Consequências - Fred E Hermione escrita por penelope_bloom


Capítulo 8
~ Buonanotte ~


Notas iniciais do capítulo

NHOM NHOM NHOM
EU QUASE TIVE UM TRECO ESCREVENDO ESSE AQUI...
AI MEU DEUS COMO EU SEI SER FOFA -masoqueeee... parei g-g
aproveitem, e me desculpem se tiver algum erro, postei meio correndo, mais tarde eu dou uma revisada *u*




OITO:

Um mordomo estilo Sebastian nos atendeu. Cabelos pretos rigorosamente escovados para trás, postura impecavelmente eretas, olhos calmos e portava um pano branco em seu antebraço que estava dobrado na frente do diafragma.

- Fred Weasley e Hermione Granger.

O mordomo acenou levemente com a cabeça e sorriu.

- General – ele se curvou pra mim – Major – ele reverenciou Fred. – querem que eu segure seus casacos?

- Por Favor. – Fred disse antes que eu pudesse responder.

No que o mordomo tentou colocar a mão no meu ombro para puxar o caso, Fred em um movimento sutilmente possessivo se colocou em minha frente, sorridente, e deslizou ele mesmo o casaco, entregando-o ao rapaz que não se deixou abalar.

- Aproveitem a Festa e não hesitem em chamar.

- Muito obrigado – eu sorri meio sem jeito.

Andamos pelo corredor provençal e desembocamos na Paris da Bélle Epóque. Um salão amplo, surpreendentemente claro, com pilares trabalhados em mármore. Mas não qualquer mármore, era Mármore Carraro original, a prataria estava tão bem polida que serviam como espelho, as taças de cristal simples e elegantes. E para quebrar toda aquela sobriedade, diversos “brincos-de-princesa” pendiam pelo teto e enroscadas nos pilares, vivas e lindas. Era a flor que eu mais gostava. Eu, Lilá e Luna na verdade amávamos aquela flor. Gina era mais careta, gostava de rosas.

No fundo do salão havia uma espécie de palco, com três daqueles microfones antigos, redondos e chatos dourados – Knuclehead Cascade.

Gina apareceu na minha frente, acenando freneticamente. Ela também estava linda, acho que isso era um jantar de gala e Fred não tinha me avisado. Estava com um vestido primaveril. Verde e solto, milagrosamente com pouca maquiagem. Luna, Harry e Draco chegaram logo atrás.

Fred me dissera que era um jantar da ordem, mas aquilo estava realmente estranho demais para ser apenas um jantar.

- Oiê! – Gina disse lépida e faceira.

Harry que não perecia muito feliz, tinha a cara amarrada.

- Gina xeretou no que não devia. Pra variar. – Harry bufou irritado.

Fred perdeu a cor.

- Poxa Gina, como você é sem graça.

- Desculpa mas ele não guarda as coisas direito! – ela disse sorrindo abraçando o moreno e beijando-o.

- Do que vocês estão falando? – perguntei.

- Nada. – Fred, Harry e Gina responderam simultaneamente.

Cheguei a assustar-me.

- Luna?

- Também não estou entendendo nada. Eu ia vir de calça Draco brigou para que eu colocasse um vestido. Acho que os Florins da primavera estão embaralhando a mente deles.

Pela primeira vez na vida, a explicação de Luna pareceu fazer sentido, por que ou Florins estavam bagunçando as ideias de Fred, ou ele estava ficando esquizofrênico.

- Fred, o que aconteceu com seu olho? – Draco manifestou-se.

- Ah, eu topei com comensais e...

- Não, eu digo o outro. Ele está meio inchado...

- Hermione me bateu.

- Você mereceu.

- Vão criar uma lei chamada Fred da Penha desse jeito. – Harry disse rindo, esquecendo a carranca.

- Onde está Rony? – eu disse varrendo o salão com os olhos rapidamente.

- Ah, vai chegar atrasado. – Draco disse logo em seguida dirigiu-se para Fred – ele não queria participar, então foi conversar com a Lilá.

- Ah... e ela o que achou disso tudo? – Fred torceu a boca, preocupado.

- Tranquilo, ela também não quis. – Harry espreguiçou-se.

- Vocês querem para de conversar em códigos?

- E se agente não quiser?  -Harry provocou rindo apertando minha bochecha.

- Eu deixo todos vocês com os olhos inchados combinando. – estreitei o olhar.

Harry soltou e se escondeu atrás de Gina.

- Melhor agente trocar de assunto. Gina, eu não quero ficar com um tapa olho.

Gina apenas riu, acariciando o cabelo do moreno. Que por sinal estava penteado. Opa, ele estava com o cabelo penteado! E tipo: NÃO ESTAVA REBELDE.

