Good Day Sunshine escrita por Nowhere Unnie


Capítulo 17
Capítulo 17 - Doces e espinhos




Como eu imaginava, Cynthia sabia a resposta para todas as minhas dúvidas, mas sempre surgia com um problema a mais, que dessa vez era o fato de nenhum dos dois saber como agir. Era bom ter alguém experiente para conversar e até a Lily parecia saber disso, porque também ajudava vez ou outra e provavelmente já teve alguma conversa do tipo com a irmã mais velha antes.

Desde então eu sabia que o George também gostava de mim e, conforme o tempo foi passando, fui me acostumando com aquelas novas sensações. Eu só achava um pouco esquisito o fato de que ele parecia ter algum problema com minha presença e só conversava comigo a um metro de distância. Mas aquilo não era um problema, eu até preferia que fosse assim, porque isso diminuía todo aquele incômodo que meus sentimentos causavam e me ajudava a ficar mais à vontade com ele. Além disso, a época de avaliações finaia estava chegando e eu tinha muito mais com o que me preocupar do que com coisas estranhas que aconteciam à minha volta.

Até que um dia tudo fez sentido.

Aquele parecia um dia normal e entediante como todos os outros. Enquanto eu ia para a sala com Richard, o imbecil do Moon estava arranjando mais um jeito de apanhar dos garotos mais velhos, mas eu o puxei para perto a tempo e ele foi andando com a gente.

— Moon, quer parar de dar motivos pros outros te baterem? — Ralhei enquanto dava um tapa nele. — Não tá vendo que isso é uma coisa que só eu posso fazer e mais ninguém?

— Ai! — Ele reclamou esfregando o braço, onde tinha recebido o tapa. — Não pode na...aaai! — Dei outro tapa para mostrar quem é que mandava.

— Não posso, é?

— Megan, para de bater no garoto... — Richard ordenou com um tom de voz cansado, por já ter dito aquilo muitas vezes nas últimas semanas.

— Melhor apanhar de mim do que dos grandões... — Dei outro tapa nele, que reagiu com um grito exagerado demais porque eu nem estava batendo com tanta força assim.

— Olha, eu acho que isso tudo é amor, hein... — Richard caçoou com uma risada.

— Coitado do Keith, deve ser menos dolorido namorar um porco espinho do que a Megan! — George também zombou e começou a rir, enquanto se juntava a nós pelo caminho até a sala de aula, mas logo parou quando seu olhar encontrou a expressão quase mortal que havia se formado no meu rosto em reação ao seu cometário.

— Eu sei que você me ama Meggie, vai, confessa! Você não resiste ao meu charme e beleza, por isso sempre me defende! Um dia você ainda vai se casar comigo... — Keith se empinou todo para dizer isso e dessa vez eu ri da cara dele, ao invés de me irritar mais ainda.

— Se manca, Moon! — Empurrei o convencido para dentro da sala e ele acabou tropeçando, o que fez com que todo mundo que estava lá dentro caísse na gargalhada.

— Eu te odeio, Megan! — Ele resmungou fazendo aquele biquinho falso, que sempre o fazia parecer um menino fofinho, e sentou na cadeira que tinha usado como apoio para não se esborrachar no chão.

— Mas eu te amo, Moonie! Lembra? E agora consegui fazer você cair de amores por mim! — Zombei dele e fui para o meu lugar, seguida pelos meus dois amigos, que balançavam a cabeça negativamente reprovando meu ato, mas também riam comigo.

Na hora do intervalo fui para o mesmo lugar de sempre, mas sem o George, que ia passar na cantina primeiro e nos encontraria depois. No meio do caminho, Ritchie foi sequestrado pela Lilyzinha e disse que também se encontraria comigo depois. Eu sentei recostada no tronco de uma árvore e, alguns minutos depois, George tinha chegado com um sanduíche enorme e uma barra de chocolate. Ele olhou para os lados, imagino que procurando nosso amigo, mas não perguntou aonde ele tinha se metido porque aquelas desaparições já tinham se tornado frequentes.

— Você quer, Megan? — Ele perguntou, estendendo a barra de chocolate para mim.

— Que-quero... — Respondi meio insegura, porque George compartilhar o lanche dele com alguém era algo que eu nunca tinha visto antes.

Mas estiquei a mão para pegar a barra e ele se sentou ao meu lado. Outra novidade, porque eu sempre era a única que me esparramava em um tronco e ninguém mais sentava ali. Era meio desconfortável dividir aquele lugar com alguém, porque a árvore não era assim tão grande e ele estava praticamente colado em mim ao invés de ir se ajeitar em outra parte do tronco.

