Good Day Sunshine escrita por Nowhere Unnie


Capítulo 21
Capítulo 21 - No brilho dos seus olhos


Notas iniciais do capítulo

Esse capítulo é dedicado à Nowhere Laura porque fiquei sabendo que ela é completamente viciada em Good Day Sunshine ♥



Eu só saí do hospital de noite, quando os enfermeiros quase me expulsaram de lá, porque minha mãe tinha ficado com pena e desistido de me chamar para ir embora mais cedo. Eu disse para o Richard descansar bastante, porque no dia seguinte eu só ia aparecer na hora do almoço de novo por causa de uma avaliação que eu faria.

Mas não tinha estudado nada e até pensei em colar do George, mas ele também deve ter estudado menos ainda, pois passara o dia anterior comigo no hospital. Então sentei estrategicamente atrás da Polly, que era desastrada demais quando ficava nervosa e sempre deixava cair tudo da mesa durante as avaliações. Naquele dia, ela parecia mais desastrada que o normal, o que me ajudou bastante e eu via quase todas as suas respostas.

Na hora do intervalo, fui para o mesmo canto de sempre com George e, depois de alguns minutos de silêncio, ele começou a me perturbar.

— Megan, você tem que comer alguma coisa...

— Não tô com fome, George! Ao contrário de você, eu consigo ficar umas horinhas sem comer nada.

— Mas você passou a noite toda sem comer nada e nem tomou café da manhã...

— Como você sabe? — Perguntei surpresa, porque eu realmente não tinha tomado nada.

— Porque até já consegui ouvir seu estômago roncando umas três vezes desde que a gente sentou aqui e isso quer dizer que você não comeu nada desde ontem!

Olhei para ele, ainda assustada com tanta perspicácia, e respondi:

— Mas eu... Ah, esquece! Você não entende o que é não ter a menor vontade de comer nada! — Sentei e comecei a brincar com as folhinhas da grama enquanto o via se sentar também, continuando de frente para mim. — Eu só queria estar lá com ele... Você acha que ele está melhor?

— Talvez sim, mas ficar aí sem comer não vai fazer ele melhorar, você sabe disso.

George estava certo, mas eu não disse nada e continuei olhando para ele, com minha pior expressão de desânimo. Eu não podia evitar, aquele não era meu lugar e se não fosse por aquela maldita avaliação, eu estaria com Richard naquele momento.

Minha mente estava bem longe, mais precisamente lá no hospital, quando alguma coisa passou correndo desajeitadamente entre nós dois. Não era preciso muito esforço para adivinhar que aquilo só podia ser o maluco do Moon, que voltou correndo alguns segundos depois, mas dessa vez parou ao nosso lado.

— O que ela tem, George? — Ele perguntou olhando para mim e, qualquer um que o conhecesse bem, saberia que ele queria me irritar quando passou ali antes e o fato de eu não fazer nada era que o havia preocupado.

— Eu não tenho nada, Moonie! — Me levantei para encará-lo, o que fez com que ele desse um passo para trás. — Agora fica quietinho aqui, porque se alguém quiser te bater, não tô a fim de sair daqui pra te defender... — Suspirei e o puxei de volta para perto de mim, o abraçando em seguida.

— Geeoorge... — Ele começou a balbuciar, assustado. — O... o que... o que ela tem na mão aí atrás de mim? Eu não... não tô conseguindo ver... Socorro!

George se levantou, quase morrendo de rir, e disse:

— Não tem nada na mão dela, Keith! Agora cuida dela direitinho aí pra mim, porque vou ali na cantina e já volto...

— Nãããããão! Volta aqui, Harrison! Não me deixa sozinho com ela! Isso é muito estranho e eu tô com meeedoooo!

— Cala boca, Moon! — Dei um tapa no pescoço dele, sem soltá-lo.

— Viu?! Eu sabia que você ia me bater! — Ele disse magoado, fazendo biquinho e tentando se soltar, mas não o deixei sair.

— Só porque você é muito idiota! — O abracei com mais força ainda ao invés de dar outro tapa nele. Eu estava realmente mal e, por algum motivo estranho, abraçar alguém me aliviou um pouco.

Algum tempo depois, George voltou e bagunçou o cabelo de Keith.

— Bom trabalho, garoto! Toma, um desses é pra você... — Ele estendeu uma sacolinha de papel para o Moon, que abandonou a expressão de medo abriu um sorriso enorme.

— Puxa, obrigado, George! Ahm, Meggie, eu sei que você me ama e não vive sem mim, mas pode me largar só um pouquinho? — Ele disse, levantando e abaixando as sobrancelhas com aquele ar convencido de pirralho conquistador e só então eu me lembrei de quem era o irritante garoto ao qual eu estava abraçada e o empurrei.

— Ai! — Ele reclamou e, quando vi o que ele tirou da sacolinha, avancei imediatamente para onde George estava, quase como um zumbi sedento.

— Cupcake?! Você tem cupcakes aí?! — Ele quase recuou assustado, mas começou a rir quando eu enfiei o nariz na sacola e a puxei com força de suas mãos.

— Ei! Eu não trouxe só pra você! — George reclamou, mas ainda assim parecia satisfeito.

— Não sabia que vendia cupcake aqui! — Falei, abocanhando o primeiro.

