Consequências - Fred E Hermione escrita por penelope_bloom


Capítulo 9
Safe and sound


Notas iniciais do capítulo

*jurosolenementequenãovoufazernadadebom*
-
E que se inicie o Caos...
Eu postei os capítulos errado, então a nota inicial desse capítulo está no capítulo 10 x-x
APROVEITEEEEEM




NOVE:


Darling everything is on fire.



– Eu gostaria que os primeiros a entrarem no colégio fossem, além dos professores, alguns alunos que se esforçaram muito para que isso fosse possível. – Minerva dizia com os olhos alegres.


Depois de muito, muito trabalho, Hogwarts estava pronta! Era domingo. Abril estava no fim, o sol alto as flores lindas e exalando perfumes sutis que faziam tudo parecer melhor.

Apenas faziam parecer.

Enquanto nossa amada Gaia dançava sozinha ao seu redor e ao redor do sol, o ministério arrebentava como a uma teia sob a pressão de um bicho que muito grande e inquieto que se debate.

Um bicho perigoso, que cega, que afeta o raciocínio. O bicho era o Medo. O medo que com garras cruéis abala as convicções do mais confiante dos homens, e leva a massa popular à insanidade. Junto com o medo, parasitas protozoários vinham se aproveitando dos afetados, atrás do poder e do dinheiro. Alem de Comensais, tínhamos agora ratos no ministério que roíam o poder pelos cantos, manipulavam pessoas aterrorizadas e lucravam com isso.

Um Golpe emergia no horizonte. Na melhor das hipóteses uma ditadura onde Kingsley seria derrubado. Na pior, bem, Voldemort conseguiria o poder que tanto almeja.

Como eu disse: Muito Trabalho.


Hoje daríamos uma festa aos alunos para a reinauguração de Hogwarts, apenas um chá das 5. Todos os alunos estavam ali, bem como seus pais e alguns amigos. E é claro, uma quantidade cavalar de aurores. Eu estava ali como convidada, mas não conseguia relaxar, de cinco em cinco minutos passava ordens e me mantinha mais ao fundo, observando a situação. Fred estava como supervisor dos recrutas trouxas, essa era sua primeira grande missão. Sem dúvida esse era o momento de grande vulnerabilidade.


–... Hermione Granger. – ouvi meu nome e voltei a prestar atenção no que Minerva dizia.

Os que estavam ao meu redor se afastaram para que todos pudessem me ver. Ouvi Lino assoviar marotamente ao longe. Estava distraída olhando o anel dourado na minha mãe esquerda. É. Eu estava noiva.

Todos me encaravam esperando que eu fizesse algo. Pensei em dar uma de Stich e soltar um simpático “E aê...”, mas achei melhor não.

– Senhorita Granger... Por favor nos daria a honra? – minerva disse um pouco impaciente.

– Do que? – eu disse agora nervosa.

– Você foi, junto com nosso guarda caça Hagrid, a pessoa que mais trabalhou para que a reinauguração fosse possível, nada mais justo que vocês inaugurassem o solo do colégio. – ela disse estendendo sua mão.

Feito uma pata, fui até a frente do portão e me coloquei ao lado de minerva segurando sua mão. Todos os professores estavam lá, Harry também estava lá, mais vermelho que um pimentão, pelo canto do olho vi Fred e Jorge, lado a lado, sorrindo. Lino chegando sorrateiramente por trás para dar-lhes um susto.

Revirei os olhos.

– E antes de entrarmos, eu gostaria de agradecer em nome de todos, a Harry Potter e a Hermione Granger, além de todos os outros que lutaram por nosso colégio. A esses dois corajosos grifinórios – ela enfatizou a casa da grifinória sutilmente, com um quê de orgulho na voz – que enfrentaram coisas que eu mesma, em meus quase 300 anos – Minerva brincou, o que foi realmente bizarro e desacarretou uma série de risos – não tive coragem de fazer.

– Viva o Potter! – Jorge gritou.

– E a sua Genral! – Fred completou.

– E ao Hagrid que está muito sensual de terno! – Lino disse sorrindo.

– Professor Lino – Minerva disse ao localizar o moreno – por favor, comporte-se.