— George, você pode chegar pra lá? — Sugeri enquanto abra a embalagem do chocolate.

— Chega você, se está tão incomodada... — Ele deu de ombros e abocanhou o sanduíche.

— Eu cheguei aqui primeiro e além disso todo mundo sabe que o tronco da árvore é meu lugar de sentar! — Retruquei mal-humorada, mordendo um pedaço do chocolate.

— Não vi seu nome escrito aqui quando sentei...

— Mas me viu aqui quando sentou e, além do mais, tem espaço suficiente pra você do lado de lá do tronco!

Ele finalmente se mexeu mas, ao invés de me dar espaço, passou o braço em volta dos meus ombros e me desafiou, com um sorriso vencedor e extremamente irritante:

— E se eu quiser ficar desse lado aqui com você?

— Aí eu vou ter que te furar com meus espinhos até você sair! — Respondi irritada,  me lembrando do que ele tinha dito mais cedo.

— E se eu não me importar de namorar um porco-espinho?

— Então você vai no zoológico e namora um! — Respondi rindo, tentando acabar com aquela conversa e não ficar tão envergonhada assim.

Ele riu também e ficamos um bom tempo assim, abraçados e rindo como dois idiotas apaixonados. Porém, mais estranho do que o fato de George simplesmente ignorar o sanduíche dele para ficar rindo comigo, foi o fato de ele levantar dali o mais rápido possível, abocanhando o maior pedaço de sanduíche que pôde quando viu Richard se aproximando.

Aquela foi a primeira vez em que eu parei para pensar que o problema do George não era bem ficar perto demais, mas sim se aproximar de mim quando estávamos os três juntos.

— Eu chamei a Lily pra estudar com a gente hoje, vocês não se importam, né?

— Não, eu não... Espero que ela entenda mais de matemática que vocês e eu, senão vai ficar difícil... — George falou de boca cheia, tampando a boca com a mão.

— Espera! Hoje?! Tem certeza que estava marcado pra hoje?

— Claro Megan, faz dias que a gente combinou isso! — Richard respondeu enfatizando cada palavra, como sempre fazia cada vez que eu esquecia de alguma coisa, o que acontecia com muita frequência.

— Droga! Hoje a tia Sue vai almoçar lá em casa...

— É só falar que vai estudar porque já está perto das provas e seus pais vão te liberar... — Disse George, ainda de boca cheia.

— Você não sabe como funcionam as coisas quando a tia Suzan está na cidade, George... Ela nunca vai conseguir! Olha, Megan, almoça rapidinho e depois sai correndo, já que vai ser na minha casa mesmo.

— Isso se eu conseguir me livrar daquela megera! — Bufei, me lembrando da tortura que sempre eram esses almoços. — Richard, você vai comigo!

— Ah, claro que vou! — Ele riu sarcasticamente. — Por um milagre ela desistiu de almoçar na minha casa dessa vez! E além do mais, não sou obrigado a aturar isso porque ela é nem é da minha família de verdade...

— E nem eu!

— Mas com você é diferente!

— Então é mais um motivo pra você ir comigo! Olha, eu sei que nem o tio Harry aguenta a própria irmã, por isso que ela não foi pra sua casa dessa vez, mas o que é que custa você me fazer companhia durante um almoçozinho? — Já estava fazendo minha melhor cara de desespero, tentando convencê-lo.

— Parece que você se esqueceu o motivo de a gente parar de dar força um ao outro nos almoços com a tia Sue, não é?

— Não, eu não esqueci! Mas e se forem vocês todos? Duvido que ela vá ficar de gracinhas, ainda mais na frente do meu pai, que já disse que vai almoçar em casa hoje. E se eu não conseguir sair de lá pra estudar, vocês levantam e me arrastam à força... Vaaaai, por favorzinho! — Eu já estava juntando as mãos e suplicando.

— Eu não vejo problema em ir... — George opinou, amassando o guardanapo e a embalagem onde estava o sanduíche que tinha acabado de devorar.

— Claro que não, em primeiro lugar porque não conhece a peça e, em segundo lugar, porque nunca recusaria uma almoço, né? Mas tá bom, se o chato do George não discordou e com isso se foi minha desculpa pra escapar, a gente vai... Satisfeita? — Richard disse, enfim vencido.

— Sim, Ritchie, meu amor! — Respondi brincalhona e o abracei, enquanto enchia a bochecha dele de beijos, que os recebia com gargalhadas.

A felicidade, no entanto, acabou assim que entramos em casa pela porta da sala, onde minha tia estava sentada no sofá, se levantando assim que nos viu, como se estivesse o tempo todo esperando pelo momento de nos infernizar.

