestei atenção — É daquela que você gosta! — Ele tentou chamar minha atenção, mas sacudia a barra tão perto dos meus olhos, que eu mal conseguia ver qual das minhas preferidas era aquela.

— Não quero. — Eu respondi, empurrando a mão dele.

— Tá bem então, melhor que sobra mais pra mim! — Ele deu de ombros e abriu a embalagem, fazendo uma última tentativa de me animar colocando o chocolate em frente à minha boca, mas dei um passo para trás em protesto e sem querer esbarrei em alguém.

Já estava a ponto de me desculpar quando fui surpreendida com um braço passando em volta da minha cintura.

— Cuidado, Megan... — Aquela inconfundível voz brincalhona invadia meus ouvido e não pude deixar de pensar que eu nunca mais olharia por onde andava se, toda vez que esbarrasse em alguém, ganhasse um abraço de Paul McCartney. — Ei George, estava te procurando...

Eu adoraria poder controlar todo aquele rubor que tomou conta do meu rosto quando ele continuou falando com o George sem me soltar. E meu amigo, que estava com a boca cheia de chocolate, entoou apenas um murmúrio interrogativo, que Paul entendeu como uma oportunidade para explicar o motivo daquela busca.

— Era só pra avisar que ainda está difícil convencer aquele cabeça-dura, mas vou continuar tentando, acho que estamos perto de conseguir!

— Mesmo?! Bom, eu posso esperar mais um pouco, sem problemas... — George respondeu animado e voltou a comer seu chocolate.

— E você, Meggie, porque essa cara tão triste? — Paul voltava sua atenção para mim e eu fiquei tão envergonhada que tive vontade de ser invisível naquele momento. — Cadê aquele sorriso lindo que só você tem e eu gosto tanto, hein?

Na verdade eu já estava sorrindo para os meus sapatos, sem nem me importar com o fato de ele ter me chamado da forma como eu mais odeio. Era como se cada palavra que saía de sua voz aveludada fizesse todos os meus problemas e tristezas fugirem, mas eu ainda estava extremamente tímida com aquela situação de ter o Paul McCartney colado em mim.

— Não adianta esconder, eu já posso ver... — Ele disse rindo e segurou delicadamente meu queixo para levantar meu rosto e eu simplesmente esqueci de como se respira quando ele fixou seu olhar no meu. — E eu não posso sair daqui sem dizer que você tem os olhinhos mais doces que eu já vi, então não quero mais saber de tristeza apagando o brilho desse olhar, tá bem? — Ele dizia sorrindo e eu já estava toda derretida, apenas balançando a cabeça afirmativamente, incapaz de pronunciar qualquer palavra. Por fim ele deu um beijo demorado na minha bochecha, se despediu de nós com um até logo e o acompanhei com o olhar, até que ele desapareceu na multidão do pátio.

Eu ainda não conseguia acreditar que aquilo tinha acontecido e mal podia esperar para contar às meninas, elas iam morrer de inveja! Bem, a Lily talvez não e a Rita provavelmente me mataria, mas a Polly com certeza daria pulinhos e gritinhos, coisa que eu também estava cheia de vondade de fazer nesse momento, e só não fazia porque não queria parecer uma louca na frente de toda a escola.

— Megan, você tá me ouvindo? — George perguntou de repente, com um tom de voz irritado.

— Claro que sim, George, porque não ia te ouvir?

— Porque eu já perguntei umas três vezes se você não quer mesmo um pedaço de chocolate!

— Ah desculpa, eu acho que não ouvi mesmo... — Respondi, ficando subitamente sem graça pelos meus pensamentos, como se ele fosse capaz de ter escutado. — Quero si... George! Não tem mais nada aí! — Exclamei surpresa, olhando para a embalagem amassada em uma de suas mãos.

— Não, porque você não disse nada e eu comi! — Ele respondeu irritado e eu não entendia bem o por quê, então resolvi ficar quieta porque não estava com ânimo para discussões.

George já me conhecia o bastante para saber que, se eu não briguei com ele, era porque não estava tão bem quanto aparentava ao sorrir daquela forma besta poucos minutos antes, então me abraçou e eu deitei a cabeça no seu ombro, esperando que o intervalo acabasse logo para que eu pudesse me distrair com alguma coisa, mesmo que fosse com mais uma aula chata.

— Megan, não fica assim...

— Eu tô bem, George, sério! Ou pelo menos vou ficar bem algum dia...

Houve breve periodo silêncio até ele voltar a falar.

— Eu queria poder fazer alguma coisa, qualquer coisa que fizesse você ficar bem logo!

Eu percebi uma certa tristeza na voz dele e aquilo me partiu o coração, porque o tempo todo eu só pensava em mim mesma, sem me importar como isso afetava as pessoas à minha volta.

— Eu já me sinto melhor só de saber que posso contar com você! — Tentei mudar de assunto logo e parecer menos depressiva. — Ei, o que o Paul queria com você?

— Ah, ainda não sei se posso dizer...

Levantei a cabeça, ainda mais curiosa do que já estava antes, sem ter entendido nada da conversa deles.

— Vai, George, fala! Prometo que não conto pra ninguém!

— Hum... Posso até contar mas com uma condição...

— Qual?

— Quero ver você sorrindo.

— Só isso? Tá bem! — Eu sorri ligeiramente, morrendo de curiosidade para que ele contasse logo.

— Isso não é um sorriso, você só mostrou um monte de dentes! Quero um de verdade, igual aquele que você deu pro Paul! — Ele resmungou com uma careta de indignação.

— Mas ele não estava me chantageando e, além do mais, me deu um beijo e tudo!

— Ah, mas eu também posso fazer isso e...