- HARRY VOCÊ ESCOVOU O CABELO PARA TRÁS! – Eu quase gritei – Algo muito errado está acontecendo aqui. – Reparando bem, os garotos – Draco, Harry e Fred – estavam muito bem arrumados. Como se tivessem saído de um filme dos anos 20.

Harry pigarreou loucamente e começou a proferir seus famosos: “Veja bem...”.

Salvo pelo Gongo, Kingsley me avistou e acenou para que eu me juntasse a ele. Antes de sair, apontei para Harry e disse com o olhar: “Mais tarde agente conversa”.

- Você vem? – perguntei a Fred.

- Não, vou ficar aqui, tenho que resolver uns negócios. Vemos-nos mais tarde ok?

- Certo – eu dei-lhe um selinho – Não conte nada sem mim. Já sabe o que eu vou fazer se você contar. – eu imitei uma tesoura com as mãos.

Ele apenas riu.

- Contar o que? – Harry curioso quis saber.

- Bla bla bla, veja bem... – eu imitei-o.

Ele me mostrou o dedo e eu saí rindo. Atravessei o salão e fui até onde Kingsley estava. Ao seu lado algumas pessoas bem vestidas. Provavelmente políticos, aurores, mercenários e espiões. Um ou outro eu já havia visto em outra reunião do ministério. Se não me engano Marechais.

- Aqui está a minha brilhante estrategista. – Kingsley colocou o braço ao redor do meu ombro. – A Brilhante Hermione Granger.

Recebi olhares atravessados que diziam: quem deixou essa pirralha entrar?

- Hermione, este é o Tenente William que faz o intercâmbio entre trouxas e bruxos e coloca seus planos em prática. Will, essa é a sua chefe, General Granger.

Estendi a mão e cumprimentei o Tenente Will, muito embora ele estivesse tentando me matar com seu aperto de mão e com seu olhar carrancudo. Algo me diz que ele não tinha gostado de saber que sua chefe era uma pulga de 18 anos. Ele já devia ter seus cinquenta anos, tinha o porte de um rinoceronte, espessas sobrancelhas, rosto áspero coberto com uma grossa e falhada barba, mãos grandes e calejadas.

- Prazer conhecê-lo. Nunca o tinha visto antes... É novo no ministério? – tentei parecer simpática.

- Não gosto de frequentar o mundo de vocês. Normalmente tenho reuniões separadas com Kingsley.

- William é um trouxa – Kingsley riu.

- Ah...

- Algum problema com isso? – ele se inclinou em minha direção, claramente pronto para descer o braço em mim.

- Como poderia? Afinal, sou também nascida trouxa. – sorri e desconcertei-o.

Ele desfez ligeiramente sua postura de touro raivoso e me observou da cabeça aos pés. Sequer demonstrei reação. Estava acostumada a ter olhares julgadores do pessoal do ministério. A maioria não era tão parecida com um assassino estuprador, mas nem de longe ele era tão assustador quanto Voldemort. Ou Bellatrix.

- Nascida Trouxa... Onde você nasceu?

- Londres.

- E seus pais?

- Londrinos também. Dentistas os dois, mas estão na Austrália. – eu sorri – Na bem da verdade estou momentaneamente órfã, eles queriam se meter na guerra, achavam que uma boa conversa com “esse tal de Você-Sabe-Quem” deveria resolver. Fi-los se esquecerem de mim e mandei-os para a Austrália, para fazerem trabalhos comunitários como eles sempre quiseram fazer.

- Mas se tudo der certo em breve poderá ir buscar seus pais. – Kingsley afagou meu ombro.

- Ah sim, pena que eles me colocarão de castigo por uns dois anos quando descobrirem que eu apaguei suas memórias.

A roda inteira riu.

- Uma General de castigo, Vocês Londrinos... – um senhor que mais parecia um barão com seu monóculo riu abertamente, gordo com bochechas coradas e com sotaque italiano carregado.

Mas eu ainda não tinha conquistado ‘Willizinho’, meu mais novo subordinado.

- Ouvi histórias sobre você, que você foi torturada por Você-Sabe-Quem. É verdade o que escuto ao seu respeito?

- Não, a maioria é exagero. Normalmente dou sorte. – eu tentei desviar o assunto. Não gostava de falar de Voldemort. Se ele ainda estava vivo a culpa era minha.

- Você foi torturada por ele? – um outro perguntou espantado, claramente bêbado.

- Bem, digamos que quando fui capturada eu não fui exatamente convidada para tomar um chá. – novas risadas. – Mas meus amigos me ajudaram a escapar ilesa. Foi nesse episódio que o jovem Malfoy foi deserdado.

Alguns burburinhos ecoaram, e o clima se descontraiu. Mas meu novo amigo Willy não se deixou despistar.

