Good Day Sunshine escrita por Nowhere Unnie


Capítulo 22
Capítulo 22 - Sempre juntos


Notas iniciais do capítulo

Gostaria de avisar para que prestem bastante atenção em cada palavra desse capítulo porque eu sei que não vai parecer, mas ele é importante na história e.e rsrsrs



Nem seria preciso comentar que a Lily teve que voltar para o quarto e me arrastar de lá para ir almoçar, o que eu fiz tão rápido que consegui terminar ao mesmo tempo que a Cynthia, que já estava da metade do seu almoço quando nós começamos.

— Já acabei, Lily! Cadê meus bolinhos de sobremesa?

— Calma Meggie, eu ainda nem acabei de almoçar!

— Tá bem, tá beeem! Você se incomoda de eu ficar ali na janela enquanto te espero?

— Não, pode ir.

— Tá, com licença...

O jardim da casa era enorme e eu ficaria todo o tempo só observando um beija-flor que voava por ali, passeando de uma flor para outra, se a janela de um carro que passava pela rua não estivesse aberta o suficiente para que eu visse o rosto de quem dirigia.

Era o garoto mais lindo que eu já tinha visto em toda minha vida. Tudo bem que minha vida não tinha sido assim tão longa para eu já ter visto muitos garotos, mas de alguma forma eu sabia que não iria encontrar outro como ele nem em mil anos. Usava óculos de sol e os cabelos jogados para trás pareciam aumentar ainda mais a beleza de seu rosto, que não apresentava nenhum traço de imperfeição. O carro não andava muito rápido, mas ainda assim eu lamentava internamente o fato de que ele logo sairia do meu campo de visão e até pensei em sair para o jardim só para vê-lo por um pouco mais de tempo, até que ele estacionou o carro em frente ao portão, desceu e tocou a campainha da casa.

Olhei para o lado assim que ouvi Cynthia aparecer de repente e abrir a porta, gritando para Lily, que estava na sala de jantar:

— Se a mamãe perguntar onde eu fui, avisa que saí com o Stuart!

Saí correndo da janela para a sala de jantar.

— Esse Stuart é o novo namorado da Cyn?

— O Stu?! Não! Quer dizer, acho que não, que eu saiba eles são só amigos...

— Nossa, se eu conhecesse um garoto bonitão assim não ia perder tempo sendo só amiga dele! — Eu disse, sonhando em ter essa sorte algum dia.

— Se você conhecesse um garoto bonitão assim, ele teria dezoito anos e nem ia ligar pra você... — Ela suspirou tão descontente que eu poderia jurar que gostava dele, mas não era correspondida. — Eu tenho inveja da Cynthia, ela tem todos os garotos que quer e até os que não precisa!

— Mas você também pode ter todos os que quiser, você é a Lily Powell! Até onde eu sei, todos os garotos do Liverpool Institute são caidinhos por você...

— Pode até ser, mas não gosto de nenhum deles. Ela sim conhece os melhores garotos da cidade! Até o John, aquele da banda do Paul, você lembra dele?

— Quem, o vocalista? Lembro sim.

— Ele é muito legal, inclusive já saiu algumas vezes comigo e com o Paul e...

— Você anda saindo com o Paul? Paul McCartney?! — Eu a interrompi.

— É, por que?

— Eu achei que ele fosse namorado da Rita...

— Mas não é, só porque uma pessoa beija a outra, não quer dizer que estão namorando.

— Não?

— Não, Megan! — Ela respondeu rindo, achando graça da minha ignorância infantil. — E mesmo assim, eu só saio com ele porque não tenho nada melhor pra fazer. Não quer dizer que a gente esteja junto, embora ele fique no meu pé o tempo todo... — Ela disse revirando os olhos, como se ter o Paul McCartney atrás de você o tempo todo fosse a pior coisa desse mundo.

— Eu nem ia me importar se tivesse o Paul no meu pé o tempo todo...

— Tá, ele é bem bonito, mas a Rita gosta dele e eu já disse que não quero nada com ele, mas ele insiste em me chamar pra sair e eu sempre aceito, porque sei que o amigo dele vai junto. O que nem é lá grande coisa, porque ele deve achar que eu sou a namoradinha do amigo pirralho dele e por isso nem ele e nenhum garoto daquela idade me dá bola... — Soltou outro suspiro infeliz e parou de falar, voltando a comer.

— Ah Lily, você reclama demais, isso sim! Todas as garotas dariam tudo pra ter metade dos garotos que você poderia ter e você fica aí só querendo quem não pode!