— Não vende... Eu encontrei a Lily no meio do caminho e disse que você não estava comedo nada, daí ela perguntou: Nadinha? E eu respondi: Nadinha de nada! Aí ela disse: Leva isso aqui... Eu duvido que ela não coma!

— Eu adooooooooooooooro cupcakes! — Exclamei, já comendo o segundo e estendendo a sacola para o George pegar um também. — Sabe, quando a gente vai na casa da Lily sempre tem um monte! Será que ela traz todo dia? Olha, acho que vou parar de lanchar com vocês... — Repentinamente toda a fome que eu não senti pela manhã pareceu despertar e eu parei de falar, comendo vorazmente o resto dos cupcakes, sem deixar a menor brecha para que algum dos garotos tentasse pedir outro, mas George não parecia incomodado, ele continuava rindo e Keith me olhava assustado, mas isso era comum da parte dele.

Na hora da saída, George disse que não podia ir comigo ao hospital, mas mandou lembranças com votos de melhora ao Richard, e Lily pediu para me acompanhar até lá. Eu aceitei de bom grado, porque tinha jurado amor eterno a ela depois dos cupcakes e até fiquei me perguntando se isso não era um plano para amansar a fera que sempre a atacava quando ela ficava cheia de amores para com o meu amigo.

Chegando lá, ele já estava sem o tubo com a máscara de oxigênio, mas ainda recebia soro na veia, o que significava que ainda não estava tão bem. Assim que nos viu, abriu um sorriso enorme e eu confesso que um sentimento egoísta tomou conta de mim. Eu não estava nada feliz de saber que tinha mais alguém mais recebendo o que era meu. Como eu não podia expulsar a Lily da sala e nem mandar ela fechar os olhos porque só eu tinha o direito de ver o Richard sorrindo, apertei o passo e me posicionei ao lado dele, tomando sua mão livre e mostrando que aquele era o meu lugar.

— Você parece melhor, sabia? Acho que logo vai sair daqui... — Eu disse esperançosa e dei um beijo demorado na sua bochecha, que estava um pouco menos pálida do que no dia anterior.

— O médico passou aqui mais cedo e disse que eu já estava respirando bem sem o auxílio do tubo de oxigênio... — Sua voz soava lenta e cansada, mas também estava melhor do que antes.

— Que bom, Ritchie! Você deu um grande susto na gente... — Lily disse, enquanto se curvava sobre ele e acariciava o seu rosto, ignorando minha singela marcação de território. Antes mesmo que eu pudesse ter vontade de expulsá-la dali a pontapés, continuou importunando. — Você não se importa de eu levar a Meggie pra minha casa e obrigar essa menina a almoçar, se importa?

— Não vou sair daqui! — Eu avisei, firme e decidida.

— Vai sim e sem reclamar, Megan! Você passou a manhã inteira sem comer nada!

— Não é verdade, eu comi uns cupcakes!

— E se não fosse pelos cupcakes, você estaria até agora com fome!

— Mas eu não quero sair daqui! E você também não quer que eu saia, diz pra ela, Richard!

Olhei para ele em busca de apoio, mas ele ficou calado por alguns segundos, me lançando aquele olhar preocupado, comum a todos que se dirigiam a mim naquele dia, até se pronunciar:

— Megan, você tem que almoçar... — Ele disse enquanto acariciava suavemente minha mão, que ainda segurava a dele.

— Minha casa nem é longe daqui e o motorista te traz de volta assim que você acabar de almoçar. — Lily tentava me convencer, se aproveitando da falta de objeções dele.

— Ainda tem cupcakes lá? — Perguntei, avaliando a proposta.

— Claro que tem! Eu deixo até você trazer quantos quiser, pra quando tiver fome de tarde.

— Hum... E se eu quiser trazer todos? — Ela e Richard riram ao mesmo tempo, assim que eu terminei de perguntar.

— Aí você tem que sair correndo antes de a Cynthia descobrir... — Ela falou rindo e eu ri também, me divertindo com a ideia de fugir da Cyn com os cupcakes.

— E a gente pode almoçar ouvindo Elvis?

— Pode, Megan! — Ela assentiu com um tom de voz cansado e revirando os olhos.

— Fechado! Eu já volto, tá bem? — Dei um beijo demorado na testa do meu melhor amigo e, depois que a Lilyzinha se despediu dele da forma mais melosa e irritante possível, eu saí do quarto logo atrás dela.

— Ei, Megan! — Ele me chamou antes que eu fechasse a porta, então coloquei a cabeça para dentro do quarto de novo. — Você tem que passar menos tempo com o George, olha só como ele é má influência, você já anda até me trocando por cupcakes...

Eu comecei a rir e voltei correndo para o lado dele no quarto.

— Deixa de ser besta, Richard, você sabe que eu te amo mais que qualquer coisa nesse mundo!

Seus olhos se fixaram nos meus enquanto ele sorria e, de repente, eu esqueci de tudo o que estava à minha volta conforme outro sorriso ia brotando no meu rosto. Não existia mais medo, raiva, insegurança, ou o que quer que fosse. Tudo o que eu precisava para ser feliz estava ali, bem diante de mim, brilhando no azul dos seus olhos.



Notas finais do capítulo

E para todas vocês, suas lindas, obrigada por tudo!! (: