Good Day Sunshine escrita por Nowhere Unnie


Capítulo 11
Capítulo 11 - Descobertas




Tomar sorvete com o Paul foi tão divertido que eu nem vi o tempo passar e só percebi que já era tarde quando Lily nos alertou. Ele foi com a gente até o chafariz e ficou lá até a irmã dela aparecer, o que não demorou muito e logo nos despedimos dele e voltamos para casa. No caminho de volta, enchemos a pobre Cynthia de perguntas sobre o encontro e ela animadamente contou tudo em detalhes, até que terminou e acrescentou:

— Mas vocês também arrumaram logo uma diversão com aquele menino bonitinho, hein?

— Bonitinho?! Você só pode estar cega, Cyn, ele é LINDO! O garoto mais lindo de toda a escola!

— Nossa, se aquele ali é o mais bonito, tenho pena de vocês, Rita!

— Ah Cyn, deixa de ser chata, tá? Até agora eu não sei como a Megan conseguiu falar com ele! — Lily reclamava com a irmã e, depois de citar minha façanha, todas me olhavam como se esperassem uma explicação.

— Ai gente, não sei que dificuldade vocês viam nisso, eu só fui lá e falei com ele, oras!

— SÓ foi lá e falou com ele? Meggie, você tem noção do que você acabou de fazer? Nós praticamente tivemos um encontro com Paul McCartney no sábado à noite e, se não fosse por você, com certeza a gente nem chegaria perto dele! — Ela acrescentou, revelando que sua grande popularidade se dava mais ao fato de ser uma Powell do que por ser a confiança em pessoa.

— Ele é um garoto, como outro qualquer e que fala nossa língua, eu só cheguei e falei com ele...

— Nossa Meggie, você vale ouro! Não sei como a gente não te descobriu antes! — Lily finalizou rindo.

Na segunda-feira, quando me olhei no espelho e vi meu cabelo ainda tão bem arrumado, achei um desperdício sair de casa com aquela cara de sono e logo lavei o rosto e passei um pouco de maquiagem, que peguei escondido da minha mãe. Ainda estava no banheiro quando ouvi Richard me chamar no portão e saí correndo esperando que minha mãe não me visse. Ele me esperava distraído e, quando finalmente me olhou, não conseguiu disfarçar sua surpresa e demorou algum tempo até falar alguma coisa.

— Oi menina bonita, você pode chamar a Megan pra mim? É uma que sai todo dia descabelada e com cara de sono, ela ainda deve estar lá dentro dormindo e tal...

Eu ri e dei um tapa de leve nele.

— Ai! — Ele simulava dor, mas acabou rindo também. — Agora já sei que é você mesmo, estava só fazendo um teste, tá bem? Vai que me mandam uma impostora...

— Ridículo! — Respondi sem deixar de rir e começamos a pedalar.

Assim que entramos na escola e caminhávamos com nossas bicicletas em direção ao bicicletário, ouvi alguém gritar meu nome e me virei para ver quem era.

— Ei, Megan! — Paul me cumprimentava com um aceno exagerado, já que tinha muita gente entre nós e ele provavelmente achou que eu não o enxergaria por ser tão baixinha.

— E aí, Paul! — Levantei as mãos exageradamente como ele fez e cumprimentei de volta, sorrindo.

— Nossa, desde quando você e Paul McCartney são amigos? — Richard me olhava surpreso, como se fosse possível que eu tivesse me transformado em outra pessoa em apenas um fim de semana e ele já não me reconhecesse mais.

— É... Bom, meu número de amigos aumentou um pouco esse fim de semana, sabe? — Eu respondi rindo, porque a expressão de assombro dele era exagerada e engraçada.

— Espero que ainda tenha espaço para os amigos antigos... — Uma voz sussurrou de repente, próxima demais do meu ouvido, e eu sabia que era George com aquela mania irritante de chegar por trás e me causar arrepios.

— Desde quando você é antigo, meu filho? Te conheço não tem nem um mês e você nem meu amigo é, só te aguento por causa do Richard! — Talvez eu tivesse sido ignorante demais com ele, mas não me importei muito, nem sequer me incomodei com o enorme silêncio que surgiu entre nós três depois disso e apenas continuei andando até a sala de aula. George foi o primeiro a entrar e eu estava bem atrás dele, mas senti um puxão que me impediu de continuar andando.