Ela deu de ombros e terminou de comer, me levando depois até o portão, onde o motorista já estava esperando para me levar de volta ao hospital, com meus preciosos bolinhos de baunilha cobertos de chocolate.

No dia seguinte, fingi que estava indo para escola, mas fui ver o Richard pela manhã, que ficou surpreso ao me ver, como se não fosse óbvio que eu preferia estar com ele do que naquelas aulas chatas.

— Você não tinha que estar estudando? — Ele estava sentado na cama, pronto para tomar o café da manhã.

— E você não tinha que estar comendo esse mingau? — Perguntei, olhando para o prato, que estava visivelmente intocado sobre um apoio acima de suas pernas.

— Não quero comer isso... — Ele fez uma careta olhando para o prato e mexendo o mingau com a colher.

— Você tem que comer isso se quiser ficar forte pra sair daqui logo! —  Sentei ao lado dele, passando o braço em volta dos seus ombros. — Anda! — Usei meu tom mais autoritário, mas ele e deitou a cabeça no meu ombro e resmungou.

— Nah...

Dei uma risada e comecei a afagar seus cabelos.

— Você parece uma criança manhosa, sabia? Agora para de enrolar e come! — Dei uns tapinhas no seu braço e ele levantou a cabeça, me encarando.

— E se eu não quiser?

— Se não quiser por bem, vai comer por mal! — Ameacei antes de soltar algumas risadas e peguei o prato em cima do apoio.

Enchi uma colher de mingau e levei até a boca dele, aproveitando que ele a tinha aberto para dizer outro não, e enfiei a colher ali à força. Ele fez uma careta e engoliu o mingau, reclamando depois.

— Isso é ruim! E tá frio...

— Se você tivesse comido na hora que trouxeram, ainda ia estar quente! — Levei outra colher à boca dele, que resmungou antes de abrir a boca de novo, mas acabou comendo tudo rápido depois que percebeu não ter outra escolha.

— Viu? Nem foi tão ruim assim! — Eu disse, me levantando e tirando o apoio com o prato de cima da cama para colocá-lo na mesinha do quarto.

— Claro, porque não foi você que comeu! — Ele reclamou aborrecido e cruzou os braços.

— Não faz essa cara feia pra mim, Richard! Isso é pra você ficar bom! — Descruzei os braços dele e me sentei na cama, de frente pra ele. — Você sabe que eu preciso de você lá fora comigo... — Dessa vez eu é que parecia uma criança manhosa e ele me envolveu em seus braços, me puxando para mais perto de si, então deitei a cabeça em seu peitoral.

— Eu consigo ouvir seu coração batendo... — Eu disse de forma boba, como se nunca tivesse ouvido esse som antes.

— Ele bate por você... — Richard falava enquanto acariciava minhas costas. — E vai ser sempre assim, até a última batida.

— E acho bom que essa última batida demore muito a acontecer, tá me ouvindo? Você tem que estar comigo pra eu ser feliz de verdade!

— Eu sempre vou estar contigo, não importa o que aconteça! — Ele prometeu ternamente. — Mesmo que você nunca mais me veja ou pareça que eu fui embora pra sempre, ainda assim eu vou dar um jeito de cuidar de você.

— Para de falar assim, garoto! Você não vai morrer!

— É, mas também não viver eternamente e, de qualquer jeito... — Ele respirou tão fundo antes de voltar a falar, que minha cabeça recostada em seu peito acompanhou o movimento da sua respiração. — Sempre venho parar no hospital...

— Lembra da última vez, quando disseram que não tinha mais jeito? Você continua aqui, não é? E além do mais, você não ia viver nem até os 7 e passou dos 17, não foi? E ainda vai passar dos 70, Você vai ver!

— E quando isso acontecer, tudo o que eu vou querer é que você esteja entre os meus braços, exatamente como agora, toda convencida e dizendo que tinha me avisado!

— Pode ter certeza que eu vou passar todos os seus aniversários de velhinho caquético te enchendo o saco, só pra dizer que avisei!

Começamos a rir juntos e, quando nossas risadas começaram a se desvanecer, ele disse:

— Ah Megan, não sei o que seria de mim sem você!

— Eu só sei que eu nunca vou conseguir ficar sozinha nesse mundo sem você, Richard!

Ao ouvir isso, ele me abraçou com força e eu fechei os olhos, enquanto o silêncio daquele abraço nos acalentava.

 

 



Notas finais do capítulo

Edit: Tive que tirar a segunda foto porque as regras só permitem uma por capítulo...

Tentem não chorar com essa foto como eu, ok? Olha o George abraçando o Ringo :') Coloquei essa foto aqui só por esse detalhe ♥