Os pais riram. O clima estava leve, do lado de dentro as portas do castelo estavam abertas e era possível ver os fantasmas em um imenso rebuliço perolado. Finalmente Minerva cortou a faixa vermelha. Demos um sincronizado passo para dentro do colégio. Mesmo já tendo estado ali diversas vezes só na ultima semana eu ainda assim me emocionei.

Minha escola estava de volta!

Logo em seguida os pais e alunos começaram a entrar, Fred estava novamente sóbrio e tinha um olhar de lince sobre os convidados. Eu estava fazendo meu papel político, dando as boas vindas ao pais, cumprimentando antigos estudantes e dando boas vindas aos novos. Os pais mais tradicionalistas, principalmente os antigos sonserinos, não falavam muito comigo, mas ao menos reconheciam meu trabalho. Quase tive uma síncope quando de longe vi Narcisa Malfoy no final do bolo de gente. Elegante e perdida. Procurei Draco. Ele não só tinha visto sua mãe como estava fugindo dela.

Eu podia ignorá-la, mas não tive como não me colocar no lugar dela. Andei até ela, me blindando psicologicamente pronta para ser xingada e espancada. Limpei a garganta e alcancei a loira que já tinha dados as costas e estava partindo.

– Hum... Senhora Malfoy? – eu disse encostando em seu ombro.

Ela se assustou e virou-se em um pulo. Estava magra e com profundas olheiras o rosto chupado, estava sem seu ar divino. Parecia cansada. Eu devia estar que nem ela, exceto pelo fato que eu nunca tive ar divino algum.

– Oi, eu sou Hermione Granger, acho que não fomos apresentadas ainda. – eu estendi a mão.

Narcisa me olhou desconfiada, com uma amargura no fundo dos olhos.

– Narcisa Black Malfoy. – ela não aceitou meu cumprimento.

Eu abaixei minha mão contente por ela não ter cuspido na minha cara.

– Você não quer se juntar a nós para...

– Não, muito obrigada. – ela disse seca e polida.

Ela virou-se para partir novamente. Revirei os olhos e segurei seu braço, soltando logo em seguida. Pronto eu tinha a sua atenção. Certo que ela prestava atenção em mim com sua varinha em punhos, mas de qualquer forma...

– Não é assim que você vai se entender com Draco.

– Quem você pensa que é? – ela estreitou os olhos. – ele só está nessa situação por sua culpa. Desde que ele virou seu amigo e do Potter – ela vomitou o nome do Harry – meu filho nunca mais foi o mesmo.

– Ele te contou quando nós começamos a ser amigos? – eu indaguei serena abstraindo seu tom de nojo na voz.

– E precisa contar? – ela disse sarcástica – ele começou a questionar o pai, começou a me questionar, saiu de casa, disse que eu era covarde. Acho que foi a partir daí. – seu tom era baixo, mas seus olhos transbordavam ódio. Era satanás no inferno e eu na terra.

– Não. – eu sorri de lado, desconcertando-a. – foi no sexto ano, antes da morte de Dumbledore, ele estava chorando no banheiro do segundo andar depois do jogo da Sonserina contra Grifinória.

– S-sexto ano? –ela disse esquecendo-se por um instante de me odiar.

– Sim. Viramos amigos naquele dia.

– Mas você sabe o que... Você sabia...

– Que ele era comensal? – enfatizei o verbo no passado. – sim, ele me mostrou. Eu cuidei da ferida, já que Voldem... Você sabe quem, a tinha proibido de fazê-lo.

Seus olhos lacrimosos deixaram transbordar uma única lágrima, como se aquela fosse uma lembrança soterrada e dolorosa que brotasse com força. Afaguei seu braço rapidamente.

– Draco é uma boa pessoa. – eu disse branda. – e acho que você só está perdida. Não acho que seja covarde, pelo contrário. Há momentos em que não podemos ser polidas e acomodadas. Acorde antes que seja tarde e você perca seu filho. – eu sorri – e não se preocupe com Draco, eu estou tomando conta dele. Estudos, dinheiro, casa, comida, roupa, nada faltará a ele.

– Você não tem sequer 20 anos. – Ela disse estreitando os olhos, me analisando agora com olhos curiosos.

– Certa vez, - eu sorri – minha antiga professora de adivinhação disse que minha alma é tão velha quanto às páginas dos livros que eu leio. Acho isso besteira, mas vai que ela tem razão. – dei de ombros. – preciso ir, o dever chama.