— Que foi? — Me virei e percebi que Richard me encarava com um olhar sério demais.

— Você não precisava ter sido tão grossa com o George. E além do mais, se tivesse ao menos olhado na cara dele depois disso, ia perceber como ele ficou chateado. O que ele fez pra você, me diz? Porque, a não ser que vocês andem se encontrando escondidos por aí, eu nunca o vi fazendo nada tão grave que merecesse toda essa raiva!

— Eu... — Não poderia continuar aquela frase. Não ali, com todos aqueles alunos passando por nós e podendo escutar tudo.

Eu queria dizer que toda aquela raiva não era bem dele, era mais de mim. Eu queria dizer que ele fazia algo tão grave quando aparecia, que eu esquecia até mesmo de quem eu era. Mas eu não sei se ele entenderia. Ele normalmente entende tudo, mas não aquilo, quero dizer, como ele entenderia? Eu nunca imaginei que algum dia chegaria o momento em que eu não poderia contar com meu melhor amigo para alguma coisa e sabia que dessa vez só um abraço não resolveria.

Eu precisava de alguém que me entendesse, alguém que soubesse explicar tudo aquilo, alguém que fosse... Igual a mim. Mas não contava com muitas ajudas femininas para isso, falar com minha mãe não era uma possibilidade e eu realmente não tinha amigas confiáveis, muito menos primas. Eu já cheguei a pensar em conversar com a Jenny, mas imaginar sua reação ao saber daquilo me fez desistir na hora, porque ela com certeza iria dar mais pulinhos que Polly Plummer e se empolgaria demais ao invés de ajudar.

Eu estava com um nó na garganta e não sabia mais o que dizer, eu poderia decepcionar o mundo inteiro e não me importaria, mas não queria que o Richard achasse que eu tinha me transformado em um monstro sem coração ou algo do gênero.

— Me desculpa...

— Não é comigo que você tem que se desculpar e você sabe disso. — Ele disse com seu ar mais sério e entrou na sala. Eu o segui, mas não até o fim, deixei que ele continuasse andando e sentei bem no meio da sala, onde algumas cadeiras ainda estavam vazias.

Na hora do intervalo, tentei parecer ocupada demais em terminar a tarefa e nem me mexi do lugar, ao contrário da turma, que se levantava apressada e morta de fome. Vi uma forma magricela passar por mim e não tive dúvidas de que aquele era George, sendo seguido pelo meu amigo, que vacilou ao passar por mim como se fosse falar comigo, mas provavelmente não quis interromper meu surto de boa aluna. As últimas que ficaram na sala foram Rita, Lily e Polly, que pararam diante da minha mesa de braços cruzados e não tive outra escolha a não ser parar de fazer a tarefa e olhar para elas.

— Você vai ficar aí o intervalo todo?

— Vou, quero terminar logo, sabe?

— Tá, se você acha melhor assim, fica aí... Mas se mudar de ideia, já sabe onde encontrar a gente.

Finalmente tinha ficado sozinha e aproveitei esse momento o máximo que pude. Mas o intervalo não durou muito tempo e logo aquela algazarra de pessoas felizes encheu a sala e eu não tive outra escolha a não ser fingir que estava muito concentrada, lendo a matéria para a próxima aula, para não ser interrompida por ninguém. Assim que o último sinal tocou recolhi depressa o meu material, porque ainda estava chateada pelo fato de o Richard ter brigado comigo para defender o George e ia embora sem nem falar com ele.

— Aonde você pensa que vai, Meggie? — Lily perguntou quando viu que eu já estava prestes a sair.

— Pra casa, oras!

— Você não viu que o senhor Jones passou um trabalho pra AMANHÃ?

— Vi, mas eu tenho que deixar minha bicicleta em casa, né? Depois eu vou pra sua...

— Não senhora, vai deixar sua bicicleta aí e nos acompanhar até a minha casa, amanhã você volta pra escola de ônibus e pode voltar pra sua casa do jeito que quiser!

Ela se impôs com um tom de voz tão alto que provavelmente Richard escutou e por isso nem veio me chamar para acompanhá-lo de volta. Me vi obrigada a aceitar e fomos as quatro para a casa dela, almoçamos e decidimos fazer logo o trabalho, que não demoraria muito se a gente se concentrasse. Mas minha cabeça estava cheia de coisas e eu só pensava no que aconteceria se o George nunca mais falasse comigo ou se ele nunca mais me irritasse com aquelas atitudes, que talvez até me agradassem, mesmo que eu não admitisse.

Não estava com vontade nenhuma de fazer aquele trabalho e, quando as meninas finalmente deram uma pausa para falar sobre alguma coisa aleatória que não me interessava nem um pouco, aproveitei para sair dali e fui até a sala. Cynthia estava lá vendo um programa chato qualquer na televisão e eu me sentei no sofá também, já que não tinha nada melhor para fazer. Pelo visto ela achava aquele programa tão chato quanto eu, porque logo puxou assunto.

— Que cara é essa, menina? É tão ruim assim ter que aguentar elas? — Me perguntou rindo.

— Não, é que... Ah, tô com problemas demais na cabeça e vim me distrair um pouco!

— Problemas? Você tem 14 anos, que problemas acha que tem? O iogurte acabou e sua mãe esqueceu de comprar mais? — Ela soltou uma risada de escárnio.

— Escuta aqui, você também estaria cheia de problemas se de repente você conhecesse alguém que te irrita tanto que você... Você não sabe se abraça ou sai no braço com ele! — Eu respondi irritada por ela ter feito pouco caso da minha angústia e só depois percebi a besteira que tinha feito em um impulso.

— Ahhh, então tem um namoradinho na história? Quem é? Aquele bonitinho do sábado?

— Não, é o... Harrison.

— Harrison? George Harrison?

— Sim e eu odeio aquele idiota!

— O irmãozinho do Peter?! Mal chegou na escola e já está conquistando os corações desse jeito, o danado!

— Você conhece ele? Ah, não importa, você deve estar meio surda porque eu disse que ODEIO ele!

— Não queridinha, acredite em mim, se você o odiasse de verdade nem iria se importar tanto assim com a existência dele... Eu já tive a sua idade, tá bem? Isso é paixão e das fortes!

— Paixão?! — Agora quem ria com escárnio era eu. — Paixão é dessas coisas que deixam as pessoas idiotas, igual nesses filmes, e depois elas se beijam e tudo mais... Não, o que eu... sinto... é uma coisa estranha, sabe? Acho que você não entende... Bom, nem eu entendo, pra falar a verdade!

— Ah Megan, você é tão ingênua... Amor não é essa coisa que você vê nos filmes e lê nos livros, é mais complexo e você tem todos os sintomas. É a primeira vez, não é?

— Ahn... É sim... — Eu estava um pouco hesitante em continuar aquela conversa, ainda mais sem saber no que ia dar, mas também não tinha nada a perder.

— Isso é normal, ninguém reconhece da primeira vez que acontece e, agora que você já sabe o que está acontecendo, vai descobrir que existem problemas maiores que esse dilema todo...

— E pode existir alguma coisa ainda pior?

— Claro que sim! Existe outra coisa pior que os seus sentimentos e que você também não pode controlar...

— Como o quê?

— Os sentimentos dele, por exemplo. Depois de aceitar que você está apaixonada por ele, vem a questão de talvez ele não querer nada com você e isso sim seria um problema!

Eu achava que descobrir o que era aquilo resolveria muita coisa, mas eu realmente nunca tinha parado para pensar sobre o que ele sentia por mim. Mas isso não importava muito, eu nem gostava dele mesmo e a irmã da Lily estava louca! Louca. Ou talvez a louca de verdade fosse eu e estivesse mesmo apaixonada pelo George.




Notas finais do capítulo

1. Outra foto do Paul para a Viictoriav, sou péssima pra identificar idades mas acho que ele tem 15 aí, se não tiver finge que ele sempre pareceu mais velho do que realmente era kkkkk
2. Talvez a questão das idades esteja meio confusa e tal... Estamos no ano 1957, Cyn tem 18, John e Ringo têm 17 anos, Paul 15 e George, Megan, etc: 14. Keith Moon tem 13 e está meio fora de contexto aqui, portanto é o único cuja idade não é real, porque ele deveria ser bem mais novo que isso rsrs
OBS: Andie, você que é minha historiadora oficial, se alguma idade estiver errada, por favor me avise :P
Qualquer dúvida é só me perguntar, não sejam tímidas ^^