— Meggie, querida, como você cresceu! Parece que te vi nascer ontem, com aquelas bochechinhas rosadas! — Ela exclamou apertando minha cara, como se tentasse achar algum vestígio daquelas bochechas na minha face, quase tão magra quanto a de George.

— E olha só você, Richard! Já está um homenzinho! — Dessa vez quase esmagou o coitado com um abraço de urso, enquanto ele me lançava um olhar desesperado, como se eu pudesse livrá-lo de algum modo daqueles braços gordos que o prendiam. Tapei a boca para não rir daquela tragédia para a qual eu mesma havia empurrado meu melhor amigo e acenei para que George e Lily entrassem.

— E quem são esses dois jovenzinhos adoráveis? — Ela largou o sobrinho postiço, que me lançou um olhar enraivecido enquanto dizia, sem emitir som algum: Você me paga!

— São meus amigos da escola, Lily e George. Precisamos estudar para as provas, sabe?

— Amiguinhos da escola? Megan, você não me disse que ia estudar hoje... — Minha mãe surgiu na sala de repente, vindo da cozinha, ao perceber que eu tinha trazido visitas.

— É que eu esqueci que era hoje... Então a gente vai só almoçar e depois ir pra casa do Rick. Eu ia direto pra lá, mas lembrei que tinha o almoço com a tia e então viemos todos juntos.

— Tudo bem, vou colocar mais pratos na mesa. Sintam-se à vontade! Richard, já avisou para a sua mãe que vai almoçar aqui?

— Ainda não, tia... Vou lá em casa avisar e... — Segurei o braço dele com força, porque vi que ele estava mesmo tentando escapar e o interrompi, rindo disfarçadamente.

— Ah, esse Richard, sempre tão engraçado! Vai logo ligar pra tia Elsie, vai! — O empurrei em direção ao telefone, seguida por Lily, que também pediu para ligar e avisar à sua mãe que tinha ido estudar na casa de amigos.

— Nossa, é assim tão desesperador? — George perguntou baixinho só para eu escutar, depois de perceber a quase-fuga do nosso amigo.

— Você vai ver... — Sussurrei de volta e fomos todos nos sentar à mesa, logo após lavar as mãos.

Papai não demorou muito a chegar e logo começamos a almoçar. George estava se acabando na macarronada e mal prestava atenção ao que estava sendo dito, nem mesmo quando minha tia começou a falar dele.

— Mas esse menino é tão magrinho! Parece que está meio desnutrido, você não acha, Beth?

— Eu não acho, ele parece comer bem até demais...

Dei um chute no meu amigo guloso, que estava à minha frente na mesa, bem ao lado de Richard, para ver se ele percebia o que estava acontecendo e se controlava na hora de pegar mais macarronada, mas acabei chutando o garoto errado sem querer, que tentou abafar um grito e me olhou de cara fechada enquanto eu dei um sorrisinho amarelo como pedido de desculpas. Mas o pior aconteceu: Minha tia de repente voltou sua atenção para ele e começou a destilar seu veneno.

— Ah, Richard, eu não acredito que o tempo passou tão rápido... Ainda lembro de quando íamos almoçar todos os domingos na casa da mamãe, você e Megan ficavam grudados o tempo todo, até a hora de ir embora... Eram tão bonitinhos juntos! Eu sempre achei que iam crescer e namorar. — Ela terminou de falar com um sorriso sonhador e ao mesmo tempo assustador, que fez meu pai engasgar, Richard arregalar os olhos e minha face queimar com um misto de vergonha e raiva. Não consegui me controlar, porque essa coisa de destilar veneno provavelmente está no sangue:

— Ah não, titia, nunca vou namorar ninguém... Quero crescer e ser uma solteirona como a senhora! — Tentei dizer aquilo da forma mais séria possível, como se isso fosse um orgulho e não uma ofensa, mas dessa vez minha tia que ficou toda envergonhada e percebi que meu pai tentava não rir. Minha mãe me lançou um olhar furioso de reprovação e eu continuei falando:

— E além do mais, o Richard agora anda de namorico com a Lily...

Lily até agora tinha sido a única a não levar nenhuma alfinetada, mas eu precisava falar mais alguma coisa e mudar de assunto, antes que levasse uma bronca na frente de todo mundo. E deu certo, porque minha tia logo começou a falar:

— Essa mocinha ao seu lado? — Balancei a cabeça afirmativamente, enquanto comia uma garfada de macarronada. — Richard, seu conquistador! Você se deu bem! É uma menina bonita e encantadora!

— Obrigada! — Lily agradeceu meio constrangida e depois abaixou os olhos para seu prato, me dando uma discreta cotovelada como repreensão.