Dei as costas e corri para o castelo. Minerva estava acalmando os fantasmas enquanto os convidados apontavam para as planícies do colégio.

Ajudei a servir o chá, apresentamos os elfos aos pais e aos alunos. Foi uma tarde agradável. E ao longe eu vi que uma antiga Sonserina passou algumas horas daquela tarde sentada do lado de fora, olhando para o lago. Depois de algum tempo vi-a limpar o rosto e sair do colégio, onde desaparatou. Provavelmente para o inferno que chamava de casa.

***

Hogwarts continuava sendo um símbolo de esperança, e acho que era apenas por isso que Kingsley ainda era ministro. Mas isso tinha um lado ruim. Todos os bruxos esperavam muito de nós, e os comensais sabiam que no primeiro deslize da Escola, a última chama de confiança seria extinta e as trevas absolutas do medo cegariam de vez milhares de bruxos que seriam completamente tomados pelo desespero. Éramos alvos de ataques, tanto de comensais, quanto de políticos mal-intencionados. Principalmente de uma Linha pró-Dolores Umbridge que dizia que o mundo bruxo precisava agora mais do que nunca, de um “Estado forte que tomasse as decisões certas em nome da População Bruxa.”. O povo infelizmente aderiu a certa corrente “Queremista” de Dolores e ela está como Vice-Ministra. Claro, a grande maioria com exceção daqueles que tiveram ela como diretora. Aquela sapa velha.

Mas não sejamos pessimistas. Kingsley estava resistindo bem, e conseguia cativar os Bruxos, passando um ar de controle inigualável. Hogwarts sequer fraquejou, e nos mantemos inabaláveis. Os recrutas de Fred estão se formando, Alana passou a ser meu braço direito e Willizinho se mudou para Londres; deixou a família nos Estados Unidos e veio ser o Comandante dos recrutas Trouxas. E a minha escola estava de volta.

Sim, até mesmo a Lula voltou do veterinário. Só estamos aguardando que os centauros reponham as barreiras ao redor da floresta negra. Eles aderiram a 100% da causa bruxa depois que Kingsley apareceu – desarmado, sem varinha, e desacompanhado – á cerimônia lútea de centauros que morreram em um massacre pelos comensais. A filha do atual líder morrera. A mãe inconformada declarou que os centauros iriam aderir à causa e ainda selou sua lealdade ao Kingsley. O selo de Lealdade de um centauro é mais forte que o voto perpétuo. Quando se conquista a lealdade de um centauro – algo muito raro para um bruxo – é algo para a vida e além, o centauro dá não só a ávida, mas também a alma àqueles que são selados.

Mas enfim, onde eu estava? Crise no governo, eminência de ditadura, repressão, Hogwarts... Ah, sim, se tudo der certo em menos de um mês poderemos voltar para nossa amada escola, e uma coisa eu digo: quando voltarmos para Hogwarts nada nem ninguém será capaz de atingir o colégio. Nossas defesas serão quase perfeitas, Hipogrifos, Trestálios, tecnologia, trouxas e aurores. Atingiremos o que é considerado Utopia.

E o meu Naoki continua forte, saudável e crescendo, me deixando sempre loucamente enjoada. Bem, na escola não sabem que eu estou grávida, apenas meus amigos mais fieis estão sabendo e alguns membros da ordem que foram terminantemente proibidos por Kingsley de contar a alguém de fora do ministério.

– Há essa hora já acordada? – Uma luz se ascendeu iluminando toda a sala.

– Fred... Não escutei você descer. – eu me espreguicei na cadeira.

A mesa de jantar estava completamente abarrotada de relatórios, esquemas e esboços de segurança. Meus, de William, de Alana, de Fred e de várias outras pessoas. Todos eles esboços de defesa, esquemas de ataque, além de informações didaticamente organizadas sobre possíveis planos de Comensais e uma nova frente não oficial de Dolores Umbridge.

Nesse exato momento eu estava desenhando esboços de torres de repouso para Hipogrifos e Trestálios que reforçariam nossa defesa aérea de Hogwarts.

– Você dormiu pelo menos? Hermione, você não devia abusar do Boa Noite Cinderela.

– Mas eu estou com muito trabalho e de dia eu preciso me dedicar aos NIEMs, e eu nem acabei os relatórios do colégio, nem os da Ordem, e eu preciso fazer um curso de desenho por que meus esboços estão saindo horríveis - eu balbuciei cansada, tombando a cabeça sobre meu braço.