- Eu soube que é Monitora Geral do Colégio de Magia e Bruxaria de Hogwarts. Deve saber que muitos alunos de lá estão se juntando às tropas de Você-Sabe-Quem, deve ser difícil lutar contra seus antigos colegas.

Eu sabia onde ele queria chegar. A história de Cameron tinha vazado, bem como um boato de que costumávamos ser grandes amigas.

- Sr William, deixe-me esclarecer uma coisa: Se Voldemort invadisse o inferno, eu me aliaria ao demônio para vê-lo morto. Meu objetivo nessa guerra é claro e único, não importa por cima de quem eu tenha que passar. – eu disse sorrindo.

E foi aí que eu conquistei o carrancudo Willizinho. Ele esfregou as mãos, sorrindo, coçou a barba acenou firmemente com um rosto de convicção.

- Essa é das minhas – ele dizia batendo no meu ombro, quase me demolindo. – General Granger, eu gostei de você... Posso te chamar de você?...

A conversa fluiu, e Willizinho não desgrudou mais de mim, conversava empolgado sobre como as técnicas de segurança estavam dando certo no mundo bruxo, sobre minha “genial” ideia de usar as câmeras trouxas para catalogar e identificar comensais que circulassem entre trouxas. Ou a ideia de reforçar os coletes dos policiais com feitiços. Ou ainda a ideia de selecionar alguns recrutas trouxas para treinarem no ministério.

- Bom, a maioria das ideias eu tiro de filmes...

- Não seja modesta, suas ideias são simples, mas pela primeira vez bruxos e trouxas estão realmente lutando lado a lado. Como andam os recrutas? Já se acostumaram com o ministério? Teve problema com algum?

- Bem, a parte de treinamento é com o Major Weasley, mas pelos relatórios que ele me passa, tudo está ocorrendo melhor que o esperado. Infelizmente temos alguns bruxos tradicionalistas que andam criando caso, mas...

- Ah, bruxos! – Willizinho voltou a ficar carrancudo – sempre se achando os melhores.

- Nem todos são assim. Mas confesso que temos um setor mais tradicionalista do ministério que foi completamente contra a ideia de trabalhar com trouxas.

- Fora os comensais infiltrados no ministério. – ele estalou a língua.

- Ainda há muitos deles. Mas pelo menos entre os aurores esse número foi bastante reduzindo. Mas cuidemos da parte militar e deixemos a politicagem com Kingsley.

Willizinho riu-se mais ainda, era assustadoramente grande e alto, com voz grossa e rouca, como uma fera.

- Você é das minhas, você é das minhas... – ele repetia com sua voz de trovão.

De uma coisa eu tinha certeza: nunca queria ter Willizinho gritando comigo. Acho que ele era capaz de me quebrar em duas apenas com sua voz grave.

Um burburinho então começou e algo no palco atraiu a atenção geral. Eu e Willizinho interrompemos a conversa para ver o que acontecia. Quase morri, bati as botas, chutei o balde, fui conversar com o senhor, passar para outra dimensão.

Três rapazes, elegantemente vestidos se ajeitavam no palco. Cabelos penteados, sorrisos lindos. Sem que me desse em conta, eu comecei a praticamente correr para atravessar o salão. Willizinho ia atrás de mim, distribuindo cotoveladas e abrindo caminho com suas monocelhas assustadoras.

No exato momento que cheguei à frente do palco, Luna e Gina também chegaram, tão esbaforidas quanto eu. Luna igualmente perdida, Gina com um sorriso rasgado.

Rony também estava lá, abraçando lilá, ambos riam como se soubessem de uma piada interna. Lino, Jorge estavam lá bem como o resto da família Weasley que também observavam o palco com curiosidade. Lino e Jorge filmavam a tudo aquilo, divertidos.

No palco, os três rapazes eram: Draco, Harry e Fred. Mais pareciam um trio de rapazes teletransportados dos anos 20 para cá. Mais ao fundo uma bandinha se instalava, ao lado do palco três cadeiras que me deram um mau pressentimento, e minha vontade era de subir lá e tirar o ruivo de lá pelas orelhas só se fazia aumentar. Meu desespero foi ao ápice quando os três seguraram os microfones dourados e Fred lançou-me uma piscadela ladina. Ele iria contar que eu estava grávida assim? Meu filho vai nascer órfão de pai. Ou pior, vai ter um pai Eunuco.

- Boa Noite senhoras e senhores. – Lino subiu ao palco, sua voz de narrador, Jorge continuava na minha diagonal, filmando a tudo. Gina estava a minha direita, e Luna a minha esquerda (Luna acenava sonhadoramente para Draco que vermelho acenava de volta; Gina mandava beijos e estava quase pulando do meu lado; eu olhava enfurecida para o ruivo gesticulando tesouras, ele apenas mexia os lábios dizendo que me amava.). – Nós teremos hoje um acontecimento muito especial – Lino olhou para mim – eu troco esta gravação por aquela foto, ok? – mostrei-lhe o dedo. Ele riu. – E agora, com vocês, Buonanotte : uma música mais velha que Dumbledore, do já falecido trouxa italiano Renato Carosone, nas vozes de: Fred Weasley, Draco Doninh... Quer dizer, Malfoy, e Harry Potter. – ele riu e mandou um beijo para Draco. – uma serenata para suas amadas, nesta noite especial.

A bandinha começou a tocar e eu não acreditei em meus olhos. Lino e Jorge foram até nós, e praticamente arrastaram a mim e a Luna para cima do palco – Gina foi lépida e faceira, por livre e espontânea vontade.

Tive vontade de mandar Willizinho quebrar Lino e Jorge em dois, mas ele também estava tão atônito quanto eu.

 - Mi avete dato il fa, - Fred começou e caiu de joelhos na minha frente.

- Mi avete dato il sol, - Draco caiu aos pés de Luna.

- Mi avete dato il la, - Harry ajoelhou-se perante Gina.

- Ma che ci posso far? – as vozes vieram em uníssono.

Confesso que minha raiva se diluiu. Meu peito se remexeu com a voz grave e divertida de Fred, seu sorriso macio e sereno, que expressava a mais pura felicidade. Vê-lo feliz me deixava feliz.

De fato, agradeci por ter vindo arrumada, todos olhavam para o palco, olhavam o que aqueles doidos estavam fazendo. Algumas mulheres cutucavam seus parceiros, bravas por não receberem uma serenata. Senti uma pontinha de orgulho. Enquanto isso alguns outros casais se animavam para dançar.

A voz de Harry soava divertida e macia pelo salão, em um italiano ensaiado:

Ogni colpo prepotente

una corda rovinata.

Ma che bella serenata!

E ci siamo messi in tre

Draco aproveitou a deixa instrumental e continuou a serenata:

Buonanotte, le corde si son rotte

non posso più suonar. Ah si? E già!

Che disdetta! Se avessi una trombetta

potrei ricominciar. Ah si?

E già!: os três gritaram juntos, levantando-se e indo para o meio do palco.

A voz do loiro foi substituída pela voz de Fred. Quase tive uma síncope. Ele era definitivamente perfeito:

Non capite,

vuol sentir la serenata.

Per non far l'addormentata

ha bevuto sei caffè. Ah si? Embè?

Eles cantavam bem, e provavelmente tinham ensaiado a letra, faziam passinhos charmosos e recebiam olhares vorazes me mulheres da plateia. Tinha uma peituda que estava quase jogando o sutiã para Draco. Outra provavelmente já tinha tirado a calcinha e esperava o momento certo para arremessá-la em Fred. E tinha outra que estava com um pé na cova, pois Gina havia visto-a mandando um beijo para Harry.

E aquele microfone plano circular dourado, realmente fazia parecer que estávamos nos anos 20, as flores que enfeitavam o lugar, as pessoas rindo, dançando, os rapazes cantando, Gina eu e Luna rindo feito bobas...

A música se finalizava quando os três garotos pegaram algo no canto do palco e voltaram aos microfones. Fred cantava o último verso.

Buonanotte, le corde si son rotte

e adesso che si fà.

Salutiamo la mia bella

che a nanna se ne và.

Ah si? E già! – os três finalizaram em uníssono.

Aplausos, assobios, sutiãs e calcinhas voadoras – brincadeira. Eles vieram ante nós com as mãos nas costas, seguravam algo. Ajoelharam-se e cada um estendeu algo.

Draco: um muffin azul.

Harry: uma rosa branca.

Fred: um livro aberto.

Eu achei aquilo fofo, mas foi o grasnado de Luna que me fez olhar com mais atenção. Em cima de cada um dos itens citados, havia um anel.  Um sorriso anormalmente grande surgiu no meu rosto. Murmúrios explodiram, acompanhado por suspiros... Eles não iam... Iam?

- Mi vuoi Sposarte? – disseram em uníssono.

Na verdade eu parei de prestar atenção em Harry e Draco, apenas mergulhei nos olhos verde-oliva que me prendiam, nervosos e apreensivos. Sposarte... Sposarte... Ah deus, não me diga que...

- Boku no okusan ni naritai ka? – Fred murmurou com um sorriso sereno.

Eu reconhecia aquela frase. Já tinha escutado-a em muitos animes e filmes japoneses. Minha língua travou, eu senti meu sangue desaparecer e meus olhos arderem, fiz muita força para não chorar. Baixei os olhos para o meu livro. Uma aliança dourada, simples. Mas a sombra da aliança projetava sobre as paginas um coração perfeito. Então observei melhor o livro.

Era o livro da minha família que eu havia perdido.

Em japonês, ele havia perguntado se eu queria me tornar sua esposa. Eu em japonês respondi-lhe:

- Aye... Aishiteru.

Foi a vez dele de quase chorar. Um sorriso largo tomou seu rosto.

Ele colocou o livro no meu colo e segurou minha mão direita. Acho que Nicolas não ia gostar dessa notícia. Fred escorregou a argola e alojou-a em meu dedo.

Não me importei com os olhares, ou com as diversas relações profissionais que estavam ali presentes me julgando, quase pulei em Fred, e grudei nossos lábios em um beijo quente, espontâneo, alegre, doloroso.

Surgiu um sentimento masoquista em que eu queria sentir aquela dor para sempre. Como se estivesse na eminência de um infarto, como se cada artéria do meu corpo explodisse e derramasse sangue quente pelo meu corpo, me enchendo de dentro para fora até não caber mais. Até me sufocar com aquele sentimento de prazer, felicidade, realização, excitação...

Adjetivos me parecem tolos para descrever o que eu senti. Era mais que felicidade, mais que perfeição. Era mais que desejo, mais que amor. Era mais que mais. Muito mais. Tão grande que mal cabia em mim, era como se meu corpo estivesse tentando se expandir, a ponto de ocasionar um segundo big-bang, e apenas com o rebuliço de emoções que enchiam meu peito, criar um novo universo.

Segurava meu roso daquela forma delicada que ele fazia. Suas mãos firmes, sua respiração quente, sentir seu sorriso contra o meu. Um calor febril quase derretia minha pele onde ele tocava, e eu já não tinha borboletas no estômago. Eu tinha filhotes de Aliens, cavando entre minhas entranhas, prontos para saírem.

Aos que amam, ou já amaram, sabem que mesmo essa minha narração foi uma tentativa bastante frustrada de descrever o que se passa quando se está apaixonada. O melhor modo de entender o que falo, é apaixonando-se, e sentindo na pele o que aqui tento relatar.

***

Dançamos, Fred, Harry e Draco contaram que vem ensaiando há semanas. Eu Gina e luna estávamos basicamente desintegradas, derretidas, reduzidas à purpurina, eu sequer conseguia parar de olhar para meu anel.

Ali mesmo decidimos a data. Na verdade senhora Weasley a Impôs: ela aceitaria o casamento de Gina, contando que fosse depois de seu aniversário. Em cinco meses eu me casaria, nos quentes tempos de agosto.

Lembro que a primeira vez que Fred mencionou casamento. Foi no casamento da Fleur e do Gui, eu estava tentando arrumar um jeito de não levá-lo comigo para buscar as Horcruxes, e tinha decidido me separar dele. Lembro-me que soltando seu sorriso ladino ele disse como quem não quer nada:  “– Quando eu me casar – dissera o ruivo repuxando as golas de suas vestes -, não vou me preocupar com nenhuma dessas bobagens. Vocês todos podem vestir o que quiserem, e lançarei um Feitiço do Corpo Preso na mamãe até terminar a cerimônia.”.

Meu sorriso era tão absurdamente grande, dois anos tinham se passado e eu estava aqui, com ele grávida. Mesmo depois de dois anos eu ainda ficava vermelha perto dele, sentia-me irritada, insegura, tinha ciúmes, queria cuidar dele, amava ficar com ele, brincávamos como melhores amigos. Eu o amava como se o tempo não tivesse passado, como se fosse nosso primeiro mês juntos. O amava ainda mais.

Levantei-me determinada, taça de cristal na mão, na falta de um garfo peguei uma colher de prata mesmo. Tentei chamar atenção de todos elegantemente. Obviamente não deu certo.

Larguei a taça, a mesa em que eu estava, todos me olhavam, mas eu queria que todas as mesas soubessem, que todo o mundo soubesse.Meti os dedos na boca e assoviei. Um som estridente que se espalhou pelo salão elegante e provençal.

O silencio reinou e eu tinha a atenção de todos. Respirei fundo, Fred notou o que eu ia fazer e ficou em pé ao meu lado, entrelaçou nossos dedos.

Quando falei, falei olhando nos olhos da senhora Weasley, desejando poder contar para minha mãe, desejando que Minerva estivesse ali, e agradecendo a Merlin por ter alguém como Molly do meu lado em um momento como aquele.

- Senhoras, Senhores. Como vocês viram – eu ergui minha mão esquerda e mostrei a aliança dourada – eu acabei de ficar Noiva. – risadas ecoaram pelo salão, algumas taças erguidas em brinde á isso – e bem, acho que este momento é o ideal para contar o que Fred e eu vínhamos guardando a algum tempo. Queria que alguns amigos pudessem estar aqui, e sinto falta de muitas pessoas que são importantes para mim, mas nesse momento, eu quero dividir com vocês a maior alegria da minha vida.

- Da nossa vida – Fred disse sorrindo. – na verdade esta noite eu particularmente estou mais feliz do que pinto no Lixo.

- Desembucha – Jorge gritou.

- Bem, eu estou grávida. – soltei em um só fôlego, apertando a mão de Fred, agradecendo silenciosamente por ele estar ali comigo.

Gritos de viva explodiram, aplausos, assobios. Willizinho esfregava as mãos, feliz, repetindo que “essa sim era uma criança sortuda, com pais guerreiros...”. Mas essas reações não eram muito relevantes. Vamos aos pontos decisivos:

Kingsley estava quase vomitando o arco-íris, festejando, dizendo que tínhamos que comemorar àquilo. Ele mal esperava a hora de ver o pequeno Granger-Weasley engatinhando pelo ministério, iria ser a nova mascote dos aurores.

(anotação mental, nunca deixar Naoki sob os cuidados de Kingsley).

Sr. Weasley, Gui e Fleur abanavam a senhora Weasley que não sabia se ria, chorava ou passava sermão em Fred.

Jorge tinha se engasgado e estava roxo, Lino desnorteado não sabia se soltava uma piadinha ou se ajudava o coitado do ruivo a voltar a respirar.

Bem, acho que o problema maior foi Harry e Rony. Eles tentavam de qualquer jeito se desvencilhar de Gina e Lilá gritando da outra ponta da mesa que iriam tirar o couro de Fred. Draco tinha um sorriso sínico, aposto que estava esperando a hora certa para esfregar na cara de Harry e Rony que sabia desde o começo sobre a minha gravidez.

Gina e Lilá desistiram de tentar conter os namorados, e vieram falar comigo. Fred teve que correr para fora para não apanhar de Harry e Rony que com varinhas em punho diziam que queriam apenas “Conversar” com Fred.

Luna, Draco, Gina e Lilá chegaram até mim.

- Você é louca? Filho com 18 anos? Não era você que não ia ter filhos? – Lilá estava ligeiramente indignada.

- É, eu sei. Mas aconteceu, e eu não quis tirar. Além do mais, estou quase me formando tenho emprego, e o próprio Kingsley que vou poder levá-lo para trabalhar comigo...

- Ele vai ser a mascote dos aurores... – Lilá disse exasperada.

- Desde cedo vai aprender a seguir a carreira dos pais...

Gina que estava – literalmente – pulando do meu lado enquanto mordia o lábio não se aguentou:

- AH! QUE LINDO, ISSO É TÃO VOCÊS, VAI DAR TÃO CERTO, VOU SER TIA NEM ACREDITO. Lilá, para de jogar balde de água fria sim?

- Mas criar uma criança não é assim fácil.

- Mas a Hermione tem a Sra. Weasley, já tem emprego, um ótimo currículo, ganha mais do que meu pai, fora o salário do Fred. – Draco dizia.

Quando Draco descobriu que eu estava grávida, também me passou uma bronca, mas depois de semanas colocando na balança e na ponta do lápis ele disse que a minha vida e a do Fred realmente era apta para uma criança. Fora os detalhes de guerra, mas eu ainda tinha sete meses para acabar essa guerra antes que meu Naoki nascesse.

- Vocês serão ótimos pais. E eu acho que eu e Draco podemos morar um tempo com vocês para ajudar a cuidar. – Luna dizia sorridente – afinal, eu vou ser pesquisadora, posso fazer meus horários. Vou ser sua babysiter oficial.

- Ah, dá cá um abraço sua rata desmiolada. – Lilá me puxou para um abraço – qualquer coisa que precisar, é só gritar. Você sabe disso né?

Depois disso houve um abraço coletivo, onde Luna decidiu que iria começar a preparar os talismãs do meu bebe. Casacos azuis de crochê com lã de alpaca chilena, cordão com pingente natural de uma pedra de riacho que lembre uma pimenta, um lencinho com um número 7 bordado...

Gina decidiu que iria comigo fazer o enxoval “meu sobrinho vai ser a coisa mais fashion que a indústria infantil já viu. E vai ser lindo, ainda mais se for parecida com a tia... Meu Merlin, eu vou ser Tia... Ah meu Sobrinho lindo da Tia...”.

Lá pelas tantas, Fred voltou e se escondeu atrás de mim. Harry e Rony chegaram logo depois, vermelhos, raivosos.

- Sai daí Fred! – Rony rosnou.

- Garotos, por favor, pai do meu filho...

- Hermione... – Harry me interrompeu e esticou sua palma da mão na frente do meu rosto. – eu não estou podendo falar com você agora...

- Isso mesmo, primeiro eu vou matar essa lombriga ruiva que te desvirtuou, depois nós conversamos. – eu revirei os olhos e ri.

- Não precisa se preocupar com isso... – a senhora Weasley praticamente brotou do nosso lado. – deixa que eu acabe com a raça dele. – ela pescou a orelha do Fred e foi arrastando-o até a cadeira, onde ela fê-lo sentar. Ele gemendo de dor.

Antes que ela arrancasse a orelha de Fred, e voltasse a deixá-lo igual a Jorge, eu corri para o lado do ruivo e passei meus braços protetoramente ao redor do seu pescoço, passando os dedos pelos seus ruivos cabelos.

- Sra. Weasley... – eu disse sorrindo – não há motivo para preocupação.

- Irresponsáveis – ela bradava. – essa criança vai nascer com dois pais irresponsáveis, duas crianças!

Confesso que vê-la brava comigo, pela primeira vez, foi ruim. Tive vontade de me abaixar em um cantinho e chorar. Quando Fred notou que eu passei da posição de protegê-lo para me esconder atrás de seu pescoço, sua pose mudou, como um lobo raivoso, mudou sua postura, provavelmente iria brigar com a mãe. Provavelmente, não chegou a falar nada.

Sr. Weasley e Gui falaram por ele.

- Ora, isso não é hora nem lugar para Piti mãe! – Gui bateu o pé passando a mão na minha cabeça.

- Francamente Molly, você tinha 19 anos quando Carlinhos nasceu. – Sr. Weasley ralhou. Felizmente os convidados bebiam alegres e ninguém prestava atenção na discussão – Hermione é a garota mais responsável que eu já conheci em minha vida, diga uma única vez que ela nos decepcionou, diga uma vez e eu não só lhe darei razão como proibirei a união dos dois!

Senhora Weasley ficou em silêncio.

- Foi o que eu pensei, agora pare de criar caso e não trate mais alguém grávida com essa grosseria.

O que eu achava genial naquilo tudo, é que mesmo depois dessa ‘mijada’ básica, o Sr. Weasley abriu um sorriso e beijou o alto da cabeça da baixinha que desfazia sua carranca. Ele se virou para mim e estendeu os braços. Soltei Fred e fui abraçá-lo.

- Não conte a ninguém – ele cochichou – mas se fosse qualquer outra mulher do planeta eu estará tão revoltado quando a Molly, ou talvez mais. Mas confio em você, sei que será uma ótima mãe para meu neto. – Estava REALMENTE difícil não chorar. – bem vinda à Família.

Gui e Fleur vieram nos cumprimentar, Gui meteu um cascudo em Fred, brincando e xingando-o por dar ideias para Fleur. Fleur sorridente achou aqui o máximo, e de fato estava considerando engravidar também.

Harry e Rony vieram me abraçar.

- Mas você é a nossa menininha, rata de biblioteca... – Rony choramingava.

- Não vamos mais poder ficar sempre com você... Quem vai fazer minhas tarefas? Quem vai cuidar de mim? – Harry também murmurava.

- Eu vou cuidar dos dois, e vocês dois vão ganhar um novo menininho. Ensinar as passagens secretas de Hogwarts, ensinar Quadribol...

- Ensinar a dormir na aula de história da magia sem ser pega pelo professor... – Rony disse com os olhos brilhando.

- Ou ainda aquela fresta que dá para o dormitório das meninas... – Harry disse estalando os dedos.

Eu arqueei a sobrancelhas.

- Não, esse tipo de coisa não...

Os dois riram. Tenho medo de como é que eu vou conseguir educar essa criança com Harry e Rony por perto. Ainda Lino e Jorge... Céus, meu filho vai ser um depravado...

- Ou como jogar bombas de bosta no Filch, naquele ponto cego do corredor! – Rony riu-se.

- E a subornar o Pirraça e o Nick sem cabeça... A pregar peças nos quadros... – Harry dizia sonhadoramente. – Hermione, eu não vejo a hora de o seu filho nascer.

- Vai ser legal...

Eu balançava a cabeça quando vi Molly se aproximar de mim. Eu engoli em seco, tive vontade de sair correndo para me esconder atrás de Fred, não queria que ela me olhasse com aquele ar de decepção novamente.

Mas logo seu ar sério se tornou em um misto de sorriso e cara de choro.

- Vem aqui minha querida – ela abriu os braços.

Afundei-me em seu abraço e deixei que ela me esmagasse, só o que eu precisava era daquele abraço maternal, nada mais.

Contudo, todo meu autocontrole se foi, eu soluçava no ombro da Sra. Weasley, e ela afagava meus cabelos, também chorando, mas principalmente sorrindo.

- Eu... - eu comecei a falar.

- Não... Eu sinto muito, eu fiquei nervosa, é meu primeiro neto, Fred é um cabeça de vento, mas você não sabe como eu estou feliz, Arthur tem razão, se existe uma boa pessoa, alguém que nunca me decepcionou e nem vai é você minha filha. – ela falava aos soluços, tropeçando palavras, e rindo, sem me soltar. – bem vinda à família, seja muito bem vinda! Quer dizer, você sempre fez parte da família não é mesmo?

Ela afastou seu rosto para me observar, e passou a ajeitar meu cabelo e acariciar meu rosto.

- Mas ainda magra, tem que comer mais!

- Concordo – um par de braços se fechou ao nosso redor. Fred que beijava a mim e a Molly.

Molly me soltou e deu um abraço no filho, rápido, seguido de um beijo em sua testa.

- Estou muito orgulhosa de você.

Dizendo isso saiu e foi para junto do senhor Weasley. Eu ainda chorava. Fred me abraçou e eu aconcheguei meu rosto em seu peito. Controlei o soluço e fiquei ali, enquanto ele me ninava levemente. Finalmente minha respiração voltou ao normal e Fred arriscou se afastar para me observar.

- Tudo bem? – ele passou o polegar nas minhas bochechas molhadas.

Acenei positivamente com a cabeça.

- Estraguei muito sua maquiagem? – eu perguntei.

- Não, eu sabia que você ia chorar então coloquei alguns feitiços na maquiagem que Gina me ensinou...

Meu humor voltou aos picos, logo estávamos na mesa, entrosados, jogando dorminhoco, canastra, contando piadas, Harry contando como Gina ficou fuçando suas coisas até achar a aliança, e coletando marcar um próximo jantar assim. O povo pediu que o “Trio Vintage” cantasse mais uma música. O trio virou “Quinteto Vintage”. Rony e Neville também foram cantar.

Neville chegou atrasado com a senhora Longbottom, e ficou boiando completamente nos assuntos. Quando eu contei que estava grávida, o pobre quase desfaleceu, mas depois ficou extremamente feliz. Na verdade ele foi tão fofo – Pelas barbas de Merlin, que Harry/Rony/Draco/Jorge/Lino não me escutem – que considerei pedir a ele que fosse padrinho do Naoki.

Resumindo a ópera: o show foi um sucesso. Musicas italianas, Edit Piaf, Sidney Magal, e encerrando a noite: Gina, Luna, Lilá e eu, fomos com os garotos cantar Frank Sinatra: “New York, New York” onde a Sra. Longbottom fez um solo belíssimo de um trecho final da música.

Na verdade empolgado demais até, algo me dizia que a Sra. Longbottom havia bebido...

***

- To morta... – eu desabei na cama.

Fred desabou ao meu lado e soltou um grunhido de concordância.

- Mas tudo deu certo. Seus pais aceitaram Harry e Rony não te castraram...

- Mas foi por pouco... – ele rolou e ficou de barriga pra cima, os olhos fechados, cabelos já meio desalinhados, os trajes amassados e com um cheiro leve de álcool misturado com maçã.

À muito custo levantei-me, tirei o vestido e me enfiei em baixo das cobertas, só de calcinha e sutiã. Ainda tive que desenterrar forças para tirar o paletó de Fred, e tirar seus sapatos.

Ele, meio zumbi, aproveitou meu momento de leseira e segurou meu braço firmemente, puxando-me para si, fazendo com que eu caísse em cima dele.

Passou suas mãos quentes pela minha cintura, acariciando minhas costas provocadoramente. Afastou meu cabelo e passou a beijar meu pescoço, seus olhos fechados, mesmo que preguiçosamente, tinha o toque firme, sensual. Brincava com o fecho do meu sutiã.

Ele abriu os olhos, sorrindo e levou seus dedos até meu ombro, e tocou a marca estirada que destacava-se em meu ombro. Felizmente ele estava meio embriagado e nem notou a marca. Levantei-me e coloquei Fred em baixo das cobertas e deitei ao seu lado. Ele apenas me abraçou, como se eu fosse seu bicinho de pelúcia.

- Quero ficar logo com você para sempre... – eu resmunguei.

- Para sempre é muito tempo. – ele murmurou.

Eu ri e me aprocheguei do ruivo, que acariciava vagarosamente minha cintura.

- Ainda me parece muito pouco para ficar com você... Meu Físico Tarado.



Notas finais do capítulo

NHÓ, MEU FUTURO NAMORADO VAI LER ESSA FIC PRA APRENDER COMO SE FAZ U-U'
Bem, desculpem pela demora, e espero que tenham gostado por que eu estou aqui me desintegrando em purpurina... -MASOQUE...
Sinto informar mas agora a cobra vai fumar, e vocês vão simplesmente querer comer meu cu...
NHOM, e por hoje é só :C