— Mas já que agora você tem uma namoradinha, acho que a Meggie aqui vai precisar de outro par... Esse rapazinho parece uma ótima escolha, não é, querida? Eu acho que vocês formariam um belo casal!

— Não! Nós... Não... — Gaguejei quando ela conseguiu tocar justamente no meu ponto fraco, mas fui salva pelo meu pai, que logo pigarreou e deu seu parecer de modo autoritário:

— Megan ainda não tem idade para namorar ninguém, Suzan! E vocês não iam estudar, crianças? É melhor ir andando, assim têm mais tempo...

— Mas e a sobremesa? — George perguntou com certa tristeza por abandonar o local, porque pelo visto foi o único que não se sentiu atingido por nenhuma palavra dita naquele almoço e só se importava com a comida.

Papai tirou umas notas do bolso e entregou a ele.

— Vocês podem ir até a sorveteria da esquina. Nesse calor, sorvete é a melhor sobremesa, não é?

Por sorte, até George que já estava no segundo prato, tinha acabado de almoçar e aproveitamos a deixa para fugir. Antes de sair abracei meu pai, que ainda estava sentado, esperando o doce que minha mãe traria de sobremesa.

— Te amo! — Ele sorriu e entendeu que isso significava o mesmo que: Muito obrigada por me livrar das mãos da bruxa!

Todos estávamos envergonhados ao caminhar para a sorveteria, menos George, que estava satisfeito e feliz demais com a sobremesa refrescante e nem se importava por eu ter metido todo mundo naquela enrascada.

— Eu nem achei tão ruim assim... — Ele disse, quebrando o silêncio.

— Claro que não, você passou o tempo todo comendo! — Eu rebati com uma risada.

— E nem percebeu tudo o que falaram, pelo visto! — Lily acrescentou, ainda parecendo um pouco ressentida.

— Ai, gente, desculpa! Eu deveria ter falado antes que minha tia tem esse péssimo hábito de fazer qualquer um passar vergonha...

— Eu tentei avisar e você não me escutou! — Richard fez questão de me lembrar.

— É, mas eu também não queria ficar lá sozinha e se estivesse só contigo ia ser pior ainda!

— Claro, então você logo arrumou mais amigos que pasassem vergonha junto com você! Quem precisa de inimigos quando se tem a Meggie, não é mesmo? — Quando Lily terminou de me lançar seu sarcasmo, aquele traidor maldito do Richard riu, concordando com ela.

Os dois estavam andando na frente e eu e George íamos atrás, porque não tinha espaço para todos juntos na calçada. Ele acabou com minha raiva passando o braço em volta dos meus ombros e falando:

— Sabe, Megan, eu não me ia me importar com o que os outros falassem se eu namorasse você...

Uma coisa muito comum entre nós dois era aquela forma desastrada de mudar o assunto falando alguma coisa embaraçosa e ouvir isso me fez sentir um frio na barriga, porque já era a segunda vez que ele falava alguma coisa de namoro só naquele dia.

— Mas que eu saiba, o pai dela sim se importa e vocês também não têm idade pra namorar!

— E que eu saiba, ninguém te chamou nessa conversa, Richard!

— Não se preocupa, Meg, isso tudo é inveja porque vamos ser sempre o casal mais simpático e feliz, ao contrário desses dois mal-humorados aí... — George deu de ombros e não me soltou, então eu só confirmei o que já suspeitava.

Por algum motivo, quando ele não se sentia à vontade, não era bem comigo, mas sim com Richard. E agora que Lily também estava ali para distraí-lo, George agia normalmente comigo, como se não existisse nenhuma barreira entre nós.

Mas assim que chegamos na sorveteria acabou aquele clima tenso entre os quatro, porque meu pai tinha dado dinheiro suficiente para cada um comprar um banana split e logo ficamos mais animados, puxando outros assuntos divertidos antes de voltar a nos desanimar quando começássemos a estudar.

 

 



Notas finais do capítulo

Não, não é só impressão, George está mesmo comendo o macarrão direto da tigela ao invés de usar um prato e.e kkkkk Hoje é aniversário do Moon The Loon, aquele lindo *-* Não vai ter capítulo especial porque ele é figurante u-u ok, não. Mas não vao ter capítulo especial mesmo -q Pelo menos não agora... Eu juro que se soubesse antes, não teria feito ele sofrer justo no capítulo publicado no dia do aniversário dele, mas descobri tarde demais e já estava tudo escrito =/
Parabéns pra ele, que não está mais entre nós destruindo tudo o que aparece pela frente, mas ainda assim mora em nossos corações!! ♥