Fred deu a volta na cadeira e observou o desenho sobre meus ombros. Tirou o lápis da minha mão e passou a rabiscar por cima dele, apagando aqui, acrescendo uma linha lá, aperfeiçoando tudo e humilhando minhas habilidades gráficas.

– Mais ou menos isso? – ele batia com a borracha do lápis na mesa ritmadamente.

– Isso, humilha... – eu resmunguei.

– E agora chega, você vai dormir;

– Eu tenho relatórios e...

– Já fiz, estão na sua pasta no meu escritório. O da escola, o da Ordem e o do ministério.

– Eu tinha que fazer um relatório para o ministério? – eu murmurei forçando a memória.

– Aquele que a Dolores pediu.

Espalmei a mão na minha testa.

– Que mancada! Como eu fui esquecer justamente o da Dolores?

– Não importa. Eu já fiz para você. Amor, eu vou cortar seu Boa Noite Cinderela, eu não tenho certeza, mas acho que isso pode viciar de alguma forma, ou alterar o sono REM... De qualquer modo, você está usando de maneira indevida.

Eu ficaria brava e constrangida se fosse a qualquer outra situação, mas eu também tinha notado que estava usando indevidamente as pedrinhas. Na verdade eu estava quase entrando em estafa. Esses três últimos meses tem sido terríveis, e desde que as aulas começaram meu estresse só se fez triplicar.

Fred então fez algo que me era nostálgico: pegou-me no colo como se eu fosse um bebê. Não usava mais seu tapa-olho cômico, mas seu olhar divertido ainda era o mesmo. Odiava os sonhos que me atormentavam em que seus olhos voltavam a ser frios.

– Quem diria que um dia você faria as minhas tarefas hein.

– Quem diria que um dia nós nos casaríamos hein. – ele rebateu. – Antes disso, quem diria que um dia eu faria sexo com você...

Eu apenas ri. Cansada demais até para ficar corada. Cansada não: Exausta!

Ele me deitou na cama, ao longe da janela o dia começava a clarear, e os malditos pássaros cantavam, completamente alienados do ar tenso que os cercava.

– Você tem mais umas três horas e meia. – Fred sussurrou acariciando meu rosto. – Descanse.

Não argumentei, apenas desmaiei na cama, completamente cansada. Cansada de ser inteligente, de ser bruxa, de ser trouxa, de ser mãe, de ser forte, de ser eu.

***


Fred’s POV



Sai para trabalhar cedo daquele mesmo dia. Deixei minha pequena ressonando na cama. Ela estava cansada, abatida, jazia na cama emaranhada entre os lençóis. Mesmo dormindo parecia exausta. Fechei as cortinas para que dormisse e isolei o quarto acusticamente.


Mandei um patrono para minerva avisando que Hermione chegaria mais tarde. Percorri o quarto e peguei papel no criado mudo bem como uma caneta trouxa da Hermione que estava atirada no canto do quarto.

Pipoquinha do meu cinema;

Bom dia! Não te acordei, pois estavas muito cansada. Já avisei Minerva que se atrasaria. Seus relatórios estão sobre a mesa da cozinha.

Hoje saio do ministério e vou te buscar na livraria.

Te amo muito.

Beijos bem babados;


Fred.



Saí e fui trabalhar. O mesmo de sempre, treinos, risos, momentos tensos. No ministério um ar de opressão se instalava, as brigas políticas se dividiam e o número de aurores perecia pouco para a quantidade de ocorrências. Além do que, ainda tinham os aurores corrompidos, que estavam infiltrados no ministério.


Pode parecer egoísta, mas eu estava tão feliz que nada disso parecia tão sério. Não parava de pensar em como seria minha vida.

Nunca havia me imaginando casando, nunca me imaginei pai. Estava aterrorizado, estava em um estado de êxtase, queria comprar logo um berço, queria casar logo com Hermione, queria viver logo.

Mas ao mesmo tempo queria que tudo isso durasse para sempre. Essa fase de noivado, de poder agarrar ela na cozinha, de acampar na sala ou ficar a noite inteira assistindo filme ao lado dela. Mas mal posso esperar para poder segurar meu filho... Ou minha filha. Ensinar a voar em uma vassoura, fazer panquecas em um domingo de manha, receber meu primeiro cartão de dia dos pais, ir passar o final de semana na Toca e ensinar a capturar gnomos.

O primeiro namorado da minha filha... Certamente serei um pai terrível, vou ameaçar fritar o fígado dele caso ele a machuque.

A primeira namorada do meu filho... Provavelmente terei que ter uma conversa sobre sexo com ele e ensiná-lo a conquistar os pais da moça.

Eu e Hermione discordaremos quanto à educação. Ela ira cobrar a disciplina didática, enquanto eu cobrarei os valores de respeito. Não me imagino batendo em um filho... Pendurando do lado de fora da casa de cabeça pra baixo talvez.

AH, como viver é eufórico.

O dia se passou, eu estava tendo uma reunião chata sobre criar uma repartição especial no exército trouxa apenas para os treinados por aurores, quando olhei o relógio do canto da sala e quase desfaleci. O dia passara muito rápido, e eu já devia ter ido buscar a Hermione. Polidamente dei meu parecer e desculpando-me pelo inconveniente, retirei-me da sala.

– Hey Weasley! – o diretor Geral do departamento dos Aurores disse simpático como sempre interceptando-me rumo ao elevador.

– Oi James! – eu disse ansioso, mirando discretamente as barras de ferro.

– Eu queria saber daqueles relatórios e... Você está com pressa?

– Na verdade sim... – eu sorri sem jeito.

Ele então fez algo que nunca tinha feito. Abraçou-me. Firmemente e acho que inclusive passou as mãos pelos meus quadris por cima do casaco. James era loiro, com os cabelos na altura dos ombros penteados para trás de um modo quase engomado. Era menor do que eu, esguio e fino, mas não me parecia homossexual... Nem me parecia o tipo de patrão que molestava os empregados.

– Vai buscar a Hermione? – James riu-se. – Tudo bem depois nós falamos nisso então. – ele sorriu abertamente. Na verdade não entendi o porquê de ele ficar tão feliz em saber que eu vou buscar minha noiva no trabalho. – Vá! Não queremos que se atrase mais ainda não é? Cinco minutos já é algo que vai deixar nossa General bem irritada.

Chequei no relógio e concordei. Eu estava exatamente cinco minutos atrasado, mas considerando que quando eu ia buscá-la eu chegava meia hora antes de seu expediente acabar ela devia achar que eu estava morto ou coisa pior. Enquanto corria pelos corredores, abstraindo as pessoas que falavam comigo, perguntei-me por um instante como James sabia que horas acabava o expediente da Hermione... Será que ela tinha comentado com ele?

Desaparatei há algumas quadras da Livraria, em uma viela qualquer onde um trouxa não conseguiria me ver. O entardecer estava nebuloso, o ar quente não combinava com Londres e aquela névoa densa sufocava a cidade, o chão de cimento fedia sob meus pés em uma mistura de suor e álcool característicos do beco londrino. Tudo ali oprimia, agonizava. O sentimento de euforia ia murchando, se atrofiando, enquanto as sombras das vielas iam esquivando-se ao meu redor, ameaçadoras e tenebrosas. Aquele beco não estava vazio. Corri para fora do vão entre os prédios antigos da cidade e desemboquei no parque do centro da cidade, ainda estava vazio, os postes trabalhados em ferro já estavam acesos, as estátuas e gárgulas me observavam afoitos, tensos, querendo me alertar sobre algo, a neblina ainda era densa e o ar quente me angustiava.

Levei as mãos aos bolsos do quadril, afoito por minha varinha. Quanto foi o desespero ao notar que não estava ali.

– Procurando algo Fredie? – a voz feminina me alcançou e eu só tive tempo de apertar os olhos em uma careta de frustração.

Um feitiço atingiu o meio das minhas costas fazendo com que eu fosse projetado há alguns metros, rasgando meus joelhos na queda. Das sombras nebulosas vultos tomaram forma e agora os encapuzados vinham em minha direção.

As únicas que não usavam mantos ou máscaras eram Bellatrix Lestrange e Cameron Feline. Triunfo passando pelos olhos verdes enquanto ambas compartilhavam um estranho sorriso.

Um encapuzado chegou ao meu lado e pressionou sua varinha em minha têmpora.

– Merda.