— NÃO! — Dei um grito agudo quando percebi que ele estava a ponto de me dar um beijo, o que fez com que ele se assustasse e pulasse para trás. — Essa aqui é a bochecha do Paul McCartney e ninguém mais beija! — Determinei e coloquei uma mão por cima dela, como se estivesse protegendo o rosto de alguma coisa.

— Ah, nossa, me desculpa! — Ele pôs as mãos para o alto, ressaltando seu tom de ironia. — Então você nunca mais deve lavar esse lado do rosto só porque o McCartney deu um beijinho de nada aí, né? — Ele dizia irritado enquanto cruzava os braços e eu comecei a rir, porque ele tinha uma expressão facial muito engraçada quando ficava com raiva.

— Não precisa fazer essa cara feia, George... Ainda tem essa aqui, ó! — Eu falei rindo, apontando a outra bochecha. Mas ele parecia ficar ainda mais irritado ao ver que eu estava rindo da cara dele.

— Não sei do que você acha tanta graça! E eu não quero ficar com o outro lado! — Quanto mais irritado ele ficava, mais eu ria e não conseguia me controlar, então ele ficava mais irritado ainda e aquilo parecia nunca ter fim.

Até que ele se precipitou contra mim com tanta raiva que achei que ele fosse me bater. Já estava pronta para atacar de volta se fosse preciso, mas ele só segurou meu rosto entre suas mãos e deu um beijo estalado na minha boca.

— Pois eu prefiro ficar com essa parte! — Ele exclamou em seguida, ainda com raiva, e voltou a cruzar os braços. Não deixou de me encarar e vi sua expressão passar de raiva a embaraço, como se só a partir daquele momento ele tivesse percebido o que tinha feito, então desviou seu olhar primeiro para os lados e depois para o chão.

Se a intenção dele era me fazer parar de rir, tinha funcionado, porque eu fiquei estática, tentando entender como a raiva dele tinha se transformado naquilo e terminado daquele jeito. Mas não tive muito tempo para pensar nisso, porque uma voz irritante começou a cantarolar atrás de mim, em meio a batidas de palmas:

— George e Megan estão namorando! George e Megan estão namoraaaandoo! — Eu nem precisei olhar para saber que aquele era o engraçadinho do Moon e logo cerrei os punhos. — George e megan estão namo... — Ele parou de repente, assustado, assim que me virei em sua direção e saiu correndo.

— Repete isso na minha cara se tu for homem, Moon! — Gritei com raiva e fui correndo atrás daquele pirralho idiota, aproveitando que já não tinha mais ninguém ali para me impedir de bater nele.

Só consegui voltar para a sala na metade da próxima aula e entreguei para o professor um papel com a justificativa por ter estado ausente, antes de voltar ao meu lugar o mais rápido que pude. Assim que me sentei, George perguntou, em voz baixa:

— O que aconteceu?

— Tive que levar o Moon pra enfermaria... — Respondi entedentes e ele arregalou os olhos, visivelmente assustado.

— O que você fez com ele?!

— Ai, não fiz nada! — Me defendi revirando os olhos. — Ele é um bobão e conseguiu tropeçar nas próprias pernas enquanto subia as escadas fugindo de mim, bateu de cara em um dos degraus e começou a chorar quando viu o sangue do nariz pingando no chão... De qualquer jeito, era assim mesmo que ia terminar se eu tivesse conseguido chegar perto dele antes, ter quebrado o nariz sozinho só me poupou o esforço!

George continuava assustado e não disse nada, parecia até que tinha medo de que qualquer palavra faria com que ele tivesse o mesmo fim que ameacei dar ao maluco do Moon. Resolvi acabar com aquele clima tenso e a minha curiosidade de uma vez só.

— Você ainda não disse o que o Paul queria contigo... O que era, afinal?

— Sabe aqueles dias que vocês faltavam e eu trazia o violão porque não tinha o que fazer nas horas vagas? Então, o Paul me ouviu um dia desses e falou que eu tocava muito bem e queria que eu entrasse na banda dele.

— Você vai entrar pros Quarrymen? Que legal, George!

— Eu ia... Mas parece que o líder da banda não gostou da idéia porque eu sou muito novo.

— Mas que absurdo! Eu acho que isso não tem nada a ver e você toca muito bem! Quer dizer, eu nunca vi, mas se o Paul gostou é porque deve ser bom, né...

— É, espero que ele consiga convencer o Lennon! Ei Megan, você nunca me viu tocando né? Você podia ir almoçar na minha casa hoje e... — Ele fez uma pausa, como se de repente se lembrasse de alguma coisa que o impedia de me fazer qualquer convite normal. — Quer dizer, se você não tiver muito irritada comigo por... Aquilo... Foi sem querer, eu juro! É que...

Ele estava tão envergonhado e enrolado com as palavras, que eu decidi resolver logo a situação, para ter um problema a menos. Eu já estava sem o Richard ali, não podia correr o risco de me distanciar dele também.

— Ai George, esquece isso, tá bem? Melhor fingir que nunca aconteceu nada... As pessoas ficam meio doidas quando estão com raiva mesmo, eu sei, eu vivo com raiva de tudo! Bom, eu não saio por aí beijando todo mundo que aparece pela frente, sou mais de quebrar as coisas e tal... Mas enfim, acho uma ótima ideia almoçar na sua casa, sabe? A comida da sua mãe deve ser muito boa mesmo, porque você só pensa em comer!

Ele começou a rir e eu ri também, ficando mais aliviada por saber que nada mudaria entre nós.



Notas finais do capítulo

Dessa vez nem demorei e ainda tem foto pra quem ama o Paul(todas sim ou sim?), foto pra quem é fã do Moon maluquinho e foto do mini George, mas tirem o olho porque o orelhudinho é meu u-u kkkkk Espero que tenham gostado (: