Consequências - Fred E Hermione escrita por penelope_bloom


Capítulo 6
Teatcher'


Notas iniciais do capítulo

*jurosolenementequenãovoufazernadadebom*
*ESQUIVA DOS AVADAS E CRUCIOS*
Gente, me desculpem eu sei que demorou MUITO estou me sentindo piro que um coco de cabrito... serião D:
beijo pra todas as fofas que mandaram reviews e para a
LaLa e a MissRebelde que mandaram recomendações.
ok , chega, vou postar logo vejo vcs lá em baixo ^^




SEIS:

 Escrevi ouvindo essa música:http://letras.mus.br/clarice-falcao/monomania/

Dormi absurdamente bem, e acordei disposta. Não soube dizer se Fred estava acordado, pois tinha a venda nos olhos.

Levantei silenciosamente. Ou ao menos tentei, já que o tapete logo de manhã fez questão de levar-me ao chão. É... Ele estava dormindo, mesmo com a minha estrondosa tentativa de tentar me equilibrar segurando no criado mudo derrubando-o comigo.

Arrumei as coisas, coloquei meu uniforme, separei uma muda de roupas e coloquei-as em minha mochila. Desci as escadas, um cheiro maravilhoso vinha da cozinha, a morena tinha os cabelos presos em um rabo de cavalo no alto da cabeça e uma cara amassada de sono.

- Alana, não precisava...

- Quis retribuir. – ela deu de ombros.

Comi rapidamente, o dia estava claro e bonito a primavera estava chegando.

- Tem sanguessugas na sua fonte sabia? – Alana disse aleatoriamente.

- Sério? - Tomei um gole de chá.

- Aham, ontem eu estava colocando feitiços pela casa e vi.

Acredite quem quiser tivemos mais alguns minutos de conversa sobre cultura inútil e por fim fui para escola.

Ajudei no transporte dos alunos, acompanhei os grifinórios no café da manhã, quase estrangulei Nicolas que veio me dar oi com um sorriso malicioso, tive que surrar o tarado do Lino e depois assisti às aulas. Não almocei, fui direto para a Livraria e fiquei lá durante o horário de almoço, felizmente o café só abria na metade da tarde, então fiquei no caixa passando os livros.

Meu horário de almoço acabou e eu voltei para o colégio, ajudei Gina com o relatório dos dormitórios, tive que puxar a orelha de Harry e Rony que jogavam jogo da velha durante a aula de Poções.

Quase tive um treco quando me perguntaram onde eu tinha ido. Quase morri quando Harry e Rony disseram que eu trabalhava. Tive que me desvirar em quatro para evitar o assunto e sair sem responder aquela pergunta. Aquela pergunta que eu odiava:

“Onde você trabalha?”

Assim que as aulas acabaram, voltei para o café, dessa vez fiquei no balcão, preparando as bebidas, quieta no meu canto com Gabriela buzinando no meu ouvido:

“Eu acho que você gosta do Ian. Só pode! Por que você nunca fala de mim para ele?”

Como já havia ficado no almoço, pude sair mais cedo, 19:30 estava eu indo rumo aos dormitórios, Minerva ao meu lado. Hoje eu iria treinar os dois meliantes: Nicolas e Panti.

- Não tenho como agradecer, ainda acho que devia pagá-la. – ela dizia esfregando as mãos.

- Fica como pagamento pelos meus livros. – respondi-lhe sorrindo.

Chegamos em frente à porta, a senha foi dita e a porta abriu-se.

Foi engraçado, entramos no salão comum dos dormitórios e não sobrou pedra sobre pedra. Os alunos se espalharam, apavorados pela presença da Minerva. Guardaram os materiais ilícitos, fingiram abrir o livro de história, Lino desceu da mesa – não me pergunte o que diabos ele fazia ali em cima – Gina saiu de cima de Harry, Lilá saiu do colo de Rony – não pensei besteira, eles não estavam fazendo nada de mais – Draco que estava deitado no colo de Luna quase teve uma síncope. Luna apenas bocejou, dos alunos em geral ela com certeza era a mais calma.

- Mas que balburdia! – Minerva começou a repreender os alunos.

Apenas toquei seu ombro e falei-lhe baixo.

- Eles andam se esforçando, não seja tão dura com eles.

Ela interrompeu sua bronca e ajeitou sua longa capa verde musgo.

- Era esperado um pouco mais de compostura dos alunos de Hogwarts. – ela disse séria – mas por hoje deixarei passar.

Acho que nunca recebi tantos olhares agradecidos ao mesmo tempo.

- Ah, Panti, vá buscar seu irmão. – Minerva disse focalizando a loira que rabiscava algo em seu caderno, com os fios platinos presos em um coque desgrenhado e ineficaz.

- Ele está no dormitório masculino. – ela deu de ombros – não quero ir lá...

- Eu vou. – prontifiquei-me antes que Minerva começasse um discurso e fizesse daquilo grande causo.

- Panti vá colocar seu casaco...

Subi as escadas rapidamente, e adentrei o dormitório masculino. O loiro estava atirado na cama com um garoto mais novo da Corvinal, eles olhavam uma revista e riam-se. Não dei bola a principio, até que notei que a bruxa que estava na capa era uma atriz, e trajava roupas... Bem na verdade, ela simplesmente NÃO as trajava.

- NICOLAS DEMETER! – gritei sentindo meu rosto esquentar. – O que significa isso?

Os corvinais quase enfartaram o garoto mais novo quase caiu da cama, fecharam a revista rapidamente e começaram a inventar desculpas esfarrapadas.

Ecoaram passos pela escada e no minuto seguinte Minerva estava ao meu lado, atônita fitando o olhar na revista. Encarando-a como se fosse você-sabe-quem em pessoa naquela cama.

Não muito tempo levou para que ela estivesse fazendo um discurso moralista, furiosa, enquanto agarrava as orelhas do loiro e ameaçava-o mandar de volta para a Estônia. Ela saiu do salão brigando com o garoto, Panti com sua típica cara de tédio apenas os seguia, desinteressada.

Desci as escadas logo depois, contudo Harry pulou em mim, impedindo-me de passar.

- O que houve? – ele perguntou rindo.

- Isto – levantei a revista indecente que eu havia confiscado.

Harry riu-se, Rony que colocara-se ao meu lado também.

- Quer que agente cuide dela pra você? – Harry sugestionou com tom inocente.

- Você já tem tanto trabalho – Rony disse tentando pegar a revista.

Puxei-a junto ao peito.

- Awn, como vocês são queridos... – sorri – Gina! Lilá! Olhem os namorados pervertidos de vocês querendo ficar com revista de mulher pelada!

- Que mentira! – os dois disseram juntos.

Esquivei-me dos garotos e apertei meu passo para alcançar Minerva, gritando um rápido tchau para todo mundo. Se bem que as atenções maiores estavam em Rony e Harry que corriam ao redor do sofá, se esquivando das coisas que Gina jogava neles e implorando a Lilá que não quebrasse suas vassouras.

Cheguei na sala da Diretora Minerva e ouvi-a falando:

- A professora de vocês vai chegar em um instante...

Abri a porta, controlando a respiração e colocando a revista sobre a pilha de relatórios da Minerva.

- Certo, vamos?  Queria que vocês fossem dormir antes da meia noite se possível. – eu disse sorrindo.

- Como assim? – Panti disse me analisando.

- Nós não vamos ficar no colégio hoje Hermione, não precisa se preocupar com nosso horário... – Nicolas murmurou esfregando a orelha vermelha, meio ressentido de eu tê-lo dedurado.

- Eu sei Nicolas... – murmurei.

- Ela será a professora de vocês. – Minerva esclareceu.

Imediatamente e sincronizadamente ambos abriram a boca para reclamar.

- Sem um pio. Vocês vão e ponto final.

No fim houve vários pios e protestos, Panti quase pulou em cima de mim, dizendo que seria humilhante ela ter aula com uma pirralha que nem eu.

Foi minha vez de me controlar para não pular no pescoço da loira.

“PIRRALHA? NÃO É PORQUE VOCÊ É MAIS ALTA QUE VOCÊ É MAIS VELHA!”

- Sem discussões, assim que Hermione achar que o treinamento de vocês se igualou aos dos demais alunos, as aulas particulares serão suspensas. Até lá, toda sexta-feira vocês irão fazer jus a educação que a mãe de vocês lhes deu e irão treinar na casa dela. Entendidos? – Minerva disse séria, seus olhos estavam quase de um vermelho demoníaco e uma áurea negra fez com que os irmãos parecessem dois filhotes acuados.

- Sim senhora. – os irmãos disseram.

- Qualquer coisa, mande-os para mim Srta Granger.

- Não será necessário. – eu espero ao menos...

Encaminhamo-nos à lareira onde finalmente fomos para casa. Eu estava moída e tudo que eu mais desejava era poder chegar em casa, deitar com meu ruivo e ficar delirando sobre nomes de bebês... Sabe, uma pacata grávida normal para variar. Mas nããão, a nuvem negra que assolava minha vida era densa, e parecia que tinha vindo pra ficar.

Saímos da lareira para a sala, estava arrumada. Alana certamente tinha dado uma geral antes de sair.

- Bem, está é a minha casa, sintam-se a vontade. Vocês vão ficar no quarto de hóspedes, eu arrumareis as coisas para vocês em um instante... Já jantaram? – eu disse atravessando a casa rumo à cozinha, os irmãos me seguiam atrás. Acho que eles não esperavam por uma casa como aquela.

Paredes azuis, piano, prismas perto das janelas, livros...

- Mione, já chegou? – Um ruivo sem camisa brotou da cozinha, um tapa olho branco que transpassava seus cabelos, a colher de madeira com brigadeiro na mão enquanto rolava na boca um pouco do doce.

Meu rosto não ficou vermelho... FICOU ROXO.

- Temos visita! – eu disse sorrindo completamente sem jeito, segurando o braço do ruivo e o arrastando até as escadas.

- Ah, oi... – ele acenou para os dois seres estupefatos atrás de mim. – Quem são esses?

Panti estava corada e tentava não encarar o corpo do ruivo sem camisa. Já Nicolas... Bem, Nicolas estava quase enfiando aquela colher de pau na goela de Fred.

- Eu vou treinar eles, agora, por favor... VAI COLOCAR UMA CAMISETA... MELHOR, FIQUE LÁ EM CIMA E NÃO DESÇA. – eu disse com MUITA vergonha.

- Mi mi mi... – Ele disse mexendo a mão como se fosse uma boca resmungando enquanto subia as escadas.

Virei-me para ele e gritei-lhe apenas mexendo os lábios: VOCÊ ME PAGA!

Assim que a porta se fechou Nicolas bufou irritado.

- Quem é o Pirata Brutamonte?

- É o Fred Weasley, Auror do Ministério...

- E por que ele estava pelado na sua cozinha? – Nicolas disse em tom de acusação, como se fosse um ciumento namorado.

- Ele não estava pelado! E mesmo se estivesse não teria problema, ele é meu namorado e mora aqui.

- Namorado? – os irmãos indagaram em coro.

Ignorei-os e fui até o quarto de hóspedes. Ignorei as perguntas indecentes que os dois me faziam e arrumei suas camas, coloquei suas malas em suas respectivas camas e abri as janelas.

- Hoje vamos treinar a concentração e o corpo de vocês...

- Mas ele é muito lindo pra você, quer dizer, você viu o peitoral dele...? E você é baixinha e desmilinguida...

- ...Sardento ridículo, você é boa demais pra ele, acho que você deveria ficar com alguém legal, engraçado... Que o nome comece com a letra N...

Senhor daí-me paciência, por que se me der força eu afogo esses dois no sangue um do outro...

- Periculum! – gritei e faíscas dispararam de minha varinha com um grande estampido. – calem a boca ou terão que fazer flexões!

Imediatamente os dois se calaram e a contra gosto me escutaram.

- Vamos treinar lá fora.

Saí e eles me seguiram. Tirei meu casaco e fiquei apenas com uma calça e regata branca folgada – era impressão ou já era visível uma barriguinha?

- ‘Tá louca? Ficar assim nesse frio... – Nicolas disse espantado.

- Resistência e concentração... Vamos! Está esperando o Papa vir aqui tirar seus calçados? Os dois, agora! – bati palmas em ritmo de “um-dois, um-dois! Vamos seus maricas!”

- Já sei de onde saiu o “General”... – Panti reclamou tirando seu casaco.

Ah, se ela soubesse a ironia do apelido General...

Como eu esperava foi desastroso. Eles não tinham um mínimo de foco, de disciplina, então basicamente treinei sua atenção nas primeiras horas, depois os fiz ir correndo até a vila, e os fiz treinarem a capacidade de simultaneamente desviar de meus feitiços tentando sustentar a água da fonte do meu quintal sem deixar cair uma gota sequer.

Nicolas pela quarta vez derrubava metade da água que agora eu via com clareza: estava repleta de sanguessugas.

- Errado! – gritei abocanhando mais um pedaço do meu pão de queijo que Fred havia trazido enquanto eles corriam até a vila. – Mais uma vez!

Nicolas soltou a água de uma vez, Panti tremia, encharcada, em um canto secando meu pão de queijo.

- Pra você é fácil dizer, você tá ai comendo, descansada, na luz... – o loiro resmungou.

- Queria ver você aqui no meio da madrugada, nesse breu desgraçado e esse frio do capeta, com fome, cansada e com sono... – Panti completou irritada.

Fechei a cara e me levantei.

Os irmãos se encolheram crente que eu faria um tapete com suas pele. Passei reto por eles e me posicionei há uns dez metros da fonte.

- Me ataquem! – rugi.

Trocaram olhares, indecisos, duvidosos se depois eu os colocaria em um caldeirão de óleo fervente. O momento de indecisão passou e uma chuva de feitiços veio em minha direção, contudo, eram feitiços inexperientes, e até a minha avó Cida, com três graus e meio de miopia tem uma mira melhor. Esquivei-me de todos e levantei a água da fonte.

- Por meses eu viajei com dois garotos, tendo que ficar de vigília para que eles pudessem dormir – eu ainda era atacada e ainda suspendia a bola de água. – viajamos apenas com uma barraca e poucas roupas, passei oito horas seguidas, na mais profunda escuridão, dos mais longínquos bosques, com temperaturas tão baixas que toda a água de gigantescos lagos congelava, e eu não podia acender uma fogueira sequer, para não entregar nossa posição. Não atritava as mãos para gerar calor com medo que os comensais pudessem ouvir. Comíamos cogumelos e cascas, que nos forneciam proteínas, mas tinham um gosto intragável que não nos satisfazia. Eu ficava aterrorizada com o estalar das folhas que caiam ao meu redor. Um segundo de distração poderia nos matar, então eu tive que aprender a controlar a fome, o medo, o frio, para não ser morta! – soltei a água de novo na fonte e com um aceno de varinha derrubei os irmãos no chão e marchei até eles. - Não quero mais questionamentos ou comparações. Eu sei sobreviver, e estamos aqui para que vocês também saibam. Eu sou a professora, não vocês.

Os irmãos acenaram com a cabeça, olhos esbugalhados e peitos inquietos, ofegantes. Desfiz a cara de “General Durona” e sorri.

- Por agora chega, vamos comer.

Apenas o bater dos talheres se ouvia, os irmãos comiam quietos, sem comentários, sem troca de olhares, apenas encarando o garfo que monotonamente  se erguia até a boca e voltava ao prato. Isso é, pelo menos na primeira parte de jantar.

- Alô gente bonita. – a cadeira se arrastou e do lado de Nick o ruivo se atirou, com um prato em mãos servindo-se da minha macarronada a bolonhesa, das torradinhas e começando a comer como se não visse comida há meses. – Que silêncio – ele disse após dar um gole do seu suco, alguém morreu?

- Não, eu acho que assustei um pouco eles. – comentei.

- Certo, ela sabe ser assustadora quando quer... – Fred comentou – Mas ela é inofensiva, não passa de uma gatinha assustada...

Senti minha têmpora saltar. A sorte do ruivo é que minhas mãos não o alcançavam se não e ele estaria nesse exato momento se afogando no próprio macarrão.

- Ela não assustou. – Nicolas disse encarando o prato. – apenas nos deu uma bronca... E se quer saber não acho que ela seja assustada, ela é uma bruxa incrível, bonita, esforçada...

- Que já tem namorado... – Fred disse desmanchando ligeiramente o sorriso.

Fred e Nicolas trocaram um olhar ligeiramente sombrio. Pareciam dois Dobermanns famintos e treinados para matar que a qualquer momento pulariam um na garganta do outro.

- Menos Nick... – Panti disse afagando a cabeça do irmão com uma cara de paisagem, como se ele realmente fosse um cachorro mal-criado. – Antes que haja sangue no recinto...

-Só se for sangue dele. – Fred murmurou, por sorte, nenhum dos Demeter ouviu...

Fiz-lhe uma cara de maníaca, gritando com os olhos para que ele parasse com essa infantilidade.

- Mas então, fora a bronca da minha ilustre namorada – chutei-o por debaixo da mesa para que ele parasse de provocação – o que mais fizeram?

- Treinamos atenção hoje. – Nick disse aparentemente já distraído e descontraído, como se o momento de tensão de segundos atrás não tivesse existido. – desviar de feitiços e levitar uma bola de água não é exatamente fácil.

- Nem me diga! Sabe, eu sou treinador de Aurores no ministério, e sempre que eu passo esse exercício, de cada dez alunos, onze acabam arremessando a água em mim. Começo a desconfiar que é de propósito...

Nick riu e gesticulou para os legumes que estavam próximos ao Fred, este lhe passou com um sorriso na cara, também sorrindo.

- Sabe, é possível... Eu costumava “errar” – ele desenhou aspas no ar – os feitiços de arremesso e acertar o Sr. Barda com bolinhas de chumbo... Mas ele era muito chato, se você errava uma coisinha ele te mandava fazer tudo desde o começo...

- E tinha uma voz de pato horrível... E falava cuspindo! – Panti complementou rindo.

- Cara é verdade! Teve uma vez que eu invoquei um guarda-chuva para que ele não me molhasse tanto... – Nick riu-se.

- E você disse:  “Acho que já tomei meu banho de hoje, mesmo ele sendo de baba, obrigado professor...” – Panti também riu, eu e Fred começamos a rir também – Nick teve que ler um livro trouxa de quase  800 páginas e fazer um resumo... No fim, eu tive que fazer o resumo pra ele...

- Isso me é familiar... – Fred riu – Sempre que eu pegava detenção e tinha que entregar trabalhos assim era a Mione que me ajudava...

- Então você sabe como é ser explorada. – Panti disse arqueando uma sobrancelha.

Pela primeira vez a frase “SONSERINA, SONSERINA, SONSERINA” não estava cravada em letras brilhantes em sua testa. Acho que era a primeira vez que eu a via sorrir. Devo admitir, ela ficava muito mais bonita sorrindo.

- E como sei!  Além desse traste, tem o irmão gêmeo dele, meus dois melhores amigos, as namoradas deles...

- Fora em épocas de prova! – Panti disse – aqueles que NUNCA falaram com você vêm com aquele olhar pidão: “Pô Panti, te considero pra caramba... você bem que podia sentar na minha frente hoje né?” – ela forçou uma voz masculina.

Comecei a rir. Aquilo me lembrou muito Córmaco durante as provas finais.

Acabamos de jantar, Fred me ajudou a tirar os pratos, tudo correu bem. Servi-lhes um chá e conversamos mais alguns minutos. Em certos momentos os dobermanns voltavam a se apoderar dos corpos masculinos presentes no recinto e palavras eram substituídas por rosnados, mas logo em seguida tudo voltada ao normal. Fora esses lapsos Nicolas e Fred se davam bem.

Depois do momento de descontração voltamos para fora para treinar. Fred, mesmo caolho fez questão de ajudar. Seus reflexos estavam ligeiramente  desregulados, mas se saiu bem.  Terminamos a noite por volta de 03:00 da madrugada com um pique – esconde sem varinhas. Para treinar o silêncio, a capacidade de ocultação bem como a de fuga. Panti se escondia bem, mas era definitivamente lerda. Já Nicolas era completamente espalhafatoso e muito ruidoso, mas corria feito uma gazela. Corria de um jeito engraçado, com o tronco inclinado para trás, e levantava a perna de um modo que a cada passo seu joelho quase colava em seu peito. Era frustrante tentar pegá-lo, ele contorcia seu corpo de um jeito que era humanamente desafiador às leis da física.

Mas no fim a experiência minha e de Fred venceu. Fred ficou amotinado esperando Panti trocar de esconderijo e praticamente pulou em cima dela. Com seu grito agudo Nicolas se distraiu. Foi o que bastou: passei-lhe uma rasteira e antes que ele pudesse levantar-se subi nele e imobilizei seus braços com os joelhos pressionando seu rosto contra as folhas secas, ele arfando como um touro selvagem que fora derrubado.

- Não é justo! – ele disse cuspindo a terra da boca – o grito da Panti me distraiu...

- Nunca é justo... – eu disse – agradeça por ser eu e não Bellatrix Lestragnge... Aí sim você veria o que é injustiça...

Quando acabei  frase Nicolas me encarava daquele jeito irritante que me dava vontade de socá-lo. Olhos ligeiramente estreitos, sorriso ladino no rosto e um maldito olhar sedutor que o fazia parecer um ator galã de 30 anos.

- Nick, quer fazer o favor de parar de me olhar assim... – resmunguei.

- Quem sabe, se você sair de cima de mim...

Graças à santa deusa Nix, a noite estava sombria e não foi possível notar a cor que meu rosto assumiu. 

Tomates: invejem minha cor!

Voltei a enterrar a cabeça dele nas folhas e me levantei. Quando saí, pisei na cabeça dele. E considere-me controlada, minha vontade foi de esganá-lo. Melhor! De afogá-lo na fonte cheia de sanguessugas.

“Ou quem sabe estripá-lo com uma faca cega de plástico.” Minha consciência manifestou-se.

“Ou ainda fazê-lo andar no escuro por uma sala repleta de quinas e legos...” Sugeri.

“Não aí já seria crueldade demais.” Ela disse piedosa.

“É... Vamos ficar com a faca cega de plástico...”

“Também gostei da ideia da fonte de sanguessugas...“ [N/A: ODEIO ESCREVER IDEIA SEM ACENTO, GOSTARIA DE DEIXAR ISSO BEM CLARO ¬¬’]

“Obrigada...”

Arrumei o quarto de hóspedes, Panti foi tomar banho, Nicolas caiu dormindo no sofá mesmo.

- Vem pra cama Nick... – eu disse puxando-o até fazê-lo ficar de pé.

- Nick?  Que intimidade...  E já chamando pra ir pra cama?

Dei-lhe um tapa na cabeça. Garoto idiota cheio de minhocas na cabeça... Ele apoiou sua cabeça no meu ombro, sonolento, e eu passei meus braços pelo seu ombro, guiando o garoto meio zumbi pela casa até o quarto de hóspedes. Céus que garoto pesado, seus ossos eram do que? Chumbo?

Panti já estava deitada com seu pijama lilás com detalhes brancos, as cobertas até o queixo seus cabelos platinados meticulosamente escovados e presos em um rabo de cavalo frouxo.

Com muita dificuldade tapei Nicolas, que desabou em cima das cobertas e em cima do meu braço. Por um instante aterrorizante achei que fosse ter que amputar meu braço. Seus ossos não eram de chumbo, eram de ósmio mesmo! (ósmio, material mais denso existente na natureza)

- Obrigado por tudo – a loira disse seguindo meus movimentos com seus olhos reptilianos. – como acha que estamos?

- Não foi nada, tudo pela diretora Minerva. – eu finalmente tirei meu braço do corpo do loiro. – Bem, para dois hippies do interior, vocês estão se saindo melhor do que eu esperava. os dois são teimosos e perseverantes. Gosto disso.

Olhei rapidamente para o loiro e ajeitei seu travesseiro. O rosto calmo e infantil. Não passava de um garoto lutando para se virar sem os pais, indefeso, assustado, provavelmente ainda brinca de carrinhos, assim como eu costumava subir em árvores. Lembro-me de quando eu tinha 14 anos, meus conflitos internos, o surgimento de sentimentos novos entre Rony e Krum, a preocupação com Harry no torneio. Meus 14 anos provavelmente foram tão complicados quanto o de Nicolas está sendo, se eu sobrevivi, ele também sobreviverá.

- Eu só fico preocupada com ele sabe. Ele é muito criança, e eu sei bem como comensais podem ser...

- Não precisa se preocupar. Você faz parte de Hogwarts agora, nós vamos cuidar de vocês. – dei ênfase no plural. – quando o seu treinamento acabar, tenho pena do comensal que cruzar seu caminho, e se algo acontecer antes disso, eu, Minerva, Fred, Harry, Rony, Draco, Luna, Gina e todos os outros estamos prontos para proteger vocês.

Ela desviou o olhar.

- Não há nada demais em receber ajuda. Poder contar com os amigos não é sinal de fraqueza.

- Minha mãe contava com a Minerva, e foi morta. Meu pai está definhando em uma cama.

Sua voz soava meio amarga, mas seus olhos estavam deprimidos, fundos. Remexi-me inquieta, não gostava de como aquilo soava injusto em relação a diretora McGonagall.

- Minerva não pode oferecer proteção, pois estava enjaulada na própria escola, sob vigília de comensais poderosos e influentes no ministério, estava de mãos atadas. Ele nunca deixaria sua mãe morrer se pudesse evitar. E ela está fazendo o melhor para manter você e Nicolas seguros.

- Agradeço por seu treinamento, de verdade. – Panti sentou-se na cama e me perfurou com seus olhos verdes. – mas nunca vou confiar a vida de meu irmão à tia Minerva ou quem quer que seja.

Abri um singelo sorriso. Era como se eu estivesse olhando para mim mesma no passado versão loira-sonserina-assustadora. Será que eu tinha esse ar arrogante quando tentava convencer Fred que eu poderia carregar o mundo nas costas? Lembro quando ele me derrubou na banheira dos monitores e praticamente me chacoalhou pelos ombros, dizendo que eu não podia guardar tudo para mim.

- Carregar o mundo nas costas não é sinal de força, e sim de burrice. – eu disse repetindo as exatas palavras que Fred costumava me dizer – o mundo é pesado demais para apenas uma pessoa carregá-lo, e mais dia menos dia, ele pode acabar te esmagando.

Acho que ela pretendia me xingar ou me lançar um feitiço, mas eu virei as costas e rumei à porta. Virei-me para a loira antes de apagar a luz.

- Boa Noite.

Encostei a porta e girei nos calcanhares. Quase tive um enfarto. Um pirata caolho ruivo me encarava.

Ah não, era só o Fred.

- Faça o que eu falo, mas não faça o que eu faço né?

- Cala a boca. – eu disse abraçando sua cintura.

Fomos assim até o quarto.

- Não queria ir nesse jantar amanhã. – murmurei.

- Também não. Queria comer um miojo, assistir a última temporada de House, e dar uns amassos no escritório.

Escritório era um cômodo do primeiro andar em que Fred fazia invenções para a loja e costumava analisar os relatórios. Praticamente só ele usava eu preferia trabalhar na sala de jantar. Fred caiu na cama me levando com ele, estreitando seus braços em minha fina cintura.

- No escritório? Porque no escritório?

- Por que nunca fizemos nada no escritório, e antes que nosso filho nasça acho que temos que inaugurar todos os cômodos da casa se é que me entende.

Comecei a rir.

- Por falar nisso – meu sorriso diminui – eu estava conversando com Panti e me dei em conta que é estupidez não contar a ninguém sobre nosso bebê. Os comensais já sabem, estaríamos em desvantagem se algo acontecesse...

- Sério mesmo? – Fred sorria.

Não entendi muito bem, ele feliz em estarmos em desvantagem?

- Sim...

Ele me beijou e acariciou minha barriga.

- Finalmente vou poder contar sobre o novo Weasley! – ele disse feliz.

Ri. Claro que o pai coruja estava louco para gritar aos quatro ventos que ia ter um filho. Como não notei antes?

- Mas vamos manter isso apenas na Ordem, não quero que o pessoal do colégio saiba. – levantei-me e coloquei meu pijama, Fred fez o mesmo.

Mania maldita a dele de dormir sem camisa.

- Certo, certo... Cara minha mãe não vai acreditar... Das duas uma: ou ela vai ficar muito feliz, ou vai me dar uma surra “por ser tão irresponsável!” – ele imitou a senhora Weasley.

- Estou torcendo pela surra... – murmurei rindo.

- Não pense que vai escapar da bronca senhorita Granger... – ele arqueou uma sobrancelha. – agora só falta uma coisa... – seu tom tornou-se sério.

Franzi a testa, ligeiramente preocupada com seu tom.

- Quando você vai começar a ter desejos de grávida? Estou me sentindo um pai inútil sabia?

Ri, tomamos as Boa Noite Cinderela, me enfiei em baixo das cobertas e encostei minha mão gelada ao redor do peito desnudo de Fred. Ele reclamou e eu ri.

- Pra aprender a dormir com camiseta.

- Jamais. – ele bocejou longamente, me contagiando de modo que em instantes eu também tinha a boca arreganhada e soltava um grunhido sonolento.

- Boa noite, Fred. – eu me virei de costas e apaguei a luz com um aceno de varinha, voltando a repousá-la sobre o criado-mudo.

Fred encostou sua barriga em minhas costas e enlaçou minha cintura.

- Paloma e Naoki são bons nomes né?  – ele respondeu.

Acariciei sua mão. Aposto dois dólares que ele tem pesquisado possíveis nomes escondido. E se eu olhar a terceira gaveta em baixo das capas vai ter um livro de nomes de bebês. Ele sempre esconde coisas ali, acho que eu devia avisá-lo que eu já conheço seu esconderijo.

- Vemos isso mais tarde amor.

- Certo, Boa noite.

Eu sou mesmo uma inútil em relacionamentos. Fred estava morrendo de ansiedade, excitadíssimo pelo fato de que iria se tornar pai, mas eu estava muito ocupada para notar. De tanto fingir que não estava grávida, acabei por fingir isso para Fred também.

Ele sabe como isso tem mexido comigo, mesmo que eu não admita nem para mim mesma. Então ele evita me pressionar quanto a isso.

Merlin, será que existe alguém tão perfeito quanto Fred Weasley?

- Você sabe coisas sobre mim que nem eu sei né? – murmurei baixinho entrelaçando nossos dedos.

-Aham. – para minha surpresa ele respondeu. Quase tive um treco, senti-me quente e corei sob a penumbra do quarto. – Sempre vai ser assim, não se preocupe.

- Sempre? Até quando você for velho e impotente?

Ele deu uma risada baixa.

- Isso não acontece com os Weasley. E sim, até mesmo quando você tiver seus seios arrastando no chão.

Minha vez de rir.

- Que seios? – murmurei. – mulher despeitada lembra?

- Ah, é verdade...

Não sei se a conversa continuou, pois meus olhos estavam realmente pesados e em menos de três horas os pássaros começariam a cantar. Fui arremessada em um sono bom, pesado e com sonhos. Pela primeira vez em muito tempo sonhos. Não pesadelos.



Notas finais do capítulo

Gente, acho que vocês já sabem que esse ano é ano de cursinho, eu inclusive saí do meu emprego porque eu estava quase entrando em estafa. Medicina é punk e eu realmente estou me esforçando, então peço desculpas pela demora.
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Mas agora que eu saí do meu emprego - vou poder parar de usar uniforme de Nina graças a merlin - eu vou ter mais tempo pra escrever, já estou encaminhando o próximo capítulo pra vocês ^^
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Obrigado pela força, e até mais ^^
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*Malfeitofeito*