***

Abri os olhos vagarosamente, torcendo para que tudo não tivesse passado de um sonho. Minha boca estava seca e fortes cordas prendiam meus pulsos fortemente, tentar mexê-los era insuportavelmente horrível, as cordas como navalhas se entranhavam em minha carne arrancando-me gemidos de dor. A primeira coisa que vi, infelizmente, foram aqueles olhos verdes cristalinos e meigos.

– Oi Freboboca – ela disse sorrindo.

MERDA! POR QUE ESSA INFELIZ NÃO MORRE?!

– Desculpa estar tão apertado, mas eu prefiro assim. – ela disse dando de ombros passando as unhas pelo meu peito.

Eu estava sem camisa, minha calça estava rasgada deixando a mostra meus joelhos rasgados e roxos. Cameron agora tinha praticamente montado em mim. Céus eu preferia comer sushi.

Estávamos ainda no parque central, no que pareceu ser uma loja abandonada. Não entendi por que tinham me levado para ali. Virei o rosto bruscamente procurando uma saída e querendo deixar a minha boca o mais distante possível da dela.

– Eu disse que imos ficar juntos. – ela disse mexendo no meu cabelo. – é hoje o dia.

– Dia do que? – eu disse observando uma velha lareira no canto do empoeirado cômodo. Do lado da lareira o mesmo homem que quase tinha me cegado estava parado de braços cruzados. Não olhava para mim nem para Cameron, tinha o olhar revoltoso virado para o lado de fora.

– Ora, o nosso dia. Aquela rata de biblioteca não vai mais ficar no nosso caminho. Ninguém mais vai. Nem ministros, nem generais, nem a Ordem...

– Cameron! – o negro alto coberto de cicatrizes praticamente latiu.

A morena apenas revirou os olhos e arqueou a sobrancelha. Murmurou silenciosamente com os lábios cheios: “chato”.

Estava doendo muito, minha cabeça latejava, mas eu não me importava eu tinha que chegar até ela o mais rápido possível.

– Cameron. – eu chamei baixinho. A morena pulou para o meu lado, sorridente. – E-eu... – eu tossi falsamente – meu peito dói... Não me sinto bem, acho que essas cordas... - eu revirei os olhos e fingi um início de convulsão.

– Fred! – Cameron gritou e correu em minha direção.

Infelizmente o brutamonte segurou seu braço.

– Ele está fingindo! – sua voz saiu forte.

Cameron como um animal acuado esperneou até se soltar dele, correu até mim e começou a afrouxar as amarras. Os comensais que estavam ao redor ficaram tensos.

Eu só teria uma chance.

Assim que senti minhas costas soltarem do encosto da cadeira, arremessei meu corpo para frente e busquei em meu bolso rezando para que estivesse lá. E estava! Tirei as bombinhas escurecedoras do peru e arremessei-a contra a parede.

O breu tomou o quarto e os segundos de distração que consegui usei para me lançar em direção à porta.

“SOCORRO!”


Voltei a esconder a moeda no bolso interno do casaco, rezando para que a mensagem chegasse até Jorge. Foi consegui escrever antes que o guarda costas de Cameron me alcançasse, agarrando meus cabelos e batendo minha cabeça contra a parede. Pisquei algumas vezes até que meus olhos pesaram e a consciência foi se esvaindo entre meus dedos.


***

Espreguicei-me. Já era para o Fred ter chego.

Eu estava na frente da livraria, balançava-me para frente e para trás, tinha uma sensação de ansiedade, como se algo tivesse começado. Como se algo tivesse acabado. Estava inquieta. Tinha adquirido este tique, e girava incessantemente a argola dourada na minha mão esquerda.

– Hermione. – chamaram meu nome.

Não reconheci a voz de imediato. Na verdade não tive tempo de sequer ver quem me chamava. Um clarão azul me atingiu e minha consciência foi arrancada de mim.

A última coisa que pensei foi um grande e forte: “PUTA QUE O PARIU”.



Notas finais do capítulo

Esse capítulo ficou meio bagunçado por que eu não conseguia escrever de jeito nenhum, fui interrompida umas mil vezes e ficou meio desconexo e eu fiquei com preguiça de reescrever... GOMEEEEEEN, mas daqui pra frente melhora ^^
Até daqui a pouco ;)
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*malfeitofeito*